9 de abr de 2015

Valid Love (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Romance
Duração: 20 episódios
Produção: tvN

Direção: Han Ji-Seung
Roteiro: Kim Do-Woo

Elenco: Uhm Tae-woong, Lee Si-young, Lee Soo-hyuk, Lee Young-ran, Im Ha-ryong, Choi Yeo-jin, Park Jung-min, Seo Jung-yun, Han Eu-Ddeum

Resumo

Il-ri era apenas uma adolescente quando conheceu Hee-tae, um biólogo contratado como professor temporário na escola de meninas onde ela estudava. Ali eles se apaixonaram, mas apenas sete anos depois voltaram a se encontrar, e se casaram. O casal leva uma vida ordinária, até o dia em que Il-ri conhece o jovem carpinteiro Kim Joon, e seu amor pelo marido é posto à prova.

Comentário

A primeira coisa importante a ressaltar sobre Valid Love é que, ao contrário do que possa parecer (pela sinopse oficial), o tema central deste drama não é o adultério, mas todo o comprometimento emocional e familiar que envolve um casamento. Algum espectador desavisado pode decepcionar-se com a abordagem pouco romântica, ou sensual, sobre o triângulo amoroso de Valid Love, mas, se ele tiver um interesse verdadeiro, pode surpreender-se com a profundidade e o realismo das emoções despertadas pela estória. Valid Love, essencialmente, é um drama familiar, e um dos melhores que já assisti. A roteirista, Kim Do-Woo , é autora do inesquecível drama My Name is Kim Sam Soon (2005). Apoiado em atuações agradavelmente naturais, tanto do elenco jovem, como dos atores veteranos, e uma produção impecável – como já é de se esperar do canal de TV a cabo coreano tvN – o drama se desenrola como um episódio da vida real de uma família normal, que poderia muito bem ser a minha ou a sua. Alguém pode até argumentar que não há graça em acompanhar eventos triviais da vida de “gente como a gente”, e eu mesma tenho certa aversão a melodramas familiares, especialmente quando envolvem doenças terminais, ou tramas de vingança infindáveis. Felizmente, apesar de Valid Love desfilar uma boa dose de dramas familiares, é o modo como os mesmos são abordados que faz a diferença entre um dramalhão, e uma estória que merece ser contada e vista.

Lee Si-young é Il-ri, uma adolescente cheia de energia e com uma mente criativa, repleta de fantasias, e que é confundida por colegas e professores como uma criatura exótica, e um tanto desequilibrada. E é através do olhar perspicaz do professor de biologia Jang Hee-tae (Uhm Tae-woong), que conhecemos o valor desta jovem, altruísta, determinada, embora um tanto teimosa. E é exatamente uma visão um tanto fatalista de Il-ri, que a empurra para um destino muito aquém de seus sonhos brilhantes de infância. Il-ri é uma ótima desenhista, e poderia ter frequentado uma escola de artes, mas ao invés disso, resolve lutar para pagar os estudos da irmã caçula, trabalhando como pintora de paredes. E é enquanto pinta a fachada de um prédio, que Il-ri reencontra seu primeiro e único amor, o professor Hee-tae. Os dois reconhecem que nunca esqueceram um do outro, e acabam se casando. Apesar de Hee-tae ser o filho mais velho, o casal mora sozinho, em um apartamento no mesmo bairro dos pais dele. Mas, além de trabalhar como pintora, Il-ri vai todos os dias à casa dos sogros, ajudar a cuidar da cunhada (uma deslumbrante Choi Yeo-jin), que sofre de uma síndrome que a deixou paralisada dos pés à cabeça. Enquanto isso, Hee-tae trabalha em um instituto oceanográfico, e passa alguns dias fora de casa, em expedições de pesquisa em alto mar. Il-ri não reclama de sua rotina pesada, inclusive faz questão de cuidar da família do marido, pela qual nutre um grande carinho... Mas as pessoas parecem não se dar conta de que Il-ri é ainda muito jovem, e que nunca teve oportunidade de aproveitar a vida como teria direito, se não tivesse tantas responsabilidades sobre seus frágeis ombros.

Bem, as coisas começam a mudar quando Il-ri é contratada para pintar a oficina de um novo vizinho, um jovem carpinteiro chamado Kim Joon. O primeiro contato entre os dois não é dos mais amigáveis, já que Il-ri é alegre e tagarela, o oposto de Kim Joon, que é incrivelmente sério e taciturno. Mas aos poucos o carpinteiro vai se sentindo atraído por esta jovem de temperamento forte, mas de grande coração. E Il-ri, por sua parte, encontra em Kim Joon uma pessoa com a qual pode compartilhar suas angústias e pesares mais profundos.

No entanto, quando o clima de flerte e conhecimento mútuo está apenas começando, o marido de Il-ri descobre tudo, e sua reação é muito mais imatura e intempestiva do que se poderia esperar, para um homem de sua idade. E a possível separação de Il-ri e Hee-tae, na perspectiva das famílias de ambos, tem consequências muito maiores do que o fim do amor entre o casal. É como se costuma dizer, quando você se casa com alguém, está se casando com toda a família dele... E no amor verdadeiro as palavras ‘egoísmo’ e ‘individualismo’ devem ser banidas do seu dicionário, para o bem ou para o mal...


Uhm Tae-woong (Architecture 101, Dr Champ) e Lee Si-young (Golden Cross) já são atores veteranos, e suas interpretações são tão naturais e ao mesmo tempo tão fascinantes, que é difícil imaginar outros desempenhando tão bem seus papéis. Espero que Lee Si-young desista de vez de sua (tentativa) carreira como boxeadora e invista mais na de atriz, pois ela é simplesmente fantástica. Mas queria falar mesmo sobre Lee Soo-hyuk, que, com uma carreira de ator muito mais recente, tem tido a sorte, ou talvez melhor dizendo, a sabedoria de escolher bons projetos, especialmente na TV. Do drama White Christmas (2011) ao penúltimo trabalho de destaque, a comédia King of High School (tvN, 2014), Lee Soo-hyuk vem construindo uma imagem séria como ator, muito além da pura beleza física dos tempos de modelo profissional. Esta combinação de beleza angelical, melancolia e sensualidade faz de Lee Soo-hyuk um ator único e incrivelmente atraente. Por isso mesmo ele convence tão bem em Valid Love, com o jovem que exerce uma atração irresistível sobre os demais personagens, e ainda mais, sobre nós, espectadores...

12 de mar de 2015

Hot Young Bloods (filme, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama
Duração: 121 min.
Gênero: Drama, Adolescência

Direção e Roteiro: Lee Yeon-Woo
Produção: Kim Jin-Sub
Direção de Fotografia: Lee Jung-In, Kim Dong-Chun

Elenco: Park Bo-yeong, Lee Jong-suk, Lee Se-yeong, Kim Yeong-kwang, Kwon Hae-hyo, Kim Hee-won.

Resumo

Hot Young Bloods conta a estória de um grupo de adolescentes, em meio a uma existência pacata, na província de Heongseong, no início da década de oitenta.



Comentário

Hot Young Bloods retrata um dos períodos mais cruciais de nossas vidas, a passagem da adolescência para a idade adulta. Estamos na década de oitenta, em uma pequena cidade da província de Heongseong, e os estudantes da escola pública local têm pouco a fazer além de frequentar as aulas, ir ao cinema, e passear de bicicleta pela região. Ao contrário da geração atual, completamente envolvida pela tecnologia, os jovens de Hot Young Bloods vivem uma época ainda muito ingênua, e suas maiores preocupações são os primeiros amores, e um futuro profissional incerto. 


Young-sook (Park Bo-young) é a líder da gangue de garotas da escola e, apesar de sua figura delicada, consegue intimidar os colegas de ambos os sexos. Gwang-sik (Kim Young-kwang) é o chefe da gangue de rapazes da escola rival, e considera Young-sook sua namorada, embora esta o trate como um mero camarada. Young-sook curte uma paixão secreta (e antiga) pelo colega Joong-gil (Lee Jong-suk). Joong-gil era o melhor amigo de Young-sook na infância, mas agora procura ignorá-la, especialmente por ser alvo constante de bulling do brigão Gwang-sik. Joong-gil é um garoto sem grandes objetivos na vida, fora o de seduzir o maior número possível de garotas na escola. Ele realmente se considera o maior conquistador da cidade, e fica especialmente entusiasmado com a aparição de uma nova aluna em sua escola, So-hee (Lee Se-yeong), uma garota muito bonita, mas um tanto arisca.



Hot Young Bloods, de autoria do cineasta Lee Yeon-Woo (Running Turtle, 2009) tem um enredo que caberia muito bem em uma série de TV, mas como roteiro de filme, carece de uma “liga” que una os eventos da trama. Além do mais, o cineasta/roteirista demora demais para revelar os problemas pessoais dos protagonistas (traumas do passado, sofrimentos secretos atuais), que são essenciais para que o espectador possa compreender e se solidarizar com os mesmos. Quando finalmente entendemos os motivos para a rebeldia e solidão de Young-sook, ou a superficialidade emocional de Joong-gil, é quase tarde demais para empatizar com eles, como eles mereceriam.



Mas, apesar destas falhas cruciais no roteiro, Hot Young Bloods é um filme que merece ser visto e apreciado, ao menos pelas belas atuações do elenco jovem. E ao contrário do que se poderia pensar, não é Lee Jong-suk o grande destaque do filme, mas sim a jovem revelação Park Bo-young. A cada novo trabalho da atriz, fica mais claro seu talento diferenciado. Da delicada Soon-yi de A Werewolf Boy (2012) à rebelde Young-sook de Hot Young Bloods, Park Bo-young impressiona por sua maturidade, e pela paixão que imprime aos seus personagens. É um talento nato, que não se adquire em nenhuma escola de interpretação. E ela tem tido a oportunidade de atuar ao lado de outros atores jovens e talentosos, como é o caso de Lee Jong-suk e Kim Young-kwang (Plus Nine Boys). Aliás, quem ainda não pôde ver este filme, mas acompanhou os dois atores no recente drama Pinocchio (2014), terá a oportunidade de ver uma divertida inversão de poderes, com o pobre Lee Jong-suk sofrendo horrores nas mãos do malvado Kim Young-kwang. Apesar da choradeira e dos olhos roxos, é um prazer ver esta dupla junta mais uma vez!



Enfim, Hot Young Bloods é um filme agradável, que tem como crédito trazer qualidade ao cinema voltado ao público adolescente, tão carente, nos últimos anos, de boas estórias.

11 de mar de 2015

Mondai no Aru Restaurant (drama, 2015)


País: Japão
Gênero: Comédia, Drama, Culinária
Duração: 11 episódios
Produção: Fuji TV
Música tema: Mondai Girl, com Kyary Pamyu Pamyu

Direção: Namiki Michiko, Kato Yusuke
Roteiro: Sakamoto Yuji

Elenco: Maki Yoko, Higashide Masahiro, Nikaido Fumi, Takahata Mitsuki, Matsuoka Mayu, Usuda Asami, YOU, Suda Masaki, Yasuda Ken, Tayama Ryosei, Fukikoshi Mitsuru, Sugimoto Tetta.


Resumo

Tanaka Tamako e suas amigas resolvem abrir um simpático bistrô, na cobertura de um prédio. Mas elas terão de enfrentar a competição do empresário Ameki Taro, e seu restaurante vizinho, cujo chef é o ex-namorado de Tanaka, Monji Makato. Mais do que uma luta por mercado, é uma batalha contra o tratamento desigual e desrespeitoso que estas mulheres vêm recebendo da sociedade machista que as rodeia.



Comentário

Apesar de dar preferência aos dramas coreanos, sempre que descubro um bom drama japonês, tenho de admitir sua maior criatividade e ousadia, ao menos em termos de temática. Como o ano começou meio morno (ao menos para meu gosto) na TV coreana, fui buscar um dorama, e o tema culinário de Mondai no Aru Restaurant foi o que primeiro me chamou a atenção – realmente gosto de dramas sobre culinária, restaurantes, etc. Mas Mondai no Aru Restaurant é muito mais que um drama sobre o mundo da alta gastronomia (como Dinner, ou Pasta). O roteirista Sakamoto Yuji é conhecido por enfocar temáticas contemporâneas em seus dramas. Das complicações do casamento, em Saikou no Rikon, à dura vida das mães solteiras no Japão, em Mother, Sakamoto Yuji tem um olhar crítico e muito acurado sobre as idiossincrasias da cultura japonesa. Por isso, pode parecer estranho a primeira vista um homem escrever de forma tão contundente sobre a sociedade machista, mas Sakamoto consegue atingir todos os pontos nevrálgicos, sem concessões. Aliás, poucas vezes se viu num drama o machismo e a misoginia do homem japonês ser tratado de forma tão direta, e ao mesmo tempo, tão empática (ao menos para as mulheres). Por um lado, é uma pena que não tenha sido uma mulher a escrever uma estória tão verdadeira sobre o mundo feminino, mas, por outro lado, é bom saber que existem homens capazes de reconhecer e criticar as muitas injustiças sociais sofridas por nós, mulheres.



Mas Mondai no Aru Restaurant não é só drama, ou um mero libelo feminista - a comédia e o romance (mesmo que em doses agridoces) também estão garantidos. Além do ótimo roteiro, destacam-se em igual medida a direção, a cargo de Namiki Michiko e Kato Yusuke, e o elenco, especialmente o feminino.




Maki Yoko (Saikou no Rikon) brilha como a jovem empreendedora Tanaka Tamako, uma mulher que exala confiança e determinação. Mesmo nos momentos mais difíceis, Tanaka encontra forças para alcançar seus sonhos, e, principalmente, para vingar o assédio sofrido pela amiga e colega Fujimura Satsuki (Kikuchi Akiko), nas mãos do empresário Ameki Taro (Sugimoto Tetta, de Inpei Sousa). Para se livrar dos constantes maus tratos e humilhações dos superiores, Tanaka convida a colega Nitta Yumi (Nikaido Fumi: Melhor Atriz Iniciante no Festival de Veneza, pelo filme Himizu), o confeiteiro travesti Oshimazuki Haiji (Yasuda Ken, de Inpei Sousa) e a dona-de-casa Morimura Kyoko (Usuda Asami), para abrir um restaurante. Ela encontra um imóvel barato, no alto de um prédio de três andares, no bairro Jungumae, em Tóquio. Juntas, as amigas reformam o local abandonado, e o transformam num charmoso bistrô, que batizam de “Bistrô Fou”. 


Mas não foi coincidência Tanaka ter escolhido abrir seu bistrô justo em frente ao novo empreendimento do ex-chefe Ameki Taro. E além de competir com o asqueroso Ameki, ela irá aproveitar para por em pratos limpos sua relação fracassada com o sexy chef Monji Makato (Higashide Masahiro, de Goshisousan). E Tanaka consegue mais uma grande aliada na disputa com Ameki Taro, sua filha Ameki Chika (Matsuoka Mayu), uma chef de cozinha talentosa, que odeia o pai, por ter abandonado a família quando ela era criança. Completam o grupo de amigas de Tanaka, a boêmia Karasumori Nanami (YOU), e a suposta rival Kawana Airi (Takahata Mitsuki, de GTO).




Mondai no Aru Restaurant não é mais uma comédia gastronômica bobinha (embora apresente pratos lindos, de dar água na boca), e a “aspereza” de certas cenas pode às vezes chocar e incomodar, mas a humanidade das mulheres do Bistrô Fou nos faz torcer, não apenas para que consigam superar todos os preconceitos sociais, mas que possam, como diz uma das personagens “apenas viver feliz e honestamente”.

6 de mar de 2015

As Atrizes Poderosas do Drama Coreano


O Dia Internacional da Mulher, a ser comemorado no próximo domingo, é uma boa oportunidade para listar algumas atrizes que têm se destacado no cinema e na TV coreana, nas duas últimas décadas.

A cada nova temporada, a TV coreana tenta lançar novos talentos femininos, muitos advindos do Korean Pop, e talvez, por isso mesmo, poucas carreiras acabam vingando. É claro que muitas atrizes jovens já provaram seu talento, mas não há nada como a experiência (pessoal e profissional) para transformar uma promessa em uma presença marcante na mente da crítica e do público.


O primeiro nome da lista não poderia ser outro: Kim Seon-ah. Poucas atrizes conseguem combinar popularidade e respeito profissional em igual proporção. Kim Seung-ah (1979) consagrou-se como atriz de TV, embora tenha intercalado sua carreira, de forma regular, com o cinema. Quando penso em Kim Seon-ah, penso numa atriz sempre disposta a transformações físicas, e a papéis desafiadores. Seu primeiro grande sucesso foi o drama romântico My Name is Kim Sam-soon (MBC, 2005), quando engordou vários quilos e despiu-se de qualquer vaidade feminina, para interpretar a confeiteira Sam-soon, que se apaixona pelo chaebol Jin-heon (um inesquecível Hyun Bin). Em seguida veio When It´s At Night (MBC, 2008), um drama não tão popular, mas que é um de meus favoritos, especialmente por sua grande química com o ator Lee Dong-gun. Neste drama, ela encarava mais um papel complexo, Heo Cho-hwi, uma mulher forte, e muito passional. Cho-hwi é uma funcionária de um museu, responsável pela preservação e segurança do patrimônio histórico e cultural de seu país. Mesmo com o surgimento de um interesse romântico, na forma do sedutor Kim Bum-sang, especialista em objetos arqueológicos coreanos, ela não perde o foco no seu trabalho. É divertido ver, para variar, o protagonista suar a camisa para conquistar a mocinha. Logo em seguida vem o que considero o melhor papel, até hoje, da carreira de Seon-ah, o da caipira Shin Mi-rae. No drama The City Hall (SBS, 2009), Seon-ah é uma garota esperta, mas um tanto ingênua, que trabalha como secretária no gabinete do prefeito de uma pequena cidade litorânea. Tudo muda com a chegada de um político poderoso de Seul, o deputado Jo Gook (Cha Seung-won). É difícil encontrar um par tão perfeito como o de Kim Seon-ah e Cha Seung-won, e uma estória de amor tão bonita! Shin Mi-rae é um personagem magnífico, uma mulher simples do interior, que, desafiada pelo amor, se torna uma grande líder política. O último drama da atriz foi I Do, I Do (MBC, 2012), mais uma comédia romântica, em que ela interpreta uma empresária poderosa, que vê sua carreira abalada por uma gravidez indesejada. Em termos de roteiro, é um projeto inferior, mas a atuação de Seon-ah é, mais uma vez, impecável.

Melhor filme: S Diary (2004).
Melhor atuação: Scent of a Woman (2011).
Trivia: Seon-ah já morou nos EUA e Japão.


Quando penso em uma atriz coreana no estilo das grandes estrelas de Hollywood, como Julia Roberts, por exemplo, me vêm imediatamente à mente Choi Ji-woo (1975), a eterna Yoo-jin, de Winter Sonata (KBS, 2002). Mas a carreira da atriz começou muito antes, em 1995, com os dramas Happiness e War and Love. Apesar dos papéis iniciais de mocinha frágil e romântica (Stairway to Heaven), Choi Ji-woo foi amadurecendo e escolhendo personagens que casam muito melhor com sua personalidade forte. Can´t Lose (MBC, 2011), por exemplo, foi o primeiro drama a mostrar um lado mais cômico da atriz, e em perfeita sincronia com seu par romântico, o ator Yoon Sang-hyun. Do alto de seus 1,73 m, Choi Ji-woo se impõe física e emocionalmente sobre o pobre marido, o colega advogado Hyung-woo. A advogada esquentadinha Eun-jae é meu personagem favorito interpretado por ela, entre os que pude acompanhar. É uma pena que ela tenha voltado ao melodrama, com Temptation (SBS, 2014). No cinema, Choi Ji-woo participou de um projeto muito interessante, o filme Actresses (2009), como atriz e co-roteirista.

Melhor par romântico: Bae Yong-jun, em Winter Sonata.


Para ficar na mesma geração das atrizes anteriores, falemos sobre Kim Jeong-eun (1976), mais conhecida pelo drama Lovers in Paris (SBS, 2004), primeiro sucesso da incensada roteirista Kim Eun-sook (The Heirs). Meu drama favorito da atriz é Lovers (SBS, 2006), no qual ela se apaixonava dentro e fora da telinha pelo ator Lee Seo-jin (pena que o romance não sobreviveu ao drama). Apesar de alguns papéis interessantes como no drama I Am Legend, Jeong-eun não tem tido muita sorte na escolha de seus projetos, e seu talento de atriz tem sido francamente mal aproveitado. Kim Jeong-eun também se destaca como cantora, e já apresentou com grande sucesso um programa de variedades musicais, o Kim Jeong-eun´s Chocolate.

Melhor par romântico: Lee Seo-jin “forever”!
Trivia: tem o mesmo nome do falecido ditador norte coreano.


Uhm Jung-hwa (1969) surgiu como cantora pop, mas logo migrou para a carreira de atriz, intercalando papéis no cinema e na TV. Se na TV a atriz é mais conhecida por protagonizar comédias românticas (He Who Can´t Marry, Witch´s Love), é no cinema que ela tem revelado seu talento para encarnar os mais diversos personagens... De escritora neurótica no thriller Bestseller (2010) a dona de casa sonhadora, no divertidíssimo Dancing Queen, Uhm Jung-hwa, com todo seu sex appeal, consegue convencer e emocionar o espectador, a cada novo trabalho. Sou uma grande fã da atriz, por seu charme, simpatia e grande talento cênico.

Melhor par romântico: acho que ainda está por vir, mas soltou faíscas com o jovem Park Seo-joon...
Trivia: é irmã do ator UhmTae-woong (Valid Love).


Um pouco mais jovem, mas com uma carreira impressionante, é a atriz Son Ye-jin (1982). O que impressiona no currículo da atriz é a maturidade na escolha de seus projetos, tanto no cinema, quanto na TV. O resultado é o reconhecimento do público e muitos prêmios ao longo de sua curta, mas prolífica carreira. No cinema, Son Ye-jin já encarnou personagens muito mais velhos e maduros, como no clássico April Snow, ou no melodrama A Moment to Remember. É engraçado que, hoje em dia, ela tem buscado papéis que condigam mais com sua idade, como em Chilling Romance, ou Pirates. De qualquer modo, Ye-jin é uma atriz sempre disposta a novos desafios, e que já deixou sua marca em projetos inesquecíveis, como o drama Alone in Love (SBS, 2006), ou o filme My Wife Got Married (2004). Uma bela atriz, cuja carreira vale muito a pena acompanhar.

Melhor par romântico: Lee Min-ki (Chilling Romance), e Bae Yong-jun (April Snow).

Há tantas outras atrizes que eu gostaria de citar, mas fico com estas, que são uma boa referência tanto no cinema quanto na TV coreana. Esta lista deveria incluir nomes como Soo-ae (que infelizmente, vem desacelerando sua carreira nos últimos anos, mas espero que volte em breve aos dramas), Lee Soo-kyeong (Lawyers of Korea), Kong Hyo-jin (Master´s Sun), Yoon Eun-hye (das mais jovens, minha favorita, mas falta-lhe experiência no cinema) e Kim So-yeon (I Need Romance 3).

21 de fev de 2015

Kang Koo´s Story (drama, 2014)




País: Coréia do Sul
Gênero: Romance, Drama
Duração: 2 episódios
Produção: SBS TV

Direção: Hong Sung-chang
Roteiro: Baek Mi-kyeing

Elenco: Lee Dong-wook, Park Joo-mi, Shin Dong-woo, Jo Yeong-jin, Kim Byung-ok.

Resumo

Esta é a estória de amor entre um mafioso e uma jovem viúva, que cria seu filho adolescente em uma pacífica cidade litorânea chamada Kang Koo.

Comentário

Kang Koo´s Story é um melodrama romântico bem convencional, mas que encanta graças à presença marcante de Lee Dong-wook, e a uma fotografia deslumbrante (filmada em 3D), em meio a belas paisagens do litoral coreano.


Kyung-tae (Lee Dong-wook) é um mafioso que resolve ajudar a irmã e o sobrinho de um amigo que foi assassinado em um confronto com uma gangue rival. Ao completar um ano da morte do colega, Kyung-tae usa como desculpa a busca de terrenos para um novo empreendimento imobiliário no litoral, para se aproximar da família deste. Moon-sook (Park Joo-mi) é uma jovem viúva, que administra um pequeno restaurante de frutos do mar, com o qual sustenta a si e ao filho adolescente. Lee Kang-koo (Shin Dong-woo, de Flames of Desire) adora jogar futebol no time da escola, e sua personalidade é alegre, e ao mesmo tempo muito determinada.


A viúva parece não saber sobre a morte do irmão, e Kyung-tae não revela seu passado com ele. Quando chega à cidade, tudo que ele quer é ajudar secretamente Moon-sook, mas não pode evitar apaixonar-se por ela. A viúva, além de muito bonita, tem um grande coração, e conquista o tímido gangster. Ele também se apega a Kang-koo, um garoto cheio de energia, e de caráter forte, mas bondoso como a mãe, e fiel como o tio falecido.

As coisas se complicam quando um chefe mafioso rival (Kim Byung-ok) reivindica a posse das terras, nas quais está incluído o restaurante de Moon-sook. Kyung-tae se vê dividido entre salvar a vida da amada, que sofre de um diabetes gravíssimo, e bloquear o ataque da gangue rival.


O drama é dividido em dois episódios: a primeira parte é mais leve e romântica; o melodrama se instala com a sequência dos eventos, mas o desfecho é surpreendente e agradavelmente apresentado.

Lee Dong-wook está como gosto de vê-lo, forte, elegante, e com seu sorriso de moleque estampado no rosto. Este mini-drama me fez lembrar os melhores momentos de Lee Dong-wook em Scent of a Woman, e me deixou com saudades de seu incrível par romântico com Kim Sun-ah. Infelizmente, em TKKS o clima romântico nem chega aos pés de Scent of a Woman (ou mesmo de Hotel King), tudo por culpa da atuação morna de Park Joo-mi (A Gentleman´s Dignity, Blood). Em compensação, para quem é fã de Lee Dong-wook, sua presença é o que basta para desfrutar de duas horas em sua bela companhia.

20 de fev de 2015

Antique (filme, 2008)



País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Suspense, Comédia
Duração: 109 min.

Direção: Min Gyoo-dong
Roteiro: Kim Da-young, Lee Kyeong-ee, Min Gyoo-dong

Elenco: Joo Ji-hoon, Kim Jae-wook, Yoo Ah-in, Choi Ji-ho

Resumo

Jin-hyuk é um jovem que parece ter tudo na vida: dinheiro, beleza e inteligência. Mas, sua aparente alegria despreocupada esconde a triste lembrança de um trauma de infância... Até o dia em que Jin-hyuk resolve abrir uma confeitaria, com a ajuda do chef Sun-woo, do ex-boxeador Gi-beom e do guarda-costas Su-young. Juntos, os quatro rapazes atraem a atenção da vizinhança, tanto por sua beleza, quanto pelos doces deliciosos servidos na confeitaria Antique.



Comentário

Antique (ou Antique Bakery) é um filme que chamou muito a atenção do público à época de seu lançamento, tanto pela estética mangá (o roteiro é baseado nos quadrinhos do japonês Yoshinaga Fumi, “Seiyo Kotto Yogashiten”) quanto pelo elenco de jovens atores que despontava no cinema coreano em 2008. Joo Ji-hoon, Kim Jae-wook e Yoo Ah-in são, hoje em dia, atores bem conhecidos dos fãs do cinema e dos dramas coreanos.

O que torna Antique um filme único é sua estética altamente influenciada pelos mangás e animes japoneses, trazendo ainda uma inspiração nos antigos musicais de Hollywood. E apesar desta combinação um tanto bizarra, o resultado é dos mais agradáveis, e o filme consegue preservar seu encanto ao longo dos anos. Ao menos dois fatores podem explicar o grau de interesse que Antique provoca no espectador. Um deles é o elenco que une quatro rapazes, extremamente atraentes, e todos perfeitos em seus respectivos papeis. O outro é a subversão da temática gay, tão recorrente na cultura pop japonesa.


Para começar, Joo Ji-hoon e Kim Jae-wook têm um dos bromances mais sensuais da estória do cinema coreano. Joo Ji-hoon chegou rapidamente ao estrelato, graças ao sucesso do drama Princess Hours (2006), no qual formou um par romântico inesquecível com a atriz Yoon Eun-hye. Depois desta estreia na TV, ele partiu para uma carreira no cinema, a qual ia muito bem, até se envolver em um escândalo com drogas. Passados os anos de serviço militar e mais um tempo de ostracismo, felizmente, Joo Ji-hoon tem reconstruído sua carreira, passo a passo, mas com trabalhos muito sólidos. Apesar de Joo Ji-hoon não ter mudado muito de 2008 para cá, acho que ele nunca esteve tão bonito quanto neste filme, com seus cabelos longos, barba por fazer, e um sorriso sensual no rosto... Uma imagem de alegria juvenil que nunca mais se repetiu, é verdade, já que em seguida o ator optou por interpretar personagens mais soturnos, como em The Devil, ou no drama médico Medical Top Team. Já o ator Kim Jae-wook tem melhorado muito ao longo do tempo, não apenas em termos físicos, mas principalmente como ator. O rapaz de feições delicadas surpreendeu o público com uma atuação emocionante no recente drama Who Are You. Mas em Antique Kim Jae-wook já dava uma pista sobre sua capacidade como ator, ao interpretar, corajosamente, o confeiteiro gay Sun-woo. Mas, muito além das cenas ousadas, está o dom para comédia do ator, que consegue, com humor, suavizar os aspectos mais polêmicos, por assim dizer, de seu personagem.


A verdade é que a grande sacada do filme é ressaltar a temática homoerótica de forma por vezes irônica, e acho que até crítica com a obsessão nipônica sobre o mundo gay. Os japoneses, notadamente na cultura pop, tratam a homossexualidade (e outros temas tabu) com grande interesse, mas sempre com um preconceito pouco disfarçado. E a impressão que tive com esta adaptação coreana foi que houve uma intenção bem clara de ironizar esta obsessão, ao mesmo tempo criticando o preconceito da sociedade com os gays. Por isso, penso que o mais interessante de Antique é a bela mensagem que nos deixa, de tolerância e amor entre um grupo de jovens desajustados... Um filme tão delicioso quanto os doces servidos na charmosa confeitaria Antique.

6 de fev de 2015

Mister Baek (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama, comédia, fantasia, romance
Duração: 16 episódios
Produção: MBC

Direção: Lee Sang-yeob
Roteiro: Choi Yoon-jung

Elenco: Shin Ha-kyoon, Jang Na Ra, Lee Joon, Park Ye-jin.

Resumo

Choi Go-bong é um legítimo sovina, interessado apenas em aumentar seu império de negócios. O empresário setentão, viúvo, nunca deu atenção ao único filho, Dae-han, que, por sua vez, leva uma vida despreocupada de playboy. Mas tudo muda quando Choi Go-bong sofre um acidente de carro bizarro e, no dia seguinte, acorda rejuvenescido, com 35 anos de idade.

Comentário

Mister Baek (ou Mr Back) é uma releitura moderna do romance clássico Um conto de Natal, de Charles Dickens. Como na estória do avarento de Dickens, o empresário Choi Go-bong (Shin Ha-kyoon ) é um homem ganancioso, egoísta, que se importa apenas com o sucesso de seus negócios. Viúvo, Choi Go-bong tem um único filho, o jovem Dae-han (Lee Joon), que não dá a mínima para o império hoteleiro do pai, e vive como um típico playboy. Dae-han não é uma má pessoa, só é um jovem sem objetivos na vida, que se comporta como um adolescente rebelde, na tentativa chamar a atenção do pai ausente. Se o filho não se interessa pelos negócios da família, os irmãos de Choi Go-bong, Choi Mi-hye (Jo Mi-ryung) e Choi Young-dal (Jun Gook-hwan), e a cunhada Lee In-ja (Hwang Young-hee) têm interesse até demais na fortuna do empresário. O desprezo com que Choi Go-bong trata os parentes só os torna ainda mais ambiciosos e sorrateiros. Apesar de Choi Go-bong ter construído sua fortuna sozinho, do nada, os parentes tramam um golpe para tentar usurpar seu posto de CEO da rede de hotéis.

Esta é a vida de Choi Go-bong, alienado do filho e único herdeiro, odiado pelos irmãos e temido por seus funcionários. O destino do velho avarento começa a mudar no dia em que ele vai visitar um de seus hotéis, onde está ocorrendo um evento beneficente para idosos. Choi Go-bong é confundido com um dos velhinhos carentes por Eun Ha-soo (Jang Na Ra), uma jovem inteligente e esforçada, mas que não tem sorte de conseguir um emprego estável. Depois do trabalho temporário neste evento, ela finalmente é contratada pelo hotel principal da rede de Choi Ga-bong, em Seul.

Mas o encontro crucial entre Choi Ga-bong e Eun Ha-soo será em um acidente bizarro, no qual seus respectivos carros são engolidos por uma grande cratera formada pela queda de um meteorito. Ambos sobrevivem, mas, no dia seguinte, o empresário acorda em sua cama, sentindo-se estranho, e, ao mirar-se no espelho, percebe que sua aparência mudou drasticamente. Magicamente, Choi Ga-bong voltou a ter um corpo de trinta e poucos anos (embora sua mente continue a ter setenta anos). Apavorado com a situação, mas ao mesmo tempo contemplando a oportunidade de vingar-se dos parentes traidores, ele simula a própria morte e ressurge como Choi Shin-hyung.

Tanto o diretor, Lee Sang Yeob (King's Daughter, Soo Baek Hyang) como a roteirista, Choi Yoon-jung (Emergency Couple, The Empress, Lie to Me) não são conhecidos por grandes trabalhos na TV. Na verdade a direção é razoavelmente competente, e os atores estão confortáveis em seus papéis – sinceramente, a energia de Shin Ha-kyoon parece contagiar os demais atores, especialmente Jang Na Ra e Lee Joon. O roteiro de Mister Baek é baseado no romance Oldeumaen de Lee Jo-Young, e, como não conheço o original, não há como saber até que ponto o material foi alterado, para melhor ou pior. A premissa, embora pouco original, é interessante e, nas mãos de um roteirista mais experiente e ousado, poderia ter resultado num grande drama.

Apesar das fraquezas do roteiro, Mister Baek merece a atenção dos fãs de Shin Ha-kyoon e Jang Na Ra. Shin Ha-kyoon, ator experiente de cinema, teatro e, nos últimos anos, de TV (Brain, All About My Romance), não perde a oportunidade de explorar todas as possibilidades como ator, interpretando, primeiro, o velho rabugento Choi Go-bong, e em seguida, o mesmo velho, na pele do jovem Shin-hyung. Não pense ser uma tarefa fácil, encarnar um personagem dentro do próprio corpo mais jovem. É com surpresa e encantamento que o espectador acompanha a transformação emocional deste personagem, de velho sovina, a um homem maduro e apaixonado. É o amor puro e terno de Eun Ha-soo que irá desencadear todas as mudanças na vida de Shin-hyung, inclusive sua reaproximação com o filho, Dae-han. Aliás, o relacionamento pai-filho entre Shin-hyung (ou Go-bong) e Dae-han é comovente e ao mesmo tempo divertido, e poderia ter sido muito melhor explorado. Foi um alívio ver que Lee Joon pôde se descolar do papel marcante do psicopata de Gap Dong. Ele provou ter um ótimo timing para comédia, só lhe falta um pouco mais de experiência na profissão.

O grande problema do roteiro foi exatamente perder muito tempo com as tramoias dos parentes de Choi Go-bong, e de outros personagens pouco interessantes, como a secretária Hong Ji-yoon ( a insossa Park Ye-jin) e o suposto homem de confiança de Go-bong, Jung Yi-gun (Jung Suk-won, ator simpático, mas muito apagado neste papel).

Apesar de Jang Na Ra ter formado um par romântico divertido e muito elogiado com Jang Hyuk, recentemente, em Fated to Love You, me surpreendi agradavelmente com a naturalidade e intimidade com que interagiu com Shin Ha-kyoon. Pela primeira vez vi a atriz, que deixa transparecer sua personalidade tímida e introvertida na maioria dos papéis, muito mais confortável e espontânea no contato físico com seu par romântico. Acho que Jang Na Ra encontrou o tipo de homem que pode despertar nela um lado pessoal e profissional mais espontâneo. Até mesmo sua voz como cantora está mais suave (e menos infantil) na faixa que gravou para a trilha sonora do drama.

Uma estória de amor bem contada sempre vale a pena ser apreciada, e, ao menos neste ponto, Mister Baek foi um drama muito bem sucedido.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...