28 de ago de 2015

Os Românticos Políticos dos Dramas


Entre os dramas que têm as profissões como tema central, existem os favoritos do público, tanto por seu apelo social - a lei (policiais e advogados), ou a medicina,-  como pelo glamour -, e aí podemos pensar, por exemplo em moda, culinária ou arquitetura. Os dramas políticos, por outro lado, não são tão comuns ou populares, muito em razão da complexidade e aridez do tema. No entanto, os dramas que falam diretamente sobre política costumam ser surpreendentemente divertidos e envolventes. Assistindo o drama atual Assembly (KBS2), um intenso e ao mesmo tempo satírico retrato do dia-a-dia no parlamento sul-coreano, resolvi relembrar outras séries que tiveram a política como pano de fundo.

Nos dramas, os políticos costumam ser (muito) mais idealistas, românticos e bonitos que os da vida real. Ainda bem, já que a política não é o assunto mais sexy do mundo... Mesmo assim, não é bom que se fuja demais da realidade, pois uma boa dose de senso crítico sempre é bem vinda. E o tom de denúncia e crítica é muito bem dosado em Assembly, que, sem levantar bandeiras (à esquerda ou à direita) consegue mostrar as imensas dificuldades de um legislador novato em fazer política com honestidade. “O inferno está cheio de boas intenções”, é um ditado que cabe como uma luva no mundo da política... Entre os discursos inflamados nos palanques, e os interesses pessoais dos políticos, existe um abismo infinito - é a lição que o deputado Jin Sang-pil (Jeong Jae-young) não demora a aprender. Mas não é fácil para um homem antes acostumado a lutar por direitos trabalhistas, à frente de um sindicato operário, aceitar a dura realidade das tramoias sórdidas da política. E, tristemente, parece só haver dois caminhos: juntar-se à maioria, ou render-se e renunciar. Como seria bom se existissem mais homens como Jin Sang-pil, que veem a política como um meio de trazer melhorias sociais reais e urgentes. Com o apoio da assessora Choi In-gyeong (Song Yoon-a) e do jovem Kim Gyu-hwan (Taecyeon), Jin Sang-pil almeja a política que faça diferença na vida do povo de seu país. Ingênuo? Idealista? Certamente, mas é estranhamente um espetáculo emocionante e enaltecedor, como ver um super-herói derrotar os maiores vilões.


Assembly, KBS2, 2015, 20 episódios.

Não é muito fácil imaginar um grande romance florescendo dentro das frias paredes de mármore do congresso, ainda mais entre parlamentares de partidos ideologicamente opostos. Mas é o que acontece em All About My Romance, e o resultado é uma comédia romântica das mais saborosas. Sin Ha-gyoon é Kim Soo-young, um ex-juiz, em seu primeiro mandato como deputado representante de um partido conservador. Lee Min-jeong é No Min-young, que entra na política meio que por acaso, ao substituir a irmã falecida, que pretendia concorrer à presidência do país. Não demora muito para que Soo-young e  Min-young  passem de inimigos políticos, a parceiros no amor.. O problema é enfrentar a forte oposição política a este grande amor... Eu votaria em Sin Ha-gyoon para presidente, sem pestanejar!


All About My Romance, SBS, 2013, 16 episódios.

The City Hall, além de ser um dos melhores dramas de todos os tempos, é um dos poucos que consegue transformar a política num tema atraente. Ou talvez seja o ‘power couple’ Kim Seon-ah e Cha Seung-won que torne fascinante até mesmo acompanhar uma campanha eleitoral... Jo Gook (Cha Seung-won) é o deputado que chega a uma modesta cidade litorânea com o propósito de transformar Shin Mi-rae (Kim Seon-ah) em testa-de-ferro de seu partido, à frente da prefeitura... Só que o pobre Jo Gook acaba tendo seu coração flechado pela adorável caipira Mi-rae. Não é preciso gostar, ou entender de política para cair de amores por este drama. Simplesmente essencial!


The City Hall, SBS, 2009, 20 episódios.

Change é um drama político protagonizado pelo mega ídolo pop Kimura Takuya (Hero), onde ele interpreta ‘apenas’ o Primeiro Ministro do Japão. Quem está familiarizado com os dramas japoneses sabe que muitas vezes a pieguice chega a ser constrangedora... No caso de Change, o tom melodramático passa da conta, pois tratar de política com tanta ingenuidade é, no mínimo, desprezar a inteligência do espectador. Então, porque mencionar um drama com um roteiro tão tolo? Simplesmente porque, para quem é fã de Kimutaku, qualquer oportunidade de vê-lo atuando é um presente. Além do mais, o elenco todo é excelente, com destaque para o sempre charmoso Abe Hiroshi (Shinzanmono) e a adorável Fukatsu Eri (Slow Dance).


Change, Fuji TV, 2008, 10 episódios.

Um drama recente que trabalhou muito bem a conexão entre a justiça e a política é Punch, com Kim Rae-won (Gourmet) e Kim A-joong (Sign). Neste drama vemos o quanto a política pode corromper os demais poderes, e quanto isso pode enfraquecer um país, e prejudicar os seus cidadãos. Realmente, Punch é um drama que deve agradar mais aos fãs de tramas políticas do que os interessados em dramas legais. Mesmo assim, quem simplesmente aprecia um bom thriller, Punch traz uma boa dose de adrenalina à telinha. Um dos melhores dramas do ano!


Punch, SBS, dez/2014 a fev/2015, 19 episódios.

A maioria dos dramas épicos, os chamados ‘sageuk’, tem como pano de fundo as batalhas pelo poder dentro das cortes reais. Mas Hwajung (Splendid Politics) é um dos poucos dramas do gênero que enfoca diretamente a política praticada na época, no caso, na Dinastia Joseon. Em Hwajung temos o ponto de vista de um príncipe, Gwanghae (um espetacular Cha Seung-won), cujo único propósito na vida é ser rei. No entanto, quando seu sonho se torna realidade, todo o peso e a solidão do poder recaem sobre seus ombros. Gwanghae é um rei aprisionado entre as disputas internas pelo poder, e as invasões bárbaras ao pequeno reinado de Joseon. Os reis da época não desfrutavam do poder absoluto, como se pode imaginar, mas dependiam da aprovação dos ministros, nobres e até mesmo dos invasores – nesta estória, o período das insistentes e cruéis invasões das tribos chinesas. Hwajung é um drama muito bonito, como um tom hamletiano, e com Cha Seung-won mais lindo do que nunca, como o melancólico rei Gwanghae.

 
Hwajung, MBC, 2015, 50 episódios.

Outros dramas coreanos que misturam política ao enredo, em maior ou menor dose, e que podem lhe interessar: Three Days, com Park Yoo-chun, como o guarda-costas do Presidente; Queen of Ambition, com Soo Ae como a primeira-dama do país; Dae Mul, Go Hyeon-jeong é a primeira mulher presidente da Coréia do Sul; King 2 Hearts, com Lee Seung-gi como o príncipe que se casa com uma norte-coreana.

19 de ago de 2015

I Remember You (drama, 2015)



País: Coréia do Sul
Gênero: Thriller, Policial, Drama
Duração: 16 episódios
Produção: KBS2

Direção: Kim Jin-won-I, No Sang-hoon
Roteiro: Kwon Ki-yeong

Elenco: Seo In-guk, Jang Nara, Choi Won-yeong, Park Bo-geom, Lee Cheon-hee, Min Seong-wook, Lim Ji-eun, Do Kyeong-soo, Jeon Kwang-ryeol, Kim Jae-young, Son Seung-won.

Resumo

Um especialista em perfis criminais e uma detetive de polícia se unem na caça de um perigoso assassino serial.

Comentário

Parece que os coreanos inventaram (ou ao menos aprimoraram) um novo gênero, o thriller romântico (ou romance policial, como queira). Neste gênero, o romance floresce em meio a perseguições policiais, tramas de vingança e/ou terror. Aqui, nossas heroínas não precisam temer ex-namoradas vingativas, ou sogras malvadas, mas precisam ajudar seus amados a derrotar os mais perversos inimigos – o que requer alto treinamento em artes marciais, e tiro ao alvo, só para começar! Saltos altos e bolsas de marca são substituídos por tênis de corrida e mochilas... Não é fácil a vida de uma protagonista de um drama policial!

Intrigante mesmo é a insistência no gênero, já que os dramas que seguem esta onda não tem tido uma recepção tão boa quanto se poderia esperar. Parece que a audiência ainda segue muito apegada ao makjang, e à comédia romântica clássica. Pinocchio, Healer e The Girl Who Sees Smells são exemplos de últimas incursões no gênero -, dramas muito bem executados, mas que não animaram muito o público coreano. Por outro lado, o povo da internet acolheu com entusiasmo os dramas acima citados, e especialmente o recém-finalizado I Remember You.

Com a direção segura da dupla Kim Jin-won-I (Nice Guy) e No Sang-hoon (Queen of Office) e um elenco charmoso, e notadamente talentoso, I Remember You tinha tudo para ser um grande sucesso para o canal KBS. Nem mesmo a qualidade do roteiro, a cargo do jovem Kwon Ki-yeong (All About My Romance, Protect the Boss) serviu para seduzir a audiência, ultimamente mais afeita aos shows de variedade, e à TV por demanda.

É uma pena mesmo, pois I Remember You é um drama acima da média, com uma trama muito bem desenhada, sem apelar para os excessos comuns ao gênero do suspense. O primeiro ponto positivo do drama é que a trama central é acompanhada de sub-tramas – a cada dois episódios, outros crimes são resolvidos, e estes, ao mesmo tempo, servem como peças que nossos heróis vão encaixando no quebra-cabeça central, que á a busca ao vilão Lee Joon-young (interpretado na juventude por Do Kyeong-soo, de It´s Ok, That´s Love).

Seo In-guk (King of High School) volta ao modo ‘suave’ (como visto em The Master´s Sun) ao encarnar Lee Hyeon, um homem torturado por uma grande tragédia familiar do passado. Lee Hyeon é um respeitado especialista em perfis psicológicos de criminosos, que migrou para os EUA há muitos anos, onde presta consultoria, dá aulas e escreve livros sobre o tema. Uma correspondência misteriosa o traz de volta à Seul, e ele passa a auxiliar a policia na resolução de vários crimes.

Uma pessoa que conhece muito bem o passado de Lee Hyeon é a detetive Cha Ji-an (Jang Nara, de Fated to Love You), embora ele não pareça lembrar-se dela. Ji-an seguiu a carreira policial por não conseguir superar a perda do pai, desaparecido quando ela era criança.

De volta ao país, o primeiro crime a atrair a atenção de Lee Hyeon é uma série de assassinatos de mulheres, e o principal suspeito é um empresário, que parece achar que o dinheiro pode mantê-lo acima da justiça. Seu advogado é Jeong Seon-ho (Park Bo-geom, de Admiral: Roaring Currents, Tomorrow Cantabile), um jovem ambicioso, acostumado a enfrentar casos polêmicos.

Lee Hyeon conhece muitos policiais veteranos, colegas de seu pai, Lee Joong-min (Jeon Kwang-ryeol, de Sign), psicólogo que avaliava a sanidade mental de criminosos perigosos. Após a morte trágica do pai, e o desaparecimento do irmão caçula, Lee Hyeon foi criado pela chefe de polícia Hyeon Ji-soo (Lim Ji-eun , de The King´s Face).

Apesar de ser contratado como consultor da equipe especial do departamento de homicídios de Seul, Lee Hyeon não faz questão de se entrosar com os colegas, já que seu único objetivo é encontrar o assassino de seu pai. Kang Eun-hyeok (Lee Cheon-hee, de Dating Agency Cyrano), o líder, e o resto da equipe, Son Myeong-woo (Min Seong-wook, de Pinocchio), Choi Eun-bok (Son Seung-won, de Healer) e Min Seung-joo (Kim Jae-young, de No Breading, Blade Man), admiram a genialidade de Lee Hyeon, mas odeiam seu ar esnobe e pouco amistoso. Os únicos que parecem compreender e aceitar o caráter peculiar do rapaz são a policial Cha Ji-na, e o médico legista Lee Joon-ho (Choi Won-yeong, de 3 Days, The Heirs).

Minha preocupação inicial em ver Seo In-guk contracenando novamente com uma noona (após tão pouco tempo passado de King of High School) foi substituída pela satisfação em ver a boa parceria que o ator estabeleceu com Jang Nara. A atriz, com seu rostinho angelical, às vezes parece até mais jovem que Seo In-guk.

Por outro lado, provavelmente porque o roteiro foi escrito por um homem, as emoções que afloram a partir dos relacionamentos masculinos são muito mais intensas... O triângulo entre Park Bo-geom, Seo In-guk e Choi Won-yeong é mais complexo e turbulento que muitos romances tradicionais vistos nos dramas coreanos. Choi Won-yeong parece divertir-se imensamente em interpretar o misterioso Lee Joon-ho, e ele sabe muito bem como mexer com a insegurança do espectador. Agora, sem dúvida alguma, a melhor surpresa deste drama é Park Bo-geom, que, como um jovem e malicioso Puck, nos enfeitiça com seu sorriso encantador. E Seo In-guk, ou melhor, Lee Hyeon, passa por muitos apuros até finalmente lembrar-se deste sorriso...

Concluído este ótimo trabalho, só resta torcer para que Seo In-guk fique bem longe dos sageuks (The King´s Face), e quem sabe volte em breve com uma bela comédia romântica!

7 de ago de 2015

Mask (drama, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama, suspense, romance
Duração: 20 episódios
Produção: SBS TV

Direção: Boo Seong-cheol
Roteiro: Choi Ho-cheol

Elenco: Soo Ae, Joo Ji-hoon, Yeon Jeong-hun, Yoo In-young.

Resumo

Byeon Ji-sook, fugindo do assédio de agiotas violentos, assume a identidade de Seo Eun-ha, noiva de Choi Min-woo, herdeiro de um grande conglomerado.

Comentário

Byeon Ji-sook (Soo Ae) é uma jovem trabalhadora, que sofre para pagar as dívidas de sua família. Os pais de Ji-sook administram um pequeno restaurante, e seu irmão mais novo não tem um emprego fixo. Após vários negócios fracassados do pai, ao longo dos anos, a família se afunda em dívidas com agiotas. Ji-sook trabalha como vendedora em uma boutique de um grande shopping center, e sente-se frustrada por ver seu dinheiro suado ir parar nas mãos dos cobradores, todos os meses.

Certo dia, o advogado Min Seok-hoon (Yeon Jeong-hun) vê Byeon Ji-sook, e fica admirado com sua semelhança com Seo Eun-ha (Soo Ae), sua amante, e futura esposa do herdeiro Choi Min-woo (Joo Ji-hoon). Acontece que Byeon Ji-sook trabalha exatamente no shopping que faz parte do conglomerado da família Choi. Choi Min-woo é pressionado pelo pai, o empresário Choi Doo-hyun (Jeon Gook-hwan), a casar-se com Seo Eun-ha, em troca de favores políticos de seu pai, o senador Seo Jong-hoon (Park Yong-soo).

Min Seok-hoon é casado com a irmã de Min-woo, Mi-yeon (Yoo In-young), mas não se contenta em ser apenas o advogado da família Choi. Ambicioso, ele arma um plano com Seo Eun-ha, para que ela se case com Min-woo e tome sua fortuna (por divórcio, ou coisa pior...). Mas o plano de Min Seok-hoon é frustrado com a morte súbita de sua amante. É aí que ele tem a ideia de esconder a morte de Eun-ha, e substituí-la por sua sósia perfeita, Byeon Ji-sook. Perseguida implacavelmente por violentos agiotas, a pobre Ji-sook acaba cedendo à chantagem de Min Seok-hoon, assume a identidade de Eun-ha e se casa com Choi Min-woo.

Em 2013, o roteirista Choi Ho-cheol fazia sucesso com seu primeiro drama, Secret (KBS TV). Em um meio dominado por escritoras, o jovem roteirista impressionou o público com uma versão compacta (16 episódios) dos famosos makjang – melodramas repletos de reviravoltas, e tramas absurdas. Realmente, o que mais me agradou em Secret, além do belo casal de protagonistas, foi a trama enxuta, com emoções exacerbadas, mas que não se prolongaram por cinquenta longos capítulos, como costuma acontecer com os dramas do gênero. É claro que existem bons melodramas de 50 ou mais episódios, mas, para quem não gosta, ou simplesmente não está habituado ao gênero, Secret, ou Mask, são uma boa pedida.

A segunda incursão do escritor Choi no melodrama veio acompanhada do amadurecimento em seu trabalho em muitos aspectos, especialmente na elaboração dos personagens secundários. Se em Secret, o casal de protagonistas era puro charme, seus antagonistas eram no máximo exasperantes. Cada minuto da presença dos personagens secundários parecia um tempo perdido na trama. Em Mask, por outro lado, o casal Min Seok-hoon e Choi Mi-yeon é malignamente sedutor, um caso perfeito para qualquer estudo psiquiátrico... No entanto, algumas fraquezas do escritor Choi persistem e até se agravam em Mask. Os quatro episódios a mais dados ao roteirista neste drama parecem tê-lo deixado perdido, bem como seus personagens, que dão voltas em torno de si mesmos, e acabam sempre no mesmo lugar. Por mais que o espectador releve os absurdos de uma trama clássica makjang, há um limite para tudo. Ninguém quer torcer pelos heróis da trama se eles não têm um mínimo senso de auto-preservação... A sorte do roteirista, e da produção deste drama, é que o elenco é dedicado o bastante para nos fazer querer acompanhar sua jornada até o fim. Soo Ae é uma atriz fantástica, não há como negar, e tem se especializado em papeis dramáticos (A Thousand Days´ Promise). Mesmo assim, confesso que ainda sonho em vê-la novamente em uma comédia romântica nos moldes de 9 end 2 outs, para mim até hoje o melhor papel de sua carreira. Joo Ji-hoon (Antique, Princess Hours) é um de meus atores favoritos, e por mais medíocre ou absurdo o personagem que interprete, ele sempre consegue dar o melhor de si mesmo. Ainda acho que o ator tem sido muito mal aproveitado, tanto no cinema quanto na TV (mas talvez seja culpa sua não escolher os projetos certos). De qualquer modo, presenciando a química fantástica de Joo Ji-hoon e Soo Ae, fiquei imaginando como seria maravilhoso vê-los juntos numa comédia romântica!

Por falar em más escolhas, Yeon Jeong-hun também me parece um ator que poderia escolher melhor seus trabalhos, que variam de grandes atuações, como em Love in Magic (seu melhor filme), ou Vampire Prosecutor, a fiascos como Can Love Become Money, ou Gold, Appear! Por isso, acho que Yeon Jeong-hun acertou em cheio desta vez ao aceitar o papel do vingativo advogado Min Seok-hoon. E ele pareceu desfrutar muito ao interpretar um personagem maligno, mas surpreendentemente complexo. 


E não menos intrigante é Mi-yeon, a esposa de Min Seok-hoon. A garotinha mimada Mi-yeon é um personagem que caiu como uma luva para a atriz Yoo In-young, com seu tom de voz infantil, e seu ar blasé. Sua dependência psicológica do marido a torna uma mulher tão ou mais perigosa que ele. Choi Mi-yeon é o personagem mais inquietante e perigoso da trama, pois nunca sabemos até onde seu amor obsessivo pelo marido a levará.

Enfim, Mask, apesar de todos os defeitos do enredo, ainda tem apelo o bastante para os fãs de romances épicos, e de uma boa dose de suspense.

22 de jul de 2015

Meus Atores Favoritos do Drama Coreano


Fazer uma lista de atores coreanos (em drama) favoritos é bem mais difícil do que de atrizes, já que há tantos nomes para destacar. Mas, numa era em que predominam os garotos metrossexuais, resolvi enfocar, desta vez, os atores que exalam uma ‘vibe’ mais energética, mais masculina. Em geral, isto já elimina em boa parte a geração atual de atores, que dá tanta (ou mais) importância ao visual do que à atuação em si. Nada contra os ‘flower boys’, que encantam a telinha, e os muitos produtos que patrocinam... Mas nada como um ar mais rústico para mexer com o coração da mulherada, não é mesmo? Sendo assim, estes são os meus machões favoritos...


O primeiro nome que me vem à mente é Cha Seung-won, que, para muitas de suas fãs, será para sempre o carismático político Jo Gook, do drama The City Hall (2009). O ator transita com versatilidade entre os vários meios artísticos, do cinema para a TV, do teatro para as passarelas da moda. Ainda estou esperando um grande filme em sua carreira, embora tenha gostado muito de Eye for an Eye (2008) e The Big Scene (2005). Seu melhor par romântico, sem dúvida alguma, é Kim Seon-ah, no inesquecível The City Hall (da incensada roteirista Kim Eun Sook). Atualmente Seung-won está arrasando no drama épico Hwajung (Splendid Politics), no papel do rei Gwanghae. Poucas vezes se viu um imperador tão elegante e imponente, do alto de seus 1,88 m. Sua melhor qualidade é seu senso de humor, que sempre transparece no olhar, e em sua risada gutural inconfundível. Seu papel mais desafiador foi o de um policial que gosta de se travestir, no filme Man on High Heels.


Por falar em homens altos, Choi Jin-Hyeok também é um bom exemplo do de ator que chama a atenção por seus charmes masculinos. Descontado o gosto duvidoso por tinturas de cabelo exóticas, Choi Jin-Hyeok é um ator da nova geração, com a elegância clássica dos veteranos. Com 29 anos de idade, o ator adiou até o último instante sua ida para o serviço militar obrigatório, e agora, infelizmente, teremos de esperar ansiosamente por sua volta à mídia. Em seu último papel, no drama Pride and Prejudice, ele provou estar em plena forma, como ator, e como homem. E após múltiplos papeis românticos coadjuvantes – I Need Romance, Fated to Love You - Choi Jin-Hyeok provou estar preparado para assumir o título de galã dos dramas coreanos. Lindo, bom ator, e excelente cantor, o que se pode esperar mais deste rapaz? Volte logo, Choi Jin-Hyeok!

 
Lee Seon-gyoon é o tipo de ator que consegue me surpreender cada vez que o vejo, em um novo projeto. Seja no cinema, ou na TV, Lee Seon-gyoon não se acomoda, e está sempre em busca de maiores desafios como ator. A primeira vez que vi o ator foi no drama Pasta, e a princípio não entendi como haviam escolhido um ator pouco fotogênico e de voz fanha (?!) como protagonista. É claro que foi apenas a primeira impressão, pois algumas cenas depois, eu já estava completamente apaixonada por aquele chefe de cozinha misógino e esnobe. A atriz Yoon Eun-hye comentou em entrevista que, ao contracenar com Lee Seon-gyoon no drama Coffe Prince, ficou encantada com sua boa índole, e dedicação absoluta à mulher e aos filhos (ele é casado com a atriz Jeon Hye-jin-II). Esse caráter amistoso do ator está sempre presente, e nos faz querer conhecê-lo melhor, a cada novo personagem que encarna. Amo em especial seu trabalho no drama Miss Korea, como o ‘pigmaleão’ moderno Kim Hyeong-joon. Nos últimos anos Lee Seon-gyoon vem se dedicando mais ao cinema (A Hard Day, Love is a Virus), e vale muito a pena acompanhar esta boa fase de sua carreira. Grande ator, Lee ‘The Voice’ Seon-gyoon!


Como comentei na introdução, a nova geração de atores coreanos carece de certa rudeza, um charme essencial a determinados papeis, mas o jovem Yoo Ah-in é uma exceção a ser exaltada. Desde seu primeiro papel protagonista no drama épico Sungkyunkang Scandal (KBS, 2010), até o reconhecimento atual no cinema (Punch, Thread of Lies), Yoo Ah-in, já tem o currículo digno de um veterano. Yoo Ah-in é mais sexy do que bonito, mais elegante do que forte; é um homem que tem o tipo de charme a ser descoberto aos poucos, mas cuja intensidade é desconcertante. Foi com seu personagem mais marcante, Moon Jae-sin, o rebelde charmoso de Sungkyunkang Scandal, que descobri o significado do termo ‘second lead Syndrome’. Meu sonho é ver uma comédia romântica estrelada por Yoo Ah-in, e apreciar seu belo sorriso cheio de covinhas, enquanto olha para sua amada...


Numa lista pessoal, Jang Hyeok deveria ser o primeiro colocado, tanto como ideal de homem, quanto de ator. Bonito, sem ser afetado, simpático, educado, respeitado pelos colegas, versátil como ator – do romance à comédia, do thriller ao drama, Jang Hyeok encara qualquer batalha com o mesmo entusiasmo... Meu primeiro encontro com Jang Hyeok foi no cinema (Windstruck), mas foi no drama Chuno (2010) que me apaixonei perdidamente por este ator. Logo depois assisti um drama anterior, Thank You (2007), e minha admiração por Jang Hyeok como ator só cresceu. Aliás, estes dois personagens, Dae-gil, o nobre transformado em caçador de escravos, e o médico Min Gi-seo são meus dois personagens favoritos, até o momento, da carreira de Jang Hyeok. Não por acaso, dois personagens muito parecidos, repletos de paixão e melancolia, na mesma proporção. Embora a cinematografia do ator seja um tanto quanto irregular, gosto muito do thriller The Client (um Jang Hyeok muito diferente do que estamos acostumados a ver) e The Flu (um filme irregular, mas ele nunca esteve tão lindo, como bombeiro!). Recomendo também o drama Midas, e o épico Deep-rooted Tree.


Será que existe alguém que não goste de Gong Yoo? Como ator, ele é admirado e disputado, e como pessoa, é encantador! Ao menos é a impressão que passa, através de entrevistas, ou de depoimentos de colegas atores. Gong Yoo tem aquele ar de garotão despreocupado – o imagino no papel de um surfista, passando os dias à beira-mar, com aquele corpo escultural, bronzeado (suspiro). Mas ele também tem um lado mais introspectivo e suave, que pode ser vislumbrado (dentro de sua curta carreira), no drama Big (talvez sua melhor atuação até o momento) ou no filme The Crucible (sua primeira incursão em um papel mais dramático). Gong Yoo ainda tem muito a mostrar como ator, e espero que, com a maturidade, venham papeis mais desafiadores, seja no cinema ou na TV.


Kim Woo-bin é mais um exemplo de ator da nova geração que foge dos estereótipos de ‘flower boy’ ou ídolo kpop. Apesar da carreira original de modelo, Kim Woo-bin não tem uma beleza convencional, e conquistou seu espaço como ator, graças a um talento natural, e um magnetismo inegável. Em seu primeiro papel na TV, no drama especial White Chritmas, ele já chamava a atenção, como o rebelde de cabelos vermelhos, Kang Mi-reu. Mas foi com os dramas School 2013 (em bromance inesquecível com Lee Jong-seok) e The Heirs (em que rouba a cena do protagonista, Lee Min-ho) que Woo-bin conquistou de vez nossos corações. É de se aplaudir também sua incursão muito bem sucedida nos cinemas, com filmes como Friend, the Great Legacy, e o mais recente, Twenty. O próximo passo de Woo-bin deve ser o de protagonista em um drama de TV, e espero que ele tenha paciência para escolher um projeto que faça jus à sua qualidade como ator.


Eu poderia copiar e colar o perfil de Lee Seon-gyoon para falar sobre Uhm Tae-woong, já que ambos são atores que possuem um charme que deve ser descoberto (e desfrutado) pouco a pouco... Uhm Tae-woong é aquele cara que pode seduzir uma mulher não tanto pela aparência, mas certamente pela gentileza e cavalheirismo. Ele é o tipo de homem que poderia se produzir mais e ficar mais bonito, mas que consegue conquistar com sua aparência às vezes desleixada, outras vezes puramente máscula. Em filmes como Cyrano Agency, ou Never Ending Story, que ele consegue transformar personagens triviais, em figuras complexas, e cheias de nuances. O mesmo acontece em dramas como The Devil, ou o mais recente, Valid Love, quando, ao confrontar-se com rivais mais jovens e belos (Joo Ji-hoon, e Lee Soo-hyuk, respectivamente) Uhm Tae-woong prova que pode balançar o coração de qualquer donzela...


Joo Sang-wook está muito perto de Cha Seung-won em grau de poder másculo, e é um dos atores mais bonitos da atualidade. Realmente, a beleza deste homem é hipnotizante, e não é apenas uma opinião pessoal – me recordo de um comentário divertido da atriz Ha Ji-won, sobre seu encontro com Joo Sang-wook no filme The Huntresses, e de como o ator fazia “seu coração bater loucamente” cada vez que o via. E o melhor de tudo é que Joo Sang-wook é um ótimo ator, tanto em dramas (TEN, Good Doctor) como em comédias (Cunning Single Lady, Birth of Beauty). Só falta um grande filme na carreira deste ator, para que ele atinja a perfeição!


Seo In Guk é um ídolo pop, sim, mas não pode ser classificado como um ‘flower boy’, e, apesar de ser muito estiloso, como todo rapaz de sua geração, tem testosterona o bastante para entrar nesta listinha. Foi quase num piscar de olhos que o cantor aclamado em um concurso de talentos virou protagonista de dramas. Mas é só parar para contemplar o rosto perfeito de Seo In Guk devorando a telinha, para admitir que ele nasceu para brilhar. Seo In Guk ainda não é um ator completo, mas, se tiver tempo para desenvolver suas habilidades cênicas, pode ambicionar papeis mais complexos. Com King of High School ele já provou seu poder de improvisação e talento cômico, e, agora mesmo com Remember You, seu lado mais dramático.

Estes são os atores que acho que merecem estar entre os top ten, mas poderia acrescentar tantos outros à esta lista, como So Ji-sub (Master´s Sun), Eric (Discovery of Romance), Ji Jin-hee (The Man Who Can´t Get Married), Joo Ji-hoon (Mask), Sin Ha-gyoon (Brain), Lee Dong-geon (When It´s At Night), Lee Seo-jin (Lovers), Lee Seong-jae (Warm and Cozy), Taecyeon (Assembly)...

25 de jun de 2015

Who Are You - School 2015 (drama, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama escolar, suspense, romance
Duração: 16 episódios
Produção: KBS TV

Direção: Baek Sang-hoon, Kim Seong-yoon
Roteiro: Kim Hyeon-jeong-II, Kim Min-jeong-II

Elenco: Kim So-hyeon-I, Nam Joo-hyeok, Yook Seong-jae, Lee Pil-mo, Lee David, Jo Soo-hyang, Kim Hee-jeong-I, Lee Cho-hee, Jeon Mi-sun, Kim Jung-nan, Jeon No-min, Lee Si-won, Kim Bo-ra

Resumo

Eun-byeol estuda em uma escola particular de elite. Durante uma excursão com os colegas, ela desaparece misteriosamente. Dias depois, Eun-byeol é encontrada, mas perdeu totalmente a memória. De volta ao colégio, ela terá de descobrir quem é, e que segredo do passado guardava consigo.

Comentário

A KBS TV volta à sua franquia de drama escolar, com Who Are You - School 2015. Ao contrário de School 2013, que se passava numa escola de classe média, o novo drama é ambientado numa prestigiosa escola particular de Seul. Mas as diferenças não param por aí... School 2013 retratava de forma muito realista os conflitos entre professores e alunos, as amizades e diferenças entre os colegas de classe, bem como seus problemas com os pais. Who Are You, por outro lado, deixa em segundo plano o drama escolar, para debruçar-se sobre um grande mistério... Tudo começa com uma excursão escolar a uma cidade litorânea, e o desaparecimento inexplicável da aluna mais popular da escola, Go Eun-byeol (Kim So-hyeon-I). Song Mi-Gyeong (Jeon Mi-sun), se desespera com o sumiço da filha única, até Eun-byeol finalmente aparecer, inconsciente, em um hospital. Ao acordar, Eun-byeol está amnésica, e não consegue lembrar nem mesmo do próprio nome. Mal sabe sua mãe que estará levando para casa uma estranha...


Lee Eun-bi (Kim So-hyeon-I) é uma adolescente que mora na cidade de Tongyeong, e nunca conheceu o carinho de uma família, já que foi criada em um orfanato. Eun-bi é uma garota muito madura para sua idade... Estuda, tem vários empregos temporários, e ainda ajuda a cuidar das crianças do orfanato. Infelizmente, sua vida na escola se torna um inferno, quando resolve ajudar uma colega que vinha sofrendo bulling, e acaba ela alvo da mimada e maldosa Kang So-yeong (Jo Soo-hyang). Desesperada, ela se joga de uma ponte, para o mar, mas é resgatada e acorda sem memória, no hospital. E é assim que a mãe de Eun-byeol acaba levando para casa Eun-bi, uma sósia perfeita de sua filha adotada. Mas onde foi parar Eun-byeol? Fugiu de casa, ou está morta? Este é apenas um dos mistérios com os quais sua irmã (?) Eun-bi irá se deparar ao substituí-la na escola, em Seul.


As melhores amigas de Eun-byeol ficam felizes em revê-la sã e salva. Cha Song-joo (Kim Hee-jeong-I) e Lee Shi-Jin (Lee Cho-hee) ficam intrigadas com o comportamento diferente da amiga, mas assumem que se trata de um efeito colateral da amnésia. O amigo de infância, Han I-na (Nam Joo-hyeok) também estranha a ‘nova’ Eun-byeol, mas fica aliviado ao rever sua paixão antiga (embora não assumida). Por estranho que pareça, o aluno que mais suspeita da verdadeira identidade de Eun-byeol é Gong Tae-kwang (Yook Seong-jae). Isto porque a verdadeira Eun-byeol o tratava com desprezo, para não dizer que o ignorava totalmente. Mas a ‘nova’ Eun-byeol é gentil, educada, deixando Tae-kwang cada vez mais perplexo e, ao mesmo tempo, atraído pela garota.


Quando Eun-bi recupera a memória, hesita em contar a verdade, pois irá perder o amor da mãe, as novas amizades, para voltar ao pesadelo de sua vida de órfã. Mas ela irá descobrir que sua gêmea Eun-byeol também tem seus esqueletos guardados no armário... Uma ex-aluna da escola, Seo Young-Eun (Kim Bo-ra), parece ter algo a ver com o desaparecimento de Eun-byeol, e Eun-bi precisa desvendar este mistério.

Embora Who Are You dê prioridade para o suspense, os temas típicos dos dramas escolares também são abordados, tais como o bulling, ou a competitividade feroz à qual os estudantes coreanos são submetidos, em busca das melhores notas no boletim. O conflito entre o estudante Park Min-joon (Lee David) e sua mãe Shin Jung-Min (Kim Jung-nan, de Gentleman´s Dignity) lembra muito o já retratado no drama Heirs. Tae-kwang também sofre com a frieza do pai, e diretor da escola, Gong Jae-ho (Jeon No-min). Han I-na, por outro lado, apesar de ser pobre, tem um pai amoroso e dedicado, Han Gi-choon (Lee Dae-yeon). Han I-na estuda em uma escola de elite, por fazer parte do time de natação, e ter um futuro promissor como atleta.


Se no drama School 2013 os professores protagonizavam a estória, em Who Are You sua participação é bem mais discreta... Lee Pil-mo (Pinocchio) está simpático como sempre, no papel de Kim Joon-seok, o professor mais popular, por conviver diariamente com os alunos da classe de Eun-byeol, e por saber dar bons conselhos aos adolescentes, no lugar de lições de moral vazias.


Talvez o que mais faça falta em Who Are You seja um belo ‘bromance’, como o de Lee Jong-suk e Kim Woo-bin, em School 2013, mas, para compensar, temos um triângulo amoroso dos mais adoráveis. Nam Joo-hyeok e Yook Seong-jae disputam o amor de Kim So-hyeon-I e, como sempre, é impossível não simpatizar com a parte rejeitada do romance...


Nam Joo-hyeok e Yook Seong-jae são dois garotos maravilhosos, mas o segundo se destaca, com uma atuação madura e envolvente. Se Yook Seong-jae (Plus Nine Boys) já era admirado por sua bela voz, depois deste drama, também pode ser considerado um ator promissor. 


E Kim So-hyeon-I (Missing You), após tantos papeis secundários, e participações especiais, finalmente tem a oportunidade (e o merecimento indiscutível) de ser a protagonista em um drama. E ela encara o papel duplo como se fosse a mais experiente das atrizes, ou seja, sem exageros, com sutileza e delicadeza impressionantes.

 
Embora eu tenha curtido demais este drama, não dá para ignorar as falhas do roteiro, que denunciam a inexperiência das duas roteiristas, Kim Hyeon-jeong-II (Grade A Student – special), Kim Min-jeong-II (Come to Me Like a Star – special). Todo o escritor que se aventura no gênero suspense (thriller) precisa ter muito cuidado para não deixar ‘furos’ na estória, e, no caso de Who Are You (quero evitar aqui os spoilers) certos pontos cruciais da trama ficam muito mal resolvidos. Felizmente, estas falhas não chegam a estragar o prazer de ver este drama, e os diretores Baek Sang-hoon (Secret e Kim Seong-yoon (Dream High, Big, Discovery of Romance) fazem um excelente trabalho na condução da estória e do elenco. Enfim, a KBS pode seguir tranquilamente com seus belos dramas escolares, por muitos e muitos anos... Estaremos aguardando ansiosamente por School 2017!

15 de jun de 2015

Unkind Women (drama, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama
Duração: 24 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Yoo Hyun-ki
Roteiro: Kim In-young

Elenco: Kim Hye-ja, Chae Si-ra, Do Ji-won, Lee Ha-na, Lee Soon-jae, Jang Mi-hee, Seo Yi-sook, Kim Ji-seok, Song Jae-rim, Son Chang-min, Lee Mi-do, Kim Hye-eun, Park Hyuk-kwon, Choi Jung-woo

Resumo

Três gerações de mulheres que vivem na mesma casa, e compartilham suas alegrias e sofrimentos.

Comentário

Apesar do título provocativo, Unkind Women, não nos decepciona ao apresentar um grupo de mulheres de caráter indomável, mas também de grande coração. E é com uma mistura de prazer e estupefação que acompanhamos as peripécias destas mulheres tão especiais. Tudo gira em torno da matriarca, Kang Soon-ok (Kim Hye-ja), uma senhora de aparência frágil, mas que é uma verdadeira leoa. Kang Soon-ok é uma mulher batalhadora, que enviuvou cedo, e teve de se virar para sustentar as duas filhas adolescentes. Em sua preciosa casa antiga, ela faz pratos deliciosos e oferece um disputado curso de culinária típica coreana. 


Kim Hyun-sook (Chae Si-ra), a filha mais nova, e a neta, Jung Ma-ri (Lee Ha-na, King of High School) também moram no casarão da matriarca. A filha mais velha, Kim Hyun-jung (Do Ji-won, de Healer) trabalha numa estação de TV, como âncora de noticiários, e, em grande parte por seu caráter forte, nunca se casou ou teve um relacionamento amoroso sério. Sua irmã caçula, Hyun-sook, por outro lado, casou-se muito jovem, e abandonou os estudos para criar a filha Ma-ri. Separada do marido, seu antigo tutor escolar Jung Goo-min (Park Hyuk-kwon, de Punch, The Producers), ela não consegue superar os traumas de uma juventude conflituosa (a perda do pai e a expulsão do colégio). Sua única alegria é a filha Ma-ri, uma jovem estudiosa e obediente. Complexada e insegura, Hyun-sook age como uma adolescente rebelde, e vive causando problemas para a família. Aflita por tentar ajudar financeiramente a mãe, ela investe as economias da velha, mas acaba perdendo tudo. Envergonhada, Hyun-sook foge para o litoral, e acaba sendo acolhida por uma mulher muito rica, que demonstra um interesse incomum em ajudá-la. Acontece que esta mulher, Jang Mo-ran (Jang Mi-hee, de Rosy Lovers) tem uma ligação antiga e trágica com os pais de Hyun-sook.

Jung Ma-ri é uma dedicada professora assistente em uma universidade de Seul. Seu sonho é ser contratada como professora titular, mas ela se envolve numa confusão, ao aparecer numa reportagem de TV mal editada, e acaba sendo demitida. O responsável involuntário é o repórter Lee Doo-jin (Kim Ji-seok, de Chuno), que, para reparar o erro, consegue um trabalho temporário para Ma-ri em um programa de TV. Os dois acabam ficando amigos, e Lee Doo-jin se encanta cada vez mais com a inteligência e simpatia de Ma-ri. Acontece que a mãe de Lee Doo-jin é Na Hyun-ae (Seo Yi-sook, de You´re All Surrounded), a professora que perseguiu e fez com que a mãe de Ma-ri fosse expulsa da escola no passado.


Apesar da presença do repórter Doo-jin, Ma-ri acaba se rendendo aos encantos do mestre de kendô Lee Roo-o (Song Jae-rim, de Surplus Princess). Mas não vai ser fácil Ma-ri convencer sua família de que Roo-o é um bom partido para ela, ainda mais quando for revelado o histórico familiar do rapaz.

Sim, as coincidências seguem na trama e, no final das contas, quase todos os personagens se relacionam de alguma forma, seja no presente ou no passado. Mesmo assim, a roteirista consegue desencadear estes encontros e desencontros de forma muito fluida e sensível, e este certamente é um dos grandes méritos do drama. Os 24 episódios de Unkind Women são repletos de eventos emocionantes, e seus personagens são tão simpáticos, que é difícil não lamentar que o drama não pudesse se prolongar por mais alguns capítulos. Aliás, Kim In-young tem se revelado uma roteirista de grande talento, inclusive para o drama épico, com o atual Hwajung (Splendid Politics), uma trama com aventura, história e romance na medida certa. Outro drama da autora que está entre os meus favoritos é Still, Marry Me (2010), com Kim Beom.

Além do excelente roteiro, Unkind Women conta com um PD de primeira, Yoo Hyun-ki (My Daughter Seo-yeong, Brain), com sua direção sempre elegante e segura.


Agora, um espetáculo mesmo são as atuações, especialmente da veterana Kim Hye-ja, como a matriarca Kang Soon-ok. Outro papel marcante da atriz foi o de imperatriz no drama Princess Hours, mas foi no filme Mother, do diretor Bong Joon-ho, que Kim Hye-ja teve sua interpretação mais inesquecível. Outra que impressiona pelo comprometimento com o personagem é Chae Si-ra (The Iron Empress), que se entrega de corpo e alma, sem medo de parecer ‘feia’ ou patética, como a imatura Hyun-sook. No começo, é difícil para o espectador gostar de Hyun-sook, mas o personagem vai crescendo até se tornar o foco central da trama, e com total merecimento. Jang Mi-hee também encanta, como a frágil e bela Jang Mo-ran, e com seu tumultuado, mas divertido relacionamento com a rival Kang Soon-ok.


O elenco masculino não fica atrás em termos de qualidade, embora os homens, nesta estória, não tenham muita chance de se impor diante de mulheres de caráter tão indomável. Temos o veterano ator de TV e cinema Lee Soon-jae (Beethoven Virus), como o velho Kim Chul-hee, um homem que paga caro por seus erros do passado. Son Chang-min (Pride and Prejudice, Cruel City), esbanja charme e simpatia, como o editor Lee Moon-hak. E finalmente, Choi Jung-woo (Doctor Stranger), como o bondoso ex-professor de Hyun-sook, Han Choong-gil.


O que mais me tocou neste drama foi o enfoque muito delicado e sincero sobre o valor da mulher na união familiar. Não é o mundo que a maioria das mulheres sonha viver, muito pelo contrário, mas quantas delas são desafiadas pelo destino a manter suas famílias sozinhas... A senhora Kang Soon-ok e suas filhas são um exemplo fantástico de mulheres que souberam trilhar seu caminho, graças ao inabalável poder do amor feminino.

13 de mai de 2015

Divorce Lawyer in Love (drama, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: Romance, Comédia, Drama Legal
Duração: 16 episódios
Produção: SBS TV

Direção: Park Young-soon
Roteiro: Kim Ah-jeong

Elenco: Yeon Woo-jin, Jo Yeo-jeong, Sim Hyeong-tak, Wang Ji-won.

Resumo

Go Cheok-hee é uma advogada especializada em casos de divórcio, que trata muito mal os funcionários de seu escritório, incluindo o secretário So Jung-woo. Mas tudo muda quando Cheok-hee perde sua licença e não pode mais exercer a profissão, enquanto Jung-woo torna-se um advogado bem sucedido. O casal volta a se encontrar quando a advogada temperamental é contratada como secretária de Jung-woo.

Comentário

Parafraseando um velho ditado, “nada como um episódio depois do outro”, para descrever o que acontece com Divorce Lawyer in Love, um drama que começou mal, mas que melhorou muito a partir do quinto episódio, e merece uma segunda chance, embora a audiência já tenha despencado dramaticamente em sua terra natal. Felizmente, dois motivos me fizeram insistir no drama: Yeon Woo-jin (que já seria motivo o bastante, não é?), e a vontade de ver uma comédia romântica mais leve, em meio a tantos dramas bons, mas pesados ( Sensory Couple, e School 2015 são dois exemplos de dramas divertidos, mas que pendem mais para o suspense que para o romance).

A debilidade no roteiro de Divorce Lawyer in Love é o que mais chama a atenção, já que o elenco é excelente, e a direção (Park Young-soon, de 49 Days) é burocrática, mas não atrapalha em especial o andamento da estória. Em 2014, o canal SBS (através da Fundação SBS) organizou um concurso de roteiro, com a intenção de descobrir novos talentos. E o premiado foi Kim Ah-jeong, que, portanto, estreia profissionalmente com Divorce Lawyer in Love. O fato de o roteirista ser um homem não justifica a incapacidade de criar personagens femininos envolventes, mas a inexperiência de Kim Ah-jeong fica muito evidente, no caso deste drama. Kim se apoia na obra teatral “A Megera Domada” para tentar transpor a famosa comédia de Shakespeare para os dias atuais. A ideia é boa, já a sua execução, nem tanto. Primeiro, porque fica difícil gerar simpatia da audiência (essencialmente feminina) com um personagem antipático e grosseiro como a advogada Go Cheok-hee. Segundo, porque os personagens apresentados nos casos de divórcio não são nada interessantes (mesmo que eles sirvam de mera "escada" para os protagonistas).

Bem, expostos os pontos fracos, podemos ressaltar as qualidades que fazem de Divorce Lawyer in Love, um drama que ainda assim merece ser visto. Como eu já havia mencionado, o elenco desta comédia romântica é competente, são atores experientes e bem conhecidos do público. Jo Yeo-jeong já tem uma carreira muito bem estabelecida, tanto na TV quanto no cinema, embora em projetos com resultados irregulares (gostei dela no drama I Need Romance, e no filme The Target). Confesso não ter simpatizado a princípio com a advogada Go Cheok-hee, mesmo prevendo que o personagem iria ser “domado” pelo amor. Mas, tudo bem, como era óbvio, a advogada “má” transforma-se na profissional que todos admiram, embora continuem temendo. Aliás, parece que a moda agora nos dramas coreanos é criar personagens femininas chatas e mandonas – não confundir com inteligentes e bem sucedidas. Não há pior clichê que o ‘chaebol’ mimado, ou a jovem executiva fria e calculista. Mas enfim, desabafos a parte, quando Go Cheok-hee finalmente enxerga o charme do colega So Jung-woo, tudo muda em sua vida. Demorou, hem, para ela reconhecer que tinha um homem tão maravilhoso bem diante do seu narizinho, há tanto tempo... Ah, Yeon Woo-jin, a encarnação perfeita do bom moço! Como os colegas de escritório de Jung-soo mesmo dizem, “um sorriso de engravidar” (rará, boa essa). Ao contrário da terrível Cheok-hee, So Jung-woo é um personagem que nos encanta de cara, tanto por sua boa índole e inteligência, como por suas pequenas, mas naturais, fraquezas humanas. A mulherada se encantou com Yeon Woo-jin no drama Marriage, Not Dating (tvN, 2014), mas eu gostei mesmo foi do seu papel em Arang and the Magistrate (MBC, 2012). Um ator que, muito além da beleza, já provou seu talento tanto para o drama como para a comédia.



O casal coadjuvante também é muito agradável, especialmente Sim Hyeong-tak – adoro seu ar ‘dandy’ e seu charme irreverente. Com mais de trinta projetos em seu currículo, já passou da hora do ator ganhar um papel principal em um drama. Bem que o canal tvN, onde Sim Hyeong-tak esteve recentemente com o excelente drama gastronômico Let´s Eat, podia chamá-lo para protagonizar um projeto... E Wang Ji-won, que costuma interpretar mulheres frias e elegantes (I Need Romance 3, Fated to Love You), está ótima como a advogada Jo Soo-ah – pena que mais uma vez ela não terá sorte no amor.

Enfim, Divorce Lawyer in Love chega à metade de seu enredo, meio aos trancos e barrancos, mas ao menos permanece a curiosidade sobre o destino destes advogados neuróticos, mas muito charmosos...
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