2 de jul de 2018

My Husband Oh Jak-doo (drama, 2018)




País: Coréia do Sul
Gênero: Romance
Duração: 24 episódios
Produção: MBC TV
Direção: Baek Ho-min
Roteiro: Yoo Yoon-kyung

Elenco: Uee, Kim Kang-woo, Jung Sang-hoon, Han Sun-hwa

Resumo

Uma produtora de TV sobe uma montanha para filmar um documentário e volta casada com um caipira que irá mudar seus conceitos de vida.

Comentário

Uma comédia romântica adulta como há muito eu não via, que reflete com seriedade, ainda que sem perder o bom humor, sobre as alegrias e tristezas da vida em casal.

Quando foi anunciado o elenco do drama, fiquei chateada por meu querido Kim Kang-woo, grande ator, ter como par romântico a ex-cantora pop Uee, cuja fama está muito acima de suas atuações irregulares. Felizmente meu temor foi afastado já no primeiro episódio, ao ver que eles formavam um casal simplesmente encantador. Se Uee e Kim Kang-woo formam um casal tão improvável quanto o da ficção, é visível seu prazer em interpretar os personagens, e viver intensamente esta bonita estória de amor.

Han Seung-joo (Uee, High Society, Manhole) é uma produtora de programas de variedade para a TV, mas seu sonho é ser uma respeitada documentarista. Quando surge a proposta de trabalhar em um documentário sobre um artesão que vive isolado no interior, ela agarra a oportunidade com unhas e dentes. Han Seung-joo trabalha incansavelmente desde muito jovem, e com muito sacrifício pagou seus estudos e comprou sua casa. Ela nunca pôde depender da mãe viúva e do irmão mais jovem, muito pelo contrário, os dois se aproveitam sem vergonha de suas economias. Apesar de seu espírito independente, Seung-joo sente certa inveja de suas duas melhores amigas, ambas casadas, por terem apoio financeiro e emocional de seus maridos nos momentos difíceis. Quando Seung-joo começa a receber ameaças de morte e a ser perseguida por um estranho, ela entra em pânico, mas não tem a quem a proteja do perigo.

Oh Hyuk aprendeu com o avô a produzir artesanalmente o Gayageum, um instrumento musical de cordas típico de seu país. Os gayageum fabricados por Oh Hyuk, que levam o selo de qualidade de seu avô são tão apreciados quanto cobiçados pelos músicos do país. Uma das poucas instrumentistas a ter o privilégio de tocar um gayageum fabricado por Oh Hyuk é Jang Eu-jo (Han Sun-hwa, Radiant Office), que foi seu primeiro amor de infância. Com a morte do avô, Oh Hyuk isolou-se do mundo e nunca mais foi visto em pessoa.
Tendo em mãos apenas o endereço do vilarejo mais próximo de onde o recluso artesão estaria vivendo, Han Seung-joo tenta encontrá-lo para poder produzir o documentário de seus sonhos. Ao subir a montanha, ela encontra apenas uma cabana rústica, e seu morador, Oh Jak-doo (Kim Kang-woo, de Goodbye Mr. Black, Marriage Blue), um caipira que vive de colher ervas nativas, que vende no mercado público local. Decepcionada, ela volta a Seul, tentando planejar uma nova estratégia para encontrar Oh Hyuk. Quando Seung-joo reencontra por acaso o caipira Oh Jak-doo, convence o rapaz a forjar um casamento e ir morar com ela para protegê-la do suspeito que a está ameaçando. Uma relação que começa com um contrato formal acaba se transformando em uma extraordinária estória de amor.

A roteirista Yoo Yoon-kyung (Mama, My Bittersweet Life), famosa por seus melodramas lacrimosos, em My Husband Oh Jak-doo revela seu talento para a comédia, com diálogos sensíveis, inteligentes e personagens bem desenvolvidos emocionalmente. Se há uma coisa frustrante são os dramas em que o casal protagonista não conversa, ficando no flerte vazio e na provocação. O que mais me agradou neste drama foi exatamente não só a quantidade como o conteúdo do diálogo entre os protagonistas. Han Seung-joo e Oh Jak-doo tem um interesse e uma curiosidade verdadeiros sobre os sentimentos e desejos um do outro, e é um verdadeiro bálsamo ouvir suas confidências de amor. My Husband Oh Jak-doo nos ensina o quão importante é o respeito e a cumplicidade para que um relacionamento seja satisfatório e duradouro.

Enfim, um belo drama, que, é verdade, ganharia em dinamismo com menos episódios (16 a 20 bastariam), e uma direção menos burocrática. Mas com personagens secundários muito simpáticos, - as queridas amigas de Han Seung-joo, as divertidíssimas ‘tias’ de Oh Jak-doo e o CEO Eric Jo (Jung Sang-hoon, que rouba a cena), - e um casal protagonista adorável, My Husband Oh Jak-doo é, sem dúvida, uma das melhores produções do ano.

14 de jun de 2018

Live (drama, 2018)




País: Coréia do Sul
Gênero: Policial, Drama
Duração: 18 episódios
Produção: tvN

Direção: Kim Kyu-tae
Roteiro: No Hee-kyung

Elenco: Jung Yu-mi, Lee Kwang-soo, Bae Sung-woo, Bae Jong-ok, Sung Dong-il, Jang Hyun-sung, Lee Eol, Lee Joo-young, Shin Dong-wook, Lee Si-um, Lee Soon-jae, Yum Hye-ran

Resumo

Live acompanha a rotina de um grupo de novatos em uma delegacia de polícia de Seul, enquanto aprendem a valorizar seu papel de guardiões da ordem social.

Comentário

No Hee-kyung (It´s Ok, This is Love, That Winter, The Wind Blows, Padam Padam, Worlds Within...) é uma roteirista que não costuma fazer concessões a temas amenos, e muito menos a sentimentos baratos, e, talvez por isso mesmo, é tão respeitada entre diretores, atores, e fãs de dramas com conteúdo.  Se as estórias da escritora emocionam, enquanto fazem o espectador refletir sobre a vida, também é verdade que é impossível sair de coração leve ao assistir qualquer um de seus dramas.

Apesar de escolher cenários diferentes para cada drama, um sentimento comum prevalece em suas estórias, o da luta do cidadão para sobreviver em uma sociedade que cobra muito e oferece pouco em troca. E em Live ela dispara com toda a carga, e em todas as direções... Live é um retrato nada bonito dos vícios do poder, do preconceito de classe, e da violência brutal contra mulheres e crianças. Decepciona um pouco ver uma sociedade tão elogiada por seus altos índices de escolaridade e avanços tecnológicos, carregar uma herança maldita que parece vir dos tempos de reinados cruéis e escravagistas.

Como acontece em muitos países, quando os jovens se veem afastados de perspectivas profissionais brilhantes, a solução é tentar a carreira pública. E é o que acontece com Han Jung-o e Yeom Sang-soo, que compartilham um passado de sacrifícios pessoais, até se encontrarem na academia de polícia. Após um treinamento militar estressante, eles são designados à mesma delegacia, em um bairro com altos índices de ocorrências policiais.

Han Jung-o (Jung Yu-mi, de Train to Busan) e Song Hye-ri (Lee Joo-young, de Believer) são as únicas mulheres na delegacia, mas nem por isso recebem tratamento diferenciado. Elas alugam um apartamento no piso superior da casa do colega recruta Yeom Sang-soo (Lee Kwang-soo, de It´s Ok, This is Love), que mora com a mãe (Yum Hye-ran, de Lawless Lawyer). Apesar da amizade sincera do trio, a competitividade é grande, já que os bons resultados geram pontos, enquanto que os fracassos podem levar à expulsão da polícia.

Han Jung-o é uma jovem que esconde seus sentimentos por detrás de uma fachada de serenidade e pragmatismo. Mas sua maturidade surgiu à custa do convívio com a mãe, que a criou sozinha, dominada por ataques de síndrome do pânico, cobrando da filha mais do que ela talvez possa alcançar na vida. Han Jung-o sente-se atraída por um de seus superiores, o oficial Choi Myung-ho (Shin Dong-wook, Lookout, Soul Mate), não só por sua beleza e carisma, mas especialmente por sua ética profissional. Confesso que me senti traída pela expectativa de ver Shin Dong-wook em um papel mais destacado em um drama, - infelizmente, não foi desta vez. O triângulo amoroso entre Yeom Sang-soo, Han Jung-o e Choi Myung-ho, a princípio divertido, torna-se o ponto menos interessante da trama. O problema é que o caráter egocêntrico dos recrutas torna seus dramas pessoais muito menos interessantes que os de seus superiores.

Sang-soo tem uma personalidade difícil, e sua resistência em aceitar as críticas dos superiores torna seu trabalho muito mais difícil. Ele fica ainda mais nervoso quando Oh Yang-chon, o instrutor mais detestado da academia é transferido para a delegacia. Até dá para entender o desespero de Yeom Sang-soo em sair-se bem na carreira policial, depois de tantas decepções em trabalhos anteriores, mas sua coragem cega expõe a ele e aos colegas a situações cada vez mais arriscadas. Este lado autocentrado, egoísta mesmo dos personagens mais jovens me fez perder o interesse por seu destino na estória.

Oh Yang-chon (Bae Sung-woo) é um detetive de polícia incansável, mas sua dedicação é premiada com uma punição severa, quando ele se envolve em uma investigação não autorizada. Rebaixado a policial fardado, ele não tem uma recepção das mais calorosas ao chegar à delegacia de bairro. O delegado Ki Han-sol (Sung Dong-il, de It´s Ok, This is Love, Answer Me 1988), velho conhecido do detetive tenta acalmar os ânimos, mas não é fácil conter a frustração de Yang-chon, e o desprezo dos oficiais mais jovens. Para piorar, o sub delegado Eun Kyung-mo (Jang Hyun-sung, Man to Man), curte uma paixão antiga pela esposa de Yang-chon, An Jang-mi. An Jang-mi (Bae Jong-ok, Bubblegum), chefe de investigação de crimes violentos, profissional competente, mãe de um casal de adolescentes, se desdobra para resolver os problemas de trabalho e família. Cansada da falta de envolvimento do marido na rotina familiar, ela resolve pedir o divórcio. Oh Yang-chon não quer se separar, mas é forçado a sair de casa e vai morar com o pai (Lee Soon-jae, Money Flower). Yang-chon não perdoa o pai por seu passado de alcoolismo, quando costumava espancar mulher e filho. Idoso, o pai de Yang-chon cuida da esposa hospitalizada em estado vegetativo há anos. Por ironia do destino, ambos os pais da nora, An Jang-mi, encontram-se internados, inconscientes, no mesmo hospital. Apesar de tantas tragédias pessoais, são os oficiais mais velhos que nos presenteiam tanto com os necessários momentos de alívio cômico, como com belas lições de vida. Ainda mais, as atuações destes atores veteranos valorizam enormemente o texto do drama. Depois de assistir a atuação excepcional de Bae Sung-woo (The King, The Swindlers) é difícil de acreditar que este ator experiente tenha sido relegado a papeis secundários, apesar de sua carreira sólida no cinema. Carismático, com um charme bruto, mas cheio de humor cínico, Bae Sung-woo encontrou seu lugar merecido como protagonista, no papel do detetive de polícia Oh Yang-chon. É muito divertido acompanhar a relação complicada do casal Yang-chon e Jang-mi, e aprender que nunca é tarde para evoluir e amadurecer, como pais, filhos, marido e mulher.

Outro personagem que me comoveu profundamente foi Lee Sam-bo, um oficial às vésperas da aposentadoria, que ganha aos poucos o respeito de sua pupila, Song Hye-ri. Uma interpretação louvável de Lee Eol (Insadong Scandal), um ator que andava meio esquecido, e que torço para ver mais vezes no futuro.

Live tem mais o sentido de “subsistir”, do que de “viver”, ou talvez fosse mais apropriado o título “sobreviver” para este drama, que retrata de forma tão amarga as mazelas da sociedade coreana. Se o argumento da roteirista é fiel à realidade, os membros da polícia coreana são grandes heróis, mesmo que acidentais, que recebem um salário miserável, são exigidos ao máximo, mas pouco respeitados pela sociedade, enquanto arriscam a vida a cada dia... Uma realidade que está bem mais próxima do que gostaríamos, de nosso próprio país.

30 de mai de 2018

You Drive Me Crazy (drama, 2018)




País: Coréia do Sul
Gênero: comédia romântica
Duração: 128 min. (4 episódios)
Produção: MBC TV

Direção: Hyeon Sol-Ip
Roteiro: Park Mi-ryung

Elenco: Lee Yoo-young, Kim Seon-ho, Sung Joo, Kwon Do-woon, Park Hyo-joo, Ryoo Hye-rin.

Resumo

Um casal ensaia o início de uma relação amorosa, mas corre o risco de arruinar uma sólida amizade de oito anos.

Comentário

Se You Drive Me Crazy fosse um filme, eu teria saído muito satisfeita da sala de cinema, - ainda mais que cada vez é mais raro ver uma comédia romântica que respeite a inteligência do espectador.

Park Mi-ryung (roteirista novata) deixa uma ótima impressão em seu primeiro trabalho conhecido na TV, com personagens com os quais qualquer pessoa, que tenha estado num relacionamento romântico, pode se reconhecer.

Han Eun-seong e Kim Rae-wan são amigos há oito anos, desde os tempos de estudantes universitários. Rae-wan é um artista plástico que desfruta de um prestígio profissional invejável, e, como se não bastasse, mora em uma maravilhosa residência tradicional coreana, herança de família. Eun-seong é uma tradutora de francês que trabalha como freelancer, - infelizmente sua competência ainda não lhe garantiu a tão desejada estabilidade profissional. E sua ‘instabilidade’ financeira se espelha em seus relacionamentos pessoais, tão caóticos quanto intensos. Por sorte ela pode contar com o ombro amigo de Rae-wan, que, por sua parte, não é fã de romances duradouros.

Eun-seong sente-se confortável em invadir o espaço do amigo quando lhe apetece, o que parece acontecer com frequência. No entanto, quando Eun-seong chega sem aviso à casa de Rae-wan para passar uns dias, o rapaz parece estranhamente incomodado com a situação. Aos poucos percebemos o motivo do estranhamento entre os velhos amigos. Após uma noite de bebedeira (resultado de mais um fim de namoro de Eun-seong), os amigos dormem juntos e, no dia seguinte, fingem que nada de mais aconteceu.

Eun-seong tem a ilusão de restaurar a relação celibatária com o amigo, mas o fato é que os sentimentos do rapaz por ela são mais profundos do que ela poderia imaginar. Eun-seong e Rae-wan vivem o maior dilema de suas vidas, - abandonar o conforto e segurança de uma sólida amizade para viver um grande amor, mesmo arriscando ficar sem uma coisa nem outra.

Lee Yoo-young, uma espécie de princesa do cinema independente, aprendeu muito bem o valor de uma atuação naturalista, e trouxe um frescor mais do que bem vindo aos dramas. E ela impressionou o público de cara, com sua atuação marcante no drama de ficção Tunnel (OCN, 2017), onde interpretava uma misteriosa professora especialista em perfis de assassinos em série. Já em You Drive Me Crazy ela revela seu talento para a comédia e garante sua posição de protagonista absoluta na TV.

Lee Yoo-young ilumina a telinha com seu charme, cantando em francês, seduzindo Kim Seon-ho e depois enfurecendo o rapaz ao vestir sua camisa de estimação da banda Sepultura (sim, o grupo brasileiro), ou inspirando Sung Joo (The Liar and His Lover, membro do grupo pop UNIQ) a compor uma linda balada romântica...

E não poderiam ter escolhido parceiro melhor para ela do que Kim Seon-ho, um ator relativamente novato, mas que se tornou tão querido e familiar ao público dos dramas em menos de dois anos. Kim Seon-ho já provou duas coisas muito importantes como ator: o talento para a comédia, e a capacidade de sobressair-se mesmo em papeis secundários, vide seus últimos trabalhos, em Strongest Deliveryman e em Two Cops. E You Drive Me Crazy foi a chance de Kim Seon-ho testar sua maturidade como protagonista romântico, e, em minha opinião, ele passou com louvor!

Belo drama especial, graças ao talento de duas mulheres, a jovem diretora Hyeon Sol-Ip, (Return of the Lucky Pot, MBC) e a roteirista Park Mi-ryung. Seguiremos com atenção seus futuros projetos!

10 de abr de 2018

The King of Dramas (drama, 2012)




País: Coréia do Sul
Duração: 18 episódios
Gênero: comédia, drama, romance
Produção: SBS TV

Direção: Hong Sung-chang
Roteiro: Jang Hang-jun, Lee Ji-hyo

Elenco: Kim Myung-min, Jung Ryeo-won, Choi Si-won, Oh Ji-eun, Jeong Man-sik, Kwon Hae-hyo, Seo Dong-won, Park Geun-hyung, Sung Byoung-sook.

Resumo

A estória da ascensão e queda do produtor de dramas Anthony Kim, que tenta resgatar sua fama com a ajuda da aspirante a roteirista Lee Go-eun.

Comentário

Poucos roteiristas ousaram retratar os bastidores dos famosos dramas coreanos, talvez por medo de desfazer as ilusões do público sobre o suposto mundo glamouroso das produções de TV. Apesar disso, podemos citar bons dramas que entraram no tema, seja com humor ácido, como The Producers (KBS, 2015), ou num tom mais melodramático, como On Air (SBS, 2008), ou ainda, Worlds Within (KBS, 2008), que ficou mais famoso pelo romance na vida real entre Hyun Bin e Song Hye-kyo, do que pela estória em si.


O roteiro de The King of Dramas, sem dúvida alguma, foi o mais honesto de todos ao abordar os dilemas envoltos na produção dos dramas (como são chamadas na Coréia as minisséries de ficção, com até no máximo 24 episódios de duração). Tudo graças ao olhar experiente de Jang Hang-jun, roteirista de cinema (A Hard Day), diretor (drama Sign) e marido da aclamada roteirista Kim Eun-hee (Sign, Phantom, Signal). O escritor, com visão crítica e humor irreverente, constrói uma comédia dos erros deliciosa! A sonhadora Lee Go-eun (Jung Ryeo-won) quer muito ser uma roteirista de sucesso, mas sem deixar de lado sua ética e sua honra pessoal. Mas não é nada fácil, em um ambiente competitivo como o da industria do entretenimento. E sua primeira grande decepção vem de seu encontro com o grande produtor Anthony Kim, um homem que não mede esforços para preservar seu poder. Mas o mundo dá voltas, e, três anos depois deste fatídico encontro, é Anthony Kim que precisa da ajuda de Lee Go-eun para voltar a produzir um drama de sucesso.

Kim Myung-min, na pele do vaidoso Anthony Kim e Jung Ryeo-won, como a aspirante a roteirista Lee Go-eun formam uma dupla inusitada, mas graças ao talento nato de ambos para a comédia, conquistam o coração do espectador. Kim Myung-min, este sim, merecia o título de rei dos dramas na vida real... Com mais dramas cultuados (White Tower, Bad Family, Beethoven Virus) do que grandes sucessos (Six Flying Dragons), ele é um ator incansável, sempre em busca de novos desafios. Seja no melodrama (Closer to Heaven), ou na comédia (Detective K), Kim Myung-min brilha em qualquer papel, sem nunca perder a elegância. Apesar de ser quase dez anos mais jovem que Kim Myung-min, a atriz Jung Ryeo-won (Witch at Court, Bubblegum) encara de igual para igual o colega, e não se deixa intimidar, mesmo nas cenas mais românticas do drama. Se os olhos de Jung Ryeo-won são sempre brilhantes e calorosos, os de Kim Myung-min são sempre risonhos, e, talvez por isso seja impossível não apaixonar-se por seus personagens, por mais prepotentes e vaidosos que sejam.

Pois, se foi muito fácil para o PD Hong Sung-chang (Kang-koo´s Story, Entertainer) conduzir este casal talentoso, pode-se cumprimentá-lo por dirigir com leveza e sentido agudo de humor (as piadas internas com a tirania dos diretores de dramas são maravilhosas) os demais atores. Choi Si-won (membro do grupo pop Super Junior, She Was Pretty, Revolutionary Love) está impagável (autorreferente?) como o ídolo pop Kang Hyun-min. Oh Ji-eun (Cheo Yong, Blow Breeze) encanta como a atriz Sung Min-ah, que sofre duplamente, ao tentar reconquistar seu antigo amor, Anthony Lee, e por ter de contracenar com o egocêntrico e canastrão Kang Hyun-min. Pena que uma atriz tão bonita e talentosa como Oh Ji-eun tenha sido tão mal aproveitada ao longo de sua curta e inexpressiva carreira.

A grande sacada do roteirista de King of Dramas é retratar as etapas da produção de um drama, - a escolha do roteiro, a busca de investidores, o elenco, a emissora, etc., - enquanto insere sutilmente os elementos básicos que compõe um drama clássico, na própria trama central. Uma forma engenhosa e criativa de tornar a brincadeira com a metalinguagem menos óbvia e maçante. King of Dramas não procura fazer denúncias impactantes sobre um meio sabidamente áspero, mas também não perdoa os vícios que o poder e a fama produzem. O que torna o drama palatável é a capacidade do roteirista em mostrar como esta fábrica de sonhos que é a TV envolve o sangue e o suor de tantas pessoas, e não apenas das celebridades que aparecem na telinha. Finalmente, King of Dramas é uma ode às mulheres e homens que produzem incansavelmente nossos tão adorados dramas.
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