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maio 23, 2017

A Life (drama, 2017)




País: Japão
Gênero: drama médico
Duração: 10 episódios
Produção: TBS

Direção: Hirakawa Yuchiro, Kato Arata, Kimura Hisashi
Roteiro: Hashibe Atsuko

Elenco: Kimura Takuya, Takeuchi Yuko, Asano Tadanobu, Matsuyama Kenichi, Kimura Fumino, Nanao, Oikawa Mitsuhiro, Asano Tadanobu, Takenoya Saki, Tanaka Min.

Resumo

O Dr. Okita Kazuaki, radicado há dez anos em Seattle, volta ao Japão para encontrar tudo muito mudado no hospital em que se formou. Seu primeiro amor, a Dra. Mifuyu, casou-se com o renomado neurocirurgião Danjo Masao, um homem ambicioso, que planeja tomar o lugar do sogro na administração do hospital. Okita planeja uma breve visita, mas o destino lhe reserva surpresas inesperadas...

Comentário

A Life é uma boa oportunidade para apreciar o reencontro de Kimura Takuya e Takeuchi Yuko, treze anos depois do drama Pride. Só que o tempo passou, e a nova reunião tem um tom muito mais maduro e melancólico. Takeuchi Yuko, bonita como sempre, é a simpatia em pessoa, com seu sorriso luminoso e acolhedor. Kimutaku, mais velho, é verdade, mas com seu eterno charme matador, encarna um dos personagens mais discretos de sua carreira. Embora seja um pouco estranho ver uma atuação mais comedida do ator, tanto no gestual quanto em palavras, é sempre um prazer ver Kimutaku encarnar com naturalidade qualquer papel.


Não posso evitar um pequeno spoiler ao advertir o espectador de que o drama investe muito pouco no romantismo, para dar mais ênfase ao drama médico, e às intrigas do mundo empresarial hospitalar. Sendo assim, para quem curte um bom drama médico, A Life é uma boa pedida.



Kimura Takuya (Priceless, Hero) é o Dr. Okita Kazuaki, um cirurgião brilhante, exilado nos Estados Unidos. O Dr. Okita começou sua carreira em Tóquio, em um grande hospital dirigido pelo empresário Danjo Toranosuke (Emoto Akira). Na época, ele namorava a colega Dra. Danjo Mifuyu (Takeuchi Yuko, de Strawberry Night), filha do diretor. Seu melhor amigo era o Dr. Masao (Asano Tadanobu, The Long Goodbye), que mais tarde tornou-se um prestigiado neurocirurgião.


O Dr. Okita está muito bem estabelecido em Seattle, até o dia em que recebe um chamado urgente de Tóquio. O diretor Danjo encontra-se gravemente doente, e quer que Okita volte ao Japão para operá-lo, pedido que ele aceita prontamente. Ao chegar a Tóquio, ele encontra tudo muito diferente, com seu antigo amigo Masao casado com Mifuyu, e tendo assumido a vice-direção do hospital. Masao não somente assumiu o sobrenome da esposa, Danjo, como ambiciona assumir a direção geral do hospital. Mifuyu, por outro lado, tenta equilibrar sem muito sucesso a carreira de cirurgiã pediátrica com a de mãe e esposa. Enquanto o Sr. Danjo e a filha Mifuyu lutam para manter o departamento de pediatria, o Dr. Danjo Masao trama pelas costas dos familiares o plano de extinção do mesmo. A visão do médico não é nada idealista, ele vê a medicina como um negócio como outro qualquer, cujo objetivo primordial é o lucro financeiro.



É claro que o Dr. Okita tem uma visão oposta ao do (ex) amigo, o que irá gerar muitos conflitos, sem contar o ciúme doentio de Masao sobre o antigo amor da esposa. Mesmo tendo um caso com Sakakibara Minori (Nanao, de Siren), consultora legal do hospital, Masao não admite que Mifuyu nutra algum sentimento pelo Dr. Okita. Mas o Dr. Okita não mexe apenas com os sentimentos do casal Danjo, todo o departamento de cirurgia do hospital é afetado pelo caráter forte e determinado do médico. Os mais influenciados pelo senso ético e talento extraordinário do Dr. Okita são o Dr. Igawa Sota (Matsuyama Kenich, de Futagashira) e a enfermeira Shibata Yuki (Kimura Fumino, de Siren). 


O Dr. Igawa é um cirurgião talentoso, mas pouco motivado, que não consegue se decidir entre a carreira médica, e a alternativa de assumir a direção do hospital da família. Mas o Dr. Okita acaba incentivando o jovem médico a fazer a escolha certa. Shibata Yuki também é afetada pela presença marcante do Dr. Okita, que apoia e elogia seu talento como enfermeira instrumentista.



A volta de Okita Kazuaki ao Japão, depois de tantos anos, também serve para que o médico reencontre seu pai, Okita Isshin (Tanaka Min), dono de um sushi bar, e que nunca demonstrou o orgulho devido pela carreira de sucesso do filho. A morte prematura da mãe de Okita foi o evento trágico e determinante para que ele decidisse ser médico. O reencontro e confronto dos traumas antigos entre pai e filho é um dos melhores momentos do drama.



A Life é um belo drama médico, naquele tom mais sóbrio, característico da cultura japonesa, mas que envolve reflexões muito pertinentes e, por que não, otimistas, sobre esta profissão tão importante quanto heroica que é a medicina.


abril 06, 2017

Romantic Doctor, Teacher Kim (drama, 2016)




País: Coréia do Sul
Gênero: drama médico
Duração: 21 episódios
Produção: SBS TV

Direção: Yoo In-sik
Roteiro: Kang Eun-kyeong

Elenco: Han Seok-Kyeo, Seo Hyun-jin, Yoo Yeon-seok, Jin Kyeong, Lim Won-hee, Kim Hong-fa, Choi Jin-ho, Yang Se-jong, Byeon Woo-min, Kim Min-jae, Joo Hyeon, Jang Hyeok-jin, Seo Eun-soo, Kim Hye-soo.

Resumo

Um cirurgião genial conhecido apenas como Prof. Kim, lidera uma equipe jovem de médicos, em um pequeno hospital do interior.

Comentário

Existem, genericamente, dois tipos de dramas médicos: os que versam sobre o exercício da medicina, e os que usam o tema como pano de fundo para melodramas românticos. Depois de alguns equívocos (Doctors, Doctor Stranger) o canal SBS finalmente conseguiu acertar o alvo, com Romantic Doctor, Teacher Kim, uma produção dramaticamente impecável. Outros canais têm veiculado dramas médicos muito mais interessantes (para quem aprecia enfoques mais realistas), especialmente a KBS2, com títulos importantes como Good Doctor, Brain, ou Beautiful Mind. Vale ressaltar dois dramas médicos excelentes da MBC: White Tower e Golden Time.

As glórias do sucesso de Romantic Doctor, Teacher Kim devem ser repartidas entre o diretor Yoo In-sik e a roteirista Kang Eun-kyeong. O PD Yoo In-sik, diretor veterano e celebrado, tem em seu currículo dramas como Bad Family, Giant, Mrs. Cop 1 e 2, e o drama médico Surgeon Bong Dal-hee (2007). Kang Eun-kyeong é autora respeitadíssima de muitos dramas de sucesso, entre eles, Hotelier, Dalja´s Spring, Bread Love and Dreams, e What Happens to My Family. Quem viu ao menos alguns de seus dramas, conhece sua versatilidade como escritora, e sua habilidade em desenvolver tramas com muitos personagens.

E porque Romantic Doctor, Teacher Kim calou tanto ao coração da audiência? O drama engloba várias subtramas, não deslocadas, mas devidamente interligadas, mas o grande tema central é a importância do humanismo e da dedicação dos profissionais da saúde, independente de suas funções. O acesso justo e eficiente à saúde não começa com o médico de cabeceira, mas com o CEO (no caso, uma lucrativa rede de hospitais), o diretor geral e os chefes de departamento de um centro hospitalar. Não adianta um médico desejar dar o melhor tratamento ao paciente, se as mínimas condições materiais lhe são negadas. Imagine um cirurgião brilhante, capaz de salvar centenas de vidas ao longo de sua carreira... Agora imagine que, por ganância financeira, ele seja designado apenas a atender os pacientes ricos e poderosos que chegam ao hospital? O Dr. Boo Yong -joo não concordou com esta imposição de seus superiores, e pagou um preço alto por sua insubordinação. O Dr. Prof. Kim (que abandona o nome de batismo Boo Young-joo) é um romântico, um rebelde com causa, que luta para não afogar-se nadando contra a corrente capitalista da sociedade em que vive.

Anos depois de ser expulso do Hospital Geosan, na capital, O Dr. Kim (Han Seok-Kyeo, Tree With Deep Roots, The Berlin File, Eye for an Eye, Christmas in August) encontra abrigo no Hospital Doldam, um centro clínico modesto, dirigido pelo simpático Yeo Woon-young (Kim Hong-fa, Pied Piper). Por coincidência, ou não, O Dr. Kim foi parar em um hospital que faz parte da rede médica do Hospital Geosan. Confinado no interior, o Hospital Doldam atende essencialmente pacientes da comunidade agrícola, e as vítimas de acidentes das rodovias que cruzam a região. E por causa do grande fluxo rodoviário, o pequeno hospital torna-se uma referência nos tratamentos de emergência. O Dr. Kim mal dá conta de atender tantos pacientes, mas aos poucos, alguns jovens médicos brilhantes passam a fazer parte da equipe do hospital. A novíssima equipe de cirurgiões do Hospital Doldam é composta por médicos ostracizados do Hospital Geodan, pelos mais diferentes motivos, mas estranhamente ligados ao passado conturbado do Dr. Kim.

A primeira a chegar ao hospital é a Dra. Yoon Seo-jeong (Han Seok-Kyeo, de Oh Hae-young Again), que é acolhida e tratada pelo Dr. Kim após sofrer um acidente que quase acaba com sua carreira de cirurgiã. O Dr. Kim torna-se mentor, ídolo e quase pai para a antes desesperançada Seo-jeong. Só que a chegada de um antigo (e mal resolvido) amor vai perturbar sua tentativa de levar uma vida calma e reclusa no interior. O Dr. Kang Dong-joo (Yoo Yeon-seok, de Mood of the Day) chega como um furacão ao Hospital Doldam, perturbando a Dra. Seo-jeong com lembranças indesejadas, e o Dr. Kim, com sua rebeldia e mau humor. Acontece que o jovem médico tem certa razão em sentir-se injustiçado, por ter sua carreira brilhante na capital interrompida pelo diretor do Hospital Geosan, o déspota Do Yoon-wan (Choi Jin-ho, de Mrs. Cop 2), que o descarta para dar lugar ao filho, o Dr. Do In-bum (Yang Se-jong).

Felizmente, aos poucos, apesar dos conflitos iniciais, o Dr. Dong-joo vai se adaptando ao ambiente caloroso do hospital Doldam, com sua equipe pequena, mas fiel, composta pelo simpático gerente Jang Ji-tae (Lim Won-hee, Strong Woman Do Bong-soon), a energética Enfermeira Chefe Oh Myeong-sim (Jin Kyeong, It´s Ok, This is Love), o doce enfermeiro Park Eun-tak (Kim Min-jae, Goblin), e o médico anestesista Dr. Nam Do-il (Byeon Woo-min).

Pena que o clima volta a ficar tenso quando o CEO Shin (Joo Hyeon), acionista majoritário do Hospital Geosan decide buscar ajuda do Dr. Kim para ser operado. Inconformado com o reaparecimento de seu inimigo, o diretor Do Yoon-wan despacha uma equipe “espiã” ao Hospital Doldam para tentar barrar a internação do CEO Shin. O Dr. Song Hyeon-cheol (Jang Hyeok-jin) e o Dr. Do In-bum são encarregados de tentar sabotar os planos do Dr. Kim de trazer melhorias para o modesto, mas necessitado hospital.

É este tipo de atitude mesquinha dos poderosos, muito familiar à nossa realidade, que gera uma revolta e uma desilusão imensas. Pior ainda é a atitude de certos médicos, que se esquecem do juramento básico de salvar os pacientes acima de tudo, para colocar um preço na vida humana. O Dr. Kim, ou Mestre Kim, como ele mesmo gosta de ser chamado, é um herói fora de moda, deslocado da realidade do século XXI, e por isso mesmo tão é encantador e atraente para o espectador. Se existissem mais seres altruístas como o Dr. Kim o mundo não seria um lugar muito melhor de se viver? É por isso que (SPOILER) achei genial a ideia da roteirista de introduzir, no último episódio (ou episódio especial), a Dra. Lee Young-jo (a fantástica Kim Hye-soo), uma médica membro da organização internacional Médicos Sem Fronteiras, tão ou mais abdicada à profissão que seu colega, o Dr. Kim. E sua missão no Hospital Doldam é uma forma exemplar de conduzir estes maravilhosos personagens a um caminho de esperança e de realização pessoal.

março 03, 2017

The White Tower (drama, 2007)




País: Coréia do Sul
Gênero: drama médico
Duração: 20 episódios
Produção: MBC TV

Direção: Ahn Pan-seok
Roteiro: Lee Ki-won

Elenco: Kim Myeong-min, Lee Seon- gyoon, Song Seon-mi, Park Hyeok-kwon, Han Sang-jin, Cha In-pyo, Ki Tae-young, Kim Min-joo.

Resumo

Este drama conta a estória do Dr. Jang, um cirurgião brilhante que torna- se obcecado pelo poder e a fama, e seu colega, o Dr. Choi, um pesquisador idealista, que sonha em descobrir a cura do câncer.

Comentário

The White Tower (também conhecido como Behind the White Tower) está naquela lista de dramas coreanos mais cultuados do que vistos, mas sua boa fama certamente é merecida. Para quem aprecia dramas médicos realistas, como Golden Time, ou Brain, The White Tower é um título essencial. Aliás, este drama mescla com maestria o retrato fiel da rotina de um grande hospital (Golden Time), com a guerra de egos entre os médicos e a política suja que envolve o poder corporativo (Brain, Romantic Doctor).

A direção está a cargo do conceituado PD Ahn Pan-seok (Heard It Through the Grapevine) e o roteirista é Lee Ki-won (Spotlight, 2008; Jejoongwon, 2010).

Kim Myeong-min (Beethoven Virus, Six Flying Dragons) é o Dr. Jang Joon-hyeok, um cirurgião brilhante, mas extremamente ambicioso, cujo grande objetivo é tornar-se diretor do departamento de cirurgia do centro hospitalar que também funciona como hospital escola. Acontece que o atual diretor, Lee Joo-wan (Lee Jeong-kil) não suporta o Dr. Jang, e faz de tudo para sabotar suas chances de assumir o cargo. Primeiro ele traz um candidato de fora, No Min-kook (Cha In-pyo), um jovem cirurgião coreano, que fez carreira nos EUA. Em seguida começa uma forte campanha para tentar difamar o Dr. Jang, e convencer o conselho médico a não votar nele, mas sim em seu candidato. O Dr. Jang, por outro lado, conta com a fidelidade de seus subalternos e demais estudantes de medicina, e com o apoio financeiro e os contatos políticos de seu sogro, o Dr. Min Choong-sik (Jeong Han-yong).


Alheio a esta batalha pelo poder está o Dr. Choi Do-young (Lee Seon- gyoon), colega e amigo do Dr. Jang, deste os tempos de faculdade. O Dr. Choi tem um perfil humanista, e uma bela carreira dedicada à clínica e à pesquisa do câncer gastrointestinal. A maior preocupação do Dr. Choi é conseguir financiamento para os caros e prolongados estudos científicos. Casado e pai de uma menina, Choi conta com o carinho incondicional de sua pequena família, com a qual, infelizmente, tem pouco tempo de convívio, devido à longa jornada laboral. Este é um ponto muito interessante do drama, que aborda com muita propriedade a dedicação absoluta dos médicos, e a rotina estressante do ambiente hospitalar. Apesar do caráter ambicioso e da frieza emocional do Dr. Jang, não dá para negar sua abnegação profissional. Um médico conceituado como o Dr. Jang não frequenta apenas o centro cirúrgico, mas é responsável por orientar seus alunos, produzir pesquisa científica, participar de seminários e congressos, sem esquecer a rotina da clínica diária.

Lee Seon- gyoon (Miss Korea, A Hard Day), assim como seu colega Kim Myeong-min, está sempre em busca de novos desafios como ator, e, mesmo em início de carreira já encarava com tranquilidade usual o papel de médico. A simpatia e naturalidade do ator fazem do Dr. Choi apenas mais um de muitos personagens realistas e ao mesmo tempo carismáticos de sua bela carreira. Impossível não ser fã deste ator tão talentoso e querido.


The White Tower é dividido em três grandes eventos na vida do Dr. Jang: a eleição para a direção do departamento de cirurgia, uma visita aos tribunais por um caso de erro médico, e, finalmente, seu maior e mais dramático desafio, tão inesperado quanto trivial.

Não há palavras que definam inteiramente a atuação brilhante de Kim Myeong-min. Eu costumava achar que Beethoven Virus era seu papel mais interessante, em termos de construção de personagem, e talvez, ao menos fisicamente, o seja, mas em The White Tower ele encontra o equilíbrio perfeito entre o gestual e a palavra. É difícil imaginar um ator que pudesse ter encarnado com tanta perfeição um personagem tão complexo quanto fascinante. Sim, fascinante é um bom adjetivo para descrever o Dr. Jang, e Kim Myeong-min transforma um personagem pouco simpático num homem cuja genialidade é obscurecida pelo desejo obsessivo de ser o melhor, custe o que custar. E um desfecho surpreendente, mas com um toque de nobreza, faz justiça a este personagem inesquecível, o Dr. Jang.
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