21 de abr de 2013

The Devil (drama, 2007)



País de origem: Coréia do Sul
Gênero: drama, suspense
Duração: 20 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Park Chan-hong

Roteiro: Kim Jee-woo

Elenco: Eom Tae-woong, Joo Jin-hoon, Sin Min-ah.

Resumo

Adolescente rebelde, de família rica, Kang Oh-su protagoniza um evento trágico ao matar acidentalmente um colega de escola. Os anos se passam, e Kang Oh-su é agora um detetive de polícia honesto e dedicado ao trabalho de perseguir os malfeitores. Até que uma série de assassinatos ligados a pessoas próximas a Oh-su revelam-se mais do que mera coincidência... Com a ajuda da jovem Seo Hae-in e de seus poderes mediúnicos, ele tentará prender o manipulador por detrás destes crimes.

Comentário

The Devil pode ser considerado um drama surpreendente, ao menos para quem conhece bem os dramas coreanos. Tanto por abordar temas místicos e sobrenaturais, como pelo ritmo lento e melancólico, The Devil tornou-se um drama ‘cult’ entre os fãs do gênero. Misturando tarologia e fé cristã, The Devil aborda a luta entre o bem e o mal, e as consequências do ódio e vingança na mente humana.

Como costuma acontecer em qualquer cultura, religiões diferentes das praticadas localmente atraem as pessoas por seu mistério e exotismo. É o caso, por exemplo, do fascínio que a religião católica parece exercer sobre os japoneses – vide a quantidade de anjos e demônios que habitam mangás, animes e dramas nipônicos. E o fato da fé cristã estar muito mais presente na cultura sul coreana talvez explique o menor interesse no tema. Especulações a parte, o fato é que The Devil tem um clima que lembra muito certos dramas japoneses do gênero. Até mesmo o ator Joo Ji-hoon, com sua figura longilínea e seu rosto delicado, parece ter saído direto de um mangá... Mas o personagem que interpreta tem um ar angelical que esconde uma alma torturada e vingativa...

Joo Jin-hoon é Oh Seung-ha, que aparenta ser um advogado de bom coração, ao procurar sempre defender os pobres e marginalizados. Mas apesar de sua imagem gentil e generosa, o jovem vive apenas com o objetivo de vingar-se do homem que destruiu sua família.


E este homem é Kang Oh-su (Eom Tae-woong). Quando jovem, Oh-su comportava-se como um delinquente na escola, um modo de chamar a atenção do pai, um político e empresário ambicioso, que não dava atenção e carinho aos filhos. O resultado trágico foi Oh-su causar a morte, mesmo que acidental, do colega Tae Hoon, ao esfaqueá-lo em uma briga.


A mãe e o irmão caçula de Tae-hoon, Tae-seung, não se conformam com o fato de Oh-su ser inocentado pela justiça, sob alegação de autodefesa. E ao morrer em um acidente de carro, pouco tempo depois, ela deixa Tae Seung sozinho no mundo.

Traumatizado com os eventos da adolescência, Oh-su evita o contato pessoal com o pai o máximo que pode, embora se dê bem com o irmão mais velho, que trabalha na administração dos negócios da família. Oh-su é um detetive de polícia que tem paixão pelo trabalho, e é respeitado pelo chefe e colegas, apesar de seu temperamento explosivo.

Ao receber uma carta de tarô misteriosamente ligada a o assassinato de um advogado de sua família, Kang Oh-su busca a ajuda de uma especialista no assunto, a jovem Seo Hae-in (Sin Min-ah).



Seo Hae-in trabalha como bibliotecária, é uma garota meiga e honesta, que mora com a mãe que é surda. Sua melhor amiga é dona de um café onde os clientes podem ter sua sorte lida nas cartas de tarô. Com seus dotes artísticos, Hae-in pinta as delicadas figuras místicas das cartas de tarô que são vendidas no local.

Quando Oh-su começa a receber as cartas de tarô, pintadas a mão pela garota, fica sabendo pelo chefe de polícia que ela possui um dom especial. Ao tocar em certos objetos, Hae-in tem visões sobre as pessoas relacionadas aos mesmos. É por isso que o detetive Oh-su resolve pedir a ajuda de Hae-in para tentar desvendar os crimes que estão atingindo as pessoas mais próximas a ele.


Ao mesmo tempo em que começa a onda de assassinatos, aparece em cena o advogado Oh Seung-ha.  O jovem advogado, assim como o detetive Oh-su, se encanta com a bela Hae-in e, embora ninguém tenha coragem de expressar seus sentimentos, um triângulo amoroso se estabelece, naturalmente.


The Devil, como já mencionei, tem um ritmo lento, que pode frustrar aqueles que esperem um drama mais ágil. Mas quem gostar de uma trama de suspense com um forte apelo poético e dramático irá satisfazer-se muito com o resultado. Em minha opinião os dois pontos fortes do drama são o elenco e os diálogos. Tanto Eom Tae-woong (Cyrano Agency, Doctor Champ, Architecture 101) como Joo Jin-hoon (Princess Hours, Antique, The Naked Kitchen, Five Fingers) se apoiam muito no charme pessoal, para compensar suas deficiências como atores, mas neste drama em especial, os dois investem muito em seus papéis, buscando sempre uma atuação discreta e ao mesmo tempo empática. E Sin Min-ah está encantadora como sempre (A Bittersweet Life, The Beast and the BeautyArang and the Magistrate). Aliás, vale conferir Sin Min-ah e Joo Jin-hoon juntos mais uma vez e ‘soltando faíscas’ no filme The Naked Kitchen.


Quanto à construção da trama e os diálogos, é agradável ver como a roteirista (do drama Revenge (2005) ao futuro Shark (2013), Kim Jee-woo vem repetindo parceria com o diretor Park em todos os seus projetos) procurou humanizar os personagens, ou seja, mostrar que a dualidade bem/mal está dentro de todos nós. E cabe a nós escolher que lado vai predominar e vencer. É a eterna luta entre o céu e o inferno, o bem e o mal, a luz e as trevas. As portas do inferno belamente criadas pelo gênio da escultura, Rodin, são um símbolo poderoso do eterno drama humano que é enfrentar as consequências de seu lado mais obscuro. Acho que a moral da estória é que nem sempre a penitência e a reparação são suficientes para pagar nossos pecados.

12 de abr de 2013

Flower Boy Next Door (drama, 2013)



Título alternativo: The Pretty Boy Next Door
País de origem: Coréia do Sul
Gênero: Comédia Romântica
Produção: tvN
Duração: 16 episódios

Direção: Jeong Jeong-hwa
Roteiro: Kim Eun-jeong, baseado no webtoon I Steal Peeks at Him Every Day, de Yoo Hyun Sook.

Elenco: Park Sin-hye, Yoon Si-yoon, Kim Ji-hoon-I, Park Soo-jin, Ko Kyeong-pyo, Mizuta Kouki, Kim Seul-gi-I, Kim Jeong-san.

Resumo

A jovem Go Dok Mi é uma criatura solitária, cujo único prazer é espiar com um par de binóculos o belo vizinho Han Tae-joon. Go Dok Mi nem percebe também ter um admirador secreto, o artista Oh Jin-rak, que se inspira nela para criar um webtoon chamado "Flower Boy Next Door”. Com a chegada de Enrique Geum, vindo da Espanha, a vida de Go Dok Mi e de seus vizinhos de condomínio vira de cabeça para baixo.

Comentário

Existem dois tipos de bons dramas... Os que merecem defesa, apesar de alguns defeitos que podem afugentar os espectadores mais desligados ou impacientes (vide Missing You, ou Nice Guy). Isso pode exigir a apresentação dos argumentos mais enfáticos e apaixonados a fim de convencer os possíveis interessados. O segundo tipo é o drama que é tão emocionante, inovador ou simplesmente divertido que a vontade é apenas afirmar, “confie em mim, assista este drama”. E é exatamente o caso de Flower Boy Next Door.

Mesmo assim, é um prazer poder enumerar os muitos motivos pelos quais vale muita a pena conferir esta pequena pérola do drama coreano, chamada Flower Boy Next Door. O canal de TV a cabo tvN continua a saga dos dramas carinhosamente rotulados de “flower boys dramas”. A tvN certamente percebeu o potencial dos dramas voltados para um público jovem (coreano, no caso) sedento de estórias mais identificadas com o seu dia-a-dia. Ao contrário dos “flower boys” da SBS e outras, claramente inspirados nos românticos mangás japoneses (Boys Over Flowers, You´re Beautiful, só para citar dois exemplos), os “flower boys” ou “pretty boys” da tvN são aqueles garotos, ou rapazes que nós, mulheres, conhecemos muito bem. Eles são nossos colegas de escola, nossos vizinhos, ou aqueles homens com os quais cruzamos todos os dias no ônibus, a caminho da escola ou do trabalho, e que nos fazem suspirar e sonhar, ou simplesmente iluminam nossas vidas com a sua presença.

E justamente Flower Boy Next Door conta uma destas estórias realmente triviais de amor à distância, mas de uma forma profundamente delicada e poética. Go Dok Mi é uma jovem de 24 anos que trabalha em casa como editora freelancer. Devido a um trauma do passado que nunca conseguiu superar, Go Dok Mi se isolou do mundo em seu pequeno apartamento. Como o velho edifício rodeado e sufocado por modernos condomínios, a tímida Go Dok Mi vive encurralada como um ratinho em sua toca, com medo de ser engolida pelo mundo que ela julga por demais cruel.


O único prazer de Go Dok Mi (Park Sin-hye) é espiar o vizinho do prédio em frente, o belo médico Han Tae-joon (Kim Jeong-san), com o qual cruzou em um belo dia de outono, mas do qual nunca ousou se aproximar. Ela parece conformada em apenas observar de longe a rotina do rapaz.


Enquanto isso, ela nem se dá conta de que muitas coisas acontecem à sua volta, e muitas pessoas a observam atentamente, especialmente seu vizinho de apartamento, Oh Jin-rak (Kim Ji-hoon-I, ator, Joseon X-files – Secret Book; Wish Upon a Star). Há três anos, quando Go Dok Mi mudou-se para aquele condomínio modesto, despertou o interesse do cartunista Oh Jin-rak. Sem coragem de declarar o seu amor, o desenhista cria um weebtoon cujo personagem principal é a sua solitária vizinha.


Mas a rotina tranquila de Go Dok Mi (e consequentemente de Oh Jin-rak) é abalada com a chegada de Enrique Geum (Yoon Si-yoon). Enrique, um coreano criado na Espanha, é um jovem gênio dos videogames, alegre, cheio de vida, o extremo oposto da nossa heroína Go Dok Mi.

Para Enrique, Go Dok Mi é como uma Rapunzel que precisa ser resgatada de sua torre, mesmo que seja contra a sua vontade. Neste sentido Oh Jin-rak e Go Dok Mi são muito parecidos, pois ambos se sentem confortáveis em viver um amor não correspondido – ele por ela, ela por Han Tae-joon – indefinidamente. Go Dok Mi até se pergunta de vez em quando, o que seria dela se um dia o jovem médico desaparecesse de sua vida. Mas são pensamentos que surgem e são afastados de sua mente, pois ela prefere continuar sonhando.


Sendo assim, não será tarefa fácil para Enrique tirar sua Rapunzel da torre, mas o jovem é mais teimoso que ela, e a resistência de Go Dok Mi pouco a pouco vai desmoronando. Pela primeira vez confrontada com uma pessoa tão espontânea e de coração aberto como Enrique, Go Dok Mi começa a enfrentar os fantasmas do passado, a começar pela ex-melhor amiga Cha Do-hwi (Park Soo-jin).


Se a estrutura dramática não chega a fugir do padrão, o texto de Flower Boy Next Door é biscoito fino. Enrique, Go Dok Mi e Oh Jin-rak são três jovens inteligentes, sensíveis e criativos, e seus pensamentos (em off) são o que há de melhor no drama. Go Dok Mi distancia-se de seus sentimentos, narrando-os como os de um personagem que ela conhece muito bem, mas que não pode revelar ao mundo. “Aquela mulher”, ela escreve, “tem medo de ser feliz, pois, como bolhas de sabão, este sentimento pode se desvanecer num instante”.


Oh Jin-rak, por outro lado tenta ver o lado poético da vida através dos desenhos, e Go Dok Mi é sua musa inspiradora. Seu único amigo e colega de trabalho é Oh Dong-hoon (Ko Kyeong-pyo), mas mesmo dele Jin-rak esconde alguns segredos de seu passado.


Já Enrique tem uma personalidade alegre, mas o fato de tentar ver sempre o lado positivo das coisas muitas vezes acabar sendo desgastante para ele. Go Dok Mi vai descobrir que Enrique não é só um rapaz imaturo e brincalhão, ele é um ser humano complexo, intenso e muito interessante.

Recordo que foi a primeira vez que li depoimentos tão sinceros e singelos de atores sobre sua experiência pessoal de trabalho em um drama. Tanto Park Sin-hye (You´re Beautiful; Cyrano Agency; Heartstrings; Heirs) como Yoon Si-yoon (Bread Love and Dreams; Me Too Flower) foram enfáticos ao ressaltar o impacto que este projeto teve em suas vidas. Para ambos, foi uma espécie de libertação pessoal interpretar personagens tão emocionalmente complexos, e ao mesmo tempo tão reais.

Além do belo trabalho da roteirista em criar estes personagens (ou recriar, baseada no webtoon), podemos estender o crédito ao jovem cineasta Jeong Jeong-hwa, que provou possuir uma sensibilidade invejável para conduzir seus atores. A forma natural e espontânea com que os personagens se movem é um dos pontos mais positivos deste drama. Yoon Si-yoon contou, em uma entrevista, como o diretor Jeong pediu que ele elaborasse o roteiro do encontro que teria com Park Sin-hye – tarefa que o ator assumiu como um verdadeiro desafio, mas que lhe deu grande prazer. Jeong Jeong-hwa dirigiu outro drama da franquia “flower boys” da tvN, o igualmente divertido Flower Boy Ramyun Shop (2011). Além disso, dirigiu e roteirizou o filme Lost and Found (2008), uma comédia romântica que recomendo com grande entusiasmo. Experiente roteirista de cinema (co-roteirista do sucesso Il Mare, 2000), este é o primeiro projeto de Kim Eun-jeong para a TV.

O restante do elenco também é encantador, com destaque para o simpático ator japonês Mizuta Kouki, como o cozinheiro Watanabe Ryu, e a comediante e cantora Kim Seul-gi-I, que rouba a cena com editora histérica de webtoons.

 

1 de abr de 2013

Nice Guy (The Innocent Man)


 
Ano: 2012
Gênero: drama, romance
Duração: 20 episódios
Produção: KBS TV

Direção: Kim Jin-won-I, Lee Na-jung
Roteiro: Lee Kyeong-hee

Elenco: Song Joong-ki, Moon Chae-won, Park Si-yeon, Kwang Soo, Lee Yo-bi, Kim Young-cheol, Lee Sang-yeob, Jin Kyeong, Woo Yong, Kim Tae-hoon.

Resumo

O jovem Kang Ma-roo não consegue perdoar a traição de sua namorada Han Jae-hee, e resolve vingar-se usando a herdeira Seo Eun-gi, que perdeu sua memória.

Comentário

Só pelo resumo da trama dá para perceber que Nice Guy carrega nas tintas melodramáticas. Lee Kyeong-hee é uma roteirista veterana, tendo escrito dramas marcantes como Sang Doo, Let's Go To School (2003), Sorry I Love You (2004) e Thank You (2007). Colocar os personagens em situações de estresse psicológico intenso – e igualmente a audiência – é a especialidade da autora.

Não posso escapar de revelar alguns pequenos ‘spoilers’ para poder comentar eventos que julgo importantes na trama, mas sem entregar o desfecho da estória, é claro.

O triângulo amoroso envolve um homem, Kang Ma-roo (Song Joong-ki) e duas mulheres, ambas belas e de personalidade marcante. Han Jae-hee (Park Si-yeon) é, para Kang Ma-roo, a lembrança de um passado doloroso de traição e abandono. E em sua sede de vingança ele irá usar a ingênua Seo Eun-gi (Moon Chae-won), mas como costuma acontecer nestes casos, o feitiço pode virar contra o feiticeiro.


É engraçado que muitos tenham criticado na época as falhas no enredo de Missing You, sendo que elas se repetem quase que igualmente em Nice Guy. Talvez o ritmo mais envolvente e o suspense tenham contado a favor do segundo, e por isso tenha gerado um interesse maior do público por Nice Guy. Ou talvez falar de paixão não seja tão simples como pareça...

Missing You e Nice Guy têm muito em comum em suas tramas... Para começar, o combustível que move os personagens, este sentimento avassalador que é a vingança. Mas em Nice Guy, embora a amnésia também seja usada como um recurso (um tanto batido) do drama, são as lembranças, boas ou más, que movem os indivíduos. Aí já está uma pista, ou quem sabe um questionamento do drama... Sem memória não há dor e sofrimento, mas também não há amor ou paixão real.

Kang Ma-roo é um rapaz pobre, mas cheio de esperanças de um futuro de felicidade, ao lado da irmãzinha Choco e da namorada de infância Han Jae-hee. Tudo parece se encaminhar bem na vida de Ma-roo. Ele é um estudante de medicina brilhante, e sua amada Jae-hee uma repórter de TV em ascensão na carreira. Até o dia em que Ma-roo assume a culpa de um crime cometido por Jae-hee. Quando Ma-roo sai da cadeia, Jae-hee não está a sua espera, mas ao invés disso casou-se com um empresário rico, poderoso e com o dobro de sua idade.

Um encontro inesperado com Han Jae-hee desperta lembranças dolorosas, reabrindo as feridas não cicatrizadas de Kang Ma-roo. A partir daí ele resolve arquitetar uma vingança contra a ex. Para poder se aproximar dela, ele seduz sua enteada, Seo Eun-gi. Eun-gi é o braço direito do pai na administração de um conglomerado empresarial. Profissionalmente, ela é muito bem sucedida (apesar das críticas do pai), mas emocionalmente, é insegura e inexperiente. Por trás de uma fachada de frieza está uma jovem carente de amor e afeto, sentimentos negados pelo pai, e perdidos com a morte da mãe. Eun-gi odeia a madrasta, por haver tomado o lugar de sua mãe e por acreditar que ela não passa de uma caça-fortunas.

A presença de Lee Sang-yeob é sempre bem vinda!

É interessante como a roteirista Lee Kyeong-hee se detém na psique dos personagens, provocando uma série de dúvidas e questionamentos sobre motivações dos mesmos. Para um psicanalista, os personagens de Nice Guy são um prato cheio. Para nós espectadores fica complicado tentar diagnosticar os personagens, com tantas neuroses acumulas sobre os mesmos ao longo do tempo. Temos o complexo de Electra de Eun-gi, e uma insegurança que não condiz com sua posição social e aparência. Aliás, algo que considerei uma falha inexplicável do roteiro foi aparecer apenas no final da trama um diálogo crucial entre Eun-gi e o pai, que esclarece muito sobre o porquê de ela ser como é.


Por outro lado, podemos acompanhar com detalhes razoáveis o desenvolvimento emocional do casal Kang Ma-roo e Jae-hee.

Kang Ma-roo, em resumo, é um bom garoto, que se desvirtuou por uma experiência trágica. Se ele será capaz de voltar a ser o jovem amoroso e cheio de ideais de outrora, é o que o drama irá revelar. Na bela abertura do drama, vemos os ponteiros de um relógio que caminham para trás... E é assim com Ma-roo, tentando recuperar algo de seu passado, mesmo intuindo que esta é uma tarefa inútil. E certamente não será uma vingança que irá fazer seu mundo voltar a ser o que foi um dia.


E Han Jae-hee é um enigma tão grande, que acho que nem ela mesma compreende bem o que quer da vida. Às vezes ela parece ser uma mulher ambiciosa e calculista... mas em seguida seus sentimentos viram um amálgama de dor, culpa, arrependimento, e saudades do amor perdido, Kang Ma-roo. Um personagem interessantíssimo, que provoca sentimentos conflituosos no espectador – raiva, desprezo, piedade e simpatia... às vezes todos juntos em uma mesma cena. Acompanhar a montanha-russa de emoções de Jae-hee é uma tarefa cansativa, tanto para os personagens que a cercam, como para nós. Park Si-yeon (Coffe House, The Scent), apesar de ter lá suas limitações como atriz, destaca-se e merece elogios por encarar um papel dos mais complexos, e que acaba ofuscando em muito os demais personagens, principalmente a rival Eun-gi (Moon Chae-won - My Fair Lady,  Arrow, the ultimate weapon). Sempre digo que uma boa estória deve ter um bom vilão, e no caso de Nice Guy, pode-se dizer que Park Si-yeon criou uma anti-heroína digna dos melhores dramas coreanos. De Miss Coréia do Sul a atriz, Park Si-yeon pode continuar a nos surpreender futuramente, desde que se dedique com seriedade à profissão.

Finalmente, eu classificaria Nice Guy como um bom drama (mas não acima da média, principalmente pelo desfecho anticlimático – veja e tire suas conclusões), divertido, com excelentes atuações, direção e produção impecáveis- gostei muito da trilha musical incidental, especialmente o tango, que imprime um clima de sensualidade e tensão às cenas, além da linda voz de Song Joong-ki, na música “Really”. Precisava ser tão perfeito, o rapaz? (suspiro) Quem é fã do ator Song Joong-ki (A Werewolf Boy, Sungkyunkwan Scandal) vai se deliciar com sua beleza pura e perfeita, e sua voz aveludada... Quem ainda não conhece o poder de sedução do rapaz, não vai resistir aos seus encantos. Ele sozinho vale cada minuto de Nice Guy. Com o perdão do trocadilho, ele não é um ‘bom cara’, mas um ‘cara incrível’!

25 de mar de 2013

A Company Man (filme, 2012)


País de origem: Coréia do Sul
Gênero: Ação, Drama
Duração: 96 min.

Direção e Roteiro: Lim Sang-yoon

Elenco: So Ji-sub, Lee Mi-yeon, Kwak Do-won, Dong Jun, Lee Kyeong-yeong, Han Bo-bae.

Resumo

Ji Hyeong-do usa terno e gravata como qualquer funcionário de empresa... exceto que sua profissão é a de matador. Leal ao seu empregador, ele é considerado o melhor do ramo. Até que um dia ele conhece uma mulher e resolve largar o emprego, mesmo sabendo estar contrariando as regras da companhia. E de caçador, Hyeong-do passa a ser a caça...

Comentário

O drama Ghost, estrelado pelo ator So Ji-sub, fez muito sucesso em 2012, servindo de veículo de promoção para o filme A Company Man. Para os fãs, era grande a expectativa de rever So Ji-sub na telona, e ainda por cima repetindo parceria com o simpático ator Kwak Do-won (o policial Kwon Hyeok-joo, de Ghost).


A Company Man é o primeiro projeto pessoal de Lim Sang-yoon, que trabalhou como diretor assistente nos filmes The Cut, Shadows in the Palace, e no melodrama The Old Garden, todos de 2007. E Lim demonstra segurança e personalidade em sua estreia como diretor e roteirista.

Ji Hyeong-do (So Ji-sub) é um homem de fala mansa, cordial com os colegas e subserviente aos superiores. Mas ele tem um lado frio e metódico, que justifica sua fama de assassino brilhante. Entretanto, uma série de eventos começa a minar, pouco a pouco, a confiança de Hyeong-do como matador.

Alguém fez um comentário interessante sobre A Company Man e seu questionamento social implícito sobre à obsessão das pessoas por dinheiro, sucesso e status. Concordo que há uma pitada de crítica social, mas acho que o foco principal está na moral, na responsabilidade e nas escolhas pessoais que fazemos.


A única forma de sair da “companhia” é se aposentando, ou morrendo. E quando o funcionário Jin Chae-gook resolve abandonar tudo, Hyeong-do recebe a tarefa de perseguir e eliminar o colega. É aí que a semente da dúvida é plantada na mente de Hyeong-do. Ao ser confrontado com Hyeong-do, Jin Chae-gook confessa que durante anos suportou realizar um serviço tão bárbaro, apenas para poder sustentar a família. Com a morte do filho, atropelado por um taxi, tudo perde o sentido para ele. A princípio Hyeong-do fica confuso, pois para ele, trabalhar para a companhia é sua única razão de viver. Compadecemos-nos com a vida vazia e solitária que Hyeong-do leva... (sim, ele é um assassino de aluguel, mas tem o rosto de So Ji-sub, portanto nos dê um desconto)... Até o dia em que ele conhece Yoo Mi-yeon (Lee Mi-yeon, de Love Exposure), uma costureira que luta para sustentar sozinha os filhos. Na juventude, Yoo Mi-yeon teve uma carreira fugaz de cantora pop, mas Hyeong-do lembra muito bem daqueles tempos. Encantado por encontrar a mulher que fez parte de suas fantasias de adolescência, Hyeong-do decide largar o emprego e começar uma vida nova ao lado dela. Ilusão ou ingenuidade, seja o que for que tenha impulsionado Hyeong-do a dar este passo, o preço será alto, pois a “companhia” não aceita cartas de demissão voluntárias.


Esta fusão de melodrama e ação violenta e profusa me fez lembrar os bons tempos dos filmes de ação de John Woo, estrelados pelo maravilhoso Chow Yun Fat. O tiroteio desenfreado em A Company Man choca quem está acostumado aos filmes coreanos, os quais dão preferência, tradicionalmente, às armas brancas e aos golpes de artes marciais. O diretor obviamente é grande fã do cinema de Hong Kong. E apesar das cenas de ação serem muito bem coreografadas, este acaba sendo, na minha opinião, o ponto fraco do filme, já que o cinema coreano de ação costuma ser muito mais inovador e transgressor do que isso.


Mesmo assim, nada tira o mérito da diversão e do prazer de ver So Ji-sub em ação, com sua desenvoltura corporal admirável – ele tem mesmo a postura de um lutador, é só vê-lo em Always, onde ele interpreta um boxeador. So Ji-sub está incrivelmente magro em A Company Man, e não mostra os músculos em nenhuma cena, sendo assim, não precisam segurar a respiração até o final do filme, garotas. Mas estão todas livres para usar a imaginação...

20 de mar de 2013

Missing You (drama, 2012)


País de origem: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Romance
Duração: 21 Episódios
Produção: MBC TV

Direção: Lee Jae-dong
Roteiro: Moon Hee-jeong

Elenco: Park Yoo–chun, Yoon Eun-hye, Yoo Seung-ho, Jang Mi-ne, Song Ok-sook, Cha Hwa-yeon, Jeon Kwang-ryeol.

Resumo

Jung-woo se apaixona pela colega de escola Soo-yeon, mas o que era para ser um amor puro de adolescência acaba em uma tragédia que deixará marcas para toda a vida no casal.

Comentário

Ninguém se esquece de seu primeiro amor de adolescência, um sentimento puro e intenso. E o tempo passa, amadurecemos e aprendemos que o amor não é um sentimento exclusivo ou imutável... Mas nem sempre é assim, pois para Han Jung-woo (Park Yoo–chun), é impossível apagar a experiência do encontro com Lee Soo-yeon (Yoon Eun-hye). Quando o casal de adolescentes apaixonados é misteriosamente sequestrado, Jung-woo consegue escapar do cativeiro, mas nunca mais tem notícias de Soo-yeon.

Os anos se passam e Jung-woo é agora um jovem detetive de polícia, que vive atormentado pelo fantasma da lembrança da amada. Certo dia, ao ser designado para investigar uma morte suspeita de uma mulher, em uma mansão, ele encontra uma jovem que se parece muito com a desaparecida Soo-yeon. Será que Jung-woo está imaginando coisas, na ânsia de rever a amada? Afinal, a jovem em questão diz chamar-se Zoe, uma estilista de moda recém-chegada da França. Jung-woo fica intrigado, pois as feições de Zoe são mesmo diferentes das de Lee Soo-yeon, mas cada vez que ele a ouve chamando seu nome, seu coração lhe diz o contrário.

E o que também perturba Jung-woo é a presença do jovem empresário Harry Borrison (Yoo Seung-ho) na vida de Zoe. Harry parece jovem demais para ser tão bem sucedido no mundo das finanças, e sua relação com Zoe é de total co-dependência. Ele tenta controlar todos os passos da jovem estilista, para que ela não se deixe envolver pelo policial Jung-woo. Mas não é a toa que Jung-woo é conhecido como “coelho louco” pelos colegas, pois quando ele decide esclarecer um caso, não há quem o impeça.

A dúvida sobre a identidade de Soo-yeon fica apenas entre os personagens do drama, pois está mais do que claro para o espectador, desde o princípio, que Zoe é na verdade Soo-yeon. Para o detetive Jung-woo, o que resta é desvendar onde sua amada esteve durante estes 14 anos, e qual é sua relação com Harry Borrison.


Missing You oscila entre o melodrama e o suspense policial, pendendo bem mais para o primeiro. Aliás, este drama deve ter batido todos os recordes de cenas com olhos lacrimejantes, lágrimas correndo e choro desbragado da história da TV coreana. Ao contrário de outros dramas, que podem ser assistidos em forma de ‘maratona’, Missing You deve ser desfrutado em doses homeopáticas. Assistir mais de um episódio por dia, ao menos para mim, foi uma tarefa impossível, tal era a exaustão mental provocada a cada episódio.

Sendo assim, para os desavisados que não suportam melodramas, ou tramas lentas e circulares, nem chegue perto... Já para quem gosta do gênero e, especialmente, para quem é fã do trio protagonista, Park Yoo–chun, Yoon Eun-hye e Yoo Seung-ho, vale a tentativa de acompanhar o drama.

A direção experiente de Lee Jae-dong (Thank You (2007), Can´t Lose (2011)), privilegia as atuações, destacadas por uma fotografia magnífica e um figurino dos mais elegantes.

Não estou familiarizada com o trabalho da roteirista Moon Hee-jeong, mas sei que tem pendido para o melodrama com tintas carregadas, como foi o caso do drama anteriormente assinado por ela, Can You Hear My Heart (2011). Parece-me que no caso de Missing You, lhe faltou experiência para desenvolver o aspecto principal da trama (ou ao menos o que parecia propor-se a princípio), que é a vingança. A autora se perdeu nas emoções íntimas dos personagens, o que resultou num volume de lágrimas capazes de romper as muralhas de uma represa. O excesso de sofrimento acaba por provocar um efeito reverso, que é gerar indiferença no espectador. É claro que muitas cenas emocionam e muito, especialmente as protagonizadas por Park Yoo–chun e Song Ok-sook (Brain, Rooftop Prince), que interpreta com sensibilidade e naturalidade a sofrida Kim Myeong-hee, mãe de Soo-yeon. É até engraçado que o relacionamento de Jung-woo e Kim Myeong-hee, a quem ele chama carinhosamente de ‘namorada’ é o mais intenso e comovente da trama, ofuscando até o romance com Soo-yeon.

Muito se falou sobre o impacto inicial dos personagens na adolescência. A qualidade da atuação destes jovens realmente surpreendeu a todos, mas não a ponto de afetar a transição para os personagens adultos. Simplesmente não dá para criticar as atuações brilhantes do trio principal. Também se especulou sobre uma melhor interação romântica de Yoon Eun-hye com Yoo Seung-ho (Blind, filme), do que com Park Yoo–chun. Não me pareceu o caso, o que aconteceu sim neste drama foi que vimos uma Yoon Eun-hye muito mais contida que o normal. É de estranhar, hoje em dia, que uma escritora de dramas crie um personagem feminino tão frágil como Lee Soo-yeon. Confesso que, até o final do drama, fiquei esperando alguma reação de Soo-yeon aos constantes abusos que sofre, mas ela segue firme (e fraca) como a legítima dama em perigo, a espera de ser resgatada pelo príncipe encantado. A atriz Yoon Eun-hye (Lie to Me) fez o que pôde com o pouco que lhe foi oferecido, e se saiu bem até demais. O mesmo vale para Yoo Seung-ho, que encarou um papel complicado, cheio de falas que soariam absurdas na boca de outro ator, e provou que tem um futuro brilhante pela frente (assim que cumprir seus dois anos de serviço militar obrigatório).

Finalmente, se Missing You é um drama difícil de classificar - trama confusa, mas atuações brilhantes, direção apurada, mas edição preguiçosa – o que me levou, pessoalmente, até o final da estória é o ator (e cantor) Park Yoo–chun (Sungkyunkwan Scandal, Rooftop Prince). Atrevo-me a afirmar que Yoo-chun carregou o drama nas costas, com dedicação, bravura e honestidade interpretativa, até o finalzinho, até o diretor gritar “corta!” pela última vez.

15 de mar de 2013

The Yellow Sea (filme, 2010)


País de origem: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Ação, Thriller
Duração: 156 min.

Direção e Roteiro: Na Hong-jin

Elenco: Ha Jeong-woo, Kim Yoon-seok, Jo Seong-ha, Lee Cheol-min, Kwak Do-won, Lim Ye-won.
 
Comentário

O Mar Amarelo (Yellow Sea) é aquela porção do oceano Pacífico que divide o leste da China da costa oeste das duas Coréias. Como consequência desta proximidade, há muito tempo estabeleceu-se uma colônia de coreanos em território chinês, e é daí que sai o nosso personagem principal. O sino-coreano Kim Goo-nam vive na cidade de Yanbian, na Província de Jilin, onde trabalha como taxista.  Sua mulher imigra para a Coréia do Sul, em busca de um emprego melhor remunerado, mas os meses se passam, e Kim não tem mais notícias dela. Desesperado, com uma pilha de dívidas que só crescem com as tentativas frustradas de ganhar dinheiro no jogo de majong, e com uma filha pequena para sustentar, Kim Goo-nam ainda por cima começa a ouvir boatos de que sua esposa teria arrumado outro homem na Coréia.

Encurralado pelos cobradores, ele acaba aceitando a missão de entrar clandestinamente na Coréia do Sul para assassinar um homem. Kim Goo-nam não é um criminoso, muito menos um matador de aluguel, mas na ansiedade de encontrar a esposa, ele chega a Seul para realizar o serviço sujo. O líder de uma gangue de Yanbian, Myeon Jeong-hak, promete que Kim receberá uma bela quantia em dinheiro, se matar determinado sujeito e trouxer um dedo polegar como prova do feito.

Agora imagine a situação deste homem, um sujeito comum, trabalhador, pai de família, que é obrigado, de um dia para o outro, a viajar a um país estranho (embora seja coreano, ele sempre viveu na China) para matar e mutilar um homem, fria e cruamente. O desfecho da estória, pelo senso comum, é óbvio... Exceto que ninguém poderia imaginar que o instinto de sobrevivência de Kim Goo-nam seria tão forte.

O filme inicialmente é lento e tem um tom de drama com toques de crítica social. Mas não demora muito para o diretor Na Hong-jin mostrar a que veio. A partir do assassinato brutal do alvo de Kim Goo-nam – o que acontece de forma surpreendentemente diversa do planejado – uma onda de violência explode literalmente na tela. Fugindo da polícia e dos bandidos, Kim Goo-nam protagoniza cenas de verdadeiro terror pelas ruas escuras e geladas de Seul. As perseguições automobilísticas são o ponto alto do filme, deixando o espectador sem fôlego e admirado com a verdadeira coreografia orquestrada sob quatro rodas.

Outro destaque vai para a ferocidade do gangster Myeon Jeong-hak, papel interpretado com maestria por Kim Yoon-seok. As cenas em que Myeon enfrenta os adversários tendo como arma um machado são inesquecíveis, de provocar calafrios. O grande ator Kim Yoon-seok repete parceria bem sucedida com o diretor Na, depois do elogiado e premiado thriller policial The Chaser (2008).

E a estrela do filme, Ha Jeong-woo (1979), arrasa como sempre, em um papel que deve ter sido incrivelmente desgastante para ele. Ha Jeong-woo (The Client) é um ator que emana uma autoconfiança que pode passar por egocentrismo (talvez ele até o seja, vai saber), mas não dá para negar o seu talento... Além do mais ele é um homem belíssimo, que poderia fazer apenas papéis de sedutor, se o desejasse (ver My Dear Enemy, 2008). E tem uma meia dúzia de filmes com ele estreando este ano, como Berlin File, The Terror Live e Band of Thieves. Aliás, falando em homens atraentes, uma questão divertida... Se você fosse casada com Hyeon Bin, com quem você pensaria em traí-lo? Em Come Rain, Come Shine, a voz misteriosa ao telefone do amante de Im Soo-jeong é a de Ha Jeong-woo... Muito apropriado, não?!
 
The Yellow Sea é um filme longo (156 min.), mas uma vez que a ação engrena, não se sente o tempo passar. E o cineasta Na Hong-jin é um homem talentoso e cerebral, que coloca suas ideias no papel e as filma buscando sempre a originalidade. O que me agrada neste diretor é que ele nunca coloca as cenas de ação acima da estória que está contando, ou seja, ele nunca nos faz esquecer de que o importante são os personagens, e as consequências de seus atos.

14 de mar de 2013

Strawberry Night (drama, 2012)


País de origem: Japão
Gênero: drama, policial
Formato: Renzoku
Duração: 11 episódios
Produção: Fuji TV

Música tema: Misenai Namida wa, Kitto Itsuka (GreeeeN)
Música incidental: Hayashi Yuki

Direção: Ishikawa Junichi , Sato Yuichi.
Roteiro: Tatsui Yukari, Hayashi Makoto, Kuroiwa Tsutomu, Ouki Shizuka.

Elenco: Takeuchi Yuko, Nishijima Hidetoshi, Koide Keisuke, , Ukaji Takashi, Maruyama Ryuhei, Endo Kenichi , Takashima Masahiro , Namase Katsuhisa,Tsugawa Masahiko, Watanabe Ikkei, Takeda Tetsuya.    

Resumo

A detetetive Himekawa Reiko trabalha na Polícia Metropolitana de Tóquio. Ela não vem da elite da academia de polícia, tendo subido na carreira pelo próprio esforço e talento. Com o apoio de uma equipe de detetives dedicada, Himekawa desvenda os crimes mais complexos e misteriosos da cidade.

Comentário

Tudo começou no ano de 2010, quando a Fuji TV resolveu adaptar o romance policial "Strawberry Night", do escritor Honda Tetsuya. O romance, publicado pela primeira vez em 2006, foi bestseller no Japão.

Dirigido por Sato Yuichi, o episódio único de Strawberry Night, estreado em novembro de 2010, foi adaptado do romance de Honda pelo roteirista Tatsui Yukari. Com um roteiro ágil e uma heroína forte, mas que esconde um evento traumático em seu passado, o drama especial Strawberry Night gerou expectativa sobre uma possível continuidade.

E foi apenas em 2012 que o projeto foi reestabelecido, reunindo, felizmente, o elenco original, adicionadas algumas novidades, como o ator Koide Keisuke.

Himekawa Reiko (atriz Takeuchi Yuko) é jovem, bonita e inteligente, mas teve de lutar muito para chegar ao posto de líder de um esquadrão da Polícia Metropolitana de Tóquio. Como única mulher em seu departamento, ela enfrenta diariamente o preconceito machista de alguns superiores e colegas. Por sorte, o chefe Imaizumi Haruo e os subordinados diretos de Himekawa apoiam e admiram abertamente o seu talento especial para analisar e desvendar crimes.

O fiel escudeiro de Himekawa é o detetive Kikuta Kazuo (Nishijima Hidetoshi, de Real Clothes), um policial durão, de poucas palavras, mas obviamente encantado pela bela chefe. Ishikura Tamotsu (Ukaji Takashi) é um policial maduro, sereno e pouco ambicioso. Já Yuda Kohei (Maruyama Ryuhei) ainda é um garotão, mas é um detetive dedicado e amigável. A nova adição à equipe de Himekawa é Hayama Noriyuki (Koide Keisuke, de Perfect Report) um jovem sério e ambicioso, que tem de se adaptar ao estilo pouco ortodoxo da nova chefe.

Strawberry Night tem todos os ingredientes de um bom drama policial – suspense, crimes intrincados e vilões assustadores. Mas é a forma original e intuitiva com que a detetive Himekawa resolve os crimes que conquista o espectador e diferencia o drama de outros do gênero.

A atriz Takeuchi Yuko (Tengoku No Honya-Koibi), delicada e meiga como sempre, traz uma sensibilidade comovente ao papel, fugindo do estereótipo da policial agressiva e pouco feminina. Para os colegas, a detetive Himekawa é uma mulher determinada e corajosa, mas ninguém imagina o quanto ela luta para dissimular a própria fragilidade emocional, provocada por um grande trauma do passado.

Strawberry Night é dividido em cinco capítulos (estórias) que se desenvolvem ao longo de seus 11 episódios. Com trama envolvente, edição ágil, elenco de primeira linha e uma direção e fotografia de dar inveja a qualquer filme, este drama policial está entre os mais interessantes já produzidos pela TV japonesa.


Para alegria dos fãs, seguiu-se um “drama special” Strawberry Night, After the Invisible Rain (2013) e, para encerrar (ou não?) a saga da detetive Himekawa, Strawberry Night, the Movie (2013).

Assista o trailer de Strawberry Night, the Movie:
 

8 de mar de 2013

Soul Mate (drama, 2006)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Romance, Comédia
Duração: 22 episódios + 1 especial
Produção: MBC TV

Direção: Noh Do-cheol, Seo Hye-eun
Roteiro: Jo Jin-gook, Park Eun- Jeong, Nam Ji-yeon

Elenco: Sin Dong-wook, Lee Soo-kyeong, Choi Philip, Sa Kang, Otani Ryohei, Jang Mi-ne, Kong Jeong-hwan, Kim Mi-jin, Lee Jung-yong, Ha Joo-hee, Joo Ho
Resumo

Soul Mate retrata os encontros e desencontros amorosos de um grupo de jovens adultos vivendo em Seul, enquanto faz o espectador questionar até que ponto é uma ilusão acreditar na existência de uma alma gêmea.
Comentário

Soul Mate estreou em 2006 e seus 22 episódios foram ao ar de dois em dois, ao longo de 12 dias, num formato um pouco diferente do habitual. Soul Mate me fez lembrar alguns dramas recentes, como I Need Romance ou Twelve Men in a Year, tanto pelo formato como pela temática.  A estória foca a vida sentimental de quatro casais por volta dos seus 30 anos, e suas visões muito particulares sobre o amor.
Passado o choque com o visual para lá de cafona (mas na época muito moderno, é claro) dos personagens, fica a boa impressão quanto aos diálogos e às situações. Se o drama fosse refeito hoje, pouca coisa mudaria além da moda e dos aparelhos celulares, pois quando se fala de amor e relacionamentos entre homens e mulheres, o tempo passa, mas os conflitos e dilemas são os mesmos.

Em cada episódio da sitcom nos deparamos com os problemas amorosos de um ou mais personagens, mas o centro da trama está em Sin Dong-wook e Lee Soo-kyeong, e se o casal está ou não destinado a ficar junto, como almas gêmeas.
É engraçado que o personagem interpretado por Sa Kang, a riquinha mimada e conservadora Hong Yu-jin, me pareceu tão detestável a princípio, que quase abandonei o drama já no primeiro episódio. Ainda bem que resolvi dar uma segunda chance ao drama, pois no final das contas, a chatinha Hong Yu-jin foi a que protagonizou as cenas mais engraçadas, e também algumas das mais comoventes de Soul Mate.

E o resto do elenco também é muito agradável, principalmente o casal principal, Sin Dong-wook e Lee Soo-kyeong. Lee Soo-kyeong mostra-se, como sempre, muito confortável em um papel cômico, mesmo que com alguns toques de dramaticidade. Entre os personagens ela é que tem o visual mais clean, e portanto menos datado. Sin Dong-wook, por outro lado, parece um personagem de mangá dos anos 90. Mas não dá para negar o charme mortal do rapaz, o que ajuda em muito a superar suas fraquezas como ator.
O mesmo já não dá para dizer do japonês Ryohei Otani, cuja atuação sofrível é ainda mais destacada por seus ternos e camisas abomináveis.

Em uma nota um tanto triste, o último trabalho do ator Sin Dong-wook foi o drama Wish Upon a Star, de 2010. Depois disso, o ator foi dispensado do serviço militar, ao ser diagnosticado como portador de uma doença grave e muito rara, denominada CRPS (Complex Regional Pain Syndrome), e que infelizmente afastou Sin da vida pública por tempo indefinido.
A turma simpática de Soul Mate: Ryohei Otani, Sa Kang, Lee Soo-kyeong, Sin Dong-wook, Jang Mi-ne, Kong Jeong-hwan, Kim Mi-jin e Choi Phillip
No mais, Soul Mate é altamente recomendável para quem procura um drama que fuja um pouco dos padrões coreanos do gênero, e que fale de amor de um jeito mais realista, mas sem perder o bom humor. E porque não dizer, sem nos fazer perder a esperança de que nossas almas gêmeas possam estar por aí, em algum lugar deste mundo, procurando por nós.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...