21 de fev de 2015

Kang Koo´s Story (drama, 2014)




País: Coréia do Sul
Gênero: Romance, Drama
Duração: 2 episódios
Produção: SBS TV

Direção: Hong Sung-chang
Roteiro: Baek Mi-kyeing

Elenco: Lee Dong-wook, Park Joo-mi, Shin Dong-woo, Jo Yeong-jin, Kim Byung-ok.

Resumo

Esta é a estória de amor entre um mafioso e uma jovem viúva, que cria seu filho adolescente em uma pacífica cidade litorânea chamada Kang Koo.

Comentário

Kang Koo´s Story é um melodrama romântico bem convencional, mas que encanta graças à presença marcante de Lee Dong-wook, e a uma fotografia deslumbrante (filmada em 3D), em meio a belas paisagens do litoral coreano.


Kyung-tae (Lee Dong-wook) é um mafioso que resolve ajudar a irmã e o sobrinho de um amigo que foi assassinado em um confronto com uma gangue rival. Ao completar um ano da morte do colega, Kyung-tae usa como desculpa a busca de terrenos para um novo empreendimento imobiliário no litoral, para se aproximar da família deste. Moon-sook (Park Joo-mi) é uma jovem viúva, que administra um pequeno restaurante de frutos do mar, com o qual sustenta a si e ao filho adolescente. Lee Kang-koo (Shin Dong-woo, de Flames of Desire) adora jogar futebol no time da escola, e sua personalidade é alegre, e ao mesmo tempo muito determinada.


A viúva parece não saber sobre a morte do irmão, e Kyung-tae não revela seu passado com ele. Quando chega à cidade, tudo que ele quer é ajudar secretamente Moon-sook, mas não pode evitar apaixonar-se por ela. A viúva, além de muito bonita, tem um grande coração, e conquista o tímido gangster. Ele também se apega a Kang-koo, um garoto cheio de energia, e de caráter forte, mas bondoso como a mãe, e fiel como o tio falecido.

As coisas se complicam quando um chefe mafioso rival (Kim Byung-ok) reivindica a posse das terras, nas quais está incluído o restaurante de Moon-sook. Kyung-tae se vê dividido entre salvar a vida da amada, que sofre de um diabetes gravíssimo, e bloquear o ataque da gangue rival.


O drama é dividido em dois episódios: a primeira parte é mais leve e romântica; o melodrama se instala com a sequência dos eventos, mas o desfecho é surpreendente e agradavelmente apresentado.

Lee Dong-wook está como gosto de vê-lo, forte, elegante, e com seu sorriso de moleque estampado no rosto. Este mini-drama me fez lembrar os melhores momentos de Lee Dong-wook em Scent of a Woman, e me deixou com saudades de seu incrível par romântico com Kim Sun-ah. Infelizmente, em TKKS o clima romântico nem chega aos pés de Scent of a Woman (ou mesmo de Hotel King), tudo por culpa da atuação morna de Park Joo-mi (A Gentleman´s Dignity, Blood). Em compensação, para quem é fã de Lee Dong-wook, sua presença é o que basta para desfrutar de duas horas em sua bela companhia.

20 de fev de 2015

Antique (filme, 2008)



País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Suspense, Comédia
Duração: 109 min.

Direção: Min Gyoo-dong
Roteiro: Kim Da-young, Lee Kyeong-ee, Min Gyoo-dong

Elenco: Joo Ji-hoon, Kim Jae-wook, Yoo Ah-in, Choi Ji-ho

Resumo

Jin-hyuk é um jovem que parece ter tudo na vida: dinheiro, beleza e inteligência. Mas, sua aparente alegria despreocupada esconde a triste lembrança de um trauma de infância... Até o dia em que Jin-hyuk resolve abrir uma confeitaria, com a ajuda do chef Sun-woo, do ex-boxeador Gi-beom e do guarda-costas Su-young. Juntos, os quatro rapazes atraem a atenção da vizinhança, tanto por sua beleza, quanto pelos doces deliciosos servidos na confeitaria Antique.

Comentário

Antique (ou Antique Bakery) é um filme que chamou muito a atenção do público à época de seu lançamento, tanto pela estética mangá (o roteiro é baseado nos quadrinhos do japonês Yoshinaga Fumi, “Seiyo Kotto Yogashiten”) quanto pelo elenco de jovens atores que despontava no cinema coreano em 2008. Joo Ji-hoon, Kim Jae-wook e Yoo Ah-in são, hoje em dia, atores bem conhecidos dos fãs do cinema e dos dramas coreanos.

O que torna Antique um filme único é sua estética altamente influenciada pelos mangás e animes japoneses, trazendo ainda uma inspiração nos antigos musicais de Hollywood. E apesar desta combinação um tanto bizarra, o resultado é dos mais agradáveis, e o filme consegue preservar seu encanto ao longo dos anos. Ao menos dois fatores podem explicar o grau de interesse que Antique provoca no espectador. Um deles é o elenco que une quatro rapazes, extremamente atraentes, e todos perfeitos em seus respectivos papeis. O outro é a subversão da temática gay, tão recorrente na cultura pop japonesa.

Para começar, Joo Ji-hoon e Kim Jae-wook têm um dos bromances mais sensuais da estória do cinema coreano. Joo Ji-hoon chegou rapidamente ao estrelato, graças ao sucesso do drama Princess Hours (2006), no qual formou um par romântico inesquecível com a atriz Yoon Eun-hye. Depois desta estreia na TV, ele partiu para uma carreira no cinema, a qual ia muito bem, até se envolver em um escândalo com drogas. Passados os anos de serviço militar e mais um tempo de ostracismo, felizmente, Joo Ji-hoon tem reconstruído sua carreira, passo a passo, mas com trabalhos muito sólidos. Apesar de Joo Ji-hoon não ter mudado muito de 2008 para cá, acho que ele nunca esteve tão bonito quanto neste filme, com seus cabelos longos, barba por fazer, e um sorriso sensual no rosto... Uma imagem de alegria juvenil que nunca mais se repetiu, é verdade, já que em seguida o ator optou por interpretar personagens mais soturnos, como em The Devil, ou no drama médico Medical Top Team. Já o ator Kim Jae-wook tem melhorado muito ao longo do tempo, não apenas em termos físicos, mas principalmente como ator. O rapaz de feições delicadas surpreendeu o público com uma atuação emocionante no recente drama Who Are You. Mas em Antique Kim Jae-wook já dava uma pista sobre sua capacidade como ator, ao interpretar, corajosamente, o confeiteiro gay Sun-woo. Mas, muito além das cenas ousadas, está o dom para comédia do ator, que consegue, com humor, suavizar os aspectos mais polêmicos, por assim dizer, de seu personagem.

A verdade é que a grande sacada do filme é ressaltar a temática homoerótica de forma por vezes irônica, e acho que até crítica com a obsessão nipônica sobre o mundo gay. Os japoneses, notadamente na cultura pop, tratam a homossexualidade (e outros temas tabu) com grande interesse, mas sempre com um preconceito pouco disfarçado. E a impressão que tive com esta adaptação coreana foi que houve uma intenção bem clara de ironizar esta obsessão, ao mesmo tempo criticando o preconceito da sociedade com os gays. Por isso, penso que o mais interessante de Antique é a bela mensagem que nos deixa, de tolerância e amor entre um grupo de jovens desajustados... Um filme tão delicioso quanto os doces servidos na charmosa confeitaria Antique.

6 de fev de 2015

Mister Baek (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama, comédia, fantasia, romance
Duração: 16 episódios
Produção: MBC

Direção: Lee Sang-yeob
Roteiro: Choi Yoon-jung

Elenco: Shin Ha-kyoon, Jang Na Ra, Lee Joon, Park Ye-jin.

Resumo

Choi Go-bong é um legítimo sovina, interessado apenas em aumentar seu império de negócios. O empresário setentão, viúvo, nunca deu atenção ao único filho, Dae-han, que, por sua vez, leva uma vida despreocupada de playboy. Mas tudo muda quando Choi Go-bong sofre um acidente de carro bizarro e, no dia seguinte, acorda rejuvenescido, com 35 anos de idade.

Comentário

Mister Baek (ou Mr Back) é uma releitura moderna do romance clássico Um conto de Natal, de Charles Dickens. Como na estória do avarento de Dickens, o empresário Choi Go-bong (Shin Ha-kyoon ) é um homem ganancioso, egoísta, que se importa apenas com o sucesso de seus negócios. Viúvo, Choi Go-bong tem um único filho, o jovem Dae-han (Lee Joon), que não dá a mínima para o império hoteleiro do pai, e vive como um típico playboy. Dae-han não é uma má pessoa, só é um jovem sem objetivos na vida, que se comporta como um adolescente rebelde, na tentativa chamar a atenção do pai ausente. Se o filho não se interessa pelos negócios da família, os irmãos de Choi Go-bong, Choi Mi-hye (Jo Mi-ryung) e Choi Young-dal (Jun Gook-hwan), e a cunhada Lee In-ja (Hwang Young-hee) têm interesse até demais na fortuna do empresário. O desprezo com que Choi Go-bong trata os parentes só os torna ainda mais ambiciosos e sorrateiros. Apesar de Choi Go-bong ter construído sua fortuna sozinho, do nada, os parentes tramam um golpe para tentar usurpar seu posto de CEO da rede de hotéis.

Esta é a vida de Choi Go-bong, alienado do filho e único herdeiro, odiado pelos irmãos e temido por seus funcionários. O destino do velho avarento começa a mudar no dia em que ele vai visitar um de seus hotéis, onde está ocorrendo um evento beneficente para idosos. Choi Go-bong é confundido com um dos velhinhos carentes por Eun Ha-soo (Jang Na Ra), uma jovem inteligente e esforçada, mas que não tem sorte de conseguir um emprego estável. Depois do trabalho temporário neste evento, ela finalmente é contratada pelo hotel principal da rede de Choi Ga-bong, em Seul.

Mas o encontro crucial entre Choi Ga-bong e Eun Ha-soo será em um acidente bizarro, no qual seus respectivos carros são engolidos por uma grande cratera formada pela queda de um meteorito. Ambos sobrevivem, mas, no dia seguinte, o empresário acorda em sua cama, sentindo-se estranho, e, ao mirar-se no espelho, percebe que sua aparência mudou drasticamente. Magicamente, Choi Ga-bong voltou a ter um corpo de trinta e poucos anos (embora sua mente continue a ter setenta anos). Apavorado com a situação, mas ao mesmo tempo contemplando a oportunidade de vingar-se dos parentes traidores, ele simula a própria morte e ressurge como Choi Shin-hyung.

Tanto o diretor, Lee Sang Yeob (King's Daughter, Soo Baek Hyang) como a roteirista, Choi Yoon-jung (Emergency Couple, The Empress, Lie to Me) não são conhecidos por grandes trabalhos na TV. Na verdade a direção é razoavelmente competente, e os atores estão confortáveis em seus papéis – sinceramente, a energia de Shin Ha-kyoon parece contagiar os demais atores, especialmente Jang Na Ra e Lee Joon. O roteiro de Mister Baek é baseado no romance Oldeumaen de Lee Jo-Young, e, como não conheço o original, não há como saber até que ponto o material foi alterado, para melhor ou pior. A premissa, embora pouco original, é interessante e, nas mãos de um roteirista mais experiente e ousado, poderia ter resultado num grande drama.

Apesar das fraquezas do roteiro, Mister Baek merece a atenção dos fãs de Shin Ha-kyoon e Jang Na Ra. Shin Ha-kyoon, ator experiente de cinema, teatro e, nos últimos anos, de TV (Brain, All About My Romance), não perde a oportunidade de explorar todas as possibilidades como ator, interpretando, primeiro, o velho rabugento Choi Go-bong, e em seguida, o mesmo velho, na pele do jovem Shin-hyung. Não pense ser uma tarefa fácil, encarnar um personagem dentro do próprio corpo mais jovem. É com surpresa e encantamento que o espectador acompanha a transformação emocional deste personagem, de velho sovina, a um homem maduro e apaixonado. É o amor puro e terno de Eun Ha-soo que irá desencadear todas as mudanças na vida de Shin-hyung, inclusive sua reaproximação com o filho, Dae-han. Aliás, o relacionamento pai-filho entre Shin-hyung (ou Go-bong) e Dae-han é comovente e ao mesmo tempo divertido, e poderia ter sido muito melhor explorado. Foi um alívio ver que Lee Joon pôde se descolar do papel marcante do psicopata de Gap Dong. Ele provou ter um ótimo timing para comédia, só lhe falta um pouco mais de experiência na profissão.

O grande problema do roteiro foi exatamente perder muito tempo com as tramoias dos parentes de Choi Go-bong, e de outros personagens pouco interessantes, como a secretária Hong Ji-yoon ( a insossa Park Ye-jin) e o suposto homem de confiança de Go-bong, Jung Yi-gun (Jung Suk-won, ator simpático, mas muito apagado neste papel).

Apesar de Jang Na Ra ter formado um par romântico divertido e muito elogiado com Jang Hyuk, recentemente, em Fated to Love You, me surpreendi agradavelmente com a naturalidade e intimidade com que interagiu com Shin Ha-kyoon. Pela primeira vez vi a atriz, que deixa transparecer sua personalidade tímida e introvertida na maioria dos papéis, muito mais confortável e espontânea no contato físico com seu par romântico. Acho que Jang Na Ra encontrou o tipo de homem que pode despertar nela um lado pessoal e profissional mais espontâneo. Até mesmo sua voz como cantora está mais suave (e menos infantil) na faixa que gravou para a trilha sonora do drama.

Uma estória de amor bem contada sempre vale a pena ser apreciada, e, ao menos neste ponto, Mister Baek foi um drama muito bem sucedido.

30 de jan de 2015

Misaeng/Incomplete Life (drama,2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama
Duração: 20 episódios
Produção: tvN

Direção: Kim Won-suk
Roteiro: Jung Yoon-jung, baseado no webtoon de Yoon Tae-ho

Elenco: Lee Sung-min, Im Siwan, Kang So-ra, Kang Ha-neul, Byun Yo-han, Kim Dae-myung, Shin Eun-joong, Park Hae-joon.

Resumo

O único sonho de Jang Geu-rae era tornar-se campeão de Go, um tradicional jogo de tabuleiro asiático. Ele passou a infância e boa parte da juventude dedicando-se exclusivamente ao jogo. No entanto, com a morte do pai, Geu-rae teve de trabalhar para ajudar a sustentar a si mesmo e à mãe. Os anos se passaram, e agora Geu-rae é um rapaz sem educação formal, pulando de um emprego temporário para o outro... Até o dia em que oferecem a ele um estágio em uma grande empresa de comércio exterior. Pela primeira vez, Geu-rae sente que pode dar um novo sentido à sua vida, mas ele terá de lutar muito para alcançar este novo sonho.

Comentário

Jung Yoon-jung é uma excelente roteirista (Arang and the Magistrate, Chosun Police Season 2), mas também teve muita sorte por ter em suas mãos uma obra brilhante para adaptar. Não deve ter sido um trabalhado muito árduo o de dar vida aos personagens encantadores do webtoon Misaeng, de Yoon Tae-ho. É com grande sensibilidade e honestidade que Yoon Tae-ho retrata o dia-a-dia dos funcionários de uma grande corporação capitalista, a One International. Um grupo de jovens recrutados nas melhores universidades do país disputa um emprego nesta empresa de trading, que faz negócios por todo o globo. Os requisitos mínimos para conseguir uma vaga na One International, além de ter estudado em uma universidade de elite, é falar várias línguas com fluência, e ter especialização em sua área de atuação. É neste ambiente de competição feroz que aterriza nosso pequeno herói, Jang Geu-rae, sem diploma algum no currículo, e hostilizado pelos colegas por ter conseguido uma vaga como trainee graças à indicação de um diretor da empresa. A sorte de Geu-rae é entrar na a equipe do gerente Oh Sang-sik, um homem obstinado pelo trabalho, fiel aos seus princípios éticos, e que irá ensinar o caminho das pedras ao jovem aprendiz.

Misaeng tinha tudo para ser um drama árido, tanto pelo tema, como pelo ambiente asséptico dos escritórios de uma empresa de comércio exterior. Mas, surpreendentemente, uma combinação perfeita de elementos contribui para compor um dos dramas mais inteligentes e sensíveis dos últimos tempos. Para começar, a rotina dentro dos escritórios da One International é tudo menos entediante... As muitas metas a serem atingidas nas transações comerciais, a rivalidade entre as equipes de compra e venda de produtos de exportação e importação, a disputa interna por promoções nos cargos, tudo isso torna o ambiente muitas vezes fervilhante, e outras simplesmente exaustivos para os pobres funcionários da companhia. É irônico que cifras milionárias sejam negociadas diariamente por gerentes e subordinados, e que trabalham arduamente por um salário medíocre. Estes homens fardados de terno e gravata são os soldados que se sacrificam na linha de frente, enquanto suas empresas lucram bilhões de dólares ao ano.

O diretor Kim Won-suk (Monstar, Sungkyunkwan Scandal) realiza um trabalho simplesmente perfeito, tanto na condução do imenso, mas impecável, elenco (um verdadeiro exército de atores brilhantes), como na fotografia – é incrível com o diretor de fotografia consegue dar cor e textura ao ambiente supostamente monocromático e desagradável das luzes artificiais de um escritório. A trilha sonora, para arrematar, ressalta os momentos sensíveis da estória, mas sempre com muita elegância. Aliás, Siwan pôde compartilhar seu talento como compositor e cantor em uma das faixas do OST.

Jang Geu-rae (Siwan) sente-se como um peixe fora d´água, um alienígena visitando um planeta desconhecido. Mas, aos poucos, ele vai aprender a viver como um membro produtivo da sociedade e, principalmente, irá deixar sua marca neste mundo. O gerente Oh Sang-sik (Lee Sung-Min), a princípio fica contrariado em acolher Geu-rae em sua equipe, mas não demora a perceber o potencial do rapaz. O subgerente Kim Dong-sik (o simpático Kim Dae-myung), com seu grande coração, torna-se amigo e protetor de Geu-rae. Assim, o jovem aprendiz começa a ter esperanças de um futuro melhor, orientado pelo chefe Oh e apoiado pelos colegas estagiários.

Mas enquanto Geu-rae luta para dar os primeiros passos no mundo corporativo, seus colegas, Young-yi, Baek-ki e Suk-yool, apesar de seus currículos acadêmicos impecáveis, sofrem com as cobranças e ameaças constantes de seus respectivos chefes. Na Young-yi (Kang So-ra) é uma jovem brilhante, fluente em inglês e russo, vinda de um estágio anterior em uma empresa concorrente. Só que as coisas não são nada fáceis para Young-yi, sendo a única funcionária mulher da equipe, e sofrendo de assédio moral e ataques machistas constantes de seus superiores. Eles claramente se ressentem em trabalhar com uma mulher inteligente e talentosa. Para quem conhece Kang So-ra como uma sedutora cantora pop, ou mesmo como uma atriz iniciante (Doctor Stranger), certamente se surpreenderá com sua transformação no papel de Young-yi. Em uma entrevista recente, a atriz não pôde conter as lágrimas ao admitir o quão importante este personagem foi para sua carreira. Ela afirmou (um tanto dramaticamente) que não acredita que um projeto tão incrível volte a surgir em sua vida. Com um talento já comprovado, certamente outros dramas e filmes interessantes virão para a bela So-ra, mas posso imaginar como ela deve se sentir, por ter tido a oportunidade de fazer parte deste belo drama.



Kang Ha-neul (Heirs) é Jang Baek-ki, um jovem que entra na One International amparado em sua carreira acadêmica brilhante, certo de que irá impressionar, com pouco esforço, seus superiores. Só que a realidade é bem outra, e Baek-ki-shi irá aprender que não basta ser um garoto estudioso para ter sucesso na empresa. Criatividade, experiência e ousadia são qualidades que faltam ao inteligente, mas ingênuo Jang Baek-ki. Ele se ressente ao perceber que seus colegas Geu-rae, Young-yi e Suk-yool são infinitamente superiores nestes quesitos. Especialmente Geu-rae, que surpreende a todos com sua perspicácia nos negócios e acaba se destacando mais que os colegas mais estudados.

Han Suk-yool (Byun Yo-han) se diferencia dos demais por sua experiência de campo. Seu trabalho no “chão de fábrica”, como se diz, é sua melhor qualidade. Fora isso, sua imaturidade, caráter extrovertido e pavio-curto mais atrapalham do que ajudam em sua carreira. Por outro lado, seu espírito livre e carinhoso o torna o amálgama que une o pequeno grupo de estagiários, transformando-os em amigos para toda a vida. É interessante que, com tantos atores bons no elenco, Byun Yo-han se destaque tanto com sua atuação verdadeiramente explosiva (ele vem de uma carreira no cinema, que inclui filmes como No Tears for the Dead, e Cold Eyes). Um ator cuja carreira deve ser acompanhada de perto...

Bem, apesar de Byun Yo-han quase ter roubado a cena, não dá para negar que a dupla formada pelo veterano Lee Sung-Min e pelo (quase) novato Im Siwan (Triangle) é a cereja do bolo deste drama. Toda vez que assisto um drama com Lee Sung-Min agradeço aos céus por ele continuar a dividir sua extensa e bem sucedida carreira de ator de cinema, com o trabalho na TV. É impressionante, mas este ator consegue fazer qualquer papel a que se propõe: de gangster (Miss Korea) a médico (Golden Time, Brain), de rei (King 2 Heart) a guerreiro de eras passadas (Kundo)... E mais uma vez ele nos emociona absurdamente com a delicadeza com que compõe este personagem, o chefe Oh Sang-Sik, que não deve ser mais um personagem, mas uma pessoa de carne e osso, que anda livre pelo mundo (ao menos é no que eu gostaria de acreditar).

No mesmo tom emotivo da colega Kang So-ra, Siwan (cantor pop e agora um jovem e promissor ator) confessou em uma entrevista que não queria apenas este papel, mas (ressaltou) precisava da oportunidade de interpretar este personagem. Não é todo o dia que se veem artistas falando de forma tão apaixonada sobre um projeto, seja na música, cinema, ou TV. Mas, assistindo Misaeng é fácil entender o quanto este drama deve ter afetado a vida dos atores e de todos envolvidos em sua produção. E não é de espantar que a tvN, mais uma vez, esteja envolvida em um projeto inovador, e de qualidade acima da média. Grandes redes como SBS e MBC têm muito a aprender com os criativos produtores da tvN.

Simplesmente não há desculpa para deixar de ver Misaeng... Porque é impossível não sentir um amor fraternal e profundamente humano por seus personagens, especialmente por Jang Geu-era, e seus olhos brilhantes de fé e esperança, na possibilidade de uma vida completa, transbordante de felicidade...

12 de dez de 2014

Pride and Prejudice (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama Legal
Duração: 20 episódios
Produção: MBC TV

Direção: Kim Jin-min
Roteiro: Lee hyun-joo

Elenco: Choi Jin-hyuk, Baek Jin-hee, Choi Min-soo, Lee Tae-hwan, Son Chang-min, Choi Woo-sik, Jang Hang-seon, Jeong Hye-seong, Baek Soo-ryeon, Kim Na-woon, Kim Yeo-jin.

Resumo

Há cinco anos, o promotor Dong-chi se apaixonou a primeira vista pela jovem Yeol-moo, mas ela sumiu abruptamente, sem dar explicações. Agora Yeol-moo está de volta, como assistente de Dong-chi, que demonstra não ter superado seus sentimentos por ela. Mal sabe ele que uma tragédia familiar liga seu passado ao de Yeol-moo.

Comentário

Das mãos da roteirista Lee hyun-joo (School 2013) e do diretor Kim Jin-min (Times Between Dog and Wolf) chega o drama Pride and Prejudice, uma das melhores surpresas deste final de ano. A escritora Lee hyun-joo já havia provado sua sensibilidade para retratar dramas humanos com o excelente drama escolar School 2013 (com Lee Jong-seok e Kim Woo-bin). Apesar de o drama legal Pride and Prejudice ter uma trama elaborada, o que chama mais a atenção é consistência dos personagens. Não existem vilões clássicos entre os protagonistas, apenas pessoas reais, envolvidas em situações que as levam a atitudes extremas, para o bem, ou para o mal. Se em School 2013 Lee desenhava um retrato muito fiel dos dramas passados no ambiente escolar, com os conflitos diários entre professores e alunos, em Pride and Prejudice ela se debruça sobre um ambiente ainda mais hostil, o do direito legal, e sobre a luta de promotores pela justiça, dentro e fora dos tribunais. Se não existem vilões unidimensionais, existem sim heróis, uns poucos promotores e seus leais assessores, que lutam, muitas vezes ingenuamente, outras vezes teimosamente, por um ideal de justiça social.


Koo Dong-chi (Choi Jin-hyuk) é o tipo de pessoa que possui um profundo senso de justiça, tanto que desistiu de realizar o sonho de ser médico, tornando-se um promotor, com a única intenção de revelar e punir as pessoas que cometeram um crime terrível, do qual ele foi testemunha na juventude. É claro que ele acabou tendo sucesso nesta carreira, tanto por sua inteligência, com pela grande empatia com as vítimas que defende. Pela primeira vez em sua carreira, o ator Choi Jin-hyuk (Fated to Love You) tem em suas mãos um papel realmente complexo, e ele sabe tomar partido de cada faceta do promotor Dong-chi, criando um personagem dos mais cativantes. É impossível não se apaixonar pelo nobre Dong-chi, e, por isso mesmo, a resistência de Yeol-moo aos seus encantos é verdadeiramente frustrante!


Assim como Dong-chi , Han Yeol-moo (Baek Jin-hee) também foi levada pelo destino a escolher a carreira legal. O desaparecimento e morte misteriosa do irmão fez com que ela passasse a adolescência vendo sua família sofrer até entrar em colapso. E é como promotora que Yeol-moo sonha em exorcizar os traumas familiares e desvendar o caso da morte brutal de seu irmãozinho.

Com uma determinação inabalável, Yeol-moo assume o posto de assistente do promotor Dong-chi, no escritório central de Incheon. Mas não foi o acaso que a levou a Dong-chi... Há exatamente cinco anos, os dois se conheceram, o promotor apaixonou-se a primeira vista pela jovem de olhar triste, que sumiu logo em seguida, sem maiores explicações. Por isso, ao ver Yeol-moo depois de tanto tempo, Dong-chi obviamente fica muito confuso, mas logo percebe que continua apaixonado por ela. Baek Jin-hee (Triangle) é uma das melhores atrizes desta nova geração (e que não vem do kpop). Apesar de seu ar frágil e juvenil, Baek Jin-hee aos poucos vai se impondo no papel da sofrida, mas determinada, Han Yeol-moo.


Apesar da relação conflituosa com Dong-chi, Yeol-moo tem de se preocupar muito mais em como lidar com o promotor-chefe Moon Hee-man (Choi Min-soo), um homem de temperamento forte, que trata os subordinados com rédea curta. Moon Hee-man certamente é o personagem mais fascinante deste drama, graças à atuação espetacular do veterano Choi Min-soo (Sword in the Moon), mas também ao mistério que envolve o promotor. Passada metade do drama, ainda é difícil saber exatamente quem é o promotor Moon... Será ele mais uma vítima de circunstâncias trágicas do passado, ou apenas um manipulador frio e calculista? Envolvido nesta trama suja está Jung Chang-gi (Son Chang-min, de Heartless City), ex-advogado, hoje um malandro, cuja ligação pessoal com o promotor Moon, bem como com o investigador Kang Soo vai sendo revelada ao longo da estória. Lee Tae-hwan (King of High School) trabalha como assistente investigador no escritório do promotor Dong-chi. Os dois rapazes moram juntos em uma pensão administrada pela Sra. Baek Geum-Ok (Baek Soo-ryeon), e sua amizade será testada ao se envolverem em um triângulo amoroso com a delicada Yeol-moo.


Completando o elenco afinadíssimo está o sempre divertido Choi Woo-sik (TEN, Fated to Love You), como promotor folgado Lee Jang-won; Jang Hang-seon e Jeong Hye-seong, como pai e filha, são os investigadores Yoo Dae-gi e Yoo Gwang-mi; Kim Na-woon é Kim Myung-sook (a mãe da promotora Yeol-moo), uma mulher traumatizada pela morte do filho caçula; Kim Yeo-jin (alerta nepotismo: a  atriz é casada com o diretor Kim Jin-min) é Oh Do-jung diretora do escritório da promotoria.

Passada mais da metade dos 20 episódios da trama, acho que dá para recomendar Pride and Prejudice sem medo, tanto pela estória envolvente, repleta de revelações surpreendentes, e especialmente, por um elenco visivelmente dedicado a dar o seu melhor. Que bom estarmos encerrando o ano em uma nota tão alta, com este belo drama da MBC!

 

18 de nov de 2014

The Target (filme, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: ação, thriller
Duração: 98 min.

Direção: Diretor Chang (Yoon Hong-seung)
Roteiro: Jeong Cheol-hong, Jo Seong-geol

Elenco: Ryoo Seung-ryong, Yoo Joon-sang, Lee Jin-wook, Kim Seong-ryeong, Jo Yeo-jeong, Jo Eun-ji.

Resumo

Um ex-mercenário é falsamente acusado de matar o presidente de uma empresa. Com a ajuda de um médico que tem sua esposa grávida sequestrada, ele tem apenas 36 horas para descobrir os verdadeiros culpados.

Comentário

The Target é um remake do filme francês Point Blanck (2010, dir. Fred Cavayé) e, ao contrário do que costuma acontecer, tem um resultado mais interessante que o original. O jovem e relativamente novato Diretor Chang (nome artístico adotado pelo diretor e roteirista Yoon Hong-seung) assumiu o projeto abandonado pelo diretor Juhn Jai-hong, e acabou revelando seu talento nato para o cinema de ação. Seus únicos projetos anteriores haviam sido o thriller Death Bell, com Lee Beom-soo (2008, dir. e roteiro) e o drama romântico Sidney in Love (curta-metragem, 2009). Diretor Chang ainda teve a sorte de trabalhar com o roteirista Jeong Cheol-hong, cuja carreira explodiu com dois grandes sucessos de bilheteria, apenas neste ano de 2014: Kundo e o megahit The Admiral: Roaring Currents. Infelizmente, The Target não se saiu tão bem nas bilheterias coreanas, o que é uma pena, já que se trata de um excelente filme de ação.


The Target (O Alvo) conta a estória de um ex-mercenário, Yeo-hoon (Ryoo Seung-ryong) que tem de fugir da polícia após ter sido acusado de um assassinato que não cometeu. Perseguido por homens desconhecidos, ele acaba alvejado e é levado à emergência de um hospital em Seul. O médico que o atende, Tae-joon (Lee Jin-wook), recebe uma ligação de um homem dizendo ter sequestrado sua mulher grávida (Jo Yeo-jeong). O sequestrador ameaça matar a esposa de Tae-joon, a menos que ele resgate Yeo-hoon do hospital (nas barbas da polícia) e o leve até um local combinado. Desesperado, Tae-joon resolve seguir as ordens do sequestrador, e tirar Yeo-hoon do hospital. Só que o plano não dá certo e os dois acabam sendo perseguidos por um grupo de policiais com intenções muito suspeitas.

Apesar de a trama de The Target não ser das mais originais, e o diretor Chang ainda estar engatinhando no ofício, o filme atinge um saldo final positivo, com um grande potencial de hit, que acabou não se concretizando, mais por força da concorrência nas bilheterias, do que por qualquer outro motivo. A verdade é que o cinema coreano tem experimentado um renascimento incrível nos dois últimos anos... Como consequência, a concorrência interna nas bilheterias tem tido impacto igual ou maior que a externa (do mercado norte-americano, bem dito).


De qualquer modo, The Target é um thriller acima da média, com uma direção estilosa, e um elenco fantástico, encabeçado pelo sempre surpreendente Ryoo Seung-ryong, um dos atores mais cobiçados de seu país. Com tantos filmes de ação em seu currículo, Ryoo Seung-ryong se sente muito confortável na pele de herói/anti-herói (Arrow, Battlefild Heroes, The Front Line), mas é bom relembrar sua versatilidade como ator, indo do drama (The Recipe) à comédia (Everything About My Wife) com a mesma facilidade. E Lee Jin-wook (The Three Musketeers) forma uma dupla improvável, mas surpreendentemente agradável com Ryoo Seung-ryong. Lee Jin-wook está em plena transição na carreira de ator – da carinha bonita dos primeiros dramas – a papéis mais complexos e diversos – e a telona parece não intimidar o rapaz!


O ator Yoo Joon-sang, por outro lado, já é um veterano do cinema (Ha Ha Ha) e TV (Unexpected You), e aposto que se divertiu imensamente apavorando os espectadores com seu personagem sinistro, o chefe de polícia Song. Finalmente, temos os personagens femininos, que costumam ficar na sombra nos filmes de ação. Mesmo assim, as atrizes Kim Seong-ryeong e Jo Yeo-jeong (I Need Romance) conseguiram emprestar um pouco de seu talento ao filme, especialmente Kim Seong-ryeong, mais conhecida por papéis de mulher rica e fútil em dramas como The Heirs, ou The Chaser. Em The Target ela realmente nos surpreende com uma atuação brilhante como a policial durona Jeong Yeong-joo. É por isso que vale a pena encontrar no cinema aqueles atores que conhecemos tão bem dos dramas, e ver que seu talento pode estar muito além dos personagens mundanos da telinha.

23 de out de 2014

Os Últimos (e Melhores) Dramas de 2014


Quando a temporada de dramas está fraca, nem reclamo, e aproveito para colocar os filmes em dia, além de assistir dramas antigos que perdi, e até mesmo encarar uma maratona de dramas longos (se você não viu My Daughter Seo Young, por exemplo, garanto que vale a pena encarar seus 50 episódios). Mas, felizmente, temos uma lista de ótimas estreias para comentar...



Dos dramas que acabaram recentemente, minha maior decepção foi com My Secret Hotel. Nem mesmo o elenco bonito, a trilha bacaninha e a bela fotografia conseguiram salvar este drama de seu desfecho morno e sonolento. Só o maravilhoso Jin Yi-han soube aproveitar o drama para mostrar todo o seu talento como ator (cantando, dançando, fazendo rir e chorar). Agora que me livrei de My Secret Hotel, faltam mais dois para despachar: My Lovely Girl, e Love Myself Or You. Quem resolve encarar um drama taiwanês já sabe que a chance da trama esfriar ou simplesmente sair de órbita é enorme; por isso já me conformei em suportar até o final Love Myself Or You (e seus intermináveis 22 episódios). Da volta do cantor/ator Rain, com My Lovely Girl, não há muito que falar, a não ser que é um teste para a paciência do espectador. Não tenho absolutamente nada contra o elenco, mas quando as melhores atuações vem do cantor pop L, e de um labrador (interpretação brilhante – do cão, não do dono), alguma coisa está muito errada.



Por outro lado, dois dramas que poderiam tranquilamente ter durado mais foram Plus Nine Boys, e Discovery of Romance, dois exemplos de como produzir estórias simples e sensíveis. Sou suspeita para falar, porque Discovery of Romance é o meu tipo de drama romântico, e Eric é o meu tipo de homem (e um grande ator).


Pena que o final de Plus Nine Boys foi literalmente atropelado, com apenas 14 episódios (apesar de não ter lido nada específico, imagino que um possível processo por plágio tenha a ver com a situação). Mesmo assim, Plus Nine Boys é mais uma boa produção do canal tvN, que vale a pena ser conferida.


E dos dramas que já estão na reta final, o mais destacado é The Spring Days of My Life, um melodrama romântico belíssimo, com elenco fantástico (Sooyoung, Kam Woo-seong e Lee Jun-hyuk), e uma estória comovente, sem ser excessivamente piegas.


Já para os fãs dos dramas épicos, temos The Three Musketeers (tvN, 12 episódios), que, se não tem a qualidade de um The Joseon Gunman (em termos de direção, ou atuações), é divertido o bastante, e já dá para aguardar com ansiedade sua segunda temporada. E só para lembrar,temos o gatíssimo Lee Jin-wook como o príncipe (e mosqueteiro) So Hyeon-se.


Greatest Marriage é muito ruim, e o elenco tem ao menos metade da culpa pelo fiasco que é este drama (a TV Chosun resolveu mudar o horário e veicular apenas um episódio por semana do drama, mas não sei o que isto irá resolver). Quanto a Tomorrow Cantabile (KBS, 20 episódios), só tenho uma recomendação a fazer: se você não assistiu a versão original japonesa (Nodame Cantabile), pelo amor dos deuses, não chegue perto deste remake! Não é de admirar que a audiência na Coréia esteja caindo drasticamente a cada episódio. Deixemos o humor peculiar dos mangás para os japoneses, ok?!


Entre as estreias há três dramas, muito diferentes um do outro, mas igualmente interessantes, e que merecem ter a sua atenção: Misaeng, Bad Guys e Modern Farmer. Misaeng (Incomplete Life) é o biscoito fino lançado pela tvN, em comemoração aos 8 anos deste canal de TV a cabo. Confirmando sua tradição em presentear a audiência com produções inovadoras e bem cuidadas, a tvN vem com este drama contemporâneo, que retrata a vida extraordinária de um estagiário de uma grande corporação. Existencialista, melancólico, soturno e surpreendentemente emotivo, Misaeng respira o mesmo ar dos grandes romances de Charles Dickens. Em Misaeng, nosso pequeno órfão (de pai) é Jang Geu-rae (Siwan, de Triangle), um rapaz sem estudo, cujo sonho fracassado de ser um jogador profissional de Yut Nori (jogo de tabuleiro), o levou a viver na base da cadeia produtiva, indo de um emprego temporário ao outro, sem esperança de uma vida melhor... Até o dia em que ele tem a chance única de estagiar em uma grande empresa de exportação. Com 26 anos de idade, sem formação universitária, Geu-rae é imediatamente hostilizado pelos colegas e superiores, já que, aparentemente, ele teria sido apadrinhado por um alto executivo da companhia. Com atores maravilhosos (Lee Sung-min, Kang Ha-neul, Kang So-ra, entre outros), tendo como cenário o ambiente inóspito de um prédio de escritórios, no centro empresarial de Seul, Misaeng consegue mexer com as emoções do mais empedernido dos corações. A direção impecável está a cargo do PD Kim Won-Suk (Sungkyunkwan Scandal, Monstar) e a sólida adaptação (do webtoon) é de Jung Yoon-Jung (roteirista do fantástico Arang and the Magistrate).


Seguindo com emoções fortes, temos Bad Guys, mais um thriller policial do canal OCN (TEN, Cheo Yong, Reset, Vampire Prosecutor), com direção de Kim Jung-Min, e roteiro de Han Jung-Hoon (Vampire Prosecutor 1 e 2). Bad Guys pretende contar, em 11 episódios, a estória de um policial veterano que reúne três bandidos extremamente perigosos, para ajudá-lo a capturar um assassino em série. Apesar da trama pouco realista, Bad Guys impressiona especialmente pela violência, e pelo elenco poderoso. Temos Kim Sang-joon (A New Leaf), como o policial atormentado Oh Goo-tak (apelidado pelos colegas de ‘cachorro louco’), Ma Dong-seok (Dr Champ), como o gangster Park Woong-cheol, Jo Dong-hyeok (Brain), como o assassino Jeong Tae-soo, e, finalmente, Park Hae-jin (Doctor Stranger), como o misterioso Lee Jeong-moon. Destaque para o ator Jo Dong-hyeok, com um personagem frio, e ao mesmo tempo perturbadoramente charmoso (graças às feições angulosas do ator, que emagreceu um bocado para o papel).


Para aliviar o clima, que tal uma comédia realmente hilária? Modern Farmer (SBS, 20 episódios) chegou para alegrar nossos finais de semana, com personagens malucos, mas adoráveis. O grupo de rock ExSo (Excellent Souls) era composto pelo vocalista e guitarrista Lee Min-ki (Lee Hong-ki), o tecladista Kang Hyeok (Park Min-woo), o baixista Yoo Han-chul (Lee Shi-un) e o baterista Han Ki-joon (Kwak Dong-yun). Infelizmente, o sucesso da banda foi efêmero, e cada um dos rapazes teve de buscar outras formas de sobreviver. Ainda sonhando em ser um músico famoso, mas cheio de dívidas, Lee Min-ki é surpreendido com a notícia de que sua avó recém-falecida lhe deixou como herança sua fazenda. Acontece que, embora a propriedade seja enorme, seu valor de venda é muito baixo. Sem se deixar abater, Min-ki convence os ex-colegas de banda a ir para o interior, e plantar couve, com a ilusão de que poderão ganhar muito dinheiro e voltar a gravar discos. A falta de noção destes caras é tão absurda quanto divertida, e é com incredulidade que os vemos se envolvendo em uma encrenca atrás da outra, na tentativa de se adaptar à vida no campo. Só para ter uma ideia, em apenas um dia no interior, os rapazes conseguem comprar briga com todos os vizinhos, e destruir uma festa de recepção ao governador da província. Lee Hong-ki (Bride of the Century) está deliciosamente histriônico, sem perder o charme adquirido com sua carreira paralela de astro pop. Quando os integrantes da banda fictícia ExSo se reúnem, dá para perceber o porque de não terem chegado ao sucesso... Juntos, eles são como um pequeno tornado que destrói tudo o que vê pela frente. Só o tempo dirá se eles irão aprender a construir algo em equipe, ou se o seu destino é seguir por caminhos separados.
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