21 de jun de 2016

Goodbye Mr. Black (drama, 2016)


País: Coréia do Sul
Gênero: Melodrama
Duração: 20 episódios
Produção: MBC

Direção: Han Hee, Kim Seong Wook
Roteiro: Moon Hee-jeong, Hwang Mi-Na (webtoon)

Elenco: Lee Jin-wook, Moon Chae-won, Kim Kang-woo, Song Jae-rim, Yoo In-young.

Resumo

Cha Ji-Won nasceu em berço de ouro, mas prefere renunciar à administração dos negócios da família, para investir na carreira militar, como um bravo oficial das Forças Especiais da Marinha Coreana. No entanto, sua vida tranquila é abalada por uma grande traição, tornando-o um foragido da justiça, durante uma viagem à Tailândia.  Tempos depois, Ji-won volta a Seul, com uma nova identidade, e com planos de vingar-se daqueles que destruíram sua vida, e a de seus entes queridos.

Comentário

Goodbye Mr. Black é uma adaptação livre do webtoon de mesmo nome, de autoria de Hwang Mi-na, publicado em 1983. A inspiração para o enredo, por sua vez, vem do romance clássico O Conde de Monte Cristo, do escritor francês Alexandre Dumas. O romance original conta a estória de um jovem que é traído por seu melhor amigo, e sua noiva, acusado de um crime que não cometeu, e que reaparece com uma nova identidade para concretizar sua vingança.


Moon Hee-jeong, roteirista da velha escola do melodrama, é conhecida pelo romance clássico Stairway to Heaven (2003), e por obras mais recentes como Smile You (2009), Can You Hear My Heart (2011), e Missing You (2012). A direção ficou a cargo de Han Heui (Empress Qi) e Kim Seong Wook (The Great Wives).

A impressão que dá, às vezes, é que as grandes redes de TV (SBS, MBC, KBS) vivem numa corrida desesperada atrás de novos projetos (sejam dramas ou reality shows) para preencher suas grades de programação e, como consequência, muitas vezes perdem o controle dos mesmos. Quantos dramas partem de uma grande ideia, e acabam em fiasco... O nível da produção de Goodbye Mr. Black poderia ser comparado à de um dos maiores sucessos dos últimos tempos, o drama Descendants of the Sun. Com gravações em um cenário tropical espetacular (a Tailândia), cenas de ação cinematográficas, e um elenco bonito, Goodbye Mr. Black não chegou nem perto da fama alcançada pela concorrência. No entanto, Goodbye Mr. Black é o tipo de drama que reúne aspectos muito interessantes de serem analisados, sobre as dificuldades da construção de um melodrama de sucesso.

Goodbye Mr. Black tinha tudo para ser ao menos um bom makjang. Se Moon Hee-jeong não é uma roteirista brilhante, ao menos é experiente o bastante para criar uma estória de apelo popular. Infelizmente, o impacto da trama de vingança do Sr. Black vai se diluindo ao longo dos episódios, levando a um desfecho rocambolesco e totalmente inverossímil. Um de cada três dramas coreanos tem como tema, mesmo que secundário, algum tipo de revanche espetacular. Francamente, o público anda saturado deste tema... Mas, ironicamente, se Goodbye Mr. Black tivesse seguido a risca o texto original (de Dumas), poderia ter sido mais surpreendente. Infelizmente, a roteirista optou por desfazer-se dos aspectos mais impactantes do original.


Deixando um pouco de lado as fraquezas do roteiro, prefiro me concentrar no elenco do drama. Para começar, os atores estavam todos muito investidos em dar dimensão a seus respectivos personagens. Um bom ator é capaz de sustentar um personagem mal definido, mas há um limite para seu poder de abstração. Mesmo assim, acho que o elenco deste drama fez milagres, diante de diálogos antiquados, e uma direção frouxa.

Temos dois casais protagonistas: Cha Ji-Won e Kim Swan, Min Seon-jae e Yoon Ma-ri. O engraçado é que o envolvimento (a amizade e posterior disputa) entre Cha Ji-Won e Min Seon-jae tem um peso muito maior que o triângulo amoroso com Ma-ri, ou o novo amor de Swan.


Acho que este ‘desvio’ no foco da trama foi involuntário, já que houve um esforço, infelizmente fracassado, em destacar o personagem de Moon Chae-won (Mood of the Day, Nice Guy). Não é culpa, de forma alguma, da atriz, mas Swan é simplesmente um personagem feminino pouco interessante. Ela até tem seus bons momentos... A beleza etérea de Moon Chae-won só favorece o personagem, especialmente no início da estória, quando ela vive como a órfã Khaya, correndo pelas praias paradisíacas tailandesas. Já na Coréia, sua energia estranhamente se desvanece... O corte de cabelo muito curto e o figurino pouco feminino também não ajudam em nada...



Lee Jin-wook (The Time I Loved You, The Target), por outro lado, nunca esteve tão espetacularmente lindo, vestindo o uniforme branco de oficial da marinha. Um tanto magro, e sem músculos definidos, ele pode não convencer muito como um membro das forças especiais da marinha, mas seu sorriso brilhante compensa tudo. Entretanto, se a beleza e simpatia do ator encantam, o personagem encarnado por ele não me conquistou. Cha Ji-Won nos é apresentado como um homem que leva uma vida livre e despreocupada. Cha Jae-wan (Jeong Dong-hwan, de The Heirs), pai de Ji-won é CEO de uma grande corporação, com negócios espalhados pelo continente asiático. O Sr. Cha, que também foi militar, cede à vontade do filho de seguir a carreira na marinha, embora espere que um dia ele assuma a direção da empresa. Mas, apesar da saúde um tanto frágil do pai, Ji-won não parece muito preocupado com seu futuro de herdeiro de milhões. Quando sua vida sofre uma reviravolta, e ele volta como Mr. Black, sua única motivação é a vingança... Mas nós nunca ficamos sabendo como ele passou os últimos cinco anos desaparecido, até reaparecer como um homem frio (mas nem tanto), para reivindicar a fortuna perdida. Mr. Black não consegue ser o personagem misterioso, sedutor e merecedor de redenção que foi o Conde de Monte Cristo, o grande herói que o inspirou.



Se há um personagem que cumpre em parte este papel é Min Seon-jae. Kim Kang-woo (Marriage Blue, Ha Ha Ha, Missing Noir M), como Min Seon-jae, é mais um anti-herói do que um vilão tradicional. Seon-jae é um personagem tão complexo e intrigante, que chegou um momento em que ele pareceu ter se apossado não apenas da vida de Ji-won, mas da estória em si. Se a autora tivesse um pingo de genialidade, teria criado uma obra prima, jogando para o escanteio Mr. Black, e transformando Seon-jae em protagonista da trama. A única explicação para o destaque involuntário de Seon-jae está na atuação brilhante de Kim Kang-woo (este sim, com o corpo esculpido de um mariner!). É impossível não simpatizar, inúmeras vezes, com Seon-jae, e seu complexo de inferioridade diante de Ji-won. Seu amor obsessivo por Yoon Ma-ri (Yoo In-yeong, de Oh My Venus, Mask), a noiva de Ji-won, é lamentável. Mas é ela que decide casar-se com Seon-jae, embora tente fazer-se de vitima, quase até o final... A redenção de Seon-jae pode parecer forçada, mas é mais satisfatória que o resultado caótico do plano de vingança de Mr. Black.

Não me arrisco a indicar enfaticamente Goodbye Mr. Black, mas também não posso classificá-lo como um drama menor. O drama me deixou boas lembranças, de paisagens fantásticas, do sorriso de Lee Jin-wook, e de uma atuação magnífica de Kim Kang-woo, um ator de quem já sou fã de carteirinha.

3 de jun de 2016

The Beauty Inside (filme, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Romance, Fantasia
Duração: 127 min.

Direção: Baek Jong-Yeol
Roteiro: Kim Seon-Jeong, Park Jeong-Ye

Elenco: Han Hyo-Joo, Lee Dong-hwi, Kim Dae-Myung, Lee Beom-Soo, Kim Sang-Ho, Ko Ah-Sung, Seo Kang-Joon, Kim Hee-Won, Lee Dong-Wook, Kim Joo-Hyeok, Do Ji-han, Juri Ueno, Park Seo-Joon, Yoo Yeon-seok, Lee Hyeon-Woo, Park Shin-hye.

Resumo

A fantástica estória de Woo-Jin, um homem que acorda a cada dia no corpo de uma pessoa diferente, e de como ele irá lutar para conquistar o amor de Yi-Soo.

Comentário

O produtor de cinema Baek Jong-Yeol (Old Boy, Boice of a Murderer) encara seu primeiro desafio como diretor, com o drama romântico The Beauty Inside. O roteiro é assinado a quatro mãos por Kim Seon-Jeong (Love Me Not, 200 Pounds Beauty, Take Off) e Park Jeong-Ye (Mama, 2011).

The Beauty Inside bebe da fonte da literatura fantástica, evocando contos conhecidos, como A Bela e a Fera, ou O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde), e até mesmo as estórias de vampiros (nas referências à imortalidade). Woo-jin sofre de uma estranha condição, que começou a manifestar-se na adolescência, quando, ao acordar, certo dia, ele não reconhece as próprias feições no espelho. A partir daí, o evento passa a repetir-se, e ele nunca mais volta a encarnar seu corpo original. A condição bizarra faz com que o rapaz praticamente se isole do mundo. As únicas pessoas que conhecem o segredo de Woo-jin são sua mãe (atriz Moon Sook) e seu amigo Sang-baek (Lee Dong-hwi, de Answer Me 1988). Os anos se passam, e, apesar da “maldição” persistir, Woo-jin ao menos é bem sucedido profissionalmente, com seu atelier de móveis exclusivos e personalizados. Seu parceiro Sang-baek o ajuda na empresa, encarregando-se de lidar com os clientes e fornecedores. Um dos únicos prazeres de Woo-jin é ir até uma grande loja de móveis, para apreciar as obras de marcenaria à venda. Até que um dia ele conhece uma nova vendedora do lugar, a bela Hong Yi-soo (Han Hyo-Joo), e se apaixona à primeira vista. Certa manhã, Woo-jin acorda com a aparência que considera a ideal para atrair a atenção de Yi-soo...



... “As pessoas dizem que a verdadeira beleza está no interior, mas a primeira impressão também é importante”. Assim, na pele de um alto e belo rapaz (Park Seo-Joon, de She Was Beautiful), Woo-jin parte apressadamente ao encontro de Yi-soo. Ele a convida para jantar, e a leva até sua fábrica de móveis, sem revelar ser o dono do lugar. O problema é como encontrá-la uma segunda vez, sendo que no dia seguinte ele pode acordar como uma mulher japonesa (Juri Ueno, de Nodame Cantabile), como um senhor calvo (Kim Sang-Ho, de TEN), ou, se tiver muita sorte, como Lee Dong-Wook (Scent of a Woman), ou Kim Joo-Hyeok (When Romance Meets Destiny).



The Beauty Inside levanta muitas questões importantes sobre os mistérios e a complexidade intrínseca das paixões humanas. Será que somos seres naturalmente egoístas e solitários, sempre em busca de um ideal de beleza inatingível? Dizem que para os homens a aparência é muito mais importante, ao menos à primeira vista... Mas nos dias de hoje, quando a juventude e aparência saudável contam mais que o espírito, homens e mulheres parecem viver eternamente frustrados. Talvez nossos complexos pessoais se vejam refletidos nesta obcessão com a busca do belo, nas pessoas e nos objetos.



The Beauty Inside me fez lembrar outro filme do mesmo gênero, Eternal Sunshine of the Spotless Mind, por sua forma original e envolvente de falar sobre o amor. O grande problema de The Beauty Inside é que o diretor perdeu-se um pouco, deslumbrado com a possibilidade de inserir um elenco tão espetacular em um único filme (se Robert Altman estivesse vivo, ficaria com inveja). O filme se beneficiaria enormemente de uma edição mais ágil e enxuta. Claro que, para quem conhece e admira o cinema coreano, é um prazer muito especial se deparar com um rosto conhecido a cada nova cena. Ninguém quer reclamar por pagar um único ingresso para ver ao mesmo tempo atores queridos como Lee Beom-Soo (Last), Seo Kang-Joon (Cheese in the Trap), Yoo Yeon-seok (Mood of the Day), ou Lee Jin-wook (Goodbye Mr Black). Que pesem suas fragilidades, o filme conta com atuações brilhantes, especialmente de Hong Yi-soo (Always, Love 911, Cold Eyes) a grande protagonista de The Beauty Inside, e um dos melhores motivos para conferir esta produção. The Beauty Inside nos deixa como este questionamento, talvez impossível de responder: a beleza motiva o amor, ou o amor nos impulsiona a ver um mundo mais bonito?

24 de mai de 2016

Answer Me 1988 (drama, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama
Duração: 20 episódios
Produção: tvN

Direção: Sin Won-ho
Roteiro: Lee Woo-jeong-I

Elenco: Seong Dong-il, Lee Il-hwa, Hyeri, Ryoo Hye-young, Choi Seong-won, Ra Mi-ran, Kim Seong-gyoon, Ahn Jae-hong, Ryu Jun-yeol, Choi Moo-seong, Park Bo-geom, Kim Seon-yeong, Ko Kyeong-pyo.

Resumo

Um grupo de jovens vizinhos, na periferia de Seul, compartilha alegrias e tristezas, enquanto amadurece, em tempos de ditadura militar e recessão econômica.

Comentário

Alguém pode presumir, erradamente, que os produtores de Answer Me (...) descobriram uma fórmula, e passaram a repeti-la infinitamente... Nada poderia estar mais longe da verdade, pois se a ideia não é nova, vem sendo muito bem explorada, e, talvez, tenha atingido a perfeição com este terceiro capítulo da saga, Answer Me 1988.

Depois do sucesso de Answer Me 1997 (2012), e Answer Me 1994 (2013), o PD Sin Won-ho e a roteirista Lee Woo-jeong-I voltam à tvN com Answer Me 1988, regredindo um pouco mais no tempo, para retratar um período política e economicamente conturbado na Coréia do Sul. 1988 foi um ano estranho, uma mistura de euforia, com o país sediando pela primeira vez uma Olimpíada, e de temor, com a repressão militar, e uma profunda recessão econômica envolvendo o povo. E é neste contexto histórico que se desenrola a estória de vizinhos de longa data, na periferia de Seul. Uma franca camaradagem une pais, filhos e amigos, a despeito de diferenças financeiras e sociais.

Deok-seon, Jeong-Hwan, Seon-Woo, Dong-Ryong e Taek são amigos de infância. Curtindo os últimos meses de sua vida escolar, eles se encontram para conversar e ver filmes no pequeno quarto de Taek (Park Bo-geom, de Moonlight Drawn By Clouds, Remember You), que largou os estudos para dedicar-se exclusivamente aos lucrativos campeonatos de baduk (um tipo de jogo de tabuleiro asiático). Taek é filho único, e o pai, viúvo, tem uma pequena oficina de conserto de relógios, na sala da frente da casa. Moo-seong (Choi Moo-seong, de Heartless City) tenta suprir a falta da presença materna na vida do filho, embora tenha dificuldade em expressar-se emocionalmente com Taek. Taek é o mais jovem campeão de baduk do país, e passa mais tempo viajando à China, ou Japão, para jogar, do que em casa. Mas, sempre que volta ao lar, é recebido com carinho pelos amigos, que entendem seu temperamento sensível e introspectivo, e procuram protegê-lo, como se fosse um irmão mais novo.

Deok-seon (Hyeri, de Entertainer) é a única menina do grupo, mas seu caráter extrovertido e moleque faz com que os amigos a tratem em pé de igualdade (menos quando eles tentam ver filmes proibidos no quarto de Taek). A família de Deok-seon levava uma vida modesta, mas confortável, até que o pai, Dong-Il (Seong Dong-Il, de It´s Ok, That´s Love), bancário, emprestou todas suas economias para um amigo endividado. Hoje eles alugam um espaço úmido e apertado no porão da casa da família Kim. Deok-Seon tem de dividir o quarto com a irmã mais velha, Bo-Ra (Ryoo Hye-young, de Heart to Heart), com quem vive brigando. Bo-ra é o orgulho da família, uma garota estudiosa, matriculada na prestigiosa Universidade de Seul. Deok-seon é o oposto da irmã, detesta estudar, mas adora dançar, cantar e passar o tempo livre com as amigas, Mi-ok (Lee Min-ji), e Wang Ja-hyun (Lee Se-young). Ela prefere gastar suas energias em atividades extraclasse, como participar da cerimônia de abertura dos jogos olímpicos, como porta-bandeiras. Deok-seon também tem um irmão mais novo, Seong No-eul (Choi Seong-won, de Mirror of the Witch). Il-hwa (Lee Il-hwa, de She Was Pretty), a mãe, é uma dona de casa dedicada, que se esforça para colocar na mesa uma refeição decente, apesar do dinheiro sempre contado.

A família Kim já passou por momentos de privação, como a família Seong, mas um golpe de sorte os tornou ricos (para os padrões da periferia) da noite para o dia. Hoje eles vivem em uma casa espaçosa, onde costumam reunir os amigos da vizinhança. Seong-gyoon (Kim Seong-gyoon, de Reply 1994, Phantom Detective), é dono de uma loja de aparelhos eletroeletrônicos, um sujeito bonachão, embora suas constantes piadas infantis irritem a mulher e constranjam os filhos. A esposa, Mi-ran (Ra Mi-ran, de Dancing Queen, The Heirs), curte o marido e os filhos, mas muitas vezes se sente frustrada por ser a única mulher da casa, e não poder contar com a ajuda dos rapazes nas tarefas domésticas. [O episódio em que Mi-ran viaja e deixa marido e filhos sozinhos em casa, é um dos mais engraçados, puro caos...]. Os dois filhos do casal são muito diferentes, tanto física quanto mentalmente, embora sejam bons amigos. Jeong-bong (Ahn Jae-hong, de C´est si bon), o mais velho, gordinho, já prestou o vestibular meia dúzia de vezes, sem sucesso, mas não parece preocupado em seguir com os estudos, ou mesmo arrumar um emprego. Ele está mais interessado em seus hobbies inúteis, como colecionar discos, pôsteres de filmes, ou participar de concursos de rádio. Seu irmão, Jeong-hwan (Ryu Jun-yeol, de Lucky Romance, Socialphobia), alto e bonito, é o grande orgulho da mãe, Mi-ran. Estudioso, ele sonha em ser piloto militar, e é o tipo de pessoa focada, que não se desvia por nada de seus objetivos.

O único da turma que é tão dedicado aos estudos quanto Jeong-hwan é Seon-woo (Ko Kyeong-pyo, de Flower Boy Next Door). A família de Seon-woo morava no interior, mas, com a morte prematura do pai, vieram morar em Seul. A jovem mãe, Seon-yeong (Kim Seon-yeong, de Hotel King), luta para sustentar Seon-woo e a pequena Jin-joo (Kim Seol), apenas com o dinheiro da pensão do marido falecido. Seon-yeong sonha em ver o filho estudando medicina.

Por fim, temos Dong-ryong (Lee Dong-hwi, de The Beauty Inside), o “palhaço” da turma. Dong-ryong detesta a escola, em grande parte por seu pai ser tutor de sua classe. O Sr. Jae-myeong (Yoo Jae-myeong) não dá folga para o filho, que só gosta de cantar, dançar, e ler revistas de fofoca (e por isso mesmo é amigo e confidente de Deok-seon, tão parecida com ele).

Pouco a pouco vamos conhecendo cada um destes personagens encantadores, e descobrimos como a lealdade profunda que compartilham, - entre pais e filhos, entre vizinhos e amigos, - se formou e consolidou ao longo dos anos. Não existe preconceito de classe, ou de costumes, entre os vizinhos. Todos se ajudam, cuidando para que não falte comida na mesa, ou para que ninguém fique doente e desamparado, em momento algum. É realmente comovente e sincero o amor fraterno desta gente. E ainda mais tocante é o respeito dos filhos pelos pais. Nem mesmo nas situações mais estressantes, vemos os jovens agredirem verbal ou fisicamente seus familiares. Estou certa de que a escritora teve a intenção de ressaltar que houve uma época especial, mais ingênua, é verdade, mas também mais conciliadora.

A reconstituição de época é espetacular, detalhista ao extremo. Do figurino (as horrorosas calças semi baggy, as ombreiras, as cores cítricas, etc.), ao cenário (TVs de tubo, móveis de vime); da música (as fitas k7, o vinil, os vídeo clipes) aos filmes chineses em VHS (Chow Yun Fat foi o grande herói de toda uma geração fascinada pelo cinema de ação de Hong Kong). A criançada de hoje nem faz ideia de como um único modelo de tênis podia ser o fetiche de toda uma escola. Ou de como o telefone fixo era disputado entre irmãos, o que só piorou depois, com o advento da internet discada. É verdade que a tecnologia primitiva, o design sofrível dos carros, e a moda esquizofrênica dos anos oitenta não deixaram saudades, no entanto, para quem viveu este período, restam lembranças muito doces de tempos mais românticos e, por que não dizer, iluminados. Pode parecer pouco, mas se Answer Me 1988 deixa no espectador um sabor agridoce na boca, também guarda uma nostalgia irresistível de um tempo que não volta nunca mais...

15 de mai de 2016

Marriage Blue (filme, 2013)


País: Coréia do Sul
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 118 min.

Direção: Hong Ji-young
Roteiro: Go Myeong-joo

Elenco: Kim Kang-woo, Kim Hyo-jin, Taecyeon, Lee Yeon-hee, Joo Ji-hoon, Ma Dong-seok, Guzal Tursunova, Lee Hee-joon, Go Joon-hee.

Resumo

A data mais importante de suas vidas se aproxima, e quatro casais enfrentam dúvidas, medos e desejos secretos, a caminho do altar...

Comentário

A diretora e roteirista Hong Ji-young (Naked Kitchen) está de volta com um trabalho mais leve e cômico, mas sem perder seu toque sarcástico e crítico de sempre. Com o apoio de uma roteirista novata, Go Myeong-joo, a cineasta Hong tem a ambição de discutir este tema tão espinhoso que é o relacionamento entre homens e mulheres. E apesar de expor as neuroses de ambos os sexos, diretora e roteirista conseguem ser românticas e otimistas. Ainda bem, pois detesto quando um filme finge ser comédia, para terminar em vergonhoso melodrama.


Tae-gyoo (Kim Kang-woo, de Ha Ha Ha) é um jogador de baseball aposentado, que agora treina um time da segunda divisão. Sua namorada, Joo-yeong (Kim Hyo-jin) é uma médica urologista. Anos atrás, quando ele estava no auge da fama, os dois romperam o namoro, mas agora estão juntos, e prontos para subir ao altar. Mas, faltando uma semana para o casamento, Tae-gyoo descobre que a noiva teve um caso sério no passado e fica obcecado em descobrir mais sobre este homem.


So-mi (Lee Yeon-hee, de Miss Korea) é uma manicure que namora há sete anos o chefe de cozinha Won-cheol (Taecyeon). Apesar do casamento marcado, So-mi sente que algo está faltando em sua vida, e que a paixão pelo noivo transformou-se em simples acomodação. So-mi resolve fazer uma última viagem sozinha, antes da boda, para participar de um concurso de arte em unhas, mas também para pensar sobre o futuro. Na romântica ilha de Jeju ela conhece Kyeong-soo (Joo Ji-hoon), um famoso desenhista de quadrinhos, e guia turístico nas horas vagas, que faz seu coração bater mais forte...

Geon-ho (Ma Dong-seok, de Bad Guys) é um solteirão de bom coração, dono de uma floricultura, que se apaixona por Vika (Guzal Tursunova) uma imigrante do Uzbequistão. O casal tem uma rotina feliz e harmoniosa, mas, com o casamento à vista, Geon-ho começa a ficar inseguro com a noiva bonita e tão mais jovem que ele. E, para piorar, ele passa a desconfiar que ela esteja se casando apenas para conseguir a cidadania coreana.


Dae-bok (Lee Hee-joon, de Unexpected You) trabalha como recepcionista na clínica de urologia de Joo-young. Ele namora a cerca de um mês a bela Yi-ra (Go Joon-hee, de Twelve Men in a Year), uma planejadora de casamentos. Uma gravidez não planejada faz com que os dois resolvam se casar. Só que Dae-bok começa a duvidar dos sentimentos da noiva por ele, já que ela insiste em esconder seu relacionamento do pai (Jang Gwang), um pastor rígido e conservador.

Como em todo filme dividido em várias estórias paralelas (omnibus), é impossível não simpatizar mais com um ou outro personagem. Embora este não seja meu gênero favorito de filme, Marriage Blue consegue equilibrar em grande parte seu enredo fragmentado. Além de conectar de forma orgânica as quatro estórias de amor, cada casal tem seu charme e sua graça.

Meu casal favorito é Kim Kang-woo (Goodbye Mr. Black) e Kim Hyo-jin (Marry Me, Mary), de longe os melhores atores do filme. E sua estória é a mais engraçada, e, ao mesmo tempo, realista. O casal se conheceu na juventude, e depois de alguns anos separados, voltou a se enamorar. Eles se julgam muito mais maduros e seguros, hoje em dia, mas não é bem assim... Tae-gyoo ainda conserva muito do egocentrismo dos tempos de estrela do baseball, mas ao menos se esforça para corrigir as falhas do passado no relacionamento com Joo-yeong. Joo-yeong é uma médica urologista bem sucedida, com seu consultório médico privado. Mas de vez em quando afloram algumas mágoas do passado, segredos que ela insiste em esconder de Tae-gyoo. Quando descobre que a noiva teve um relacionamento sério na época em que estiveram separados, Tae-gyoo simplesmente surta. Com crises de ciúmes violentas, Tae-gyoo protagoniza as cenas mais absurdas e divertidas, em busca do misterioso ex de Joo-yeong. Kim Hyo-jin também esbanja talento cômico; pena que tem aparecido pouco no cinema, desde seu casamento com o ator Yoo Ji-tae, com quem tem um filho.

A diretora Hong é velha amiga do ator Joo Ji-hoon, que já estrelou dois de seus filmes mais conhecidos, Antique e Naked Kitchen. Joo Ji-hoon já foi um príncipe (no drama Princess Hours), mas nunca encarnou um personagem tão romanticamente ideal como em Marriage Blue. Ele é Kyeong-soo, um desenhista de quadrinhos de estórias românticas e fantasiosas, com uma legião de fãs ardorosas. Eu adoraria ver um filme exclusivamente com este personagem, e suas aventuras na paradisíaca ilha de Jeju. Mesmo assim, é um prazer vê-lo num papel tão ‘normal’ e ao mesmo tempo sedutor. E a indecisão de Lee Yeon-hee entre Taecyeon e Joo Ji-hoon me deixou aflita até o final!

Grande parte dos conflitos entre os casais se deve ao simples desinteresse pelos problemas um do outro, por mais contraditório que possa parecer. Se há uma mensagem que amarra todas estas estórias é que amor algum resiste à falta de diálogo e compreensão mútua. Marriage Blue pintar com humor e otimismo os conflitos do amor, mas também nos faz meditar um pouco sobre os sacrifícios e desafios da vida a dois.

10 de mai de 2016

Pied Piper (drama, 2016)


País: Coréia do Sul
Gênero: Thriller, Drama
Duração: 16 episódios
Produção: tvN

Direção: Kim Hong-Seon
Roteiro: Ryoo Yong-Jae

Elenco: Shin Ha-gyoon, Jo Yoon-hee, Yoo Joon-sang.

Resumo

Joo Seong-chan é um negociador profissional, que se torna consultor do esquadrão de negociação da polícia de Seul. Junto da agente Yeo Myeong-ha e do repórter Yoon Hee-seong ele irá tentar capturar um perigoso terrorista conhecido como “Pied Piper”.

Comentário

Quem costuma ler minhas críticas de dramas sabe o quanto admiro as produções do canal tvN. Mas é claro que não sou uma fã solitária, pois a tvN agrada tanto à crítica especializada, quanto ao público. Só que os índices de audiência da tvN, bem como de outras redes de TV à cabo coreanas, raramente passa de um dígito, ao contrário das grandes redes, como SBS, KBS. ou MBC. E com a oferta enorme de programas da TV aberta, a concorrência é, muitas vezes, francamente desleal. Bem, toda esta introdução é só para dizer que este belíssimo drama, Pied Piper, teve uma audiência local decepcionante, apesar da qualidade inegável da produção.

Para começar, temos o PD Kim Hong-seon e o roteirista Ryoo Yong-Jae, que colheram muitos elogios com o drama Liar Game (tvN, 2014). Ryoo Yong-Jae fez um trabalho impecável ao adaptar o roteiro original do drama japonês. Ele ficou conhecido com Time Between Dog and Wolf (MBC, 2007), estrelado por Lee Joon-ki, que recentemente o chamou às pressas para dar um ‘up’ no roteiro de Scholar Who Walks the Night, mas infelizmente, era tarde demais para reverter o desastre.

Não faço ideia de quanto a tvN investe na produção de seus dramas, mas o resultado não fica devendo nada à redes poderosas como SBS, ou MBC. Pied Piper tem um elenco grande e de alto nível, que inclui atores de cinema como Shin Ha-gyoon (The Front Line), Yoo Joon-sang (The Target) e o veterano Kim Hong-pa (Inside Man). Também gostei muito da trilha sonora do drama, não apenas as belas canções, mas especialmente sua poderosa trilha incidental.

No primeiro episódio somos introduzidos ao protagonista da trama, Joo Seong-chan (Shin Ha-gyoon), um negociador profissional, que usa todo sua habilidade de comunicação para resolver os mais variados conflitos, e cobrando muito caro por seus serviços exclusivos. Seu principal cliente é Seo Geon-il (Jeon Gook-hwan, de Goodbye Mr Black), um empresário poderoso e igualmente inescrupuloso. Quando um grupo de funcionários de Seo Geon-il é sequestrado nas Filipinas, ele envia Joo Seong-chan para negociar com os captores. Seong-chan não consegue evitar que um dos empregados seja morto, e na volta à Seul, é pressionado pelo empresário a esconder as circunstâncias falhas da negociação. Finalmente, um evento trágico pessoal fará com que Seong-chan revele a verdade ao repórter Yoon Hee-seong (Yoo Joon-sang, de Heard It Through the Grapevine, Unexpected You) sobre o sequestro das Filipinas. Seong-chan cai em desgraça e resolve se isolar do mundo, circulando sem rumo por Seul, usando seu carro como moradia.

 
Enquanto isso, Yeo Myeong-ha (Jo Yoon-hee, de Nine: Nine Time Travels), segue os passos de seu tutor e mestre, Oh Jeong-hak (Seong Dong-il, de Answer Me 1988), no esquadrão de negociação da polícia de Seul. A pequena equipe, formada pela inexperiente Myeong-ha, e pelos sargentos Choi Seong-beom (Oh Eui-sik, de Oh My Ghostess) e Jo Jae-hee (Jang Seong-beom, de Healer) fica ‘escondida’ no porão da central de polícia. O alto comando não acredita na utilidade do esquadrão, e faz de tudo para desacreditar o grupo. A chegada do novo líder, Gong Ji-man (Yoo Seung-mok, de Cheo Yong), um policial sem experiência alguma em negociação, só serve para baixar a moral da equipe.

No entanto, uma série de crimes violentos envolvendo um terrorista misterioso, conhecido apenas como Pied Piper (Flautista) impulsiona o trabalho do esquadrão especial. O problema é que a falta de experiência do grupo é exposta, especialmente com o interesse da mídia e do público sobre os eventos terroristas. A solução é buscar um especialista para liderar o grupo, e este homem só pode ser Joo Seong-chan. E esta é a oportunidade perfeita para Seong-chan redimir-se de seus erros do passado, e capturar aquele que considera um inimigo pessoal, Pied Piper.


Shin Ha-gyoon já encarnou muitos personagens diferentes no cinema – heroicos, cômicos, malvados – todos com a mesma habilidade. Mas os personagens geniais, egocêntricos, workaholics, como Joo Seong-chan, ou o inesquecível cirurgião Lee Kang-Hoon, do drama Brain, lhe caem como uma luva. Simplesmente adoro a forma direta e energética com que ele encara seus personagens, e não é diferente com Joo Seong-chan.


Por outro lado, minha opinião sobre a atriz Jo Yoon-hee é ambivalente, mas admito que acabei gostando de sua atuação em Pied Piper. Cheguei à conclusão de que ela convence mais em papeis fortes, como este da policial Yeo Myeong-ha, ou da moleca Bang Yi-Sook, em Unexpected You (KBS2, 2012). Já suas participações em dramas como Lie To Me, ou The Producers, não são nada memoráveis.


Yoo Joon-sang (Ha Ha Ha) foi a escolha certa para contrapor a atuação ‘extravagante’ de Shin Ha-gyoon. Com sua voz grave e macia, e seu aspecto confiável, Yoo Joon-sang assume com tranquilidade o papel do repórter e âncora de noticiário Yoon Hee-seong.

Sempre é um prazer ver os atores veteranos darem um show de interpretação nos dramas coreanos... Jeon Gook-hwan, apesar de seu aspecto franzino, sempre mete medo, com seu olhar de águia (e eu quase tive uma overdose de maldade, com sua participação paralela em Goodbye Mr Black). Ainda temos Park Seong-geun (Mrs. Cop) como o diretor de TV Kang Hong-seok, e o fantástico ator de cinema Kim Hong-pa (Inside Man), como o congressista Jeong Tae-soo.

Graças aos deuses pude apagar a lembrança do detestável personagem encarnado por Jo Jae-yoon em Descendants of the Sun, com o divertido líder do esquadrão SWAT Han Ji-hoon. E, melhor ainda, é ver a simpática Lee Jeong-eun (Oh My Ghostess) como a policial Oh Ha-na, esposa de Han Ji-hoon.

Mas não basta um elenco espetacular, sem um bom roteiro. E Pied Piper tem um enredo sólido, que se desenvolve sem hesitações ou desvios, até sua conclusão impactante, quase apoteótica. Um drama recomendado para os espectadores viciados em adrenalina!

6 de mai de 2016

The Assassination (filme, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: Épico, Drama, Ação
Duração: 140 min.

Direção: Choi Dong-hoon
Roteiro: Choi Dong-hoon, Lee Gi-cheol

Elenco: Jeon Ji-hyeon, Ha Jeong-woo, Lee Jeong-jae, Jo Jin-woong, Oh Dal-soo, Lee Kyeong-yeong, Kim Hae-Sook.

Resumo

Estamos em plena ocupação japonesa da Coréia, no início do século XX. Um grupo da resistência coreana, exilado em Shanghai, planeja o atentado a um oficial do alto comando japonês, na capital Seul.

Comentário

À primeira vista, o enredo de The Assassination me pareceu um tanto batido, mas diretor e elenco acabaram impondo a necessidade de checar esta produção. E para minha agradável surpresa, o roteiro é tão ágil quanto original. Choi Dong-hoon já havia provado seu talento como cineasta, dirigindo e roteirizando o fantástico The Thieves, um sucesso de bilheteria, bem como este último projeto, The Assassination.

 O tema principal de The Assassination é uma missão suicida que visa atingir o comando japonês na Coréia ocupada do início do século XX. Mas então nos deparamos com personagens complexos, cheios de segredos, motivações ocultas, ou que simplesmente são envolvidos contra a vontade na luta pela liberdade de um país brutalmente ocupado. Sim, porque a ocupação japonesa deixou marcas até hoje não cicatrizadas na população coreana, memórias amargas de tempos de sofrimento sem fim na mão dos tiranos estrangeiros.

Nos anos trinta, membros da resistência coreana se escondiam na China. O ano é 1933, em Shanghai, quando o comando que formava o chamado governo coreano interino convoca um de seus agentes, Yeom Seok-jin (Lee Jeong-jae) para tirar da cadeia a franco-atiradora Ahn Ok-Yoon (Jeon Ji-hyeon). Junto com ela são resgatados dois de seus comparsas, Chu ‘Big Gun’ Sang-ok (Jo Jin-woong), um cínico traficante de armas, e Hwang Deok-Sam (Choi Deok-moon), um especialista em explosivos.

O trio de mercenários resiste à convocação patriótica de Yeom Seok-jin, mas entre apodrecer na cadeia e encarar uma missão suicida, eles ficam com a segunda alternativa. Sua missão é ir a Seul e matar o comandante japonês local (Shim Cheol-jong), e o empresário coreano Kang In-gook (Lee Kyeong-yeong), que vem lucrando há anos com a ocupação nipônica, traindo covardemente a pátria.

Mas as coisas esquentam ainda mais quando os chefes da resistência descobrem que um duplo espião vazou informações sobre o plano. Só que é tarde demais, pois o trio já partiu para Seul. A solução drástica é contratar terceiros para sabotar a missão, ou seja, matar Ahn Ok-Yoon e seus amigos. O serviço sujo fica a cargo do misterioso assassino de aluguel conhecido apenas como Hawaii Pistol (Ha Jung-woo), e seu parceiro, Old Man (Oh Dal-soo).

O cineasta Choi Dong-hoon deve ter muito boa fama com os atores coreanos, pois, repetindo a façanha do filme The Thieves, reuniu um elenco sensacional para The Assassination. Acho que Jeon Ji-hyeon encontrou um diretor que sabe como ninguém explorar seu talento como atriz. Em The Thieves, Jeon Ji-hyeon impressionou a todos, ao encarnar uma assaltante sensual e ousada... E em The Assassination ela consegue se superar, na pele de uma fora da lei, mas desta vez, com muito mais sensibilidade e complexidade, já que ela encara um desafio duplo (sem entrar em detalhes, para evitar spoilers!). E ela volta a encontrar o ator Ha Jeong-woo, seu marido no filme The Berlin File (2013), e, embora desta vez não haja tempo para romance, não dá para negar que eles formam um belo casal!

Ha Jeong-woo(The Client) está impecável (como sempre) no papel do sexy matador de aluguel Hawaii Pistol, mas há dois outros atores que roubam a cena: Lee Jeong-jae e Jo Jin-woong. Acho surpreendente que Lee Jeong-jae (The Face Reader), com todo o seu charme e carisma não se importe em interpretar personagens tão desprezíveis, mas, por outro lado, ele tem uma capacidade única de envolver e depois partir meu coração com toda a sua vilania. Jo Jin-woong (Signal), por outro lado, se apresenta como um frio mercenário, mas em poucas cenas nos faz torcer por ele, como se fosse o maior herói da estória.

Depois de um período de certo marasmo, o cinema coreano vem se renovando, e, felizmente, os filmes de ação vêm retomando seu espaço de direito nas bilheterias nacionais. Os filmes de ação (policial, thriller) coreanos se destacam pela qualidade e originalidade dos roteiros, e por isso mesmo é um prazer ver cineastas de talento como Choi Dong-hoon, ou Ryoo Seung-Wan (só para citar dois exemplos), produzindo grandes filmes, e tendo o reconhecimento merecido, tanto do público com da crítica.

Sempre é bom (embora seja tão raro) ver uma atriz ganhando um papel de destaque num filme de ação, e melhor ainda, com um personagem tão bonito, e com uma trama tão dramática e envolvente. Um filme imperdível, especialmente para o público feminino.

27 de abr de 2016

Atrizes Coreanas de Futuro


O título é só para dar impacto, já que as atrizes listadas abaixo já tem uma carreira sólida o bastante para terem protagonismo garantido, seja na TV ou no cinema. Mas isto também não nos impede de nutrir grandes expectativas quanto ao futuro profissional destas senhoritas...

Deve haver uma centena de aspirantes a celebridade, dos 15 aos 30, disputando um lugar ao sol na mídia coreana. Por isso mesmo é impossível não ser injusta ao deixar muitos nomes promissores fora da lista, mas tentei seguir alguns critérios que considero importantes: protagonismo, reconhecimento (de crítica e público), relevância (e continuidade) na escolha dos projetos (no cinema e TV) e, é claro, minha visão pessoal.

Garimpando com certo esforço (mas nem tanto) cheguei ao top 10 das melhores atrizes jovens (dos 17 aos 32) coreanas, em ordem de preferência particular:

1. Park Bo-young (1990)


Dizem que nos menores frascos se encontram os melhores perfumes, ditado que vale muito bem para a ‘petit’ Park Bo-young. Sua carreira teve início na TV, com o drama escolar Secret Campus (EBS, 24 ep., 2006). Uma curiosidade foi que na sua estreia contracenou com Lee Min-ho, parceria que se repetiu em outro drama escolar, Mackarel Run (2007), e no filme Our School E.T (2008).


Mas foi no cinema que a atriz consolidou sua carreira, especialmente nos últimos anos, com A Werewolf Boy (2012), Hot Young Bloods (2014), Collective Invention e You Call It Passion (2015).

Mas o público de TV andava meio esquecido de Park Bo-young, até sua volta espetacular com o drama de fantasia Oh My Ghostess (tvN, 2015). No papel de uma jovem possuída pelo espírito de uma virgem (tema clássico de qualquer filme de terror, mas aqui transformado em comédia dramática), Park Bo-young dá um show de interpretação... Sua incorporação do gestual e personalidade efusiva da atriz Kim Seul-gi provocou arrepios reais nos espectadores do drama. Outro ponto alto de Oh My Ghostess foi o par romântico com o ator Jo Jeong-seok, com o qual compartilhou o primeiro beijo em cena (!) de sua carreira.


Mais do que atriz, Park Bo-young é uma artista completa, que aprendeu com a família a interessar-se por todas as formas de arte, como a música – ela canta, toca piano e violão – tendo contribuído para a trilha musical do filme A Werewolf Boy, e do drama Oh My Ghostess.

2. Shim Eun-kyeong (1994)


Assistindo o filme Miss Granny (grande sucesso de bilheteria do cinema coreano, e com duas versões estrangeiras, uma chinesa e outra japonesa) é impossível não perceber de imediato o talento diferenciado de Shim Eun-kyeong. E parece até que ela só foi notada com este filme, mas a atriz vinha de uma longa (embora irregular) carreira na TV, num total de 14 dramas, de Marry Me (MBC, 2004), a Naeil´s Cantabile (KBS2, 2014). Mas foi no cinema que a atriz aprimorou-se na profissão, com filmes importantes como Sunny, Romantic Heaven (2011), ou Masquerade (2012), com Lee Byeong- heon. 


Estou muito curiosa com o ainda inédito Marital Harmony, uma comédia romântica épica, co-estrelada pelo querido Lee Seung-gi. Apesar da expectativa frustrada com o drama Naeil´s Cantabile, fica a vontade de vê-la de volta à telinha, embora os projetos cinematográficos continuem sendo a prioridade da atriz. Não dá para criticar as escolhas de Shim Eun-kyeong, que está ocupada com as filmagens de Special Citizen, ao lado do grande Choi Min-sik.

3. Shin Se-kyeong (1990)


Muitas qualidades fazem desta uma de minhas atrizes favoritas, mas a principal é sua escolha inteligente e variada de papéis. A carreira de Shin Se-kyeong teve início, simultaneamente, na TV com o drama épico The Land (SBS, 2004), e no cinema, com My Little Bride (2004), contracenando com uma também muito jovem Moon Geun-young.


Depois disso, sua carreira no cinema continuou, mas sem tanto impacto quanto o trabalho na TV. Tree With Deep Roots (SBS, 2011) foi seu primeiro grande desafio. Embora seja um drama épico espetacular, na época não me entusiasmei muito com o personagem interpretado por Shin Se-kyeong. Não que sua atuação deixasse a desejar, mas achei que ela era ainda muito novinha para contracenar com atores de peso como Jang Hyeok e Han Seok-kyeo. 


O lado bom desta aventura foi que a atriz deixou uma ótima impressão no diretor e na roteirista, que a convidaram para seu próximo sageuk, o ainda melhor Six Flying Dragons (SBS, 2015). O rosto de boneca e a voz aveludada e madura formam um belo contraste, fazendo de Shin Se-kyeong uma atriz muito atraente e ao mesmo tempo peculiar.


Shin Se-kyeong costuma ter uma boa interação com seus atores protagonistas, como visto, por exemplo, no drama The Girl Who Sees Smells (SBS, 2015), em que forma um adorável par romântico com Park Yoo-chun, além de interagir muito bem com o sexy Namgung Min. Espero que ela volte em breve com uma comédia romântica bem divertida, depois de tanto sofrimento de seus personagens nos épicos!

4. Park Mi-young (1986)

Park Mi-young é formada em Teatro e Cinema, pela Universidade de Dongguk.


Park Mi-young tem uma trajetória parecida com a da colega Shin Se-kyeong, exceto por ainda não ter investido (falta de tempo?) no cinema, com exceção do filme de terror The Cat (2011). Em compensação, na TV Mi-young adquiriu grande projeção nos últimos anos, contracenando com astros do porte de Yoo Seung-ho (Remember: War of the Son), Ji Chang-wook (Healer) e Lee Min-ho (City Hunter), com o qual teve um affair muito comentado (e reprovado por muitas fãs do galã). Teve a grata oportunidade de contracenar com o ator Kim Myeong-min, em A New Leaf, embora, infelizmente, o drama tenha deixado muito a desejar.


O primeiro papel importante de Park Mi-young foi no drama épico Sungkyunkwan Scandal, onde foi cortejada por três dos mais populares atores da atualidade, Yoo In-ah, Song Joong-ki e Park Yoo-chun. Fico imaginando se algum dia ela voltará a encontrar ao menos um dos três rapazes na TV (de preferência que seja num drama romântico).


Seu mais novo projeto internacional é o drama (wuxia) Braveness of the Ming, com Zhang Han, o que dá uma ideia da projeção e sucesso que a atriz vem atingindo.

5. Lee Yeon-hee (1988)

Lee Yeon-hee, ao contrário de muitas celebridades da atualidade (especialmente as cantoras pop), não ganhou protagonismo com tanta facilidade, e sua capacidade como atriz foi muito criticada, até o merecido reconhecimento vir com o drama Miss Korea.


Ela estreou profissionalmente como modelo (e talvez venha daí o preconceito contra a atriz), embora tenha se graduado em Artes Dramáticas pela Universidade de Chung Ang. Mas o fato é que Lee Yeon-hee tem intercalado com frequência projetos no cinema (Marriage Blue, Detective K: Secret of the Lost Island), e na TV (Hwajung, Ghost). Realmente, a primeira vez que vi a atriz, no drama Ghost, não fiquei nada impressionada, mas a série era tão boa que sua atuação insegura não chegou a atrapalhar a estória. Recentemente vi o drama Resurection (KBS, 2005), onde ficava muito mais clara sua inexperiência como atriz, embora sua beleza já chamasse muito a atenção. Finalmente Lee Yeon-hee encontrou o projeto de sua vida, Miss Korea (MBC, 2013), um drama que soube explorar com sucesso todo o potencial oculto da atriz. Ao lado do ator Lee Seon-Kyeon, ela brilhou e ainda provou ter um excelente timing para a comédia. 


A seguir veio o drama épico Hwajung (MBC, 2015), onde ela teve a oportunidade de contracenar com Cha Seung Won, e viver um belo romance com Seo Kang-Joon. Lee Yeon-hee ainda tem um caminho a percorrer pra revelar seu talento, mas aposto que a experiência só trará bons frutos à sua carreira.

6. Kang So-ra (1990)


Formada em Artes Cênicas pela Universidade de Dongguk, Kang So-ra debutou como atriz no thriller 4th Period Mystery (2009), mas obteve reconhecimento com o filme Sunny (2011). A partir daí a atriz concentrou seus esforços na TV, e com o drama musical Dream High 2 (KBS, 2012) revelou seu talento como cantora. Acima de suas qualidades como atriz está a simpatia e naturalidade, que agradam um número cada vez maior de fãs dos dramas coreanos. Tal é seu carisma, que no drama Doctor Stranger (SBS, 2014) Kang So-ra foi defendida com fervor por muitos admiradores, que gostariam de vê-la conquistando o coração do protagonista da trama (Lee Jeong-seok).


Se Kang So-ra perdeu para a rival neste drama que merece ser esquecido, ganhou na loteria ao protagonizar Misaeng (tvN, 2014), um drama perfeito, inesquecível, onde ela pôde contracenar com gente bacana como Lee Sung-min, Siwan, Kang Ha-neul e Byeon Yo-han. Infelizmente, parece que a atriz está fadada a alternar projetos brilhantes (como Misaeng), com dramas medíocres (Doctor Stranger), e seu drama seguinte foi a fraquíssima comédia romântica Warm and Cozy


Mas – ufa! – para compensar, logo em seguida veio outra pérola, Neighborhood Lawyer Jo Deul-ho (KBS, 2016), onde ela contracena com o fantástico Park Shin-yang (Sign). A seguir, seria maravilhoso ver nossa querida Kang So-ra protagonizar um drama romântico à altura de seu talento (seria uma boa ideia voltar ao lar da tvN, garantia de projetos inteligentes).

7. Jeong Yoo-mi (1984)


Uma atriz que parecia destinada a papéis secundários, ou de vilã em melodramas, mas que teve paciência e pouco a pouco conquistou o protagonismo merecido. Formada em Artes Cênicas pela Universidade de Hanyang, Jeong Yoo-mi tem uma carreira sólida tanto no cinema quanto na TV. 


Seu último e maior sucesso foi com o drama épico Six Flying Dragons, no qual ela participou ativamente durante os longos, mas emocionantes, 50 episódios. Foi o drama que mais soube privilegiar a beleza etérea e a capacidade dramática de Jeong Yoo-mi.


A primeira vez que Jeong Yoo-mi chamou minha atenção foi no melodrama  A Thousand Days´ Promise (SBS, 2011), onde ela interpreta uma jovem emocionalmente frágil, que se apaixona por um Kim Rae-won (Punch) mais sexy do que nunca (o ator acabara de sair do exército). A seguir ela encarou uma vilã detestável, no romance Rooftop Prince. Seu último projeto é o drama Master - God of Noodles (KBS, 2016), co-protagonizado por Cheon Jeong-myeong e Jo Jae-hyeon.

8. Kim Seul-gi (1991)


Uma das maiores revelações dos últimos tempos, esta atriz, comediante e cantora tem uma carreira curta, mas meteórica e, felizmente, baseada unicamente no talento.

Depois de desenvolver suas habilidades como comediante no programa Saturday Night Live Korea, Kim Seul-gi passou para os dramas, em papéis pequenos, como o da hilária editora estressada em Flower Boy Next Door (tvN, 2013). Em Surplus Princess (tvN, 2014) ela volta a roubar a cena, e ganha cada vez mais destaque, até chegar ao primeiro papel protagonista, no mini-drama Splash Splash Love (MBC, 2015), formando um par romântico inesquecível com Yoon Doo-joon (Let´s Eat). Ela também formou uma dupla adorável com Yoon Hyeon-min, no drama Discovery of Romance (2014).


Mas foi em Oh My Ghostess (tvN, 2015) que Kim Seul-gi provou que pode ser a estrela de um drama. Alternando cenas cômicas e dramáticas com sensibilidade e delicadeza, a jovem atriz impressionou e recebeu a aprovação unânime do público. Só faltou a chance de beijar Jo Jeong-seok (de quem a atriz é fã declarada)... Mas oportunidades futuras não faltarão, não é mesmo, Kim Seul-gi?

9. Kim So-hyeon (1999)

A mais jovem do grupo, mas com um currículo de dar inveja a qualquer atriz veterana, Kim So-hyeon debutou na TV na mais tenra idade, com apenas 3 anos de idade, no drama Children of Heaven (KBS, 2002). A partir de 2007 sua carreira teve início para valer, e até hoje, já são 36 participações, entre cinema, TV e até como cantora (em trilhas musicais de dramas em que atuou: The Strange Housekeeper, Reset).


Apesar de todo o talento nato, a atriz não teve o privilégio de tornar-se uma celebridade da noite para o dia. Kim So-hyeon tem trabalhado duro para chegar aos merecidos papeis protagonistas nos dramas televisivos. Foram dezenas de participações especiais, principalmente fazendo o papel de atrizes protagonistas na infância. Ela foi a pequena Kim Min-seo, no épico The Moon That Embraces the Sun, uma sofrida adolescente Yoon Eun-hye, em Missing You, e uma rebelde Lee Bo-young, em I Hear Your Voice. Foi a partir de 2013, com o drama The Strange Housekeeper que Kim So-hyeon começou a ganhar papeis de maior destaque, chegando ao protagonismo absoluto com o drama escolar Who Are You: School 2015. Com este drama ficou claro que a jovem estava preparada para alçar vôos mais altos.


Este ano de 2016 tem sido o grande ano de Kim So-hyeon, que chegou à TV com dois dramas - Page Turner (drama special), e Nightmare Teacher – e dois filmes – Pure Love, e Princess Deokhye.

Kim So-hyeon com suas feições delicadas, mas olhar penetrante, me faz lembra demais da atriz Son Ye Jin, e estou certa de que ela tem o mesmo potencial para atingir o estrelato.

10. Kim Ji-won (1992)


Com apenas 23 anos, Kim Ji-won consegue convencer o espectador no papel de uma médica militar no drama Descendants of the Sun (2016), o maior sucesso em sua carreira até o momento. Mas ela também se passa perfeitamente por uma adolescente rebelde em Gap Dong, ou uma menina rica e mimada em The Heirs. Esta atriz tão magrinha tem a fama de roubar a cena, mesmo em projetos mais antigos, como no drama adolescente To The Beautiful You (2012). Veremos a atriz ainda este ano no drama épico Moonlight Drawn By Clouds (KBS, 20 ep.), com Park Bo-gum.


Kim Ji-won fez apenas três filmes (Romantic Heaven, Horror Stories 1 e 2), mas imagino que com o alvoroço causado pelo drama da escritora Kim Eun-sook, a atriz receba convites para projetos cinematográficos interessantes. Talento é o que não falta para a ‘brava’ Kim Ji-won.
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