13 de dez de 2012

Ha Ha Ha (filme, 2010)


País de origem: Coréia do Sul
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 115 min.

Direção e Roteiro: Hong Sang-soo

Elenco: Kim Sang-kyeong, Yoo Joon-sang, Kim Kang-woo, Yeh Ji-won, Moon So-ri.
 
Resumo
 
Dois amigos se reunem para beber e compartilhar estórias sobre suas aventuras no último verão.

Comentário

Depois de acumular quase uma dúzia de filmes em sua carreira de diretor/roteirista/produtor, Hong Sang-soo (1960) conquistou os jurados do 63º Festival de Cinema de Cannes (na categoria "Un Certain Regard") com a comédia Ha Ha Ha.

Com um tom bem menos sarcástico, e muito mais cômico, o cineasta Hong não chega a inovar, mas pode surpreender e agradar a um público não tão afeito ao cinema independente.

Os personagens de Hong continuam essencialmente os mesmos, homens intelectuais que circulam no meio acadêmico, e que perseguem belas jovens impressionáveis e, na maioria das vezes, emocionalmente instáveis.

A palavra é o combustível que move os personagens de Hong Sang-soo , e é impossível não comparar o seu trabalho ao de cineastas como Woody Allen, Eric Rohmer, entre outros. Aliás, não surpreende que os críticos franceses admirem tanto o cineasta coreano – muito mais do que os conterrâneos dele. Esta foi a sexta visita do diretor ao prestigiado festival de cinema francês.

Como em Woman on the Beach, os protagonistas de Ha Ha Ha vão à praia, só que desta vez na cidade litorânea de Tongyeong, onde a paisagem urbana predomina sobre a marinha, que aparece apenas em alguns relances.

O “gatilho” da estória está no encontro entre dois amigos, Moon-gyeong (Kim Sang-kyeong), cineasta, e Joong-sik (Yoo Joon-sang), crítico de cinema. Numa conversa de bar, entre um brinde de outro de  makgeolli (vinho de arroz tradicional coreano), eles acabam se dando conta que estiveram em Tongyeong ao mesmo tempo, no último verão. Eles se revezam na descrição de suas aventuras, as novas amizades que fizeram e as mulheres que conheceram.

Durante este bate-papo descontraído, descobrimos que as pessoas que ambos encontraram em Tongyeong foram as mesmas, embora os amigos não tenham concidido em nenhuma ocasião. Realmente, esta é a grande ‘sacada’ do filme, pois a interligação das estórias cria uma expectativa crescente, além de realçar o lado cômico da trama.

Felizmente, não se trata da repetição da mesma estória sob dois pontos de vista, mas da visão única de dois homens, sobre a sociedade que que os cerca. Moon-gyeong e  Joong-sik não estão interessados em discutir, mas sim compartilhar suas desventuras amorosas e familiares, num divertido clima de camaradagem.

Os personagens masculinos de Hong Sang-soo continuam imaturos, fracos, mulherengos e convencidos.  Embora anteriormente eu tenha deixado clara minha aversão ao caráter dos personagens de Hong Sang-soo (especificamente no filme Woman on the Beach), os protagonistas de Ha Ha Ha, se não chegam a ser adoráveis, geram uma empatia quase involuntária no espectador.

Kim Sang-kyung (Memories of Murder, White Christmas) está hilário como o auto-intitulado diretor de cinema Moon-gyeong – obviamente um alter-ego do diretor Hong. Com trejeitos nervosos a la Woody Allen, e bem acima do peso, ainda assim Kim Sang-kyung não perde seu charme de eterno garotão. Cena inesquecível do filme: Moon-gyeong apanhando da mãe com um cabide.

Yoo Joon-sang, como o crítico de cinema Joong-sik também compõe um personagem complexo, neurótico, bipolar. Ele passa o filme engolindo pílulas, e não se constrange em admitir, para quem quiser ouvir, que sofre de depressão profunda. A namorada tenta apoiá-lo, mas o clima pesa quando ela cobra que Joong separe de uma vez da esposa.

Até Kim Kang-woo (Haeundae Lovers), que considero um ator dos mais fracos (embora seja muito bonito), não está nada mal como o poeta Kang Jeong-ho. Ele consegue ser o personagem mais equilibrado do filme. Adoro os momentos em que ele lê seus poemas para os amigos, em busca de aprovação. E o mais engraçado, Moon-gyeong e Joong-sik entram na onda e escrevem seus próprios versos – com o único objetivo de impressionar as garotas.

Ao contrário de Woman on the Beach, as mulheres deste filme, Yeon-joo (interpretada por Yeh Ji-won) e Seong-ok (Moon So-ri) são muito mais interessantes e bem resolvidas. Não que elas não tenham suas neuras, mas seu modo de encarar a vida está bem mais próximo do senso comum feminino, e este é um dos pontos mais positivos do filme e que mostra, talvez, um amadurecimento tardio do autor. Quem sabe ele, ao contrário de seus personagens masculinos, esteja aprendendo a entender as mulheres.

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