17 de dez de 2015

Os Dramas Coreanos que Marcaram 2015 (Parte 2)


Seguindo com a lista dos dramas mais significativos do ano (para mim, é claro), falemos de thrillers, sageuks e as últimas surpresas da temporada...


Assembly (KBS, 20 episódios), Jeong Jae-young, Song Yoon-a e Taecyeon.

Assembly é um drama político excepcional, tanto por sua trama robusta e envolvente, como pela presença inédita de um dos maiores atores do cinema coreano, o fantástico Jeong Jae-young.

Apesar da tvN levar o mérito de inovação, os canais abertos tradicionais procuraram manter o frescor temático, com um leque de estórias interessantes para todos os tipos de público. Os dramas Assembly (KBS) e The Village: Acchiara´s Secret (SBS) são dois exemplos do esforço meritório de duas grandes redes de TV em apresentar produtos diferenciados, embora a resposta do público tenha sido francamente decepcionante. Os embates políticos entre Jeong Jae-young e Jang Hyeon-seong foram dramáticos e estimulantes... Mas memorável mesmo é o encontro explosivo entre Jeong Jae-young e Song Yoon-a, um ‘quase’ casal perfeito... Quem sabe numa próxima oportunidade...

 
The Village: Achiara´s Secret (SBS, 16 episódios), com Moon Geun-young, Yook Seong-jae, On Joo-wan, Kim Min-jae.

Tome nota de dois nomes: Park Eun-seok e Choi Jae-woong. O Segredo de Acchiara foi o drama mais prolífico em termos de revelação de novos talentos (talvez com exceção apenas de Six Flying Dragons). Os fãs (que não são poucos) de Moon Geun-young (Painter of the Wind) devem ter ficado chateados com a aparição apagada da atriz, diante de tantas atuações marcantes do resto do elenco. Na verdade, em uma entrevista muito esclarecedora, o PD Lee Yong-suk revelou que Moon Geun-young entendeu que seu personagem iria repartir sua importância com muitos outros na trama. Moon Geun-young é experiente o bastante para saber dar espaço, com elegância, para seus colegas brilharem. E não há como negar que este drama foi dominado por duas atrizes: Sin Eun-kyeong (Oh My Ghostess) e Han Hee-jin (Scholar Who Walks the Night). Yook Seong-jae e Kim Min-jae também formaram uma dupla adorável, e quase mereciam um spin off só para eles. Outro ator fantástico que acabou um tanto ofuscado foi On Joo-wan (Punch), mas sua atuação não poderia ser mais correta, com o material que lhe foi presenteado. Por falar em presente, quem ganhou a sorte grande, no final das contas, foi o desconhecido (até então) Choi Jae-woong. Ator de teatro e musicais, Choi Jae-woong foi o único a aceitar o desafio (outros atores convidados rejeitaram o convite) de encarnar o misterioso travesti conhecido apenas como ‘ahjussi’. Outro ator que deixou uma ótima impressão foi Park Eun-seok, no papel do torturado professor de artes plásticas Nam Geon-woo.

The Village: Achiara´s Secret tem referências tão amplas como o filme “O Silêncio dos Inocentes”, ou a série Cult “Twin Peaks”. Da ambientação, à trilha sonora, da direção com toques cinematográficos, ao elenco impecável,  Achiara´s Secret merece estar no Top 5 dos melhores dramas do ano, e entre as melhores de todos os tempos.


Bubblegum (tvN), com Lee Dong-wook, Jeong Ryeo-won e Lee Jong-hyuk.

Bubblegum foi o melhor presente de fim de ano que um fã de dramas poderia pedir. A tvN surpreende mais uma vez com este drama romântico, divulgado sem estardalhaço, como mais uma de suas belas produções indie. Até aqui, Oh My Ghostess estava no topo da minha lista de comédias românticas do ano, e de melhor casal, mas com a estreia de Bubblegum, tive de mudar de opinião. Mesmo quem não simpatiza com Lee Dong-wook, se assistir Bubblegum, terá de admitir a atuação brilhante do rapaz. Há tantas cenas cruciais em que as espressões faciais do ator dizem mais do que mil palavras... É impressionante o quanto Lee Dong-wook evoluiu como ator, e o quanto este drama (e a influência direta do PD Kim Byeong-soo e da roteirista Lee Mi-na-I) foi importante em sua carreira. Lee Dong-wook e Jeong Ryeo-won formam um casal tão real, tão convincente, que nos apaixonamos por eles, e por sua emocionante estória de amor. Ah, e o beijo ‘bubblegum’ é o mais sexy do ano!


Oh My Venus (KBS, 16 episódios) com So Ji-sub, Shin Min-a.

Ainda não cansou de estórias românticas? Depois de Oh My Ghostess, She Was Pretty, Warm And Cozy, Twenty Again, ainda sobrou espaço para uma boa comédia romântica, e provavelmente com o casal mais bonito do ano, So Ji-sub e Shin Min-a. Oh My Venus começou morno, previsível, mas o clima vem esquentando entre a advogada gordinha Joo-eun (uma vez conhecida como Venus de Daeju) e o personal trainer/chaebol Yeong-ho. Shin Min-a (Arang and the Magistrate) está encantadora como sempre, mas quem rouba a cena é So Ji-sub (A Company Man) com sua beleza etérea e seu olhar sofredor que desperta instintos não confessáveis na mulherada. Tanta beleza deveria dar cadeia!


Hidden Identity (tvN, 16 episódios), com Kim Beom, Park Seong-woong, Kim Tae-hoon.

Um drama para fãs incondicionais de Kim Beom (eu preferia ouvi-lo cantar de novo, ou atuar numa comédia romântica).

Quem curte um bom drama policial, ou thriller teve poucas opções este ano, mas cada emissora ofereceu ao menos um título interessante. A tvN já produziu dramas policiais melhores que Hidden Identity, mas eu curti está série, mais pelo elenco do que pela trama. Kim Beom é um policial traumatizado com o assassinato brutal da noiva, e busca vingança a qualquer preço. Seus parceiros bem que tentam acalmar sua ira, mas, como diz o ditado, a vingança é cega... Destaque para o charmoso Park Seong-woong, que acaba de voltar à telinha com um papel bem diferente, no drama Remember: war of the son.


Mrs. Cop (SBS, 18 episódios), com Kim Hee-ae, Kim Min-jong, Son Ho-jun, Lee Da-hee.

Mrs. Cop foi sem dúvida o melhor drama policial do ano, tanto que a SBS está pensando seriamente numa nova temporada para muito em breve. Enquanto isso, ficamos com a lembrança da unidade especial de combate ao crime chefiada pela durona Choi Yeong-jin, - mais um papel memorável da atriz Kim Hee-ae (Midas). Numa mistura interessante de drama policial e familiar, Mrs. Cop mostra as dificuldades que uma mulher enfrenta para conciliar a carreira exigente de policial com a de mãe solteira.


Last (jTBC, 16 episódios), com Yoon Kye-sang, Lee Beom-soo.

Apesar da expectativa com a adaptação do webtoon Awl, fiquei muito mais satisfeita com a versão live action do manhwa Last (de Kang Hyeong-gyu), muito bem adaptada pelo roteirista Han Ji-Hoon (Time Between Dog and Wolf). A direção, a cargo de Jo Nam-gook (The Chaser) é impecável, e o carinho e respeito com os atores e seus respectivos personagens é visível. Yoon Kye-sang (The Greatest Love) e Lee Beom-soo (Triangle) brilham em um duelo de forças (e egos), apoiados por suas respectivas “gangues” de atores igualmente geniais. Se você quer fazer seu namorado gostar de dramas, uma boa dica é apresentá-lo a Last – ele vai querer mais!


Awl (jTBC), com Ji Hyun-woo e Ahn Nae-sang.

Um drama belíssimo, mas para um público muito restrito, que curta quadrinhos cult, dramas com temas político/sociais, como Misaeng, ou Last. Muitos esperavam ver algo no nível de Misaeng, mas Awl, apesar de totalmente recomendável, não tem o apelo emocional do já cultuado Incomplete Life. Awl conta várias estórias individuais de vida, dentro de uma estória de luta coletiva por direitos trabalhistas, numa Coréia do Sul que estava engatinhando na democracia, nos anos noventa, após anos de uma ditadura brutal. Grandes atuações de Ji Hyun-woo (que evoluiu absurdamente como ator, de uma atuação apática em Queen In-hyun's Man, até seu retorno do período de serviço militar) e Ahn Nae-sang (Splendid Politics).


Missing Noir M (OCN, 10 episódios), com Kim Kang-woo e Park Hee-soon.

Os dramas policiais da OCN são sempre estilosos, embora nem sempre tão bem resolvidos em termos de roteiro e produção final. Missing Noir M tem um visual cinematográfico (que lembra o fantástico TEN), e um elenco bacana, encabeçado pelo bonitão Kim Kang-woo. Apesar de o drama policial ser meu gênero favorito, junto com a comédia romântica, Missing Noir M pecou muito com um roteiro arrastado e com mistérios demais, que acabaram não resolvidos, deixando uma frustração desagradável no espectador. O pior é que não há notícias de uma segunda temporada, e assim, como no saudoso TEN, ficaremos na eterna expectativa de ver a resolução de seus maiores mistérios.


D-Day (jTBC, 20 episódios), com Kim Young-kwang, Jeong So-min e Ha Seok-jin, Kim Sang-ho, Lee Kyeong-yeong, Cha In-pyo.

O ano de 2015 não foi feliz para quem aprecia um bom drama médico, mas pelo menos D-Day surgiu para suprir em parte esta carência. D-Day foi um de meus dramas favoritos do ano, apesar de alguns pequenos defeitos, - o maior talvez tenha sido a duração da trama, que se beneficiaria muito de uma redução no número de episódios de 20 para 16. Mas, apesar de um certo congestionamento na trama, D-Day contava com personagens tão queridos, atores tão carismáticos como Kim Young-kwang, Jeong So-min ou Kim Sang-ho, que os episódios passavam voando. Mas certamente Kim Young-kwang é a grande revelação desta estória que mistura com sabedoria thriller catástrofe com drama médico. O médico Kim Young-kwang e o bombeiro Kim Sang-ho são os grandes heróis anônimos, que ajudam a reerguer uma cidade atingida por um terremoto devastador. Neste drama Kim Young-kwang graduou-se definitivamente como protagonista de dramas. É muito bom ver surgir uma nova e talentosíssima geração de atores coreanos!


Hwajung (MBC, 50 episódios), com Kim In-yeong, Lee Yeon-hee, Seo Kang-joon, Cha Seung-won.

Hwajung, ou Splendid Politics é criação da talentosa roteirista Kim In-yeong (The Woman Who Still Wants to Marry). Nem bem concluiu o drama Unkind Women, e Kim In-yeong aceitou trabalhar pela primeira vez no roteiro de um sageuk. Acontece que não basta ter talento para escrever dramas, quando se trata de dramas épicos o autor precisa de múltiplas habilidades: conhecimento histórico, facilidade em criar cenas de ação e suspense, e especialmente, criar diálogos adaptados ao período. A roteirista já provou seu talento para criar belas estórias contemporâneas, mas, por sua inexperiência com o gênero épico, teria sido interessante uma parceria com um segundo roteirista, que fosse encarregado de desenvolver as cenas de ação. Mesmo assim, para quem curte os dramas sageuk, e é fã de Cha Seung-won, vale a pena dar uma chance à Hwajung. Graças ao belo elenco, e à produção caprichada, acabei desfrutando deste drama, mas sem pressa de chegar ao final de seus 50 episódios.


Scholar Who Walks the Night (MBC, 20 episódios), com Lee Jeong-ki, Lee Yoo-bi, Lee Soo-hyeok.

Diferentemente do drama épico tradicional, ocasionalmente os dramas coreanos inspiram-se nos filmes e dramas chineses que misturam mitologia local e fantasia, para criar estórias fantásticas, repletas de romance e ação. Scholar Who Walks the Night é mais um drama inspirado em um webtoon de sucesso, e procura seguir o estilo e o ritmo característico das estórias em quadrinhos. Lee Jeong-ki, sempre muito confortável em papeis em dramas épicos, resolveu embarcar nesta aventura, talvez pensando poder repetir o sucesso de Arang and the Magistrate, e de The Joseon Gunman. Só que, infelizmente, não foi o caso. As fãs adolescentes parecem ter ficado satisfeitas com o resultado, mas, francamente, Scholar Who Walks the Night é um desastre, e Lee Jeong-ki merecia um material de maior qualidade. Sentindo que o drama naufragava vergonhosamente, o ator ainda tentou salvar a produção trazendo às pressas o escritor Lee Jeong-woo-III (The Joseon Gunman) para dar um ‘up’ no roteiro, mas, àquela altura o estrago estava feito. Foi difícil não abandonar Scholar... a meio caminho, - apenas o respeito e a admiração pela atuação brilhante de Lee Jeong-ki me fizeram chegar ao fim deste que foi o drama mais absurdamente ruim do ano – mesmo com tanto empenho de seu jovem elenco. Uma pena...


Six Flying Dragons (SBS, 50 episódios), com Kim Myeong-min, Yoo Ah-in, Shin Se-kyung, Byun Yo-han, Yoon Gyoon-sang, Jeong Yoo-min.

O drama que chegou para salvar a boa fama dos dramas épicos coreanos foi o maravilhoso e já clássico Six Flying Dragons. Aconteça o que acontecer até o final desta estória, os Seis Dragões Voadores já conquistaram os fãs do gênero. Não é todo dia que se tem a oportunidade de ver um elenco tão superior em uma única produção. O mesmo prazer que senti com cada personagem no drama Misaeng, repetiu-se com Six Flying Dragons. Do carisma dos veteranos - Kim Myeong-min, Cheon Ho-jin, Park Hyeok-kwon, – aos novos talentos - Yoo Ah-in, Shin Se-kyung, Byun Yo-han, - Six Flying Dragons tem todos elementos que compõe um drama épico de primeira qualidade. É uma alegria ver Kim Myeong-min de volta ao sageuk, 11 anos após seu inesquecível papel em Immortal Admiral Yi Sun-shin (2004). E é uma sorte ter como protagonista o jovem ator mais badalado (e premiado) do momento, Yoo Ah-in. Recém vindo de dois grandes sucessos no cinema, - The Throne, no qual interpreta o famoso príncipe Sado, e de Veteran (de Ryoo Seung-wan) como um chaebol mau caráter, Yoo Ah-in está afiadíssimo como ator. Não há desculpas para deixar de ver este drama belíssimo, seja pelo romantismo épico, ou pelas exuberantes coreografias de luta - Six Flying Dragons é o drama do ano.

Os Dramas Coreanos que Marcaram 2015 (Parte 1)


Para o bem ou para o mal, 2015 foi um ano dos mais prolíficos na TV coreana, tanto em termos de dramas como de programas de variedades. Para quem curte ver seus ídolos na vida cotidiana (The Return of Superman, We Got Married...), ou tendo sua resistência/paciência testada até os últimos limites (Three Meals a Day, Law of the Jungle...) 2015 foi um ano excepcional. E para quem aprecia a dramaturgia de alta qualidade da TV coreana, não faltaram boas estórias.

Divorce Lawyer in Love (SBS, 16 episódios), com Yeon Woo-jin, Jo Yeo-jeong.

O ano começou bem, com esta comédia romântica despretenciosa, mas muito agradável. Yeon Woo-jin e Jo Yeo-jeong é um casal de advogados que vive uma verdadeira montanha russa de emoções: do desprezo ao ódio, da redescoberta à amizade e, finalmente, ao amor. Um dos casais mais “quentes” da temporada. Leia a review completa aqui: Divorce Lawyer in Love


Ex-Girlfriends’ Club (tvN, 12 episódios), com Song Ji-hyo, Byun Yo-han.

Mais um projeto bacana do canal tvN, Ex-Girlfriends’ Club infelizmente não fez tanto sucesso quanto outros dramas do gênero na emissora (e acabou tendo sua duração reduzida). Pessoalmente, foi um dos meus dramas favoritos do ano... Do elenco ao roteiro, da trilha sonora à direção, O Clube das Ex-Namoradas tem tudo para agradar aos fãs de dramas mais irreverentes, marca registrada da tvN. Nunca fui uma grande fã de Song Ji-hyo (fiquei com trauma da sua vilã chatérrima no drama Goong), mas achei que ela esteve perfeita no papel de Soo-jin, a produtora de cinema apaixonada pelo trabalho, e romântica incorrigível. Byun Yo-han, por outro lado, me conquistou desde o primeiro instante em que o vi, em sua primeira participação na TV, no belo drama Misaeng (tvN, 2014). Vindo do teatro e cinema, Byun Yo-han impressiona por sua atuação camaleônica: de executivo ambicioso e namorador em Misaeng, a herói guerreiro em Six Flying Dragons (SBS, 2015), Byun Yo-han é uma das grandes revelações do cinema e TV coreanos, e tem um grande futuro pela frente como ator.


Oh My Ghostess (tvN, 16 episódios), com Park Bo-young, Cho Jeong-seok, Kim Seul-gi.

Outro drama da tvN na lista dos melhores do ano, Oh My Ghostess é quase bom demais para acreditar. Fazia tempo que eu não vibrava tanto com um romance como o de Park Bo-young e Cho Jeong-seok (King 2 Heart). Encarnando (literalmente) uma jovem possuída por um fantasma que só pensa em sexo, Park Bo-young só prova o quanto fazem falta mais atrizes de calibre nos dramas coreanos. Por mais que as adolescentes idolatrem a leva de artistas pop transmutadas em atrizes da noite para o dia, a volta de Park Bo-young à TV é como um oásis no deserto das boas atuações nas comédias românticas. 


The Time We Were Not In Love (SBS, 16 episódios), com Ha Ji-won e Lee Jin-wook.

Não há como negar que no gênero comédia romântica, a tvN ganhou de goleada dos concorrentes. Para muita gente The Time We Were Not In Love deve ter sido um dos dramas mais esperados, mas certamente foi uma das maiores decepções do ano. Francamente, os roteiristas coreanos costumam produzir material muito superior em termos de qualidade, e profundidade, que os taiwaneses e japoneses. Remake de um drama taiwanês de sucesso, The Time We Were Not In Love não soube se adaptar ao ‘clima’ dos dramas coreanos. O romance morno surgido artificialmente da longa amizade entre Ha Ji-won e Lee Jin-wook não convence por um instante sequer. Ha Ji-won nunca esteve tão linda e elegante, mas também nunca atuou tão mal – a entonação por demais aguda de sua voz, e as constantes passadas de mão no cabelo foram pequenos detalhes que me tiraram do sério!


Warm and Cozy (MBC, 16 episódios), com Kang So-ra e Yoo Yeon-seok.

Mais um drama romântico decepcionante, mas que se comparado com The Time We Were Not In Love, nem foi tão ruim assim. Pelo menos Warm and Cozy fez juz ao título, com uma ambientação aconchegante (a paradisíaca ilha Jeju) e um elenco caloroso. Mas nem mesmo o esforço de Kang So-ra e Yoo Yeon-seok, e de atores veteranos e respeitados como Lee Seong-jae e Kim Hee-jeong pôde evitar o desastre. E a culpa é toda das irmãs Hong, roteiristas tão incensadas, mas que mesmo a quatro mãos conseguem escrever mais do que diálogos constrangedores, e tramas descaradamente plagiadas. Desculpem-me o desabafo, mas está cada vez mais difícil ‘engolir’ os dramas destas senhoras, que deveriam fazer uma boa reciclagem profissional antes de nos submeter a mais um drama tão sofrível quanto este nada original Warm and Cozy – nada mais que uma longa e cara divulgação turística de Jeju.

 
She Was Pretty (MBC, 16 episódios) com Hwang Jeong-eum, Park Seo-joon, Choi Si-won, Ko Joon-hee.

Se o canal MBC pisou na bola com Warm and Cozy, ao menos se redimiu na última temporada do ano com o simpático drama romântico She Was Pretty, da criativa roteirista Jo Seong-hee (The King of High School of Manners, tvN, 2014). Com uma atuação espetacular de Hwang Jeong-eum, e a revelação de Choi Si-won como ator cômico, She Was Pretty foi uma das melhores surpresas de 2015. Imperdível para quem gosta de romances sensíveis e calorosos.


Twenty Again (tvN, 16 episódios), com Choi Ji-woo, Lee Sang-yoon.

No mesmo clima de She Was Pretty, e misturando o drama e a comédia romântica em doses homeopáticas, a tvN nos trouxe mais uma pérola, nas mãos da talentosíssima roteirista So Hyeon-kyeong (49 Days, My Daughter Seo-yeong, Two Weeks). Para este projeto a tvN trouxe um elenco de peso: a diva Choi Ji-woo, e os atores Lee Sang-yoon (Liar Game) e Choi Won-yeong (Remember Me), como seus interesses românticos. Twenty Again é um drama de ritmo mais tranquilo, mas que nos envolve pela estória enaltecedora de uma mulher que tem uma segunda chance de ser plenamente feliz na vida. Ha No-ra é um dos personagens femininos mais bonitos da história dos dramas coreanos, e a atriz Choi Ji-woo a encarnou com brilhantismo!


Unkind Women (KBS, 24 episódios), com Kim Hye-ja, Chae Si-ra, Lee Ha-na, Kim Ji-seok, Song Jae-rim, entre outros.

Apesar de Unkind Women ser um drama familiar, foi uma das séries que mais me fez rir, com suas mulheres tresloucadas, apaixonadas, e apaixonantes... Leia meu comentário sobre este drama espetacular aqui: Unkind Women


Mask (SBS, 20 episódios), com Soo Ae, Joo Ji-hoon, Yeon Jeong-hun, Yoo In-young.

Mask começa como um melodrama clássico, pesado, quase teatral, mas conquista o espectador com seu inesperado romantismo e uma dose saudável de humor negro. Dois casais muito carismáticos dividem nossa atenção (os bonzinhos Soo Ae e Joo Ji-hoon, e os deliciosamente malévolos Yeon Jeong-hun e Yoo In-young), numa trama cheia de reviravoltas, e um desfecho a altura de tantas emoções. Imperdível!


High Society (SBS, 16 episódios), com Uee, Seong Joon, Park Hyeong-sik, Lim Ji-yeon.

Outra grande decepção do ano foi High Society, um drama que deveria mirar um público jovem, mas que enganou a todos com uma trama rasteira e piegas. High Society nos deixa uma boa lição: não basta juntar um elenco de celebridades jovens e belas, se falta estória, química, e principalmente, uma dose de auto-crítica. Com uma roteirista mediana (Ha Myeong-hee, de Can We Get Married) e um PD com mão pesada para romances (Choi Yeong-hoon, de Five Fingers), High Society só tem o mérito de deslocar toda a atenção do público para o casal secundário da trama. O romance entre Park Hyeong-sik e Lim Ji-yeon é a única luz que ilumina este drama escuro e denso, que não vai deixar saudades...


Who Are You – School 2015 (KBS, 16 episódios), com Kim So-hyeon-I, Nam Joo-hyeok e Yook Seong-jae.

Todos os anos, cada emissora apresenta seu drama escolar, com o intuito de atrair o público adolescente, mas, especialmente, de lançar novos talentos. Este ano a KBS volta com sua já famosa franquia escolar, com Who Are You – School 2015. Para inovar, adicionou-se uma dose de suspense e mistério à trama, na tentativa (não tão bem sucedida) de apimentar o drama escolar clássico. O resultado foi um tanto irregular, talvez por culpa da inexperiência da dupla de roteiristas, mas mesmo assim o drama tem seus méritos. Com um elenco adolescente pra lá de competente – capitaneado pela talentosa Kim So-hyeon-ISchool 2015 é uma produção que merece ser vista, pelo público jovem, ou por quem tenha interesse em conhecer os bons atores da nova geração...


Cheer Up! (KBS, 12 episódios), com Jung Eun-ji, Lee Won-geun, Ji Soo.

Não satisfeita em ficar apenas com sua franquia ‘School’, a KBS foi a cata de mais uma leva de jovens talentos, para produzir o drama escolar Cheer Up! Infelizmente o resultado é bem mais irregular que o de School 2015. No entanto, o público pré-adolescente deve apreciar a beleza e o talento do elenco masculino, nas figuras de Lee Won-geun e Ji Soo. Se você ainda não conhece os dois rapazes, corra atrás, pois eles já estão migrando para o primeiro time de jovens atores coreanos.


Answer Me 1988 (tvN, 20 episódios), com Park Bo-geom, Ko Gyeong-pyo, Hyeri.

A franquia de sucesso da tvN ‘Answer Me...’ volta para contar a estória de uma turma que viveu intensamente os anos 80. A tvN também encontrou uma fórmula de trazer o público adolescente (e um pouco mais antenado) para a emissora, enquanto desenvolve o talento de atores pouco conhecidos, mas de grande futuro. Como todos os produtos do canal, um drama para um público diferenciado, muito mais crítico e exigente.


I Remember You (KBS, 16 episódios), com Seo In-guk, Jang Nara, Park Bo-geom, Choi Won-yeong.

Foi em Answer Me 1997 que Seo In-guk e Jung Eun-ji, dois cantores pop de sucesso foram revelados como atores. Mas, se Jung Eun-ji não tem tido tanta sorte como atriz, Seo In-guk tem tido um saldo muito positivo em sua carreira tespiana. I Remember You é um thriller inteligente, envolvente, e com um elenco irretocável. Mesmo assim, não teve uma audiência à altura de suas qualidades... Este realmente não foi o ano do canal KBS. Leia meu comentário sobre o drama aqui: I Remember You.


The Girl Who Sees Smells (SBS, 16 episódios), com Park Yoo-chun, Shin Se-kyeong, Namgung Min.

O canal SBS também tentou investir no que venho chamando de “thriller romântico” (Healer e Pinocchio são bons exemplos, todos muito comentados online, mas fracassos de audiência em seu país), com The Girl Who Sees Smells, mas, como a KBS e seu I Remember You, não foi bem sucedido. The Girl Who Sees Smells é um drama adorável: romântico, repleto de suspense, e com um grande (e super sexy) vilão, o ator Namgung Min. Diversão garantida!

10 de nov de 2015

The Whistleblower (filme, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Jornalismo
Duração: 113 min.

Direção: Yim Soonrye
Roteiro: Lee Choon-Hyung

Elenco: Park Han-il, Lee Kyoung-young, Yoo Yeon-seok, Park Won-sang, Song Ha-yoon, Kwon Hae-hyo, Ryoo Hyoun-kyoung.

Resumo

O Dr. Lee Jang-Hwan fica mundialmente conhecido por suas pesquisas revolucionárias com clonagem de células tronco embrionárias. O jornalista e produtor de TV Yoon Min-Cheol recebe uma informação anônima questionando os resultados das descobertas do Dr. Lee, e resolve investigar a fundo o caso.

Comentário

Foi no ano de 2005 que ocorreu um dos maiores escândalos da história da ciência moderna. O Dr. Hwang Woo-Suk, que até então era tratado como um verdadeiro herói em seu país, a Coréia do Sul, por seu trabalho pioneiro com células tronco, foi desmascarado como o artífice de uma grande fraude científica. É esta a estória que The Whistleblower conta, sob o ponto de vista do jornalista que investigou e denunciou a farsa da clonagem das células tronco do Dr. Hwang.

Se a imprensa (leia-se mídia) muitas vezes pode ser manipuladora e interesseira, por outro lado, é edificante ver o quanto seu poder é usado para o bem. O ator Park Hae-Il encarna Yoon Min-Cheol, um caso raro de jornalista que não se curva às pressões profissionais e sociais, na busca pela verdade.

Park Hae-Il (Moss, Arrow, the Ultimate Weapon) está muito confortável na pele do produtor de TV, e quem conhece o trabalho do ator sabe o quão sutil e convincente costuma ser sua interpretação, não importa o personagem que encarne. Agora o ator reencontra o diretor Yim Soonrye, com o qual trabalhou em 2001, no filme Waikiki Brothers. O roteiro está a cargo de Lee Choon-Hyung (The Client, Detective K: Secret of Virtuous Widow).

Yoon Min-Cheol é produtor de um programa de TV especializado em reportagens investigativas. Certo dia ele recebe uma ligação anônima denunciando a coleta ilegal de óvulos de mulheres, em uma clínica clandestina. Ele vai até o local e descobre que o material estava sendo encaminhado para o laboratório de um importante cientista da Universidade Nacional de Seul, o Dr. Lee Jang-Hwan (Lee Kyoung-Young, de D-Day, Misaeng). O Dr. Lee teria sido o primeiro pesquisador a clonar com sucesso células tronco embrionárias. A possibilidade, a partir daí, de proporcionar a cura de várias doenças, naturalmente, entusiasmou o público e a mídia. Com apoio governamental, e incensado pela imprensa, o Dr. Lee era o verdadeiro orgulho de seus conterrâneos na época. Por isso mesmo, Yoon Min-Cheol provoca uma verdadeira comoção quando começa a investigar e questionar os métodos de pesquisa do famoso cientista coreano. Blindado pela mídia e pelo povo, o Dr. Lee consegue transformar o jornalista Yoon em vilão. Mas ele não desiste, e vai até o fim, com o objetivo de desmascarar as falcatruas do Dr. Lee. Felizmente ele conta com a ajuda da repórter Kim Yi-Seul (a simpática Song Ha-yoon, de Sweden Laundry, Ghost) na investigação do caso.

Yoo Yeon-Seok (Warm and Cozy, A Werewolf Boy) interpreta o pesquisador Shim Min-Ho, o homem que teve a coragem de denunciar a falsa descoberta do laboratório do Dr. Lee. Yoo Yeon-Seok tem uma participação pequena, mas está muito bem no papel de um homem mais velho, casado com a colega cientista Kim Mi-Hyun (Ryoo Hyoun-kyoung), e pai da pequena Soo-Bin (Kim Soo-Ahn).

Participação especial de Park Won-sang (Last, Bubblegum) e Kwon Hae-hyo (Lie to Me), como os chefes de Park Hae-Il na estação de TV.

The Whistleblower é um drama jornalístico que conta de modo muito realista, mas envolvente, um evento importante que deixou marcas indeléveis na história da pesquisa médica mundial.

22 de out de 2015

Bad Family (drama, 2006)


País: Coréia do Sul
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 16 episódios
Produção: SBS TV

Direção: Yoo In-sik, Bae Tae-seop, Kang Sin-hyo
Roteiro: Lee Hee-myung, Han Eun-kyeong

Elenco: Kim Myeong-min, Nam Sang-mi, Park Jin-woo, Hyeon Yeong, Kim Hee-cheol, Im Hyeon-sik, Yeo Woon-kye, Kang Nam-gil, Geum Bo-ra, Lee Young-yoo, Kim Gyoo-cheol, Hyeong Kwan-yu, Yoo Hyeong-kwan.

Resumo

A pequena Na-rim perde toda a família em um acidente de carro e acorda no hospital, sem lembrar-se do ocorrido. O tio da garota contrata uma família de aluguel para cuidar de Na-rim, e tentar recuperar sua memória. Só que a nova família é composta por um bando de desajustados, que se mete em uma infinidade de confusões.

Comentário

Melhor do que a expectativa de um novo drama, é descobrir algum clássico ou cult do passado. O verdadeiro aficionado dos dramas coreanos curte garimpar produções antigas, seja para ver seus ídolos em início de carreira, ou apenas por apreciar boas estórias. Infelizmente, é cada vez mais complicado encontrar dramas passados, seja para baixar ou para ver online. Por isso, foi uma alegria conseguir resgatar está pérola da dramaturgia televisiva que é Bad Family. Pena que demorei tanto para ver este drama, estrelado pelo sempre fantástico Kim Myung-min (Beethoven Virus, A New Leaf, 6 Flying Dragons). Adepto do Método (de Stanislavski), Kim Myung-min costuma construir personagens atendo-se aos mínimos detalhes, do visual, ao perfil psicológico dos mesmos.


E não foi diferente em Bad Family, onde ele encarna um gangster muito diferente: calculadamente caricato, o personagem resulta surpreendentemente cômico. A verdadeira obcessão de Kim Myung-min em interpretar seus personagens com a máxima veracidade possível é bem conhecida, e quase já lhe custou a vida. No filme Closer to Heaven, para interpretar um homem que sofre de uma doença degenerativa incurável, o ator emagreceu tanto que acabou ele mesmo seriamente doente.


Os personagens de Bad Family causam um estranhamento e até mesmo certa aversão, à primeira vista, mas à medida que nos tornamos íntimos destas figuras exóticas, nos apaixonamos totalmente por eles. E é exatamente este o ‘gancho’ do enredo do drama, a desconfiança e inimizade entre a família postiça, que se transforma aos poucos em uma relação tão ou mais profunda que a de irmãos de sangue. 




É claro que o elenco tem uma influência indiscutível no sucesso de Bad Family. Yeo Woon-kye (falecida em 2009) está impagável como a feirante Park Bok-nyeo; Geum Bo-ra (Jang Bo-ri Is Here!), é Eom Ji-sook, com seu ar esnobe, embora não tenha onde cair morta; e Nam Sang-mi (The Joseon Gunman) nunca esteve tão adorável, com seu eterno ar de moleca, no papel da briguenta Kim Yang-ah. Destaque especial para uma atriz que aparece muito pouco em dramas, mas que tem um timing maravilhoso para comédia, Hyeon Yeong (Producers), como a doce Ha Boo-kyeong. Aliás, nunca vi Kim Myeong-min tão à vontade (e divertindo-se a olhos vistos) contracenando com duas atrizes - Hyeon Yeong e Nam Sang-mi quase levam o rapaz à loucura!



No elenco masculino temos o baixinho simpático Im Hyeon-sik (Yuna´s Street), como o professor de dança de salão Jang Hang-goo; o sempre divertido Kang Nam-gil (Super Daddy Yeol), como o atrapalhado Jo Gi-dong; Park Jin-woo (Love From Today), como o mimado Ha Tae-kyeong; e Kim Hee-cheol (Granpas Over Flowers Investigation Team), é o alienado Gong-min.


As crianças roubam a cena!

A trama divertida e muito original de Bad Family foi escrita a quatro mãos por Lee Hee-myung (My Fair Lady, Rooftop Prince,The Girl Who Sees Smells) e Han Eun-kyeong. Os diretores são Yoo In-sik (Giant, Mrs Cop) e Kang Sin-hyo (The Heirs, Midas).


Um empresário e sua a família (mulher, filhos, tios e avós) sofrem um acidente de carro, enquanto passeavam no interior. A única sobrevivente da tragédia é a filha caçula, Na-rim (Lee Yeong-yoo, de The Queen´s Classroom), de apenas 9 anos de idade. O Sr. Byeon (Yoo Hyeong-kwan), o único parente vivo de Na-rim, tenta descobrir a causa do acidente, mas a sobrinha acorda no hospital sem lembrar-se de nada. Preocupado com as consequências do trauma na menina, ele resolve contratar uma família postiça, e assim, tentar resgatar aos poucos sua memória.


Oh Dal-gun (Kim Myung-min) é um gangster que, entre muitos negócios, dirige uma agência que fornece convidados falsos para casamentos e funerais. O Sr. Byeon contrata Oh Dal-gun para recrutar um grupo de pessoas que possam se fazer passar, convincentemente, pela família perdida de Na-rim. A esperança é que Na-rim recupere aos poucos a lembrança da família e das circunstâncias do acidente de carro. Acontece que o Sr. Byeon não sabe que Oh Dal-gun é um capanga que servia a um mafioso de Busan, até ser expulso da gangue. Oh Dal-gun recruta pessoas através de chantagem sobre a cobrança de suas dívidas com agiotas, formando assim, a família falsa que irá conviver com a pequena Na-rim. Embora Na-rim não se lembre das feições dos parentes, obviamente fica desconfiada de sua “nova” família.


Bad Family talvez seja a família mais disfuncional e maluca já vista, mas também é muito divertida e, por incrível que pareça, enternecedora. Bad Family combina romance, comédia e drama familiar na dose certa. Para quem sente falta de roteiros mais ousados e criativos, é uma ótima pedida!

20 de set de 2015

As Garotas Que Amavam Demais...


... nos dramas coreanos.

Foi enquanto assistia recentemente Bad Family (2006), uma pérola da dramaturgia televisiva coreana, que me dei conta de um fenômeno raro e pouco estudado, o da personagem secundária que se apaixona pelo protagonista... Mas não estou falando das rivais clássicas das protagonistas, mas daquelas que geram a simpatia do público, por seu amor não correspondido.

As discussões acaloradas sobre o amor não correspondido (‘one sided love’) dos personagens secundários por suas protagonistas são frequentes nos fóruns e blogs, mas pouco se fala das garotas que se apaixonam pelos heróis dos dramas... Duas situações costumam acontecer com elas nestes casos: ficarem sozinhas, ou ganharem um romance de consolo, nos minutos finais da estória.

É compreensível que as fãs de dramas se interessem muito mais por aquele personagem secundário masculino tão ou mais bonito que o protagonista, e se preocupem muito menos com a potencial rival da mocinha da trama. É simplesmente natural se identificar com a protagonista e torcer por ela. No entanto, para quem já assistiu um bom número de dramas, outros aspectos começam a chamar a atenção... Além disso, um bom drama não é feito apenas de protagonistas sedutores, mas de coadjuvantes interessantes, que contribuam com o desenvolvimento da estória de forma positiva.

Não existem tantas personagens coadjuvantes que sejam simpáticas à audiência, a não ser que sejam amigas da protagonista, ou façam parte da família do herói do drama. O habitual é a rivalidade explícita pelo amor do mocinho, com todo tipo de tramoia envolvido nesta conquista.

Se a coadjuvante merece ou não – numa realidade alternativa – acabar nos braços do seu amado, depende muito da empatia do personagem, mas também do carisma da atriz. Vamos a alguns exemplos (não há como evitar os spoilers, portanto, cuidado!)...


Em Bad Family, temos Ha Boo-kyeong, uma mulher jovem, bonita, super feminina, que, por azar, se apaixona por um bandido. O ditado de que os opostos se atraem não se aplica nesta estória. O gangster Oh Dal-gun (Kim Myeong-min) sente-se mais atraído por Yang-ah (Nam Sang-mi), uma garota de temperamento forte como o seu. Mas é impossível não simpatizar com a charmosa Boo-kyeong, já que seu amor é sincero, embora tão equivocado. As cenas entre Boo-kyeong e o bruto Dal-gun são engraçadas, mas ao mesmo tempo incrivelmente ternas. Um (quase) casal inesquecível.

É difícil competir com a própria irmã pelo primeiro amor...

Outra situação que me sensibiliza muito é a do primeiro amor... King of High School e Gap Dong são dois dramas que trazem adolescentes vivendo intensamente o primeiro amor, mas infelizmente o mesmo não é correspondido. King of High School fala do romance escolar... Normal, não é mesmo, se enamorar do melhor atleta (e o mais bonito, óbvio) da escola?! Felizmente, é mais fácil superar este sentimento e encontrar outro amor juvenil. Mas quando a adolescente se apaixona por um homem mais velho... Aí a coisa é bem mais complicada, já que os sentimentos de amor e proteção paterna costumam se misturar de modo perigoso.
 

Em Gap Dong (tvN, 2014), a paixonite de Ma Ji-wool (Kim Ji-won) pelo policial Ha Moo-yeom (Yoon Sang-hyun) coloca em risco muito mais do que uma simples desilusão amorosa.

Muitas mulheres já tiveram o coração partido por Lee Joon-ki... Ou melhor, por seus personagens heroicos nos dramas. Duas jovens belíssimas sofreram demais por Joon-ki (em sua fase atual de dramas sageuk), tanto em The Joseon Gunman como em The Scholar Who Walks The Night (MBC, 2015).


As espectadoras que perceberam a boa química entre Joon-ki-shi e sua coadjuvante em The Joseon Gunman, a atriz Jeon Hye-bin, podem consolar-se ao saber que a amizade do casal na vida real tem se fortalecido desde então (apesar de ele negar qualquer envolvimento amoroso). Já na ficção, ele escolheu Nam Sang-mi.


Em The Scholar Who Walks The Night, por outro lado, o que chamou a atenção foi a beleza impressionante da atriz Jang Hee-jin (como a gisaen Soo Hyang), e por isso mesmo, fica difícil acreditar que nosso herói a trocaria pela lindinha, mas imatura Lee Yoo-bi. Infelizmente, não sobrou para Soo Hyang nada além de amizade e gratidão de seu amado vampiro.


Por falar em se apaixonar pelo patrão (raramente uma boa ideia), Park Min-young foi mais uma a sofrer de amor não correspondido por Kim Myeong-min, no drama legal A New Leaf (MBC, 2014). Na verdade eu até torci para que ela ficasse com o gatíssimo Jin Yi-han (My Secret Hotel), mas o drama acabou abruptamente, sem dar tempo para romance de parte alguma. De qualquer modo, apesar de Park Min-young ser bem mais jovem que Kim Myeong-min, o casal combinava muito bem. Aliás, ver Kim Myeong-min envolvendo-se com sua ex-noiva Chae Jung-na (péssima atriz) foi uma das maiores decepções deste drama tão mal executado.

Seguindo no gênero legal, a comédia romântica Lawyers of Great Republic of Korea (MBC, 2008) nos apresentou um “quadrado” romântico muito interessante... Alguns espectadores podem ter achado a personagem interpretada pela bela atriz Han Eun-jung desagradável, mas certamente ela não era uma vilã no drama. Ela, aparentemente, quer se vingar do marido, reivindicando metade de sua fortuna, mas seus motivos são mais singelos do que se possa imaginar. Um drama que mostra de forma realista como o amor mais perfeito pode fracassar...

Mencionei anteriormente que uma boa atriz (num bom papel) pode conquistar o coração da audiência, e posso citar dois exemplos: Kim So-yeon, em Gourmet (SBS, 2008), e Kang So-ra em Doctor Stranger. No drama gastronômico Gourmet, Kim So-yeon se apaixona por Kim Rae-won, embora esteja noiva do irmão deste, Kwon Oh-jeong. É mais um caso clássico de atração pelo diferente, mas entendemos porque a sofisticada Joo-hee prefere o caloroso Sung-chan, ao frio chef Bong-joo. Mas também, ela não conhecia a regra de que ninguém mexe com os homens de Nam Sang-mi (a lista de conquistas da garota é grande, e de dar inveja. Repararam que ela é mencionada três vezes nesta lista?). 

Em Doctor Stranger (SBS, 2014) a fórmula que não deu certo é a seguinte: uma atriz carismática (Kang So-ra), com um enorme fã-clube, perde o amor do protagonista para uma rival muito sem sal. Foi uma verdadeira declaração de guerra à audiência feminina. No final das contas, um drama de roteiro sofrível, que gerou mais atenção do que merecia.


Tem casos em que o espectador é advertido, mesmo que indiretamente, desde o princípio, de que o casal protagonista não terá um final feliz. É o caso, por exemplo, do recente Assembly: o protagonista é casado, fim de papo! Mas acontece que ele está separado da mulher, e sua ligação com a protagonista é tão magnífica, que persiste, até o fim, a esperança de que haja uma reviravolta... Infelizmente, nestas horas, o conservadorismo impera.

Outro caso ainda mais comovente é o dos personagens que já ‘partiram desta para uma melhor’ e que, mesmo assim (ou por isso mesmo), enchem nossos corações de tristeza por seu amor impossível. 49 Days (SBS, 2011) e Oh My Ghostess são dois dramas que transformam suas personagens secundárias em heroínas trágicas... Quem não se comoveu com a ilusão de Nam Gyu-ri de que poderia vencer a morte, enquanto descobria os verdadeiros sentimentos de seu melhor amigo por ela?


Já o fantasma interpretado por Kim Seul-gi, é a versão mais divertida e romântica já criada para o clássico Cyrano de Bergerac. Oh My Ghostess é um caso único, no qual as duas protagonistas são complementares, e a encarnação quase literal de Park Bo-young como Kim Seul-gi é surpreendente e inesquecível. Mas Kim Seul-gi tem razão ao reclamar por não ter podido beijar o ator Cho Jung-seok. Que surjam oportunidades futuras para você, garota!

Ufa, na verdade eu teria mais uma meia dúzia de exemplos divertidos e dramáticos de garotas que amaram demais (e não foram correspondidas), mas já estou quase escrevendo um livro... Ficaria feliz com sugestões de vocês, de dramas que tenha marcado sua memória, por suas personagens femininas de coração partido...
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