21 de abr de 2016

A Hard Day (filme, 2013)


País: Coréia do Sul
Gênero: Policial, Ação
Duração: 111 min.

Direção e Roteiro: Kim Seong-hoon

Elenco: Lee Seon-gyoon, Jo Jin-woong, Sin Jeong-geun, Jeong Man-sik, Kim Dong-yeong, Shin Dong-mi.

Resumo

Em uma noite chuvosa o detetive de polícia Go Geon-soo atropela e mata um homem, mas, ao invés de comunicar a ocorrência, ele tenta esconder as provas do acidente. A partir deste evento trágico, Geon-soo irá experimentar o pior dia de sua vida...

Comentário

Se você acha pouco original usar o argumento da estória que se passa em apenas 24 horas, ainda assim pode se surpreender com A Hard Day. Com um ritmo frenético, e transbordante de humor ácido, A Hard Day traz o selo de qualidade do cinema coreano de ação.

A essência do filme é o duelo mortal entre Lee Seon-gyoon e Jo Jin-woong, dois atores igualmente talentosos e carismáticos. Lee Seon-gyoon talvez seja mais conhecido do público, por circular com versatilidade entre TV (Miss Korea, Goden Time, Coffe Prince) e cinema (Officer of the Year, Paju, Helpless). No entanto, o prestígio de Jo Jin-woong vem crescendo nos últimos tempos, especialmente com projetos de peso como o drama Signal (tvN, 2016), ou o filme Assassination (2015). De general heroico no drama épico Tree With Deep Roots (2011), a mercenário aventureiro no filme Assassination, Jo Jin-woong já provou sua habilidade para interpretar os mais diversos papéis. Sem contar que sua simpatia e talento para o humor evitam que fique marcado em papeis fortes como o do vilão de A Hard Day. O medo que seu personagem nos provoca em A Hard Day é facilmente substituído por simpatia e afeto no drama Signal, onde ele interpreta o inesquecível detetive de polícia Lee Jae-han.

Lee Seon-gyoon é Go Geon-soo, um detetive de polícia que, junto com seus colegas, não se constrange em cobrar propinas do comércio da região onde atua. Ao ser avisado pelo chefe (Sin Jeong-geun) de que a corregedoria de polícia está a caminho da delegacia para investigar seus atos ilícitos, ele sai correndo do funeral da própria mãe, para tentar apagar as provas de sua corrupção. É noite, chove, e Geon-soo dirige em alta velocidade, até que atropela um homem que surge do nada na estrada. Em pânico, ele joga o corpo do estranho no porta-malas do carro e vai embora. Agora Geon-soo tem dois grandes problemas a resolver: enfrentar um processo por corrupção, e o mais grave, evitar que descubram que atropelou e matou uma pessoa. A esta altura o leitor deve estar se perguntando como é possível simpatizar com um alguém de personalidade tão distorcida como o detetive Geon-soo. Bem, em primeiro lugar, é Lee Seon-gyoon na pele de Geon-soo. Não consigo pensar em outro ator que pudesse encarar este papel com tanta malícia, sem despertar antipatia, mesmo que seus atos sejam condenáveis e imorais. Além disso, Geon-soo não é um personagem unidimensional – o diretor (e roteirista) faz uma pausa para que conheçamos as motivações de Geon-soo, um pai solteiro, com uma filha pequena para criar, e que vive modestamente com a irmã (Shin Dong-mi) e o cunhado.

Na manhã seguinte ao ocorrido, Geon-soo é encarregado de encontrar um assassino de aluguel, mas, absurda coincidência, trata-se exatamente do homem que ele atropelou e matou. Para piorar as coisas, ele começa a receber ligações anônimas de alguém dizendo ter testemunhado o acidente. A partir daí a vida de Geon-soo vira de cabeça para baixo, e suas mentiras se transformam em uma grande e destrutiva bola de neve. Não sobra tempo para ele (e que dirá o espectador) respirar enquanto o misterioso Park Chang-min (Jo Jin-woong) o envolve num doentio jogo de gato e rato.

O diretor Kim Seong-hoon (Tunnel, 2016) consegue criar uma trama muito original e extremamente divertida. O aspecto mais interessante da estória, em minha opinião, é a motivação do personagem principal, o detetive Geon-soo. O que move o policial não é a vingança, ou a ganância, mas o mais puro desejo de sobreviver. O título do filme deveria ser “O Sobrevivente”, tal é a paixão e o desespero que esta situação extrema desperta no personagem.  No entanto, o diretor Kim não quis se render a um desfecho moralista – para minha surpresa, já que os filmes coreanos são famosos por não perdoar nem mesmo seus protagonistas. O fato é que Geon-soo não recebe a punição merecida, e nós não recebemos uma lição de moral finamente embalada, embora eu duvide que alguém se arriscasse a passar por tudo que ele passou, para viver este desfecho surpreendente... A Hard Day é diversão garantida, e o melhor de tudo, na companhia deliciosa de Lee Seon-gyoon!

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