junho 12, 2019

The Guest (drama, 2018)




País: Coréia do Sul
Gênero: Thriller
Duração: 16 episódios
Produção: Studio Dragon/OCN

Direção: Kim Hong-seon
Roteiro: Kwon So-ra, Seo Jae-won
Trilha Musical: Kim Tae-seong


Elenco: Kim Dong-wook, Jung Eun-chae, Kim Jae-wook.

Resumo

Um padre, uma policial e um vidente investigam uma série de crimes ligados a eventos sobrenaturais.

Comentário

Se fosse para nomear os melhores dramas que já vi, classificados por gênero, The Guest seria o meu favorito na categoria thriller, ou suspense.

Esta estória surpreendente começa em uma pequena aldeia de pescadores, numa ilha remota do litoral coreano. Uma família humilde, conhecida pelos vizinhos por sua tradição mediúnica, é assolada por uma grande maldição, com a invasão de um espírito maligno e poderoso à sua morada. Uma antiga lenda local conta que um espírito do mar, Sohn (Convidado), também chamado de Park Il-do, de tempos em tempos vêm a terra assombrar o povo.

Suspeitando que o pequeno Hwa-pyung, única criança da família, tenha sido possuído pelo demônio, os aldeões tentam expulsá-lo com um ritual xamânico, mas sem sucesso. Com a morte inexplicável de membros da família, o patriarca Yoon Moo-il (Jun Moo-song, de The Light in Your Eyes) recorre à ajuda da Igreja Católica. Dois padres chegam a casa para realizar um ritual exorcista no menino. O padre Yang (Ahn Nae-sang, de The Awl) conclui que Hwa-pyung não está possuído, já que ele não reage aos símbolos da Igreja, como a Bíblia ou o Crucifixo. No entanto, o padre assistente Choi (Yoon Jong-suk, de The Crowned Clown) mostra-se abalado com o encontro. Revoltado com a situação do filho, Geun-ho (Yoo Seung-mok) tenta estrangulá-lo, e acaba fugindo da ilha, para nunca mais ser visto.

Vinte anos depois, Yoon Hwa-pyung (Kim Dong-wook, de Along With the Gods) trabalha como motorista de taxi, viajando de cidade em cidade, não atrás de clientes, mas de suspeitos de possessão demoníaca. Seu parceiro de aventuras é Yook Kwang (Lee Won Jong, de Special Labor Inspector Jo), um xamã nada entusiasmado com a perspectiva de encarar espíritos malignos de frente, mas que tem uma preocupação filial com o solitário Hwa-pyung. O sorriso espontâneo e o ar brincalhão de Hwa-pyung escondem o terror que o persegue, e que às vezes o cega, literalmente, pois é o sinal inequívoco da maldição de Park Il-do. Os poderes paranormais de Hwa-pyung fazem com que ele tenha flashes do momento em que um crime brutal á cometido, e ele acredita ter uma ligação psíquica com o espírito que o possuiu na infância, Park Il-do, e, consequentemente, com os espíritos inferiores manipulados por este.

Puxando um fio infinito que liga uma morte brutal a outra, Hwa-pyung acaba entrando no radar da polícia, que passa a considerá-lo um suspeito dos crimes em série que ocorrem na região. Entra em cena a policial Kang Kil-young (Jung Eun-chae, de The Great Battle), tão rebelde quanto Hwa-pyung, mas absolutamente cética quando o assunto é o sobrenatural. Kil-young escolheu seguir a mesma carreira profissional da mãe, embora nunca tenha se conformado com seu assassinato, ou com o desaparecimento do culpado. A órfã Kil-young usa a violência policial para desafogar seus traumas de infância, embora seu desejo de justiça seja genuíno, beirando a ingenuidade.

É apenas no segundo episódio que conhecemos o padre Choi Yoon (Kim Jae-wook, de Her Private Life), personagem intimamente ligado ao mistério de Park Il-do. Hwa-pyung conhece o padre Choi ao chamá-lo para realizar um exorcismo, e fica chocado ao descobrir que ele é o irmão do jovem sacerdote envolvido no caso de possessão em sua família anos atrás. Mais importante ainda, trata-se do mesmo padre envolvido no assassinato brutal da mãe da detetive Kil-young, e que desapareceu da face da terra, deixando todos com muitas perguntas e respostas que ninguém teve interesse em responder.

Hwa-pyung, Choi Yoon e Kil-young, unidos por eventos trágicos do passado, fazem um pacto para desvendar a origem do mal que afligiu suas famílias, e que parece estar de volta, semeando o ódio e o crime entre a população local.

O clima fantasmagórico e angustiante que permeia este elaborado e complexo conto de terror só é amenizado pelo carisma inabalável de seu trio de protagonistas. Estes jovens, cujo destino cruzou-se da forma mais triste na infância, são heróis involuntários de suas próprias vidas, embora não tenham a noção exata da dimensão do mal que estão enfrentando. Park Il-do não é um vilão comum, que possa responder às leis dos mortais, e sua maldade é como uma doença contagiosa, que pode atacar os humanos moralmente enfraquecidos. The Guest me fez lembrar muito da ambientação romântica e melancólica de dois filmes antigos geniais, Possuídos (Fallen, 1998) e Coração Satânico (Angel Heart, 1987). Com uma trilha musical potente, que ajuda a fazer bater mais forte o coração a cada aparição sobrenatural, The Guest tem tanto a cara de filme clássico que até vai ser premiado com uma continuação na telona. A expectativa com a sequencia do thriller é grande, e não é preciso ser fã do gênero para admitir que a qualidade da produção esteja bem acima da média. Interessante que a dupla de roteiristas, o casal Kwon So-ra (Entourage) e Seo Jae-won (Entourage, Jungle Fish 2) não tem nem um trabalho de impacto anterior em seus currículos, mas certamente ganharam muita visibilidade com The Guest. Por outro lado, o diretor Kim Hong-seon tem experiência o bastante no gênero policial, com ótimos títulos como Voice (OCN, 2017), Pied Piper (tvN, 2016), ou Liar Game (tvN, 2014).

E, por sorte ou genialidade, a escolha do elenco não poderia ter sido mais perfeita... Kim Jae-wook (Voice, Temperature of Love, Antique Bakery) já é conhecido por sua versatilidade como ator, e por isso não surpreende a facilidade com que encarna o (belíssimo) padre exorcista Choi. Jung Eun-chae (Nobody's Daughter Haewon), atriz e modelo criada na Inglaterra, mais conhecida do público por seus papeis no cinema, ganha a merecida fama com o drama The Guest, interpretando uma policial durona, mas de coração puro. Talvez a maior surpresa tenha vindo com a interpretação enérgica de Kim Dong-wook, no papel do médium Yoon Hwa-pyung. Da estreia na TV com o drama Coffe Prince (2007) (por coincidência, junto ao colega Kim Jae-wook), ao sucesso inesperado com o blockbuster Along With the Gods (2018), o ator vem alcançando lenta, mas determinadamente, o respeito e a admiração do público. A ‘revelação’ dos protagonistas de The Guest, os três com mais de trinta anos de idade e uma carreira respeitável no cinema e na TV só faz provar que nunca é tarde para receber o reconhecimento merecido na profissão.

The Guest é um drama que arrepia até a alma do espectador, sem perder o ritmo em momento algum, - e garanto que os sobressaltos que o esperam não são poucos, embora o desfecho seja dos mais satisfatórios, ao contrário do que reza (com o perdão do trocadilho) a tradição do gênero.

novembro 05, 2018

Student A (filme, 2018)




País: Coréia do Sul
Gênero: Drama Escolar
Duração: 114 min.

Direção: Lee Kyung-sub
Roteiro: Lee Kyung-sub, baseado no webtoon de Heo5Pac6

Elenco: Kim Hwan-hee, Jung Da-bin, Suho, Yoo Jae-sang, Jung Da-eun, Lee Jong-hyuk, Kim Jung-hwa.

Resumo

A vida da adolescente Mi-rae é um ciclo de eventos tristes, da perseguição escolar, aos maus tratos diários do pai alcoólatra. Seu único consolo são os jogos de videogame e a literatura.

Comentário

Basedo em webtoon do portal Naver, Student A conta, em tom de ‘semi-fábula’, a estória de uma garota extraordinária, que, desafortunadamente, vive uma vida de tristeza e solidão. A talentosíssima atriz mirim Kim Hwan-hee (The Wailling, On the Way to the Airport, The Miracle We Met) encarna Jang Mi-rae, uma garota invisível para o mundo, embora tenha muito a dizer...


Se você está cansado de ver filmes ou séries sobre o trauma do assédio escolar (o infame bullying), fique tranquilo, pois Student A aborda o tema de forma muito original, sem cair no dramalhão, ou na autocomiseração. Mesmo nos momentos mais desesperadores de sua vida, Jang Mi-rae não perde a lucidez e analisa até mesmo com certo pragmatismo sua condição social e emocional.



O palco central do drama é o ambiente escolar no qual a adolescente Jang Mi-rae passa a maior parte de seu dia, e onde vive momentos dolorosos de constrangimento e repressão. Fica claro o preconceito contra sua situação familiar, de pobreza e violência doméstica. Nem mesmo o bom comportamento, notas altas e talento para a escrita bastam para impressionar colegas e professores. O único colega a tratar Mi-rae com um mínimo de gentileza é Tae-yang (Beauty Inside), e é muito natural que ela se enamore do rapaz. O melhor refugio para Mi-rae é o ambiente tranquilo da biblioteca, onde ela pode ler e escrever suas estórias sem ser incomodada. Em casa, ela se refugia no mundo fantástico dos videogames, e os amigos virtuais são sua maior companhia.



Surpreendentemente, Mi-rae se vê fazendo sua primeira amizade, justamente com a garota mais popular da escola, Baek-hab (Jung Da-bin, Should We Kiss First). As duas compartilham o prazer especial em escrever estórias, e passam horas agradáveis trocando experiências sobre seus personagens. Baek-hab se mostra encantada com o talento literário de Mi-rae. Infelizmente, não tarda muito para que Mi-rae se decepcione ao descobrir as verdadeiras intenções de seus novos amigos, Baek-hab e Tae-yang. Deprimida e sem ter com quem conversar, ela resolve procurar um de seus amigos virtuais, a ‘Princesa Hee-na’. Mi-rae encontra Hee-na distribuindo abraços grátis em uma praça da cidade, mas a surpresa mesmo é descobrir que na verdade se trata de um belo rapaz de cabelos dourados, chamado Jae-hee (Suho, membro da boy band EXO).



Jae-hee é o ombro amigo que a garota precisa, a bússola que coloca sua vida caótica no rumo certo. Com ele Mi-rae resgata sua voz, aprendendo assim a reivindicar o direito de ser vista e apreciada por seus colegas. Se todos os problemas da garota não podem ser milagrosamente resolvidos, ao menos ela tem a oportunidade de viver sua juventude como qualquer menina normal, com as alegrias e tristezas próprias da idade. Mais do que um filme simpático, Student A é uma obra iluminada, que aquece o coração, e faz da estória corriqueira de Jang Mi-rae, um exemplo de coragem e resiliência.


setembro 17, 2018

My Mister (tvN, 16 episódios)




O genial diretor Kim Won-suk (Misaeng, Signal) volta à TV com outra produção diferenciada, o drama existencialista My Mister (My Ahjusshi). Como já comentei em outro post, não sei como ainda não convenceram este senhor a voltar-se para o cinema, - até lá, garantimos nossos dramas no mais alto nível de qualidade. Aliás, seu próximo projeto, The Chronicles of Aseudal (tvN, 2019) já é esperado com ansiedade pelos fãs da dupla de roteiristas de The Six Flying Dragons.

O PD Kim e a roteirista Park Hae-Young (Oh Hae Young Again) nos brindam com o que talvez seja o melhor drama do ano, My Mister. My Mister aborda temas que sensibilizam em especial os habitantes das metrópoles, - solidão, desemprego, pobreza, violência, são chagas que afligem os personagens desta estória -, no entanto, mesmo na tragédia eles encontram consolo e esperança, quando um estranho lhes estende a mão.

O que torna atraente esta estória tão triste e ‘pesada’ é o olhar infinitamente carinhoso da escritora sobre seus personagens. O drama nos mostra que a solidão, embora comum a toda a humanidade, é um sentimento muito complexo, com significados diferentes para cada pessoa e para cada momento de sua vida. Park Dong-hoon (Lee Seong-kyeong, Miss Korea) é um homem que sofre de uma solidão profunda e crônica, apesar de ser um profissional bem sucedido, casado, e cercado do carinho de sua mãe e irmãos. Sua condição provoca o afastamento da esposa, Kang Yoon-hee (Lee Ji-ah, Beethoven Virus, The Ghost Detective), advogada, mãe, que busca consolo nos braços do amante, Do Joon-young (Kim Young-min). Do Joon-young, ex-colega de universidade de Park Dong-hoon e agora seu superior na empresa de engenharia, sofre de um complexo de inferioridade deprimente, que o leva a usar a amante como uma reafirmação de sua masculinidade.

Sang-hoon (Park Ho-san, Lawless Lawyer) e Gi-hoon (Song Sae-byeok, Seven Years of Night) são os irmãos de Park Dong-hoon, que após uma série de infortúnios na vida, voltam a morar com a mãe, a dona-de-casa viúva Byeon Yo-soon (Ko Du-shim). Entediados e desesperançados, Sang-hoon e Gi-hoon acompanham com preocupação fanática os menores eventos cotidianos da vida do irmão, contribuindo assim com os momentos mais enternecedores do drama. O primogênito Sang-hoon é um sujeito sensível, emotivo, que não tem forças para superar a falência de seu negócio, e o consequente fracasso do casamento. Gi-hoon (ex-diretor e roteirista de cinema), por sua vez, é ainda mais lamentável, já que uma única decepção profissional o deprimiu o bastante a ponto de fazê-lo se acomodar à vida de solteirão desempregado. A reaparição da atriz Choi Yoo-ra (Nara, Your Honor), que Gi-hoon considera sua ‘nemesis’, funciona como uma espécie de terapia de choque, que o obriga a repensar seu destino.

Os irmãos Park moram há anos no mesmo bairro, e, com os antigos e fiéis amigos de infância, compartilham partidas de futebol, além de bebedeiras quase diárias. A dona do boteco frequentado por eles é Jung-hee (Oh Na-ra, Judge vs Judge), que teve o coração partido por Gyum Duk (Park hae-joon, Misaeng), que a trocou pela vida celibatária de monge budista. Jung-hee não se conforma que Gyum Duk tenha abdicado de seu amor, pela solidão eterna no alto de uma montanha. O irônico é que ela, ao viver da memória deste amor, é a mais solitária dos dois.

Mas tudo muda na vida destes personagens, com a chegada de uma garota misteriosa, Lee Ji-an (IU, Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo). A princípio Lee Ji-an parece uma pequena marginal, o que não deixa de ser verdade, em parte, mas a estória que a levou até este ponto crítico é tão traumática quanto comum no mundo cruel em que vivemos. Órfã, ela luta para sustentar a si mesma e a avó surda-muda, enquanto é perseguida incansavelmente por Lee Gwang-il (Jang Ki-yong, Come and Hug Me), um agiota violento, estranhamente obsecado com a garota. Quando o destino une Park Dong-hoon e Lee Ji-an, o casal reconhece um no outro aquela solidão profundamente enraizada em suas almas, e que, milagrosamente, eles conseguem transformar em reparação.

Palmas para o roteiro brilhante, a direção sensível, sem ser invasiva, e, especialmente, para o elenco de My Mister. Lee Seong-kyeong, entre tantos papeis importantes na TV (Miss Korea, Golden Time) e no cinema (Paju, A Hard Day), chega ao auge como ator, ao interpretar um personagem tão complexo e carismático como Park Dong-hoon. IU bem que poderia usar seu nome de batismo, Lee Ji-eun, para descolar-se como atriz de sua bem sucedida carreira de cantora pop. Este drama foi um enorme passo na carreira desta jovem, para retirar de vez seu rótulo de celebridade pop, e inseri-la na lista das melhores atrizes de sua geração. Outra alegria que este drama nos proporcionou foi ver a volta cautelosa, mas marcante da atriz Lee Ji-ah, depois de anos de ostracismo forçado (por um casamento infeliz). Mais difícil ainda é descrever em palavras o prazer de ver esta dupla de veteranos do cinema, Park Ho-san e Song Sae-byeok, dando um show de interpretação, com um frescor e um desprendimento mais do que bem vindos na telinha. Pois é por estórias maravilhosas como estas, que nos deixam lembranças tão queridas, que aguardamos com expectativa a cada nova temporada. Sendo assim, até a próxima...

julho 02, 2018

My Husband Oh Jak-doo (drama, 2018)




País: Coréia do Sul
Gênero: Romance
Duração: 24 episódios
Produção: MBC TV
Direção: Baek Ho-min
Roteiro: Yoo Yoon-kyung

Elenco: Uee, Kim Kang-woo, Jung Sang-hoon, Han Sun-hwa

Resumo

Uma produtora de TV sobe uma montanha para filmar um documentário e volta casada com um caipira que irá mudar seus conceitos de vida.

Comentário

Uma comédia romântica adulta como há muito eu não via, que reflete com seriedade, ainda que sem perder o bom humor, sobre as alegrias e tristezas da vida em casal.

Quando foi anunciado o elenco do drama, fiquei chateada por meu querido Kim Kang-woo, grande ator, ter como par romântico a ex-cantora pop Uee, cuja fama está muito acima de suas atuações irregulares. Felizmente meu temor foi afastado já no primeiro episódio, ao ver que eles formavam um casal simplesmente encantador. Se Uee e Kim Kang-woo formam um casal tão improvável quanto o da ficção, é visível seu prazer em interpretar os personagens, e viver intensamente esta bonita estória de amor.

Han Seung-joo (Uee, High Society, Manhole) é uma produtora de programas de variedade para a TV, mas seu sonho é ser uma respeitada documentarista. Quando surge a proposta de trabalhar em um documentário sobre um artesão que vive isolado no interior, ela agarra a oportunidade com unhas e dentes. Han Seung-joo trabalha incansavelmente desde muito jovem, e com muito sacrifício pagou seus estudos e comprou sua casa. Ela nunca pôde depender da mãe viúva e do irmão mais jovem, muito pelo contrário, os dois se aproveitam sem vergonha de suas economias. Apesar de seu espírito independente, Seung-joo sente certa inveja de suas duas melhores amigas, ambas casadas, por terem apoio financeiro e emocional de seus maridos nos momentos difíceis. Quando Seung-joo começa a receber ameaças de morte e a ser perseguida por um estranho, ela entra em pânico, mas não tem a quem a proteja do perigo.

Oh Hyuk aprendeu com o avô a produzir artesanalmente o Gayageum, um instrumento musical de cordas típico de seu país. Os gayageum fabricados por Oh Hyuk, que levam o selo de qualidade de seu avô são tão apreciados quanto cobiçados pelos músicos do país. Uma das poucas instrumentistas a ter o privilégio de tocar um gayageum fabricado por Oh Hyuk é Jang Eu-jo (Han Sun-hwa, Radiant Office), que foi seu primeiro amor de infância. Com a morte do avô, Oh Hyuk isolou-se do mundo e nunca mais foi visto em pessoa.
Tendo em mãos apenas o endereço do vilarejo mais próximo de onde o recluso artesão estaria vivendo, Han Seung-joo tenta encontrá-lo para poder produzir o documentário de seus sonhos. Ao subir a montanha, ela encontra apenas uma cabana rústica, e seu morador, Oh Jak-doo (Kim Kang-woo, de Goodbye Mr. Black, Marriage Blue), um caipira que vive de colher ervas nativas, que vende no mercado público local. Decepcionada, ela volta a Seul, tentando planejar uma nova estratégia para encontrar Oh Hyuk. Quando Seung-joo reencontra por acaso o caipira Oh Jak-doo, convence o rapaz a forjar um casamento e ir morar com ela para protegê-la do suspeito que a está ameaçando. Uma relação que começa com um contrato formal acaba se transformando em uma extraordinária estória de amor.

A roteirista Yoo Yoon-kyung (Mama, My Bittersweet Life), famosa por seus melodramas lacrimosos, em My Husband Oh Jak-doo revela seu talento para a comédia, com diálogos sensíveis, inteligentes e personagens bem desenvolvidos emocionalmente. Se há uma coisa frustrante são os dramas em que o casal protagonista não conversa, ficando no flerte vazio e na provocação. O que mais me agradou neste drama foi exatamente não só a quantidade como o conteúdo do diálogo entre os protagonistas. Han Seung-joo e Oh Jak-doo tem um interesse e uma curiosidade verdadeiros sobre os sentimentos e desejos um do outro, e é um verdadeiro bálsamo ouvir suas confidências de amor. My Husband Oh Jak-doo nos ensina o quão importante é o respeito e a cumplicidade para que um relacionamento seja satisfatório e duradouro.

Enfim, um belo drama, que, é verdade, ganharia em dinamismo com menos episódios (16 a 20 bastariam), e uma direção menos burocrática. Mas com personagens secundários muito simpáticos, - as queridas amigas de Han Seung-joo, as divertidíssimas ‘tias’ de Oh Jak-doo e o CEO Eric Jo (Jung Sang-hoon, que rouba a cena), - e um casal protagonista adorável, My Husband Oh Jak-doo é, sem dúvida, uma das melhores produções do ano.
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