23 de mai de 2017

A Life (drama, 2017)




País: Japão
Gênero: drama médico
Duração: 10 episódios
Produção: TBS

Direção: Hirakawa Yuchiro, Kato Arata, Kimura Hisashi
Roteiro: Hashibe Atsuko

Elenco: Kimura Takuya, Takeuchi Yuko, Asano Tadanobu, Matsuyama Kenichi, Kimura Fumino, Nanao, Oikawa Mitsuhiro, Asano Tadanobu, Takenoya Saki, Tanaka Min.

Resumo

O Dr. Okita Kazuaki, radicado há dez anos em Seattle, volta ao Japão para encontrar tudo muito mudado no hospital em que se formou. Seu primeiro amor, a Dra. Mifuyu, casou-se com o renomado neurocirurgião Danjo Masao, um homem ambicioso, que planeja tomar o lugar do sogro na administração do hospital. Okita planeja uma breve visita, mas o destino lhe reserva surpresas inesperadas...

Comentário

A Life é uma boa oportunidade para apreciar o reencontro de Kimura Takuya e Takeuchi Yuko, treze anos depois do drama Pride. Só que o tempo passou, e a nova reunião tem um tom muito mais maduro e melancólico. Takeuchi Yuko, bonita como sempre, é a simpatia em pessoa, com seu sorriso luminoso e acolhedor. Kimutaku, mais velho, é verdade, mas com seu eterno charme matador, encarna um dos personagens mais discretos de sua carreira. Embora seja um pouco estranho ver uma atuação mais comedida do ator, tanto no gestual quanto em palavras, é sempre um prazer ver Kimutaku encarnar com naturalidade qualquer papel.


Não posso evitar um pequeno spoiler ao advertir o espectador de que o drama investe muito pouco no romantismo, para dar mais ênfase ao drama médico, e às intrigas do mundo empresarial hospitalar. Sendo assim, para quem curte um bom drama médico, A Life é uma boa pedida.



Kimura Takuya (Priceless, Hero) é o Dr. Okita Kazuaki, um cirurgião brilhante, exilado nos Estados Unidos. O Dr. Okita começou sua carreira em Tóquio, em um grande hospital dirigido pelo empresário Danjo Toranosuke (Emoto Akira). Na época, ele namorava a colega Dra. Danjo Mifuyu (Takeuchi Yuko, de Strawberry Night), filha do diretor. Seu melhor amigo era o Dr. Masao (Asano Tadanobu, The Long Goodbye), que mais tarde tornou-se um prestigiado neurocirurgião.


O Dr. Okita está muito bem estabelecido em Seattle, até o dia em que recebe um chamado urgente de Tóquio. O diretor Danjo encontra-se gravemente doente, e quer que Okita volte ao Japão para operá-lo, pedido que ele aceita prontamente. Ao chegar a Tóquio, ele encontra tudo muito diferente, com seu antigo amigo Masao casado com Mifuyu, e tendo assumido a vice-direção do hospital. Masao não somente assumiu o sobrenome da esposa, Danjo, como ambiciona assumir a direção geral do hospital. Mifuyu, por outro lado, tenta equilibrar sem muito sucesso a carreira de cirurgiã pediátrica com a de mãe e esposa. Enquanto o Sr. Danjo e a filha Mifuyu lutam para manter o departamento de pediatria, o Dr. Danjo Masao trama pelas costas dos familiares o plano de extinção do mesmo. A visão do médico não é nada idealista, ele vê a medicina como um negócio como outro qualquer, cujo objetivo primordial é o lucro financeiro.



É claro que o Dr. Okita tem uma visão oposta ao do (ex) amigo, o que irá gerar muitos conflitos, sem contar o ciúme doentio de Masao sobre o antigo amor da esposa. Mesmo tendo um caso com Sakakibara Minori (Nanao, de Siren), consultora legal do hospital, Masao não admite que Mifuyu nutra algum sentimento pelo Dr. Okita. Mas o Dr. Okita não mexe apenas com os sentimentos do casal Danjo, todo o departamento de cirurgia do hospital é afetado pelo caráter forte e determinado do médico. Os mais influenciados pelo senso ético e talento extraordinário do Dr. Okita são o Dr. Igawa Sota (Matsuyama Kenich, de Futagashira) e a enfermeira Shibata Yuki (Kimura Fumino, de Siren). 


O Dr. Igawa é um cirurgião talentoso, mas pouco motivado, que não consegue se decidir entre a carreira médica, e a alternativa de assumir a direção do hospital da família. Mas o Dr. Okita acaba incentivando o jovem médico a fazer a escolha certa. Shibata Yuki também é afetada pela presença marcante do Dr. Okita, que apoia e elogia seu talento como enfermeira instrumentista.



A volta de Okita Kazuaki ao Japão, depois de tantos anos, também serve para que o médico reencontre seu pai, Okita Isshin (Tanaka Min), dono de um sushi bar, e que nunca demonstrou o orgulho devido pela carreira de sucesso do filho. A morte prematura da mãe de Okita foi o evento trágico e determinante para que ele decidisse ser médico. O reencontro e confronto dos traumas antigos entre pai e filho é um dos melhores momentos do drama.



A Life é um belo drama médico, naquele tom mais sóbrio, característico da cultura japonesa, mas que envolve reflexões muito pertinentes e, por que não, otimistas, sobre esta profissão tão importante quanto heroica que é a medicina.


14 de mai de 2017

Radiant Office (drama, 2017)




País: Coréia do Sul
Gênero: drama, comédia romântica
Duração: 16 episódios
Produção: MBC

Direção: Jung Ji-in, Park Sang-hoon
Roteiro: Jung Hoe-hyun

Elenco: Go Ah-sung, Ha Suk-jin, Lee Dong-hwi, Hoya, Kim Dong-wook, Kim Byung-choon, Han Sun-hwa, Kwon Hae-hyo, Jang Shin-young, Oh Dae-hwan, Kim Hee-chan

Resumo

Após passar por uma centena de entrevistas de emprego, Eun Ho-won finalmente é contratada como estagiária de uma empresa de móveis. No entanto, ser efetivada como funcionária será um desafio ainda maior para a idealista Ho-won.

Comentário

Os “dramas de escritório” são tão comuns quanto esquecíveis, e poucos mesmo se destacam, como foi o caso do drama existencialista Misaeng (tvN, 2014), ou da comédia aloprada Chief Kim (KBS, 2017). Sendo assim, Radiant Office acabou por ser uma das melhores e mais bem vinda surpresa da temporada. O drama traz um enfoque inteligente sem ser panfletário sobre a carência de oportunidades de trabalho para as novas gerações de cidadãos coreanos, - mas bem que esta estória poderia se passar em qualquer sociedade capitalista do mundo, incluindo o nosso país. A roteirista novata Jung Hoe-hyun (Granny is in 1st Grade) surpreende com um texto sensível, sem afetações, mas com referências culturais (cinema, literatura, etc.) que enriquecem muito a estória. O drama é dirigido a quatro mãos por Jung Ji-in (Shining Romance, Tomorrow Victory) e Park Sang-hoon (Beautiful You).

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a construção perfeita do caráter do personagem principal Eun Ho-won (Go Ah-sung). Parece que a era das gatas borralheiras está mesmo ficando para trás, e este tem sido um ano definitivo para cimentar estes personagens estereotipados e pouco críveis, em pleno século XXI. Eun Ho-won é uma mulher fascinante, com todas as inseguranças naturais à sua idade, mas com uma maturidade intelectual admirável. A verdadeira odisseia em busca por um lugar ao sol em um mercado de trabalho implacável faz de Eun Ho-won um exemplo de resiliência e, por que não, de esperança para a humanidade. Não são poucos os obstáculos a serem superados por nossa heroína, mas seu sorriso radiante e seu humanismo inabalável são, sinceramente, comoventes. Após a morte do pai, Ho-won tem de se virar sozinha para pagar os estudos e ajudar a mãe e o irmão mais novo. Rejeitada uma e outra vez nas seleções de emprego, Ho-won começa a se desesperar com a incerteza sobre seu futuro, e acaba “ensaiando” uma tentativa se suicídio, ao cair inadvertidamente de uma ponte, mergulhando nas águas frias do Rio Han. No hospital, ela acaba conhecendo dois jovens que passam pelo mesmo drama do desemprego. O mais velho, Do Ki-taek (Lee Dong-hwi, de The Beauty Inside, Reply 1988) parece ser o mais aflito com sua situação, tanto pela idade, quanto por ter levado o fora da namorada. Jang Kang-ho (Hoya, Reply 1997, Mask, membro da boy band INFINITE), por outro lado, sofre com a pressão dos pais, de classe alta, para conseguir um bom cargo, em alguma empresa importante. Os três parceiros de infortúnio (que o povo da web apelidou carinhosamente de “suicide squad”) acabam se reencontrando, ao serem selecionados para cargos temporários na empresa de móveis Hauline. Entusiasmados com a possibilidade, mesmo que remota, de serem promovidos a funcionários da empresa, eles se submetem a todas as humilhações e frustrações típicas à posição de estagiário em um escritório.

O primeiro choque para Eun Ho-won é reencontrar-se com Seo Woo-jin, o homem que a havia rejeitado da forma mais cruel possível em sua última entrevista de emprego. Seo Woo-jin (Ha Seok-jin, de D-Day) é o novo diretor de marketing da Hauline, e a última pessoa que Ho-won desejaria ter como chefe. No entanto, aos poucos, ela descobre que a ética profissional e a sabedoria do jovem e belo diretor podem ser grandes aliados no seu crescimento na empresa. Problemas muito maiores Ho-won e seus amigos irão enfrentar nas mãos do diretor de vendas Park Sang-man (o sempre divertido Kwon Hae-hyo, de Jealousy Incarnate), e de seu subordinado, o insuportável Lee Yong-jae (Oh Dae-hwan, Shopping King Louis).

Do Ki-taek, por sua parte, precisa conviver no escritório com sua ex-namorada, Ha Ji-na (Han Sun-hwa, de Marriage Not Dating). Ha Ji-na não fica nada feliz com a presença de Ki-taek, mas não pode evitar em recordar diariamente o quanto o rapaz faz falta em sua vida. Do Ki-taek e Ha Ji-na formam um casal tão improvável quanto admirável, e protagonizam alguns dos episódios mais emotivos do drama. Mais uma grande atuação de Lee Dong-hwi, tão hábil em dar vida a personagens da vida real, como o adorável Do Ki-taek.

O drama também aborda com realismo o problema do machismo e da consequência falta de oportunidades dadas às mulheres dentro das grandes corporações. É o caso da gerente de vendas Jo Suk-kyung (Jang Shin-young, My Heart Twinkle Twinkle), mãe solteira, funcionária dedicada, mas que não vê perspectiva de chegar um dia a um cargo de direção dentro da empresa.

Finalmente, temos o Dr. Seo Hyun (o ator de cinema Kim Dong-wook, de Along With the Gods, Take Off), um personagem carismático, mas um tanto enigmático, que tem um papel central no destino do trio Ho-won, Ki-taek e Kang-ho. Infelizmente, que pese a grande atuação do charmoso Kim Dong-wook, o personagem do Dr. Seo foi o ponto fraco a denunciar a inexperiência da roteirista, que não soube aproveitar melhor todo o potencial do mesmo.

Mesmo assim, a roteirista Jung Hoe-hyun merece grandes elogios, especialmente, como já mencionei, por criar um personagem tão maravilhoso como Eun Ho-won. É claro que ela contou com a sorte de ter como protagonista a jovem, mas experiente, Go Ah-sung (The Host, A Melody to Remember, The King, Heard it Through the Grapevine). O talento de Go Ah-sung foi nutrido desde a infância, no cinema, mas a atriz vem migrando aos poucos para a telinha, e, felizmente, com a mesma energia e criatividade. O poder intuitivo de atuação de Go Ah-sung é tão grande que ela conseguiu despertar um lado surpreendentemente sensível no ator Ha Seok-jin. Confesso que nunca havia visto o ator tão descontraído e sereno em um papel, seu rosto se ilumina visivelmente na presença de Go Ah-sung. Esta é a magia dos dramas coreanos, - Radiant Office é mais um destes pequenos dramas, que consegue conquistar o coração do público, com um roteiro inteligente, e um elenco brilhante. Como diria Eun Ho-won, são estes pequenos milagres que fazem valer a pena estar vivo...

4 de mai de 2017

Kekkonshiki no Zenjitsu ni/ On The Day Before The Wedding (drama, 2015)




País: Japão
Gênero: drama
Duração: 10 episódios
Produção: TBS TV

Direção: Takemura Kentaro, Hori Hideki, Tsukahara Ayuko, Murao Yoshiaki
Roteiro: Takahashi Maki, Shimada Ureha, Yamamuro Yukiko

Elenco: Karina, Harada Mieko, Suzuki Ryohei, Endo Kenichi, Yamamoto Yusuke, Mano Erina, Miho Jun, Enami Kyoko.

Resumo

A vida tranquila de Serizawa Hitomi é abalada com a descoberta de uma doença grave e a volta da mãe, Kashiwada Kanako, desaparecida há anos.

Comentário

Apesar de gostar muito dos dramas japoneses, acabo assistindo muito mais dramas coreanos, por que será que isso acontece? Um dos motivos é uma certa dificuldade que tenho de escolher, entre tantos lançamentos, os que valham a pena ver, já que as críticas costumam ser muito superficiais ou incompletas. Tanto que me quase passou despercebido este drama maravilhoso, protagonizado por uma de minhas atrizes favoritas, Karina. O último filme de Karina foi Girls For Keeps, em 2012, e o último drama foi Summer Nude, em 2013, portanto, passado tanto tempo, é muito bom ver a atriz de volta, em plena forma.


Kekkonshiki no Zenjitsu ni conta a estória de uma jovem que, às vésperas do casamento, é diagnosticada com um tumor cerebral. Apesar do tema pesado, os roteiristas conseguem fugir dos clichês típicos ao gênero. Abordando o assunto com sensibilidade e bom humor, Kekkonshiki no Zenjitsu ni é um drama que, ultimamente, celebra a vida.



Karina (Priceless, Real Clothes) é Serizawa Hitomi, funcionária de uma empresa de empreendimentos imobiliários. Seu noivo é o médico Sonoda Yuichi (Suzuki Ryohei, de Hana-Kimi 2007, Inspector Zenigata), cujo único desejo é casar-se e seguir com seu trabalho na pequena clínica particular da família. Hitomi tem uma vaga lembrança da mãe, que a abandonou na infância. Apesar disso, ela foi criada com amor e atenção redobrada pelo pai, Serizawa Kensuke (Endo Kenichi, de Strawberry Night, Ando Lloyd), e a tia, Serizawa Saki (Miho Jun). A vida de Hitomi segue agitada, com o trabalho e os preparativos para o casamento com o Dr. Yuichi. Mas Hitomi começa a ter dores de cabeça crônicas e resolve fazer um check up, e o diagnóstico não poderia ser pior, um tumor cerebral.


Hitomi tem um caráter um tanto reservado e um espírito independente, e, sendo assim, acaba escondendo da família e amigos seu grave problema de saúde. É neste momento estressante na vida de Hitomi que sua mãe, Kashiwada Kanako (Harada Mieko, de Shinzanmono), reaparece, depois de tantos anos sem dar notícias. Com uma personalidade esfuziante, nada discreta mesmo, ela causa um grande choque na tranquila Hitomi. Quanto mais a mãe tenta se aproximar da filha, mais rejeição provoca nela e em seu pai, o Sr. Serizawa. Para tentar reconquistar a filha, Kanako muda de estratégia e procura a ajuda das pessoas que convivem com Hitomi. Kanako usa Maehara Shota (o gatíssimo Yamamoto Yusuke, de Hana-Kimi 2007, GTO), amigo de infância de Hitomi, para atrair a filha para um passeio. Ela também resolve aparecer de surpresa no encontro formal entre o pai de Hitomi e os pais do Dr. Yuichi. Acontece que a mãe de Yuchi, Sonoda Kyoko (Enami Kyoko) é uma mulher muito esnobe, que não gosta nada do comportamento pouco formal de Kanako. Além disso, ela tem planos de casar o filho com a jovem Hirose Mana (Mano Erina), herdeira do diretor de um grande hospital.



Aos poucos Hitomi vai descobrindo alguns fatos sobre a vida de sua mãe, uma fotógrafa internacionalmente conhecida, que volta ao Japão e, sem laços familiares, acaba por instalar-se num orfanato nos arredores de Tóquio, onde realiza um trabalho voluntário. O pai de Hitomi se recusa a falar sobre a ex-mulher, mas é intrigante como Kanako parece sentir-se no direito de impor-se sobre a filha, apesar de tê-la abandonado, e causado um grande trauma na família. Todos estes segredos vão se desvanecendo aos poucos, enquanto Hitomi descobre a importância de confiar e a apoiar-se nas pessoas que a amam, para enfrentar o grande sofrimento que a espera.



É verdade que Kekkonshiki no Zenjitsu ni tem momentos melancólicos e até mesmo desesperadores para Hitomi, mas seu desejo inquebrantável de viver é emocionante, verdadeiramente admirável! E é graças à atuação preciosa de Karina que recomendo enfaticamente que assistam este belo drama...

24 de abr de 2017

Goblin (drama, 2016)




País: Coréia do Sul
Gênero: Fantasia
Duração: 16 episódios
Produção: tvN

Direção: Lee Eung-bok
Roteiro: Kim Eun-sook

Elenco: Gong Yoo, Kim Go-eun, Lee Dong-wook, Yoo In-na, Yook Sung-jae, Lee Il, Jo Woo-jin, Kim Sung-kyum, Kim Min-jae, Kim So-hyeon, Kim Byung-chul.

Resumo

Goblin é a estória fantástica de um corajoso general da era Goryeo que é amaldiçoado com a imortalidade.

Comentário

Como motivo de comemoração de seus 10 anos no ar, o canal tvN investiu em uma produção luxuosa, o drama de fantasia Goblin: The Lonely and Great God, criação da roteirista mais badalada do momento, Kim Eun-sook. Depois do mega sucesso de público Descendants of the Sun (2016), era enorme a expectativa sobre o próximo projeto da escritora Kim. E, ao menos para a tvN, o resultado foi mais do que satisfatório (com uma média final de 13,7 %, um número significativo para a TV à cabo). Concluído o drama (e passada a comoção sobre o mesmo), podemos refletir com calma sobre seus os pontos positivos e negativos.


Para começar, foi uma surpresa agradável ver a autora voltar a um de seus temas favoritos, a fantasia... Recordemos que seu primeiro sucesso foi o drama romântico Lovers in Paris (2004), que se revelou, no último instante, como um drama de fantasia (e com um dos finais mais controvertidos da história dos dramas coreanos). Em seguida a escritora Kim voltou ao “trivial” com o drama romântico/político The City Hall (2009), com uma trama linear, mas ao mesmo tempo mais eficaz do que muitos de seus projetos seguintes, como Heirs (2013), ou Gentleman´s Dignity (2012). Antes destes dois últimos ela escreveu Secret Garden (2010), que lhe rendeu a fama de autora pop, graças à influência e às recorrentes citações de seus diálogos e cenas divertidas (sendo a mais citada, a do beijo na cafeteria, como esquecer?). O certo é que a escritora Kim tem um talento especial para gerar burburinho com cenas marcantes e originais, e com a escolha certeira do elenco em seus dramas românticos. Não se sabe de algum ator ou atriz que tenha rejeitado um convite para estrelar um drama assinado por Kim Eun-sook. Sendo assim, antes mesmo de sua estreia, Goblin já gerava manchetes com a notícia da presença de Gong Yoo no drama. Quatro anos foi tempo demais para os fãs de Gong Yoo, que aguardavam ansiosamente sua volta à TV.

Para concretizar sua visão grandiosa de um drama meio épico, meio fantasia romântica, a autora trouxe consigo o PD Lee Eung-bok (School 2013, Secret) seu parceiro de sorte em Descendants of the Sun. Se em Descendants of the Sun a direção do PD Lee não me impressionou especialmente, em Goblin ele parece ter bebido uma poção especial, que o tornou um diretor muito mais habilidoso. Aliás, a direção teve um papel crucial neste drama, já que as imagens, na maior parte do tempo, tiveram um peso maior que as palavras. Vale uma ressalva para o uso excessivo de imagens de banco de dados (recurso preguiçoso e meio cafona) e a repetição “ad nauseum” de certas cenas. Para ser mais específica, a cena crucial do enfrentamento do general Kim Shin com o rei é repetida tantas vezes que acaba por perder o impacto inicial, sem acrescentar nada à trama. Falando em edição, o drama perde muito em ritmo, do episódio 8 ao 12 (tendo provocado inclusive uma queda na audiência), e os longos capítulos de 1h30 se arrastam, com uma trama que anda em círculos, apoiada unicamente na atuação brilhante do elenco. Uma redução para 12 episódios beneficiaria muito o drama.


Goblin é o drama que restaurou minha fé no talento de Kim Eun-sook – apesar de todos os defeitos, para mim, este é seu melhor drama desde Secret Garden. Quem não gosta de dramas lentos e de enredo sem grandes reviravoltas deve sentir-se frustrado, mas o elenco charmoso, a fotografia e a cenografia tem poder o bastante para enganchar o espectador. Do episódio 13 ao 16 a estória volta a ficar interessante, e o desfecho é satisfatório (levando-se em conta tropeços da escritora em dramas anteriores).

A roteirista Kim tem uma criatividade e tanto para inserir um personagem da mitologia nórdica (goblin) em um reino asiático distante, e criar uma estória original, embora um tanto confusa... Sim, porque se você ainda não se aventurou no conto de fadas pós-moderno que é Goblin, não espere por grandes revelações sobre a origem dos personagens, já que eles mesmos vivem alienados sobre seu propósito no mundo. São tantas perguntas sem respostas... Por exemplo, por que o bravo general Kim Shin é punido pelos deuses e transformado em um goblin (na mitologia nórdica, uma espécie de gnomo maligno e ganancioso)? Será que ele merecia um destino tão cruel, pesadas as circunstâncias da época? Por que o rei Wang Yeo não deu ouvidos à sua jovem rainha, e ordenou sua morte e de sua família, mesmo sabendo que estava sendo traído por seu mentor, Park Joong-hoon? Como o Goblin conseguiu acumular riquezas ao longo de mais de 900 anos, fundar uma empresa (presidida pelo velho Yoo Shin) sem saber usar um smartphone? Ah, certo, a situação gerou piadas divertidíssimas entre o Goblin e seu amigo Anjo da Morte.


Apesar de sempre me incomodar com problemas de edição, seja no cinema, ou em dramas, a verdade é que não acho que o ritmo lento de Goblin seja um grande problema, já que muitos dos momentos mais mágicos e românticos do drama foram aqueles em que os personagens refletiam sobre as pequenas alegrias da vida... Como quando o Goblin começa a se apaixonar por Ji Eun-tak, e quer muito acreditar que a garota é sua noiva prometida, mas não sabe como expressar seus sentimentos... Ou quando o Ceifador encontra-se pela primeira vez com a bela Sunny, e seus olhos se enchem de lágrimas involuntárias... É curioso quando os personagens (ou os atores que os interpretam) tornam-se maiores do que a estória. É fácil perceber, pelos comentários gerados a cada episódio, que o drama enganchou o público pelo grande charme do elenco, especialmente Gong Yoo e Lee Dong-wook. Não é por nada que o ‘bromance’ entre a dupla gerou mais frisson que o romance entre o Goblin e Eun-tak. Gong Yoo (Train to Busan, Coffe Prince, BIG) é indiscutivelmente um grande ator e, melhor ainda, do tipo que sabe usar seu charme para encantar seu par romântico, o que não foi diferente com Kim Go-eun, que interpreta a jovem Ji Eun-tak. Mas, sou obrigada a reconhecer que não consegui sentir aquela “faísca” entre o casal principal, apesar das atuações convincentes de ambos. Kim Go-eun (Cheese in the Trap, Canola, Eungyo) é uma atriz encantadora, mas, não sei bem porque, não me convenceu no papel de Eun-tak. Talvez o problema seja o personagem, e não a atriz... Eun-tak é uma cinderela moderna, que sonha em entrar em uma boa universidade, e ter uma vida melhor. Ao cruzar com o Goblin, ela conclui, pragmaticamente, que encontrou um bom patrocinador para seus estudos. É interessante que ela não se apaixone imediatamente por este homem bonito e maduro, embora, mais adiante, entendamos que sua percepção sobre ele era muito mais profunda. É chato admitir, mas Eun-tak é o personagem mais importante, mas ao mesmo tempo o que menos me agradou no drama. O perfil adolescente de Eun-tak (o sorriso ingênuo, a voz infantil) não parece se encaixar com o passado do personagem, com todo o sofrimento que ela carrega consigo. Entendo que Eun-tak tenha conseguido conquistar o Goblin com esta alegria juvenil, mas eu teria preferido uma heroína mais madura, com um humor mais ácido.


Se o romance entre o ‘Dokkaebi’ e Eun-tak não me convenceu, a estória de amor de Lee Dong-wook (o anjo da morte) e Yoo In-na (a bela e solitária Sunny) é (literalmente) épica! Impossível não sofrer junto com este casal, e seu amor impossível... Parece que Lee Dong-wook (Scent of a Woman, Bubblegum) solicitou pessoalmente à escritora Kim a chance de interpretar o mensageiro da morte. Sou uma grande admiradora do ator, especialmente por sua vontade em buscar novos desafios, sem apegar-se a estereótipos, e não se acomodar em papeis de galã. A verdade é que Lee Dong-wook rouba a cena, por sua entrega total ao papel, e também porque a estória do personagem é tão mais rica e complexa que a do Goblin. Mas, surpresa mesmo fiquei com bela atuação de Yoo In-na (Queen In-hyun´s Man, My Secret Hotel, One More Happy Ending), sensível, discreta, na medida certa para a importância do papel.  Confesso que já havia abandonado a esperança de ver Yoo In-na como mais do que uma celebridade supervalorizada. Tenho muita curiosidade sobre o milagre operado sobre sua capacidade de atuação: será que foi a influência do elenco competente (seu encantamento na presença de Lee Dong-wook é óbvio), a orientação do diretor, ou simplesmente o efeito natural da maturidade? Seja como for, espero que este tenha sido o primeiro de novos e grandes papeis para a charmosa Yoo In-na.



Falando em bons atores, não posso deixar de mencionar o maravilhoso elenco jovem. Yook Sung-jae, de quem sou fã desde Who are You: School 2015 esbanja charme e fofura no papel de Yoo Duk-hwa. E o casal real Kim Min-jae (Romantic Doctor, Teacher Kim) e Kim So-hyeon (Let´s Fight Ghost, Page Turner, Who Are You: School 2015) deixa sua marca, apesar da aparição relâmpago. Acho Kim So-hyeon uma grande atriz, e fiquei imaginando se ela não seria mais adequada para o papel de Eun-tak...

Concluído este belo drama de Kim Eun-sook fico muito curiosa sobre seu próximo projeto, e espero que ela tome seu tempo para nos trazer mais uma estória tão mágica e surpreendente quanto a saga de Goblin.
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