25 de mai de 2012

The Client (filme, 2011)


País: Coréia do Sul
Duração: 123 min.
Gênero: Policial, Suspense

Direção: Sohn Young-sung
Roteiro: Sohn Young-sung, Lee Choon-hyeong

Elenco: Ha Jeong-woo, Park Hee Soon, Jang Hyeok, Seong Dong-il, Kim Seong-ryeong, Jeong Won-joong, Park Hyeok-kwon.

Resumo

Um advogado, mais conhecido por defender celebridades, assume um caso de assassinato que despertou grande interesse de público e mídia. Seu cliente é um homem acusado de matar cruelmente a própria mulher. A ausência de um corpo e de evidências contra, ou a favor do acusado, fazem do crime um quebra-cabeças difícil de resolver.

Comentário

The Client é cinema clássico de tribunais, sem grandes firulas, mas nem por isso menos interessante. Se não inova no gênero, ao menos não faz feio ao montar uma trama que traz um suspense crescente, com personagens muito bem caracterizados. Aliás, é interessante ler a entrevista (abaixo) com o diretor do filme, que esclarece muito do processo de criação do roteiro, e da liberdade (coisa rara) que foi dada ao ator principal para desenvolver seu personagem, dando a ele uma ‘cara’ muito particular e humana.

O advogado Kang Seong-hee (Ha Jeong-woo) é um ‘bon vivant’, acostumado a defender casos pouco complicados, como os envolvendo escândalos de celebridades. Mas ele ainda guarda a fama de profissional brilhante, dos tempos em que atuou do outro lado da cerca, como promotor de justiça. É por isso que ele é procurado para atuar como defensor em um caso dos mais complexos, de um homem acusado de matar a própria esposa. A princípio, Kang tenta usar dos artifícios a que está acostumado, ou seja, muito charme e pouca ação. Mas quando Kang se depara com uma promotoria e policiais dispostos a tudo para condenar seu cliente, ele se dá conta de que vai ter de voltar à antiga forma para salvá-lo da condenação. O cliente em questão, Han Cheol-min (Jang Hyeok) é um sujeito enigmático, depressivo, o que dificulta ainda mais o trabalho de Kang. Já o promotor público, Ahn Min-ho (Park Hee Soon), rival declarado do advogado Kang desde os tempos de colegas na promotoria, está disposto a tudo, incluído manobras pouco éticas para condenar Han, e de quebra, desmoralizar Kang.

Acima de tudo, The Client é um embate de mentes, e a tarefa principal dos personagens é dialogar e, principalmente, observar. Nós observamos os personagens tentando adivinhar o que eles estão pensando, enquanto eles fazem o mesmo, entre eles. É um jogo de gato-e-rato, e o divertido é que todos os participantes dessa trama se surpreendem em igual medida.

É um prazer ver o grande ídolo da TV coreana Jang Hyeok fazendo cinema, o que tem sido relativamente raro, já que ele está sempre ocupadíssimo entre um projeto televisivo e outro. Mas seu papel é praticamente secundário. Interessante ele aceitar esse papel ‘menor’, embora seja totalmente compreensível (para quem assiste o filme) a escolha dele para interpretar o suspeito de homicídio, Han Cheol-min.

Outro ator que admiro muito é Park Hee Soon, cuja carreira cinematográfica vem se solidificando aos poucos, em papéis cada vez mais destacados. Ele me lembra muito o estilo discreto mas carismático do ator Jeong Jae-yeong.

Agora, não dá para negar que o sempre surpreendente Ha Jeong-woo domina o filme do começo ao fim. Não adianta, o homem é um astro. É só ler o que o diretor Sohn Young-sung comenta sobre o modo como Ha mergulha de cabeça na criação do personagem. Admiro os atores que se preocupam em pesquisar e pensar profundamente sobre o seu papel.


Ha Jeong-woo, ator (1979): Love Fiction (2011), Nameless Gangster (2011), The Yellow Sea (2010), Take Off (2008), The Chaser (2008- DVD Brasil).

Park Hee Soon, ator (1970): The Scent (2012), BA:BO (2008), Seven Days (2007), Antarctic Journal (2004).

Jang Hyeok, ator (1976): Deep-rooted Tree (drama, 2011), Midas (drama, 2011), Chuno (drama, 2010), Maybe (filme, 2009)

Entrevista com Sohn Young-sung, diretor de cinema:

Clique abaixo para ler...



O diretor Sohn Young-sung (1973) já ficou conhecido na sua estreia como diretor, com o filme The Pit and The Pendulum, em 2008. O filme, que foi convidado para a Semana da Crítica em Cannes, é o tipo de trabalho mais distante possível do cinema de gênero. Ao vê-lo agora dirigindo um thriller de tribunais, é curioso saber como isso foi acontecer. Vamos às perguntas:
P. Eu soube que esse projeto foi proposto pela companhia produtora Generation Blue Film, e não com um roteiro escrito por você?

R. Quando The Pit and The Pendulum foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Busan, em 2008, um produtor da Generation Blue Films (...) me procurou dizendo estar impressionado com o filme. Ele me passou um roteiro, que era "The Client". Apesar de ser um thriller de tribunais, me surpreendi com as semelhanças estruturais entre o roteiro e The Pit and The Pendulum. Foi por isso que decidi fazê-lo.
P. O papel do ator Ha Jeong-woo é o maior, entre os três personagens. O que o fez pensar que ele era a escolha certa para o papel?

R. Quando conheci Ha Jeong-woo, senti que podíamos conversar e nos entender bem. Também tive a impressão de que ele tinha uma mente brilhante. Ele costuma usar como modelo filmes que já viu antes, ao visualizar e criar um personagem. Eu estava ansioso para descobrir quem ele iria escolher para seu personagem em The Client. Ele acabou costurando uma mistura das personalidades de Marlon Brando, num personagem de um drama americano sobre a vida das celebridades em Hollywood, e também de um amigo dele. E ambos concordamos que era mais importante enfatizar o imprevisível do que tentar seguir o roteiro ao pé da letra.
P. O advogado Kang, de Ha Jeong-woo é um personagem fascinante. Por qual tipo de processo você passou para criá-lo?

R. Há uma estória especial por detrás disso. O retrato final do advogado Kang é muito diferente da versão original que está no roteiro. Eu deveria dizer que me tornei mais e mais envolvido pelo personagem que Ha Jeong-woo estava criando. O personagem original carregava a imagem de um ‘caçula da família’ imaturo. Ele explodia de raiva com sua assistente, mas ao mesmo tempo era gracioso. Mas no filme concluído, ele é mais como um irmão mais velho. No filme ele sabe que não deveria ser esquentado, enquanto consegue tornar o clima tenso e sério. Enquanto estávamos filmando, eu me dei conta de que o personagem tinha que seguir naquela direção diferente, enquanto observava o modo como Ha Jeong-woo respirava, falava e transpirava. E as filmagens ficaram muito mais interessantes. O personagem original que eu tinha na minha cabeça era um brincalhão que se tornou um tolo, e fez os outros rirem, e assim escapou da responsabilidade do caso. Mas o personagem que saiu da atuação de Ha Jeong-woo foi alguém que não se isentou da culpa e que aceitou tudo, com todo o seu ser. Ou seja, foi muito melhor.
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