agosto 02, 2016

Oh Hae Young Again (drama, 2016)



País: Coréia do Sul
Gênero: comédia romântica
Duração: 18 episódios
Produção: tvN

Direção: Song Hyeon-wook
Roteiro: Park Hae-young

Elenco: Seo Hyeon-jin, Eric Moon, Jeon Hye-bin, Lee Jae-yoon, Ye Ji-won, Kim Ji-seok, Kim Mi-kyeong, Lee Han-wie.

Resumo

Park Do-kyung é abandonado pela noiva, Oh Hae-young, no dia de seu casamento. Um ano depois, o destino lhe dará uma nova chance, com outra Oh Hae-young.

Comentário

Park Do-kyung (Eric) é um respeitado engenheiro de som. Sua vida vai muito bem, com sua famosa produtora de áudio, e sua bela noiva, Oh Hae-young (Jeon Hye-bin). No entanto, no dia de seu casamento, Do-kyung é deixado no altar, sem nenhuma explicação. Desesperado, ele tenta encontrar a noiva, mas só fica sabendo que ela partiu subitamente para a Europa. O tempo passa, e ele recebe um email de Hae-young, mas, amargurado, se recusa a ler a mensagem. Cerca de um ano depois, seu melhor amigo Lee Jin-sang (Kim Ji-seok) vem com a notícia bombástica de que Oh Hae-Young está de volta a Seul, e, pior, vai se casar em breve com um empresário chamado Han Tae-jin (Lee Jae-yoon).
 

A inesquecível Oh Hae-young...  Oh Hae-young é uma mulher belíssima, além de ser uma competente consultora do ramo de alimentos. Por isso mesmo, faz todo o sentido que ela tenha se esquecido de Do-kyung, e se apaixonado por outro homem. Mas Do-kyung não consegue controlar sua ira ao se dar conta de que ainda sofre muito com o brusco fim do relacionamento com Hae-young.


A outra Oh Hae-young... Oh Hae-young (Seo Hyeon-jin) é assistente executiva de uma rede de restaurantes em Seul. Ela não construiu uma carreira especialmente brilhante na empresa, mas tem prazer em trabalhar na área de alimentação. E o melhor, está a ponto de se casar com um bonito e bem sucedido empresário, chamado Han Tae-jin. Infelizmente, Hae-young não poderia prever o grande choque que a espera. Um dia antes da boda, seu noivo comunica o desejo de cancelar a cerimônia, com a desculpa de uma suposta falta de compatibilidade do casal. Desesperada, Hae-young pede a Tae-jin que ao menos deixe que ela conte a todos que a decisão de romper foi sua, e não dele. É o único consolo à humilhação alternativa de ter sido abandonada no altar.

Aflito com a possibilidade de rever seu antigo amor, Do-kyung, começa a experimentar estranhas visões, nas quais ele vê uma mulher desconhecida. Acontece que esta mulher está a ponto de surgir e causar uma verdadeira revolução em sua vida... E não é ninguém menos que a “outra” Oh Hae-young.

Assim como uma conjunção complexa de eventos astronômicos pode provocar um raro eclipse, a união abençoada de um grupo de indivíduos pode resultar num projeto artístico de alto nível como Oh Hae Young Again (ou Another Miss Oh). Não que diretor, roteirista ou elenco sejam os mais famosos ou premiados do ramo, mas parece que esta é uma destas ocasiões em que, como diz o ditado, “a união faz a força”. O PD Song Hyeon-wook teve destaque com o sucesso inesperado de um pequeno drama chamado Marriage Not Dating (tvN, 2014), embora tenha conduzido projetos muito mais ‘respeitosos’, como o drama médico Brain (KBS, 2011). O mistério maior talvez esteja no nome da roteirista Park Hae-young, com apenas cinco projetos anteriores no currículo, os mais conhecidos sendo 90 Days, Time to Love, e o novelão I Live in Cheongdam-dong, com absurdos 170 episódios. Só posso imaginar que um drama longo como I Live in Cheongdam-dong tenha dado experiência e agilidade extra para que a roteirista tenha chegado a tão boa forma com Oh Hae Young Again. O mais provável, no entanto, é que a roteirista tenha encontrado o PD perfeito (e vice-versa) como colaborador – situação muito vista entre outros casais de roteirista e diretor.


Mas nada disso teria importância se não fosse por o destino decidir unir o casal protagonista de Oh Hae Young Again, Eric Moon e Seo Hyeon-jin. A mais bela estória de amor não resiste a um par romântico sem química, sem brilho no olhar... Se este drama for lembrado por um único motivo, será pela perfeita harmonia entre o casal protagonista.


Eric (Moon Jeong-Hyeok) tem uma carreira acanhada como ator, mas, como líder do grupo musical Shinhwa é uma celebridade no mundo pop asiático há muitos anos. A fama de cantor pop, ao contrário do que costuma acontecer, parece ter moldado seu caráter de forma muito positiva, e o artista parece saber muito bem que rumo tomar, e não tem pressa alguma de chegar lá. As fãs do Eric ator ficam ansiosas com o tempo que ele tem demorado em aparecer na telinha, mas é muito nítida a vontade dele em proteger seu legado como músico, e não cair em armadilhas fáceis, como foi com o fatídico drama Spy MyeongWol (KBS, 2011). Foram três anos de espera até Eric criar coragem para voltar a atuar, e, afortunadamente, foi com o belo, embora subestimado drama romântico, Discovery of Romance (KBS, 2014). E, finalmente, dois anos depois, chega a consagração, com Oh Hae Young Again. Aos 37 anos, Eric parece ter percorrido um longo, mas frutífero caminho até encontrar-se com Park Do-kyung, o personagem mais desafiador de sua carreira.


Seo Hyeon-jin também teve uma história como cantora pop na adolescência, com o grupo M.I.L.K., mas que durou menos de três anos. Depois disso ela seguiu a carreira de atriz, em musicais, até chegar ao cinema e à TV. E foi nos dramas que a atriz encontrou o verdadeiro sucesso, com dramas os mais variados... De épicos, como Goddess Of Fire Jeongi, The Daughter of the Emperor, ou o mais recente The Three Musketeers, a dramas culinários como Feast of the Gods, e Let´s Eat 2, Seo Hyeon-jin, provou ser, indiscutivelmente, uma das melhores atrizes de sua geração. Sobre Oh Hae-young, podemos dizer que a atriz não apenas interpretou bem o papel, mas simplesmente ‘adonou-se’ do personagem... É difícil imaginar outra atriz na pele da ‘borbulhante’ Oh Hae-young.

Oh Hae Young Again teve um sucesso inesperado e significativo para os padrões da TV a cabo. Mas, para evitar decepções, é bom deixar claro que não é o tipo de drama que agrada ao público médio. Há uma combinação de elementos muito variados: a comédia romântica, o drama fantástico, e um humor escrachado que não deve impressionar o espectador mais sisudo...

A partir daqui me despeço de quem ainda não assistiu o drama, e não deseja ler spoilers...


Oh Hae Young Again é um drama encantador, não apenas pela química fantástica entre os protagonistas... A combinação de fantasia, mistério e romance é o maior atrativo do drama. Eu gostei muito desta comédia romântica, por cumprir com dois elementos essenciais ao gênero: interação constante (e crescente) entre os personagens, e diálogos afiados. A forma mais eficiente de aproximar um par romântico é usar o artifício da moradia compartilhada... Os momentos mais divertidos e delicados do drama estão neste convívio a princípio forçado entre o casal (na verdade entre os dois casais centrais). Oh Hae-young é uma Alice no País das Maravilhas, ao descobrir uma porta secreta em seu novo apartamento, que a coloca frente a frente, não com um coelho, mas com um semi-nu Park Do-kyung... Nada mais surpreendentemente delicioso!

Recentemente li comentários mal humorados de espectadoras que não gostaram da personalidade efusiva de Oh Hae-young e, sinceramente, achei tão engraçado... Não sei se é falso moralismo, ou o costume de ver tantas mulheres recatadas serem retratadas nos dramas asiáticos. Apenas a honestidade crua e a impulsividade de Hae-young puderam romper a barreira emocional que Do-kyung impôs a si mesmo, ao longo da vida. Do-kyung é um homem complicado, e, até o final, guardou muitos segredos pessoais de Hae-young. Mas é tocante o modo como ele tenta revelar-se a ela, mesmo que indiretamente, como nos áudios da infância, ou no passeio ao local da morte estúpida do pai... Hae-young fica tateando no escuro para tentar interpretar os sentimentos de Do-kyung. Por isso que não concordo com as críticas à Hae-young, uma mulher incrivelmente sensível e compreensiva... Quem reagiria como ela ao finalmente ouvir a estória das visões? Eu mandaria internar Do-kyung na mesma hora, hahaha!

Sobre as visões, ou déjà vu, de Do-kyung, prefiro interpretá-las como uma metáfora do desejo intenso, mas suprimido de encontrar a felicidade. Com a morte trágica do pai, e a instabilidade emocional da mãe, Do-kyung torna-se uma pessoa terrivelmente séria e pragmática. Do-kyung não é um homem mau ou insensível, mas seu relacionamento com a primeira Oh Hae-young é confortável, mas carente de paixão. O maior erro da bela Oh Hae-young é, ao se dar conta disso, fugir do noivo, ao invés de tentar conquistar seu amor. Pobre Oh Hae-young, externamente tão perfeita, mas no fundo tão frágil e insegura. É difícil solidarizar-se com ela, tendo como comparação a outra Oh Hae-young, tão doce e sincera. Mas é um alívio não vê-la transformada em uma rival caricata, especialmente porque gosto muito da atriz Jeon Hye-bin (The Joseon Gunman), cuja beleza e simpatia são invejáveis no melhor sentido!


Sobre o noivo de Hae-young, Han Tae-jin (Lee Jae-yoon, de Heartless City), sei que alguns simpatizaram com o personagem, mas sinceramente, não foi o meu caso. Não que ele merecesse ir preso, e ser enganado nos negócios, mas ao mesmo tempo, tudo por que passou foi consequência única e exclusiva de seus atos. No instante em que ele opta por romper com a noiva – da forma mais insensível possível– é apenas um jeito simplista de se livrar de mais um problema. E sua personalidade agressiva, quase assassina, é deplorável.

Quanto aos personagens secundários, a diversão é garantida, especialmente com o show de atuação de Ye Ji-won (Ha Ha Ha, What Happened Last Night, Page Turner), como a tresloucada Park Soo-kyeong, irmã de Do-kyung e chefe carrasca das duas Hae-young. Apesar do apelo cômico, achei Soo-kyeong um personagem comovente, uma mulher incrivelmente solitária e emocionalmente carente. Tive a impressão de que ela não ficaria com Lee Jin-sang (Kim Ji-seok, de Take Off, Unkind Women), e criaria o filho sozinha, mas acho que a roteirista optou por um desfecho mais light – o que acabou valendo para todos os personagens...aí faltou um pouco de coragem e ousadia da produção do drama, mas a decisão não pode ser condenada de todo, já que estamos falando de uma comédia romântica, e não de um melodrama. E não dá para desejar nada menos que um final feliz para personagens tão simpáticos!

Tem gente que gosta de dar um fastforward e só ver os protagonistas, mas para mim, uma boa série deve ter coadjuvantes igualmente interessantes... Se os coadjuvantes de Oh Hae Young Again muitas vezes agem como pacientes psiquiátricos, nos momentos cruciais, vêm com as melhores frases, e os conselhos mais sensíveis. Até mesmo Park Hoon (Heo Jeong-min, de Marriage Not Dating), o irmão imaturo de Do-kyung revela ter um coração de ouro, e uma lealdade adorável à sua família postiça. Seu namoro com a jovem Yoon Ahn-na (Heo Young-ji, ex-membro do grupo Kara) é uma das melhores surpresas do drama.

Se Huh Ji-ya, a mãe de Do-kyung, não vai deixar saudades (uma impagável Nam Ki-ae, de Oh My Venus, W), a participação especial de Lee Pil-mo (Pinocchio) como o pai, foi um dos momentos mais emotivos do drama.

Por falar em familiares, quem rouba a cena é Kim Mi-kyeong (Healer, The Heirs), como Hwang Duk-yi, a mãe obsessivamente protetora de Hae-young. O pacífico pai de Hae-young, Oh Kyeong-soo (Lee Han-wie, de Modern Farmer) bem que tenta controlar os ataques de fúria da esposa (com seu hábito excêntrico de despir-se durante uma discussão), mas com pouco sucesso. A possessividade da mãe de Hae-young é sua forma um tanto brusca, mas enternecedora, de expressar seu amor pela filha. É por personagens como estes que o drama conquistou o coração da audiência.


É provável que Oh Hae Young Again seja o melhor, no gênero comédia romântica, que veremos em 2016... No entanto, quem pode prever o que a tvN poderá nos ofertar logo adiante? Mal posso esperar por uma nova Oh Hae-young!

julho 17, 2016

Lucky Romance (drama, 2016)




País: Coréia do Sul
Gênero: Romance
Duração: 16 episódios
Produção: MBC

Direção: Kim Kyeong-hee
Roteiro: Choi Yoon-kyo, Kim Dal-nim (webtoon)

Elenco: Hwang Jeong-eum, Ryu Joon-yeol, Lee Soo-hyeok, Lee Cheong-ah.

Resumo

Shim Bo-nui é uma mulher supersticiosa, que acredita ser a responsável pelo destino trágico de seus familiares. Um xamã convence a jovem de que sua má sorte só será desfeita se ela seduzir um homem nascido no ano do Tigre.

Comentário

Os dramas de primavera têm sempre uma luz especial, e o romantismo irresistível das cerejeiras em flor... Lucky Romance é um destes dramas que aquecem o coração, e deixam apenas boas vibrações no espectador.


Lucky Romance é a estória de uma mulher que vive se escondendo do mundo, com medo de que sua suposta má sorte aflija quem se aproximar dela. Desde criança, Shim Bo-nui (Hwang Jeong-eum) tinha a sensação de que uma maldição pairava sobre sua cabeça, pois os incidentes mais bizarros costumavam a acontecer na sua presença. Com a morte trágica dos pais num acidente de carro, Bo-nui torna-se uma pessoa arredia e supersticiosa. Sem dinheiro para pagar um curso superior, mas com uma inteligência acima da média, a jovem aprende a desenvolver softwares de computador. Mas quando sua irmã caçula Bo-ra (Kim Ji-min) é atropelada e fica em coma, Bo-nui é forçada a encarar vários trabalhos temporários, para pagar as despesas de hospital da menina.


Lee Dal-nim (Lee Cho-hee, de Six Flying Dragons), a única amiga de Bo-nui, trabalha como assistente na Zeze Factory, uma grande empresa desenvolvedora de softwares de videogame. Dal-nim convence a amiga a prestar consultoria para a Zeze Factory, depois de a empresa ter seu último lançamento roubado através de espionagem industrial. Com a crise instalada, eles precisam desenvolver o mais rápido possível um novo produto.


Je Soo-ho (Ryu Joon-yeol), CEO e diretor de projetos da Zeze Factory, é um jovem gênio da informática. Ele é um empresário de sucesso, mas tem um comportamento antissocial que o faz parecer uma pessoa arrogante. Apenas Han Ryang-ha (Jeong Sang-hoon), seu melhor amigo e sócio, sabe que seu temperamento arredio está ligado a um trauma de infância, e à cobrança sofrida, por parte dos pais e professores, sobre sua genialidade precoce.


Como duas mentes brilhantes, mas de alma torturada, é natural que Bo-nui e Soo-ho se sintam atraídos, e ao mesmo tempo, entrem em conflito. Mas tudo se complica quando a saúde da irmã de Bo-nui começa a declinar. Um xamã (Kim Jong-goo) adverte Bo-nui de que só há um modo de salvar a irmã... A mágica irá acontecer quando Bo-nui sacrificar seu próprio corpo, passando uma noite com um homem nascido no ano do tigre (no horóscopo chinês).  Qualquer pessoa normal não levaria a sério tal ritual, mas Bo-nui é muito supersticiosa, e sai a ‘caça’ de um tigre.


Infelizmente, a sorte parece não estar do lado dela, e o único homem próximo é seu novo chefe, Je Soo-ho. Quando Bo-nui toma coragem e faz a “proposta indecente” a Soo-ho, ele fica assustado, para dizer o mínimo... Mas, com o tempo, a oferta começa a tornar-se tentadora, e a guerra de sedução irá inverter-se.

Choi Yoon-kyo, um roteirista iniciante, fez um belo trabalho de adaptação sobre o webtoon Lucky Romance, de Kim Dal-nim. A PD Kim Kyeong-hee (Hero, Gloria) também merece elogios, especialmente pela direção primorosa dos atores. E quando um drama é bom, parece que tudo funciona bem, e a trilha musical se encaixa perfeitamente ao clima delicado e romântico da trama.


Os dois primeiros episódios do drama são um tanto sobrecarregados de informação, e fazem a estória parecer superficial e pouco original... Mas, logo em seguida a trama vai sendo delineada com mais calma, e os personagens revelam-se como criaturas muito complexas e divertidas. Não sei o que acontece com Hwang Jeong-eum (She Was Beauty, Secret, Golden Time), mas ela tem amadurecido a olhos vistos como atriz. Ela está mais bonita e jovial que em dramas mais antigos, e talvez por isso seu romance com o garotão Ryu Joon-yeol seja tão natural e convincente. Aliás, eu estava na expectativa sobre o que Ryu Joon-yeol iria nos apresentar, depois de despertar tantas paixões em Answer Me 1988... E posso garantir que sua ascensão a protagonista foi mais do que merecida. É agradável ver mais uma estrela nascendo nas telinhas coreanas. Parece que o cinema (a porta de entrada do ator) foi uma ótima escola para Ryu Joon-yeol. Que ele continue sua carreira de sucesso, em ambas as mídias!


Se há uma (pequena) reclamação a fazer é o pouco espaço dado a Lee Soo-hyeok (Valid Love), que de co-protagonista, se viu escanteado a mero ator secundário. É realmente uma pena, pois é refrescante ver o ator em um papel mais relax e divertido, como Choi Geon-wook, o amigo de infância de Bo-nui. Quando criança, Geon-wook migrou com a mãe para os EUA, tornou-se um tenista top 10, e adotou o nome Gary. Quando Gary volta à Coréia do Sul, traz consigo sua manager, Han Seol-hee (Lee Cheong-ah). Confesso que não via Lee Cheong-ah desde os tempos de Flower Boy Ramyun Shop, e também lamentei o pouco espaço dado à atriz. Talvez o drama merecesse mais alguns episódios, para dar uma chance aos carismáticos personagens secundários.


Apesar de pequenas falhas, Lucky Romance é um drama caloroso, envolvente, e, o mais importante, traz um par romântico que compartilha um amor tão puro e sincero, que nos faz acreditar que esta coisa de destino pode mesmo acontecer!

junho 21, 2016

Goodbye Mr. Black (drama, 2016)


País: Coréia do Sul
Gênero: Melodrama
Duração: 20 episódios
Produção: MBC

Direção: Han Hee, Kim Seong Wook
Roteiro: Moon Hee-jeong, Hwang Mi-Na (webtoon)

Elenco: Lee Jin-wook, Moon Chae-won, Kim Kang-woo, Song Jae-rim, Yoo In-young.

Resumo

Cha Ji-Won nasceu em berço de ouro, mas prefere renunciar à administração dos negócios da família, para investir na carreira militar, como um bravo oficial das Forças Especiais da Marinha Coreana. No entanto, sua vida tranquila é abalada por uma grande traição, tornando-o um foragido da justiça, durante uma viagem à Tailândia.  Tempos depois, Ji-won volta a Seul, com uma nova identidade, e com planos de vingar-se daqueles que destruíram sua vida, e a de seus entes queridos.

Comentário

Goodbye Mr. Black é uma adaptação livre do webtoon de mesmo nome, de autoria de Hwang Mi-na, publicado em 1983. A inspiração para o enredo, por sua vez, vem do romance clássico O Conde de Monte Cristo, do escritor francês Alexandre Dumas. O romance original conta a estória de um jovem que é traído por seu melhor amigo, e sua noiva, acusado de um crime que não cometeu, e que reaparece com uma nova identidade para concretizar sua vingança.


Moon Hee-jeong, roteirista da velha escola do melodrama, é conhecida pelo romance clássico Stairway to Heaven (2003), e por obras mais recentes como Smile You (2009), Can You Hear My Heart (2011), e Missing You (2012). A direção ficou a cargo de Han Heui (Empress Qi) e Kim Seong Wook (The Great Wives).

A impressão que dá, às vezes, é que as grandes redes de TV (SBS, MBC, KBS) vivem numa corrida desesperada atrás de novos projetos (sejam dramas ou reality shows) para preencher suas grades de programação e, como consequência, muitas vezes perdem o controle dos mesmos. Quantos dramas partem de uma grande ideia, e acabam em fiasco... O nível da produção de Goodbye Mr. Black poderia ser comparado à de um dos maiores sucessos dos últimos tempos, o drama Descendants of the Sun. Com gravações em um cenário tropical espetacular (a Tailândia), cenas de ação cinematográficas, e um elenco bonito, Goodbye Mr. Black não chegou nem perto da fama alcançada pela concorrência. No entanto, Goodbye Mr. Black é o tipo de drama que reúne aspectos muito interessantes de serem analisados, sobre as dificuldades da construção de um melodrama de sucesso.

Goodbye Mr. Black tinha tudo para ser ao menos um bom makjang. Se Moon Hee-jeong não é uma roteirista brilhante, ao menos é experiente o bastante para criar uma estória de apelo popular. Infelizmente, o impacto da trama de vingança do Sr. Black vai se diluindo ao longo dos episódios, levando a um desfecho rocambolesco e totalmente inverossímil. Um de cada três dramas coreanos tem como tema, mesmo que secundário, algum tipo de revanche espetacular. Francamente, o público anda saturado deste tema... Mas, ironicamente, se Goodbye Mr. Black tivesse seguido a risca o texto original (de Dumas), poderia ter sido mais surpreendente. Infelizmente, a roteirista optou por desfazer-se dos aspectos mais impactantes do original.


Deixando um pouco de lado as fraquezas do roteiro, prefiro me concentrar no elenco do drama. Para começar, os atores estavam todos muito investidos em dar dimensão a seus respectivos personagens. Um bom ator é capaz de sustentar um personagem mal definido, mas há um limite para seu poder de abstração. Mesmo assim, acho que o elenco deste drama fez milagres, diante de diálogos antiquados, e uma direção frouxa.

Temos dois casais protagonistas: Cha Ji-Won e Kim Swan, Min Seon-jae e Yoon Ma-ri. O engraçado é que o envolvimento (a amizade e posterior disputa) entre Cha Ji-Won e Min Seon-jae tem um peso muito maior que o triângulo amoroso com Ma-ri, ou o novo amor de Swan.


Acho que este ‘desvio’ no foco da trama foi involuntário, já que houve um esforço, infelizmente fracassado, em destacar o personagem de Moon Chae-won (Mood of the Day, Nice Guy). Não é culpa, de forma alguma, da atriz, mas Swan é simplesmente um personagem feminino pouco interessante. Ela até tem seus bons momentos... A beleza etérea de Moon Chae-won só favorece o personagem, especialmente no início da estória, quando ela vive como a órfã Khaya, correndo pelas praias paradisíacas tailandesas. Já na Coréia, sua energia estranhamente se desvanece... O corte de cabelo muito curto e o figurino pouco feminino também não ajudam em nada...



Lee Jin-wook (The Time I Loved You, The Target), por outro lado, nunca esteve tão espetacularmente lindo, vestindo o uniforme branco de oficial da marinha. Um tanto magro, e sem músculos definidos, ele pode não convencer muito como um membro das forças especiais da marinha, mas seu sorriso brilhante compensa tudo. Entretanto, se a beleza e simpatia do ator encantam, o personagem encarnado por ele não me conquistou. Cha Ji-Won nos é apresentado como um homem que leva uma vida livre e despreocupada. Cha Jae-wan (Jeong Dong-hwan, de The Heirs), pai de Ji-won é CEO de uma grande corporação, com negócios espalhados pelo continente asiático. O Sr. Cha, que também foi militar, cede à vontade do filho de seguir a carreira na marinha, embora espere que um dia ele assuma a direção da empresa. Mas, apesar da saúde um tanto frágil do pai, Ji-won não parece muito preocupado com seu futuro de herdeiro de milhões. Quando sua vida sofre uma reviravolta, e ele volta como Mr. Black, sua única motivação é a vingança... Mas nós nunca ficamos sabendo como ele passou os últimos cinco anos desaparecido, até reaparecer como um homem frio (mas nem tanto), para reivindicar a fortuna perdida. Mr. Black não consegue ser o personagem misterioso, sedutor e merecedor de redenção que foi o Conde de Monte Cristo, o grande herói que o inspirou.



Se há um personagem que cumpre em parte este papel é Min Seon-jae. Kim Kang-woo (Marriage Blue, Ha Ha Ha, Missing Noir M), como Min Seon-jae, é mais um anti-herói do que um vilão tradicional. Seon-jae é um personagem tão complexo e intrigante, que chegou um momento em que ele pareceu ter se apossado não apenas da vida de Ji-won, mas da estória em si. Se a autora tivesse um pingo de genialidade, teria criado uma obra prima, jogando para o escanteio Mr. Black, e transformando Seon-jae em protagonista da trama. A única explicação para o destaque involuntário de Seon-jae está na atuação brilhante de Kim Kang-woo (este sim, com o corpo esculpido de um mariner!). É impossível não simpatizar, inúmeras vezes, com Seon-jae, e seu complexo de inferioridade diante de Ji-won. Seu amor obsessivo por Yoon Ma-ri (Yoo In-yeong, de Oh My Venus, Mask), a noiva de Ji-won, é lamentável. Mas é ela que decide casar-se com Seon-jae, embora tente fazer-se de vitima, quase até o final... A redenção de Seon-jae pode parecer forçada, mas é mais satisfatória que o resultado caótico do plano de vingança de Mr. Black.

Não me arrisco a indicar enfaticamente Goodbye Mr. Black, mas também não posso classificá-lo como um drama menor. O drama me deixou boas lembranças, de paisagens fantásticas, do sorriso de Lee Jin-wook, e de uma atuação magnífica de Kim Kang-woo, um ator de quem já sou fã de carteirinha.

junho 03, 2016

The Beauty Inside (filme, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Romance, Fantasia
Duração: 127 min.

Direção: Baek Jong-yeol
Roteiro: Kim Seon-jeong, Park Jeong-ye

Elenco: Han Hyo-joo, Lee Dong-hwi, Kim Dae-myung, Lee Beom-soo, Kim Sang-ho, Ko Ah-sung, Seo Kang-joon, Kim Hee-won, Lee Dong-wook, Kim Joo-hyeok, Do Ji-han, Juri Ueno, Park Seo-joon, Yoo Yeon-seok, Lee Hyeon-woo, Park Shin-hye.

Resumo

A fantástica estória de Woo-jin, um homem que acorda a cada dia no corpo de uma pessoa diferente, e de como ele irá lutar para conquistar o amor de Yi-Soo.

Comentário

O produtor de cinema Baek Jong-yeol (Old Boy, Voice of a Murderer) encara seu primeiro desafio como diretor, com o drama romântico The Beauty Inside. O roteiro é assinado a quatro mãos por Kim Seon-jeong (Love Me Not, 200 Pounds Beauty, Take Off) e Park Jeong-ye (Mama, 2011).

The Beauty Inside bebe da fonte da literatura fantástica, evocando contos conhecidos, como A Bela e a Fera, ou O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde), e até mesmo as estórias de vampiros (nas referências à imortalidade). Woo-jin sofre de uma estranha condição, que começou a manifestar-se na adolescência, quando, ao acordar, certo dia, ele não reconhece as próprias feições no espelho. A partir daí, o evento passa a repetir-se, e ele nunca mais volta a encarnar seu corpo original. A condição bizarra faz com que o rapaz praticamente se isole do mundo. As únicas pessoas que conhecem o segredo de Woo-jin são sua mãe (atriz Moon Sook) e seu amigo Sang-baek (Lee Dong-hwi, de Answer Me 1988). Os anos se passam, e, apesar da “maldição” persistir, Woo-jin ao menos é bem sucedido profissionalmente, com seu atelier de móveis exclusivos e personalizados. Seu parceiro Sang-baek o ajuda na empresa, encarregando-se de lidar com os clientes e fornecedores. Um dos únicos prazeres de Woo-jin é ir até uma grande loja de móveis, para apreciar as obras de marcenaria à venda. Até que um dia ele conhece uma nova vendedora do lugar, a bela Hong Yi-soo (Han Hyo-joo), e se apaixona à primeira vista. Certa manhã, Woo-jin acorda com a aparência que considera a ideal para atrair a atenção de Yi-soo...



... “As pessoas dizem que a verdadeira beleza está no interior, mas a primeira impressão também é importante”. Assim, na pele de um alto e belo rapaz (Park Seo-joon, de She Was Beautiful), Woo-jin parte apressadamente ao encontro de Yi-soo. Ele a convida para jantar, e a leva até sua fábrica de móveis, sem revelar ser o dono do lugar. O problema é como encontrá-la uma segunda vez, sendo que no dia seguinte ele pode acordar como uma mulher japonesa (Juri Ueno, de Nodame Cantabile), como um senhor calvo (Kim Sang-ho, de TEN), ou, se tiver muita sorte, como Lee Dong-wook (Scent of a Woman), ou Kim Joo-hyeok (When Romance Meets Destiny).



The Beauty Inside levanta muitas questões importantes sobre os mistérios e a complexidade intrínseca das paixões humanas. Será que somos seres naturalmente egoístas e solitários, sempre em busca de um ideal de beleza inatingível? Dizem que para os homens a aparência é muito mais importante, ao menos à primeira vista... Mas nos dias de hoje, quando a juventude e aparência saudável contam mais que o espírito, homens e mulheres parecem viver eternamente frustrados. Talvez nossos complexos pessoais se vejam refletidos nesta obcessão com a busca do belo, nas pessoas e nos objetos.



The Beauty Inside me fez lembrar outro filme do mesmo gênero, Eternal Sunshine of the Spotless Mind, por sua forma original e envolvente de falar sobre o amor. O grande problema de The Beauty Inside é que o diretor perdeu-se um pouco, deslumbrado com a possibilidade de inserir um elenco tão espetacular em um único filme (se Robert Altman estivesse vivo, ficaria com inveja). O filme se beneficiaria enormemente de uma edição mais ágil e enxuta. Claro que, para quem conhece e admira o cinema coreano, é um prazer muito especial se deparar com um rosto conhecido a cada nova cena. Ninguém quer reclamar por pagar um único ingresso para ver ao mesmo tempo atores queridos como Lee Beom-soo (Last), Seo Kang-joon (Cheese in the Trap), Yoo Yeon-seok (Mood of the Day), ou Lee Jin-wook (Goodbye Mr Black). Que pesem suas fragilidades, o filme conta com atuações brilhantes, especialmente de Hong Yi-soo (Always, Love 911, Cold Eyes) a grande protagonista de The Beauty Inside, e um dos melhores motivos para conferir esta produção. The Beauty Inside nos deixa como este questionamento, talvez impossível de responder: a beleza motiva o amor, ou o amor nos impulsiona a ver um mundo mais bonito?
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