agosto 04, 2016

Watashi Kekkon Dekinai Janakute, Shinain desu (drama, 2016)




País: Japão
Gênero: comédia romântica
Duração: 10 episódios
Produção: TBS

Direção: Tsukahara Ayuko, Tsuboi Toshio, Anami Akihiro
Roteiro: Kaneko Arisa, baseado no romance "Sparta Konkatsu Juku" de Mizuno Keiya

Elenco: Nakatani Miki, Fujiki Naohito,Tokui Yoshimi, Omasa Aya, Seto Koji, Natsuki Mari, Ranju Tomu, Hiraiwa Kami, Matsui Jurina, Kentaro, Hasegawa Kyoko.

Resumo

A ponto de completar 40 anos, a dermatologista Tachibana Miyabi começa a questionar-se sobre as vantagens e desvantagens de viver sozinha. Será que é tarde para encontrar o amor? O chef Tokura Seiji irá ensinar Miyabi como conquistar o homem perfeito.


Comentário

Quem tiver urgência em matar a vontade de ver uma boa comédia romântica, pode mergulhar na deliciosa Watashi Kekkon Dekinai Janakute, Shinain desu (It's not that I can't marry, I don't marry).

O drama é uma adaptação da roteirista veterana Kaneko Arisa (Fuyou no hito ~fujisanchou no tsuma, Stand Up!!) sobre o romance "Sparta Konkatsu Juku" de Mizuno Keiya. Os japoneses andam bem preocupados, nos últimos tempos com a falta de interesse dos jovens em casar-se e ter filhos, mas também com as mulheres bem sucedidas profissionalmente, que precisam recorrer a casamentos arranjados (os chamados omiai), para encontrar o amor. Consequentemente, o tema anda superexplorado pelos escritores de dramas, mas nem sempre com sutileza ou sabedoria. Apesar do tom por vezes machista, algo quase inevitável na conservadora cultura japonesa, Watashi Kekkon Dekinai Janakute surpreende positivamente por suas cenas românticas ousadas (para um drama japonês) e pela sensibilidade com que os personagens são retratados.


Tachibana Miyabi (Nakatani Miki) é uma médica, orgulhosa proprietária de uma clínica de dermatologia estética em Aoyama. Prestes a completar 40 anos, e sem ter tido um relacionamento sério há quase 5 anos, Miyabi mora sozinha, em um belo apartamento, com um pequeno cão como companhia. Apesar disso, Miyabi leva uma vida confortável, recebendo a visita ocasional de sua mãe viúva,Akiko (uma divertidíssima Natsuki Mari) e colecionando mangás. Mas a sociedade não parece aceitar, ou compreender, que uma mulher sinta-se completa sem a realização do casamento. Numa reunião de ex-colegas de faculdade, ela sente-se desconfortável ao ver que todos estão casados e com filhos, e, o pior, lamentam abertamente o fato de ela ser tão bonita, mas estar solteira... Miyabi encontra-se com outras duas amigas solteiras, para jantar num restaurante japonês badalado, e desabafa sobre os comentários maldosos de seus colegas médicos.


Ouvindo a conversa das mulheres, o dono e chef do restaurante, Tokura Seiji (Fujiki Naohito), não apenas se mete na conversa, como critica rispidamente o comportamento das mulheres. O alvo principal do chef é a pobre Miyabi, a quem ele acusa de não ser o tipo de mulher com quem qualquer homem desejaria se casar. Obviamente ofendida, a médica retruca que não é que ela não possa se casar, apenas não quis se casar. Apesar de sentir-se incomodada com os comentários amargos de Tokura, Miyabi decide arrumar um pretendente, só para provar ao chef do que ela é capaz.


Neste meio tempo, Miyabi reencontra uma velha paixão de adolescência, Sakurai Yosuke (Tokui Yoshimi), que, felizmente, também continua solteiro. O encontro inesperado traz muitas lembranças dos tempos de escola, quando os amores da juventude eram tão intensos quanto inseguros. Miyabi fica esperançosa em finalmente conquistar o amor de Sakurai, mas a chegada da namorada dele, muito mais jovem, complica as coisas. Decepcionada, Myiabi pede ajuda ao rabugento, mas autodeclarado especialista em relacionamentos, chef Tokura. Tokura promete ensiná-la passo a passo, os segredos para encontrar um homem que a peça em casamento. Ele diz que, se ela seguir suas lições, irá conquistar o amor de Sakurai (desafio que ele compara à conquista do Himalaia).


Impaciente com as dificuldades de alcançar o objetivo, Miyabi resolve aceitar a proposta da mãe, e ir a um omiai, mas estes encontros planejados não são nada românticos. Enquanto isso, ela faz amizade com Hashimoto Ryotaro (Seto Koji, de Age Harassment), um jovem garçom, que também costuma entregar os lanches no seu consultório. Miyabi fica encantada com a espontaneidade de Ryotaro. Apesar da diferença de idade, ela começa a imaginar se não é melhor desistir de perseguir Sakurai, e investir em um novo amor.


Por outro lado, Miyabi não faz ideia de que seu consultor sentimental, Tokura, foi abandonado pela mulher, Irie Chinami (Hasegawa Kyoko), e não sabe como convencer a ela e a pequena filha, a voltarem para casa.


Além do texto inteligente e muito bem humorado, o drama conta com um elenco fantástico, destacando-se é claro, o casal de protagonistas, Nakatani Miki e Fujiki Naohito. Fujiki é um dos atores mais respeitados da TV japonesa, mas, em minha opinião, tem sido muito mal aproveitado nos últimos dramas em que atuou. Sua participação mais marcante até hoje deve ter sido no drama romântico Hotaru no Hikari (com duas temporadas e um filme), mas guardo boas lembranças suas em Love Revolution, Slow Dance, Around 40, e Control. Seu personagem em Watashi Kekkon Dekinai Janakute, Shinain desu lembra um pouco o de Last Cinderella (2013), um drama que achei terrível! Mas, felizmente, desta vez o ator ganhou o destaque merecido, tendo a sorte de contracenar com uma atriz incrível, a belíssima Nakatani Miki.


Nakatani Miki (Christmas on July 24th Avenue) é uma destas atrizes raras hoje em dia, que tem um timing perfeito tanto para a comédia como para o drama. Além disso, ela é abençoada com uma beleza clássica, nada afetada. O duelo entre Nakatani e Fujiki é a melhor coisa do drama, intenso e divertido na mesma medida. As fagulhas saltam na tela a cada encontro dos dois.


Apesar de ser fã de Fujiki Naohito (e seu sorriso sedutor), também fiquei encantada com Tokui Yoshimi (Blazing Famiglia), que interpretou Sakurai Yosuke, o primeiro amor de Miyabi. Tokui é um ator muito interessante, meigo e ao mesmo tempo muito másculo! E para as espectadoras mais jovens, também há o ‘colírio’ que é o ator Seto Koji (Age Harassment), como o estudante Hashimoto Ryotaro.


Watashi Kekkon Dekinai Janakute, Shinain desu é um drama muito especial, porque questiona de forma muito séria, mas nada melodramática, as angústias das pessoas que buscam conciliar a busca do sucesso profissional, com a harmonia em família. Uma viagem na qual vale a pena embarcar, e que garanto, passa voando!

agosto 02, 2016

Oh Hae Young Again (drama, 2016)



País: Coréia do Sul
Gênero: comédia romântica
Duração: 18 episódios
Produção: tvN

Direção: Song Hyeon-wook
Roteiro: Park Hae-young

Elenco: Seo Hyeon-jin, Eric Moon, Jeon Hye-bin, Lee Jae-yoon, Ye Ji-won, Kim Ji-seok, Kim Mi-kyeong, Lee Han-wie.

Resumo

Park Do-kyung é abandonado pela noiva, Oh Hae-young, no dia de seu casamento. Um ano depois, o destino lhe dará uma nova chance, com outra Oh Hae-young.

Comentário

Park Do-kyung (Eric) é um respeitado engenheiro de som. Sua vida vai muito bem, com sua famosa produtora de áudio, e sua bela noiva, Oh Hae-young (Jeon Hye-bin). No entanto, no dia de seu casamento, Do-kyung é deixado no altar, sem nenhuma explicação. Desesperado, ele tenta encontrar a noiva, mas só fica sabendo que ela partiu subitamente para a Europa. O tempo passa, e ele recebe um email de Hae-young, mas, amargurado, se recusa a ler a mensagem. Cerca de um ano depois, seu melhor amigo Lee Jin-sang (Kim Ji-seok) vem com a notícia bombástica de que Oh Hae-Young está de volta a Seul, e, pior, vai se casar em breve com um empresário chamado Han Tae-jin (Lee Jae-yoon).
 

A inesquecível Oh Hae-young...  Oh Hae-young é uma mulher belíssima, além de ser uma competente consultora do ramo de alimentos. Por isso mesmo, faz todo o sentido que ela tenha se esquecido de Do-kyung, e se apaixonado por outro homem. Mas Do-kyung não consegue controlar sua ira ao se dar conta de que ainda sofre muito com o brusco fim do relacionamento com Hae-young.


A outra Oh Hae-young... Oh Hae-young (Seo Hyeon-jin) é assistente executiva de uma rede de restaurantes em Seul. Ela não construiu uma carreira especialmente brilhante na empresa, mas tem prazer em trabalhar na área de alimentação. E o melhor, está a ponto de se casar com um bonito e bem sucedido empresário, chamado Han Tae-jin. Infelizmente, Hae-young não poderia prever o grande choque que a espera. Um dia antes da boda, seu noivo comunica o desejo de cancelar a cerimônia, com a desculpa de uma suposta falta de compatibilidade do casal. Desesperada, Hae-young pede a Tae-jin que ao menos deixe que ela conte a todos que a decisão de romper foi sua, e não dele. É o único consolo à humilhação alternativa de ter sido abandonada no altar.

Aflito com a possibilidade de rever seu antigo amor, Do-kyung, começa a experimentar estranhas visões, nas quais ele vê uma mulher desconhecida. Acontece que esta mulher está a ponto de surgir e causar uma verdadeira revolução em sua vida... E não é ninguém menos que a “outra” Oh Hae-young.

Assim como uma conjunção complexa de eventos astronômicos pode provocar um raro eclipse, a união abençoada de um grupo de indivíduos pode resultar num projeto artístico de alto nível como Oh Hae Young Again (ou Another Miss Oh). Não que diretor, roteirista ou elenco sejam os mais famosos ou premiados do ramo, mas parece que esta é uma destas ocasiões em que, como diz o ditado, “a união faz a força”. O PD Song Hyeon-wook teve destaque com o sucesso inesperado de um pequeno drama chamado Marriage Not Dating (tvN, 2014), embora tenha conduzido projetos muito mais ‘respeitosos’, como o drama médico Brain (KBS, 2011). O mistério maior talvez esteja no nome da roteirista Park Hae-young, com apenas cinco projetos anteriores no currículo, os mais conhecidos sendo 90 Days, Time to Love, e o novelão I Live in Cheongdam-dong, com absurdos 170 episódios. Só posso imaginar que um drama longo como I Live in Cheongdam-dong tenha dado experiência e agilidade extra para que a roteirista tenha chegado a tão boa forma com Oh Hae Young Again. O mais provável, no entanto, é que a roteirista tenha encontrado o PD perfeito (e vice-versa) como colaborador – situação muito vista entre outros casais de roteirista e diretor.


Mas nada disso teria importância se não fosse por o destino decidir unir o casal protagonista de Oh Hae Young Again, Eric Moon e Seo Hyeon-jin. A mais bela estória de amor não resiste a um par romântico sem química, sem brilho no olhar... Se este drama for lembrado por um único motivo, será pela perfeita harmonia entre o casal protagonista.


Eric (Moon Jeong-Hyeok) tem uma carreira acanhada como ator, mas, como líder do grupo musical Shinhwa é uma celebridade no mundo pop asiático há muitos anos. A fama de cantor pop, ao contrário do que costuma acontecer, parece ter moldado seu caráter de forma muito positiva, e o artista parece saber muito bem que rumo tomar, e não tem pressa alguma de chegar lá. As fãs do Eric ator ficam ansiosas com o tempo que ele tem demorado em aparecer na telinha, mas é muito nítida a vontade dele em proteger seu legado como músico, e não cair em armadilhas fáceis, como foi com o fatídico drama Spy MyeongWol (KBS, 2011). Foram três anos de espera até Eric criar coragem para voltar a atuar, e, afortunadamente, foi com o belo, embora subestimado drama romântico, Discovery of Romance (KBS, 2014). E, finalmente, dois anos depois, chega a consagração, com Oh Hae Young Again. Aos 37 anos, Eric parece ter percorrido um longo, mas frutífero caminho até encontrar-se com Park Do-kyung, o personagem mais desafiador de sua carreira.


Seo Hyeon-jin também teve uma história como cantora pop na adolescência, com o grupo M.I.L.K., mas que durou menos de três anos. Depois disso ela seguiu a carreira de atriz, em musicais, até chegar ao cinema e à TV. E foi nos dramas que a atriz encontrou o verdadeiro sucesso, com dramas os mais variados... De épicos, como Goddess Of Fire Jeongi, The Daughter of the Emperor, ou o mais recente The Three Musketeers, a dramas culinários como Feast of the Gods, e Let´s Eat 2, Seo Hyeon-jin, provou ser, indiscutivelmente, uma das melhores atrizes de sua geração. Sobre Oh Hae-young, podemos dizer que a atriz não apenas interpretou bem o papel, mas simplesmente ‘adonou-se’ do personagem... É difícil imaginar outra atriz na pele da ‘borbulhante’ Oh Hae-young.

Oh Hae Young Again teve um sucesso inesperado e significativo para os padrões da TV a cabo. Mas, para evitar decepções, é bom deixar claro que não é o tipo de drama que agrada ao público médio. Há uma combinação de elementos muito variados: a comédia romântica, o drama fantástico, e um humor escrachado que não deve impressionar o espectador mais sisudo...

A partir daqui me despeço de quem ainda não assistiu o drama, e não deseja ler spoilers...


Oh Hae Young Again é um drama encantador, não apenas pela química fantástica entre os protagonistas... A combinação de fantasia, mistério e romance é o maior atrativo do drama. Eu gostei muito desta comédia romântica, por cumprir com dois elementos essenciais ao gênero: interação constante (e crescente) entre os personagens, e diálogos afiados. A forma mais eficiente de aproximar um par romântico é usar o artifício da moradia compartilhada... Os momentos mais divertidos e delicados do drama estão neste convívio a princípio forçado entre o casal (na verdade entre os dois casais centrais). Oh Hae-young é uma Alice no País das Maravilhas, ao descobrir uma porta secreta em seu novo apartamento, que a coloca frente a frente, não com um coelho, mas com um semi-nu Park Do-kyung... Nada mais surpreendentemente delicioso!

Recentemente li comentários mal humorados de espectadoras que não gostaram da personalidade efusiva de Oh Hae-young e, sinceramente, achei tão engraçado... Não sei se é falso moralismo, ou o costume de ver tantas mulheres recatadas serem retratadas nos dramas asiáticos. Apenas a honestidade crua e a impulsividade de Hae-young puderam romper a barreira emocional que Do-kyung impôs a si mesmo, ao longo da vida. Do-kyung é um homem complicado, e, até o final, guardou muitos segredos pessoais de Hae-young. Mas é tocante o modo como ele tenta revelar-se a ela, mesmo que indiretamente, como nos áudios da infância, ou no passeio ao local da morte estúpida do pai... Hae-young fica tateando no escuro para tentar interpretar os sentimentos de Do-kyung. Por isso que não concordo com as críticas à Hae-young, uma mulher incrivelmente sensível e compreensiva... Quem reagiria como ela ao finalmente ouvir a estória das visões? Eu mandaria internar Do-kyung na mesma hora, hahaha!

Sobre as visões, ou déjà vu, de Do-kyung, prefiro interpretá-las como uma metáfora do desejo intenso, mas suprimido de encontrar a felicidade. Com a morte trágica do pai, e a instabilidade emocional da mãe, Do-kyung torna-se uma pessoa terrivelmente séria e pragmática. Do-kyung não é um homem mau ou insensível, mas seu relacionamento com a primeira Oh Hae-young é confortável, mas carente de paixão. O maior erro da bela Oh Hae-young é, ao se dar conta disso, fugir do noivo, ao invés de tentar conquistar seu amor. Pobre Oh Hae-young, externamente tão perfeita, mas no fundo tão frágil e insegura. É difícil solidarizar-se com ela, tendo como comparação a outra Oh Hae-young, tão doce e sincera. Mas é um alívio não vê-la transformada em uma rival caricata, especialmente porque gosto muito da atriz Jeon Hye-bin (The Joseon Gunman), cuja beleza e simpatia são invejáveis no melhor sentido!


Sobre o noivo de Hae-young, Han Tae-jin (Lee Jae-yoon, de Heartless City), sei que alguns simpatizaram com o personagem, mas sinceramente, não foi o meu caso. Não que ele merecesse ir preso, e ser enganado nos negócios, mas ao mesmo tempo, tudo por que passou foi consequência única e exclusiva de seus atos. No instante em que ele opta por romper com a noiva – da forma mais insensível possível– é apenas um jeito simplista de se livrar de mais um problema. E sua personalidade agressiva, quase assassina, é deplorável.

Quanto aos personagens secundários, a diversão é garantida, especialmente com o show de atuação de Ye Ji-won (Ha Ha Ha, What Happened Last Night, Page Turner), como a tresloucada Park Soo-kyeong, irmã de Do-kyung e chefe carrasca das duas Hae-young. Apesar do apelo cômico, achei Soo-kyeong um personagem comovente, uma mulher incrivelmente solitária e emocionalmente carente. Tive a impressão de que ela não ficaria com Lee Jin-sang (Kim Ji-seok, de Take Off, Unkind Women), e criaria o filho sozinha, mas acho que a roteirista optou por um desfecho mais light – o que acabou valendo para todos os personagens...aí faltou um pouco de coragem e ousadia da produção do drama, mas a decisão não pode ser condenada de todo, já que estamos falando de uma comédia romântica, e não de um melodrama. E não dá para desejar nada menos que um final feliz para personagens tão simpáticos!

Tem gente que gosta de dar um fastforward e só ver os protagonistas, mas para mim, uma boa série deve ter coadjuvantes igualmente interessantes... Se os coadjuvantes de Oh Hae Young Again muitas vezes agem como pacientes psiquiátricos, nos momentos cruciais, vêm com as melhores frases, e os conselhos mais sensíveis. Até mesmo Park Hoon (Heo Jeong-min, de Marriage Not Dating), o irmão imaturo de Do-kyung revela ter um coração de ouro, e uma lealdade adorável à sua família postiça. Seu namoro com a jovem Yoon Ahn-na (Heo Young-ji, ex-membro do grupo Kara) é uma das melhores surpresas do drama.

Se Huh Ji-ya, a mãe de Do-kyung, não vai deixar saudades (uma impagável Nam Ki-ae, de Oh My Venus, W), a participação especial de Lee Pil-mo (Pinocchio) como o pai, foi um dos momentos mais emotivos do drama.

Por falar em familiares, quem rouba a cena é Kim Mi-kyeong (Healer, The Heirs), como Hwang Duk-yi, a mãe obsessivamente protetora de Hae-young. O pacífico pai de Hae-young, Oh Kyeong-soo (Lee Han-wie, de Modern Farmer) bem que tenta controlar os ataques de fúria da esposa (com seu hábito excêntrico de despir-se durante uma discussão), mas com pouco sucesso. A possessividade da mãe de Hae-young é sua forma um tanto brusca, mas enternecedora, de expressar seu amor pela filha. É por personagens como estes que o drama conquistou o coração da audiência.


É provável que Oh Hae Young Again seja o melhor, no gênero comédia romântica, que veremos em 2016... No entanto, quem pode prever o que a tvN poderá nos ofertar logo adiante? Mal posso esperar por uma nova Oh Hae-young!

julho 17, 2016

Lucky Romance (drama, 2016)




País: Coréia do Sul
Gênero: Romance
Duração: 16 episódios
Produção: MBC

Direção: Kim Kyeong-hee
Roteiro: Choi Yoon-kyo, Kim Dal-nim (webtoon)

Elenco: Hwang Jeong-eum, Ryu Joon-yeol, Lee Soo-hyeok, Lee Cheong-ah.

Resumo

Shim Bo-nui é uma mulher supersticiosa, que acredita ser a responsável pelo destino trágico de seus familiares. Um xamã convence a jovem de que sua má sorte só será desfeita se ela seduzir um homem nascido no ano do Tigre.

Comentário

Os dramas de primavera têm sempre uma luz especial, e o romantismo irresistível das cerejeiras em flor... Lucky Romance é um destes dramas que aquecem o coração, e deixam apenas boas vibrações no espectador.


Lucky Romance é a estória de uma mulher que vive se escondendo do mundo, com medo de que sua suposta má sorte aflija quem se aproximar dela. Desde criança, Shim Bo-nui (Hwang Jeong-eum) tinha a sensação de que uma maldição pairava sobre sua cabeça, pois os incidentes mais bizarros costumavam a acontecer na sua presença. Com a morte trágica dos pais num acidente de carro, Bo-nui torna-se uma pessoa arredia e supersticiosa. Sem dinheiro para pagar um curso superior, mas com uma inteligência acima da média, a jovem aprende a desenvolver softwares de computador. Mas quando sua irmã caçula Bo-ra (Kim Ji-min) é atropelada e fica em coma, Bo-nui é forçada a encarar vários trabalhos temporários, para pagar as despesas de hospital da menina.


Lee Dal-nim (Lee Cho-hee, de Six Flying Dragons), a única amiga de Bo-nui, trabalha como assistente na Zeze Factory, uma grande empresa desenvolvedora de softwares de videogame. Dal-nim convence a amiga a prestar consultoria para a Zeze Factory, depois de a empresa ter seu último lançamento roubado através de espionagem industrial. Com a crise instalada, eles precisam desenvolver o mais rápido possível um novo produto.


Je Soo-ho (Ryu Joon-yeol), CEO e diretor de projetos da Zeze Factory, é um jovem gênio da informática. Ele é um empresário de sucesso, mas tem um comportamento antissocial que o faz parecer uma pessoa arrogante. Apenas Han Ryang-ha (Jeong Sang-hoon), seu melhor amigo e sócio, sabe que seu temperamento arredio está ligado a um trauma de infância, e à cobrança sofrida, por parte dos pais e professores, sobre sua genialidade precoce.


Como duas mentes brilhantes, mas de alma torturada, é natural que Bo-nui e Soo-ho se sintam atraídos, e ao mesmo tempo, entrem em conflito. Mas tudo se complica quando a saúde da irmã de Bo-nui começa a declinar. Um xamã (Kim Jong-goo) adverte Bo-nui de que só há um modo de salvar a irmã... A mágica irá acontecer quando Bo-nui sacrificar seu próprio corpo, passando uma noite com um homem nascido no ano do tigre (no horóscopo chinês).  Qualquer pessoa normal não levaria a sério tal ritual, mas Bo-nui é muito supersticiosa, e sai a ‘caça’ de um tigre.


Infelizmente, a sorte parece não estar do lado dela, e o único homem próximo é seu novo chefe, Je Soo-ho. Quando Bo-nui toma coragem e faz a “proposta indecente” a Soo-ho, ele fica assustado, para dizer o mínimo... Mas, com o tempo, a oferta começa a tornar-se tentadora, e a guerra de sedução irá inverter-se.

Choi Yoon-kyo, um roteirista iniciante, fez um belo trabalho de adaptação sobre o webtoon Lucky Romance, de Kim Dal-nim. A PD Kim Kyeong-hee (Hero, Gloria) também merece elogios, especialmente pela direção primorosa dos atores. E quando um drama é bom, parece que tudo funciona bem, e a trilha musical se encaixa perfeitamente ao clima delicado e romântico da trama.


Os dois primeiros episódios do drama são um tanto sobrecarregados de informação, e fazem a estória parecer superficial e pouco original... Mas, logo em seguida a trama vai sendo delineada com mais calma, e os personagens revelam-se como criaturas muito complexas e divertidas. Não sei o que acontece com Hwang Jeong-eum (She Was Beauty, Secret, Golden Time), mas ela tem amadurecido a olhos vistos como atriz. Ela está mais bonita e jovial que em dramas mais antigos, e talvez por isso seu romance com o garotão Ryu Joon-yeol seja tão natural e convincente. Aliás, eu estava na expectativa sobre o que Ryu Joon-yeol iria nos apresentar, depois de despertar tantas paixões em Answer Me 1988... E posso garantir que sua ascensão a protagonista foi mais do que merecida. É agradável ver mais uma estrela nascendo nas telinhas coreanas. Parece que o cinema (a porta de entrada do ator) foi uma ótima escola para Ryu Joon-yeol. Que ele continue sua carreira de sucesso, em ambas as mídias!


Se há uma (pequena) reclamação a fazer é o pouco espaço dado a Lee Soo-hyeok (Valid Love), que de co-protagonista, se viu escanteado a mero ator secundário. É realmente uma pena, pois é refrescante ver o ator em um papel mais relax e divertido, como Choi Geon-wook, o amigo de infância de Bo-nui. Quando criança, Geon-wook migrou com a mãe para os EUA, tornou-se um tenista top 10, e adotou o nome Gary. Quando Gary volta à Coréia do Sul, traz consigo sua manager, Han Seol-hee (Lee Cheong-ah). Confesso que não via Lee Cheong-ah desde os tempos de Flower Boy Ramyun Shop, e também lamentei o pouco espaço dado à atriz. Talvez o drama merecesse mais alguns episódios, para dar uma chance aos carismáticos personagens secundários.


Apesar de pequenas falhas, Lucky Romance é um drama caloroso, envolvente, e, o mais importante, traz um par romântico que compartilha um amor tão puro e sincero, que nos faz acreditar que esta coisa de destino pode mesmo acontecer!
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