30 de jan de 2015

Misaeng/Incomplete Life (drama,2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama
Duração: 20 episódios
Produção: tvN

Direção: Kim Won-suk
Roteiro: Jung Yoon-jung, baseado no webtoon de Yoon Tae-ho

Elenco: Lee Sung-min, Im Siwan, Kang So-ra, Kang Ha-neul, Byun Yo-han, Kim Dae-myung, Shin Eun-joong, Park Hae-joon.

Resumo

O único sonho de Jang Geu-rae era tornar-se campeão de Go, um tradicional jogo de tabuleiro asiático. Ele passou a infância e boa parte da juventude dedicando-se exclusivamente ao jogo. No entanto, com a morte do pai, Geu-rae teve de trabalhar para ajudar a sustentar a si mesmo e à mãe. Os anos se passaram, e agora Geu-rae é um rapaz sem educação formal, pulando de um emprego temporário para o outro... Até o dia em que oferecem a ele um estágio em uma grande empresa de comércio exterior. Pela primeira vez, Geu-rae sente que pode dar um novo sentido à sua vida, mas ele terá de lutar muito para alcançar este novo sonho.

Comentário

Jung Yoon-jung é uma excelente roteirista (Arang and the Magistrate, Chosun Police Season 2), mas também teve muita sorte por ter em suas mãos uma obra brilhante para adaptar. Não deve ter sido um trabalhado muito árduo o de dar vida aos personagens encantadores do webtoon Misaeng, de Yoon Tae-ho. É com grande sensibilidade e honestidade que Yoon Tae-ho retrata o dia-a-dia dos funcionários de uma grande corporação capitalista, a One International. Um grupo de jovens recrutados nas melhores universidades do país disputa um emprego nesta empresa de trading, que faz negócios por todo o globo. Os requisitos mínimos para conseguir uma vaga na One International, além de ter estudado em uma universidade de elite, é falar várias línguas com fluência, e ter especialização em sua área de atuação. É neste ambiente de competição feroz que aterriza nosso pequeno herói, Jang Geu-rae, sem diploma algum no currículo, e hostilizado pelos colegas por ter conseguido uma vaga como trainee graças à indicação de um diretor da empresa. A sorte de Geu-rae é entrar na a equipe do gerente Oh Sang-sik, um homem obstinado pelo trabalho, fiel aos seus princípios éticos, e que irá ensinar o caminho das pedras ao jovem aprendiz.

Misaeng tinha tudo para ser um drama árido, tanto pelo tema, como pelo ambiente asséptico dos escritórios de uma empresa de comércio exterior. Mas, surpreendentemente, uma combinação perfeita de elementos contribui para compor um dos dramas mais inteligentes e sensíveis dos últimos tempos. Para começar, a rotina dentro dos escritórios da One International é tudo menos entediante... As muitas metas a serem atingidas nas transações comerciais, a rivalidade entre as equipes de compra e venda de produtos de exportação e importação, a disputa interna por promoções nos cargos, tudo isso torna o ambiente muitas vezes fervilhante, e outras simplesmente exaustivos para os pobres funcionários da companhia. É irônico que cifras milionárias sejam negociadas diariamente por gerentes e subordinados, e que trabalham arduamente por um salário medíocre. Estes homens fardados de terno e gravata são os soldados que se sacrificam na linha de frente, enquanto suas empresas lucram bilhões de dólares ao ano.

O diretor Kim Won-suk (Monstar, Sungkyunkwan Scandal) realiza um trabalho simplesmente perfeito, tanto na condução do imenso, mas impecável, elenco (um verdadeiro exército de atores brilhantes), como na fotografia – é incrível com o diretor de fotografia consegue dar cor e textura ao ambiente supostamente monocromático e desagradável das luzes artificiais de um escritório. A trilha sonora, para arrematar, ressalta os momentos sensíveis da estória, mas sempre com muita elegância. Aliás, Siwan pôde compartilhar seu talento como compositor e cantor em uma das faixas do OST.

Jang Geu-rae (Siwan) sente-se como um peixe fora d´água, um alienígena visitando um planeta desconhecido. Mas, aos poucos, ele vai aprender a viver como um membro produtivo da sociedade e, principalmente, irá deixar sua marca neste mundo. O gerente Oh Sang-sik (Lee Sung-Min), a princípio fica contrariado em acolher Geu-rae em sua equipe, mas não demora a perceber o potencial do rapaz. O subgerente Kim Dong-sik (o simpático Kim Dae-myung), com seu grande coração, torna-se amigo e protetor de Geu-rae. Assim, o jovem aprendiz começa a ter esperanças de um futuro melhor, orientado pelo chefe Oh e apoiado pelos colegas estagiários.

Mas enquanto Geu-rae luta para dar os primeiros passos no mundo corporativo, seus colegas, Young-yi, Baek-ki e Suk-yool, apesar de seus currículos acadêmicos impecáveis, sofrem com as cobranças e ameaças constantes de seus respectivos chefes. Na Young-yi (Kang So-ra) é uma jovem brilhante, fluente em inglês e russo, vinda de um estágio anterior em uma empresa concorrente. Só que as coisas não são nada fáceis para Young-yi, sendo a única funcionária mulher da equipe, e sofrendo de assédio moral e ataques machistas constantes de seus superiores. Eles claramente se ressentem em trabalhar com uma mulher inteligente e talentosa. Para quem conhece Kang So-ra como uma sedutora cantora pop, ou mesmo como uma atriz iniciante (Doctor Stranger), certamente se surpreenderá com sua transformação no papel de Young-yi. Em uma entrevista recente, a atriz não pôde conter as lágrimas ao admitir o quão importante este personagem foi para sua carreira. Ela afirmou (um tanto dramaticamente) que não acredita que um projeto tão incrível volte a surgir em sua vida. Com um talento já comprovado, certamente outros dramas e filmes interessantes virão para a bela So-ra, mas posso imaginar como ela deve se sentir, por ter tido a oportunidade de fazer parte deste belo drama.



Kang Ha-neul (Heirs) é Jang Baek-ki, um jovem que entra na One International amparado em sua carreira acadêmica brilhante, certo de que irá impressionar, com pouco esforço, seus superiores. Só que a realidade é bem outra, e Baek-ki-shi irá aprender que não basta ser um garoto estudioso para ter sucesso na empresa. Criatividade, experiência e ousadia são qualidades que faltam ao inteligente, mas ingênuo Jang Baek-ki. Ele se ressente ao perceber que seus colegas Geu-rae, Young-yi e Suk-yool são infinitamente superiores nestes quesitos. Especialmente Geu-rae, que surpreende a todos com sua perspicácia nos negócios e acaba se destacando mais que os colegas mais estudados.

Han Suk-yool (Byun Yo-han) se diferencia dos demais por sua experiência de campo. Seu trabalho no “chão de fábrica”, como se diz, é sua melhor qualidade. Fora isso, sua imaturidade, caráter extrovertido e pavio-curto mais atrapalham do que ajudam em sua carreira. Por outro lado, seu espírito livre e carinhoso o torna o amálgama que une o pequeno grupo de estagiários, transformando-os em amigos para toda a vida. É interessante que, com tantos atores bons no elenco, Byun Yo-han se destaque tanto com sua atuação verdadeiramente explosiva (ele vem de uma carreira no cinema, que inclui filmes como No Tears for the Dead, e Cold Eyes). Um ator cuja carreira deve ser acompanhada de perto...

Bem, apesar de Byun Yo-han quase ter roubado a cena, não dá para negar que a dupla formada pelo veterano Lee Sung-Min e pelo (quase) novato Im Siwan (Triangle) é a cereja do bolo deste drama. Toda vez que assisto um drama com Lee Sung-Min agradeço aos céus por ele continuar a dividir sua extensa e bem sucedida carreira de ator de cinema, com o trabalho na TV. É impressionante, mas este ator consegue fazer qualquer papel a que se propõe: de gangster (Miss Korea) a médico (Golden Time, Brain), de rei (King 2 Heart) a guerreiro de eras passadas (Kundo)... E mais uma vez ele nos emociona absurdamente com a delicadeza com que compõe este personagem, o chefe Oh Sang-Sik, que não deve ser mais um personagem, mas uma pessoa de carne e osso, que anda livre pelo mundo (ao menos é no que eu gostaria de acreditar).

No mesmo tom emotivo da colega Kang So-ra, Siwan (cantor pop e agora um jovem e promissor ator) confessou em uma entrevista que não queria apenas este papel, mas (ressaltou) precisava da oportunidade de interpretar este personagem. Não é todo o dia que se veem artistas falando de forma tão apaixonada sobre um projeto, seja na música, cinema, ou TV. Mas, assistindo Misaeng é fácil entender o quanto este drama deve ter afetado a vida dos atores e de todos envolvidos em sua produção. E não é de espantar que a tvN, mais uma vez, esteja envolvida em um projeto inovador, e de qualidade acima da média. Grandes redes como SBS e MBC têm muito a aprender com os criativos produtores da tvN.

Simplesmente não há desculpa para deixar de ver Misaeng... Porque é impossível não sentir um amor fraternal e profundamente humano por seus personagens, especialmente por Jang Geu-era, e seus olhos brilhantes de fé e esperança, na possibilidade de uma vida completa, transbordante de felicidade...

4 comentários:

  1. Tô ouvindo só coisa boa desse Drama. Desse jeito sou obrigada a assistir kkkk. E quais são as suas apostas pra 2015? Tá cheio de drama novo com carinhas famosas... Você vai acompanhar Heart to Heart? Eu tô adorando. Hyde Jekyll,me tá sofrivel de ver, o que me consola é rever Hyun Bin :(, inclusive queria saber sua opinião sobre HJM.

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    Respostas
    1. Oi Luppi, dê uma chance a Misaeng, não vai se arrepender!
      Sobre os novos dramas, embora esteja ansiosa para ver muitos deles, vou ter de esperar até março, quando volto de viagem. Mas já estou assistindo Healer, e apesar do início meio confuso, estou achando super divertido! Já li as críticas não muito positivas sobre HJM, mas vou ter de dar uma espiadinha, pois estou com saudades do Hyun Bin... Já que vc indicou, vou checar tbém Heart to Heart. Quero ver Spy, Kill Me Heal Me, o épico com Cha Seung-won (se aguentar os 50 episódios previstos), e Falling for Soon Jung (pq amo de paixão Jung Kyoung-ho) e, ai, ai, ainda tem os dramas sempre imperdíveis da tvN. Enfim, tem muita coisa boa vindo por aí, né?

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    2. Heart to Heart eu tô gostando muito, tu sabe né? tvN é tvN. Aliás sou fã de carteirinha dessa emissora. Healer e Spy também tá na minha listinha. Kill me Heall me até onde assisti (episódio 5) tá legal, apesar do Ji sung ser as vezes exagerado na atuação das personalidades deles. É bem divertido, pega mais pela comédia mesmo.

      Já HJM, infelizmente é meio sem pé nem cabeça. Fora que tem umas cenas que vão além da minha boa vontade... As vezes em dramas tem aquelas ceninhas de ação meio toscas mas que a gente aceita, enfim a protagonista sair por aí montando tirolesa e descendo de prédios é demais. Ontem eu vi o episódio 5 e já deu uma melhorada. Vou torcer muito porque tava com saudades do Hyun Bin e ele merece retornar num drama de sucesso.

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    3. É, a tvN vem com muitos títulos interessantes, tem "Superdaddy Yeol" com Lee Dong-gun, e "Ho-gu´s Love" com o fofo Choi Woo-shik.

      Tenho acompanhado os comentários sobre HJM, tomara que o drama finalmente deslanche - é um desperdício dar uma bomba para o maravilhoso Hyun Bin... Não foi fácil esperar 3 anos pela volta dele aos dramas, né? Nem gosto de lembrar da fria em que se meteu Lee Dong-gun, com Marry Him...

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