6 de mai de 2016

The Assassination (filme, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: Épico, Drama, Ação
Duração: 140 min.

Direção: Choi Dong-hoon
Roteiro: Choi Dong-hoon, Lee Gi-cheol

Elenco: Jeon Ji-hyeon, Ha Jeong-woo, Lee Jeong-jae, Jo Jin-woong, Oh Dal-soo, Lee Kyeong-yeong, Kim Hae-Sook.

Resumo

Estamos em plena ocupação japonesa da Coréia, no início do século XX. Um grupo da resistência coreana, exilado em Shanghai, planeja o atentado a um oficial do alto comando japonês, na capital Seul.

Comentário

À primeira vista, o enredo de The Assassination me pareceu um tanto batido, mas diretor e elenco acabaram impondo a necessidade de checar esta produção. E para minha agradável surpresa, o roteiro é tão ágil quanto original. Choi Dong-hoon já havia provado seu talento como cineasta, dirigindo e roteirizando o fantástico The Thieves, um sucesso de bilheteria, bem como este último projeto, The Assassination.

 O tema principal de The Assassination é uma missão suicida que visa atingir o comando japonês na Coréia ocupada do início do século XX. Mas então nos deparamos com personagens complexos, cheios de segredos, motivações ocultas, ou que simplesmente são envolvidos contra a vontade na luta pela liberdade de um país brutalmente ocupado. Sim, porque a ocupação japonesa deixou marcas até hoje não cicatrizadas na população coreana, memórias amargas de tempos de sofrimento sem fim na mão dos tiranos estrangeiros.

Nos anos trinta, membros da resistência coreana se escondiam na China. O ano é 1933, em Shanghai, quando o comando que formava o chamado governo coreano interino convoca um de seus agentes, Yeom Seok-jin (Lee Jeong-jae) para tirar da cadeia a franco-atiradora Ahn Ok-Yoon (Jeon Ji-hyeon). Junto com ela são resgatados dois de seus comparsas, Chu ‘Big Gun’ Sang-ok (Jo Jin-woong), um cínico traficante de armas, e Hwang Deok-Sam (Choi Deok-moon), um especialista em explosivos.

O trio de mercenários resiste à convocação patriótica de Yeom Seok-jin, mas entre apodrecer na cadeia e encarar uma missão suicida, eles ficam com a segunda alternativa. Sua missão é ir a Seul e matar o comandante japonês local (Shim Cheol-jong), e o empresário coreano Kang In-gook (Lee Kyeong-yeong), que vem lucrando há anos com a ocupação nipônica, traindo covardemente a pátria.

Mas as coisas esquentam ainda mais quando os chefes da resistência descobrem que um duplo espião vazou informações sobre o plano. Só que é tarde demais, pois o trio já partiu para Seul. A solução drástica é contratar terceiros para sabotar a missão, ou seja, matar Ahn Ok-Yoon e seus amigos. O serviço sujo fica a cargo do misterioso assassino de aluguel conhecido apenas como Hawaii Pistol (Ha Jung-woo), e seu parceiro, Old Man (Oh Dal-soo).

O cineasta Choi Dong-hoon deve ter muito boa fama com os atores coreanos, pois, repetindo a façanha do filme The Thieves, reuniu um elenco sensacional para The Assassination. Acho que Jeon Ji-hyeon encontrou um diretor que sabe como ninguém explorar seu talento como atriz. Em The Thieves, Jeon Ji-hyeon impressionou a todos, ao encarnar uma assaltante sensual e ousada... E em The Assassination ela consegue se superar, na pele de uma fora da lei, mas desta vez, com muito mais sensibilidade e complexidade, já que ela encara um desafio duplo (sem entrar em detalhes, para evitar spoilers!). E ela volta a encontrar o ator Ha Jeong-woo, seu marido no filme The Berlin File (2013), e, embora desta vez não haja tempo para romance, não dá para negar que eles formam um belo casal!

Ha Jeong-woo(The Client) está impecável (como sempre) no papel do sexy matador de aluguel Hawaii Pistol, mas há dois outros atores que roubam a cena: Lee Jeong-jae e Jo Jin-woong. Acho surpreendente que Lee Jeong-jae (The Face Reader), com todo o seu charme e carisma não se importe em interpretar personagens tão desprezíveis, mas, por outro lado, ele tem uma capacidade única de envolver e depois partir meu coração com toda a sua vilania. Jo Jin-woong (Signal), por outro lado, se apresenta como um frio mercenário, mas em poucas cenas nos faz torcer por ele, como se fosse o maior herói da estória.

Depois de um período de certo marasmo, o cinema coreano vem se renovando, e, felizmente, os filmes de ação vêm retomando seu espaço de direito nas bilheterias nacionais. Os filmes de ação (policial, thriller) coreanos se destacam pela qualidade e originalidade dos roteiros, e por isso mesmo é um prazer ver cineastas de talento como Choi Dong-hoon, ou Ryoo Seung-Wan (só para citar dois exemplos), produzindo grandes filmes, e tendo o reconhecimento merecido, tanto do público com da crítica.

Sempre é bom (embora seja tão raro) ver uma atriz ganhando um papel de destaque num filme de ação, e melhor ainda, com um personagem tão bonito, e com uma trama tão dramática e envolvente. Um filme imperdível, especialmente para o público feminino.

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