21 de abr de 2013

The Devil (drama, 2007)



País de origem: Coréia do Sul
Gênero: drama, suspense
Duração: 20 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Park Chan-hong

Roteiro: Kim Jee-woo

Elenco: Eom Tae-woong, Joo Jin-hoon, Sin Min-ah.

Resumo

Adolescente rebelde, de família rica, Kang Oh-su protagoniza um evento trágico ao matar acidentalmente um colega de escola. Os anos se passam, e Kang Oh-su é agora um detetive de polícia honesto e dedicado ao trabalho de perseguir os malfeitores. Até que uma série de assassinatos ligados a pessoas próximas a Oh-su revelam-se mais do que mera coincidência... Com a ajuda da jovem Seo Hae-in e de seus poderes mediúnicos, ele tentará prender o manipulador por detrás destes crimes.

Comentário

The Devil pode ser considerado um drama surpreendente, ao menos para quem conhece bem os dramas coreanos. Tanto por abordar temas místicos e sobrenaturais, como pelo ritmo lento e melancólico, The Devil tornou-se um drama ‘cult’ entre os fãs do gênero. Misturando tarologia e fé cristã, The Devil aborda a luta entre o bem e o mal, e as consequências do ódio e vingança na mente humana.

Como costuma acontecer em qualquer cultura, religiões diferentes das praticadas localmente atraem as pessoas por seu mistério e exotismo. É o caso, por exemplo, do fascínio que a religião católica parece exercer sobre os japoneses – vide a quantidade de anjos e demônios que habitam mangás, animes e dramas nipônicos. E o fato da fé cristã estar muito mais presente na cultura sul coreana talvez explique o menor interesse no tema. Especulações a parte, o fato é que The Devil tem um clima que lembra muito certos dramas japoneses do gênero. Até mesmo o ator Joo Ji-hoon, com sua figura longilínea e seu rosto delicado, parece ter saído direto de um mangá... Mas o personagem que interpreta tem um ar angelical que esconde uma alma torturada e vingativa...

Joo Jin-hoon é Oh Seung-ha, que aparenta ser um advogado de bom coração, ao procurar sempre defender os pobres e marginalizados. Mas apesar de sua imagem gentil e generosa, o jovem vive apenas com o objetivo de vingar-se do homem que destruiu sua família.


E este homem é Kang Oh-su (Eom Tae-woong). Quando jovem, Oh-su comportava-se como um delinquente na escola, um modo de chamar a atenção do pai, um político e empresário ambicioso, que não dava atenção e carinho aos filhos. O resultado trágico foi Oh-su causar a morte, mesmo que acidental, do colega Tae Hoon, ao esfaqueá-lo em uma briga.


A mãe e o irmão caçula de Tae-hoon, Tae-seung, não se conformam com o fato de Oh-su ser inocentado pela justiça, sob alegação de autodefesa. E ao morrer em um acidente de carro, pouco tempo depois, ela deixa Tae Seung sozinho no mundo.

Traumatizado com os eventos da adolescência, Oh-su evita o contato pessoal com o pai o máximo que pode, embora se dê bem com o irmão mais velho, que trabalha na administração dos negócios da família. Oh-su é um detetive de polícia que tem paixão pelo trabalho, e é respeitado pelo chefe e colegas, apesar de seu temperamento explosivo.

Ao receber uma carta de tarô misteriosamente ligada a o assassinato de um advogado de sua família, Kang Oh-su busca a ajuda de uma especialista no assunto, a jovem Seo Hae-in (Sin Min-ah).



Seo Hae-in trabalha como bibliotecária, é uma garota meiga e honesta, que mora com a mãe que é surda. Sua melhor amiga é dona de um café onde os clientes podem ter sua sorte lida nas cartas de tarô. Com seus dotes artísticos, Hae-in pinta as delicadas figuras místicas das cartas de tarô que são vendidas no local.

Quando Oh-su começa a receber as cartas de tarô, pintadas a mão pela garota, fica sabendo pelo chefe de polícia que ela possui um dom especial. Ao tocar em certos objetos, Hae-in tem visões sobre as pessoas relacionadas aos mesmos. É por isso que o detetive Oh-su resolve pedir a ajuda de Hae-in para tentar desvendar os crimes que estão atingindo as pessoas mais próximas a ele.


Ao mesmo tempo em que começa a onda de assassinatos, aparece em cena o advogado Oh Seung-ha.  O jovem advogado, assim como o detetive Oh-su, se encanta com a bela Hae-in e, embora ninguém tenha coragem de expressar seus sentimentos, um triângulo amoroso se estabelece, naturalmente.


The Devil, como já mencionei, tem um ritmo lento, que pode frustrar aqueles que esperem um drama mais ágil. Mas quem gostar de uma trama de suspense com um forte apelo poético e dramático irá satisfazer-se muito com o resultado. Em minha opinião os dois pontos fortes do drama são o elenco e os diálogos. Tanto Eom Tae-woong (Cyrano Agency, Doctor Champ, Architecture 101) como Joo Jin-hoon (Princess Hours, Antique, The Naked Kitchen, Five Fingers) se apoiam muito no charme pessoal, para compensar suas deficiências como atores, mas neste drama em especial, os dois investem muito em seus papéis, buscando sempre uma atuação discreta e ao mesmo tempo empática. E Sin Min-ah está encantadora como sempre (A Bittersweet Life, The Beast and the BeautyArang and the Magistrate). Aliás, vale conferir Sin Min-ah e Joo Jin-hoon juntos mais uma vez e ‘soltando faíscas’ no filme The Naked Kitchen.


Quanto à construção da trama e os diálogos, é agradável ver como a roteirista (do drama Revenge (2005) ao futuro Shark (2013), Kim Jee-woo vem repetindo parceria com o diretor Park em todos os seus projetos) procurou humanizar os personagens, ou seja, mostrar que a dualidade bem/mal está dentro de todos nós. E cabe a nós escolher que lado vai predominar e vencer. É a eterna luta entre o céu e o inferno, o bem e o mal, a luz e as trevas. As portas do inferno belamente criadas pelo gênio da escultura, Rodin, são um símbolo poderoso do eterno drama humano que é enfrentar as consequências de seu lado mais obscuro. Acho que a moral da estória é que nem sempre a penitência e a reparação são suficientes para pagar nossos pecados.

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