23/10/2014

Os Últimos (e Melhores) Dramas de 2014


Quando a temporada de dramas está fraca, nem reclamo, e aproveito para colocar os filmes em dia, além de assistir dramas antigos que perdi, e até mesmo encarar uma maratona de dramas longos (se você não viu My Daughter Seo Young, por exemplo, garanto que vale a pena encarar seus 50 episódios). Mas, felizmente, temos uma lista de ótimas estreias para comentar...



Dos dramas que acabaram recentemente, minha maior decepção foi com My Secret Hotel. Nem mesmo o elenco bonito, a trilha bacaninha e a bela fotografia conseguiram salvar este drama de seu desfecho morno e sonolento. Só o maravilhoso Jin Yi-han soube aproveitar o drama para mostrar todo o seu talento como ator (cantando, dançando, fazendo rir e chorar). Agora que me livrei de My Secret Hotel, faltam mais dois para despachar: My Lovely Girl, e Love Myself Or You. Quem resolve encarar um drama taiwanês já sabe que a chance da trama esfriar ou simplesmente sair de órbita é enorme; por isso já me conformei em suportar até o final Love Myself Or You (e seus intermináveis 21 episódios). Da volta do cantor/ator Rain, com My Lovely Girl, não há muito que falar, a não ser que é um teste para a paciência do espectador. Não tenho absolutamente nada contra o elenco, mas quando as melhores atuações vem do cantor pop L, e de um labrador (interpretação brilhante – do cão, não do dono), alguma coisa está muito errada.



Por outro lado, dois dramas que poderiam tranquilamente ter durado mais foram Plus Nine Boys, e Discovery of Romance, dois exemplos de como produzir estórias simples e sensíveis. Sou suspeita para falar, porque Discovery of Romance é o meu tipo de drama romântico, e Eric é o meu tipo de homem (e um grande ator).


Pena que o final de Plus Nine Boys foi literalmente atropelado, com apenas 14 episódios (apesar de não ter lido nada específico, imagino que um possível processo por plágio tenha a ver com a situação). Mesmo assim, Plus Nine Boys é mais uma boa produção do canal tvN, que vale a pena ser conferida.


E dos dramas que já estão na reta final, o mais destacado é The Spring Days of My Life, um melodrama romântico belíssimo, com elenco fantástico (Sooyoung, Kam Woo-seong e Lee Jun-hyuk), e uma estória comovente, sem ser excessivamente piegas.


Já para os fãs dos dramas épicos, temos The Three Musketeers (tvN, 12 episódios), que, se não tem a qualidade de um The Joseon Gunman (em termos de direção, ou atuações), é divertido o bastante, e já dá para aguardar com ansiedade sua segunda temporada. E só para lembrar,temos o gatíssimo Lee Jin-wook como o príncipe (e mosqueteiro) So Hyeon-se.


Greatest Marriage é muito ruim, e o elenco tem ao menos metade da culpa pelo fiasco que é este drama (a TV Chosun resolveu mudar o horário e veicular apenas um episódio por semana do drama, mas não sei o que isto irá resolver). Quanto a Tomorrow Cantabile (KBS, 20 episódios), só tenho uma recomendação a fazer: se você não assistiu a versão original japonesa (Nodame Cantabile), pelo amor dos deuses, não chegue perto deste remake! Não é de admirar que a audiência na Coréia esteja caindo drasticamente a cada episódio. Deixemos o humor peculiar dos mangás para os japoneses, ok?!


Entre as estreias há três dramas, muito diferentes um do outro, mas igualmente interessantes, e que merecem ter a sua atenção: Misaeng, Bad Guys e Modern Farmer. Misaeng (Incomplete Life) é o biscoito fino lançado pela tvN, em comemoração aos 8 anos deste canal de TV a cabo. Confirmando sua tradição em presentear a audiência com produções inovadoras e bem cuidadas, a tvN vem com este drama contemporâneo, que retrata a vida extraordinária de um estagiário de uma grande corporação. Existencialista, melancólico, soturno e surpreendentemente emotivo, Misaeng respira o mesmo ar dos grandes romances de Charles Dickens. Em Misaeng, nosso pequeno órfão (de pai) é Jang Geu-rae (Siwan, de Triangle), um rapaz sem estudo, cujo sonho fracassado de ser um jogador profissional de Yut Nori (jogo de tabuleiro), o levou a viver na base da cadeia produtiva, indo de um emprego temporário ao outro, sem esperança de uma vida melhor... Até o dia em que ele tem a chance única de estagiar em uma grande empresa de exportação. Com 26 anos de idade, sem formação universitária, Geu-rae é imediatamente hostilizado pelos colegas e superiores, já que, aparentemente, ele teria sido apadrinhado por um alto executivo da companhia. Com atores maravilhosos (Lee Sung-min, Kang Ha-neul, Kang So-ra, entre outros), tendo como cenário o ambiente inóspito de um prédio de escritórios, no centro empresarial de Seul, Misaeng consegue mexer com as emoções do mais empedernido dos corações. A direção impecável está a cargo do PD Kim Won-Suk (Sungkyunkwan Scandal, Monstar) e a sólida adaptação (do webtoon) é de Jung Yoon-Jung (roteirista do fantástico Arang and the Magistrate).


Seguindo com emoções fortes, temos Bad Guys, mais um thriller policial do canal OCN (TEN, Cheo Yong, Reset, Vampire Prosecutor), com direção de Kim Jung-Min, e roteiro de Han Jung-Hoon (Vampire Prosecutor 1 e 2). Bad Guys pretende contar, em 11 episódios, a estória de um policial veterano que reúne três bandidos extremamente perigosos, para ajudá-lo a capturar um assassino em série. Apesar da trama pouco realista, Bad Guys impressiona especialmente pela violência, e pelo elenco poderoso. Temos Kim Sang-joon (A New Leaf), como o policial atormentado Oh Goo-tak (apelidado pelos colegas de ‘cachorro louco’), Ma Dong-seok (Dr Champ), como o gangster Park Woong-cheol, Jo Dong-hyeok (Brain), como o assassino Jeong Tae-soo, e, finalmente, Park Hae-jin (Doctor Stranger), como o misterioso Lee Jeong-moon. Destaque para o ator Jo Dong-hyeok, com um personagem frio, e ao mesmo tempo perturbadoramente charmoso (graças às feições angulosas do ator, que emagreceu um bocado para o papel).


Para aliviar o clima, que tal uma comédia realmente hilária? Modern Farmer (SBS, 20 episódios) chegou para alegrar nossos finais de semana, com personagens malucos, mas adoráveis. O grupo de rock ExSo (Excellent Souls) era composto pelo vocalista e guitarrista Lee Min-ki (Lee Hong-ki), o tecladista Kang Hyeok (Park Min-woo), o baixista Yoo Han-chul (Lee Shi-un) e o baterista Han Ki-joon (Kwak Dong-yun). Infelizmente, o sucesso da banda foi efêmero, e cada um dos rapazes teve de buscar outras formas de sobreviver. Ainda sonhando em ser um músico famoso, mas cheio de dívidas, Lee Min-ki é surpreendido com a notícia de que sua avó recém-falecida lhe deixou como herança sua fazenda. Acontece que, embora a propriedade seja enorme, seu valor de venda é muito baixo. Sem se deixar abater, Min-ki convence os ex-colegas de banda a ir para o interior, e plantar couve, com a ilusão de que poderão ganhar muito dinheiro e voltar a gravar discos. A falta de noção destes caras é tão absurda quanto divertida, e é com incredulidade que os vemos se envolvendo em uma encrenca atrás da outra, na tentativa de se adaptar à vida no campo. Só para ter uma ideia, em apenas um dia no interior, os rapazes conseguem comprar briga com todos os vizinhos, e destruir uma festa de recepção ao governador da província. Lee Hong-ki (Bride of the Century) está deliciosamente histriônico, sem perder o charme adquirido com sua carreira paralela de astro pop. Quando os integrantes da banda fictícia ExSo se reúnem, dá para perceber o porque de não terem chegado ao sucesso... Juntos, eles são como um pequeno tornado que destrói tudo o que vê pela frente. Só o tempo dirá se eles irão aprender a construir algo em equipe, ou se o seu destino é seguir por caminhos separados.

15/10/2014

The Long Goodbye (drama, 2014)


País: Japão
Gênero: Policial Noir, Drama
Duração: 5 episódios
Produção: NHK

Direção: Horikirizono Kentaro
Roteiro: Watanabe Aya, baseado no romance de Raymond Chandler

Elenco: Asano Tadanobu, Ayano Go, Koyuki, Furuta Arata, Tominaga Ai, Ota Rina, Takito KenichiHoribe Keisuke, Takahashi Tsutomi, Taguchi Tomorowo, Izumisawa YuukiYoshida Kotaro, Endo Kenichi, Emoto Akira.

Resumo

Na Tóquio dos anos 50, Harada Tamotsu é suspeito de matar sua esposa, a famosa atriz Harada Shizuka, filha de um poderoso empresário das telecomunicações, e político em ascensão. Mas o detetive particular Masuzawa Banji acredita na inocência de Tamotsu, ajuda o rapaz a fugir para Taiwan, e passa a investigar o caso.

Comentário

Raymond Chandler foi um dos fundadores da literatura policia noir, que floresceu nos EUA pós-depressão. Seus romances estão repletos de personagens do submundo do crime, policiais corruptos, detetives particulares espertos (como o famoso Philip Marlowe), e gente da alta sociedade, que paga caro para manter-se acima da lei. E apesar de ser um dos maiores escritores de todos os tempos, sua obra não teve, até hoje, adaptações cinematográficas ou televisivas a sua altura. Por isso mesmo, foi com grande curiosidade e expectativa que me deparei com esta adaptação japonesa para o romance “O Longo Adeus” (1953), uma obra prima da curta carreira de escritor de Raymond Chandler. E, felizmente, o resultado foi melhor do que o esperado.

O Japão enfrentou a crise financeira e as consequências nefastas da Segunda Guerra, tanto ou mais que a América, e, sendo assim, não foi nada estranho transportar o cenário decadente dos romances de Chandler de Los Angeles para Tóquio. Nesta versão, o detetive Philip Marlowe se tranforma no não menos adorável Masuzawa Banji, interpretado pelo fantástico Asano Tadanobu.

A trama é clássica, mas não esqueça de que tudo que veio depois de Raymond Chandler e Dashiell Hammett não passa de uma imitação pálida do gênero. O detetive Masuzawa Banji (Asano Tadanobu) tem um escritório modesto, no segundo andar de um posto de gasolina, onde atende seus clientes, enquanto fuma muitos cigarros, e bebe uma deliciosa xícara de café moído na hora. A sua renda é mínima, mas ele não parece se incomodar com a vida simples que leva. Até o dia em que, obviamente, um caso complicado bate à sua porta. Banji-san acolhe por uma noite Harada Tamotsu (Ayano Go), o marido recém-abandonado de uma atriz famosa, Harada Shizuka (Ota Rina), alvo preferido dos paparazzi, por seus frequentes escândalos amorosos. O rapaz volta a procurar o detetive e os dois saem ocasionalmente para beber, e conversar sobre amenidades. Até que uma noite o rapaz aparece ensanguentado, relatando ter encontrado sua esposa morta. A partir deste momento, o detetive irá se deparar com uma face da sociedade que deveria ser a mais nobre e sofisticada, mas que na realidade está corrompida pela mais pura maldade. O mais surpreendente e excitante na obra de Raymond Chandler, em minha opinião, é a sua capacidade de expor a mais profunda decadência humana, na forma da violência e da corrupção, e ao mesmo tempo confrontar estes males sociais com personagens irremediavelmente bons, como o detetive Marlowe.

Não sei dizer se o público que não conhece a obra de Chandler irá se encantar tanto com este mini-drama, mas tenho a esperança de que ainda haja gente que se interesse por uma boa estória, e por personagens maravilhosos (mesmo que antiquados) como Masuzawa/Marlowe, em seu longo e último adeus.

14/10/2014

Discovery of Romance (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: Romance, Drama
Duração: 16 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Kim Seong-yoon
Roteiro: Jeong Hyeong-jeong

Elenco: Eric Moon, Jeong Yoo-mi, Sung Joon, Kim Seul-gi, Yoon Hyun-min, Yoon Jin-Yi, Kim Hye-ok, Ahn Seok-hwan, Seong Byeong-sook.

Resumo

Han Yeo-reum e Nam Ha-jin formam um belo casal, mas sabem muito pouco sobre o passado um do outro. Quando o ex-namorado de Yeo-reum, Kang Tae-ha, reaparece em sua vida, ela faz de tudo para esconder a verdade do noivo atual.

Comentário

Discovery of Romance (ou Discovery of Love) é, sem dúvida alguma, o roteiro mais bem acabado da carreira da escritora Jeong Hyeong-jeong, autora da trilogia de sucesso I Need Romance. Ela trocou a tvN pela KBS TV, e o diretor Jang Yeoung-woo por Kim Seong-yoon (Big, 2012), mantendo a qualidade de produção, mas aprimorando significativamente sua escrita. Do primeiro I Need Romance para este Discovery of Romance, dá para perceber como a autora aprendeu a trabalhar os diálogos de forma mais fluida, e sem desperdícios. Apesar dos personagens da autora Jeong serem sempre tagarelas, suas falas são inteligentes, espontâneas e frequentemente divertidas. Outro ponto positivo é o melhor aproveitamento dos personagens secundários, que não são apenas um gancho para ligar as cenas, mas têm suas próprias estórias, que merecem ser acompanhadas. Veja o exemplo do casal de amigos de Yeo-reum, Yoon Sol (Kim Seul-gi,de Flower Boy Next Door) e Do Joon-ho (Yoon Hyun-min, de A Witch´s Love). Eles não só participam ativamente da trama central, como têm sua própria estória, igualmente envolvente. O mesmo vale para os familiares dos personagens, representados pelas mães de Yeo-reum (a divertidíssima Kim Hye-ok) e de Ha-jin, e da órfã Na A-rim - todas têm um papel importante na vida dos mesmos. Estes podem parecer detalhes pequenos, mas que são muito importantes na construção de personagens interessantes e críveis.


Discovery of Romance é um drama que reflete sobre o amor, e de como nossas escolhas pessoais refletem nossas mais marcantes experiências de vida. A designer de móveis Han Yeo-reum (Jeong Yoo-mi, de My Dear Desperado), por exemplo, é movida por dois eventos traumáticos que mudaram sua vida, quase simultaneamente – a morte do pai, e o rompimento de um relacionamento de cinco anos, com o arquiteto Kang Tae-ha (Eric).

Seu noivo, Nam Ha-jin (Sung Joon, de Lie To Me), também tem sua cota de esqueletos no armário. Ninguém poderia imaginar que este cirurgião plástico bem sucedido teve uma infância melancólica em um orfanato, até ser adotado por uma família de posses. Mas a maior tristeza de Ha-jin é ter deixado para trás, no orfanato, uma garotinha que era como uma verdadeira irmã para ele. Nem mesmo sua noiva, Yeo-reum, sabe sobre seu passado, pois sua mãe adotiva (Seong Byeong-sook) insiste em esconder a verdade de todos. Mas quando Ha-jin reencontra sua irmã postiça, Na A-rim (Yoon Jin-Yi), fica difícil explicar para as pessoas o motivo de sua ligação afetiva com ela.


Tudo se complica quando Kang Tae-ha reaparece na vida de Han Yeo-reum. Ela e a amiga e sócia Yoon Sol lutam para manter um estúdio de design de móveis, mas suas dívidas se acumulam. Nesta hora, fica impossível recusar a oferta de Kang Tae-ha para trabalhar em um projeto em conjunto com seu escritório de arquitetura. Insegura, Yeo-reum decide não contar ao noivo sobre seu antigo relacionamento com Tae-ha. Mas Nam Ha-jin não é bobo, e logo percebe o clima estranho entre a namorada e o novo chefe. Daí em diante, o triangulo amoroso se transforma em uma verdadeira guerra de paixões mal resolvidas.

Apesar de os ataques de ciúmes chegarem ‘aos finalmentes’ em várias oportunidades (surpreendentemente, as imagens de luta corporal estampadas nos cartazes deste drama não são apenas metáforas), os personagens são, essencialmente, gente boa, e sabem fazer sua mea culpa antes que seja tarde demais. E é exatamente manipulando espertamente os sentimentos do espectador, que a roteirista consegue nos levar com o coração na mão, até o último episódio do drama. Fazia tempo que eu não me deparava com uma expectativa tão grande sobre o destino dos personagens de um drama. O final, me pareceu, foi dos mais satisfatórios, sem contradizer a trajetória natural dos personagens, e principalmente, sem ofender a inteligência do espectador. É claro que todos aqueles habituados às armadilhas dos dramas românticos coreanos podem se pegar torcendo para este ou aquele par romântico, mas, desejos pessoais à parte, é difícil alguém querer reclamar do belo e sensível desfecho de Discovery of Romance.


Você sabia que...

- Eric e Jeong Yoo-mi foram par romântico no drama Que Sera Sera (2007, MBC);

- A atriz Jeong Yoo-mi já havia trabalhado com a roteirista Jeong Hyeong-jeong, em I Need Romance 2 (na minha opinião, o mais fraco da trilogia), e o ator Sung Joon, em I Need Romance 3 (2013);

- Fazia três anos que o ator e cantor Eric não aparecia em dramas, desde o fracasso de Myung Wol the Spy;

- A Gentleman´s Dignity foi o primeiro drama da jovem atriz Yoon Jin-Yi, e a catapultou imediatamente ao estrelato.

26/09/2014

Shitsuren Chocolatier (drama, 2014)


País: Japão
Gênero: Romance
Duração: 11 episódios
Produção: Fuji TV
Música tema: Bittersweet (Arashi)

Direção: Matsuyama Hiroaki, Miyaki Shogo
Roteiro: Adachi Naoko, baseado no mangá de Mizushino Setona

Elenco: Matsumoto Jun, Ishihara Satomi, Mizukawa Asami, Mizuhara Kiko, Mizobata Junpei, Arimura Kasumi, Kato Shigeaki, Sato Ryuta, Koyurugi Naoto.

Resumo

Koyurugi Sota era um adolescente quando se apaixonou pela colega de escola, Takahashi Saeko. Rejeitado por Saeko no dia dos namorados, ele decide ir estudar confeitaria na França. O sonho de Sota é voltar ao Japão e conquistar o coração de Saeko com deliciosos chocolates, a maior paixão da garota.

Comentário

Matsumoto Jun (Hana Yori Dango, Lucky Seven) é Koyurugi Sota, o “chocolateiro de coração partido” de Shitsuren Chocolatier, drama cujo roteiro é baseado no mangá de mesmo título, de autoria de Mizushino Setona, publicado originalmente em 2008. Matsumoto (ator e membro da boy band Arashi) esbanja sensualidade neste drama que foge dos padrões de pudor e recato tradicionais dos doramas japoneses. Com ousadia incomum, o drama retrata de forma mais natural e realista a vida amorosa de jovens adultos japoneses. No mundo dos mangás os autores costumam ser mais explícitos e irreverentes, tanto na violência das estórias de ação, como nos temas românticos. E, felizmente, Shitsuren Chocolatier consegue transportar quase intacta - dos quadrinhos para a TV – esta estória de amor e paixão juvenil. E eu uso o termo juvenil porque, embora os personagens sejam adultos, ainda sofrem com a inexperiência no amor. Cada um dos personagens tem seus sonhos e expectativas sobre o amor, mas compartilham a insegurança e a falta de maturidade para lidar com o sexo oposto. “O amor é cego” poderia ser o subtítulo do drama, pois acompanhamos com crescente frustração a paixão obsessiva que Sota nutre pela inatingível Saeko (Ishihara Satomi, de Rich Man, Poor Woman). No entanto, mais do que amar sem entender o objeto do seu afeto, o que Sota precisa é conhecer a si mesmo. Os demais personagens vivem a mesma situação, todos perdidos de amor pela pessoa errada, ou pela pessoa certa, mas no momento errado. A lição principal que fica é que experiência e timing são duas coisas fundamentais para ter sucesso no amor – na verdade, são dois fatores que funcionam para quase tudo na vida.

Sem ter lido o mangá, deixei para ler as críticas apenas depois de ver todo o drama, e me surpreendi com alguns comentários negativos, especialmente com o desfecho da estória. Em primeiro lugar, certamente a decepção deve ter sido maior por parte do público adolescente, pois há pistas claras, desde o princípio, de que Shitsuren Chocolatier não é uma comédia romântica convencional. O tom agridoce, quase niilista que envolve as relações entre os personagens é constante, embora pontuado pelo bom humor característico dos quadrinhos japoneses. Feita a advertência, vale muito a pena acompanhar a bela jornada de amadurecimento emocional de Sota e seus amigos, e, de quebra, babar com a vontade de provar os chocolates maravilhosos da confeitaria Choco La Vie.
 
 

23/09/2014

Winter Sonata (drama, 2002)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama, romance
Duração: 20 episódios
Produção: KBS TV

Direção: Yoon Seok-ho, Lee Hyeong-min
Roteiro: Kim Eun-hee, Yoon Eun-kyung, Oh Soo-yeon

Elenco: Bae Yong-joon, Choi Ji-woo, Park Yong-ha, Park Sol-mi, Lee Hye-eun, Ryoo Seung-soo, Kim Hae-sook, Song Ok Sook, Jeong Dong-hwan, Park Hyeon-sook, Kwon Hae-hyo.


Resumo

Joon-sang se muda para o interior, em busca do pai que nunca conheceu, e passa a frequentar a escola secundária local. Yoo-jin fica interessada no novo colega, despertando o ciúmes de seu amigo de infância, Sang-hyeok . Yoo-jin e Joon-sang vivem seu primeiro amor adolescente, sem imaginar que o destino iria separá-los cruelmente. Dez anos depois, Yoo-jin conhece um homem chamado Lee Min-hyeong, que é simplesmente idêntico ao desaparecido Joon-sang, e as lembranças do passado voltam para confundir seu coração.

Comentário

Winter Sonata, é um clássico, e um marco na história da dramaturgia televisiva coreana. Este melodrama colocou no mapa mundial a TV sul coreana, e sua prolífica produção de séries, especialmente os dramas românticos. Havia (e ainda há, em parte) uma lacuna na programação televisiva ocidental de dramas voltados ao público feminino mais jovem, que não tem tempo ou paciência para acompanhar os longos e tortuosos enredos das novelas diárias. O formato dos dramas coreanos, ágil e compacto, é perfeito para uma audiência que está sempre em busca de novidades.

Winter Sonata, mais do que na própria Coréia, fez um sucesso absurdo no vizinho Japão. Daí ao drama ficar conhecido no resto da Ásia, foi um passo. Finalmente, com o fortalecimento da internet, Winter Sonata tornou-se referência mundial para qualquer pessoa interessada na cultura pop asiática. Posso falar, por experiência pessoal – foi entrando nos primeiros fóruns de internet que discutiam a cultura pop coreana que tomei conhecimento sobre o sucesso dos dramas coreanos (e japoneses) – e o título que se sobressaia nas conversas era sempre Winter Sonata. E as imagens românticas de um belo casal, em meio a uma paisagem coberta de neve, chamava a atenção e despertada imensa curiosidade sobre o drama. Na época era quase impossível ter acesso a dramas por streaming, e muito menos por download, e foi somente depois de ter assistido muitos dramas mais atuais, que pude matar a curiosidade e ver este clássico. Hoje talvez seja difícil entender por que Winter Sonata causou tanta comoção. Com um enredo ultramelodramático, repleto de clichês do gênero, Winter Sonata pode até não agradar ao público atual, embora ainda se produzam muitos dramas no mesmo formato. No entanto, Winter Sonata consegue preservar o charme e o encanto das grandes estórias de amor, graças a um casal inesquecível, Joo-sang e Yoo-jin.


Bae Yong-joon (como Kang Joon-sang/ Lee Min-hyeong) e Choi Ji-woo (como Jeong Yoo-jin) são como aqueles fenômenos astronômicos que acontecem uma vez a cada século, ou seja, uma coisa rara de se ver. Todo mundo sabe que não basta juntar um casal de atores bonitos e famosos, para que a mágica aconteça... O contrário é o mais provável de acontecer, como estamos cansados de ver. Mais do que a estória de um amor impossível, o que fascina o espectador é ver a aura romântica que envolve este casal. Obviamente, Bae Yong-joon e Choi Ji-woo são grandes atores, mas, com o passar dos anos, nenhum dos dois encontrou outro par tão perfeito, ao menos na ficção.

Quem apreciou melodramas românticos atuais como Missing You, Nice Guy, ou Scent of a Woman, certamente vai gostar de Winter Sonata. Apesar do ritmo mais lento e do excesso de clichês, típicos dos makjang (incesto, amnésia, coma, etc.), o drama tem aquela trama que tende a capturar a atenção do espectador até o último instante de cada episódio. Atualmente, o mais habitual é o roteiro de um drama estar a cargo de um único escritor, mas até pouco tempo atrás, era normal o trabalho em equipe. No caso de Winter Sonata, três roteiristas compartilharam os créditos sobre o roteiro do drama, o que, sinceramente, não parece ter contribuído especialmente para o desenvolvimento da trama. Entretanto, no geral, Kim Eun-hee e Yoon Eun-kyung tem formado uma dupla de sucesso duradouro, com títulos bem conhecidos: Scent of Summer, Little Bride, The Snow Queen, When It´s At Night, My Fair Lady, The Prime Minister and I. Oh Soo-yeon também se especializou em dramas românticos, sendo conhecida por títulos marcantes como Star´s Lover (outra parceria com a atriz Choi Ji-woo), ou o mais recente Love Rain. Contraditoriamente, a direção, na mão de dois veteranos, Yoon Seok-ho (Love Rain) e Lee Hyeong-min (Bad Man) talvez seja o ponto mais fraco desta produção. A direção é burocrática e pouco original e está pontuada por constrangedores ângulos que deixam aparecer os microfones aéreos (fato que acontece não uma, mas incontáveis vezes).

Choi Ji-woo começou a atuar 18 anos atrás (1996), e vem construindo uma carreira de sucesso, tanto comercial quanto de crítica. Choi Ji-woo protagonizou muitos melodramas, como a mocinha frágil e romântica, mas com a maturidade pessoal vieram papéis mais desafiadores. Hoje a atriz é mais conhecida por personagens marcantes e de personalidade forte, como nos dramas Can´t Lose, The Suspicious Housekeeper, ou Temptation. Sua carreira no cinema também é considerável (10 filmes, até 2014), embora não tão regular – seu último trabalho no cinema foi no filme The Actresses, de 2009.

Agora, não seria um exagero afirmar que o verdadeiro sucesso de Winter Sonata é devido ao ator Bae Yong-joon, e ao mito criado em torno de seu nome. O fanatismo gerado por este drama no Japão foi tão grande que gera frutos ao elenco até hoje. De transportar o drama para o formato anime, a endeusar o ator Bae Yong-joon, transformando-o em uma supercelebridade, os japoneses incorporaram o drama como um produto próprio. Paradoxalmente, Winter Sonata parece ter congelado Bae Yong-joon no tempo, já que o ator pouco fez de importante desde então, ao menos como ator. Ele parece ter se contentado em viver dos louros do sucesso como Kang Joon-sang , o grande herói romântico do início do século XXI. É uma pena, ao menos para os fãs, já que Bae Yong-joon é um grande ator, com um carisma pouco visto na geração atual de artistas. Basta ver sua atuação magnífica no filme April Snow, para comprovar os fatos. Aliás, eu preferia vê-lo de volta aos cinemas, do que em dramas – e a esperança é a última que morre, não é mesmo?


O elenco de apoio de Winter Sonata é excelente, e composto por rostos muito conhecidos, como Song Ok Sook (a pianista Kang Mi-hee, mãe de Joon-sang) vista em dezenas de dramas (Brain, Big Man, Fated to Love You), Kim Hae-sook (Hotel King), como a mãe de Yoo-jin, Jeong Dong-hwan (The Heirs), como o pai de Sang-hyeok, Ryoo Seung-soo (Lie To Me), como Kwon Yong-gook, e, finalmente o saudoso Park Yong-ha (On Air), como Kim Sang-hyeok.

O amor de Joong-sang e Yoo-jin é embalado por uma trilha sonora que também ficou para a história - “My Memory”, “From Beginning to End” e “Only You”, todas na voz aveludada do cantor Ryu.

16/09/2014

Catch Me/Steal My Heart (filme, 2013)


País: Coréia do Sul
Gênero: comédia romântica
Duração: 115 min.

Direção: Lee Hyeon-jong
Roteiro: Kim Choong-ryeol, Lee Gyoo-bok

Elenco: Kim Ah-joong, Joo Won, Joo Jin-mo-I, Baek Do-bin, Bae Seong-woo, Park Cheol-min, Cha Tae-hyeon.

Resumo

Lee Ho-tae era um estudante universitário quando conheceu e se apaixonou por Yoon Jin-sook. Certo dia, Jin-sook desapareceu sem deixar pistas. Dez anos se passaram e Ho-tae, agora um detetive de polícia, reencontra Jin-sook, em meio a uma investigação, e descobre que ela é uma ladra de longa data... E continua tão adorável quanto nos tempos de juventude.

Comentário

Catch Me tinha ao menos três motivos para ser um grande filme: um diretor talentoso, Lee Hyeon-jong (além de cineasta, músico, ator e roteirista), um roteirista fantástico, Lee Gyoo-bok (roteirista de Going by the Book, uma comédia que adoro) e um casal de atores dos mais charmosos, Joo Won e Kim Ah-joong. O resultado é uma comédia romântica divertida, mas nada memorável. Kim Ah-joong é uma atriz de carreira curta, mas sólida, tanto no cinema (200 Pounds Beauty) quanto na TV (Sign), e que sempre teve uma ótima interação com os atores com quem contracenou. Por isso mesmo, minha expectativa era grande em ver se sua química com Joo Won seria tão explosiva quanto à que teve com Ji Seong, no filme My P.S. Partner. Infelizmente, não foi o caso, não tanto por culpa dos atores, mas acho que mais por uma opção de diretor e roteirista, que não quiseram aproveitar a sensualidade natural de Kim Ah-joong, e o charme juvenil de Joo Won. O romance entre o casal acaba passando, mesmo que involuntariamente, uma vibração “noona-donsaeng”. Agora, se Catch Me deixa um pouco a desejar no lado romântico, como comédia tem pontos muito positivos. Se Kim Ah-joong já provou sua versatilidade como atriz, é Joo Won (Good Doctor) que demonstra neste filme um talento inquestionável para a comédia. Inclusive acho que, nas mãos de um diretor mais experiente, Joo Won poderia ter se soltado mais no papel do policial geek Lee Ho-tae.

Lee Ho-tae é um detetive de polícia especializado em fazer perfis psicológicos de criminosos perigosos. Apesar do sucesso na carreira, Lee Ho-tae é um rapaz tímido e introspectivo. Na juventude ele gostava de desenhar, e frequentava uma faculdade de artes plásticas. Isso até conhecer Yoon Jin-sook, uma garota muito bonita, mas um tanto misteriosa. Os dois namoraram por um tempo, até Jin-sook desaparecer estranhamente, sem deixar rastro. Lee Ho-tae nunca conseguiu esquecer seu primeiro amor, e resolveu tornar-se policial, influenciado pelo desaparecimento de Jin-sook. Anos depois, perseguindo um assassino em série, ele acaba reencontrando Jin-sook, e se dá conta imediatamente, que a chama do amor não se apagou. A jovem também parece sentir sua falta, o que deixa Ho-tae muito feliz, mas tudo se complica quando ele descobre o que ela faz para viver... Agora Lee Ho-tae tem de decidir entre o dever de policial, e o amor pela irresistível contraventora Yoo Jin-sook.

Catch Me não é um filme muito agradável, que não vai desagradar quem procura uma comédia leve, com um pouco de romance, e umas boas risadas. Enfim, um “must see” para as fãs do gatíssimo Joo Won.

09/09/2014

The Face Reader (filme, 2013)


País: Coréia do Sul
Gênero: épico, drama
Duração: 139 min.

Direção: Han Jae-rim
Roteiro: Kim Dong-hyeok

Elenco: Song Kang-ho, Lee Jeong-jae, Baek Yoon-sik, Jo Jeong-seok, Lee Jong-suk, Kim Hye-soo, Kim Tae-woo, Chae Sang-woo.

Resumo

Em um período politicamente atribulado da Era Joseon, Nae-kyung é um intelectual que fica famoso por sua habilidade em ler a sorte no rosto das pessoas. Contratado pelo rei Moonjong para descobrir o mandante de um assassinato na corte, ele passa a ser temido e odiado por muitos nobres. A partir daí, Nae-kyung enfrentará as consequências de ser testemunha direta na luta pelo poder em seu país.

Comentário

No gênero épico, The Face Reader foi a terceira maior bilheteria da história na Coréia, ao menos até a metade de 2014. Não é difícil entender o motivo do sucesso do filme, pois sua produção obviamente almejou um público mais jovem, mais afeito ao cinema de puro entretenimento. The Face Reader é um filme que pode agradar até mesmo ao público que não costuma ver filmes épicos, por vários motivos... A combinação de caras famosas, como Song Kang-ho, Lee Jeong-jae e Lee Jong-suk, e uma trama que mistura aventura, com pitadas de sátira e, é claro, um clássico final dramático, resulta em um filme, se não essencial, muito agradável de assistir.

O roteiro, obviamente, faz muitas concessões à história real do trágico destino do rei Sejo, no ano 1455 da Era Joseon. No entanto, a mensagem que fica é verdadeira, pois a riqueza, a sabedoria e o poder eram bens dos quais apenas uma pequena elite poderia desfrutar. E imagine um homem que possua, além da sabedoria dos livros, o poder de ler o passado e o futuro no rosto de qualquer pessoa – este homem certamente é o mais perigoso de todos...


Song Kang-Ho (em seu primeiro papel em um filme épico) é Nae-Kyung, um intelectual que foi exilado e leva uma vida de extrema pobreza junto ao cunhado Paeng-Hun (Jo Jeong-seok) e o filho Jin-Hyeong (Lee Jong-Suk). Nae-Kyung usa suas habilidades de leitura fisionômica para ganhar uns trocados, mas seu filho, que sonha com uma vida mais digna, não aprova as atividades do pai. Jin-Hyeong, contra a vontade do pai, mas com a ajuda escondida do tio Paeng-Hun resolve partir para a capital, para tentar a carreira no funcionalismo público.

Como vidente, Nae-Kyung não é um mero farsante – ele é capaz de desvendar o perfil psicológico completo de uma pessoa, apenas estudando suas expressões faciais. E estudando a personalidade do sujeito, ele consegue aferir seus atos passados e futuros. As habilidades de Nae-Kyung não passam despercebidas à poderosa gisaeng Yeon-Hong (Kim Hye-Soo). A cafetina visita Nae-Kyung e o convida a trabalhar para ela em Hanyang (a antiga Seul). Assim, Nae-Kyung e o cunhado Paeng-Hun partem para a capital, na esperança de ganhar muito dinheiro. E realmente, em pouco tempo a fama de Nae-Kyung se espalha pela cidade, e formam-se filas em frente ao estabelecimento de Yeon-Hong, para consultas sobre o futuro com o leitor de faces. Só que a verdadeira intenção de Yeon-Hong é explorar o talento de Nae-Kyung e lucrar sozinha com a clientela. Enquanto isso, Kim Jong-Seo (Baek Yoon-Sik), o ministro mais poderoso do governo, resolve contratar Nae-Kyung para trabalhar na seleção dos candidatos a cargos públicos. A sorte de Nae-Kyung parece finalmente mudar para melhor, mas a proximidade com o poder traz mais riscos do que benefícios a ele e seus familiares.


The Face Reader tem um enredo divertido, repleto de suspense e aventura, mas o destaque maior vai para o elenco. Han Jae-rim (diretor e roteirista) não se sobressai especialmente como cineasta, mas é impecável na condução do elenco. É claro que tudo fica mais fácil quando se trabalha com atores do calibre de Song Kang-ho (Snowpiercer, The Host), ou Lee Jeong-jae (The Thieves, Il Mare). O ator Song Kang-ho está fantástico, como sempre, e é incrível que, com uma carreira artística tão longa e variada, este seja seu primeiro papel em um drama épico. Fora Song Kang-ho, os atores que mais me impressionaram com suas atuações potentes foram Jo Jeong-seok e Lee Jeong-jae. O belo e usualmente suave Lee Jeong-jae transforma seu personagem, o Príncipe Su Yang, em uma figura que transpira maldade por todos os poros, mas sem cair no caricato. Grande ator! (e gatíssimo, fazer o que?). Agora, quem rouba a cena mesmo é outro lindão, o ator Jo Jeong-seok, mais conhecido por seus papéis românticos em dramas como King 2 Heart, ou You Are the Best Lee Soon-shin. Este ator me impressionou desde a primeira vez que o vi, em um papel secundário, no filme Architecture 101. No papel do simplório Paeng-heon ele parece muito mais velho e experiente do que é na verdade como ator. Um talento natural, que já recebeu muitos prêmios, e certamente muitos outros virão... Aliás, ao acompanhar a carreira de certos atores apenas na TV, nos desacostumamos a vê-los em papéis mais desafiadores. Mas, contraditoriamente, Lee Jong-suk, que vem se destacando nos dramas, decepciona um pouco no papel de Jin-hyeong. Se eu estivesse vendo Lee Jong-suk pela primeira vez, diria que ele é um belo rapaz, e um ator mediano. Mas, o fato é que Lee Jong-suk é um ator talentosíssimo, que terá muitas oportunidades de brilhar tanto no cinema quanto já brilha na TV. E um filme com ele que já está dando o que falar é Hot Young Bloods, em que contracena com Park Bo-young. Certamente veremos e comentaremos esta futura estreia.

Falta destacar a participação mais do que especial de Kim Tae-woo, como o Rei Munjong (visto recentemente no drama God´s Gift, como o marido de Lee Bo-young), de Chae Sang-woo (The Suspicious Housekeeper), como o príncipe herdeiro Danjong, e da atriz Kim Hye-soo, como a gisaeng Yeon-hong, todos complementando muito bem o elenco deste ótimo filme. Imperdível!

02/09/2014

Plus Nine Boys (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama, comédia, romance
Duração: 16 episódios
Produção: tvN

Direção: Yoo Hak-chan
Roteiro: Park Yoo-mi-I

Elenco: Kim Yeong-kwang, Oh Jeong-se, Yook Seong-jae, Choi Ro-woon, Kyeong Soo-jin, Kim Mi-kyung, You Dal-In, Kim Hyung-joon, Park Cho-rong, Minha, Lee Chae-mi, Kim Gang-hyun, Kim Won-hae.

Resumo

Quatro rapazes de uma mesma família, com idades que vão dos 9 aos 39 enfrentam uma espécie de “inferno astral”, e terão que refazer suas vidas para superar esta má fase e reencontrar a felicidade.

Comentário

Plus Nine Boys é mais um ótimo drama da tvN, que vem se destacando pela qualidade acima da média de suas produções. O que mais me agrada nos dramas da tvN é o casting, que costuma dar oportunidade a atores bons, mas não tão conhecidos, de assumir papéis principais. Plus Nine Boys conta sim com atores bem conhecidos do público, como Oh Jeong-se (A New Leaf, Miss Korea), Kim Mi-kyung (It´s Ok, That´s Love, Heirs) e Kim Yeong-kwang (Good Doctor), e outros nem tanto, como Yook Seong-jae (Reply 1994) e Kyeong Soo-jin (Secret Love Affair). Felizmente a produção conseguiu formar um grupo harmônico e, além do mais, é agradável ver caras novas para variar... E depois da surpresa deliciosa que foi King of High School, eu jamais poderia imaginar que a tvN conseguiria lançar outro drama tão divertido no mesmo ano. Plus Nine Boys opta por um humor inspirado nas situações cotidianas dos personagens – e os personagens deste drama estão destinados a se envolver em muitas confusões, graças a uma suposta maldição familiar. Mas não nos sentamos apenas rindo da desgraça alheia, pois quanto mais conhecemos os personagens, mais nos compadecemos e solidarizamos com eles.

A estória começa com a matriarca Koo Bok-ja (Kim Mi-kyung) consultando um xamã, em busca de um amuleto que proteja sua família de uma suposta “maldição dos nove”. Segundo sua crença, a cada nove anos de vida, os familiares correm o risco de ser atingidos por algum tipo de tragédia pessoal. E o pior, a senhora Koo entra em pânico ao perceber que os quatro homens da família estão passando por esta ‘fase’ perigosa. Naturalmente, os rapazes não prestam atenção aos presságios da senhora Koo, até que seja tarde demais... E, coitados, a maldição atinge os quatro rapazes em cheio! É claro que a estória da maldição não passa de uma metáfora para aqueles momentos difíceis, ou mesmo trágicos que enfrentamos na vida, mas que precisam ser superados, da melhor forma possível. Sendo assim, se foi sadicamente divertido ver os rapazes caírem em desgraça, mais interessante será vê-los dar a volta por cima...

A supersticiosa senhora Koo tem três filhos: Kang Jin-goo, o mais velho, de 29 anos, o do meio, Kang Min-goo , de 19, e Kang Dong-goo, o caçula, de nove anos. O tio dos meninos se chama Goo Gwan-soo, e é um solteirão de 39 anos.

Embora a trama se divida entre estes quatro homens, pode-se dizer que o personagem central é Kang Jin-goo (Kim Yeong-kwang), um rapaz simpático e atraente, que vive cercado de garotas, embora só tenha olhos para a amiga e colega de trabalho, Ma Se-young (Kyeong Soo-jin). Jin-goo e Se-young são colegas em uma agência de turismo e passam boa parte do dia juntos no trabalho. Jin-goo gosta de insinuar-se para a colega, que procura ignorá-lo, por achar o rapaz muito mulherengo.

Kang Min-goo (Yook Seong-jae, membro da boy band BTOB) é estudante do secundário e atleta do time de Judô da escola. Sua autoconfiança e vaidade parecem inabaláveis, até a maldição cair sobre sua cabeça, da forma mais vexatória possível... Pelo menos, neste meio tempo, ele descobre o amor – só não sabemos ainda se a garota irá retribuir seus sentimentos.

Kang Dong-goo (Choi Ro-woon, de I Need Romance 3) se autointitula “celebridade”, do alto de seus nove aninhos. Dong-goo tem no currículo de ator mirim um filme e muitos comerciais de TV, trabalhos que o tornaram nacionalmente famoso. Ele tem até uma namoradinha, Baek-ji (Lee Chae Mi, de Two Weeks). O problema é que Dong-goo está passando da fase de bebê fofinho, para a de garotinho normal, e sua carreira artística pode encerrar-se bruscamente (é hilária a cena em que comparam o menino a Macaulay Culkin).

Finalmente, temos Goo Gwan-soo (Oh Jeong-se), tio dos meninos, produtor de um programa musical na TV, e solteirão convicto. Ao menos profissionalmente tudo vai bem na vida de Gwan-soo, até ocorrer um incidente bizarro durante uma apresentação ao vivo de uma banda de rock. Gwan-soo é responsabilizado pelo deslize e transferido para um programa de variedades que ninguém assiste. Convencido pelo amigo Young-hoon, ele liga para uma tele-vidente (esta família parece não conseguir se livrar da superstição!) que o aconselha a procurar uma de suas ex-namoradas, para reencontrar o amor.

Se Plus Nine Boys seguir tão bem como nos dois primeiros episódios, tem tudo para ser mais um hit da tvN. É diversão garantida para os fãs dos bons dramas coreanos!
 

31/08/2014

Very Ordinary Couple (filme, 2013)


País: Coréia do Sul
Gênero: romance, drama
Duração: 112 min.

Direção e Roteiro: Roh Deok

Elenco: Lee Min-ki, Kim Min-hee, Choi Moo-seong, Ra Mi-ran, Kim Kang-hyeon, Ha Yeon-soo, Park Byeong-eun.

Resumo

Young e Dong-hee rompem após três anos de namoro, mas têm de continuar a se encontrar diariamente no banco onde trabalham. E quando os dois partem para novos relacionamentos amorosos, o ciúme e a mágoa afloram de ambos os lados.

Comentário

Very Ordinary Couple (ou Degree of Love, ou The Temperature of Romance) é uma produção independente, com direção e roteiro da jovem Roh Deok (Save the Green Planet). O filme teve uma ótima receptividade entre o público de cinema coreano, apesar de não trazer nada de novo ao gênero. Talvez a simpatia despertada sobre Very Ordinary Couple se deva à escassez de filmes que abordem temas românticos de forma mais séria e realista – mas a presença do casal de atores Kim Min-hee e Lee Min-ki certamente contribuiu para o sucesso do filme.

Com ar semidocumental, o filme acompanha a estória de um casal, do momento em que já estão separados, após três anos de namoro, a um recomeço, com mais dúvidas do que esperanças sobre um futuro feliz.

Young (Kim Min-hee) e Dong-hee (Lee Min-ki) namoraram por três anos, romperam, e agora tentam seguir com suas vidas. Acontece que os dois trabalham no mesmo setor de um banco, e a convivência diária é inevitável. Eles fingem não se importar com a vida pessoal um do outro, mas logo surgem as crises de ciúme, de ambos os lados. Young e Dong-hee começam a questionar-se se a brusca separação foi um erro, e resolvem dar uma segunda chance ao amor.

Kim Min-hee (Hellcats, No Tears for the Dead) e Lee Min-ki (Dalja´s Spring, Chilling Romance) são bons atores, e interpretam o casal Young e Dong-hee com segurança e naturalidade. Young é o lado pensante do casal, é ela que está sempre questionando e cobrando mais da relação com o namorado. Dong-hee, por outro lado, parece mais conformado com a rotina, sem analisar demais os próprios sentimentos, e muito menos os da parceira. No entanto, contraditoriamente, é esta impulsividade e ingenuidade que torna Dong-hee um personagem simpático, mesmo para o público feminino (e não porque Lee Min-ki é absurdamente sexy).

O filme faz muitos questionamentos pertinentes sobre o amor, e todas as expectativas que carregamos dentro de nós, e acabamos despejando sobre nossos parceiros. Young e Dong-hee não encontram grandes motivos para a separação, mas será que há uma razão para estarem juntos? É um tanto perturbador, especialmente para quem é muito jovem, ou inexperiente, encarar o amor não como um conto de fadas, mas como um sentimento complexo, muitas vezes difícil de ser definido. Very Ordinary Couple não trata o amor com amargura ou ressentimento, mas simplesmente com realismo, e até mesmo com certo conformismo. E talvez seja este conformismo que subtraia um pouco da emoção que deveríamos ver crescer ao longo do filme.

Mesmo assim, Very Ordinary Couple é o tipo de filme que é interessante por provocar aquele efeito retardatário, de lembrar muitas vezes de certos diálogos, ou situações, e que nos fazem pensar como estes personagens refletem muito do que somos e experimentamos ao longo da vida...
 

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