1 de dez de 2016

Melhores Dramas Coreanos de 2016 (Parte 2)





Age of Youth (jTBC, 12 episódios)

Sempre me pergunto por que os dramas escolares são tão comuns, e os dramas universitários tão raros... Só este já é um ótimo motivo para conferir o drama Age of Youth, que traz uma visão muito delicada e feminina de uma das etapas mais importantes de nossas vidas, a formação universitária, e os primeiros passos para a vida adulta. A roteirista Park Yeon-seon tem em seu currículo títulos muito interessantes, tanto no cinema (My Tutor Friend, White Night), quanto na TV (White Christmas, Alone in Love). O PD Lee Tae-gon (My Love Eun-dong, Queen Insoo) tem um estilo tradicional de dirigir, mas acerta a mão na condução do elenco jovem de Age of Youth.

Age of Youth conta a estória de um grupo de estudantes que compartilha um apartamento, sob a tutela rígida da proprietária do prédio. Yoo Eun-jae (Park Hye-soo, de Yong Pa, Introvert Boss) é a nova moradora da residência estudantil, vinda do interior, para cursar o primeiro semestre de psicologia. Ingênua demais para sua idade, e terrivelmente tímida, Eun-jae é muito mal recebida pelas colegas de quarto, que, por outro lado, já vinham num clima beligerante diário. Na universidade, Eun-jae também não tem uma vida fácil, pois se sente intimidada pelo colega Yoon Jong-yeol (Shin Hyun-soo).


Jeong Ye-eun (Han Seung-Yeon, Her Lovely Heels, membro do grupo pop Kara) é a ‘patricinha’ do grupo, mais interessada em moda, e obcecada pelo namorado, Ko Doo-yeong (Ji Il-joo, de Weightlifting Fairy Kim Bok-joo). Yoon Jin-myeong (Han Ye-ri, Six Flying Dragons, As One), pouco é vista em casa, pois, quando não está na faculdade, faz um rodízio cansativo entre uma série de empregos temporários. Sem apoio financeiro dos pais, ela se esforça para pagar a mensalidade do curso, e o tratamento médico do irmão. Trabalhando como garçonete num restaurante francês ela conhece o chef Park Jae-wan (Yoon Park, de This is Family).

Song Ji-won (Park Eun-bin, Operation Porposal) é a mais festeira da turma, mas não consegue arrumar namorado. Ji-won sonha em ser uma grande escritora, enquanto inferniza a vida do colega de Jornalismo, Im Seong-won (Son Seung-won, de I Remember You). Por fim, temos Kang I-na (Ryu Hwa-young - Ex-Girfriends´ Club -, ex-membro do grupo pop T-ara -, irmã gêmea de Ryoo Hyo-yeong (Golden Pouch)). Ninguém conhece bem a bela Kang I-na, que tem um estilo de vida muito diferente de qualquer estudante, usando roupas e acessórios de marca, e frequentando bons restaurantes. Em um dos bares exclusivos que frequenta, I-na conhece o misterioso Oh Jong-gyoo (Choi Deok-moon), que tem um interesse suspeito sobre seu passado.

Age of Youth chamou muito a atenção do público que gosta de estórias originais, e temas diferenciados, e realmente, é uma das melhores surpresas do ano. Mas nem por isso o drama é isento de falhas, especialmente ao aumentar e exagerar no desenvolvimento das tramas pessoais dos personagens. Os conflitos emocionais, seja entre colegas, namorados, ou com a família, somados aos dilemas profissionais seriam o bastante para retratar a estória dessas estudantes, mas a roteirista enveredou por uma trama sombria, que foge demais do clima inicial do drama. No final, me contento com reflexão intimista desta fase bonita, embora às vezes agridoce, da vida.


The Man Living in Our House (KBS2, 16 episódios)

The Man Living in Our House (ou Sweet Stranger and Me) é um drama romântico baseado no webtoon de Yoo Hyeon-sook, e adaptado pela roteirista Kim Eun-jeong (Flower Boy Next Door, Gabi, Il Mare). O diretor é Kim Jeong-min (The Joseon Gunman, Bad Guys).

Soo Ae (Mask, 9 End 2 Outs) é Hang Na-ri, uma comissária de bordo que está em um momento feliz da vida, prestes a se casar com Jo Dong-jin (Kim Ji-hoon-I, de Flower Boy Next Door), seu namorado a quase dez anos. Mas, subitamente, chega a notícia triste da morte da mãe de Na-ri, Shin Jeong-im (Kim Mi-sook, The Flower in Prision) em um acidente de carro. Ao voltar para a casa da mãe, no interior, Na-ri tem mais uma surpresa chocante, a presença de um estranho no local. Ko Nan-gil (Kim Yeong-kwang, D-Day, Plus Nine Boys) afirma ser o novo dono da propriedade da mãe de Na-ri, incluindo o restaurante, onde ele agora trabalha como chef. Atordoada com a situação, Na-ri contrata o advogado Kwon Deok-bong (Lee Soo-hyeok, Lucky Romance) para ajudá-la a resolver a situação. Só que Deok-bong também tem interesse em adquirir a propriedade, a qualquer preço.

Ainda bem que The Man Living in Our House é um drama curto, pois, infelizmente, o roteiro é frágil demais para sustentar o prolongamento da trama. A estória em si é muito interessante, com segredos que vão sendo revelados aos poucos, bem como as verdadeiras intenções dos personagens. O problema é a fragilidade dos personagens secundários (que já são poucos), que poderiam ter recebido uma atenção maior por parte da roteirista e do PD. Mais uma vez Lee Soo-hyeok cai na armadilha de aceitar um papel que não chega aos pés de sua reconhecida capacidade como ator. Mesmo assim, ele consegue ir além do texto, ao imprimir humor e charme ao personagem, conseguindo ao menos preservar seu orgulho como ator. Como coadjuvante, Jo Bo-ah (Monster) também agrada muito, com o tom cômico dado ao personagem Do Yeo-joo, colega e rival de Na-ri.

É uma grande alegria ver Soo Ae de volta, depois de tantos anos, a um papel mais leve, embora eu tivesse preferido vê-la em uma comédia romântica pura, ao invés de um drama que tem mais pitadas de suspense do que romance. Mas não dá para reclamar de seu par romântico com Kim Yeong-kwang, simplesmente encantador, em toda sua ternura e cumplicidade.


My Wife is Having an Affair this Week (jTBC, 12 episódios)

Remake do drama japonês Konshu Tsuma ga Uwaki Shimasu (Fuji TV, 2007), adaptado por Lee Nam-gyoo (Awl, Detective K) e dois outros roteiristas novatos, Kim Hyo-sin e Lee Ye-rim-I. O PD é Kim Seok-yoon, que tem uma longa parceria com o roteirista Lee Nam-gyoo no cinema, com a franquia Detective K, e na TV, com o drama Awl, um libelo dos direitos trabalhistas coreanos.

Este ano o canal jTBC surpreendeu o público com a qualidade e originalidade de suas produções, superando até mesmo a badalada tvN. My Wife is Having an Affair this Week lembra um pouco o drama The Producers (KBS2), ao abordar com realismo e irreverência a rotina da produção de um programa de TV. Mas o foco central do drama são as alegrias e (principalmente) as agruras do casamento. Com humor ácido, e sem fazer concessões, o drama disseca uma relação em crise, a partir do momento em que um dos cônjuges comete adultério. Lee Seon-gyoon (Miss Korea, Golden Time), é o produtor de TV Do Hyeon-woo, casado, pai de um menino de seis anos. Song Ji-hyo (Ex-Girlfriends´ Club, Princess Hours) é a executiva Jeong Soo-yeon, mãe de Joon-soo (Kim Kang-hoon, de Pride and Prejudice), casada com Hyeon-woo. Para quem vê de fora, Soo-yeon e Hyeon-woo parecem ser um casal feliz e harmonioso, mas a rotina exaustiva e a consequente falta de diálogo começam a minar sua relação. Até que acontece uma suposta traição... Apesar do ponto de vista masculino da estória, há uma reflexão muito pertinente sobre o papel da mulher na sociedade moderna... A rotina de Soo-yeon não é diferente de qualquer mulher, que tenta equilibrar a carreira profissional com o casamento... Mas a recompensa por tanto esforço nunca é vista, exceto pelo respeito dos subordinados, ou os comentários invejosos das mães dos coleguinhas do filho, que acham que sua vida é perfeita. Hyeon-woo pensa ser um ótimo marido, apenas por realizar tarefas banais como tirar o lixo, ou levar o filho para a escola. Quando a possibilidade de perder a mulher torna-se real, ele simplesmente surta!

Lee Sang-yeob (Master – God of Noodles, Signal) é o PD Ahn Joon-yeong, colega e melhor amigo de Hyeon-woo. Casado há três anos, fica ridiculamente perturbado com os problemas conjugais do amigo. Lee Sang-yeob simplesmente rouba a cena, com suas cenas de choro, bebedeira e obsessão pela colega Kwon Bo-yeong (BoA, cantora). Aliás, Lee Sang-yeob e BoA (em sua primeira atuação convincente) formam um casal fantástico, tão neurótico quanto os típicos casais dos filmes de Woody Allen.

O terceiro casal é formado pelo advogado Choi Yoon-gi (Kim Hee-won, de Awl, Collective Invention) e a dona-de-casa Eun Ah-ra (Ye Ji-won, de Oh Hae-young Again). Eun Ah-ra, filha de um rico empresário, trata o marido como um príncipe, mas desconfia, e com razão, de estar sendo traída. Yoon-gi, apesar de dever sua carreira e a vida luxuosa à esposa, a trai sem qualquer culpa ou remorso. Ele se acha um Don Juan, usando todas as técnicas possíveis e imagináveis para seduzir as mulheres bonitas que cruzam seu caminho. Apesar da canalhice do personagem, Choi Yoon-gi não se constrange, e mergulha no papel sem nenhum pudor, protagonizando cenas tão constrangedoras quanto engraçadas. E o papel de mulher superficialmente frágil, mas prestes a explodir, serve como uma luva para a fantástica atriz Ye Ji-won.


Weightlifting Fairy Kim Bok-joo (MBC, 16 episódios)

As roteiristas Yang Hee-seong (Oh My Ghostess, King of High School of Manners) e Kim Soo-jin-III (My Only Love Song) inspiraram-se na vida da atleta de levantamento de peso Jang Mi-Ran, para criar uma estória tão adorável, que mais parece uma fábula, Weightlifting Fairy Kim Bok-joo. A direção, também preciosa, está a cargo do PD Oh Hyeon-jong (A New Leaf).

Lee Seong-kyeong (Doctors) é a jovem levantadora de pesos Kim Bok-joo, cujo único sonho é ser uma grande campeã. Ela reside no campus universitário, onde se dedica exclusivamente aos exaustivos treinamentos diários. Sua única diversão consiste em sair para comer (muito!) e beber com as colegas atletas, Seon-ok (Lee Joo-hyeong-II,- A Quiet Dream), e Jeong Nan-hee (Jo Hye-jeong,- Cinderella and Four Knights). Sua rotina é tranquila, exceto pelas rusgas com as vizinhas de dormitório, as garotas da equipe de ginástica rítmica. Como toda garota de sua idade, Kim Bok-joo gostaria de se apaixonar, mas o cara ideal ainda está para surgir em sua vida... E não parece ser o nadador Jeong Joon-hyeong (Nam Joo-hyeok -, Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo, Who Are You: School 2015), apesar de todas as suas qualidades: beleza, talento, simpatia... Acontece que Joon-hyeong, um amigo de infância, ainda guarda a lembrança de uma Bok-joo gordinha e sapeca, e sente prazer em provocar a garota com piadas inconvenientes, mesmo que sua intenção não seja a de magoá-la. Mas o coração de Bok-joo irá bater mais forte ao conhecer o Dr. Jeong Jae-i (Lee Jae-yoon-I,- Heartless City, Oh Hae-young Again), irmão mais velho de Joon-hyeong.

Kyeong Soo-jin (Plus Nine Boys) é a ginasta Song Si-ho, ex-namorada de Joon-hyeong, que volta ao campus depois de uma tentativa fracassada de entrar para o time olímpico de seu esporte. Song Si-ho, além de perder espaço para as atletas mais jovens, não tem recursos financeiros para preparar-se adequadamente para as competições. Deprimida, ela tenta reatar o namoro com Joon-hyeong.

O drama, além de atores jovens muito talentosos, tem um elenco adulto de luxo... Choi Moo-seong (Answer Me 1988) é o treinador Yoon Deok-man, e Jang Young-nam (A Werewolf Boy) é sua assistente, Choi Seong-eun. Na família de Bok-joo temos Ahn Kil-kang (Chuno), como o pai, Kim Chang-geol, e Kang Ki-yeong (Let´s Fight Ghost), como o jovem tio Kim Dae-ho.

É admirável o tratamento carinhoso dado a Kim Bok-joo, uma protagonista que foge totalmente dos padrões de beleza e de caráter da maioria das heroínas retratadas nos dramas coreanos. Palmas para a atriz Lee Seong-kyeong, que se despe de qualquer vaidade para retratar Kim Bok-joo, uma garota de braços tão fortes, e de coração tão doce.


Romantic Doctor Teacher Kim (SBS, 20 episódios)

A roteirista Kang Eun-kyeong (Hotelier, Dalja´s Spring, Bread, Love and Dreams, This Is Family), que acumula uma lista considerável de dramas de sucesso, junta-se a um diretor de peso, o PD Yo In-sik (Bad Family, Giant, Mrs. Cop) em um belo drama médico, Romantic Doctor Teacher Kim.

O grande ator Han Seok-kyu (The Berlin File, Eye for an Eye, Deep-rooted Tree) é o Dr. Bu Yong-joo, um médico brilhante, mas de temperamento indomável. Ele é um cirurgião de prestígio, a grande estrela do Hospital Geosan, em Seul. No entanto, ele acaba sendo alvo de uma conspiração de colegas do hospital, ao ser injustamente acusado de cometer um erro médico, e matar uma paciente durante uma cirurgia de emergência. Difamado, e desempregado, Bu Yong-joo passa a se apresentar como Dr. Prof. Kim, e vai clinicar em um pequeno hospital do interior.

Yoo Yeon-seok (Mood of the Day, Love, Lies) é o Dr. Kang Dong-joo, um jovem que teria um futuro brilhante como cirurgião, se não fosse pela traição (muito semelhante ao que aconteceu anos atrás com o Dr. Kim) arquitetada pelo diretor do Hospital Geosan, Do Yoon-wan (Choi Ji-ho-I, Oh My Venus, Mrs. Cop 2). Para dar espaço ao filho do diretor, também cirurgião, Do In-beom (Yang Se-jong,- Saimdang, the Herstory), Yoo Yeon-seok é transferido para uma filial no interior. Chegando ao Hospital Doldam, ele reencontra uma colega do Hospital Geosan, que estava desaparecida há cinco anos, a Dra. Yoo Seo-jeong (Seo Hyeon-jin,- Oh Hae-young Again). O modesto hospital é administrado pelo simpático Yeo Woon-yeong (Kim Hong-pa), que dá carta branca para o Dr. Kim tomar todas as decisões médicas importantes. A enfermeira chefe Oh Myeong-sim (Jin Kyeong,- It´s Ok, This is Love), o gerente Jang Ji-tae (Im Won-hee (Dachimawa Lee) e o anestesista Nam Do-il (Byeon Woo-min) fazem parte da equipe fiel do excêntrico Dr. Kim. Os personagens deste drama são quase heróis, em termos profissionais, mas a nível pessoal, são criaturas repletas de contradições, neuroses e frustrações. É um desafio, mas ao mesmo tempo é instigante acompanhar a evolução de personagens tão complexos quanto carismáticos.

Romantic Doctor Teacher Kim é um drama médico por excelência, com um tempero extra de romance e comédia, - mas o que fica claro é a reflexão sobre ética profissional, e a importância de uma sociedade justa oferecer assistência médica digna ao cidadão comum.

24 de nov de 2016

Incarnation of Jealousy (drama, 2016)




País: Coréia do Sul
Gênero: Comédia, Romance, Drama
Duração: 24 episódios
Produção: SBS

Direção: Park Shin-woo
Roteiro: Seo Sook-hyang

Elenco: Jo Jeong-seok, Kong Hyo-jin, Ko Kyeong-pyo, Lee Seong-jae, Lee Mi-sook, Park Ji-young, Seo Ji-hye, Kwon Hae-hyo, Kim Jung-hyun, Moon Ga-yeong, Jeong Sang-hoon, Kim Ye-won, Park Hwan-hee, Choi Hwa-jeong, Yoon Da-hoon.

Resumo

Pyo Na-ri é a garota do tempo que sofre por um amor não correspondido pelo repórter Lee Hwa-sin. Quando Hwa-sin volta ao país, depois de uma temporada como correspondente estrangeiro, descobre que seu melhor amigo, Ko Jeong-won, apaixonou-se por Na-ri.

Comentário (com muitos spoilers!)

Minha relação com Incarnation of Jealousy foi tão neurótica quanto de Hwa-sin e Na-ri – inicialmente, um sentimento de enfado e desprezo, uma pausa para tentar esquecer o caso, o retorno ao lar, uma curiosidade crescente, até a triunfante descoberta do amor! O prólogo confuso, com um excesso de personagens e subenredos, quase arruína o drama. Incarnation of Jealousy nunca estará no meu top 10 de dramas, mas certas cenas e episódios certamente podem ser classificados como memoráveis.

Seo Sook-hyang é roteirista de dois dramas fantásticos - The Lawyers of The Great Republic Korea, e Miss Korea – e uma grande decepção – o drama Pasta, que ainda assim ficou famoso pelo casal protagonista, Kong Hyo-jin e Lee Seon-kyeon. Como em Miss Korea, a roteirista consegue manipular muito bem um grupo variado e interessante de personagens secundários. O problema é que em Incarnation of Jealousy ela exagerou, e muito, na quantidade e, consequentemente, quase perdeu o controle da trama. É de estranhar-se que o PD Park Shin-woo (Ghost, Angel Eyes), e a própria emissora não tenham intervindo neste aspecto, já que uma redução no número de personagens ajudaria até mesmo na economia da produção – mas como estamos falando de uma grande (e muitas vezes caótica) emissora de TV, os excessos frequentemente são tolerados (quem não se lembra de desastres luxuosos como Doctor Stranger?).

Apesar de não aprovar resenhas com spoilers, vou abrir uma exceção com este drama, para tentar atingir o espectador que, como eu, ficou perplexo e insatisfeito com o início da trama. A roteirista teria sido muito mais feliz se, no primeiro episódio, optasse por apresentar os personagens principais, e só mais adiante, os secundários. A primeira impressão sobre o casal protagonista não poderia ser pior: Pyo Na-ri parece ser uma garota tola e inconveniente, e Lee Hwa-sin, um repórter medíocre e um misógino. Não temos a menor pista da relação entre os dois, e, por isso, é constrangedor ver Na-ri perseguindo Hwa-sin como uma fã obcecada, e ele a tratando com igual desrespeito. O mesmo se repete com os personagens secundários, descritos como um bando de neuróticos fora de controle. Seria muito mais fácil enganchar o púbico com algumas pistas sobre as verdadeiras motivações dos personagens. Pyo Na-ri (Kong Hyo-jin, de It´s Ok, This is Love) é uma jovem órfã, que batalha muito para sustentar o irmão adolescente, Chi-yeol (Kim Jung-hyun). Ela é contratada como apresentadora do tempo em uma grande rede de TV. É um cargo mal pago, e pouco valorizado. Mesmo assim, Na-ri, otimista por natureza, sonha em um dia conseguir uma promoção à âncora de notícias. Na-ri se apaixona loucamente pelo repórter estrela do canal, Lee Hwa-sin (Jo Jeong-seok, de Oh My Ghostess). Vaidoso, Hwa-sin não tem o mínimo interesse em envolver-se com uma mera garota do tempo. A paixonite de Na-ri é cortada pela raiz quando Hwa-sin é transferido para a Tailândia, como correspondente estrangeiro. Para descobrir todos estes fatos relevantes sobre o casal protagonista o espectador terá de munir-se de paciência por muitos episódios – finalmente, é um alívio ver que eles não são más pessoas, apenas dois jovens imaturos, embora, a bem da verdade, meio ‘sem noção’!

Pyo Na-ri reencontra seu primeiro amor numa missão à Tailândia, mas no caminho conhece um homem muito interessante, o empresário Ko Jeong-won (Ko Kyeong-pyo, de Answer Me 1988). Jovem, alto, e muito rico, Jeong-won é o oposto de seu amigo de juventude, Lee Hwa-sin. Jeong-won sente-se atraído pela personalidade espontânea e calorosa de Na-ri. Na-ri, por sua vez, fica envaidecida e animada com as atenções do jovem milionário sobre ela. Enquanto isso, Hwa-sin decide voltar à Seul, para concorrer a uma vaga de âncora de notícias. Incomodado com o flerte entre seu melhor amigo e Na-ri, Hwa-sin começa a questionar seus sentimentos sobre ela. E, infelizmente, descobre que o assédio de Na-ri, que ficava tocando seu peito cada vez que o encontrava, tinha seus motivos. A mãe e a avó de Na-ri morreram de câncer de mama, e por isso, a jovem preocupa-se, com razão, com a possibilidade de também vir a sofrer da doença. Ao tocar no peito de Hwa-sin, ela percebe um pequeno caroço estranho, e incomoda o repórter, até convencê-lo a fazer um exame preventivo. Quando o resultado é positivo, Na-ri transforma-se no único apoio de Hwa-sin no tratamento da doença. Apesar do tema dramático, neste ponto o drama lida com a situação de fora muito delicada, e surpreendentemente cômica. O alerta especial aos homens é raro, e muito bem vindo!

Passado o espanto e a dor de cabeça com a profusão de personagens secundários, os subenredos vão se acomodando, e vamos conhecendo melhor e nos envolvendo com cada um deles. Alguns personagens são tão encantadores, que nos ressentimos por eles acabarem meio esquecidos, pela falta de tempo e espaço para que suas estórias sejam contadas. A princípio achei que 24 episódios eram um exagero, mas, no final das contas, para desenvolver com generosidade todas as microestórias, o drama poderia tranquilamente ter 50 capítulos. Estou certa de que muita gente gostaria de saber mais sobre a relação de amizade (e o triângulo amoroso) entre Lee Pal-gang (Moon Ga-yeong), filha de Seong-sook, e sobrinha de Hwa-sin, e seus colegas, Oh Dae-goo (An Woo-yeon), e Pyo Chi-yeol (o ator revelação Kim Jung-hyun).

As atrizes veteranas e charmosas, Lee Mi-sook (Miss Korea) e Park Ji-young (Scarlet Heart Ryeo), roubam a cena, e quase mereciam um spin off do drama, como as ex-esposas de Lee Joong-sin (participação especial de Yoon Da-hoon), irmão de Hwa-sin. A princípio arqui-inimigas, e mais tarde grandes companheiras, as jornalistas Gye Seong-sook e Bang Ja-yeong são de longe a melhor surpresa do drama. Seu triângulo amoroso com o cozinheiro Kim Rak (Lee Seong-jae), e suas birras com o chefe Oh Jong-hwan (o sempre simpático Kwon Hae-hyo) são impagáveis, embora nem sempre seja um mérito que personagens secundários tirem o foco dos protagonistas.

Mas a lista não acaba por aqui, pois há muitos outros personagens secundários, que, por incrível, que pareça, tem espaço o bastante para serem lembrados, como a bela jornalista Hong Hye-won (Seo Ji-hye), o PD Choi Dong-gi (Jeong Sang-hoon), as colegas de Na-ri, Na Joo-hee (Kim Ye-won) e Geum Soo-jeong (Park Hwan-hee), Kim Tae-ra (Choi Hwa-jeong), a mãe de Jeong-won, ou ainda a divertida médica Geum Seok-ho (Bae Hye-seon).

E que ainda assim sobre tempo para curtir o intenso romance de Na-ri e Hwa-sin, é um verdadeiro milagre. A atriz Kong Hyo-jin encontrou na calorosa Na-ri, seu papel mais encantador até o momento, e na parceria com Jo Jeong-seok, o melhor e mais sensual par romântico. Jo Jeong-seok por sua vez, aproveitou para demonstrar todas as suas habilidades como ator -, do canto, à dança, - da comédia de pastelão, à tragédia pura. Foi como ver uma maratona de atuação, estrelada por Jo Jeong-seok, na qual ele foi o único participante, e o grande vencedor.

18 de nov de 2016

Melhores Dramas Coreanos de 2016 (Parte 1)




Já podemos afirmar que 2016 foi um ano excepcionalmente feliz para os fãs dos dramas coreanos. Apesar de alguns gêneros estarem em baixa – os dramas médicos e os suspenses estiveram praticamente ausentes – o romance, a comédia e os dramas familiares foram os que mais se destacaram. Foi muito bom contar com a presença de grandes atores do teatro e do cinema coreanos, mas também nos surpreendemos com os novos talentos.  Aliás, os dramas épicos foram os que mais privilegiaram os jovens atores... Scarlet Hear Ryo, Mirror of the Witch, e Moonlight Drawn By Clouds foram dramas que serviram de vitrine para uma nova leva de protagonistas na TV coreana. Park Bo-geom, Kang Ha-neul, Nam Joo-hyeok, Kim Sae-ron, Jin Young são alguns dos nomes a prestar atenção no futuro próximo.Esta é a primeira parte da lista dos dramas mais importantes do segundo semestre de 2016:


Moonlight Drawn by Clouds (ou Love in the Moonlight) (KBS2, 18 episódios)

Baseado no webtoon Moonlight Drawn by Clouds (roteirista: Yoon Yi-soo, ilustrador: kk), e adaptado para a TV por Kim Min-jeong  e Lim Ye-jin, coroteiristas de Who Are You: School 2015, e dirigido por Kim Seong-yoon (Discovery of Romance, BIG).

Com um pano de fundo histórico, Moonlight Drawn by Clouds é uma versão romantizada do reinado de Soonjo (Era Joseon). Park Bo-geom (Answer Me 1988, I Remember You), é o príncipe herdeiro Lee Young (Hyomyeong), um jovem desiludido com o poder, em meio a uma existência tediosa, isolado do mundo pelos muros do palácio real. Tudo muda quando um novo eunuco, com aparência delicada, mas gênio indomável conquista o coração do príncipe. Não demora muito para que se espalhem pelo palácio boatos maliciosos sobre a amizade íntima entre o belo príncipe e seu eunuco. O próprio Lee Young começa a questionar a verdadeira natureza de seus sentimentos pelo pequeno servo. Kim You-jeong (Angry Mom), é Hong Ra-on, uma órfã plebeia, mas letrada, que consegue infiltrar-se no palácio disfarçada de eunuco.

Apesar do argumento nada original (ver mais), Moonlight Drawn by Clouds tem a seu favor um elenco jovem de talento inegável. É impossível não se deixar seduzir pela beleza etérea dos protagonistas desta trama épica um tanto açucarada, mas transbordante de emoções sinceras, e ideais nobres. Park Bo-geom, em seu primeiro desafio como protagonista absoluto, admiravelmente, consegue evitar cair no estereótipo do príncipe encantado, ao imprimir ao personagem uma carga emocional e uma fragilidade comovedoramente reais. Park Bo-geom teve a sorte de contracenar com Kim You-jeong, adolescente, mas já veterana atriz de cinema e TV... Mas foi o PD Kim Seong-yoon que teve sensibilidade o bastante para deixar que o ator superasse sua insegurança inicial, e se sentisse plenamente confortável na pele do príncipe Lee Young. Por sinal, este é um exemplo de drama onde o talento e a experiência do diretor tem uma influência direta e construtiva sobre um roteiro nada brilhante, onde o carisma dos personagens é a salvação para um enredo muito deficiente. A verdade é que Moonlight Drawn by Clouds é um épico romântico agradabilíssimo, para quem gosta do gênero, e vai ficar na história como o drama que consolidou Park Bo-geom como um dos grandes atores de sua geração.

Para não dizer que não falei dos demais “flower boys” do drama, tenho de reconhecer que Jin Young (Warm and Cozy) e Kwak Dong-yeon (Modern Farmer) contribuíram muito para tornar Moonlight Drawn by Clouds um drama muito mais interessante. Fiquei surpresa com o talento do cantor pop Jin Young, que, com tão pouca experiência como ator, está tão seguro no papel do nobre Kim Yoon-Sung, neto do grande vilão do drama, o ministro Kim Hun, interpretado pelo grande ator Cheon Ho-jin (Six Flying Dragons). Quanto a Kwak Dong-yeon, confesso que me apaixonei por seu personagem, o misterioso guarda-costas Kim Byung-Yeon. Se os produtores do drama tivessem um pouco de sensibilidade, pensariam em produzir um spin-off com este personagem, estou certa de que seria um grande sucesso!


Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo (SBS, 20 episódios)

Baseado do romance Bu Bu Jing Xin (2005) de Tong Hua, e no drama Scarlet Heart (China, HBS, 2011), Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo é um drama coreano pré-produzido – as filmagens foram de janeiro a junho de 2016, e a estreia, em agosto do mesmo ano. O PD Kim Kyoo-tae é conhecido por seu cuidado especial com a fotografia nos dramas (That Winter, The Wind Blows, It´s Ok This is Love), e não foi diferente com Moon Lovers – a estética visual do drama é um espetáculo a parte. Já o roteiro, adaptado do romance chinês pela escritora Jo Yoon-young (Cinderella Man) deixa muito a desejar... Não conheço a obra original, mas um drama épico, por mais fantasiado e romantizado que seja, precisa de um roteirista com certa experiência no gênero, especialmente para lidar com as relações políticas, as intrigas palacianas, e as cenas de ação, imprescindíveis em um bom sageuk. A roteirista Kim Yi-young teve o mesmo problema ao decepcionar com seu primeiro épico, Hwajung.

Visualmente, Moon Lovers é um drama maravilhoso, com uma fila de príncipes de sonho, e paisagens de tirar o fôlego... O elenco foi escolhido a dedo para agradar ao público feminino. É impossível ficar imune à beleza e juventude do elenco masculino, com seus cabelos longos, seus trajes luxuosos, emoldurados por aposentos reais forrados a vermelho e ouro. E como numa boy band, cada espectadora pode escolher seu príncipe favorito, e não faltaram discussões acaloradas sobre quem merecia conquistar o coração da heroína do drama, Hae-soo (cantora e atriz Lee Ji-eun). Gostos à parte, o pôster do drama deixa claro quem é o grande protagonista: Lee Joon-ki. E o ator, apesar da aparência física fragilizada por uma magreza excessiva (orientada pelo diretor do drama para que Joon-ki parecesse mais jovem), não decepciona no papel do 4º príncipe, Wang So. Lee Joon-ki sente-se tão confortável habitando os épicos, que poderia viajar no tempo, como Hae-soo, e viver muito bem, como um nobre ou um guerreiro. Kang Ha-neul (Misaeng), por outro lado, encara seu primeiro personagem épico em um drama (sem contar o filme Battlefield Heroes, de 2011), e interpreta com sensibilidade inigualável o 8º príncipe Wang Wook. Os demais príncipes também têm seus encantos individuais – impressiona a evolução de Hong Jong-hyeon (Dating Agency: Cyrano) como ator, no papel do degenerado 3º príncipe Wang Yo – Ji Soo (Fantastic) é energia e carisma puros na pele do heroico príncipe Wang Jeong – e, finalmente, meu príncipe favorito, em termos de caráter, o 13º príncipe Baek Ha, interpretado com encanto e sabedoria por Nam Joo-hyeok (Cheese in the Trap). Com uma evolução melodramática e arrastada, Moon Lovers tem a audácia de propor ao espectador um dos desfechos mais insensíveis e descuidados de todos os tempos. Os fãs de Lee Joon-ki e companhia não mereciam tal desfeita!


Fantastic (jTBC, 16 episódios)

Fantastic me fez lembrar aquelas comédias românticas clássicas do cinema norte-americano. Com um par romântico belíssimo e com grande timing para a comédia, Fantastic surpreende por conseguir abordar um tema difícil como o câncer, com equilíbrio e otimismo. A roteirista Lee Seong-eun (Sad Love Story) merece elogios por escrever uma estória de amor adulto com realismo, mas ao mesmo tempo com uma pitada saudável de humor. O PD Jo Nam-gook tem uma mão meio pesada para o romance – ele se sai melhor dirigindo dramas de ação, como Last (2015), ou The Chaser (2012). Apesar disso, o elenco se sai muito bem, com destaque para o casal protagonista, Kim Hyeon-joo e Joo Sang-wook. Kim Hyeon-joo é uma atriz incrível, que, inexplicavelmente, teve por tempo demais sua carreira colada aos makjang (os melodramas longos de fim de semana). Felizmente, o sucesso do drama This is Family (2014) despertou a curiosidade do público por esta atriz maravilhosa. Em Fantastic ela é Lee So-hye, uma roteirista de sucesso, que reencontra o grande amor de sua vida, mas, tragicamente, descobre que pode ter pouco tempo de vida.

Joo Sang-wook é um ator que vem trabalhando incansavelmente, em dramas e no cinema, já tendo provado seu talento para interpretar papeis em todos os gêneros, do policial (TEN) à comédia (Sly and Single Again). Joo Sang-wook está simplesmente impagável no papel de Ryoo Hae-seong, um ator muito famoso, mas um grande canastrão. Ele encontra sua alma gêmea na roteirista de dramas de ação, Lee So-hye, uma mulher de temperamento forte, mas de coração leve. Outro ponto alto do drama é a bela amizade entre Lee So-hye, Baek Seol (Park Si-yeon) e Jo Mi-seon (Kim Jae-hwa). As três são amigas desde a adolescência, mas com tempo (casamento, filhos) acabam se afastando um pouco. Com a doença de Soo-hye e a crise no casamento de Baek Seol, elas ficam mais unidas do que nunca. Park Si-yeon (Nice Guy), mais conhecida por interpretar mulheres sedutoras, surpreende como uma dona de casa submissa, que, finalmente, se rebela contra os maus tratos do marido.


Shopping King Louis (MBC, 16 episódios)

Uma comédia romântica deliciosamente ingênua, Shopping King Louis é uma boa oportunidade para fugir sem culpa dos problemas da vida real. Seo In-guk é Kang Ji-seong, apelidado carinhosamente de Louis, um chaebol que mora longe da família coreana, em um palácio europeu. Os pais de Louis morreram quando ele era criança, e sua avó, por medo de perder o único neto e herdeiro, mantém o rapaz isolado do mundo, tendo como fiel escudeiro o mordomo Kim Ho-joon (Eom Hyo-seob). A única diversão de Louis é gastar sua fortuna, e ele se torna um comprador compulsivo de artigos de luxo. Quando a avó adoece, Louis volta imediatamente à Seul, mas sofre um acidente de carro, e é declarado morto pela polícia. O que a família de Louis não sabe é que ele foi assaltado no caminho entre o aeroporto e a cidade, e não estava na cena do acidente. Enquanto isso, Go Bok-sil (Nam Ji-hyeon), uma jovem caipira vem à Seul em busca do irmão mais novo, Bok-nam, que fugiu de casa. Ela encontra Louis sentado nas escadarias da estação rodoviária, sujo, faminto, e completamente amnésico. O que chama a atenção de Bok-sil é que Louis está vestindo o abrigo que pertencia ao seu irmão desaparecido. Como Louis é a única pista para encontrar Bok-nam, ela resolve cuidar dele até que sua memória volte. Bok-sil tem a sorte de conhecer Cha Joong-won (Yoon Sang-hyeon, de Secret Garden) o diretor de uma empresa de vendas online, que a contrata como estagiária. Sem memória, mas habituado a ser tratado como um príncipe, Louis manda e desmanda na pobre Bok-sil (e em quem mais cruzar seu caminho), que trabalha como uma louca para sustentar o rapaz. Nam Ji-hyeon (This is Family), com sua simpatia contagiante, e Seo In-guk, com seu ar juvenil, formam um par romântico que é pura doçura! Um drama perfeito para dar boas risadas, e curtir mais uma grande atuação de Seo In-guk (que até nos dá a honra de ouvir sua bela voz, cantando ao piano). Shopping King Louis é dirigido por Lee Sang-yeob-I (Mister Baek), e a roteirista é a novata Oh Ji-young.


Woman With a Suitcase (MBC, 16 episódios)

O PD Kwon Seok-jang (Ex-Girlfriend Club, Miss Korea, Golden Time) tem dramas excelentes em seu currículo, mas em Woman With a Suitcase o destaque vai para o roteiro de Kwon Eum-mi (Gap Dong, Royal Family), que cria uma trama muito interessante que mescla suspense, drama legal e comédia romântica. É verdade que o drama sofre uma pequena dispersão no ponto central da trama, mas no episódio 11 a estória ganha novo fôlego, e as pontas soltas da estória são amarradas satisfatoriamente. Choi Ji-woo, mais conhecida como a musa dos melodramas românticos (Winter Sonata, Stairway to Heaven), com a maturidade, tem explorado com sucesso sua veia cômica, como em Can´t Lose (2011), Twenty Again (2015), ou no filme Like for Likes (2015). Em Woman With a Suitcase ela é Cha Geum-joo, uma assistente legal que entende mais de leis que seus superiores advogados. Apesar de ter se formado em direito, Geum-joo falhou em várias tentativas de passar no exame de ordem, e acabou conformando-se em ser apenas uma assistente. Mas sua vida sofre uma grande reviravolta, ao conhecer o ex-promotor Ham Bok-geo (Joo Jin-mo, de Gabi, My Love Eun-dong). Depois de ser derrotado em um caso rumoroso de prostituição envolvendo adolescentes e empresários poderosos, Ham Bok-geo deixa a advocacia de lado e abre um negócio muito diferente, uma revista de fofocas de celebridades.

Jeon Hye-bin (Oh Hae Young Again) é a advogada Park Hye-joo, irmã de Cha Geum-joo. Apesar de Geum-joo ter feito muitos sacrifícios ao longo da vida para sustentar a irmã mais nova, Hye-bin não consegue livrar-se de um sentimento de inferioridade, e uma inveja doentia pela capacidade profissional superior da irmã. Ao aceitar um emprego no escritório do inescrupuloso advogado Lee Dong-soo (Jang Hyeon-seong, de Mrs Cop 2), Hye-bin faz uma escolha amarga pelo lado mais obscuro da lei.

Lee Joon é o advogado idealista Ma Seok-woo, que encontra em Cha Geum-joo a parceira ideal para defender grandes causas legais, para um bem maior. Depois de ter encarnado um psicopata perigoso Gap Dong, ele repete a parceria com a escritora Kwon Eum-mi, para interpretar um personagem muito diferente, um rapaz meigo, mas corajoso, que sofre com uma paixão não correspondida pela determinada Geum-joo.


Second to Last Love (SBS, 20 episódios)

Remake do drama japonês Second to Last Love (Fuji TV, 2012), dirigido por Choi Yeong-hoon (High Society) e adaptado por Choi Yoon-jung (Mister Baek) e Lee Hee-myeong (BeautifulGong Shim).

Kim Hee-ae (Mrs Cop) é Kang Min-joo, uma produtora de dramas de TV, que optou pelo celibato depois de perder o noivo em um trágico acidente. Aos 40 anos, Min-joo começa a questionar-se sobre suas escolhas profissionais e pessoais. Estressada com a pressão do trabalho, ela resolve se mudar para o subúrbio, e aluga uma pequena casa no campo. Seu novo vizinho é Ko Sang-sik (Ji Jin-hee, He Who Can´t Marry), funcionário público, viúvo, que se dedica obcecadamente ao trabalho e a família. Juntos, os dois irão repensar suas prioridades de vida, e sonharão com a possibilidade de um amor maduro.

Second to Last Love é um drama romântico muito agradável, mas que peca por insistir em artifícios mais comuns aos melodramas de fim de semana, como dar espaço a personagens secundários insossos, ou adiar infinitamente a revelação de segredos nem tão importantes assim. É nos encontros românticos do casal protagonista, e em suas meditações solitárias sobre a vida, que o drama cresce, e emociona sinceramente. Kwak Si-yang (Mirror of the Witch)e Kim Seul-gi (Oh My Ghostess) formam o casal secundário, simpático, mas totalmente desperdiçado, em meio a tramas paralelas confusas e – francamente – a relação fraternal entre os dois era muito mais crível do que a romântica, forçada e até mesmo constrangedora. Para ser sincera, ficará na minha lembrança o beijo espetacular de Kwak Si-yang em Kim Hee-ae.


On the Way to the Airport (KBS, 16 episódios)

Esta foi a grande temporada dos dramas românticos adultos, o que não deixa de ser uma ótima notícia, já que o gênero andava colado aos makjang, e não é todo mundo que tem tempo ou paciência para acompanhar dramas longos. Se On the Way to the Airport tivesse sido produzido como um filme, estou certa de que faria um grande sucesso. É natural perceber a qualidade cinematográfica do roteiro, já que foi escrito por Lee Sook-yeon, conhecida por filmes clássicos como April Snow, Happiness, ou The Sword With No Name. Lee Sook-yeon traz para a TV seu talento impressionante para tratar as relações sentimentais com sensibilidade e realismo. Em On the Way to the Airport (como em April Snow), somos colocados na posição de voyeur, para testemunhar intimamente a profunda solidão emocional dos personagens, e sua jornada atribulada, mas recompensadora. O PD Kim Cheol-gyoo (My Beautiful Bride), através de imagens luminosas, e criaturas que caminham parecendo pisar em nuvens, traduz com perfeição os momentos em que as palavras dos personagens importam menos do que seus gestos e olhares.

É divertido ver o reencontro de Lee Sang-yoon e Sin Seong-rok (Liar Game), mais uma vez como grandes rivais, só que desta vez num triângulo amoroso. Lee Sang-yoon não perde seu charme matador, mesmo interpretando um perfeito pai de família. Sin Seong-rok está fantástico, como marido egocêntrico e pai insensível, provocando no espectador um misto de desprezo e perplexidade – a lamentar que a personalidade complexa do personagem não tenha sido mais bem explorada. Kim Ha-neul (A Gentleman´s Dignity), com sua beleza etérea, encarna magnificamente a esposa e mãe abnegada, cujo destino lhe oferece uma segunda chance de ser feliz. Assista o drama, e depois curta a trilha sonora, tão impecável como todo o resto da produção.
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