29 de set de 2017

Melhores Dramas de 2017 (Parte 1 - Suspense)




Chegamos à reta final da temporada 2017 de dramas coreanos, e acho que já podemos considerar que foi um bom ano, embora os enredos tradicionais (Whisper, Temperature of Love) tenham superado em muito os inovadores (Forest of Secrets, Save Me)... Continua em alta o gênero fantasia (parece que os roteiristas não se cansam das viagens no tempo, mas será que eles consultaram a audiência?), e o suspense (Lookout, Voice). O romance, a comédia e especialmente o épico foram os menos prestigiados. Aliás, o épico é um gênero que precisa passar por renovação com urgência, - esta tendência de “fusion fantasy-sageuk”, sinceramente, está começando a cansar.


Voice (OCN, 16 episódios)

Atualmente, o canal de TV OCN é a principal referência de qualidade no gênero policial/suspense. Com a direção de Kim Hong-sun (Pied Piper, Liar Game) e roteiro original de Ma Ji-won (My Wife is a Gangster 3), Voice tem todo o vigor e suspense que, em comparação, o remake coreano de Criminal Minds (tvN) não pôde alcançar.

O detetive Moo Jin-hyuk (Jang Hyuk, Beautiful Mind) é um policial exemplar, até sua esposa ser morta brutalmente, o que o faz cair numa espiral de culpa e frustração por não ter sido capaz de evitar a tragédia. Kang Kwon-joo (Lee Ha-na, King of High School Manners) segue os passos profissionais de seu pai, e se forma com louvor na academia de polícia. Na central telefônica da delegacia, ela atende uma ligação, e acaba ouvindo seu pai ser assassinado covardemente. Abalada, ela resolve abandonar tudo para estudar psicologia criminal nos EUA. De volta à Coréia, ela é convidada a liderar uma equipe especial encarregada de atender ligações de emergência crítica, como tentativas de homicídio ou sequestro.

A originalidade na trama de Voice não está nos casos de polícia, mas na forma como a investigação é desencadeada - Lee Ha-na está fantástica no papel da policial que tem a capacidade única de ouvir frequências sonoras que um ser humano normal não consegue perceber. Sou fã número 1 de Jang Hyuk, mas este não é seu melhor papel, - seu tom de voz muito alto me deixava aflita, já que sua parceira de investigação tem uma audição tão sensível! Mas os dois tem uma boa química, e é impossível não desejar ver uma nova temporada do drama! Palmas também para o gatíssimo Kim Jae-wook (Temperature of Love), por sua ousadia ao encarnar um personagem tão psicótico...


Mistery Queen (KBS2, 16 episódios)

Para quem prefere um suspense mais “clássico”, no estilo sherloquiano de investigação, Mistery Queen é a pedida... Choi Kang-hee (Protect the Boss) e Kwon Sang-woo formam a dupla insólita, - uma dona de casa e um detetive de polícia – que se une para desvendar os crimes mais misteriosos. Com muito humor, e um tom ‘noir’, embalado por baladas maravilhosas, Mistery Queen é outro drama que gerou muita expectativa sobre uma possível segunda temporada. Vamos cruzar os dedos! Leia aqui a resenha completa de Mistery Queen.


Suspicious Partner (SBS, 20 episódios)

Kwon Ki-yeong (I Remember You, All About My Romance, Protect the Boss) é um de meus roteiristas favoritos, por sua habilidade em abordar grandes temas, sem deixar de lado o romance. Seus casais protagonistas costumam viver paixões vibrantes, sempre com uma boa dose de humor. Eun Bong-hee (Nam Ji-hyun, Shopping King Louis) é uma estudante de direito nada brilhante, mas seu temperamento afável e otimista faz dela uma batalhadora incansável. No Ji-wook (Ji Chang-wook, Healer) é um jovem promotor conhecido por sua inflexibilidade e obsessão com o trabalho, - e é a encarnação perfeita do lindo nerd. Sendo assim, não é de admirar que Nam Ji-hyun esteja marcada para sofrer nas mãos do novo chefe No Ji-wook. Mas, como em toda boa comédia romântica, quanto maior o conflito, mais divertidas serão as batalhas verbais, os mal-entendidos, até a inevitável descoberta do amor... Infelizmente a trama perde muito de seu fôlego no terço final do drama, e o elenco também se mostra visivelmente cansado (principalmente Ji Chang-wook, talvez por estar às vésperas de seu retiro de dois anos no serviço militar). Mesmo assim, Nam Ji-hyun e Ji Chang-wook formam um casal adorável, e seu romance atribulado é motivo o bastante para conferir o drama.


Falsify (SBS, 16 episódios)

Para mim, não há cenário mais perfeito para um drama, ou filme, do que uma sala de redação de um jornal ou noticiário de TV. Intrigas políticas, pressões financeiras, fofocas de famosos, há tantos assuntos ‘suculentos’ a serem abordados neste espaço restrito... Sendo assim, foi um grande prazer assistir Falsify, um drama muito divertido, que conta a estória de jornalistas lutando para preservar a liberdade de imprensa, item tão desvalorizado nos últimos tempos. É em meio a uma reportagem bombástica que a vida de nossos protagonistas sofre uma grande reviravolta. A estrela do jornal diário Daehan é o repórter Lee Seok-Min (Yoo Joon-sang, de Pied Piper), líder da equipe Splash. A equipe Splash é famosa por seu jornalismo investigativo, e seus grandes furos de reportagem. Lee Seok-Min une forças à promotoria especial de Seul para expor um escândalo de corrupção envolvendo empresários e políticos influentes. Com a morte misteriosa do principal delator (justamente o empresário corruptor) e do repórter Han Cheol-ho (Oh Jeong-se, de Missing 9), a equipe Splash é desmantelada pelo diretor do jornal Daehan, Goo Tae-won (Moon Sung-keun, um espetacular ator de cinema que nos honra com sua presença neste drama). Alguns anos se passam, e Han Moo-young (Namgung Min, de Chief Kim), irmão caçula do falecido Han Cheol-ho trabalha para o jornal undergroud Patriot News. Ele se une a Lee Seok-Min, agora um repórter desprestigiado, para investigar os poderes ocultos por detrás da manipulação da grande mídia (incluindo o Daehan News). Entra em cena a promotora Kwon So-ra (Eom Ji-won, de Sign) que irá dar o apoio legal aos repórteres para desvendar o mais surpreendente caso de corrupção que o país já conheceu.

Uma dupla quase novata, o PD Lee Jeong-heum e a roteirista Kim Hyeon-jeong-IV (que trabalharam juntos no mini-drama I've Got My Eye On You, 2015) é responsável por este belo thriller, cujo único defeito é pecar pelo excesso na hora de amarrar as pontas da trama. Ao tentar surpreender uma última vez o espectador com uma reviravolta pouco realista, a roteirista acabou se enrolando, quando poderia ter mantido a sobriedade e realismo (há tema mais atual do que a corrupção, ou o poder maligno das fake news?), emplacando um drama verdadeiramente memorável. Ainda assim, recomendo Falsify como um belo thriller, com um dos melhores elencos já reunidos, dos protagonistas até as pequenas participações especiais.


Forest of Secrets (tvN, 16 episódios)

A cada temporada revela-se um drama cult (em 2016 foi Signal, lembra?), aquele que reune qualidades especiais em sua produção, que fogem do trivial. E este foi o ano do thriller policial Forest of Secrets, cuja roteirista (praticamente desconhecida), Lee Soo-yeon-I (The Great Seer, 2012), nos surpreendeu com uma trama muito bem lapidada. A direção primorosa do PD Ahn Gil-ho (Mrs. Cop, 2015) também contribuem para o tom mesmerizante do drama. O crème de la créme da TV coreana em 2017! Leia aqui a resenha completa de Forest of Secrets.


Man to Man (jTBC, 16 episódios)

Man to Man pode ser definido como um drama com crise de identidade, - não sabe se quer ser um suspense, uma aventura de espionagem, ou uma comédia romântica. Imagine o agente 007 caindo de paraquedas em um filme do Mr. Bean, e você terá uma ideia do que estamos falando... Kim Won-seok-II (diretor e roteirista) é o responsável pela salada mista que é o roteiro de Man to Man (ele é co-roteirista de Descendants of the Sun, o que explica muita coisa).

Na verdade, a trama começa muito leve, com o agente secreto Kim Seol-woo (Park Hae-jin, Bad Boys) trabalhando disfarçado como guarda costas de um grande astro do cinema de ação, Yeo Woon-gwang (Park Sung-woong, Remember, Hidden Identity). Sua missão começa a dar muito errado quando ele conhece Cha Do-ha (Kim Min-jung, Gabdong), a super protetora assistente pessoal do ator Yeo Woon-gwang. Só que de “o espião que me amava” a trama dá uma volta de cento e oitenta graus e começa a ficar séria demais, renunciando ao clima romântico e cômico inicial. O que me fez ir até o final de Man to Man foi, em resumo, muito mais a simpatia e charme do elenco, do que a curiosidade sobre o desfecho da estória...


Strong Woman Do Bong-soon (jTBC, 16 episódios)

Com exceção de Age of Youth 2, 2017 não foi um grande ano para a jTBC TV. Assim como o acima citado Man to Man, Strong Woman Do Bong-soon é um drama que não soube definir seu gênero. O sucesso (parcial) de Strong Woman Do Bong-soon pode ser creditado unicamente ao casal de protagonistas, Park Bo-young e Park Hyung-sik. Infelizmente, para a maioria dos fãs sérios de dramas, um casal perfeito não equivale a um drama de qualidade... O ponto positivo, ao menos para mim, é dar protagonismo a este personagem magnífico, a menina superpoderosa Do Bong-soon. A roteirista Baek Mi-kyeong é conhecida por seus melodramas românticos (Kang Koo´s Story, My Love Eun-dong, Woman of Dignity), o que pode explicar, em parte, suas tentativas frustradas de injetar comédia em Strong Woman Do Bong-soon. O suspense e o romance bastavam para sustentar Strong Woman Do Bong-soon, com seu simpático e talentoso elenco. A pequenina e elétrica Park Bo-young é uma atriz maravilhosa (Oh My Ghostess, Hot Young Bloods, A Werewolf Boy), que consegue transformar Do Bong-soon em um símbolo do empoderamento feminino. Ainda mais, ela consegue tirar o melhor, em termos de atuação, de seus pares românticos, e não foi diferente com Park Hyung-sik (High Society), simplesmente perfeito no papel do chaebol An Min-hyuk. Preciso fazer um pequeno parêntese para mencionar o ator An Woo-yeon, que interpreta Bong-ki, irmão de Do Bong-soon. Depois de vê-lo em Jealousy Incarnate, e no mais recente Age of Youth 2, acho que este ator ainda vai dar muito o que falar, por sua versatilidade, e capacidade de parecer tão diferente em cada papel.


Whisper (SBS, 17 episódios)

O reencontro do casal Lee Bo-young e Lee Sang-yoon (par romântico no belo melodrama My Daughter Seo-young) já era motivo o bastante para querermos conferir o drama legal Whisper. E o drama começa muito bem, com muito suspense e reviravoltas inteligentes ao final de cada episódio. Infelizmente, a trama logo perde o fôlego, em parte por culpa de um núcleo muito reduzido de personagens, e seus conflitos pessoais que se repetem infinitamente. E, apesar do casal protagonista poderoso, acontece um fenômeno já observado em outro drama similar, Mask (SBS, 2015), onde o casal antagonista acaba por roubar a cena (Kwon Yool e Park Se-young).


Missing Nine (MBC, 16 episódios)

Nove funcionários da Legend Entertainment embarcam em um jato particular, rumo à China. Os passageiros são os músicos Seo Joon-o (Jeong Kyeong-ho), Choi Tae-ho (Choi Tae-joon), Ha Ji-a (Lee Sun-bin), Lee Yeol (Chanyeol), Yoon So-hee (Ryu Won), o gerente Hwang Jae-kook (Kim Sang-ho), e os assistentes Jung Ki-joon (Oh Jung-se), Ra Bong-hee (Baek Jin-hee), e Tae Ho-hang (Tae Hang-ho). O avião cai no mar, próximo a uma ilha deserta, longe do continente. Os nove passageiros sobrevivem, mas são forçados a lutar para sobreviver em um ambiente terrivelmente inóspito. Quatro meses depois, Ra Bong-Hee, a única sobrevivente resgatada com vida volta a Seul, amnésica, sem saber explicar o que aconteceu com seus amigos.

Assim como o avião da estória, Missing Nine é como um voo tranquilo e agradável, que, misteriosamente, sofre uma pane total, - só que no caso, os únicos que morrem são os espectadores, de tédio... É lamentável reconhecer, mas Missing Nine poderia ter sido o drama cult do ano! Do instante em que o avião se acidenta até a volta dos sobreviventes (ou parte deles) à civilização, Missing Nine é um drama com uma estória fantástica, repleta de episódios de puro terror, alternados por momentos de humor catártico. Fora da ilha, o drama e seus personagens perdem o rumo (irônico, não é mesmo?). Jeong Kyeong-ho (HeartlessCity, One More Happy Ending) e Choi Tae-joon (Suspicious Partner) são dois atores incríveis, que interpretam personagens que são como o Yin e o Yang, duas energias opostas e ao mesmo tempo complementares, que impulsionam o destino dos demais personagens. Gostaria muito que aqueles que não viram o drama tivessem a oportunidade de desfrutar de suas emoções intensas e, sendo assim, fica a dica (meio pragmática, é verdade, mas que pode funcionar): assista os episódios que se passam na ilha, e depois pule para o último capítulo, só para dar adeus aos personagens.


Lookout (MBC, 16 episódios)

Vamos admitir, 2017 foi o ano do drama policial, do suspense e do thriller psicológico. Se fosse para recomendar três títulos essenciais da temporada seriam estes: Forest of Secrets, Tunnel, e Lookout.

O PD Son Hyeong-seok (When It´s at Night, Two Weeks), com sua boa experiência em thrillers, dá a sustentação perfeita ao roteiro ágil e ao mesmo tempo dramático da roteirista novata Kim Soo-eun. Lookout é, em essência, um drama de ação, mas este diretor sabe privilegiar o trabalho dos atores, dando ênfase ao lado mais humano dos personagens. Leia aqui a resenha completa de Lookout.

21 de set de 2017

The Best Hit (drama, 2017)




País: Coréia do Sul
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 32 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Yoo Ho-jin, Cha Tae-hyun
Roteiro: Lee Young-chul

Elenco: Yoon Si-yoon, Cha Tae-hyun, Lee Se-young, Kim Min-jae, Dong Hyun-bae, Yoon Son-ha, Lee Deok-hwa, Hong Kyung-min, Lim Ye-jin, Cha Eun-woo, Bona, Lee Han-seo.

Resumo

Yoo Hyun-jae foi um cantor pop famoso no início dos anos noventa, até sua desaparição misteriosa... Vinte e quatro anos depois ele reaparece diante dos amigos, sem tem envelhecido um dia sequer, para reivindicar seu lugar em um mundo que mudou tanto, em tão pouco tempo...

Comentário

O gênero comédia está em baixa nos dramas coreanos, e me pergunto o porquê desta súbita ausência de (bom) humor na telinha... É muito provável que tenha a ver com a oferta abundante de shows de variedade na TV coreana, incluindo 2 Days & 1 Night, estrelados exatamente pela equipe envolvida na criação e execução de The Best Hit. E, não por acaso, The Best Hit é (pausa para o suspense) uma comédia! O ator Cha Tae-hyun convidou os parceiros de 2 Days & 1 Night, o PD Yoo Ho-jin, e o roteirista Lee Young-chul (High Kick!) para produzir pela primeira vez, juntos, um drama. The Best Hit soma a experiência da equipe de 2 Days & 1 Night nos reality shows, com a de Cha Tae-hyun e Yoon Si-yoon com os dramas. E apesar de a KBS ter tentado vender The Best Hit como um novo The Producers (KBS2, 2015), a única coisa em comum entre os dois projetos é a presença de Cha Tae-hyun. Enquanto The Producers procurava abordar com realismo os bastidores do mundo do entretenimento, The Best Hit se apoia no mesmo tema, mas com ênfase no romance e na comédia.


Estamos nos anos noventa, e o Sr. Lee Soon-tae (Lee Deok-hwa, de Suspicious Partner) é o CEO da World Planning Entertainment, uma agência pequena, que se apoia unicamente no sucesso explosivo do duo pop Jay-2. Lee Kwang-jae (Cha Tae-hyun, de BA:BO) é o agente da dupla, formada pelos jovens Yoo Hyun-jae e Park Young-jae. Yoo Hyun-jae (Yoon Si-yoon, de Flower Boy Next Door) é o verdadeiro talento da dupla, responsável tanto pela composição das músicas, quanto pelas coreografias de palco. Quando Yoo Hyun-jae resolve aceitar a oferta milionária de outra produtora musical, a World Planning Entertainment entra em colapso. Lee Kwang-jae ainda tenta convencer Yoo Hyun-jae a ficar na agência, mas o músico simplesmente desaparece, sem deixar pistas.

Vinte e quatro anos depois, Lee Kwang-jae assumiu a direção da World Planning Entertainment, a qual, no entanto, nunca recuperou-se da perda de seu grande astro. Em um modesto prédio, a produtora compartilha espaço com uma padaria, administrada pela ex-cantora pop dos anos 90, Hong Bo-hee. No segundo andar do edifício, Hong Bo-hee mora com Lee Kwang-jae, o Sr. Lee Soon-tae e sua netinha, Mal-sook (Lee Han-seo, de Fight My Way). 


O filho de Hong Bo-hee, Lee Ji-hoon (Kim Min-jae, de Romantic Doctor, Teacher Kim) se acomoda num pequeno apartamento no terraço do prédio. Lee Kwang-jae, que ajudou Bo-hee, uma mãe solteira, a criar Ji-hoon, incentiva o rapaz a estudar para tornar-se um servidor público. No entanto, o sonho do rapaz é ser um astro pop, e ele treina secretamente em uma grande agência de talentos, a Star Punch Entertainment. Seu melhor amigo e colega é o raper MC Drill (Dong Hyun-bae, de Shut Up Flower Boy Band), que já está passando da idade de debutar como cantor pop.


O relacionamento entre o Sr. Lee Soon-tae e sua netinha Mal-sook é uma estória a parte – engraçado, encantador, e terrivelmente comovente...


Ao contrário de Ji-hoon, sua amiga de infância Choi Woo-seung (Lee Se-young, Hot Young Bloods, Laurel Tree Tailors) adoraria passar em um concurso público. Ela divide os estudos com uma rotina cansativa em vários empregos temporários, enquanto sonha com uma vida melhor. Quando Woo-seung descobre que sua colega de quarto a está traindo com seu namorado, Yoon-gi (divertida participação especial de Lee Kwang-soo), fica sem namorado, e sem ter onde morar. Woo-seung acaba tendo que se acomodar, mesmo que temporariamente, no apartamento de Ji-hoon, que já está abrigando, escondido da família, MC Drill.


Recortando apenas as cenas do convívio forçado de Ji-hoon e seus amigos em seu minúsculo apartamento, já é o bastante para deliciar-se com momentos de pura comédia, e outros tantos de confraternização despreocupada...

Park Young-jae (Hong Kyung-min, de Love Can´t Wait), a metade menos talentosa da dupla Jay-2, casou-se com Cathy (Lim Ye-jin, de The Liar and His Lover), uma mulher muito rica, e bem mais velha, e tornou-se presidente da Star Punch Entertainment. O astro da companhia é o cantor pop MJ (Cha Eun-woo, membro da boy band Astro), mas o que ninguém sabe é que seu sucesso está amparado em composições inéditas de Yoo Hyun-jae. Não se sabe como, mas Park Young-jae tem em suas mãos o caderno original de composições de seu colega misteriosamente desaparecido em 1994.


Todos estes personagens, cujas vidas estavam intimamente relacionadas no passado, são surpreendidos com a volta de Yoo Hyun-jae, não por ele estar vivo, mas por continuar tendo 23 anos de idade! Um ano antes de desaparecer da face da terra, Yoo Hyun-jae, de posse de uma pequena fortuna, deixava o apartamento em que vivia (no terraço da World Planning Entertainment), com destino incerto. No entanto, um tornado gigante o captura (como a Dorothy, de O Mágico de Oz) e o transporta para o futuro, no ano de 2017.


Estranhamente, a reação das pessoas ao reaparecimento de Hyun-jae não é de surpresa ou de alegria, mas de contrariedade e até mesmo de enfado. Mas este é o efeito inicial, pois a presença fulgurante, cheia de energia do rapaz, é contagiante... Lee Kwang-jae tenta enviar o amigo de volta ao passado, com medo de que Hong Bo-hee entre em choque ao vê-lo – Bo-hee e Hyun-jae teriam namorado no passado, e ela nunca superou seu desaparecimento. Ji-hoon se ressente do talento natural, no canto e na dança, de Hyun-jae, sem saber que ele é um cantor que foi tão famoso no passado. Mas o pior para ele é ver Choi Woo-seung cada vez mais atraída pelo charmoso Hyun-jae.


Mas não é só Choi Woo-seung que se rende aos encantos do ídolo pop Yoo Hyun-jae – e não é apenas por culpa do carisma do personagem, mas especialmente pela presença brilhante de seu intérprete, Yoon Si-yoon. É impressionante como o drama ganha outro ritmo, outro clima mesmo, com o surgimento de Yoon Si-yoon. Por mais que se simpatize com Lee Ji-hoon (inteligente, educado, bonito), é impossível resistir à irreverência, bom humor e, enfim, à personalidade magnética de Hyun-jae. É meio irônico o fato de Yoon Si-yoon interpretar um astro pop, não tendo o mesmo background do colega Kim Min-jae (que tem uma voz incrível, por sinal), e conseguir nos convencer de sua superioridade artística (!) E quem acha que Yoon Si-yoon é um ator monocromático, que só sabe fazer comédias, pode comprovar sua versatilidade em papeis dramáticos, como, por exemplo, no belíssimo épico Mirror of the Witch. Aliás, o elenco de The Best Hit é tão enxuto quanto talentoso, e o clima de intimidade natural entre os atores é visível. É óbvio que a direção de Cha Tae-hyun, e sua amizade antiga com Yoon Si-yoon fizeram de The Best Hit um drama que transpira amor e energias positivas. Se você, como eu, anda sentindo falta de dar boas risadas, sem deixar de se emocionar em outros bons momentos, The Best Hit é o drama que faltava.

5 de set de 2017

Crisis: Special Security Squad (drama, 2017)




País: Japão
Gênero: Policial, Thriller
Duração: 10 episódios
Produção: Fuji TV

Direção: Suzuki Kosuke, Shiraki Keiichiro
Roteiro: Kaneshiro Kazuki

Elenco: Oguri Shun, Nishijima Hidetoshi, Tanaka Tetsushi, Nomagushi Toru, Araki Yuko, Nagatsuka Kyozo, Iida Kisuke, Mashima Hidekazu, Ishida Yuriko, Nozaki Moeka, Kaneko Nobuaki.

Resumo

Para enfrentar perigosos grupos terroristas que agem dentro do país, o governo forma um esquadrão especial, composto por cinco profissionais, cada um com uma habilidade especial.

Comentário

Crisis: Special Security Squad é um thriller policial, com enfoque no drama social contemporâneo. O drama aborda, com muita propriedade, uma das maiores aflições da sociedade moderna, o fantasma do terrorismo urbano, que pode atacar a qualquer hora, em qualquer lugar, deixando o cidadão em verdadeiro estado de paranoia.


Não costumo prestar muita atenção nos nomes dos diretores de dramas japoneses (ao contrário dos famosos PDs coreanos), mas admiro o trabalho da dupla de PDs de Crisis, Suzuki Kosuke (Lady Joker, Marks no Yama) e Shiraki Keiichiro (Siren, Hungry!). E Kaneshiro Kazuki é um escritor muito talentoso, que transita bem entre o drama (Fly, Daddy, Fly), e o suspense (SP, Border).

O drama começa com os altos escalões do governo ordenando o diretor da agência de segurança nacional, Kaji Daiki (Nagatsuka Kyozo, de Onna no Kunsho), a formar um esquadrão secreto. O governo anda muito preocupado com o aumento no número de células terroristas, as quais vêm cooptando cidadãos, especialmente os mais jovens, por serem naturalmente mais influenciáveis, a cometer atos de violência contra a população.

O subdiretor Aonuma Yuukou (ator Iida Kisuke) escolhe cinco agentes, cada um com uma habilidade especial, para formar o grupo secreto que terá a missão de investigar, vigiar e capturar os bandidos, antes que cometam seus atos de terror. 


O líder do novo esquadrão é Yoshinaga Mitsunari (Tanaka Tetsushi, de Love Song) um agente muito bem articulado, especialista em interrogatórios, e em elaborar perfis dos criminosos. Kashii Yusuke (Nomagushi Toru, de Border) sabe tudo sobre artefatos explosivos, e tem a habilidade impressionante de detectar uma bomba apenas pelo olfato. A única mulher do grupo é a jovem Oyama Rei (Araki Yuko, de Code Blue 3), uma ex-hacker, um gênio dos computadores. 


Tamaru Saburo (Nishijima Hidetoshi), ex-membro das forças especiais da polícia, é um agente modelo, mestre em artes marciais, e no manuseio de armas. O último agente a entrar para a equipe é Inami Akira (Oguri Shun), um militar das forças especiais que é afastado do posto, com síndrome de estresse pós-traumático. Akira, apesar de ser um soldado treinado para eliminar friamente o inimigo, sofre com as consequências psicológicas de suas antigas missões, enquanto tenta esconder suas feridas emocionais com uma personalidade alegre e despreocupada...


... E ele acaba sendo o personagem que quebra o gelo, e dá a ‘liga’ à equipe, que apesar de pequena, tem pessoas tão diferentes umas das outras. Aliás, este é um dos motivos para o drama ter um charme especial, a sincronia perfeita que se estabelece no grupo, especialmente durante as missões. Cada um conhece e respeita as habilidades do outro, - com exceção de certos momentos em que os agentes Akira e Saburo fogem da regra, mais por ansiedade heroica, do que por egoísmo. Oguri Shun (Border, Rich Man, Poor Woman) e Nishijima Hidetoshi (Strawberry Night, Real Clothes) formam uma dupla fantástica, um bromance cheio de energia masculina, e um bocado de carinho no olhar 😂...


... Além da boa química entre os protagonistas, gostei muito das cenas de luta, os atores ‘se puxam’ e as coreografias são bem realistas. Mais ou menos a cada dois episódios um caso é investigado e resolvido, o que torna o enredo verdadeiramente eletrizante. 


Mas há uma estória que serve de pano de fundo, a de uma seita que esconde um grupo terrorista muito perigoso. Hayashi Satoshi (Mashima Hidekazu) é um agente infiltrado nesta seita. Nesta condição de agente secreto, ele não pode nem ao menos se comunicar regularmente com sua esposa, Chigusa (Ishida Yuriko, We Married as Job). Seu contato indireto com o marido é feito através do agente Tamaru Saburo, que parece curtir uma paixão secreta por Chigusa.


Apesar das cenas cruas e violentas, há espaço para refletir sobre a solidão dos protagonistas, que vivem uma vida secreta em todos os sentidos... Os dez episódios de Crisis passam voando, e é uma pena que a esperança de uma continuação (e a oportunidade de rever personagens tão carismáticos) se evapore, com um desfecho melancólico, embora totalmente coerente com a trama. De qualquer modo, é um belo drama, que já está na minha lista de melhores do ano!
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