abril 15, 2021

Beyond Evil (drama, 2021)

 


País: Coréia do Sul

Gênero: Drama, Policial

Duração: 16 episódios

Produção: jTBC

Direção: Sim Na-yeon

Roteiro: Kim Soo-jin

Elenco: Shin Ha-kyun, Yeo Jin-goo, Choi Jin-ho, Heo Sung-tae, Choi Dae-hoon, Chun Ho-jin, Kim Shin-rok, Choi Sung-eun, Park Ji-hoon, Gil Hae-yeon, Lee Gyu-hoe.

Resumo

A pequena vila de Munju é assombrada por uma série de crimes não resolvidos no passado... Até a chegada do detetive de polícia Han joo-won, para confrontar o sargento Lee Dong-sik sobre o misterioso desaparecimento de sua irmã gêmea, Lee Yu-yeon.

Comentário

Na capital Seul, Han Ki-hwan (Choi Jin-ho, Romantic Doctor), diretor da polícia federal, movimenta-se politicamente para tornar-se o cidadão mais poderoso na hierarquia legal. Seu filho, Han Joo-won (Yeo Jin-goo, Hotel de Luna), é o único possível empecilho para que ele chegue ao posto de comissário geral de polícia. Enquanto Han Ki-hwan construiu por anos uma fachada de honestidade e retidão, seu filho único, apesar de também ter optado pela carreira policial, luta para manter-se verdadeiramente fiel aos princípios da profissão. Para frustração do pai, Han Joo-won renuncia ao posto de oficial de elite e pede transferência para uma pequena vila na província de Gyeonggi.

No modorrento vilarejo de Munju, as atividades mais “excitantes” dos policiais da delegacia local são encontrar idosos perdidos, ou dar flagrante na jogatina de donas de casa. Sendo assim, é com surpresa que a equipe liderada pelo delegado veterano Nam Sang-bae (Cheon Ho-jin, Six Flying Dragons) reage à chegada do forasteiro Han Joo-won. Mas não é para contrariar o pai que Joo-won se muda para Munju. O objetivo do rapaz é resolver um crime intrincado, que envolve tráfico de imigrantes ilegais e homicídio. E o principal alvo de suas suspeitas é o sargento Lee Dong-sik (Shin Ha-kyun), embora a princípio não fique claro o motivo exato para isso. É verdade que Lee Dong-sik tem um passado complicado, tendo sido demovido do cargo de inspetor de polícia em Manyang, após a morte de seu parceiro em circunstâncias estranhas.

O fato é que Han Joo-won estica a corda ao tentar ligar o desaparecimento de uma informante, imigrante ilegal sino-coreana, com outros casos antigos que abalaram Manyang, na Província de Gyeonggi, há mais de 20 anos.

Numa série de flashbacks tomamos conhecimento sobre os eventos terríveis que se abateram sobre a família de Lee Dong-sik. Primeiro, o desaparecimento de sua irmã gêmea, Lee Yu-yeon (Moon Joo-yeon), e, mais tarde, a descoberta do corpo de uma moradora da cidade, brutalmente assassinada. Para desespero dos pais, Lee Dong-sik, então com 20 anos de idade, é detido como principal suspeito, mas, com a ajuda do chefe de polícia Nam Sang-bae, acaba sendo inocentado. No entanto, a dor da perda da irmã, e a suspeita que nunca deixou de pairar sobre sua cabeça (mesmo tendo sido aceito na força policial), transformou Dong-sik numa espécie de rebelde sem causa. E é nesse contexto que acontece o encontro entre Han Joo-won e Lee Dong-sik, dois homens de personalidades aparentemente opostas, mas igualmente obcecados com seus respectivos fantasmas do passado.

Um dos primeiros sinais de que um drama é especial é o cuidado com a trilha incidental, ainda mais tratando-se de um suspense, onde a música dá todo um clima e emoção extra à estória. O compositor Ha Geun-young merece ser creditado pela trilha sonora envolvente e melancólica do thriller Beyond Evil. Pesquisando mais sobre o músico, descobri que ele foi responsável pela OST de At Eighteen, drama dirigido, tal como Beyond Evil, por Sim Na-yeon.

Beyond Evil tem uma estrutura clássica de romance policial, e, comparar o drama ao grande filme Memories of Murder (dir. Bong Joon-hon) é natural, mas deve-se mais ao cenário rural, e ao ponto inicial da trama (os assassinatos em série de mulheres), do que à estória como um todo. Enquanto Memories of Murder dissecava eventos reais que abalaram o país na década de 80, Beyond Evil  é pura ficção, embora seja rigoroso na construção psicossocial dos personagens. O fato é que duas mulheres são responsáveis por Beyond Evil fugir de certos estereótipos do suspense policial, para expor o lado mais obscuro da psique humana. A jovem PD Sim Na-yeon (At Eighteen) e a experiente roteirista Kim Soo-jin (The Light in Your Eyes, Mad Dog, My Only Love Song, WeightliftingFairy Kim Bok-joo) formam uma dupla perfeita ao forjar um drama de sensibilidade à flor da pele, onde a alta carga emocional é o que liga indelevelmente o espectador aos seus protagonistas, Lee Dong-sik e Han joo-won.

Beyond Evil é dividido em dois atos: até o episódio 8, uma parte importante da trama é exposta, dramaticamente, mas as surpresas não se esgotam por aí, e o segundo ato é um jogo de gato e rato, que leva à revelações tão chocantes quanto decisivas para resolver o futuro de todos os envolvidos. Como em todo bom suspense, as suspeitas recaem sobre muitos moradores de Manyang, mas garanto que você irá torcer para que certos personagens carismáticos sejam inocentes, por mais gritante que seja sua culpa. Este é o encanto de uma estória bem contada, meus amigos!

Shin Ha-kyun, 46 anos, uma carreira prolífica no cinema (35 filmes) e na TV (8 dramas), ainda assim continua a nos surpreender com a elegância e frescor com que encarna personagens tão diversos e interessantes. Lee Dong-sik é o Goemul (monstro) do título original do drama? Talvez, mas a verdade é que o “monstro” está dentro de cada um de nós, e cabe a cada ser humano impedir que o mal prevaleça sobre o bem.

Yeo Jin-goo, 23 anos, 13 filmes, 24 dramas – da longa lista de papeis infantis, até o protagonismo em Orange Marmalade, ou no thriller espetacularmente violento Hwayi: A Monster Boy, - vimos o ator crescer diante de nossos olhos. O policial Han Joo-won é seu papel mais desafiador, mas sua parceria com Shin Ha-kyun foi essencial para que pudesse aflorar o melhor de seu talento em Beyond Evil. O amadurecimento da relação dos dois personagens é tão intenso que é impossível não se apaixonar por essa dupla! Como torci por um “final feliz” para estes dois rapazes encantadores.

Ainda assim, há muitos personagens interessantes para dividir a atenção com a dupla de ouro... Choi Jin-ho já é conhecido por seus papeis recorrentes de homem frio e pernóstico, e fico imaginando se o ator não cansa de vestir sempre o mesmo “uniforme” de vilão, mas ao menos ele é competente em nos fazer odiá-lo com fervor.

Heo Sung-tae (Watcher), por outro lado, é um de meus atores favoritos, e, apesar de também repetir-se em papeis de canalha, tem sempre um ar debochado, e um talento incontrolável para a comédia, - quem consegue ser engraçado num instante e no outro arrebentar um desafeto com um taco de golf, sem perder o charme?

Agora, quem recebeu a maior chance de sua vida, de interpretar um personagem complexo, depois de anos fazendo papel de amigo panaca do protagonista é Choi Dae-hoon (Crash Landing on You), que simplesmente arrasa no papel do inspetor geral de polícia Park Jung-je, amigo de infância de Dong-sik. Que ator fantástico!

Outro personagem que cresce muito ao longo da trama é Lee Gyu-hoe, ator de teatro, estreante na TV, no papel de Kang Jin-mook, um senhor com deficiência intelectual, antigo amigo da família de Dong-sik, pai solteiro da adolescente Min-jung.

Para não dizer que Beyond Evil é um “clube do Bolinha” (lembre-se de que direção e roteiro estão em mãos femininas) temos duas atrizes (quase) novatas em papeis importantes: Kim Shin-rok (Hellbound), como a detetive chefe Oh Ji-hwa, amiga de infância de Dong-sik, e Choi Sung-eun (Start Up, filme, 2019), como a jovem açougueira Yoo Jae-yi. Fiquem de olho nessas duas atrizes, que ainda vão dar muito que falar!

Beyond Evil, mais que um thriller, é um drama psicológico, com diálogos quase incessantes, o que pode desagradar aos fãs do suspense tradicional. Mas, para quem queira mergulhar numa estória com menos vingança e mais desejo de reparação, Beyond Evil é um drama que pode superar suas maiores expectativas.

julho 16, 2020

Hyena (drama, 2020)




País: Coréia do Sul
Gênero: Drama Legal, Romance
Duração: 16 episódios
Produção: SBS TV

Direção: Jang Tae-yoo
Roteiro: Kim Roo-ri

Elenco: Kim Hye-soo, JooJi-hun, Lee Kyoung-young, Kim Ho-jung, Jun Suk-ho, Hyun Bong-sik, Park Se-jin, Oh Gyeong-hwa, Hong Ki-joon, Kim Jae-cheol, Lee Hwang-eui, Kim Young-jae, Hwang Bo-ra, Bae Ki-bum.

Resumo

Do romance à disputa pelo poder, um casal de advogados irá descobrir o que pesa mais na balança da justiça...

Comentário

Um drama legal é apenas mais um drama legal, mas é só colocar uma pitada de romance na estória, e a diversão está garantida. Tramas envolvendo advogados, promotores e a lei tem sido uma constante nas séries coreanas, mas o romance é um ingrediente que tem sido inserido com muita timidez pelos roteiristas... Diary of a Prosecutor (jtbc, 2029), Judge vs. Judge (SBS, 2017), Miss Hammurabi (jtbc, 2018), Remember (SBS, 2015), Pride and Prejudice (MBC, 2014), Your Honor (SBS, 2018), são exemplos de bons dramas, que usaram os relacionamentos românticos com maior ou menor efeito, mas sempre como tema secundário. Dramas legais que deram mais chance ao amor, a quem possa interessar: Lawless Lawyer (tvN, 2018), The Lawyers of the Great Republic Korea (MBC, 2008), While You Where Sleeping (SBS, 2017), Suspicious Partner (SBS, 2017).

Em Hyena, o romance e o drama legal andam juntos, de mãos dadas... Yoon Hee-jae (JooJi-hun, de Mask, Antique), advogado associado do grande escritório Song & Kim, frio dentro das cortes de justiça, bon vivant na intimidade, no fundo é um cara solitário. Por isso mesmo, não é de surpreender que ele se deixe seduzir pela misteriosa Jung Geum-ja (Kim Hye-soo, de Signal, The Thieves). O advogado fica encantado com Jung Geum-ja, uma mulher madura, sofisticada, que compartilha com ele gostos e humores. Quando o relacionamento começa a ficar sério, e Yoon Hee-jae decide que é hora de abandonar a vida de playboy, a namorada some de cena, para reaparecer diante dele, como a combativa e irreverente advogada Jung Geum-ja.

De amantes a rivais, e, finalmente, a colegas e cúmplices no combate a um inimigo em comum, - a estória de amor deste casal é uma verdadeira montanha russa de emoções. No entanto, mais do que um belo romance, Hyena traz à tona temas muito sérios, como a violência de gênero, o feminicídio, e a corrupção inerente ao poder.
Intrigante é um adjetivo modesto para descrever Jung Geum-ja. Desde a primeira cena, a advogada nos choca com o contraste entre sua imagem frágil e sua reação violenta, descontrolada, ao ser confrontada com o ataque de um cliente, um bandido de segunda linha, inconformado com sua sentença. Logo em seguida, ela surge elegante, misteriosa, sexy, iludindo um advogado presumivelmente experiente e astuto, Yoon Hee-jae. Mas Jung Geum-ja é sim a heroína desta estória, e seu comportamento contraditório é, aos poucos, revelado, e nos compadecemos de seu passado triste, de vítima de violência doméstica, que, por sinal, ela nunca pôde superar completamente.

O mesmo vale para Yoon Hee-jae, que, sob a aparência de advogado despreocupado e defensor cego dos poderosos, está um homem atormentado pelo complexo de inferioridade incutido por sua família, que atua do lado oposto da lei. Seu pai, o prestigiado juiz federal Yoon Choong-yeon (Lee Hwang-eui), e seu irmão mais velho, o promotor Yoon Hyeok-jae (Kim Young-jae), fazem questão de enfatizar que ambos são moralmente superiores ao caçula. Para eles, o fato de Yoon Hee-jae ter escolhido a defesa sobre a acusação é símbolo de fracasso como profissional e ser humano, apesar de ele ser contratado de um dos escritórios mais poderosos do país. É com simpatia que vemos este lado frágil de Yoon Hee-jae, mas seu lado honesto e desprendido se revelará justo no confronto com a rebelde Jung Geum-ja, a mulher que provoca uma grande revolução em sua vida.

Com um enredo romântico muito satisfatório, com humor e ‘calor’ na dose certa, e uma trama política bem construída, que serve justamente à trama, sem deixar pontas, Hyena é um drama imperdível para os espectadores que gostem de estórias inteligentes e impactantes.

junho 17, 2020

Stove League (drama, 2020)




País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Esporte
Duração: 16 episódios
Produção: SBS TV

Direção: Jung Dong-yoon
Roteiro: Lee Shin-hwa

Elenco: Namgung Min, Park Eun-bin, Oh Jung-se, Joe Byeong-gyu, Lee Joon-hyuk, Hong Ki-joon, Chae Jong-hyeop, Jo Han-sun, Cha Yub, Lee Eol, Ha Do-kwon, Jeon Kuk-hwan, Yoon Sun-woo, Lee Yong-woo, Lee Je-hoon, Son Jong-hak.

Resumo

Baek Seung-soo é o novo gerente geral da equipe de beisebol profissional Dreams. Sua tarefa é reerguer o time, e levá-lo a vitoria na próxima temporada.

Comentário

Um drama sobre esportes, e ainda mais, sobre beisebol, uma modalidade pouco apreciada em nosso país? Não é o tipo de trama que me atrairia à primeira vista. No entanto, Stove League (ou Hot Stove League) é a estória de um homem que, mais do que um fã de esportes, é um apreciador de jogos de estratégia... Sim, porque administrar uma equipe de beisebol (ou de qualquer outro esporte coletivo) é uma tarefa hercúlea, que envolve não apenas tino comercial, mas uma boa dose de psicologia e estratégia de antecipação.

[Resolvi abrir alguns spoilers, nada que entregue os pontos cruciais da estória, mas para dar uma amostra do clima do drama, que é repleto de reviravoltas emocionantes, sem contar a crescente admiração e carinho por seu grande protagonista, interpretado brilhantemente por Namgung Min]

O termo “liga da estufa” refere-se ao intervalo entre as temporadas de jogos, quando os times aproveitam para reorganizar-se, e os atletas para treinar, recuperar-se de lesões e, o mais importante, renovar seus contratos, ou, se for o caso, mudar de equipe.

Após uma temporada decepcionante para o Dreams, os administradores do time resolvem contratar um novo gerente geral. Baek Seung-soo (Namgung Min, de Doctor Prisoner, The Girl Who Sees Smells) tem a fama de “arrumar” qualquer time, levando-o milagrosamente ao mais alto da tabela do campeonato. No entanto, o novo gerente não tem uma acolhida das mais calorosas por parte de funcionários e atletas do clube, por dois motivos: ele nunca dirigiu um time de beisebol, e, o mais preocupante, todas as equipes pelas quais passou, encerraram suas atividades logo após ganhar o campeonato.  Além do mais, o pragmatismo e frieza de Baek Seung-soo não contribuem para sua adaptação ao trabalho, e, a princípio, fica a impressão de que ele seria aquele tipo de executivo especializado em desmontar e desfazer-se de uma empresa que está causando prejuízo. Bem, há uma parcela de verdade nesta estória, já que o dono do time, o CEO Kwon Il-do (Jeon Kuk-hwan, de Crash Landing on You) tem mesmo a intenção de desfazer-se do Dreams. Acontece que não é tão fácil aposentar um time de beisebol (o esporte favorito dos coreanos), provocando a ira dos fãs de tantos anos, e, consequentemente, maculando a imagem da empresa proprietária. O problema é que os donos do Dreams não contavam com a determinação e senso de ética do novo gerente, que não tem a intenção de fazer corpo mole, e deixar que o time caia em desgraça sem lutar até o fim.

O ator Namgung Min está mais do que confortável no papel, está no seu campo de jogo, para usar uma analogia esportiva. Seu olhar frio, sua voz macia e ao mesmo tempo gélida servem muito bem ao caráter hermético de Baek Seung-soo. Felizmente, sua ironia elegante evita que o personagem torne-se antipático. Baek Seung-soo é um workaholic, um homem solitário, que se dedica de corpo e alma ao trabalho. Infelizmente, ele leva a fama de arruinar os times pelos quais passa, uma grande injustiça, já que em todos os casos, a responsabilidade não foi sua, mas dos proprietários dos clubes. Ao assinar o contrato com o Dreams, ele não é informado das intenções da direção de fechar o clube. À medida que seu trabalho começa a dar frutos, e o time começa a ser reorganizado com sucesso, contraditoriamente, cresce a insatisfação da direção com seu trabalho. Quando o presidente Kwon Kyung-min (Oh Jung-se, de When the Camellia Blooms) deixa claro que esta deve ser a derradeira temporada do clube, Baek Seung-soo já está completamente envolvido emocionalmente com os funcionários e atletas do Dreams, e fará de tudo para evitar o seu desaparecimento.

No entanto, não é uma tarefa fácil convencer os trabalhadores do Dreams de suas boas intenções, e a cada dia há uma batalha a ser vencida. A primeira a tornar-se sua aliada é a gerente de operações Lee Se-young (Park Eun-bin, de Age of Youth) e seu assistente, o jovem Han Jae-hee (Joe Byeong-gyu, de SKY Castle). Depois de formar aliança com eles vem a parte mais complicada, que é conquistar a confiança da equipe técnica e dos atletas do clube. O técnico principal do Dreams é o veterano Yoon Seong-bok (Lee Eol, de Live), que se dá bem com os atletas, mas vive em atrito com os técnicos assistentes, que tentam “puxar o seu tapete” sempre que podem, tornando o clima interno dos mais tensos.

Por falar em tensão, a parte mais crítica do trabalho de um gerente esportivo é negociar com as grandes estrelas do time, e Baek Seung-soo vive momentos muito desagradáveis nas mãos do jogador Lim Dong-gyu (Jo Han-sun). Lim Dong-gyu é uma celebridade nacional, adorado pelos fãs, mas também é aquele tipo de atleta que desequilibra moralmente os colegas. A solução de Baek Seung-soo é pedir ao time dos Vikings que troque seu arremessador, o veterano Kang Du-ki (Ha Do-kwon), por Lim Dong-gyu. Assim, ele se livra de um jogador caro, temperamental, e traz de volta ao Dreams um arremessador que era muito querido de todos. Mas este não é o lance mais ousado do gerente, pois ele ainda viaja aos EUA para convencer o ex-batedor Gil Chang-joo (Lee Yong-woo, de Twelvew Men in a Year), um atleta expatriado a voltar à terra natal, e juntar-se ao Dreams.

E é assim, passo a passo, usando de estratégias inteligentes, mas sempre éticas, que Baek Seung-soo consegue reerguer o Dreams, levantando a moral da equipe, dos fãs, e trazendo esperança de que a nova temporada traga muitas vitórias ao time. Mas, como todo grande herói, ele vai experimentar momentos de dúvida, de solidão, e terá de sacrificar sua carreira para um bem maior, como é de se esperar de um grande líder.

Stove League é um drama encantador, sem forçar a barra com mensagens moralistas, ilustrando uma realidade comum ao mundo dos esportes, em qualquer modalidade, em qualquer parte do mundo. Não seria de surpreender-se que outros países queiram fazer suas próprias versões desta bela estória de superação e sucesso... Além disso, os fãs do drama já sugeriram que o carismático Baek Seung-soo volte algum dia, com novos desafios. Torçamos para uma nova temporada!

maio 22, 2020

Door Lock (filme, 2018)




País: Coréia do Sul
Gênero: Suspense
Duração: 102 min.

Direção: Lee Kwon
Roteiro: Lee Kwon, Park Jung-hee

Elenco: Gong Hyo-jin, Kim Ye-won, Kim Sung-ho, Jo Bok-rae, Lee Chun-hee, Lee Ga-sub, Kim Kwang-kyu, Kim Jae-hwa.

Resumo

Uma jovem mulher vê sua segurança ameaçada por um estranho que tenta invadir seu apartamento.

Comentário

Se há um gênero de filme que caiu na armadilha do clichê, ou das fórmulas repetitivas, é o do suspense, especialmente por culpa do cinema norte-americano, seu principal divulgador. A verdade é que depois de autores como Hitchcock, e mais tarde Carpenter, sobrou pouco espaço para criar algo de novo no suspense ou no terror. Mas então, não tem mais como contar uma boa estória sem ‘plagiar’ filmes do passado? É claro que sim, tanto que o cinema asiático renovou o thriller, e agora é a vez dos gringos beberem desta fonte! Mesmo assim, me surpreendi e me alegrei demais com esta pequena joia do cinema coreano, das mãos de uma equipe jovem, e muito talentosa, que são o diretor Lee Kwon (Save Me 2, Shut Up: Flower Boy Band) e a roteirista Park Jung-hee (Yoo-mi´s Room).

Com uma estória simples, mas com uma estrutura que vai se desdobrando até um final apoteótico (aí sim, optando por ser fiel ao gênero), Door Lock é mais um drama social/contemporâneo do que uma película de ‘sustinhos’ gratuitos.

Gong Hyo-jin (Jealousy Incarnate) é Cho Kyung-min, uma jovem mulher que veio morar na capital em busca de um lugar ao sol no disputadíssimo mercado de trabalho de seu país. Funcionária temporária em um banco, ela sonha em ser efetivada, mas fica claro que sua personalidade pouco agressiva não contribui para seu crescimento profissional. Sua única amiga e colega, a bancária Oh Hyo-joo (a simpática Kim Ye-won, de Heart Surgeons), tenta animá-la, mas é difícil interferir quando, por exemplo, uma gerente veterana (Kim Jae-hwa, de Room Nº 9) vive roubando seus clientes, e seu chefe (Kim Kwang-kyu, de Diary of a Prosecutor) cobra dedicação, mas fica só na promessa sobre sua promoção.

Cho Kyung-min aluga um pequeno apartamento quarto/banheiro, num destes grandes condomínios ocupados majoritariamente por estudantes e funcionários mal pagos. A rotina da jovem é espartana, de casa para o trabalho, do trabalho para casa, dia após dia. Até que uma noite, quando já estava deitada em sua cama, tentando conciliar o sono, ela ouve um barulho em sua porta, e a maçaneta sendo forçada do lado de fora. Assustada, ela chama a polícia, e é este o primeiro momento angustiante do filme, pois sua queixa não só é diminuída como ela é praticamente acusada de ter provocado a situação, por não ter um namorado para protegê-la, blá-blá-blá, blá-blá-blá...

É aí que dá o ‘click’ em qualquer mulher que esteja assistindo o filme, pois é impossível não colocar-se na pele da personagem. Não há mulher que não tenha passado por pelo menos uma das situações constrangedoras, ou ofensivas que Cho Kyung-min enfrenta, confrontada por todos os personagens masculinos com os quais convive. Não é transformar os homens em vilões, embora haja vários em seu caminho, mas às vezes o desprezo ou a omissão são igualmente agravantes para nós, mulheres. Cho Kyung-min não é uma garota frágil, ela simplesmente é uma mulher muito normal, que de repente se vê confrontada com uma situação de perigo extremo, e que precisa juntar forças quase sobre humanas para sobreviver a uma violência absurda, perpetrada por uma única pessoa.

Door Lock pode parecer um título meio estranho para um filme, mas a tal ‘fechadura da porta’ simboliza tudo que envolve este conto de terror, ou seja, o segredo (o código da fechadura eletrônica, que dá ao proprietário uma falsa sensação de segurança), a intimidade, a familiaridade, e, em contraponto, a solidão, o isolamento, a desconexão com o mundo exterior...

É crucial não entrar em maiores detalhes sobre o enredo do filme, por motivos óbvios, mas ao menos quero frisar o desempenho espetacular de Gong Hyo-jin, numa atuação simplesmente impecável, ainda mais levando-se em conta que é muito fácil um ator cair na armadilha das “caras e bocas” e gritinhos agudos dos filmes de suspense, que muitas vezes provocam um humor involuntário no espectador. É interessante observar que a carreira de Gong Hyo-jin é muito mais prolífica no cinema, embora ela pareça ter recebido mais atenção nos últimos anos por seus papeis nos dramas televisivos. O fato é que ela tem amadurecendo muito bem como atriz, vide seu protagonismo em dramas imperdíveis como o mais recente, When the Camellia Blooms (KBS2, 2019), ou o cultuado It´s Ok, This is Love (SBS, 2014). Para um registro mais leve e romântico, vale conferir seu último filme, Crazy Romance (2019), onde contracena com o ator Kim Rae-won.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...