País: Coréia do Sul
Gênero: comédia romântica
Duração: 18 episódios
Produção: tvN
Direção: Song Hyeon-wook
Roteiro: Park Hae-young
Elenco: Seo Hyeon-jin, Eric Moon, Jeon Hye-bin, Lee Jae-yoon, Ye Ji-won, Kim Ji-seok, Kim Mi-kyeong, Lee Han-wie.
Resumo
Park Do-kyung é abandonado pela noiva, Oh Hae-young, no dia de seu casamento. Um ano depois, o destino lhe dará uma nova chance, com outra Oh Hae-young.
Comentário
Park Do-kyung (Eric) é um respeitado engenheiro de som. Sua vida vai muito bem, com sua famosa produtora de áudio, e sua bela noiva, Oh Hae-young (Jeon Hye-bin). No entanto, no dia de seu casamento, Do-kyung é deixado no altar, sem nenhuma explicação. Desesperado, ele tenta encontrar a noiva, mas só fica sabendo que ela partiu subitamente para a Europa. O tempo passa, e ele recebe um email de Hae-young, mas, amargurado, se recusa a ler a mensagem. Cerca de um ano depois, seu melhor amigo Lee Jin-sang (Kim Ji-seok) vem com a notícia bombástica de que Oh Hae-Young está de volta a Seul, e, pior, vai se casar em breve com um empresário chamado Han Tae-jin (Lee Jae-yoon).
A inesquecível Oh Hae-young... Oh Hae-young é uma mulher belíssima, além de ser uma competente consultora do ramo de alimentos. Por isso mesmo, faz todo o sentido que ela tenha se esquecido de Do-kyung, e se apaixonado por outro homem. Mas Do-kyung não consegue controlar sua ira ao se dar conta de que ainda sofre muito com o brusco fim do relacionamento com Hae-young.
A outra Oh Hae-young... Oh Hae-young (Seo Hyeon-jin) é assistente executiva de uma rede de restaurantes em Seul. Ela não construiu uma carreira especialmente brilhante na empresa, mas tem prazer em trabalhar na área de alimentação. E o melhor, está a ponto de se casar com um bonito e bem sucedido empresário, chamado Han Tae-jin. Infelizmente, Hae-young não poderia prever o grande choque que a espera. Um dia antes da boda, seu noivo comunica o desejo de cancelar a cerimônia, com a desculpa de uma suposta falta de compatibilidade do casal. Desesperada, Hae-young pede a Tae-jin que ao menos deixe que ela conte a todos que a decisão de romper foi sua, e não dele. É o único consolo à humilhação alternativa de ter sido abandonada no altar.
Aflito com a possibilidade de rever seu antigo amor, Do-kyung, começa a experimentar estranhas visões, nas quais ele vê uma mulher desconhecida. Acontece que esta mulher está a ponto de surgir e causar uma verdadeira revolução em sua vida... E não é ninguém menos que a “outra” Oh Hae-young.
Assim como uma conjunção complexa de eventos astronômicos pode provocar um raro eclipse, a união abençoada de um grupo de indivíduos pode resultar num projeto artístico de alto nível como Oh Hae Young Again (ou Another Miss Oh). Não que diretor, roteirista ou elenco sejam os mais famosos ou premiados do ramo, mas parece que esta é uma destas ocasiões em que, como diz o ditado, “a união faz a força”. O PD Song Hyeon-wook teve destaque com o sucesso inesperado de um pequeno drama chamado Marriage Not Dating (tvN, 2014), embora tenha conduzido projetos muito mais ‘respeitosos’, como o drama médico Brain (KBS, 2011). O mistério maior talvez esteja no nome da roteirista Park Hae-young, com apenas cinco projetos anteriores no currículo, os mais conhecidos sendo 90 Days, Time to Love, e o novelão I Live in Cheongdam-dong, com absurdos 170 episódios. Só posso imaginar que um drama longo como I Live in Cheongdam-dong tenha dado experiência e agilidade extra para que a roteirista tenha chegado a tão boa forma com Oh Hae Young Again. O mais provável, no entanto, é que a roteirista tenha encontrado o PD perfeito (e vice-versa) como colaborador – situação muito vista entre outros casais de roteirista e diretor.
Mas nada disso teria importância se não fosse por o destino decidir unir o casal protagonista de Oh Hae Young Again, Eric Moon e Seo Hyeon-jin. A mais bela estória de amor não resiste a um par romântico sem química, sem brilho no olhar... Se este drama for lembrado por um único motivo, será pela perfeita harmonia entre o casal protagonista.
Eric (Moon Jeong-Hyeok) tem uma carreira acanhada como ator, mas, como líder do grupo musical Shinhwa é uma celebridade no mundo pop asiático há muitos anos. A fama de cantor pop, ao contrário do que costuma acontecer, parece ter moldado seu caráter de forma muito positiva, e o artista parece saber muito bem que rumo tomar, e não tem pressa alguma de chegar lá. As fãs do Eric ator ficam ansiosas com o tempo que ele tem demorado em aparecer na telinha, mas é muito nítida a vontade dele em proteger seu legado como músico, e não cair em armadilhas fáceis, como foi com o fatídico drama Spy MyeongWol (KBS, 2011). Foram três anos de espera até Eric criar coragem para voltar a atuar, e, afortunadamente, foi com o belo, embora subestimado drama romântico, Discovery of Romance (KBS, 2014). E, finalmente, dois anos depois, chega a consagração, com Oh Hae Young Again. Aos 37 anos, Eric parece ter percorrido um longo, mas frutífero caminho até encontrar-se com Park Do-kyung, o personagem mais desafiador de sua carreira.
Seo Hyeon-jin também teve uma história como cantora pop na adolescência, com o grupo M.I.L.K., mas que durou menos de três anos. Depois disso ela seguiu a carreira de atriz, em musicais, até chegar ao cinema e à TV. E foi nos dramas que a atriz encontrou o verdadeiro sucesso, com dramas os mais variados... De épicos, como Goddess Of Fire Jeongi, The Daughter of the Emperor, ou o mais recente The Three Musketeers, a dramas culinários como Feast of the Gods, e Let´s Eat 2, Seo Hyeon-jin, provou ser, indiscutivelmente, uma das melhores atrizes de sua geração. Sobre Oh Hae-young, podemos dizer que a atriz não apenas interpretou bem o papel, mas simplesmente ‘adonou-se’ do personagem... É difícil imaginar outra atriz na pele da ‘borbulhante’ Oh Hae-young.
Oh Hae Young Again teve um sucesso inesperado e significativo para os padrões da TV a cabo. Mas, para evitar decepções, é bom deixar claro que não é o tipo de drama que agrada ao público médio. Há uma combinação de elementos muito variados: a comédia romântica, o drama fantástico, e um humor escrachado que não deve impressionar o espectador mais sisudo...
A partir daqui me despeço de quem ainda não assistiu o drama, e não deseja ler spoilers...
Oh Hae Young Again é um drama encantador, não apenas pela química fantástica entre os protagonistas... A combinação de fantasia, mistério e romance é o maior atrativo do drama. Eu gostei muito desta comédia romântica, por cumprir com dois elementos essenciais ao gênero: interação constante (e crescente) entre os personagens, e diálogos afiados. A forma mais eficiente de aproximar um par romântico é usar o artifício da moradia compartilhada... Os momentos mais divertidos e delicados do drama estão neste convívio a princípio forçado entre o casal (na verdade entre os dois casais centrais). Oh Hae-young é uma Alice no País das Maravilhas, ao descobrir uma porta secreta em seu novo apartamento, que a coloca frente a frente, não com um coelho, mas com um semi-nu Park Do-kyung... Nada mais surpreendentemente delicioso!
Recentemente li comentários mal humorados de espectadoras que não gostaram da personalidade efusiva de Oh Hae-young e, sinceramente, achei tão engraçado... Não sei se é falso moralismo, ou o costume de ver tantas mulheres recatadas serem retratadas nos dramas asiáticos. Apenas a honestidade crua e a impulsividade de Hae-young puderam romper a barreira emocional que Do-kyung impôs a si mesmo, ao longo da vida. Do-kyung é um homem complicado, e, até o final, guardou muitos segredos pessoais de Hae-young. Mas é tocante o modo como ele tenta revelar-se a ela, mesmo que indiretamente, como nos áudios da infância, ou no passeio ao local da morte estúpida do pai... Hae-young fica tateando no escuro para tentar interpretar os sentimentos de Do-kyung. Por isso que não concordo com as críticas à Hae-young, uma mulher incrivelmente sensível e compreensiva... Quem reagiria como ela ao finalmente ouvir a estória das visões? Eu mandaria internar Do-kyung na mesma hora, hahaha!
Sobre as visões, ou déjà vu, de Do-kyung, prefiro interpretá-las como uma metáfora do desejo intenso, mas suprimido de encontrar a felicidade. Com a morte trágica do pai, e a instabilidade emocional da mãe, Do-kyung torna-se uma pessoa terrivelmente séria e pragmática. Do-kyung não é um homem mau ou insensível, mas seu relacionamento com a primeira Oh Hae-young é confortável, mas carente de paixão. O maior erro da bela Oh Hae-young é, ao se dar conta disso, fugir do noivo, ao invés de tentar conquistar seu amor. Pobre Oh Hae-young, externamente tão perfeita, mas no fundo tão frágil e insegura. É difícil solidarizar-se com ela, tendo como comparação a outra Oh Hae-young, tão doce e sincera. Mas é um alívio não vê-la transformada em uma rival caricata, especialmente porque gosto muito da atriz Jeon Hye-bin (The Joseon Gunman), cuja beleza e simpatia são invejáveis no melhor sentido!
Sobre o noivo de Hae-young, Han Tae-jin (Lee Jae-yoon, de Heartless City), sei que alguns simpatizaram com o personagem, mas sinceramente, não foi o meu caso. Não que ele merecesse ir preso, e ser enganado nos negócios, mas ao mesmo tempo, tudo por que passou foi consequência única e exclusiva de seus atos. No instante em que ele opta por romper com a noiva – da forma mais insensível possível– é apenas um jeito simplista de se livrar de mais um problema. E sua personalidade agressiva, quase assassina, é deplorável.
Quanto aos personagens secundários, a diversão é garantida, especialmente com o show de atuação de Ye Ji-won (Ha Ha Ha, What Happened Last Night, Page Turner), como a tresloucada Park Soo-kyeong, irmã de Do-kyung e chefe carrasca das duas Hae-young. Apesar do apelo cômico, achei Soo-kyeong um personagem comovente, uma mulher incrivelmente solitária e emocionalmente carente. Tive a impressão de que ela não ficaria com Lee Jin-sang (Kim Ji-seok, de Take Off, Unkind Women), e criaria o filho sozinha, mas acho que a roteirista optou por um desfecho mais light – o que acabou valendo para todos os personagens...aí faltou um pouco de coragem e ousadia da produção do drama, mas a decisão não pode ser condenada de todo, já que estamos falando de uma comédia romântica, e não de um melodrama. E não dá para desejar nada menos que um final feliz para personagens tão simpáticos!
Tem gente que gosta de dar um fastforward e só ver os protagonistas, mas para mim, uma boa série deve ter coadjuvantes igualmente interessantes... Se os coadjuvantes de Oh Hae Young Again muitas vezes agem como pacientes psiquiátricos, nos momentos cruciais, vêm com as melhores frases, e os conselhos mais sensíveis. Até mesmo Park Hoon (Heo Jeong-min, de Marriage Not Dating), o irmão imaturo de Do-kyung revela ter um coração de ouro, e uma lealdade adorável à sua família postiça. Seu namoro com a jovem Yoon Ahn-na (Heo Young-ji, ex-membro do grupo Kara) é uma das melhores surpresas do drama.
Se Huh Ji-ya, a mãe de Do-kyung, não vai deixar saudades (uma impagável Nam Ki-ae, de Oh My Venus, W), a participação especial de Lee Pil-mo (Pinocchio) como o pai, foi um dos momentos mais emotivos do drama.
Por falar em familiares, quem rouba a cena é Kim Mi-kyeong (Healer, The Heirs), como Hwang Duk-yi, a mãe obsessivamente protetora de Hae-young. O pacífico pai de Hae-young, Oh Kyeong-soo (Lee Han-wie, de Modern Farmer) bem que tenta controlar os ataques de fúria da esposa (com seu hábito excêntrico de despir-se durante uma discussão), mas com pouco sucesso. A possessividade da mãe de Hae-young é sua forma um tanto brusca, mas enternecedora, de expressar seu amor pela filha. É por personagens como estes que o drama conquistou o coração da audiência.






























