7 de dez de 2017

Midnight Runners (filme, 2017)




País: Coréia do Sul
Gênero: Ação, Policial, Comédia
Duração: 109 min.
Distribuição: Lotte Ent.

Direção e Roteiro: Kim Joo-hwan

Elenco: Park Seo-joon, Kang Ha-neul, Park Ha-sun, Sung Dong-il, Bae Yoo-ram, Go Joon.

Resumo

Dois alunos da Academia de Polícia de Seul testemunham o sequestro de uma jovem e decidem investigar o caso por conta própria.

Comentário

Midnight Runners é um filme de ação com boas doses de comédia, que usa a fórmula infalível “dupla policial em apuros”, que fez tanto sucesso no cinema norte-americano dos anos 90.

O filme já começa muito bem quando somos apresentados aos novos recrutas da polícia coreana, e acompanhamos sua puxada rotina escolar, de perfil militar. Ao contrário do que seria natural esperar, a dupla protagonista tem motivos muito prosaicos para escolher uma carreira tão desafiadora. Kang Hee-yeol (Kang Ha-neul), com sua inteligência excepcional, poderia ter entrado em qualquer grande universidade, mas optou por ser um policial (segundo ele mesmo), apenas para fugir do lugar comum. Park Ki-joon (Park Seo-joon), por outro lado, escolheu este caminho simplesmente por não ter condições financeiras de cursar o ensino superior. Sendo assim, seria razoável imaginar que os dois garotos iriam passar maus bocados durante o treinamento na academia. No entanto, para nossa surpresa, parece que a dupla possui o dom natural para combater o crime. A princípio, o brigão Ki-joon implica com o colega nerd Hee-yeol, mas da convivência forçada nasce uma bela amizade (ainda mais quando Ki-joon descobre que Hee-yeol é filho de um açougueiro 😂).


Em sua primeira noite de folga, os amigos combinam ir a uma boate, coisa que nunca fizeram na vida. Infelizmente, eles não conseguem se integrar bem no ambiente festivo, - em cena hilária, uma garota fica pouco impressionada ao ser informada por Ki-joon que ele é um aspirante a policial, e faz questão de ressaltar que ele será pobre para o resto da vida, rerere. Após a incursão fracassada na boate, eles bebem soju em um boteco, onde refletem pela primeira vez sobre seu futuro como agentes da lei. A rotina na academia não é nada inspiradora e eles sentem que não estão aprendendo nada de útil ali.
Saindo do bar eles avistam uma bela jovem caminhando sozinha na rua, e resolvem segui-la, tentando armar-se de coragem para abordá-la para conversar.
Subitamente, uma van para em um beco escuro e a garota é violentamente abduzida. Eles tentam correr atrás do carro, mas o perdem de vista. Sem conseguir a ajuda da polícia, eles resolvem investigar o crime sozinhos, e se deparam com uma gangue perigosa, que age no bairro chinês, onde nem mesmo a polícia costuma se aventurar.

Park Seo-joon (Fight My Way, A Witch´s Love, Beauty Inside), em seu primeiro papel protagonista no cinema, arrasa como o ‘esquentadinho’ Ki-joon, e mostra ao mundo seu talento para a comédia (o que não é surpresa para quem conhece o rapaz dos dramas na TV). E Kang Ha-neul (Like for Likes, Twenty, Misaeng), já veterano do cinema, passeia com tranquilidade no papel do tímido Hee-yeol. O elenco é bem enxuto, mas vale a lembrança de Sung Dong-il (Reply 1988), como o Prof. Yang Sung-il, e Park Ha-sun (Drinking Solo), como a policial e treinadora da academia Lee Joo-hee. Inesquecível mesmo é a cena eletrizante de luta entre Go Joon (Save Me) e os jovens policiais.


O diretor e roteirista Kim Joo-hwan (Goodbye My Smile, Koala) apresenta o drama policial clássico para esta nova geração de cinéfilos, com muita leveza, numa linguagem ágil e cômica, mas nunca vazia. Na corrida contra o tempo para salvar a vida de uma jovem desconhecida, Ki-joon e Hee-yeol reafirmam sua vocação, aprendem muito sobre integridade profissional, solidariedade e, acima de tudo, vivem um bromance de sonho 😍!

20 de nov de 2017

Melhores Dramas de 2017 (Parte 2) – Fantasia




O segundo gênero mais popular do ano foi fantasia, indo da mais pura ficção científica (Circle), ao romance onírico (Bride of the Water God), passando pelo suspense policial (Tunnel). Examinemos os títulos que amamos, e os que, por outro lado, nos fizeram desejar voltar no tempo para esquecê-los...


Tunnel (16 episódios, OCN)

Mal havia sido divulgada a sinopse de Tunnel e já tinha gente acusando o drama de ser um plágio da trama de Signal (tvN, 2016). Quem não teve preconceitos e deu uma chance a Tunnel viu um dos dramas mais divertidos do ano.

Tunnel mescla o thriller policial com ficção científica, com o diferencial de enfatizar o drama pessoal de seus protagonistas, aproximando emocionalmente o espectador da estória.

Destaque para o trio de protagonistas, os atores Choi Jin-hyeok (Pride and Prejudice) e Yoo Hyeon-min (Witch´s Courtroom), e a jovem atriz Lee Yoo-young (The Treacherous), em seu debut na telinha. Leia aqui a resenha completa de Tunnel.


The Bride of the Water God (tvN, 16 episódios)

The Bride of the Water God (ou The Bride of Habeak) deve ter sido o drama mais subestimado do ano, o que para mim é um grande mistério, levando-se em conta seu elenco charmoso e produção impecável. Os fãs de Goblin torceram o nariz para o drama, por uma suposta (e errônea) semelhança de temática. The Bride of the Water God é uma adaptação do webtoon "Habaekui Shinboo" de Yoon Mi-kyung, pelas mãos da talentosíssima roteirista Jung Yoon-jung (Misaeng, Arang and the Magistrate).

O PD Kim Byung-soo (Bubblegum, Nine: 9 Times Time Travel) coordena com maestria os vários elementos que compõe um drama de fantasia de sucesso, da fotografia de sonho aos cenários fantásticos, passando por efeitos especiais surpreendentes (para uma produção de TV). Talvez o problema esteja no ritmo lento da estória, mas (quase) ninguém se queixou da trama enrolada de Goblin, se bem me lembro.

The Bride of the Water God conta a estória do amor impossível entre o deus da água Ha Baek (Nam Joo-hyuk) e a psiquiatra Yoon So-ah (Shin Se-kyung).

Para tornar-se o deus supremo de seu reino, Ha Baek enfrenta um grande desafio, o de descer a Terra em busca de três selos sagrados. O que ele não sabe é que o alto sacerdote Dae Sa-je (Lee Kyung-young, de Misaeng, Argon) preparou-lhe uma ‘prova de fogo’. Ao chegar a Seul, Ha Baek perde seus poderes, e é forçado a contar com a caridade de uma humana, Yoon So-ah. Mais do que um teste sobre suas habilidades divinas, a experiência como humano é uma forma de reparar um grave erro seu do passado. Acontece que a psicoterapeuta Yoon So-ah já tem seu fardo pesado para carregar. Cheia de dívidas, ela leva sua carreira médica com pouco entusiasmo, - seu sonho é mudar-se para uma ilha paradisíaca, e nunca mais voltar para casa. O surgimento inesperado do misterioso Ha Baek, escoltado pelo servo Nam Soo-ri (Park Kyu-sun, de Monstar), obriga Yoon So-ah a rever suas prioridades, e, mais importante, enfrentar fantasmas do passado.

Muitos espectadores criticaram a atuação de Nam Joo-hyuk (Weightlifting Fairy Kim Bok-joo, Moon Lovers) como o deus Habaek. Em minha opinião, o problema de Nam Joo-hyuk não está em sua interpretação (visualmente, ele é a encarnação perfeita de um príncipe de mangá), mas no mistério exagerado que cerca o passado e as motivações pessoais do personagem. Se o ator fosse um pouco mais velho, ou experiente, poderia ter questionado o diretor e a roteirista sobre o perfil emocional de Habaek. No entanto, felizmente, as emoções do personagem crescem ao longo da estória, e ele se revela um grande herói romântico.

Shin Se-kyung (The Girl Who Sees Smells, Six Flying Dragons), por outro lado, é a grande protagonista do drama. A surpresa nem está na atuação da bela Shin Se-kyung (que já provou seu talento em tantos gêneros diferentes), mas no fato de seu personagem ser o verdadeiro motor da estória. Yoon So-ah é um dos personagens femininos mais interessantes que já habitou o mundo dos dramas. Às vezes forte e determinada, muitas vezes frágil e melancólica, Yoon So-ah é uma mulher de notável inteligência. Poucas vezes se vê um personagem expressar-se de forma tão clara e sábia, ainda mais se tratando de uma jovem mulher. Apesar da dificuldade em encarar seus traumas pessoais, Yoon So-ah consegue analisar com precisão as neuroses alheias. Os deuses são, por excelência, criaturas contraditórias, que desprezam e ao mesmo tempo invejam o livre arbítrio dos humanos. Sendo assim, não é nada fácil lidar com estes seres mimados e neuróticos, mas Yoon So-ah acaba se beneficiando desta relação, ao redescobrir sua vocação como terapeuta, e, ultimamente, seu amor à vida.


Deserving of the Name (tvN, 16 episódios)

Outro drama que passou meio despercebido foi Deserving of the Name (ou Live Up To Your Name), uma fusão de fantasia romântica com épico, e boas doses de comédia. Talvez a mistura inusitada de gêneros tenha espantado o público, mas Deserving of the Name se encaixa perfeitamente no gênero romântico clássico. A roteirista Kim Eun-hee (The Queen´s Classroom), pouco conhecida, mostra um talento especial para a comédia romântica, e se sai muito bem com a tarefa árdua de ilustrar a vida paralela do casal protagonista, um na longínqua Era Joseon, e outro na cosmopolita e efervescente Seul da atualidade. O PD Hong Jong-chan (My Secret Hotel, Dear My Friends) também merece elogios, especialmente por sua direção de elenco.

Kim Nam-gil (Bad Guy, Shark) é Heo Im, um médico acupunturista que atende na histórica Clínica Hyeminseo, pioneira na medicina oriental do século XVII, Era Joseon. Durante o dia ele trata das enfermidades dos pobres, que chegam à clínica em busca de atendimento gratuito. Mas Heo Im, de origem humilde, sonha em ficar rico, e à noite atende os nobres da cidade. Ele nunca teve a oportunidade de pôr os pés no grande palácio, até o Dr. Heo Jun (Uhm Hyo-sup, de Shopping King Louie, Doctors) o convocar para realizar uma sessão de acupuntura no rei. É a grande oportunidade na carreira de Heo Im, que, no entanto, entra em pânico e foge. Ao ser atingido por uma flecha da guarda real ele não morre, mas viaja no tempo, indo parar na moderna Seul do século XXI.

Kim Ah-joong (Wanted, Punch, Sign, My P.S. Partner) é a doutora Choi Yun-kyung, cirurgiã cardiotorácica no Hospital Shinhye, em Seul. Seu avô, Choi Chun-sool (Yoon Joo-sang, de Mrs. Cop 2), é um médico acupunturista, dono da Clínica Hyeminseo (o nome, obviamente, é uma homenagem à antiga clínica). No começo, a Dra. Yun-kyung acha que Heo Im não passa de um louco, ou pior, um golpista, e recusa-se a ouvir sua estória sobre ter viajado no tempo. Mas o avô de Yun-kyung acaba abrigando Heo Im em sua clínica, e ela é forçada a conviver com o intruso vestido em trajes antigos, com seus cabelos longos enrolados no coque típico da época. Heo Im é uma figura curiosa e simpática, que logo se adapta ao conforto e a tecnologia da vida moderna. Colado ao Hospital Shinhye está o Hospital Oriental, e seu diretor, o Dr. Ma Sung-tae (Kim Myung-gon) logo reconhece o talento de Heo Im e o convida para trabalhar ali. O neto do diretor, o Dr. Yoo Jae-ha (Yoo Min-kyu, de Queen for 7 Days) não confia nas habilidades de Heo Im, e quer desmascarar sua verdadeira identidade. Além do mais, o jovem médico nutre uma paixão antiga pela Dra. Yun-kyung, e sente ciúmes de sua relação próxima com o exótico Dr. Heo Im.

Deserving of the Name deve ser lembrado por revelar a surpreendente veia cômica de Kim Nam-gil, impagável e absolutamente charmoso no papel do Dr. Heo Im (personagem histórico real), mas também por proporcionado seu encontro com uma das atrizes mais talentosas e bonitas de sua geração, Kim Ah-joong. Os atores formam um par romântico encantador, e nos fazem acreditar que ainda há espaço para as boas estórias de amor. E, acredite, ainda sobra espaço para o drama fazer uma bela crítica às desigualdades sociais do país, que se repetem ao longo das gerações.


Circle: Two Worlds Connected (tvN, 12 episódios)

Ficção dirigida por Min Jin-ki (SNL Korea, Blue Tower, Gold Tower) e desenvolvida por uma equipe de roteiristas: Kim Jin-hee, Yoo Hye-mi, Ryoo Moon-sang, e Park Eun-mi.

Circle é ficção científica hardcore e, portanto, deve agradar apenas aos fãs ardorosos do gênero. O drama usa (quase) todos os arquétipos do gênero, da invasão alienígena, a um futuro distópico e apocalíptico.

A estória se divide em duas partes: Parte 1: Beta Project (o presente), e Parte 2: Brave New World (o futuro, ano 2037). No presente, o jovem universitário Kim Woo-jin (Yeo Gin-goo, de Reunited Worlds) procura seu irmão, Kim Beom-gyoon (An Woo-yeon, de Age of Youth 2), que desaparece após alegar estar sendo perseguido por alienígenas. Na verdade, a paranoia de Beom-gyoon teve inicio na infância, com o surgimento em suas vidas de uma estranha jovem, que teria provocado o desaparecimento do pai dos meninos. Antes de desaparecer, Beom-gyoon aponta Han Jung-yeon (Kong Seung-yeon, de My Only Love Song) como um dos alienígenas que conspira para destruir a humanidade. Mas ao conhecer de perto a bela Han Jung-yeon, Kim Woo-jin fica em dúvida se ela é apenas uma estudante normal, ou a vilã que abduziu seu irmão.

Enquanto isso, em 2037, os alienígenas passaram pela Terra e, aparentemente, trouxeram tanto a miséria quanto as inovações tecnológicas. No ‘distrito geral’ semi-abandonado e poluído do planeta vive o detetive de polícia Kim Joon-hyuk (Kim Kang-woo, de Goodbye Mr. Black, Marriage Blue) que aguarda ansiosamente uma oportunidade de entrar no ‘distrito inteligente’, onde apenas uma elite privilegiada desfruta da tecnologia do futuro. Só que o objetivo do policial não é viver nesta redoma de vidro, mas sim investigar os planos dos alienígenas sobre o destino da humanidade na Terra.

Não sei se o futuro retratado em Circle é kitch por contensão de verbas da produção (o mais provável), ou por estilo, mas este detalhe não tira o mérito do drama, e, como fã que sou de Kim Kang-woo, seu personagem divertido foi motivo o bastante para curtir o drama.


Duel (OCN, 16 episódios)

Bem que tentei me esforçar para gostar de Duel, e é duro admitir que Jeong Jae-young, um de meus atores favoritos do cinema, fez uma péssima escolha (talvez a primeira de sua carreira) ao escolher este projeto. Duel deveria concorrer com Circle: Two Worlds Connected, como o grande drama de ficção científica do ano, e, embora nenhum dos dois tenha sido excepcional, Duel foi a maior decepção, ao menos para mim.

Duel começa muito bem, com uma trama repleta de tensão e mistério, mas, infelizmente, o suspense não se sustenta por muito tempo. Jeong Jae-young não economiza esforços para retratar fidedignamente o detetive de polícia Jang Deuk-cheon, um homem simplório, mas um pai dedicado, que vai ao inferno, se for preciso, para salvar a vida de sua filha.

A princípio, me incomodou ver um ator relativamente inexperiente como Yang Se-jong (Temperature of Love) como protagonista, e ainda mais, interpretando dois personagens que deveriam ser idênticos e ao mesmo tempo o extremo oposto um do outro, psicologicamente falando. Mas até que o ator não se saiu tão mal no papel dos irmãos ‘clones’.

Jang Deuk-cheon se esforça para conciliar a carreira de policial com a de pai viúvo. Sua filha, Soo-yun, de 11 anos, sofre de uma doença degenerativa, e os custos de seu tratamento são cada vez maiores. Jang Deuk-cheon se desespera com o agravamento da doença da filha, mas os médicos lhe devolvem as esperanças ao sugerirem um tratamento experimental, que pode salvar sua vida. O mistério começa quando Soo-yun é sequestrada de dentro da ambulância que a levava para a clínica. O detetive parte numa caçada alucinante ao homem que abduziu sua filha... Ele consegue capturar o suspeito, um jovem chamado Lee Sung-joon, mas este nega veementemente ser o autor do sequestro. Juntos eles irão buscar pistas do verdadeiro criminoso, um homem que é a cópia perfeita de Lee Sung-joon.

Este é o primeiro trabalho solo da roteirista Kim Yoon-joo, que já demonstrou sua preferência pela ficção e aventura. Ela é co-autora de dois grandes sucessos, Queen In-hyun´s Man, e Nine: 9 Times Time Travel, que escreveu em parceria com Song Jae-jung (W, The Three Musketeers). Talvez lhe falte um pouco mais de experiência para trabalhar em um gênero tão interessante quanto complexo como a ficção científica. Não basta ter uma boa ideia, é preciso ter criatividade para desenvolvê-la.


Manhole (KBS2, 16 episódios)

Manhole é sobre um cantor pop chamado Kim Jae-joong que, após estrelar o pior drama da história, volta no tempo para corrigir o maior erro de sua vida. É claro que estou só brincando, mas aposto que Kim Jae-joong, nos dois anos em que esteve fora da mídia, cumprindo o serviço militar obrigatório, sonhou em voltar à TV em um belo projeto. Infelizmente, não foi o caso, apesar de Manhole ter sido escrito por um roteirista tão bacana como Lee Jae-gon, autor do drama policial TEN, e da sequência TEN 2. Depois de ver Manhole (sim, fui uma das duas pessoas que viu o drama até o fim) a impressão que tive foi de que o problema não foi a estória em si, mas sua execução, - da direção (Park Man Young (The Vineyard Man), Yoo Young Eun), ao casting, parece que faltou ‘liga’ ao projeto.

Kim Jae-joong é Bong Pil, um jovem que mora com os pais em um tranquilo subúrbio de classe média. Bong Pil diz que quer ser policial, mas estuda há três anos sem conseguir passar no concurso público. Sua única obsessão é a vizinha de porta, Kang Soo-jin (UEE), sua amiga e colega de escola de infância. Porém, uma insegurança profunda impede o rapaz de declarar seu amor por Soo-jin. Cansada de esperar que Bong Bil amadureça, ela resolve se casar com o farmacêutico Park Jae-hyun (Jang Mi-kwan). Desesperado, Bong Pil se dá conta de que foi covarde ao evitar tomar as decisões mais importantes de sua vida. Ao cair dentro de um bueiro, transformado em um portal interdimensional, Bong-pil volta no tempo, por um curto período de 24 horas, uma e outra vez, até aprender a abrir seu coração para Soo-jin.

Apesar da tentativa de dar um clima leve e cômico à estória, o resultado é pesado e artificial, e os atores parecem deslocados e estranhamente desconfortáveis em seus respectivos papeis. Bem que Kim Jae-joong (Triangle) se esforça para transmitir energia a Bong-pil, mas correr loucamente de um lado para o outro não é o bastante para transformar um personagem insosso em um grande herói. Não é por nada que o melhor episódio é aquele em que Bong-pil volta no tempo como um gangster, um perfil energético e sedutor que combina muito mais com o ator. E o que dizer de UEE (High Society), que nunca foi uma grande atriz, mas em Manhole parece ter esquecido o pouco que aprendeu ao longo de sua carreira (sem contar sua fragilidade física preocupante). A química entre o casal protagonista é tão ruim, que cheguei a torcer para que Bong-pil ficasse com a amiga Yoon Jin Sook (Jung Hye-sung, de Chief Kim).


Reunited Worlds (SBS, 20 episódios)

Reunited Worlds é um drama romântico cujo tom melodramático, e, por que não, fantasmagórico, conquistou um público muito restrito. É uma pena, pois o PD Baek Soo-chan e o roteirista Lee Hee-myung (Rooftop Prince) foram mais felizes em suas parcerias anteriores, Girl Who Sees Smells, e Beautiful Gong Shim. Confesso que achei o drama penosamente lento, e tive muita dificuldade em acreditar no casal de protagonistas, Lee Yeon-hee e Yeo Jin-goo. Não que eles sejam maus atores, muito pelo contrário, - sou fã do jovem Yeo Jin-goo, especialmente de seu trabalho no cinema. Por outro lado, acho que há muita condescendência com Ahn Jae-hyun, e não consigo ver sua evolução como ator.

Jung Jung-won (Lee Yeon-hee, de Miss Korea), 31 anos, teve de deixar os estudos e trabalhar duro para pagar uma pesada dívida de família. Ela trabalha como auxiliar de cozinha no restaurante de culinária francesa do chef Cha Min-joon (Ahn Jae-hyun, de Blood). Com tantos problemas pessoais e pouco tempo para realizar seus sonhos de juventude, Jung-won não se dá conta do interesse romântico de Min-joon por ela. Além do mais, Jung-won nunca superou a morte de seu amor de adolescência, Sung Hae-sung... até ele aparecer, milagrosamente, à sua porta, numa noite chuvosa.

Se Reunited Worlds sofre com o ritmo irregular, não se pode negar suas boas intenções, e quem curte dramas familiares certamente irá se emocionar com sua bela mensagem de união fraterna, e do quão importante é valorizar cada momento de convivência com aqueles que amamos.


Chicago Tipewriter (tvN, 16 episódios)

Chicago Tipewriter provou que um drama televisivo pode desafiar o intelecto do espectador, sem deixar de ser divertido, ou emocionante. Infelizmente o drama não gerou o burburinho esperado, e a tvN produziu mais um cult a ser resgatado daqui a alguns anos...

Han Se-joon (Yoo Ah-in) é um escritor de bestsellers que sofre de um repentino bloqueio criativo, que ameaça sua carreira prolífica, e o deixa a beira da loucura. Daí que surge um auxilio inesperado, embora nada bem vindo, na figura do misterioso ghostwriter Yoo Jin-o (Ko Gyung-pyo, de Answer Me 1988).

Um drama belíssimo, com uma fusão perfeita de romance, fantasia e eventos históricos, embalados por uma trilha musical de sonho. Se você ainda não assistiu Chicago Tipewriter, é o melhor presente de Natal que pode dar a si mesmo! Leia aqui a resenha completa.


The Best Hit (KBS2, 16 episódios)

Se alguém acha que o tema ‘viagem no tempo’ está esgotado ainda não viu The Best Hit, que encara o gênero com humor, irreverência, e uma boa dose de romance. Se falhou espetacularmente com Manhole, a KBS TV ao menos redimiu-se com esta comédia romântica deliciosa, sobre um cantor pop dos anos noventa que viaja ao presente, e descobre que o mundo mudou tanto, em tão pouco tempo... The Best Hit foi mais uma oportunidade para o ator Yoon Si-yoon escancarar todo seu talento cômico, e revelar-se um dublê muito convincente de ídolo pop. Leia a resenha completa aqui.


While You Were Sleeping (SBS, 16 episódios)

A roteirista Park Hye-ryun gosta mesmo de amaldiçoar seus protagonistas com poderes especiais (ou inconvenientes, conforme o ponto de vista), - em I Can Hear Your Voice, Lee Jong-suk é um estudante que tem o dom de ouvir o pensamento das pessoas, já em Pinocchio, Park Shin-hye é uma repórter que, ironicamente, não consegue mentir. Em While You Were Sleeping, Lee Jong-suk, o ator favorito da escritora, é um promotor de justiça que tem sonhos premonitórios. Este foi o drama que mais gostei da autora, depois do mini-drama Page Turner (KBS2, 2016). While You Were Sleeping, livre do melodrama excessivo de Pinocchio, equilibra bem o suspense com o romance terno do casal protagonista. A única coisa mais surpreendente que o roteiro ágil e divertido, foi a atuação convincente da eterna cantora pop Bae Suzy, criticada (com razão) por sua canastrice em projetos anteriores. Mordi a língua, mas fico feliz em ver a adorável Suzy amadurecer a olhos vistos no papel da repórter Nam Hong-joo. Não sei se ela teve uma epifania, apaixonou-se por Lee Jong-suk, ou resolveu fazer m curso sério de interpretação (o mais provável, né?), mas o resultado é louvável. Destaque especial para Jung Hae-in (como o policial Han Woo-tak), cujo incrível carisma deve catapultá-lo ao estrelato, merecidamente.

29 de out de 2017

Save Me (drama, 2017)




País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Thriller
Duração: 16 episódios
Produção: OCN

Direção: Kim Sung-soo
Roteiro: Jung Yi-do ( baseado no webtoon de Jo Geum-san)

Elenco: Taecyeon, Seo Ye-ji, Jo Sung-ha, Park Ji-young, Jo Jae-yoon, Woo Do-hwan, Lee David, Ha Hoe-jung, Jung Hae-kyun, Yoon Yoo-sun, Jang Yoo-sang, Son Sang-kyung, Son Byung-ho, Jang Hyuk-jin, Kim Kwang-gyu, Choi Moon-soon, Go Joon, Jeon Yeo-bin, Lee Jae-jun, Choi Moon-soo.

Resumo

A adolescente Im Sang-mi e sua família se mudam para o interior. Abalados por um acidente trágico, eles são atraídos a uma seita obscura. Quatro jovens amigos investigam o envolvimento da seita no desaparecimento de Sang-mi.

Comentário

Quem gosta de suspense (ou ação, policial) já sabe que pode encontrar ótimos dramas deste gênero no canal de TV OCN. E a qualidade dos dramas da OCN só vem crescendo nos últimos anos, - de Cho Yong para Tunnel, por exemplo, a evolução é gritante! No entanto, a sofisticação dos novos dramas tirou um pouco do sabor cult que marcou as primeiras produções do canal. Sendo assim, foi uma grande alegria ver o thriller Save Me resgatar o lado mais underground da OCN.

Os “ilustres desconhecidos” responsáveis por este suspense eletrizante são o PD Kim Sung-soo (Genome Hazard, 2014) e o roteirista novato Jung Yi-do, que se uniram para adaptar o webtoon “Out of the World” de Jo Geum-san para a TV. É difícil explicar como uma estória tão emocionalmente desgastante possa ser atraente de se ver, exceto pelo fato de que, no instante em que conhecemos seus protagonistas, não podemos abandoná-los a própria sorte. Muito mais que uma crítica ao fanatismo religioso e aos falsos profetas, Save Me traz uma reflexão muito séria sobre a fragilidade mental do ser humano, que se deixa iludir tão facilmente, em troca de um pouco de paz espiritual. Ao invés de reprovar o comportamento de muitos dos personagens aqui retratados, devemos entender todo o sofrimento que os levou a trilhar o caminho errado.

Antes mesmo de mergulharmos na estória, somos conduzidos, através de estradas sinuosas e escuras, a uma paisagem sombria, - uma cidade sonolenta, cercada de montanhas cobertas de florestas selvagens. O cenário é um elemento essencial à trama, ao transmitir um clima de solidão e estranhamento ao drama. O Sr. Im Joo-ho (Jung Hae-kyun, Signal, Doctors) e sua família saem da luminosa Seul em busca de novas oportunidades no interior. No entanto, não há nada de tranquilo ou bucólico na estranha cidade de Mujin, onde uma economia rural em franca decadência torna-se campo fértil para políticos corruptos, e todo o tipo de gente que se aproveita da fraqueza financeira e moral da população.

Sem dinheiro, a família de Seul se hospeda em um pequeno quarto cedido pelo dono da fazenda de gado onde o Sr. Im arruma um emprego temporário. E, como se não bastasse tanto infortúnio, o casal de filhos gêmeos do Sr. Im, Sang-mi e Sang-jin, também sofre para se adaptar na nova escola. Sang-mi (Seo Ye-ji, Last) é uma jovem inteligente e madura, que faz de tudo para proteger seu irmão, fragilizado por problemas de saúde. Mas, no primeiro dia de aula Sang-jin (Jang Yoo-sang, Angry Mom) já se torna alvo de bulling de um bando de alunos encrenqueiros.

Han Sang-hwan (Taecyeon, Bring it on, Ghost, Marriage Blue) é o único aluno a socorrer Sang-mi e seu irmão, ao presenciar uma cena de assédio contra eles na cafeteria da escola. O pai de Sang-hwan, Han Yong-min (Son Byung-ho, Fight My Way), é o governador do distrito, mas o rapaz não parece achar-se mais ou menos privilegiado por isso. O que ele gosta mesmo é de voar em sua motoca pelas estradas da vizinhança, na companhia de seus amigos de infância, Suk Dong-chul, Woo Jung-hoon e Choi Man-hee. A amizade entre os quatro adolescentes supre a carência de suas relações familiares conturbadas. Dong-chul, órfão de mãe, mal vê o pai, alcoólico, enquanto é sustentado pela avó, que vive de catar papel e sucata pelas ruas. Apesar de sua situação desesperançada, Dong-chul (Woo Do-hwan , Mad Dog, Man Living at My House) tem uma alma nobre, e um sentido inabalável de justiça. O simpático gordinho Man-hee (Ha Hoe-jung) também vem de um lar pobre, mas ao menos seu pai é dono de uma oficina mecânica. O baixinho nervoso Jung-hoon (Lee David, Bring it on, Ghost) não liga para os estudos e adora fazer vídeos estúpidos para a internet, para frustração de seu pai, o policial Woo Choon-gil (Kim Kwang-gyu, de Hospital Ship).

Infelizmente, um evento trágico na escola acaba por separar os amigos. Han Sang-hwan vai para a capital estudar direito, mas sua consciência o persegue por ter abandonado Dong-chul no momento em que mais precisava de sua ajuda. Três anos depois, Sang-hwan volta à sua cidade natal, para reencontrar Jung-hoon e Man-hee parados no tempo, seguindo a mesma vidinha de sempre, correndo com suas motos, jogando sinuca, e fingindo estudar. Mais tarde eles descobrem que Dong-chul também está de volta a Mujin, e trabalha como garçom numa boate.

Han Sang-hwan pergunta aos amigos o que aconteceu com a bela Im Sang-mi e sua família, mas ninguém sabe ao certo o seu destino. No alto de uma das montanhas que cercam a cidade, foi erguida uma catedral, sob o comando de um estranho líder religioso chamado Baek Jung-ki. O pregador Baek Jung-ki (Jo Sung-ha, The K2, The Himalayas), é uma criatura egocêntrica, com ares messiânicos, que se veste de branco da cabeça aos pés, incluindo uma cabeleira grisalha de gosto duvidoso. Ele denomina seus seguidores de apóstolos, e os mesmos o servem dia e noite, divididos entre orações, trabalhos de caridade e, principalmente, arrecadando doações monetárias para a igreja. O braço direito do pregador Baek é a apóstola Kang Eun-shil (Park Ji-young, de Falsify, Incarnation of Jealousy). O fervor religioso desta mulher mescla-se perigosamente com seu amor cego pelo pregador Baek. Muito mais pragmático, mas tão intimidador quanto seu mestre é o apóstolo Jo Wan-tae (Jo Jae-yoon, de Fantastic), encarregado das finanças e (sua verdadeira especialidade) da segurança da seita. Junto de seu irmão mudo, o gigante Jo Wan-duk (Son Sang-kyung), ele afasta os curiosos e persegue os “infiéis” com uma paixão aterrorizante.

Certa noite, Sang-hwan e seus amigos quase se chocam com a van da seita, e descobrem a verdade sobre o desaparecimento de Sang-mi, - e o que Sang-hwan vê nos olhos da jovem é o mais puro terror, - ele percebe seus lábios moverem-se lentamente, enquanto implora silenciosamente, “Salve-me”.

Imagine uma cidade pacífica onde se abre um legítimo portal para o inferno, - mas os demônios que saem dali não têm nada de sobrenatural. Segure a respiração, controle os nervos, pois Save Me te mostrará o que há de mais mesquinho e maligno na alma humana...
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