23 de jun de 2017

Tunnel (drama, 2017)




País: Coréia do Sul
Gênero: Thriller, Policial, Drama
Duração: 16 episódios
Produção: OCN TV

Direção: Sin Yong-hwi, Nam Gi-hoon
Roteiro: Lee Eun-mi-III

Elenco: Choi Jin-hyeok, Yoon Hyeon-min, Lee Yoo-young, Kim Min-sang, Jo Hee-bong, Kim Byeong-chul, Kang Ki-young, Lee Shi-a, Kim Dong-young, Moon Sook, Heo Sung-tae, Cha Hak-yeon, Kim Jeong-hak, Yang Joo-ho.

Resumo

No ano de 1986, o detetive de polícia Park Gwang-ho investiga uma série de assassinatos de mulheres. Ao perseguir um suspeito dentro de um túnel, o policial desaparece misteriosamente, para reaparecer no futuro, em 2017. Park Gwang-ho voltará à sua antiga delegacia para tentar capturar o assassino serial, e poder voltar para casa.

Comentário

Será possível, mais um drama coreano sobre viagem no tempo? Pois é, muita gente se fez esta pergunta quando Tunnel foi anunciado pelo canal a cabo OCN, e, antes mesmo de sua estreia, começaram as comparações com o drama Signal, grande sucesso de público e crítica de 2016. Mas não há motivos para preocupação, pois, com um roteiro criativo, mesmo a estória menos original pode surpreender o espectador. É o que aconteceu com o roteiro original da roteirista novata Lee Eun-mi-III (The Unwelcome Guest, drama special), uma estória que parece muito mais inspirada, em parte, no romantismo surreal de um grande clássico da literatura, O Mágico de Oz, e, mais ainda, no thriller coreano Memories of Murder (do qual o drama reproduz uma cena inesquecível).

É impressionante como as produções da OCN têm evoluído com o tempo, e a combinação ousada de roteiristas desconhecidos e diretores pouco glamourosos – em Tunnel, Nam Gi-hoon (Full House 2) e Sin Yong-hwi (Faith) – tem resultado em dramas potentes como Voice, ou Bad Guys.

A estória começa no ano de 1986, em uma cidade interiorana, quando somos apresentados ao detetive de polícia Park Gwang-ho (Choi Jin-hyuk), que investiga os brutais assassinatos de várias mulheres jovens da região. Um policial, nos anos oitenta, não tinha acesso aos instrumentos científicos e tecnológicos disponíveis nos dias de hoje. As armas da polícia eram, acima de tudo, a paciência e a persistência para seguir pistas que levassem à resolução dos crimes. Na época, por exemplo, nem se tinha o conceito de assassinato em série, e muito menos o estudo do perfil psicológico de um criminoso. É Park Gwang-ho, com uma inteligência acima da média, e com um afiado instinto de policial, que percebe que há coincidências demais entre as mortes das mulheres, e o método do assassino (ou assassinos). Só que o criminoso em questão é muito inteligente, pois não deixa pista alguma na cena dos crimes. Frustrados, os policiais acabam deixando o caso de lado por um tempo, e Park Gwang-ho tem mais tempo para dedicar-se à sua jovem esposa, Shin Yeon-sook (Lee Shi-a, de Maids). Passados alguns meses, surge uma pista importante, e Park Gwang-ho torna-se ainda mais obcecado com o caso. Ele cria o hábito de visitar a pé as várias cenas dos crimes, todas em locais ermos, como estradas vicinais e campos abertos. Certa noite, orientado apenas pela luz de uma lanterna, ele cruza um antigo túnel, quando avista o suspeito e começa a persegui-lo. Na escuridão, ele é atingido na cabeça por uma pedra e desmaia. Quando acorda, meio zonzo, ele atravessa o túnel e se depara com uma paisagem surpreendente, uma metrópole, com seus prédios altos e iluminados. Confuso, ele caminha por uma rodovia e por pouco não é atropelado por dois carros conduzidos em alta velocidade. Finalmente, ele chega até o prédio da delegacia de polícia e, provavelmente ainda confuso pela pancada na cabeça, não percebe que tudo está muito diferente, e, muito menos ainda, que viajou trinta anos no tempo, em direção ao futuro. E por azar, seu primeiro contato com um “habitante” do século XXI, não é dos mais amigáveis... O inspetor Kim Seon-jae (Yoon Hyeon-min) é o tipo de pessoa que acha uma perda de tempo confraternizar com os colegas, e só tem olhos para o trabalho. Acontece que Kim Seon-jae não seguiu a carreira policial por vocação, mas pelo desejo de vingar um crime que abalou sua família quando ele era criança.

É divertido ver o contraste enorme entre as personalidades destes novos parceiros, Kim Seon-jae e Park Gwang-ho. Park Gwang-ho é um policial “de raiz”, e, apesar da situação absurda em que se encontra, procura manter o otimismo e acreditar que o presente é a chave de sua volta para casa. Kim Seon-jae, por outro lado, pensa obsessivamente no passado, e vive o presente como um sonâmbulo. É muito interessante esta reflexão, de que para redimir-se de um erro do passado, a pessoa tem de viver honestamente o presente, ao invés de atormentar-se para sempre com o que não pode ser desfeito. A missão dos detetives Kim Seon-jae e Park Gwang-ho não é mudar o passado, mas sim dar chance a que eles mesmos e seus entes queridos tenham um futuro feliz.

O ponto de união entre estes dois homens de personalidade forte é a professora Shin Jae-yi (Lee Yoo-young), catedrática da disciplina de Psicologia Criminal. Como especialista, ela irá ajudar a polícia a compor e analisar o perfil de um assassino em série que voltou a atuar na capital, depois de muitos anos. Kim Seon-jae não esconde seu encanto com a prof. Shin, mais por sua personalidade hermética (tão parecida com a dele), do que por seu ar de ninfa. Já Park Gwang-ho não suporta a atitude antissocial da moça, quando ele mesmo gosta de resolver tudo com uma boa discussão. Mas o que ninguém sabe é que a prof. Shin tem motivos para ser tão arisca, já que teve uma infância muito infeliz. Foi sua chefe, Hong Hye-rin (Moon Sook, de Age of Youth), Pró-Reitora da Universidade Hwa Yang que a trouxe da Inglaterra, quando seus pais adotivos morreram em um trágico acidente.

O detetive Kim Seon-jae há anos perseguia um assassino em série de mulheres, chamado Jeong Ho-young (Heo Sung-tae, de The Age of Shadows). Quando os crimes com o mesmo modus operanti voltam a ocorrer, a equipe liderada por Jeong Seong-sik (Jo Hee-bong, de The Girl Who Sees Smells) tenta capturar o suspeito, antes que ele faça mais vítimas. Park Gwang-ho acha que Jeong Ho-young é o mesmo homem que ele tentou prender em 1986, antes de ser enviado para o futuro. O modo como as vítimas são mortas, estranguladas, é idêntico, exceto por uma “assinatura” especial que era deixada pelo criminoso, ausente nos crimes atuais, fato que intriga o detetive Park.

Outro colaborador da equipe é o médico legista Mok Jin-woo (Kim Min-sang, de Chief Kim), a quem o detetive Kim Seon-jae confidencia suas suspeitas sobre a verdadeira identidade do colega Park Gwang-ho. Sem saber que Park veio do passado, o det. Kim fica ainda mais confuso quando encontra o corpo de um jovem policial que seria o verdadeiro Park Gwang-ho (Cha Hak-yeon, Cheer Up!, membro do grupo pop VIXX). É estranho, para não dizer pouco ético que o Dr. Mok aceite o pedido de Kim Seon-jae para fazer uma necropsia informal, sem registrar oficialmente a ocorrência, enquanto ele investiga o caso.

Tunnel é um drama fantástico, especialmente pelos sentimentos de familiaridade com os personagens que desperta no espectador. A trama evolui com agilidade, e vai revelando o passado e as motivações de cada um, tanto dos heróis quanto dos vilões, e as surpresas são grandes, até o desfecho da estória (por isso mesmo é melhor evitar os spoilers, entrando em detalhes sobre os personagens).

Deixando claro que o suspense e a diversão estão garantidos, sem revelar os mistérios da trama, vale a pena destacar o elenco incrível, grande responsável pelo sucesso do drama. O protagonista absoluto de Tunnel é, obviamente, Choi Jin-hyeok (Pride and Prejudice), e se alguém ainda estava em dúvida, não pode mais negar seu talento como ator. Park Kwang-ho é um personagem tão encantador, que é impossível não alegrar-se com ele nos bons momentos, ou derramar lágrimas por ele, como se fosse seu irmão querido.

Yoon Hyeon-min também vem construindo uma carreira lenta, mas sólida como ator, de muitos papeis secundários simpáticos (Discovery of Romance) a crescentes desafios (Beautiful Mind), até chegar ao protagonismo, com louvor, em Tunnel. O detetive Kim Seon-jae também é um personagem envolvente, a princípio antipático (ainda mais se comparado ao caloroso Park Gwang-ho), mas aos poucos, incrivelmente sensível.

Mas o melhor achado do drama é, sem dúvida, Lee Yoo-young. Mais conhecida pelos amantes do cinema independe coreano, Lee Yoo-young  (The Treacherous) debuta na telinha deixando a melhor das impressões, e presenteando-nos com um estilo de atuação muito mais natural, e ao mesmo tempo convincente, que o da maioria das atrizes formadas nos estúdios de TV.

O lado cômico do drama fica a cargo de dois atores conhecidos dos fãs de dramas, os queridíssimos Kim Byeong-chul (Goblin) e Kang Ki-young (Oh My Ghostess), nos papeis dos detetives Kwak Tae-hee e Song Min-ha, respectivamente.

Como no thriller Signal, Tunnel se despede deixando no espectador um grande desejo de rever seus protagonistas, e confirmar se estão todos bem e felizes, seja em que dimensão estiverem...

5 de jun de 2017

Kazoku: Tsuma no Fuzai, Oto no Sonzai (drama, 2006)




País: Japão
Gênero: Drama, Família
Duração: 8 episódios
Produção: Asahi TV
Música tema: Everything, EXILE

Direção: Karaki Akihiro, Takahashi Nobuyuki, Ikezoe Hiroshi
Roteiro: Shimizu Yuki

Elenco: Takenouchi Yutaka, Watari Tetsuya, Uto Shusei, Ishida Yuriko, Gekidan Hitori, Sakura, Kaneko Noboru, Natsuyagi Isao.

Resumo

Kamikawa Ryohei é um executivo com um bom emprego e uma bela família... Até o dia em que ele resolve pedir demissão e é abandonado pela mulher, que o deixa responsável pelo filho pequeno.

Comentário

Dramas sobre crises matrimoniais são comuns, mas um que aborde o tema sob o ponto de vista masculino não é tão usual, como é o caso deste magnífico melodrama familiar, Kazoku.


Kazoku: Tsuma no Fuzai, Oto no Sonzai (Family: Absence of the Wife, Existence of the Husband) conta a saga de um homem que luta para conciliar a carreira profissional com as dificuldades de criar o filho pequeno sozinho. E a roteirista Shimizu Yuki (The Perfect Path for Two, Koi no Sanriku Ressha Kon de Iko!) narra com muita sensibilidade a estória do casal Kamikawa, e de seu adorável filho Yuto.


Kamikawa Ryohei (Takenouchi Yutaka) representa o estereótipo perfeito do homem japonês, educado, responsável, trabalhador, mas que vê a mulher mais como mãe de seus filhos e dona de casa, do que como companheira e amante. A prioridade de Ryohei é dar estabilidade e conforto à família, e ele acaba, inconscientemente, se distanciando da mulher, Satomi (Ishida Yuriko) e do filho. Enquanto isso, Satomi sofre em silêncio com a ausência do marido. Por ter perdido o pai muito jovem, Ryohei teve de aprender a ser independente e a resolver todos os problemas sozinho. Como de costume, Ryohei não conversa com a esposa sobre o estresse que sofre no trabalho e, certo dia, simplesmente avisa que mudou de emprego, e comprou uma casa nova e espaçosa para a família. Quando Ryohei não cumpre a promessa de ir a um concerto de piano do filho, Satomi resolve que é hora de cuidar da própria vida. Ela decide tentar retomar a carreira de arquiteta, e simplesmente sai de casa, deixando o filho Yuto (Uto Shusei) aos cuidados do pai. Sem ter noção alguma de como lidar com as necessidades diárias de uma criança, Ryohei se vê em grandes apuros, ainda mais que não há nenhum parente próximo para ajudá-lo. Mas, aos poucos a rotina começa fluir, quando ele matricula Yuto em um jardim de infância, lugar onde não apenas seu filho, mas ele próprio irá fazer grandes amizades. Para começar, a professora Kinoshita Miho (Sakura) é muito atenciosa com Yuto, e preocupa-se sinceramente com a situação da separação dos pais do menino.





Mas é o Sr. Saeki Shinichiro (Watari Tetsuya, de Lady Joker), um voluntário na escola infantil, que se torna o melhor apoio emocional para a família Kamikawa. O Sr. Saeki é um viúvo solitário, aposentado, que acaba fazendo amizade com Ryohei, e o ajuda muito na adaptação à vida de pai solteiro. Ele ensina Ryohei coisas triviais, mas ao mesmo tempo importantes no dia a dia, como preparar o lanche do filho, ou organizar prendas do bazar escolar. 



É bonito como o drama enfatiza como as pessoas mais velhas, com sua inestimável experiência de vida, podem contribuir com o bem estar da família e da sociedade em geral. Sendo assim, é tocante a amizade que se desenvolve entre o Sr. Saeki, o pequeno Yuto e Ryohei. E é o ator Watari Tetsuya, com sua postura elegante, que dá vida a este personagem tão digno, o Sr. Saeki.



Agora, um encanto mesmo é a relação maravilhosamente carinhosa entre Ryohei e Yuto. O amor entre pai e filho é expresso de forma tão natural, que é difícil de acreditar que não seja real. Takenouchi Yutaka é um ator especial, que, ao longo de sua longa carreira, nunca se aproveitou da própria beleza, procurando dar ênfase a uma atuação mais naturalista (A Long Vacation), e muitas vezes irreverente (BOSS). Certamente um dos melhores atores japoneses de sua geração.


Kazoku é uma pequena pérola, uma estória que nos faz rir e chorar, e ao mesmo tempo refletir sobre como é essencial cultivar o amor entre marido e mulher, entre pais e filhos, sempre com muito diálogo e respeito ao próximo.

30 de mai de 2017

Mistery Queen (drama, 2017)




País: Coréia do Sul
Gênero: Policial, Drama
Duração: 16 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Kim Jin-woo-I, Yoo Yeong-eun-I
Dir. Fotografia: Kim Kyung-ho, Han Joo-yeol
Roteiro: Lee Seong-min-II

Elenco: Choi Kang-hee, Kwon Sang-woo, Lee Won-geun, Shin Hyun-bin, Ahn Kil-kang, Kim Min-jae, Yoon Hee-seok, Park Byeong-eun, Jang Gwang, Jeong  In-gi, Yang Ik-joon, Jeon Soo-jin, Kim Hyeon-sook.

Resumo

Uma dona de casa e um detetive de polícia formam uma dupla insólita, que se envolve em muitas confusões, enquanto resolve os crimes mais complicados.

Comentário

Só o fato de trazer um personagem feminino como protagonista, não de um drama romântico, mas de um thriller policial, já é um enorme feito da parte de Mistery Queen. Os exemplos de dramas policiais estrelados por mulheres são poucos, - Mrs. Cop, Mrs. Cop 2, Signal, são os títulos que me vem à mente – isto nos dramas coreanos, pois nos dramas japoneses posso citar um número bem maior... Até pensei que Mistery Queen fosse um remake de um drama japonês, o que não é o caso, – a roteirista de Mistery Queen é a novata Lee Seong-min-II – já que os japoneses são grandes aficionados dos romances policiais, e de detetives em geral. Sendo assim, foi uma surpresa muito agradável acompanhar a estória de Yoo Seol-ok, uma dona de casa que sonha em vestir um uniforme de polícia, e usar seu talento único para resolver quebra-cabeças criminais. Yoo Seol-ok segue os passos das grandes mulheres detetives da literatura, com a amabilidade de uma Miss Marple, e um desejo de viver grandes aventuras de uma Modesty Blaise.

E o papel de Yoo Seol-ok cai como uma luva para a naturalmente exótica Choi Kang-hee (Protect the Boss, Glamorous Temptation). Yoo Seol-ok perdeu os pais na adolescência e foi adotada pela melhor amiga de sua mãe, Park Kyeong-sook (Park Joon-geum, de Mask). Seol-ok acaba entrando para a família oficialmente ao casar-se com o filho mais velho de Kyeong-sook, Kim Ho-cheol (Yoon Hee-seok, de The Joseon Shooter). Se, por um lado, Seol-ok ganhou uma nova família, por outro, o casamento prematuro a prendeu a uma rotina tediosa de dona de casa, atendendo aos caprichos da sogra impertinente e da cunhada mimada, Kim Ho-soon (Jeon Soo-jin, Descendants of the Sun). O marido, Kim Ho-cheol é um promotor de justiça respeitado no trabalho, mas que trata Seol-ok com uma frieza e condescendência lamentáveis, embora ela pareça não se importar muito com a ausência física e emocional do marido. Mas Seol-ok encontra uma forma de fugir da prisão doméstica no restaurante da amiga Kim Kyeong-mi (Kim Hyeon-sook, Rude Miss Yong-ae). Numa sala nos fundos do restaurante ela monta um QG para seus estudos de casos criminais. Mas a sede de aventura de Seol-ok é grande e logo ela se envolve nas investigações da estação de polícia do bairro, comandada pelo jovem Hong Joon-oh (Lee Won-geun, de Cheer Up!). As coisas se complicam quando Seol-ok e Hong Joon-oh atrapalham uma tocaia da equipe de combate às drogas, liderada pelo detetive Ha Wan-seung. Kwon Sang-woo (Medical Top Team), encarna com irreverência e charme máximo o detetive de polícia Ha Wan-seung, um homem que persegue os criminosos com uma dedicação obsessiva, quase suicida. Mas, se na superfície Ha Wan-seung é um bruto, no fundo ele tem um coração enorme, e a coragem nobre de um verdadeiro herói. O pior pesadelo de Ha Wan-seung é seu pai, Ha jae-ho (Jang Gwang, de Moonlight Drawn By Clouds), um poderoso e calculista advogado, que faz de tudo bloquear a carreira policial do filho. O velho tenta forçar Ha Wan-seung a casar-se com uma advogada de seu escritório, Jeong Ji-won (Shin Hyun-bin, de Madame Antoine), como se assim pudesse convencê-lo a mudar de vida. Mas o grande objetivo de Ha Wan-seung é prender o mafioso Jang Do-jang (Yang Ik-joon, de It´s Ok, That´s Love), suspeito de ter matado sua antiga namorada. O único apoio de Ha Wan-seung está no seu chefe de equipe, o detetive Bae Gwang-tae (Ahn Kil-kang, de Weightlifting Fairy Kim Bok-joo).


Se a princípio Ha Wan-seung trata Yoo Seol-ok como uma ahjumma excêntrica, não demora muito para que ele perceba o potencial da dona de casa para resolver os crimes mais complexos, e com uma facilidade fora do comum. É inevitável que o casal se reuna para perseguir bandidos, mesmo antes de descobrir sua ligação profunda com um evento trágico do passado de ambos.

O enredo de Mistery Queen é muito envolvente, já que a trama central não ofusca em nada as subtramas, que são os crimes da vizinhança que a “Sherlock de saias” Seol-ok investiga a cada dois ou três episódios. O único grande problema do drama (big spoiler!) é deixar pendente exatamente o mistério central, que é a circunstância da morte dos pais de Seol-ok, e o desaparecimento da noiva de Ha Wan-seung. A desculpa da produção de projetar uma segunda temporada não convence, já que o canal KBS não costuma dar chance para dramas que não sejam garantia de sucesso. Só o tempo dirá se poderemos ver o desfecho da estória, ou se este será o único mistério sem resolução da detetive Seol-ok. Mesmo assim não posso deixar de recomendar calorosamente este drama, com a direção primorosa do PD Kim Jin-woo-I (Healer, Good Doctor), a fotografia espetacular, ou ainda, a melhor trilha musical da temporada.

23 de mai de 2017

A Life (drama, 2017)




País: Japão
Gênero: drama médico
Duração: 10 episódios
Produção: TBS

Direção: Hirakawa Yuchiro, Kato Arata, Kimura Hisashi
Roteiro: Hashibe Atsuko

Elenco: Kimura Takuya, Takeuchi Yuko, Asano Tadanobu, Matsuyama Kenichi, Kimura Fumino, Nanao, Oikawa Mitsuhiro, Asano Tadanobu, Takenoya Saki, Tanaka Min.

Resumo

O Dr. Okita Kazuaki, radicado há dez anos em Seattle, volta ao Japão para encontrar tudo muito mudado no hospital em que se formou. Seu primeiro amor, a Dra. Mifuyu, casou-se com o renomado neurocirurgião Danjo Masao, um homem ambicioso, que planeja tomar o lugar do sogro na administração do hospital. Okita planeja uma breve visita, mas o destino lhe reserva surpresas inesperadas...

Comentário

A Life é uma boa oportunidade para apreciar o reencontro de Kimura Takuya e Takeuchi Yuko, treze anos depois do drama Pride. Só que o tempo passou, e a nova reunião tem um tom muito mais maduro e melancólico. Takeuchi Yuko, bonita como sempre, é a simpatia em pessoa, com seu sorriso luminoso e acolhedor. Kimutaku, mais velho, é verdade, mas com seu eterno charme matador, encarna um dos personagens mais discretos de sua carreira. Embora seja um pouco estranho ver uma atuação mais comedida do ator, tanto no gestual quanto em palavras, é sempre um prazer ver Kimutaku encarnar com naturalidade qualquer papel.


Não posso evitar um pequeno spoiler ao advertir o espectador de que o drama investe muito pouco no romantismo, para dar mais ênfase ao drama médico, e às intrigas do mundo empresarial hospitalar. Sendo assim, para quem curte um bom drama médico, A Life é uma boa pedida.



Kimura Takuya (Priceless, Hero) é o Dr. Okita Kazuaki, um cirurgião brilhante, exilado nos Estados Unidos. O Dr. Okita começou sua carreira em Tóquio, em um grande hospital dirigido pelo empresário Danjo Toranosuke (Emoto Akira). Na época, ele namorava a colega Dra. Danjo Mifuyu (Takeuchi Yuko, de Strawberry Night), filha do diretor. Seu melhor amigo era o Dr. Masao (Asano Tadanobu, The Long Goodbye), que mais tarde tornou-se um prestigiado neurocirurgião.


O Dr. Okita está muito bem estabelecido em Seattle, até o dia em que recebe um chamado urgente de Tóquio. O diretor Danjo encontra-se gravemente doente, e quer que Okita volte ao Japão para operá-lo, pedido que ele aceita prontamente. Ao chegar a Tóquio, ele encontra tudo muito diferente, com seu antigo amigo Masao casado com Mifuyu, e tendo assumido a vice-direção do hospital. Masao não somente assumiu o sobrenome da esposa, Danjo, como ambiciona assumir a direção geral do hospital. Mifuyu, por outro lado, tenta equilibrar sem muito sucesso a carreira de cirurgiã pediátrica com a de mãe e esposa. Enquanto o Sr. Danjo e a filha Mifuyu lutam para manter o departamento de pediatria, o Dr. Danjo Masao trama pelas costas dos familiares o plano de extinção do mesmo. A visão do médico não é nada idealista, ele vê a medicina como um negócio como outro qualquer, cujo objetivo primordial é o lucro financeiro.



É claro que o Dr. Okita tem uma visão oposta ao do (ex) amigo, o que irá gerar muitos conflitos, sem contar o ciúme doentio de Masao sobre o antigo amor da esposa. Mesmo tendo um caso com Sakakibara Minori (Nanao, de Siren), consultora legal do hospital, Masao não admite que Mifuyu nutra algum sentimento pelo Dr. Okita. Mas o Dr. Okita não mexe apenas com os sentimentos do casal Danjo, todo o departamento de cirurgia do hospital é afetado pelo caráter forte e determinado do médico. Os mais influenciados pelo senso ético e talento extraordinário do Dr. Okita são o Dr. Igawa Sota (Matsuyama Kenich, de Futagashira) e a enfermeira Shibata Yuki (Kimura Fumino, de Siren). 


O Dr. Igawa é um cirurgião talentoso, mas pouco motivado, que não consegue se decidir entre a carreira médica, e a alternativa de assumir a direção do hospital da família. Mas o Dr. Okita acaba incentivando o jovem médico a fazer a escolha certa. Shibata Yuki também é afetada pela presença marcante do Dr. Okita, que apoia e elogia seu talento como enfermeira instrumentista.



A volta de Okita Kazuaki ao Japão, depois de tantos anos, também serve para que o médico reencontre seu pai, Okita Isshin (Tanaka Min), dono de um sushi bar, e que nunca demonstrou o orgulho devido pela carreira de sucesso do filho. A morte prematura da mãe de Okita foi o evento trágico e determinante para que ele decidisse ser médico. O reencontro e confronto dos traumas antigos entre pai e filho é um dos melhores momentos do drama.



A Life é um belo drama médico, naquele tom mais sóbrio, característico da cultura japonesa, mas que envolve reflexões muito pertinentes e, por que não, otimistas, sobre esta profissão tão importante quanto heroica que é a medicina.


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