22 de jul de 2015

Meus Atores Favoritos do Drama Coreano


Fazer uma lista de atores coreanos (em drama) favoritos é bem mais difícil do que de atrizes, já que há tantos nomes para destacar. Mas, numa era em que predominam os garotos metrossexuais, resolvi enfocar, desta vez, os atores que exalam uma ‘vibe’ mais energética, mais masculina. Em geral, isto já elimina em boa parte a geração atual de atores, que dá tanta (ou mais) importância ao visual do que à atuação em si. Nada contra os ‘flower boys’, que encantam a telinha, e os muitos produtos que patrocinam... Mas nada como um ar mais rústico para mexer com o coração da mulherada, não é mesmo? Sendo assim, estes são os meus machões favoritos...


O primeiro nome que me vem à mente é Cha Seung-won, que, para muitas de suas fãs, será para sempre o carismático político Jo Gook, do drama The City Hall (2009). O ator transita com versatilidade entre os vários meios artísticos, do cinema para a TV, do teatro para as passarelas da moda. Ainda estou esperando um grande filme em sua carreira, embora tenha gostado muito de Eye for an Eye (2008) e The Big Scene (2005). Seu melhor par romântico, sem dúvida alguma, é Kim Seon-ah, no inesquecível The City Hall (da incensada roteirista Kim Eun Sook). Atualmente Seung-won está arrasando no drama épico Hwajung (Splendid Politics), no papel do rei Gwanghae. Poucas vezes se viu um imperador tão elegante e imponente, do alto de seus 1,88 m. Sua melhor qualidade é seu senso de humor, que sempre transparece no olhar, e em sua risada gutural inconfundível. Seu papel mais desafiador foi o de um policial que gosta de se travestir, no filme Man on High Heels.


Por falar em homens altos, Choi Jin-Hyeok também é um bom exemplo do de ator que chama a atenção por seus charmes masculinos. Descontado o gosto duvidoso por tinturas de cabelo exóticas, Choi Jin-Hyeok é um ator da nova geração, com a elegância clássica dos veteranos. Com 29 anos de idade, o ator adiou até o último instante sua ida para o serviço militar obrigatório, e agora, infelizmente, teremos de esperar ansiosamente por sua volta à mídia. Em seu último papel, no drama Pride and Prejudice, ele provou estar em plena forma, como ator, e como homem. E após múltiplos papeis românticos coadjuvantes – I Need Romance, Fated to Love You - Choi Jin-Hyeok provou estar preparado para assumir o título de galã dos dramas coreanos. Lindo, bom ator, e excelente cantor, o que se pode esperar mais deste rapaz? Volte logo, Choi Jin-Hyeok!

 
Lee Seon-gyoon é o tipo de ator que consegue me surpreender cada vez que o vejo, em um novo projeto. Seja no cinema, ou na TV, Lee Seon-gyoon não se acomoda, e está sempre em busca de maiores desafios como ator. A primeira vez que vi o ator foi no drama Pasta, e a princípio não entendi como haviam escolhido um ator pouco fotogênico e de voz fanha (?!) como protagonista. É claro que foi apenas a primeira impressão, pois algumas cenas depois, eu já estava completamente apaixonada por aquele chefe de cozinha misógino e esnobe. A atriz Yoon Eun-hye comentou em entrevista que, ao contracenar com Lee Seon-gyoon no drama Coffe Prince, ficou encantada com sua boa índole, e dedicação absoluta à mulher e aos filhos (ele é casado com a atriz Jeon Hye-jin-II). Esse caráter amistoso do ator está sempre presente, e nos faz querer conhecê-lo melhor, a cada novo personagem que encarna. Amo em especial seu trabalho no drama Miss Korea, como o ‘pigmaleão’ moderno Kim Hyeong-joon. Nos últimos anos Lee Seon-gyoon vem se dedicando mais ao cinema (A Hard Day, Love is a Virus), e vale muito a pena acompanhar esta boa fase de sua carreira. Grande ator, Lee ‘The Voice’ Seon-gyoon!


Como comentei na introdução, a nova geração de atores coreanos carece de certa rudeza, um charme essencial a determinados papeis, mas o jovem Yoo Ah-in é uma exceção a ser exaltada. Desde seu primeiro papel protagonista no drama épico Sungkyunkang Scandal (KBS, 2010), até o reconhecimento atual no cinema (Punch, Thread of Lies), Yoo Ah-in, já tem o currículo digno de um veterano. Yoo Ah-in é mais sexy do que bonito, mais elegante do que forte; é um homem que tem o tipo de charme a ser descoberto aos poucos, mas cuja intensidade é desconcertante. Foi com seu personagem mais marcante, Moon Jae-sin, o rebelde charmoso de Sungkyunkang Scandal, que descobri o significado do termo ‘second lead Syndrome’. Meu sonho é ver uma comédia romântica estrelada por Yoo Ah-in, e apreciar seu belo sorriso cheio de covinhas, enquanto olha para sua amada...


Numa lista pessoal, Jang Hyeok deveria ser o primeiro colocado, tanto como ideal de homem, quanto de ator. Bonito, sem ser afetado, simpático, educado, respeitado pelos colegas, versátil como ator – do romance à comédia, do thriller ao drama, Jang Hyeok encara qualquer batalha com o mesmo entusiasmo... Meu primeiro encontro com Jang Hyeok foi no cinema (Windstruck), mas foi no drama Chuno (2010) que me apaixonei perdidamente por este ator. Logo depois assisti um drama anterior, Thank You (2007), e minha admiração por Jang Hyeok como ator só cresceu. Aliás, estes dois personagens, Dae-gil, o nobre transformado em caçador de escravos, e o médico Min Gi-seo são meus dois personagens favoritos, até o momento, da carreira de Jang Hyeok. Não por acaso, dois personagens muito parecidos, repletos de paixão e melancolia, na mesma proporção. Embora a cinematografia do ator seja um tanto quanto irregular, gosto muito do thriller The Client (um Jang Hyeok muito diferente do que estamos acostumados a ver) e The Flu (um filme irregular, mas ele nunca esteve tão lindo, como bombeiro!). Recomendo também o drama Midas, e o épico Deep-rooted Tree.


Será que existe alguém que não goste de Gong Yoo? Como ator, ele é admirado e disputado, e como pessoa, é encantador! Ao menos é a impressão que passa, através de entrevistas, ou de depoimentos de colegas atores. Gong Yoo tem aquele ar de garotão despreocupado – o imagino no papel de um surfista, passando os dias à beira-mar, com aquele corpo escultural, bronzeado (suspiro). Mas ele também tem um lado mais introspectivo e suave, que pode ser vislumbrado (dentro de sua curta carreira), no drama Big (talvez sua melhor atuação até o momento) ou no filme The Crucible (sua primeira incursão em um papel mais dramático). Gong Yoo ainda tem muito a mostrar como ator, e espero que, com a maturidade, venham papeis mais desafiadores, seja no cinema ou na TV.


Kim Woo-bin é mais um exemplo de ator da nova geração que foge dos estereótipos de ‘flower boy’ ou ídolo kpop. Apesar da carreira original de modelo, Kim Woo-bin não tem uma beleza convencional, e conquistou seu espaço como ator, graças a um talento natural, e um magnetismo inegável. Em seu primeiro papel na TV, no drama especial White Chritmas, ele já chamava a atenção, como o rebelde de cabelos vermelhos, Kang Mi-reu. Mas foi com os dramas School 2013 (em bromance inesquecível com Lee Jong-seok) e The Heirs (em que rouba a cena do protagonista, Lee Min-ho) que Woo-bin conquistou de vez nossos corações. É de se aplaudir também sua incursão muito bem sucedida nos cinemas, com filmes como Friend, the Great Legacy, e o mais recente, Twenty. O próximo passo de Woo-bin deve ser o de protagonista em um drama de TV, e espero que ele tenha paciência para escolher um projeto que faça jus à sua qualidade como ator.


Eu poderia copiar e colar o perfil de Lee Seon-gyoon para falar sobre Uhm Tae-woong, já que ambos são atores que possuem um charme que deve ser descoberto (e desfrutado) pouco a pouco... Uhm Tae-woong é aquele cara que pode seduzir uma mulher não tanto pela aparência, mas certamente pela gentileza e cavalheirismo. Ele é o tipo de homem que poderia se produzir mais e ficar mais bonito, mas que consegue conquistar com sua aparência às vezes desleixada, outras vezes puramente máscula. Em filmes como Cyrano Agency, ou Never Ending Story, que ele consegue transformar personagens triviais, em figuras complexas, e cheias de nuances. O mesmo acontece em dramas como The Devil, ou o mais recente, Valid Love, quando, ao confrontar-se com rivais mais jovens e belos (Joo Ji-hoon, e Lee Soo-hyuk, respectivamente) Uhm Tae-woong prova que pode balançar o coração de qualquer donzela...


Joo Sang-wook está muito perto de Cha Seung-won em grau de poder másculo, e é um dos atores mais bonitos da atualidade. Realmente, a beleza deste homem é hipnotizante, e não é apenas uma opinião pessoal – me recordo de um comentário divertido da atriz Ha Ji-won, sobre seu encontro com Joo Sang-wook no filme The Huntresses, e de como o ator fazia “seu coração bater loucamente” cada vez que o via. E o melhor de tudo é que Joo Sang-wook é um ótimo ator, tanto em dramas (TEN, Good Doctor) como em comédias (Cunning Single Lady, Birth of Beauty). Só falta um grande filme na carreira deste ator, para que ele atinja a perfeição!


Seo In Guk é um ídolo pop, sim, mas não pode ser classificado como um ‘flower boy’, e, apesar de ser muito estiloso, como todo rapaz de sua geração, tem testosterona o bastante para entrar nesta listinha. Foi quase num piscar de olhos que o cantor aclamado em um concurso de talentos virou protagonista de dramas. Mas é só parar para contemplar o rosto perfeito de Seo In Guk devorando a telinha, para admitir que ele nasceu para brilhar. Seo In Guk ainda não é um ator completo, mas, se tiver tempo para desenvolver suas habilidades cênicas, pode ambicionar papeis mais complexos. Com King of High School ele já provou seu poder de improvisação e talento cômico, e, agora mesmo com Remember You, seu lado mais dramático.

Estes são os atores que acho que merecem estar entre os top ten, mas poderia acrescentar tantos outros à esta lista, como So Ji-sub (Master´s Sun), Eric (Discovery of Romance), Ji Jin-hee (The Man Who Can´t Get Married), Joo Ji-hoon (Mask), Sin Ha-gyoon (Brain), Lee Dong-geon (When It´s At Night), Lee Seo-jin (Lovers), Lee Seong-jae (Warm and Cozy), Taecyeon (Assembly)...

25 de jun de 2015

Who Are You - School 2015 (drama, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama escolar, suspense, romance
Duração: 16 episódios
Produção: KBS TV

Direção: Baek Sang-hoon, Kim Seong-yoon
Roteiro: Kim Hyeon-jeong-II, Kim Min-jeong-II

Elenco: Kim So-hyeon-I, Nam Joo-hyeok, Yook Seong-jae, Lee Pil-mo, Lee David, Jo Soo-hyang, Kim Hee-jeong-I, Lee Cho-hee, Jeon Mi-sun, Kim Jung-nan, Jeon No-min, Lee Si-won, Kim Bo-ra

Resumo

Eun-byeol estuda em uma escola particular de elite. Durante uma excursão com os colegas, ela desaparece misteriosamente. Dias depois, Eun-byeol é encontrada, mas perdeu totalmente a memória. De volta ao colégio, ela terá de descobrir quem é, e que segredo do passado guardava consigo.

Comentário

A KBS TV volta à sua franquia de drama escolar, com Who Are You - School 2015. Ao contrário de School 2013, que se passava numa escola de classe média, o novo drama é ambientado numa prestigiosa escola particular de Seul. Mas as diferenças não param por aí... School 2013 retratava de forma muito realista os conflitos entre professores e alunos, as amizades e diferenças entre os colegas de classe, bem como seus problemas com os pais. Who Are You, por outro lado, deixa em segundo plano o drama escolar, para debruçar-se sobre um grande mistério... Tudo começa com uma excursão escolar a uma cidade litorânea, e o desaparecimento inexplicável da aluna mais popular da escola, Go Eun-byeol (Kim So-hyeon-I). Song Mi-Gyeong (Jeon Mi-sun), se desespera com o sumiço da filha única, até Eun-byeol finalmente aparecer, inconsciente, em um hospital. Ao acordar, Eun-byeol está amnésica, e não consegue lembrar nem mesmo do próprio nome. Mal sabe sua mãe que estará levando para casa uma estranha...


Lee Eun-bi (Kim So-hyeon-I) é uma adolescente que mora na cidade de Tongyeong, e nunca conheceu o carinho de uma família, já que foi criada em um orfanato. Eun-bi é uma garota muito madura para sua idade... Estuda, tem vários empregos temporários, e ainda ajuda a cuidar das crianças do orfanato. Infelizmente, sua vida na escola se torna um inferno, quando resolve ajudar uma colega que vinha sofrendo bulling, e acaba ela alvo da mimada e maldosa Kang So-yeong (Jo Soo-hyang). Desesperada, ela se joga de uma ponte, para o mar, mas é resgatada e acorda sem memória, no hospital. E é assim que a mãe de Eun-byeol acaba levando para casa Eun-bi, uma sósia perfeita de sua filha adotada. Mas onde foi parar Eun-byeol? Fugiu de casa, ou está morta? Este é apenas um dos mistérios com os quais sua irmã (?) Eun-bi irá se deparar ao substituí-la na escola, em Seul.


As melhores amigas de Eun-byeol ficam felizes em revê-la sã e salva. Cha Song-joo (Kim Hee-jeong-I) e Lee Shi-Jin (Lee Cho-hee) ficam intrigadas com o comportamento diferente da amiga, mas assumem que se trata de um efeito colateral da amnésia. O amigo de infância, Han I-na (Nam Joo-hyeok) também estranha a ‘nova’ Eun-byeol, mas fica aliviado ao rever sua paixão antiga (embora não assumida). Por estranho que pareça, o aluno que mais suspeita da verdadeira identidade de Eun-byeol é Gong Tae-kwang (Yook Seong-jae). Isto porque a verdadeira Eun-byeol o tratava com desprezo, para não dizer que o ignorava totalmente. Mas a ‘nova’ Eun-byeol é gentil, educada, deixando Tae-kwang cada vez mais perplexo e, ao mesmo tempo, atraído pela garota.


Quando Eun-bi recupera a memória, hesita em contar a verdade, pois irá perder o amor da mãe, as novas amizades, para voltar ao pesadelo de sua vida de órfã. Mas ela irá descobrir que sua gêmea Eun-byeol também tem seus esqueletos guardados no armário... Uma ex-aluna da escola, Seo Young-Eun (Kim Bo-ra), parece ter algo a ver com o desaparecimento de Eun-byeol, e Eun-bi precisa desvendar este mistério.

Embora Who Are You dê prioridade para o suspense, os temas típicos dos dramas escolares também são abordados, tais como o bulling, ou a competitividade feroz à qual os estudantes coreanos são submetidos, em busca das melhores notas no boletim. O conflito entre o estudante Park Min-joon (Lee David) e sua mãe Shin Jung-Min (Kim Jung-nan, de Gentleman´s Dignity) lembra muito o já retratado no drama Heirs. Tae-kwang também sofre com a frieza do pai, e diretor da escola, Gong Jae-ho (Jeon No-min). Han I-na, por outro lado, apesar de ser pobre, tem um pai amoroso e dedicado, Han Gi-choon (Lee Dae-yeon). Han I-na estuda em uma escola de elite, por fazer parte do time de natação, e ter um futuro promissor como atleta.


Se no drama School 2013 os professores protagonizavam a estória, em Who Are You sua participação é bem mais discreta... Lee Pil-mo (Pinocchio) está simpático como sempre, no papel de Kim Joon-seok, o professor mais popular, por conviver diariamente com os alunos da classe de Eun-byeol, e por saber dar bons conselhos aos adolescentes, no lugar de lições de moral vazias.


Talvez o que mais faça falta em Who Are You seja um belo ‘bromance’, como o de Lee Jong-suk e Kim Woo-bin, em School 2013, mas, para compensar, temos um triângulo amoroso dos mais adoráveis. Nam Joo-hyeok e Yook Seong-jae disputam o amor de Kim So-hyeon-I e, como sempre, é impossível não simpatizar com a parte rejeitada do romance...


Nam Joo-hyeok e Yook Seong-jae são dois garotos maravilhosos, mas o segundo se destaca, com uma atuação madura e envolvente. Se Yook Seong-jae (Plus Nine Boys) já era admirado por sua bela voz, depois deste drama, também pode ser considerado um ator promissor. 


E Kim So-hyeon-I (Missing You), após tantos papeis secundários, e participações especiais, finalmente tem a oportunidade (e o merecimento indiscutível) de ser a protagonista em um drama. E ela encara o papel duplo como se fosse a mais experiente das atrizes, ou seja, sem exageros, com sutileza e delicadeza impressionantes.

 
Embora eu tenha curtido demais este drama, não dá para ignorar as falhas do roteiro, que denunciam a inexperiência das duas roteiristas, Kim Hyeon-jeong-II (Grade A Student – special), Kim Min-jeong-II (Come to Me Like a Star – special). Todo o escritor que se aventura no gênero suspense (thriller) precisa ter muito cuidado para não deixar ‘furos’ na estória, e, no caso de Who Are You (quero evitar aqui os spoilers) certos pontos cruciais da trama ficam muito mal resolvidos. Felizmente, estas falhas não chegam a estragar o prazer de ver este drama, e os diretores Baek Sang-hoon (Secret e Kim Seong-yoon (Dream High, Big, Discovery of Romance) fazem um excelente trabalho na condução da estória e do elenco. Enfim, a KBS pode seguir tranquilamente com seus belos dramas escolares, por muitos e muitos anos... Estaremos aguardando ansiosamente por School 2017!

15 de jun de 2015

Unkind Women (drama, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama
Duração: 24 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Yoo Hyun-ki
Roteiro: Kim In-young

Elenco: Kim Hye-ja, Chae Si-ra, Do Ji-won, Lee Ha-na, Lee Soon-jae, Jang Mi-hee, Seo Yi-sook, Kim Ji-seok, Song Jae-rim, Son Chang-min, Lee Mi-do, Kim Hye-eun, Park Hyuk-kwon, Choi Jung-woo

Resumo

Três gerações de mulheres que vivem na mesma casa, e compartilham suas alegrias e sofrimentos.

Comentário

Apesar do título provocativo, Unkind Women, não nos decepciona ao apresentar um grupo de mulheres de caráter indomável, mas também de grande coração. E é com uma mistura de prazer e estupefação que acompanhamos as peripécias destas mulheres tão especiais. Tudo gira em torno da matriarca, Kang Soon-ok (Kim Hye-ja), uma senhora de aparência frágil, mas que é uma verdadeira leoa. Kang Soon-ok é uma mulher batalhadora, que enviuvou cedo, e teve de se virar para sustentar as duas filhas adolescentes. Em sua preciosa casa antiga, ela faz pratos deliciosos e oferece um disputado curso de culinária típica coreana. 


Kim Hyun-sook (Chae Si-ra), a filha mais nova, e a neta, Jung Ma-ri (Lee Ha-na, King of High School) também moram no casarão da matriarca. A filha mais velha, Kim Hyun-jung (Do Ji-won, de Healer) trabalha numa estação de TV, como âncora de noticiários, e, em grande parte por seu caráter forte, nunca se casou ou teve um relacionamento amoroso sério. Sua irmã caçula, Hyun-sook, por outro lado, casou-se muito jovem, e abandonou os estudos para criar a filha Ma-ri. Separada do marido, seu antigo tutor escolar Jung Goo-min (Park Hyuk-kwon, de Punch, The Producers), ela não consegue superar os traumas de uma juventude conflituosa (a perda do pai e a expulsão do colégio). Sua única alegria é a filha Ma-ri, uma jovem estudiosa e obediente. Complexada e insegura, Hyun-sook age como uma adolescente rebelde, e vive causando problemas para a família. Aflita por tentar ajudar financeiramente a mãe, ela investe as economias da velha, mas acaba perdendo tudo. Envergonhada, Hyun-sook foge para o litoral, e acaba sendo acolhida por uma mulher muito rica, que demonstra um interesse incomum em ajudá-la. Acontece que esta mulher, Jang Mo-ran (Jang Mi-hee, de Rosy Lovers) tem uma ligação antiga e trágica com os pais de Hyun-sook.

Jung Ma-ri é uma dedicada professora assistente em uma universidade de Seul. Seu sonho é ser contratada como professora titular, mas ela se envolve numa confusão, ao aparecer numa reportagem de TV mal editada, e acaba sendo demitida. O responsável involuntário é o repórter Lee Doo-jin (Kim Ji-seok, de Chuno), que, para reparar o erro, consegue um trabalho temporário para Ma-ri em um programa de TV. Os dois acabam ficando amigos, e Lee Doo-jin se encanta cada vez mais com a inteligência e simpatia de Ma-ri. Acontece que a mãe de Lee Doo-jin é Na Hyun-ae (Seo Yi-sook, de You´re All Surrounded), a professora que perseguiu e fez com que a mãe de Ma-ri fosse expulsa da escola no passado.


Apesar da presença do repórter Doo-jin, Ma-ri acaba se rendendo aos encantos do mestre de kendô Lee Roo-o (Song Jae-rim, de Surplus Princess). Mas não vai ser fácil Ma-ri convencer sua família de que Roo-o é um bom partido para ela, ainda mais quando for revelado o histórico familiar do rapaz.

Sim, as coincidências seguem na trama e, no final das contas, quase todos os personagens se relacionam de alguma forma, seja no presente ou no passado. Mesmo assim, a roteirista consegue desencadear estes encontros e desencontros de forma muito fluida e sensível, e este certamente é um dos grandes méritos do drama. Os 24 episódios de Unkind Women são repletos de eventos emocionantes, e seus personagens são tão simpáticos, que é difícil não lamentar que o drama não pudesse se prolongar por mais alguns capítulos. Aliás, Kim In-young tem se revelado uma roteirista de grande talento, inclusive para o drama épico, com o atual Hwajung (Splendid Politics), uma trama com aventura, história e romance na medida certa. Outro drama da autora que está entre os meus favoritos é Still, Marry Me (2010), com Kim Beom.

Além do excelente roteiro, Unkind Women conta com um PD de primeira, Yoo Hyun-ki (My Daughter Seo-yeong, Brain), com sua direção sempre elegante e segura.


Agora, um espetáculo mesmo são as atuações, especialmente da veterana Kim Hye-ja, como a matriarca Kang Soon-ok. Outro papel marcante da atriz foi o de imperatriz no drama Princess Hours, mas foi no filme Mother, do diretor Bong Joon-ho, que Kim Hye-ja teve sua interpretação mais inesquecível. Outra que impressiona pelo comprometimento com o personagem é Chae Si-ra (The Iron Empress), que se entrega de corpo e alma, sem medo de parecer ‘feia’ ou patética, como a imatura Hyun-sook. No começo, é difícil para o espectador gostar de Hyun-sook, mas o personagem vai crescendo até se tornar o foco central da trama, e com total merecimento. Jang Mi-hee também encanta, como a frágil e bela Jang Mo-ran, e com seu tumultuado, mas divertido relacionamento com a rival Kang Soon-ok.


O elenco masculino não fica atrás em termos de qualidade, embora os homens, nesta estória, não tenham muita chance de se impor diante de mulheres de caráter tão indomável. Temos o veterano ator de TV e cinema Lee Soon-jae (Beethoven Virus), como o velho Kim Chul-hee, um homem que paga caro por seus erros do passado. Son Chang-min (Pride and Prejudice, Cruel City), esbanja charme e simpatia, como o editor Lee Moon-hak. E finalmente, Choi Jung-woo (Doctor Stranger), como o bondoso ex-professor de Hyun-sook, Han Choong-gil.


O que mais me tocou neste drama foi o enfoque muito delicado e sincero sobre o valor da mulher na união familiar. Não é o mundo que a maioria das mulheres sonha viver, muito pelo contrário, mas quantas delas são desafiadas pelo destino a manter suas famílias sozinhas... A senhora Kang Soon-ok e suas filhas são um exemplo fantástico de mulheres que souberam trilhar seu caminho, graças ao inabalável poder do amor feminino.

13 de mai de 2015

Divorce Lawyer in Love (drama, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: Romance, Comédia, Drama Legal
Duração: 16 episódios
Produção: SBS TV

Direção: Park Young-soon
Roteiro: Kim Ah-jeong

Elenco: Yeon Woo-jin, Jo Yeo-jeong, Sim Hyeong-tak, Wang Ji-won.

Resumo

Go Cheok-hee é uma advogada especializada em casos de divórcio, que trata muito mal os funcionários de seu escritório, incluindo o secretário So Jung-woo. Mas tudo muda quando Cheok-hee perde sua licença e não pode mais exercer a profissão, enquanto Jung-woo torna-se um advogado bem sucedido. O casal volta a se encontrar quando a advogada temperamental é contratada como secretária de Jung-woo.

Comentário

Parafraseando um velho ditado, “nada como um episódio depois do outro”, para descrever o que acontece com Divorce Lawyer in Love, um drama que começou mal, mas que melhorou muito a partir do quinto episódio, e merece uma segunda chance, embora a audiência já tenha despencado dramaticamente em sua terra natal. Felizmente, dois motivos me fizeram insistir no drama: Yeon Woo-jin (que já seria motivo o bastante, não é?), e a vontade de ver uma comédia romântica mais leve, em meio a tantos dramas bons, mas pesados ( Sensory Couple, e School 2015 são dois exemplos de dramas divertidos, mas que pendem mais para o suspense que para o romance).

A debilidade no roteiro de Divorce Lawyer in Love é o que mais chama a atenção, já que o elenco é excelente, e a direção (Park Young-soon, de 49 Days) é burocrática, mas não atrapalha em especial o andamento da estória. Em 2014, o canal SBS (através da Fundação SBS) organizou um concurso de roteiro, com a intenção de descobrir novos talentos. E o premiado foi Kim Ah-jeong, que, portanto, estreia profissionalmente com Divorce Lawyer in Love. O fato de o roteirista ser um homem não justifica a incapacidade de criar personagens femininos envolventes, mas a inexperiência de Kim Ah-jeong fica muito evidente, no caso deste drama. Kim se apoia na obra teatral “A Megera Domada” para tentar transpor a famosa comédia de Shakespeare para os dias atuais. A ideia é boa, já a sua execução, nem tanto. Primeiro, porque fica difícil gerar simpatia da audiência (essencialmente feminina) com um personagem antipático e grosseiro como a advogada Go Cheok-hee. Segundo, porque os personagens apresentados nos casos de divórcio não são nada interessantes (mesmo que eles sirvam de mera "escada" para os protagonistas).

Bem, expostos os pontos fracos, podemos ressaltar as qualidades que fazem de Divorce Lawyer in Love, um drama que ainda assim merece ser visto. Como eu já havia mencionado, o elenco desta comédia romântica é competente, são atores experientes e bem conhecidos do público. Jo Yeo-jeong já tem uma carreira muito bem estabelecida, tanto na TV quanto no cinema, embora em projetos com resultados irregulares (gostei dela no drama I Need Romance, e no filme The Target). Confesso não ter simpatizado a princípio com a advogada Go Cheok-hee, mesmo prevendo que o personagem iria ser “domado” pelo amor. Mas, tudo bem, como era óbvio, a advogada “má” transforma-se na profissional que todos admiram, embora continuem temendo. Aliás, parece que a moda agora nos dramas coreanos é criar personagens femininas chatas e mandonas – não confundir com inteligentes e bem sucedidas. Não há pior clichê que o ‘chaebol’ mimado, ou a jovem executiva fria e calculista. Mas enfim, desabafos a parte, quando Go Cheok-hee finalmente enxerga o charme do colega So Jung-woo, tudo muda em sua vida. Demorou, hem, para ela reconhecer que tinha um homem tão maravilhoso bem diante do seu narizinho, há tanto tempo... Ah, Yeon Woo-jin, a encarnação perfeita do bom moço! Como os colegas de escritório de Jung-soo mesmo dizem, “um sorriso de engravidar” (rará, boa essa). Ao contrário da terrível Cheok-hee, So Jung-woo é um personagem que nos encanta de cara, tanto por sua boa índole e inteligência, como por suas pequenas, mas naturais, fraquezas humanas. A mulherada se encantou com Yeon Woo-jin no drama Marriage, Not Dating (tvN, 2014), mas eu gostei mesmo foi do seu papel em Arang and the Magistrate (MBC, 2012). Um ator que, muito além da beleza, já provou seu talento tanto para o drama como para a comédia.



O casal coadjuvante também é muito agradável, especialmente Sim Hyeong-tak – adoro seu ar ‘dandy’ e seu charme irreverente. Com mais de trinta projetos em seu currículo, já passou da hora do ator ganhar um papel principal em um drama. Bem que o canal tvN, onde Sim Hyeong-tak esteve recentemente com o excelente drama gastronômico Let´s Eat, podia chamá-lo para protagonizar um projeto... E Wang Ji-won, que costuma interpretar mulheres frias e elegantes (I Need Romance 3, Fated to Love You), está ótima como a advogada Jo Soo-ah – pena que mais uma vez ela não terá sorte no amor.

Enfim, Divorce Lawyer in Love chega à metade de seu enredo, meio aos trancos e barrancos, mas ao menos permanece a curiosidade sobre o destino destes advogados neuróticos, mas muito charmosos...

30 de abr de 2015

Punch (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama político
Duração: 19 episódios
Produção: SBS

Direção: Park Myung-woo
Roteiro: Park Kyung-soo

Elenco: Kim Rae-won, Cho Jae-hyun, Kim Ah-joong, Choi Myoung-gil, Seo Ji-hye, On Joo-wan, Park Hyuk-kwon, Kim Eun-soo, Lee ki-young, Kim Ji-young, Jeong Dong-hwan, Lee Han-wi, Song Ok-suk, Lee Young-eun.

Resumo

Park Jung-hwan é o promotor que lidera a equipe de investigação contra a corrupção federal de seu país. Para chegar a este cargo importante, Park comprometeu seriamente tanto sua ética pessoal, quanto profissional. Quando descobre que tem um tumor cerebral, e que lhe resta pouco tempo de vida, ele tenta corrigir seus erros passados. Para isso, Park precisa demover do cargo seu mentor, o chefe da promotoria pública federal Lee Tae-joon, bem como a ministra Yoon Ji-sook.

Comentário

Punch foi um dos grandes dramas de 2014, uma excelente trama política, com doses equilibradas de suspense e drama pessoal. Após o sucesso com o drama The Chaser (2012), o roteirista Park Kyung-soo (Empire of Gold, The Legend) volta à SBS com mais um thriller eletrizante, desta vez envolvendo as disputas pelo poder entre o executivo e o judiciário, representados respectivamente pela ministra da justiça Yoon Ji-sook (Choi Myoung-gil), e pelo chefe da promotoria federal Lee Tae-joon (Cho Jae-hyun). No centro do fogo cruzado entre estes dois personagens para lá de ambiciosos está o promotor Park Jung-hwan (Kim Rae-won).



Park Jung-hwan desviou-se do caminho da justiça em nome do poder e da fortuna ilícita, no momento em que conheceu Lee Tae-joon, há sete anos. Esta escolha custou-lhe não apenas a honra, mas seu casamento, e o respeito de colegas e superiores. Shin Ha-Gyung (Kim Ah-joong) é uma promotora séria e incorruptível, que não se conforma em ver o ex-marido usar o poder da justiça como moeda de troca com empresários e políticos influentes. Ela só não rompeu todos os laços com Park Jung-hwan por causa da filha, a adorável Ye-rin (Kim Ji-young). Enquanto Park Jung-hwan serve incondicionalmente a Lee Tae-joon, Shin Ha-Gyung apoia a ministra Yoon Ji-sook, inimiga política declarada do chefe da promotoria.

A situação fica ainda mais tensa quando o irmão de Lee Tae-joon, o empresário Lee Tae-sub (Lee ki-young) é investigado pela morte de um ex-empregado. Apesar de ser a única testemunha do crime, Shin Ha-Gyung é falsamente acusada de assassinato, e é presa. Quando Park Jung-hwan descobre que seu chefe tramou para incriminar sua ex-mulher, sente-se profundamente traído por este. É em meio a este dilema que Park Jung-hwan descobre estar muito doente, com um tumor cerebral incurável. Sabendo que tem pouco tempo de vida, ele decide confrontar o chefe, livrar Shin Ha-Gyung da cadeia, e tentar salvar o pouco de honra que lhe resta.



A trama de Punch lembra muito o estilo dos dramas da roteirista Kim Eun-hee, como Sign, ou Ghost. Portanto, para quem gosta de dramas policiais, ou thrillers, Punch é altamente recomendável. Mas acima de uma boa estória, está um grande elenco, e a direção segura de Park Myung-woo (Fashion King, Princess Ja Myung Go).

O ator Kim Rae-won já havia perdido bastante peso para interpretar um gangster no filme Gangnam Blues (2015), e para interpretar o promotor à beira da morte em Punch, emagreceu ainda mais, o que lhe deu um aspecto assustadoramente frágil, ainda mais para um homem de porte físico saudável, com seus 1,83 m de altura. Quem viu Kim Rae-won recém-saído do exército, no drama A Thousand Day´s Promise (2011), não pode deixar de se espantar com a transformação pela qual passou ultimamente. Com este visual ultrarrealista, e uma atuação visceral, do início ao fim, Kim Rae-won construiu um personagem inesquecível... O promotor Park Jung-hwan é um homem que vai do céu ao inferno, na luta por sua redenção, e pelo perdão de sua amada família.

A trama de Punch é muito bem elaborada, e no final de cada episódio há sempre um momento de suspense, que leva a uma consequente reviravolta. A tensão é tão grande que, sinceramente, eu não conseguia assistir mais de um episódio por vez... E boa parte da culpa é a dos “vilões”, que vão crescendo em número e armando mais e mais artimanhas para destruir nosso anti-herói, Park Jung-hwan. Cho Jae-hyun (Jeong DoJeon), como o promotor chefe Lee Tae-joon traz toda a sua bagagem de ator (cinema e TV) para criar um personagem odioso, mas incrivelmente humano. A amizade entre Lee Tae-joon e Park Jung-hwan é natural e verdadeira, até o último instante, embora não possa ser superada pela ambição e pelo desejo de vingança.

Se Lee Tae-joon é o vilão que você adora odiar, a ministra da justiça Yoon Ji-sook é um personagem bem mais complexo, que a princípio nos encanta, e progressivamente vai tornando-se mais e mais assustador. Choi Myoung-gil (Marry Him If You Dare) também aproveita muito bem a oportunidade de explorar o papel da megalomaníaca Yoon Ji-sook, até as últimas consequências. E (spoiler!) o pior é que Yoon Ji-sook arrasta consigo para “o lado do mal” o jovem promotor Lee Ho-sung (On Joo-won), que é tentado pelo poder, como foi anteriormente seu colega Park Jung-hwan.



Punch é o tipo de drama que me agrada especialmente, por dar tempo o bastante para que todos os personagens, por menores que sejam, tenham seu momento de aparecer e contar sua estória. Os promotores também tem um papel de destaque na trama: o eterno vassalo de Lee Tae-joon, Jo Gang-jae (Park Hyuk-kwon, sempre brilhante, por menor que seja o seu papel), a ambiciosa Choi Yeon-jin (a bela Seo Ji-hye), e o honorável promotor sênior Jung Gook-hyun (Kim Eun-soo), todos participam ativamente dos acontecimentos e tornam a estória mais rica e cativante.

Para não dizer que tudo gira em torno da política e do poder, os momentos de carinho e afeto entre Park Jung-hwan e sua filha Ye-rin são dos mais tocantes, de levar às lágrimas mesmo... E embora não tenha restado muito tempo para romance, Kim Rae-won e Kim Ah-joong formam um par belíssimo, e seria um prazer vê-los algum dia, juntos, em um drama romântico... Fica a dica!

9 de abr de 2015

Valid Love (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Romance
Duração: 20 episódios
Produção: tvN

Direção: Han Ji-Seung
Roteiro: Kim Do-Woo

Elenco: Uhm Tae-woong, Lee Si-young, Lee Soo-hyuk, Lee Young-ran, Im Ha-ryong, Choi Yeo-jin, Park Jung-min, Seo Jung-yun, Han Eu-Ddeum

Resumo

Il-ri era apenas uma adolescente quando conheceu Hee-tae, um biólogo contratado como professor temporário na escola de meninas onde ela estudava. Ali eles se apaixonaram, mas apenas sete anos depois voltaram a se encontrar, e se casaram. O casal leva uma vida ordinária, até o dia em que Il-ri conhece o jovem carpinteiro Kim Joon, e seu amor pelo marido é posto à prova.

Comentário

A primeira coisa importante a ressaltar sobre Valid Love é que, ao contrário do que possa parecer (pela sinopse oficial), o tema central deste drama não é o adultério, mas todo o comprometimento emocional e familiar que envolve um casamento. Algum espectador desavisado pode decepcionar-se com a abordagem pouco romântica, ou sensual, sobre o triângulo amoroso de Valid Love, mas, se ele tiver um interesse verdadeiro, pode surpreender-se com a profundidade e o realismo das emoções despertadas pela estória. Valid Love, essencialmente, é um drama familiar, e um dos melhores que já assisti. A roteirista, Kim Do-Woo , é autora do inesquecível drama My Name is Kim Sam Soon (2005). Apoiado em atuações agradavelmente naturais, tanto do elenco jovem, como dos atores veteranos, e uma produção impecável – como já é de se esperar do canal de TV a cabo coreano tvN – o drama se desenrola como um episódio da vida real de uma família normal, que poderia muito bem ser a minha ou a sua. Alguém pode até argumentar que não há graça em acompanhar eventos triviais da vida de “gente como a gente”, e eu mesma tenho certa aversão a melodramas familiares, especialmente quando envolvem doenças terminais, ou tramas de vingança infindáveis. Felizmente, apesar de Valid Love desfilar uma boa dose de dramas familiares, é o modo como os mesmos são abordados que faz a diferença entre um dramalhão, e uma estória que merece ser contada e vista.

Lee Si-young é Il-ri, uma adolescente cheia de energia e com uma mente criativa, repleta de fantasias, e que é confundida por colegas e professores como uma criatura exótica, e um tanto desequilibrada. E é através do olhar perspicaz do professor de biologia Jang Hee-tae (Uhm Tae-woong), que conhecemos o valor desta jovem, altruísta, determinada, embora um tanto teimosa. E é exatamente uma visão um tanto fatalista de Il-ri, que a empurra para um destino muito aquém de seus sonhos brilhantes de infância. Il-ri é uma ótima desenhista, e poderia ter frequentado uma escola de artes, mas ao invés disso, resolve lutar para pagar os estudos da irmã caçula, trabalhando como pintora de paredes. E é enquanto pinta a fachada de um prédio, que Il-ri reencontra seu primeiro e único amor, o professor Hee-tae. Os dois reconhecem que nunca esqueceram um do outro, e acabam se casando. Apesar de Hee-tae ser o filho mais velho, o casal mora sozinho, em um apartamento no mesmo bairro dos pais dele. Mas, além de trabalhar como pintora, Il-ri vai todos os dias à casa dos sogros, ajudar a cuidar da cunhada (uma deslumbrante Choi Yeo-jin), que sofre de uma síndrome que a deixou paralisada dos pés à cabeça. Enquanto isso, Hee-tae trabalha em um instituto oceanográfico, e passa alguns dias fora de casa, em expedições de pesquisa em alto mar. Il-ri não reclama de sua rotina pesada, inclusive faz questão de cuidar da família do marido, pela qual nutre um grande carinho... Mas as pessoas parecem não se dar conta de que Il-ri é ainda muito jovem, e que nunca teve oportunidade de aproveitar a vida como teria direito, se não tivesse tantas responsabilidades sobre seus frágeis ombros.

Bem, as coisas começam a mudar quando Il-ri é contratada para pintar a oficina de um novo vizinho, um jovem carpinteiro chamado Kim Joon. O primeiro contato entre os dois não é dos mais amigáveis, já que Il-ri é alegre e tagarela, o oposto de Kim Joon, que é incrivelmente sério e taciturno. Mas aos poucos o carpinteiro vai se sentindo atraído por esta jovem de temperamento forte, mas de grande coração. E Il-ri, por sua parte, encontra em Kim Joon uma pessoa com a qual pode compartilhar suas angústias e pesares mais profundos.

No entanto, quando o clima de flerte e conhecimento mútuo está apenas começando, o marido de Il-ri descobre tudo, e sua reação é muito mais imatura e intempestiva do que se poderia esperar, para um homem de sua idade. E a possível separação de Il-ri e Hee-tae, na perspectiva das famílias de ambos, tem consequências muito maiores do que o fim do amor entre o casal. É como se costuma dizer, quando você se casa com alguém, está se casando com toda a família dele... E no amor verdadeiro as palavras ‘egoísmo’ e ‘individualismo’ devem ser banidas do seu dicionário, para o bem ou para o mal...


Uhm Tae-woong (Architecture 101, Dr Champ) e Lee Si-young (Golden Cross) já são atores veteranos, e suas interpretações são tão naturais e ao mesmo tempo tão fascinantes, que é difícil imaginar outros desempenhando tão bem seus papéis. Espero que Lee Si-young desista de vez de sua (tentativa) carreira como boxeadora e invista mais na de atriz, pois ela é simplesmente fantástica. Mas queria falar mesmo sobre Lee Soo-hyuk, que, com uma carreira de ator muito mais recente, tem tido a sorte, ou talvez melhor dizendo, a sabedoria de escolher bons projetos, especialmente na TV. Do drama White Christmas (2011) ao penúltimo trabalho de destaque, a comédia King of High School (tvN, 2014), Lee Soo-hyuk vem construindo uma imagem séria como ator, muito além da pura beleza física dos tempos de modelo profissional. Esta combinação de beleza angelical, melancolia e sensualidade faz de Lee Soo-hyuk um ator único e incrivelmente atraente. Por isso mesmo ele convence tão bem em Valid Love, com o jovem que exerce uma atração irresistível sobre os demais personagens, e ainda mais, sobre nós, espectadores...

12 de mar de 2015

Hot Young Bloods (filme, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama
Duração: 121 min.
Gênero: Drama, Adolescência

Direção e Roteiro: Lee Yeon-Woo
Produção: Kim Jin-Sub
Direção de Fotografia: Lee Jung-In, Kim Dong-Chun

Elenco: Park Bo-yeong, Lee Jong-suk, Lee Se-yeong, Kim Yeong-kwang, Kwon Hae-hyo, Kim Hee-won.

Resumo

Hot Young Bloods conta a estória de um grupo de adolescentes, em meio a uma existência pacata, na província de Heongseong, no início da década de oitenta.



Comentário

Hot Young Bloods retrata um dos períodos mais cruciais de nossas vidas, a passagem da adolescência para a idade adulta. Estamos na década de oitenta, em uma pequena cidade da província de Heongseong, e os estudantes da escola pública local têm pouco a fazer além de frequentar as aulas, ir ao cinema, e passear de bicicleta pela região. Ao contrário da geração atual, completamente envolvida pela tecnologia, os jovens de Hot Young Bloods vivem uma época ainda muito ingênua, e suas maiores preocupações são os primeiros amores, e um futuro profissional incerto. 


Young-sook (Park Bo-young) é a líder da gangue de garotas da escola e, apesar de sua figura delicada, consegue intimidar os colegas de ambos os sexos. Gwang-sik (Kim Young-kwang) é o chefe da gangue de rapazes da escola rival, e considera Young-sook sua namorada, embora esta o trate como um mero camarada. Young-sook curte uma paixão secreta (e antiga) pelo colega Joong-gil (Lee Jong-suk). Joong-gil era o melhor amigo de Young-sook na infância, mas agora procura ignorá-la, especialmente por ser alvo constante de bulling do brigão Gwang-sik. Joong-gil é um garoto sem grandes objetivos na vida, fora o de seduzir o maior número possível de garotas na escola. Ele realmente se considera o maior conquistador da cidade, e fica especialmente entusiasmado com a aparição de uma nova aluna em sua escola, So-hee (Lee Se-yeong), uma garota muito bonita, mas um tanto arisca.



Hot Young Bloods, de autoria do cineasta Lee Yeon-Woo (Running Turtle, 2009) tem um enredo que caberia muito bem em uma série de TV, mas como roteiro de filme, carece de uma “liga” que una os eventos da trama. Além do mais, o cineasta/roteirista demora demais para revelar os problemas pessoais dos protagonistas (traumas do passado, sofrimentos secretos atuais), que são essenciais para que o espectador possa compreender e se solidarizar com os mesmos. Quando finalmente entendemos os motivos para a rebeldia e solidão de Young-sook, ou a superficialidade emocional de Joong-gil, é quase tarde demais para empatizar com eles, como eles mereceriam.



Mas, apesar destas falhas cruciais no roteiro, Hot Young Bloods é um filme que merece ser visto e apreciado, ao menos pelas belas atuações do elenco jovem. E ao contrário do que se poderia pensar, não é Lee Jong-suk o grande destaque do filme, mas sim a jovem revelação Park Bo-young. A cada novo trabalho da atriz, fica mais claro seu talento diferenciado. Da delicada Soon-yi de A Werewolf Boy (2012) à rebelde Young-sook de Hot Young Bloods, Park Bo-young impressiona por sua maturidade, e pela paixão que imprime aos seus personagens. É um talento nato, que não se adquire em nenhuma escola de interpretação. E ela tem tido a oportunidade de atuar ao lado de outros atores jovens e talentosos, como é o caso de Lee Jong-suk e Kim Young-kwang (Plus Nine Boys). Aliás, quem ainda não pôde ver este filme, mas acompanhou os dois atores no recente drama Pinocchio (2014), terá a oportunidade de ver uma divertida inversão de poderes, com o pobre Lee Jong-suk sofrendo horrores nas mãos do malvado Kim Young-kwang. Apesar da choradeira e dos olhos roxos, é um prazer ver esta dupla junta mais uma vez!



Enfim, Hot Young Bloods é um filme agradável, que tem como crédito trazer qualidade ao cinema voltado ao público adolescente, tão carente, nos últimos anos, de boas estórias.

11 de mar de 2015

Mondai no Aru Restaurant (drama, 2015)


País: Japão
Gênero: Comédia, Drama, Culinária
Duração: 11 episódios
Produção: Fuji TV
Música tema: Mondai Girl, com Kyary Pamyu Pamyu

Direção: Namiki Michiko, Kato Yusuke
Roteiro: Sakamoto Yuji

Elenco: Maki Yoko, Higashide Masahiro, Nikaido Fumi, Takahata Mitsuki, Matsuoka Mayu, Usuda Asami, YOU, Suda Masaki, Yasuda Ken, Tayama Ryosei, Fukikoshi Mitsuru, Sugimoto Tetta.


Resumo

Tanaka Tamako e suas amigas resolvem abrir um simpático bistrô, na cobertura de um prédio. Mas elas terão de enfrentar a competição do empresário Ameki Taro, e seu restaurante vizinho, cujo chef é o ex-namorado de Tanaka, Monji Makato. Mais do que uma luta por mercado, é uma batalha contra o tratamento desigual e desrespeitoso que estas mulheres vêm recebendo da sociedade machista que as rodeia.



Comentário

Apesar de dar preferência aos dramas coreanos, sempre que descubro um bom drama japonês, tenho de admitir sua maior criatividade e ousadia, ao menos em termos de temática. Como o ano começou meio morno (ao menos para meu gosto) na TV coreana, fui buscar um dorama, e o tema culinário de Mondai no Aru Restaurant foi o que primeiro me chamou a atenção – realmente gosto de dramas sobre culinária, restaurantes, etc. Mas Mondai no Aru Restaurant é muito mais que um drama sobre o mundo da alta gastronomia (como Dinner, ou Pasta). O roteirista Sakamoto Yuji é conhecido por enfocar temáticas contemporâneas em seus dramas. Das complicações do casamento, em Saikou no Rikon, à dura vida das mães solteiras no Japão, em Mother, Sakamoto Yuji tem um olhar crítico e muito acurado sobre as idiossincrasias da cultura japonesa. Por isso, pode parecer estranho a primeira vista um homem escrever de forma tão contundente sobre a sociedade machista, mas Sakamoto consegue atingir todos os pontos nevrálgicos, sem concessões. Aliás, poucas vezes se viu num drama o machismo e a misoginia do homem japonês ser tratado de forma tão direta, e ao mesmo tempo, tão empática (ao menos para as mulheres). Por um lado, é uma pena que não tenha sido uma mulher a escrever uma estória tão verdadeira sobre o mundo feminino, mas, por outro lado, é bom saber que existem homens capazes de reconhecer e criticar as muitas injustiças sociais sofridas por nós, mulheres.



Mas Mondai no Aru Restaurant não é só drama, ou um mero libelo feminista - a comédia e o romance (mesmo que em doses agridoces) também estão garantidos. Além do ótimo roteiro, destacam-se em igual medida a direção, a cargo de Namiki Michiko e Kato Yusuke, e o elenco, especialmente o feminino.




Maki Yoko (Saikou no Rikon) brilha como a jovem empreendedora Tanaka Tamako, uma mulher que exala confiança e determinação. Mesmo nos momentos mais difíceis, Tanaka encontra forças para alcançar seus sonhos, e, principalmente, para vingar o assédio sofrido pela amiga e colega Fujimura Satsuki (Kikuchi Akiko), nas mãos do empresário Ameki Taro (Sugimoto Tetta, de Inpei Sousa). Para se livrar dos constantes maus tratos e humilhações dos superiores, Tanaka convida a colega Nitta Yumi (Nikaido Fumi: Melhor Atriz Iniciante no Festival de Veneza, pelo filme Himizu), o confeiteiro travesti Oshimazuki Haiji (Yasuda Ken, de Inpei Sousa) e a dona-de-casa Morimura Kyoko (Usuda Asami), para abrir um restaurante. Ela encontra um imóvel barato, no alto de um prédio de três andares, no bairro Jungumae, em Tóquio. Juntas, as amigas reformam o local abandonado, e o transformam num charmoso bistrô, que batizam de “Bistrô Fou”. 


Mas não foi coincidência Tanaka ter escolhido abrir seu bistrô justo em frente ao novo empreendimento do ex-chefe Ameki Taro. E além de competir com o asqueroso Ameki, ela irá aproveitar para por em pratos limpos sua relação fracassada com o sexy chef Monji Makato (Higashide Masahiro, de Goshisousan). E Tanaka consegue mais uma grande aliada na disputa com Ameki Taro, sua filha Ameki Chika (Matsuoka Mayu), uma chef de cozinha talentosa, que odeia o pai, por ter abandonado a família quando ela era criança. Completam o grupo de amigas de Tanaka, a boêmia Karasumori Nanami (YOU), e a suposta rival Kawana Airi (Takahata Mitsuki, de GTO).




Mondai no Aru Restaurant não é mais uma comédia gastronômica bobinha (embora apresente pratos lindos, de dar água na boca), e a “aspereza” de certas cenas pode às vezes chocar e incomodar, mas a humanidade das mulheres do Bistrô Fou nos faz torcer, não apenas para que consigam superar todos os preconceitos sociais, mas que possam, como diz uma das personagens “apenas viver feliz e honestamente”.

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