26/09/2014

Shitsuren Chocolatier (drama, 2014)


País: Japão
Gênero: Romance
Duração: 11 episódios
Produção: Fuji TV
Música tema: Bittersweet (Arashi)

Direção: Matsuyama Hiroaki, Miyaki Shogo
Roteiro: Adachi Naoko, baseado no mangá de Mizushino Setona

Elenco: Matsumoto Jun, Ishihara Satomi, Mizukawa Asami, Mizuhara Kiko, Mizobata Junpei, Arimura Kasumi, Kato Shigeaki, Sato Ryuta, Koyurugi Naoto.

Resumo

Koyurugi Sota era um adolescente quando se apaixonou pela colega de escola, Takahashi Saeko. Rejeitado por Saeko no dia dos namorados, ele decide ir estudar confeitaria na França. O sonho de Sota é voltar ao Japão e conquistar o coração de Saeko com deliciosos chocolates, a maior paixão da garota.

Comentário

Matsumoto Jun (Hana Yori Dango, Lucky Seven) é Koyurugi Sota, o “chocolateiro de coração partido” de Shitsuren Chocolatier, drama cujo roteiro é baseado no mangá de mesmo título, de autoria de Mizushino Setona, publicado originalmente em 2008. Matsumoto (ator e membro da boy band Arashi) esbanja sensualidade neste drama que foge dos padrões de pudor e recato tradicionais dos doramas japoneses. Com ousadia incomum, o drama retrata de forma mais natural e realista a vida amorosa de jovens adultos japoneses. No mundo dos mangás os autores costumam ser mais explícitos e irreverentes, tanto na violência das estórias de ação, como nos temas românticos. E, felizmente, Shitsuren Chocolatier consegue transportar quase intacta - dos quadrinhos para a TV – esta estória de amor e paixão juvenil. E eu uso o termo juvenil porque, embora os personagens sejam adultos, ainda sofrem com a inexperiência no amor. Cada um dos personagens tem seus sonhos e expectativas sobre o amor, mas compartilham a insegurança e a falta de maturidade para lidar com o sexo oposto. “O amor é cego” poderia ser o subtítulo do drama, pois acompanhamos com crescente frustração a paixão obsessiva que Sota nutre pela inatingível Saeko (Ishihara Satomi, de Rich Man, Poor Woman). No entanto, mais do que amar sem entender o objeto do seu afeto, o que Sota precisa é conhecer a si mesmo. Os demais personagens vivem a mesma situação, todos perdidos de amor pela pessoa errada, ou pela pessoa certa, mas no momento errado. A lição principal que fica é que experiência e timing são duas coisas fundamentais para ter sucesso no amor – na verdade, são dois fatores que funcionam para quase tudo na vida.

Sem ter lido o mangá, deixei para ler as críticas apenas depois de ver todo o drama, e me surpreendi com alguns comentários negativos, especialmente com o desfecho da estória. Em primeiro lugar, certamente a decepção deve ter sido maior por parte do público adolescente, pois há pistas claras, desde o princípio, de que Shitsuren Chocolatier não é uma comédia romântica convencional. O tom agridoce, quase niilista que envolve as relações entre os personagens é constante, embora pontuado pelo bom humor característico dos quadrinhos japoneses. Feita a advertência, vale muito a pena acompanhar a bela jornada de amadurecimento emocional de Sota e seus amigos, e, de quebra, babar com a vontade de provar os chocolates maravilhosos da confeitaria Choco La Vie.
 
 

23/09/2014

Winter Sonata (drama, 2002)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama, romance
Duração: 20 episódios
Produção: KBS TV

Direção: Yoon Seok-ho, Lee Hyeong-min
Roteiro: Kim Eun-hee, Yoon Eun-kyung, Oh Soo-yeon

Elenco: Bae Yong-joon, Choi Ji-woo, Park Yong-ha, Park Sol-mi, Lee Hye-eun, Ryoo Seung-soo, Kim Hae-sook, Song Ok Sook, Jeong Dong-hwan, Park Hyeon-sook, Kwon Hae-hyo.


Resumo

Joon-sang se muda para o interior, em busca do pai que nunca conheceu, e passa a frequentar a escola secundária local. Yoo-jin fica interessada no novo colega, despertando o ciúmes de seu amigo de infância, Sang-hyeok . Yoo-jin e Joon-sang vivem seu primeiro amor adolescente, sem imaginar que o destino iria separá-los cruelmente. Dez anos depois, Yoo-jin conhece um homem chamado Lee Min-hyeong, que é simplesmente idêntico ao desaparecido Joon-sang, e as lembranças do passado voltam para confundir seu coração.

Comentário

Winter Sonata, é um clássico, e um marco na história da dramaturgia televisiva coreana. Este melodrama colocou no mapa mundial a TV sul coreana, e sua prolífica produção de séries, especialmente os dramas românticos. Havia (e ainda há, em parte) uma lacuna na programação televisiva ocidental de dramas voltados ao público feminino mais jovem, que não tem tempo ou paciência para acompanhar os longos e tortuosos enredos das novelas diárias. O formato dos dramas coreanos, ágil e compacto, é perfeito para uma audiência que está sempre em busca de novidades.

Winter Sonata, mais do que na própria Coréia, fez um sucesso absurdo no vizinho Japão. Daí ao drama ficar conhecido no resto da Ásia, foi um passo. Finalmente, com o fortalecimento da internet, Winter Sonata tornou-se referência mundial para qualquer pessoa interessada na cultura pop asiática. Posso falar, por experiência pessoal – foi entrando nos primeiros fóruns de internet que discutiam a cultura pop coreana que tomei conhecimento sobre o sucesso dos dramas coreanos (e japoneses) – e o título que se sobressaia nas conversas era sempre Winter Sonata. E as imagens românticas de um belo casal, em meio a uma paisagem coberta de neve, chamava a atenção e despertada imensa curiosidade sobre o drama. Na época era quase impossível ter acesso a dramas por streaming, e muito menos por download, e foi somente depois de ter assistido muitos dramas mais atuais, que pude matar a curiosidade e ver este clássico. Hoje talvez seja difícil entender por que Winter Sonata causou tanta comoção. Com um enredo ultramelodramático, repleto de clichês do gênero, Winter Sonata pode até não agradar ao público atual, embora ainda se produzam muitos dramas no mesmo formato. No entanto, Winter Sonata consegue preservar o charme e o encanto das grandes estórias de amor, graças a um casal inesquecível, Joo-sang e Yoo-jin.


Bae Yong-joon (como Kang Joon-sang/ Lee Min-hyeong) e Choi Ji-woo (como Jeong Yoo-jin) são como aqueles fenômenos astronômicos que acontecem uma vez a cada século, ou seja, uma coisa rara de se ver. Todo mundo sabe que não basta juntar um casal de atores bonitos e famosos, para que a mágica aconteça... O contrário é o mais provável de acontecer, como estamos cansados de ver. Mais do que a estória de um amor impossível, o que fascina o espectador é ver a aura romântica que envolve este casal. Obviamente, Bae Yong-joon e Choi Ji-woo são grandes atores, mas, com o passar dos anos, nenhum dos dois encontrou outro par tão perfeito, ao menos na ficção.

Quem apreciou melodramas românticos atuais como Missing You, Nice Guy, ou Scent of a Woman, certamente vai gostar de Winter Sonata. Apesar do ritmo mais lento e do excesso de clichês, típicos dos makjang (incesto, amnésia, coma, etc.), o drama tem aquela trama que tende a capturar a atenção do espectador até o último instante de cada episódio. Atualmente, o mais habitual é o roteiro de um drama estar a cargo de um único escritor, mas até pouco tempo atrás, era normal o trabalho em equipe. No caso de Winter Sonata, três roteiristas compartilharam os créditos sobre o roteiro do drama, o que, sinceramente, não parece ter contribuído especialmente para o desenvolvimento da trama. Entretanto, no geral, Kim Eun-hee e Yoon Eun-kyung tem formado uma dupla de sucesso duradouro, com títulos bem conhecidos: Scent of Summer, Little Bride, The Snow Queen, When It´s At Night, My Fair Lady, The Prime Minister and I. Oh Soo-yeon também se especializou em dramas românticos, sendo conhecida por títulos marcantes como Star´s Lover (outra parceria com a atriz Choi Ji-woo), ou o mais recente Love Rain. Contraditoriamente, a direção, na mão de dois veteranos, Yoon Seok-ho (Love Rain) e Lee Hyeong-min (Bad Man) talvez seja o ponto mais fraco desta produção. A direção é burocrática e pouco original e está pontuada por constrangedores ângulos que deixam aparecer os microfones aéreos (fato que acontece não uma, mas incontáveis vezes).

Choi Ji-woo começou a atuar 18 anos atrás (1996), e vem construindo uma carreira de sucesso, tanto comercial quanto de crítica. Choi Ji-woo protagonizou muitos melodramas, como a mocinha frágil e romântica, mas com a maturidade pessoal vieram papéis mais desafiadores. Hoje a atriz é mais conhecida por personagens marcantes e de personalidade forte, como nos dramas Can´t Lose, The Suspicious Housekeeper, ou Temptation. Sua carreira no cinema também é considerável (10 filmes, até 2014), embora não tão regular – seu último trabalho no cinema foi no filme The Actresses, de 2009.

Agora, não seria um exagero afirmar que o verdadeiro sucesso de Winter Sonata é devido ao ator Bae Yong-joon, e ao mito criado em torno de seu nome. O fanatismo gerado por este drama no Japão foi tão grande que gera frutos ao elenco até hoje. De transportar o drama para o formato anime, a endeusar o ator Bae Yong-joon, transformando-o em uma supercelebridade, os japoneses incorporaram o drama como um produto próprio. Paradoxalmente, Winter Sonata parece ter congelado Bae Yong-joon no tempo, já que o ator pouco fez de importante desde então, ao menos como ator. Ele parece ter se contentado em viver dos louros do sucesso como Kang Joon-sang , o grande herói romântico do início do século XXI. É uma pena, ao menos para os fãs, já que Bae Yong-joon é um grande ator, com um carisma pouco visto na geração atual de artistas. Basta ver sua atuação magnífica no filme April Snow, para comprovar os fatos. Aliás, eu preferia vê-lo de volta aos cinemas, do que em dramas – e a esperança é a última que morre, não é mesmo?


O elenco de apoio de Winter Sonata é excelente, e composto por rostos muito conhecidos, como Song Ok Sook (a pianista Kang Mi-hee, mãe de Joon-sang) vista em dezenas de dramas (Brain, Big Man, Fated to Love You), Kim Hae-sook (Hotel King), como a mãe de Yoo-jin, Jeong Dong-hwan (The Heirs), como o pai de Sang-hyeok, Ryoo Seung-soo (Lie To Me), como Kwon Yong-gook, e, finalmente o saudoso Park Yong-ha (On Air), como Kim Sang-hyeok.

O amor de Joong-sang e Yoo-jin é embalado por uma trilha sonora que também ficou para a história - “My Memory”, “From Beginning to End” e “Only You”, todas na voz aveludada do cantor Ryu.

16/09/2014

Catch Me/Steal My Heart (filme, 2013)


País: Coréia do Sul
Gênero: comédia romântica
Duração: 115 min.

Direção: Lee Hyeon-jong
Roteiro: Kim Choong-ryeol, Lee Gyoo-bok

Elenco: Kim Ah-joong, Joo Won, Joo Jin-mo-I, Baek Do-bin, Bae Seong-woo, Park Cheol-min, Cha Tae-hyeon.

Resumo

Lee Ho-tae era um estudante universitário quando conheceu e se apaixonou por Yoon Jin-sook. Certo dia, Jin-sook desapareceu sem deixar pistas. Dez anos se passaram e Ho-tae, agora um detetive de polícia, reencontra Jin-sook, em meio a uma investigação, e descobre que ela é uma ladra de longa data... E continua tão adorável quanto nos tempos de juventude.

Comentário

Catch Me tinha ao menos três motivos para ser um grande filme: um diretor talentoso, Lee Hyeon-jong (além de cineasta, músico, ator e roteirista), um roteirista fantástico, Lee Gyoo-bok (roteirista de Going by the Book, uma comédia que adoro) e um casal de atores dos mais charmosos, Joo Won e Kim Ah-joong. O resultado é uma comédia romântica divertida, mas nada memorável. Kim Ah-joong é uma atriz de carreira curta, mas sólida, tanto no cinema (200 Pounds Beauty) quanto na TV (Sign), e que sempre teve uma ótima interação com os atores com quem contracenou. Por isso mesmo, minha expectativa era grande em ver se sua química com Joo Won seria tão explosiva quanto à que teve com Ji Seong, no filme My P.S. Partner. Infelizmente, não foi o caso, não tanto por culpa dos atores, mas acho que mais por uma opção de diretor e roteirista, que não quiseram aproveitar a sensualidade natural de Kim Ah-joong, e o charme juvenil de Joo Won. O romance entre o casal acaba passando, mesmo que involuntariamente, uma vibração “noona-donsaeng”. Agora, se Catch Me deixa um pouco a desejar no lado romântico, como comédia tem pontos muito positivos. Se Kim Ah-joong já provou sua versatilidade como atriz, é Joo Won (Good Doctor) que demonstra neste filme um talento inquestionável para a comédia. Inclusive acho que, nas mãos de um diretor mais experiente, Joo Won poderia ter se soltado mais no papel do policial geek Lee Ho-tae.

Lee Ho-tae é um detetive de polícia especializado em fazer perfis psicológicos de criminosos perigosos. Apesar do sucesso na carreira, Lee Ho-tae é um rapaz tímido e introspectivo. Na juventude ele gostava de desenhar, e frequentava uma faculdade de artes plásticas. Isso até conhecer Yoon Jin-sook, uma garota muito bonita, mas um tanto misteriosa. Os dois namoraram por um tempo, até Jin-sook desaparecer estranhamente, sem deixar rastro. Lee Ho-tae nunca conseguiu esquecer seu primeiro amor, e resolveu tornar-se policial, influenciado pelo desaparecimento de Jin-sook. Anos depois, perseguindo um assassino em série, ele acaba reencontrando Jin-sook, e se dá conta imediatamente, que a chama do amor não se apagou. A jovem também parece sentir sua falta, o que deixa Ho-tae muito feliz, mas tudo se complica quando ele descobre o que ela faz para viver... Agora Lee Ho-tae tem de decidir entre o dever de policial, e o amor pela irresistível contraventora Yoo Jin-sook.

Catch Me não é um filme muito agradável, que não vai desagradar quem procura uma comédia leve, com um pouco de romance, e umas boas risadas. Enfim, um “must see” para as fãs do gatíssimo Joo Won.

09/09/2014

The Face Reader (filme, 2013)


País: Coréia do Sul
Gênero: épico, drama
Duração: 139 min.

Direção: Han Jae-rim
Roteiro: Kim Dong-hyeok

Elenco: Song Kang-ho, Lee Jeong-jae, Baek Yoon-sik, Jo Jeong-seok, Lee Jong-suk, Kim Hye-soo, Kim Tae-woo, Chae Sang-woo.

Resumo

Em um período politicamente atribulado da Era Joseon, Nae-kyung é um intelectual que fica famoso por sua habilidade em ler a sorte no rosto das pessoas. Contratado pelo rei Moonjong para descobrir o mandante de um assassinato na corte, ele passa a ser temido e odiado por muitos nobres. A partir daí, Nae-kyung enfrentará as consequências de ser testemunha direta na luta pelo poder em seu país.

Comentário

No gênero épico, The Face Reader foi a terceira maior bilheteria da história na Coréia, ao menos até a metade de 2014. Não é difícil entender o motivo do sucesso do filme, pois sua produção obviamente almejou um público mais jovem, mais afeito ao cinema de puro entretenimento. The Face Reader é um filme que pode agradar até mesmo ao público que não costuma ver filmes épicos, por vários motivos... A combinação de caras famosas, como Song Kang-ho, Lee Jeong-jae e Lee Jong-suk, e uma trama que mistura aventura, com pitadas de sátira e, é claro, um clássico final dramático, resulta em um filme, se não essencial, muito agradável de assistir.

O roteiro, obviamente, faz muitas concessões à história real do trágico destino do rei Sejo, no ano 1455 da Era Joseon. No entanto, a mensagem que fica é verdadeira, pois a riqueza, a sabedoria e o poder eram bens dos quais apenas uma pequena elite poderia desfrutar. E imagine um homem que possua, além da sabedoria dos livros, o poder de ler o passado e o futuro no rosto de qualquer pessoa – este homem certamente é o mais perigoso de todos...


Song Kang-Ho (em seu primeiro papel em um filme épico) é Nae-Kyung, um intelectual que foi exilado e leva uma vida de extrema pobreza junto ao cunhado Paeng-Hun (Jo Jeong-seok) e o filho Jin-Hyeong (Lee Jong-Suk). Nae-Kyung usa suas habilidades de leitura fisionômica para ganhar uns trocados, mas seu filho, que sonha com uma vida mais digna, não aprova as atividades do pai. Jin-Hyeong, contra a vontade do pai, mas com a ajuda escondida do tio Paeng-Hun resolve partir para a capital, para tentar a carreira no funcionalismo público.

Como vidente, Nae-Kyung não é um mero farsante – ele é capaz de desvendar o perfil psicológico completo de uma pessoa, apenas estudando suas expressões faciais. E estudando a personalidade do sujeito, ele consegue aferir seus atos passados e futuros. As habilidades de Nae-Kyung não passam despercebidas à poderosa gisaeng Yeon-Hong (Kim Hye-Soo). A cafetina visita Nae-Kyung e o convida a trabalhar para ela em Hanyang (a antiga Seul). Assim, Nae-Kyung e o cunhado Paeng-Hun partem para a capital, na esperança de ganhar muito dinheiro. E realmente, em pouco tempo a fama de Nae-Kyung se espalha pela cidade, e formam-se filas em frente ao estabelecimento de Yeon-Hong, para consultas sobre o futuro com o leitor de faces. Só que a verdadeira intenção de Yeon-Hong é explorar o talento de Nae-Kyung e lucrar sozinha com a clientela. Enquanto isso, Kim Jong-Seo (Baek Yoon-Sik), o ministro mais poderoso do governo, resolve contratar Nae-Kyung para trabalhar na seleção dos candidatos a cargos públicos. A sorte de Nae-Kyung parece finalmente mudar para melhor, mas a proximidade com o poder traz mais riscos do que benefícios a ele e seus familiares.


The Face Reader tem um enredo divertido, repleto de suspense e aventura, mas o destaque maior vai para o elenco. Han Jae-rim (diretor e roteirista) não se sobressai especialmente como cineasta, mas é impecável na condução do elenco. É claro que tudo fica mais fácil quando se trabalha com atores do calibre de Song Kang-ho (Snowpiercer, The Host), ou Lee Jeong-jae (The Thieves, Il Mare). O ator Song Kang-ho está fantástico, como sempre, e é incrível que, com uma carreira artística tão longa e variada, este seja seu primeiro papel em um drama épico. Fora Song Kang-ho, os atores que mais me impressionaram com suas atuações potentes foram Jo Jeong-seok e Lee Jeong-jae. O belo e usualmente suave Lee Jeong-jae transforma seu personagem, o Príncipe Su Yang, em uma figura que transpira maldade por todos os poros, mas sem cair no caricato. Grande ator! (e gatíssimo, fazer o que?). Agora, quem rouba a cena mesmo é outro lindão, o ator Jo Jeong-seok, mais conhecido por seus papéis românticos em dramas como King 2 Heart, ou You Are the Best Lee Soon-shin. Este ator me impressionou desde a primeira vez que o vi, em um papel secundário, no filme Architecture 101. No papel do simplório Paeng-heon ele parece muito mais velho e experiente do que é na verdade como ator. Um talento natural, que já recebeu muitos prêmios, e certamente muitos outros virão... Aliás, ao acompanhar a carreira de certos atores apenas na TV, nos desacostumamos a vê-los em papéis mais desafiadores. Mas, contraditoriamente, Lee Jong-suk, que vem se destacando nos dramas, decepciona um pouco no papel de Jin-hyeong. Se eu estivesse vendo Lee Jong-suk pela primeira vez, diria que ele é um belo rapaz, e um ator mediano. Mas, o fato é que Lee Jong-suk é um ator talentosíssimo, que terá muitas oportunidades de brilhar tanto no cinema quanto já brilha na TV. E um filme com ele que já está dando o que falar é Hot Young Bloods, em que contracena com Park Bo-young. Certamente veremos e comentaremos esta futura estreia.

Falta destacar a participação mais do que especial de Kim Tae-woo, como o Rei Munjong (visto recentemente no drama God´s Gift, como o marido de Lee Bo-young), de Chae Sang-woo (The Suspicious Housekeeper), como o príncipe herdeiro Danjong, e da atriz Kim Hye-soo, como a gisaeng Yeon-hong, todos complementando muito bem o elenco deste ótimo filme. Imperdível!

02/09/2014

Plus Nine Boys (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama, comédia, romance
Duração: 16 episódios
Produção: tvN

Direção: Yoo Hak-chan
Roteiro: Park Yoo-mi-I

Elenco: Kim Yeong-kwang, Oh Jeong-se, Yook Seong-jae, Choi Ro-woon, Kyeong Soo-jin, Kim Mi-kyung, You Dal-In, Kim Hyung-joon, Park Cho-rong, Minha, Lee Chae-mi, Kim Gang-hyun, Kim Won-hae.

Resumo

Quatro rapazes de uma mesma família, com idades que vão dos 9 aos 39 enfrentam uma espécie de “inferno astral”, e terão que refazer suas vidas para superar esta má fase e reencontrar a felicidade.

Comentário

Plus Nine Boys é mais um ótimo drama da tvN, que vem se destacando pela qualidade acima da média de suas produções. O que mais me agrada nos dramas da tvN é o casting, que costuma dar oportunidade a atores bons, mas não tão conhecidos, de assumir papéis principais. Plus Nine Boys conta sim com atores bem conhecidos do público, como Oh Jeong-se (A New Leaf, Miss Korea), Kim Mi-kyung (It´s Ok, That´s Love, Heirs) e Kim Yeong-kwang (Good Doctor), e outros nem tanto, como Yook Seong-jae (Reply 1994) e Kyeong Soo-jin (Secret Love Affair). Felizmente a produção conseguiu formar um grupo harmônico e, além do mais, é agradável ver caras novas para variar... E depois da surpresa deliciosa que foi King of High School, eu jamais poderia imaginar que a tvN conseguiria lançar outro drama tão divertido no mesmo ano. Plus Nine Boys opta por um humor inspirado nas situações cotidianas dos personagens – e os personagens deste drama estão destinados a se envolver em muitas confusões, graças a uma suposta maldição familiar. Mas não nos sentamos apenas rindo da desgraça alheia, pois quanto mais conhecemos os personagens, mais nos compadecemos e solidarizamos com eles.

A estória começa com a matriarca Koo Bok-ja (Kim Mi-kyung) consultando um xamã, em busca de um amuleto que proteja sua família de uma suposta “maldição dos nove”. Segundo sua crença, a cada nove anos de vida, os familiares correm o risco de ser atingidos por algum tipo de tragédia pessoal. E o pior, a senhora Koo entra em pânico ao perceber que os quatro homens da família estão passando por esta ‘fase’ perigosa. Naturalmente, os rapazes não prestam atenção aos presságios da senhora Koo, até que seja tarde demais... E, coitados, a maldição atinge os quatro rapazes em cheio! É claro que a estória da maldição não passa de uma metáfora para aqueles momentos difíceis, ou mesmo trágicos que enfrentamos na vida, mas que precisam ser superados, da melhor forma possível. Sendo assim, se foi sadicamente divertido ver os rapazes caírem em desgraça, mais interessante será vê-los dar a volta por cima...

A supersticiosa senhora Koo tem três filhos: Kang Jin-goo, o mais velho, de 29 anos, o do meio, Kang Min-goo , de 19, e Kang Dong-goo, o caçula, de nove anos. O tio dos meninos se chama Goo Gwan-soo, e é um solteirão de 39 anos.

Embora a trama se divida entre estes quatro homens, pode-se dizer que o personagem central é Kang Jin-goo (Kim Yeong-kwang), um rapaz simpático e atraente, que vive cercado de garotas, embora só tenha olhos para a amiga e colega de trabalho, Ma Se-young (Kyeong Soo-jin). Jin-goo e Se-young são colegas em uma agência de turismo e passam boa parte do dia juntos no trabalho. Jin-goo gosta de insinuar-se para a colega, que procura ignorá-lo, por achar o rapaz muito mulherengo.

Kang Min-goo (Yook Seong-jae, membro da boy band BTOB) é estudante do secundário e atleta do time de Judô da escola. Sua autoconfiança e vaidade parecem inabaláveis, até a maldição cair sobre sua cabeça, da forma mais vexatória possível... Pelo menos, neste meio tempo, ele descobre o amor – só não sabemos ainda se a garota irá retribuir seus sentimentos.

Kang Dong-goo (Choi Ro-woon, de I Need Romance 3) se autointitula “celebridade”, do alto de seus nove aninhos. Dong-goo tem no currículo de ator mirim um filme e muitos comerciais de TV, trabalhos que o tornaram nacionalmente famoso. Ele tem até uma namoradinha, Baek-ji (Lee Chae Mi, de Two Weeks). O problema é que Dong-goo está passando da fase de bebê fofinho, para a de garotinho normal, e sua carreira artística pode encerrar-se bruscamente (é hilária a cena em que comparam o menino a Macaulay Culkin).

Finalmente, temos Goo Gwan-soo (Oh Jeong-se), tio dos meninos, produtor de um programa musical na TV, e solteirão convicto. Ao menos profissionalmente tudo vai bem na vida de Gwan-soo, até ocorrer um incidente bizarro durante uma apresentação ao vivo de uma banda de rock. Gwan-soo é responsabilizado pelo deslize e transferido para um programa de variedades que ninguém assiste. Convencido pelo amigo Young-hoon, ele liga para uma tele-vidente (esta família parece não conseguir se livrar da superstição!) que o aconselha a procurar uma de suas ex-namoradas, para reencontrar o amor.

Se Plus Nine Boys seguir tão bem como nos dois primeiros episódios, tem tudo para ser mais um hit da tvN. É diversão garantida para os fãs dos bons dramas coreanos!
 

31/08/2014

Very Ordinary Couple (filme, 2013)


País: Coréia do Sul
Gênero: romance, drama
Duração: 112 min.

Direção e Roteiro: Roh Deok

Elenco: Lee Min-ki, Kim Min-hee, Choi Moo-seong, Ra Mi-ran, Kim Kang-hyeon, Ha Yeon-soo, Park Byeong-eun.

Resumo

Young e Dong-hee rompem após três anos de namoro, mas têm de continuar a se encontrar diariamente no banco onde trabalham. E quando os dois partem para novos relacionamentos amorosos, o ciúme e a mágoa afloram de ambos os lados.

Comentário

Very Ordinary Couple (ou Degree of Love, ou The Temperature of Romance) é uma produção independente, com direção e roteiro da jovem Roh Deok (Save the Green Planet). O filme teve uma ótima receptividade entre o público de cinema coreano, apesar de não trazer nada de novo ao gênero. Talvez a simpatia despertada sobre Very Ordinary Couple se deva à escassez de filmes que abordem temas românticos de forma mais séria e realista – mas a presença do casal de atores Kim Min-hee e Lee Min-ki certamente contribuiu para o sucesso do filme.

Com ar semidocumental, o filme acompanha a estória de um casal, do momento em que já estão separados, após três anos de namoro, a um recomeço, com mais dúvidas do que esperanças sobre um futuro feliz.

Young (Kim Min-hee) e Dong-hee (Lee Min-ki) namoraram por três anos, romperam, e agora tentam seguir com suas vidas. Acontece que os dois trabalham no mesmo setor de um banco, e a convivência diária é inevitável. Eles fingem não se importar com a vida pessoal um do outro, mas logo surgem as crises de ciúme, de ambos os lados. Young e Dong-hee começam a questionar-se se a brusca separação foi um erro, e resolvem dar uma segunda chance ao amor.

Kim Min-hee (Hellcats, No Tears for the Dead) e Lee Min-ki (Dalja´s Spring, Chilling Romance) são bons atores, e interpretam o casal Young e Dong-hee com segurança e naturalidade. Young é o lado pensante do casal, é ela que está sempre questionando e cobrando mais da relação com o namorado. Dong-hee, por outro lado, parece mais conformado com a rotina, sem analisar demais os próprios sentimentos, e muito menos os da parceira. No entanto, contraditoriamente, é esta impulsividade e ingenuidade que torna Dong-hee um personagem simpático, mesmo para o público feminino (e não porque Lee Min-ki é absurdamente sexy).

O filme faz muitos questionamentos pertinentes sobre o amor, e todas as expectativas que carregamos dentro de nós, e acabamos despejando sobre nossos parceiros. Young e Dong-hee não encontram grandes motivos para a separação, mas será que há uma razão para estarem juntos? É um tanto perturbador, especialmente para quem é muito jovem, ou inexperiente, encarar o amor não como um conto de fadas, mas como um sentimento complexo, muitas vezes difícil de ser definido. Very Ordinary Couple não trata o amor com amargura ou ressentimento, mas simplesmente com realismo, e até mesmo com certo conformismo. E talvez seja este conformismo que subtraia um pouco da emoção que deveríamos ver crescer ao longo do filme.

Mesmo assim, Very Ordinary Couple é o tipo de filme que é interessante por provocar aquele efeito retardatário, de lembrar muitas vezes de certos diálogos, ou situações, e que nos fazem pensar como estes personagens refletem muito do que somos e experimentamos ao longo da vida...
 

26/08/2014

Legal High (drama, 2012)


País: Japão
Gênero: Comédia, Drama Legal
Duração: 11 episódios
Produção: Fuji TV

Direção: Ishikawa Junichi, Joho Hidenori
Roteiro: Kosawa Ryota

Elenco:  Sakai Masato, Aragaki Yui, Namase Katsuhisa, Koike Eiko, Taguchi Junnosuke, Yano Masato, Satomi Kotaro, Sakaguchi Waku.

Resumo

O advogado Komikado Kensuke é famoso por nunca ter perdido um caso nos tribunais, embora muitas vezes use métodos pouco éticos para atingir seus objetivos. Por outro lado, Mayuzumi Machiko é uma jovem advogada com um forte senso de justiça, sempre disposta a ajudar os mais fracos. Quando Machiko vai trabalhar no escritório de Komikado, o choque de personalidades é inevitável... Mas na corte, eles formam uma dupla imbatível!

Comentário

Legal High é uma daquelas séries de humor insano e debochado (e para alguns até ofensivo) que só poderia ter saído da mente de um roteirista japonês. Dentro de suas diversas expressões culturais, o humor japonês possui características muito peculiares, que podem causar estranhamento ao público novato. Do tradicional manzai, ao mais atual owarai, passando pela linguagem moderna dos mangás e dos animes, a TV absorveu e incorporou muito bem este humor à sua dramaturgia. Os consumidores dos quadrinhos japoneses, acostumados com sua linguagem frenética e surrealista, se divertem com as adaptações para animação, cinema, ou séries de TV. Por outro lado, pode parecer estranho usar um tema pesado – como o do direito legal – para fazer comédia. Mas o interessante é que Legal High consegue equilibrar a sátira e o drama de forma muito natural.

Komikado Kensuke (Sakai Masato) é nosso anti-herói, um advogado brilhante, ambicioso, vaidoso e mulherengo. O fato de Komikado nunca ter perdido uma causa nos tribunais gera mais desconfiança do que admiração sobre o advogado. E sim, nossas suspeitas logo se confirmam quando presenciamos os métodos pouco ortodoxos (ou simplesmente ilegais) que ele usa para defender seus clientes. E estes clientes são escolhidos a dedo, ou seja, grandes corporações e empresários muito ricos. É claro que, para não perder seu recorde de cem por cento de sucesso, ele evita causas que considere perdidas. Sua vida vai muito bem, advogando em uma bela residência-escritório, servido pelo fiel mordomo Hattori (Satomi Kotaro), até a chegada da jovem Mayuzumi Machiko (Aragaki Yui), clamando por um emprego. Informado de que a garota havia sido demitida do escritório onde ele costumava trabalhar, Komikado aceita contratá-la como assistente. Acontece que Miki Choichiro (Namase Katsuhisa), ex-chefe de Komikado, tornou-se seu arqui-inimigo, e os dois vivem se digladiando, dentro e fora dos tribunais. Mas quem vai dar muita dor de cabeça para Komikado é sua nova assistente, pois Mayuzumi Machiko é o extremo oposto do chefe, honesta, idealista, apoiadora incansável das boas causas. A única coisa em comum entre os dois advogados é a teimosia... Machiko tenta convencer Kamikado a defender causas mais nobres, e até consegue, mas nem sempre com o resultado desejado.

Sakai Masato (Hanzawa Naoki) está simplesmente perfeito na pele do tresloucado Kamikado – o personagem parece ter saído diretamente de um anime, com seu cabelo fixo como um capacete em sua cabeça, seu longo dedo indicador sempre apontando acusadoramente, e todos os seus trejeitos engraçados. Enquanto isso, a atriz Aragaki Yui faz um contraponto bem vindo ao personagem histriônico de Sakai, com sua voz suave e gestos delicados. A advogada Machiko vai conquistando a nós (bem como ao frio Kamikado) pouco a pouco, com sua determinação e coração aberto. É surpreendente e ao mesmo tempo divertido ver como estes dois personagens se completam tão bem, quase como uma encenação contemporânea de A Bela e a Fera.

E para quem curtiu Legal High, há uma segunda temporada, com mais aventuras engraçadas dos advogados Kamikado e Machiko.

24/08/2014

The Terror Live (filme, 2013)


País: Coréia do Sul
Gênero: Suspense, Drama
Duração: 97 min.

Direção e Roteiro: Kim Byeong-woo
Direção de Fotografia: Byun Bong-sun

Elenco: Ha Jeong-woo, Lee Kyeong-yeong, Jeon Hye-jin-II, Choi Jin-ho-I, Kim So-jin, Lee David.

Resumo

Yoon Young-hwa, apresentador de um programa de rádio, recebe a ligação de um ouvinte ameaçando explodir uma ponte. Poucos minutos depois, da janela do estúdio da rádio, Yoon Young-hwa vê uma grande explosão. Quando o suposto terrorista volta a ligar, o jornalista vê a oportunidade de ficar famoso com uma entrevista exclusiva.

Comentário

The Terror Live é a segunda incursão do jovem diretor e roteirista Kim Byeong-woo (1980) no cinema. Seu primeiro filme, The Written (2008), uma mescla de thriller e fantasia, foi selecionado para vários festivais internacionais de cinema, incluindo o Festival Internacional de Cinema de São Paulo. E para um diretor novato, ele demonstra uma maturidade e segurança impressionantes na condução do filme The Terror Live.

É admirável quando um cineasta consegue não apenas dirigir um filme, mas também produzir um roteiro original. Entretanto, o resultado nem sempre é o melhor, seja por inexperiência, egocentrismo, ou falta de talento mesmo... Felizmente não é o caso de Kim Byeong-woo, que já provou ter uma mente muito criativa, e um olhar muito apurado por detrás das câmeras. Não que o roteiro de The Terror Live não tenha suas falhas, mas o resultado final é dos mais satisfatórios.

Yoon Young-hwa (Ha Jeong-woo) era um jornalista conceituado, e conhecido nacionalmente como âncora de um noticiário no horário nobre da TV, até sua carreira sofrer um baque, com um escândalo financeiro. Como consequência, ele não foi demitido, mas sim transferido (rebaixado) para a rádio da empresa. Além disso, sua mulher, uma colega repórter, pediu o divórcio. Desprestigiado, Young-hwa não vê grandes perspectivas na profissão de radialista. Entretanto, certa manhã, em seu programa diário de rádio, ele atende a ligação de um ouvinte, que ameaça explodir uma das muitas pontes que cruzam o rio Han, na capital Seul. Sem levar a manifestação a sério, Young-hwa corta a ligação, mas quase em seguida o pior acontece... Da janela do estúdio da rádio Young-hwa observa, ao vivo, uma parte da ponte desaparecer, em meio a uma coluna de fumaça escura. O jornalista logo percebe a oportunidade única de restaurar sua carreira... Ele chama o ex-chefe e diretor do departamento de jornalismo, Cha Dae-Eun (Lee Kyoung-Young), e propõe fazer uma entrevista ao vivo na TV com o terrorista. Young-hwa acha que, com sua manha de jornalista, pode envolver o misterioso terrorista, e usá-lo em proveito próprio, mas os papéis acabam se invertendo... O responsável pelo atentado ameaça detonar mais bombas se não tiver duas demandas atendidas: uma grande quantia em dinheiro, e as desculpas públicas do presidente do país, por um antigo acidente de trabalho, na mesma ponte do atentado.


Talvez a maior qualidade de The Terror Live seja o fato de o espectador poder se divertir sem deixar o cérebro desligado. Pode-se apreciar o filme apenas como um bom thriller, embora seja impossível não surpreender-se com certos aspectos incomuns ao gênero. O principal é o cenário, que se restringe ao estúdio da rádio, da primeira à última cena rodada – tudo mais é visto e ouvido sob a perspectiva do personagem central, Yoon Young-hwa, preso neste ambiente fechado. Yoon Young-hwa (e nós) vê o atentado acontecer pela janela do estúdio, e pela transmissão ao vivo na tela da TV, e interage apenas pelo telefone com o terrorista. E por incrível que pareça, o filme não perde nada em agilidade, graças a uma edição brilhante, e ao verdadeiro tour de force que é a atuação de Ha Jeong-woo (The Yellow Sea, The Client, Take Off). Não é qualquer ator que consegue encarar o desafio de protagonizar (quase) cem por cento das cenas de um filme, sem perder-se no caminho (penso em um ou dois que encarariam bem o papel, como Song Kang-ho, ou Seol Kyeong-gu). Por isso, o diretor tem muito a agradecer a Ha Jeong-woo pelo sucesso do filme – e nós espectadores também!

The Terror Live faz uma crítica contundente à sociedade sul-coreana, aos políticos e especialmente à mídia, que muitas vezes explora as mazelas humanas sem qualquer filtro ético ou moral. Na verdade, a mesma estória poderia ser transportada para qualquer outra parte do mundo, e nada mudaria, pois, infelizmente, os males da sociedade contemporânea são os mesmos, para onde quer que se vá.

12/08/2014

The Vineyard Man (drama, 2006)


País: Coréia do Sul
Gênero: Romance, Comédia Romântica
Duração: 16 episódios
Produção: KBS TV

Direção: Park Man-young
Roteiro: Jo Myung Joo

Elenco: Yoon Eun-hye, Oh Man-suk, Lee Soon-jae, Kim Chang-wan, Lee Mi-young, Ok Ji-young, Kim Ji –suk, Jeonng So-young.

Resumo

A jovem Lee Ji-hyun sonha em ser uma estilista de sucesso, mas não é fácil destacar-se na profissão, ainda mais em uma grande metrópole como Seul. Quando, após um incidente com a chefe, Ji-hyun é demitida, seu futuro parece ainda mais incerto. Isto até a chegada inesperada de seu tio-avô, com uma oferta tentadora... Para receber como herança um grande vinhedo, Ji-hyung terá de trabalhar no campo durante um ano inteiro. Pressionada pela família, ela aceita a proposta e muda-se para o interior. Mas o que ela não sabe é que dois grandes desafios a esperam: a vida rústica na fazenda, e o convívio com o caipira Jang Taek-gi.

Comentário

The Vineyard Man é uma adaptação do livro de mesmo nome, de autoria de Kim Rang. A roteirista a cargo da versão televisiva foi Jo Myung Joo, mais conhecida por escrever dramas épicos, como King Gwanggaeto the Great, ou Jeon Woo Chi. O diretor é Park Man-young (Please Marry Me).

O ano de 2006 foi muito especial para a até então cantora Yoon Eun-hye, pois foi o ano em que ela estreou como atriz, em nada menos que três projetos (dois dramas e um filme). Famosa desde 1999 como membro do grupo pop feminino Baby VOX, Yoon Eun-hye foi convidada a protagonizar o drama romântico Princess Hours (Goong), mesmo sem ter experiência alguma como atriz. O sucesso foi imediato, graças ao talento natural de Eun-hye, tanto para o drama como para a comédia. Poucos meses se passaram entre as estreias dos dramas Goong (MBC) e The Vineyard Man (KBS), mas no segundo Eun-hye já parecia muito mais segura e madura como atriz. No papel da sonhadora Lee Ji-hyun, ela prova sua versatilidade, encarando as situações mais vexatórias sem o mínimo pudor. Pode-se dizer que com este papel Yoon Eun-hye cimentou seu caminho para o sucesso, e que só vem crescendo com passar dos anos. Não custa lembrar que seu papel seguinte foi outro grande desafio, - o da jovem que se faz passar por rapaz, no drama Coffee Prince.

Um dos aspectos mais atraentes de The Vineyard Man é a sua ambientação rural. A maioria dos dramas coreanos parte de uma temática urbana e, por isso mesmo, é agradável ver os personagens interagirem em um cenário diferente. Aliás, este é o grande mote do drama, o choque da personagem de Yoon Eun-hye com uma realidade completamente diferente da sua, ou seja, a da vida rural. Lee Ji-hyun é uma jovem normal, acostumada com o conforto da vida urbana. Mesmo não sendo rica, ela é sustentada pelos pais, e não precisa se preocupar com a rotina das tarefas domésticas. Seu sonho é ser estilista de moda, mas sua ambição não é forte o bastante para encarar os muitos desafios da carreira. Para a jovem, casar-se com um homem rico é a alternativa, no caso de a carreira não vingar... Mas até mesmo este sonho parece distante para Ji-hyun, muito por conta de sua baixa autoestima. As coisas se complicam quando Ji-hyun é demitida injustamente pela chefe, que se aproveita de sua ingenuidade e rouba um de seus designs.

A reviravolta na estória vem com a chegada de um parente do interior. Lee Myung Goo (Lee Ji Oh),tio-avô de Ji-hyun, aparece com uma proposta a princípio maravilhosa. O velho agricultor oferece à neta como herança um vinhedo, com a condição de que ela more com ele por um ano, na fazenda. A família da garota, - a mãe, Choi Ok Sook , o pai, Lee Hyung Man, e o irmão, Jee Ho – são os mais entusiasmados, e tentam convencê-la a aceitar a proposta. Ji-hyun resiste como pode, mas acaba fazendo as malas e embarcando para uma viagem ao desconhecido... Chegando à fazenda, Ji-hyun descobre que, como diz o ditado, o dinheiro não cai do céu... A lida diária no campo é dura e cansativa, e a casa do avô é rústica demais para uma pessoa acostumada ao conforto da cidade grande.

Como se não bastassem todas estas adversidades, Ji-hyun tem de conviver com um avô exigente e teimoso, e com seu assistente, Jang Taek-gi, um caipira grosseiro. Com seu sotaque carregado e pele curtida pelo sol, Taek-gi é o oposto do homem dos sonhos de Ji-hyun. Taek-gi faz a jovem trabalhar nos vinhedos incansavelmente, da primeira hora da manhã, à noite, faça chuva ou faça sol. Exausta e revoltada com a situação, Ji-hyun ensaia varias tentativas de abandonar o lugar, desistindo assim da oportunidade de receber a herança. No entanto, com o tempo a jovem vai aprendendo sobre o valor do trabalho no campo, e acaba compartilhando a paixão incondicional de Taek-gi pelos vinhedos.

The Vineyard Man é uma bela estória de superação e autodescoberta. Ji-hyun é uma jovem que achava que sua vida era difícil e repleta de obstáculos, até descobrir que, com paixão e determinação, os grandes desafios sempre podem ser superados.

Yoon Eun-hye sempre teve uma ótima interação com seus pares românticos , e com Oh Man-suk não foi diferente. Oh Man-suk não é um homem de beleza clássica, mas suas feições mais rústicas (a pele bronzeada e os cabelos longos ajudaram a compor o personagem) serviram perfeitamente ao personagem. Se Oh Man-suk não foi o par romântico mais memorável para Eun-hye (para algumas foi Gong Yoo, para outras, Kang Ji-hwan), foi o que melhor soube despertar o lado cômico da atriz. É impressionante como Oh Man-suk vai conquistando a nós (e a Eun-hye) pouco a pouco com seu coração singelo.

E, para deixar uma polêmica no ar, tenho de admitir que gostei mais deste drama, no geral, do que do incensado Coffee Prince. A atuação de Eun-hye e a química explosiva com Gong Yoo em Coffe Prince não podem ser superadas, mas o enredo deste drama é problemático, em vários pontos. Já em The Vineyard Man, a evolução dos personagens e o desfecho da estória são muito mais orgânicos. É claro que esta é uma impressão muito pessoal, e o que importa é que os admiradores de Yoon Eun-hye não podem deixar de ver tanto The Vineyard Man, como Coffee Prince, dois belíssimos dramas românticos.

04/08/2014

A Werewolf Boy (filme, 2012)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama, romance, fantasia
Duração: 125 min.

Direção e Roteiro: Jo Seong-hee
Direção de Fotografia: Choi Sang-muk

Elenco: Park Bo-Young, Song Joong-Ki, Jang Yeong-nam, Kim Hyang-Gi, Yoo Yeon-seok, Lee Yeong-ran.

Resumo

Uma viúva e suas duas filhas se mudam para uma casa no interior. A filha mais velha, Soon-yi, estuda em casa, por ter uma saúde frágil. Certa noite, ela ouve um barulho estranho e ao sair na rua, se assusta ao ver uma criatura estranha. No dia seguinte, a família encontra um rapaz com aparência selvagem, que não fala e comporta-se como um pequeno animal acuado. Elas resolvem cuidar do rapaz, até que possam encontrar um lar para ele. Soon-yi, uma adolescente solitária, acaba apegando-se ao misterioso jovem.


Comentário

Jo Seong-hee é um jovem diretor que pavimentou sua recente carreira com participações em importantes festivais internacionais de cinema, como Cannes, Vancouver, ou Londres. Seu primeiro filme foi o média-metragem Don´t Step Out of the House (2009), selecionado para os festivais de Cannes e Vancouver. A seguir veio End of Animal (2010), um longa-metragem, que passou por meia dúzia de festivais, incluindo o Festival de Cinema Digital de Seul. A consagração do diretor Jo veio com a fantasia romântica A Werewolf Boy, que arrematou prêmios no PaekSang Arts Awards, e no KOFRA Film Awards (2013). Com este currículo, o diretor Jo pode vangloriar-se de ter a simpatia tanto do público como da crítica. E é verdade que Jo Seong-hee é um ótimo diretor, com um olhar cinematográfico invejável e, muito importante, grande sensibilidade para orientar seus atores. Entre um diretor cheio de floreios, preocupado com ângulos inovadores, e um que dê prioridade à atuação, fico sempre com o segundo. É claro que o ideal é uma direção bem estudada combinada a atuações convincentes, como é o caso de A Werewolf Boy. Entretanto, o filme peca no roteiro, que deixa transparecer a inexperiência de seu autor. É por isso que a maioria dos cineastas autorais têm parceiros roteiristas, que os apoiam na hora de desenvolver e lapidar suas estórias. Assistindo a A Werewolf Boy (ou seus filmes anteriores), fica clara a obsessão de Jo Seong-hee pelo cinema fantástico, e pelo cineasta norte-americano Tim Burton. Nas primeiras cenas de A Werewolf Boy já fica óbvio para o espectador familiarizado com a obra de Tim Burton, a semelhança com um de seus filmes mais famosos, Edward Scissorhands (1990). É claro que Tim Burton tão pouco foi original, tendo bebido de fontes literárias clássicas como Frankenstein, ou a Bela e a Fera. Na verdade, o ponto fraco de A Werewolf Boy é seu terceiro ato, com uma tentativa pouco convincente de explicar algo que ficaria muito melhor resguardado como um mistério – afinal, estamos falando de uma fantasia... E já que o diretor inspirou-se na obra-prima que é o filme Edward Scissorhands, poderia ter usado o mesmo recurso de Tim Burton e ter esclarecido a origem do menino lobo em uma única cena (como na belíssima abertura do filme de Burton).


Nem por isso o sucesso de A Werewolf Boy deve ser desmerecido... Filmes inteligentes e mais ‘artísticos’ voltados ao público adolescente são raros, em qualquer parte do mundo. E filmes com personagens femininos marcantes são mais raros ainda... A jovem Soon-yi é um personagem maravilhoso, que a atriz Park Bo-Young teve a sorte de interpretar, e de forma brilhante. Apesar de sua pouca experiência como atriz, Park Bo-Young (Hot Young Bloods) interpreta a sofrida Soon-yi com delicadeza e maturidade impressionantes. O elenco secundário também merece elogios, com destaque para a sempre divertida Jang Yeong-nam (Righteous Ties), e para Kim Hyang-Gi (Thread of Lies), uma atriz- mirim já reconhecida e premiada por seus trabalhos no cinema e na TV.

Finalmente, temos o menino lobo, ou melhor, jovem lobo, Song Joong-Ki (Nice Guy). A Werewolf Boy foi a marcante despedida do ator antes de afastar-se temporariamente para cumprir seus dois anos de serviço militar obrigatório. Song Joong-Ki não poderia ter escolhido melhor projeto para deixar como lembrança nos corações e mentes de suas fãs. Não é tarefa fácil, mesmo para um grande ator, expressar-se apenas através do olhar e de gestos, mas Song Joong-Ki dá conta do recado, e muito bem. É espantoso que, com suas feições delicadas, sua tez pálida e olhar melancólico, Song Joong-Ki consiga alternar momentos de fragilidade, com outros de pura fúria animal.

Destaque também para a fotografia do filme, que combina brilhantemente os tons de sépia do cenário, com as cores quentes do figurino dos personagens.
Aguardo ansiosamente pelo próximo projeto do diretor Jo, o filme Detective Hong Gil-dong, com outro ótimo ator, Lee Je-hoon (Architecture 101), e que deve estrear em 2015.
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