1 de ago de 2014

The Thieves (filme, 2012)


País: Coréia do Sul
Gênero: ação, drama
Duração: 139 min.

Direção: Choi Dong-hoon
Roteiro: Lee Gi-cheol, Choi Dong-hoon

Elenco: Kim Yoon-seok, Lee Jeong-jae, Kim Hye-soo, Jeon Ji-hyeon, Kim Hae-sook, Kim Soo-hyeon, Oh Dal-soo, Simon Yam, Angelica Lee, Derek Tsang, Joo Jin-mo, Sin Ha-gyoon, Ki Gook-seo.

Resumo

Um grupo de ladrões coreanos, especializados em grandes roubos, vai a Macau com a intenção de realizar um grande golpe em um cassino. No entanto, disputas internas irão por em risco a operação ousada dos ousados bandidos.

Comentário

Ao assistir um filme do diretor Choi Dong-hoon, o espectador já sabe o que esperar, ou seja, tramas envolvendo grandes golpes, ladrões espertos e uma pitada de humor. E apesar de repetir até certo ponto a mesma fórmula em todos os seus filmes, o cineasta Choi (The Big Swindle, Tazza) tem um público fiel, e suas produções costumam quebrar recordes de audiência, o que não foi diferente com The Thieves. Este filme foi o maior sucesso até agora, tanto para o diretor, como para as bilheterias dos cinemas coreanos, ultrapassando até mesmo os blockbusters americanos em cartaz na mesma época. Mas dizer que um filme foi um sucesso de público nem sempre significa falar em qualidade, ou inovação.

Não se pode afirmar que The Thieves seja um filme inovador no gênero, já que segue quase a risca o formato mais clássico do gênero, surgido a partir dos anos setenta, nos EUA. Mas também, manter-se fiel ao gênero não é necessariamente um defeito, desde que se proponha a contar uma boa estória, e este objetivo é plenamente alcançado em The Thieves.

Em The Thieves o diretor Choi investe em uma trama que envolve um golpe internacional, que parte de Seul, vai a Hong Kong, Macau, e de volta ao ponto de partida. Sendo assim, temos a oportunidade de ver os atores coreanos contracenando com astros do cinema chinês, como Simon Yam, Angelica Lee e Derek Tsang. O que faz deste um filme divertido é a mistura bem dosada de personagens engraçados, cenas de ação vertiginosas e, especialmente, um roteiro bem elaborado. Outro grande trunfo são as ótimas atuações, principalmente do elenco feminino, que arrasa tanto nas cenas de ação, como nos momentos mais dramáticos da estória. O trio principal de atrizes, Kim Hye-soo (The Face Reader), Jeon Ji-hyeon (The Berlin File) e Kim Hae-sook (Hotel King) é responsável por garantir a emoção à flor-da-pele em cada frame desta película. Não que os rapazes não contribuam com sua porção de charme masculino... Kim Yoon-seok (Sea Fog, The Yellow Sea) sempre surpreende com sua atuação camaleônica e certamente é o personagem mais importante do filme. Lee Jeong-jae (The New World), por outro lado, não tem medo de levar seu personagem a extremos, de bandido malicioso, a vilão detestável [Uma curiosidade, para quem não sabia, ou não lembra, Lee Jeong-jae e Jeon Ji-hyeon viveram um par romântico memorável, no filme Il Mare]. O jovem ator Kim Soo-hyeon esbanja charme, e suas cenas quentíssimas com Jeon Ji-hyeon resultaram na parceria posterior no drama My Love From the Star, um dos maiores sucessos de 2013.

Em resumo, a estória de The Thieves é a seguinte: Popie (Lee Jeong-Jae), Yenicall (Jeon Ji-hyeon), Chewingum (Kim Hae-Sook) e Zampano (Kim Soo-Hyeon) formam uma equipe de ladrões altamente especializados. Um ex-parceiro de crime, Macao Park (Kim Yoon-Seok) aparece com uma proposta de realizar um grande golpe em Macau. Ao grupo, junta-se Pepsee (Kim Hye-Soo) recém saída da prisão.

Anos atrás, Macao Park, Pepsee e Popie trabalharam juntos em vários golpes. E na época, Macao Park e Pepsee estavam apaixonados. Só que, durante o roubo de barras de ouro, o cabo de aço que sustentava Macao Park num elevador de carga rompeu-se, e ele desapareceu com o valor do assalto. Pepsee foi presa logo em seguida e nunca mais teve notícias do namorado. Agora, Popie, Yenicall, Chewinggum e Zampano vão a Hong Kong trabalhar com Macao Park, que não sabe que Pepsee se unirá ao grupo.

Em Hong Kong, um grupo local espera pelos colegas coreanos. Os quatro ladrões cantoneses são Chen (Simon Yam), Andrew (Oh Dal-Su), Julie (Angelica Lee) e Johnny (Kwok Cheung Tsang). No entanto, quando os dois grupos se encontram, a interação não é das melhores, e o clima fica tenso.

Macao Park tenta acalmar os ânimos, para então expor seu plano ousado que é o de roubar um diamante valiosíssimo, conhecido como "Lágrima do Sol". O diamante deve ser tirado das mãos de Wei Yong, um grande chefe da máfia local. Mais que isso, o tal diamante está guardado em um cofre, numa suíte de um cassino de Macau. Macao Park pretende repassar a joia pela bagatela de U$20 milhões. A partir deste plano, as duas equipes terão de trabalhar juntas para realizar o maior roubo de suas vidas... No entanto, cada um dos bandidos tem suas prioridades pessoais quanto ao resultado do golpe.

The Thieves é um filme divertidíssimo, e poucas ressalvas podem ser feitas sobre a película. Uma coisa que sempre me incomoda é a edição, e estou falando especificamente da duração dos filmes - no caso de filmes de ação, menos sempre é melhor. Eu meteria a tesoura em uns vinte minutos do filme, tranquilamente. Na verdade o filme nem é tão longo, mas a impressão é de que muita coisa acontece, talvez por causa das mudanças de cenário ao longo da trama. Outra coisa que pode irritar os mais sensíveis são os diálogos em várias línguas, que acabam ‘poluindo’ as legendas e dificultando um pouco a leitura das mesmas. Por outro lado, eu acho legítimo que os personagens falem a língua de seu país, fica muito mais natural (melhor que todos falando um inglês macarrônico). Enfim, confesso que The Thieves ficou muito acima das minhas expectativas, e acho que o filme acaba agradando muito a nós, garotas, graças ao destaque (pouco comum em filmes de ação) dado aos personagens femininos. Girl Power!

29 de jul de 2014

Tudo bem, é o amor...


Fechando as contas dos dramas que acompanhamos neste último trimestre, fica a impressão de que muita coisa aconteceu, mas não é bem assim... Isto porque a expectativa gerada por vários dramas ficou frustrada por uma série de desfechos anticlimáticos. Nem vou incluir Doctor Stranger nesta lista, que foi uma grande decepção quase do início ao fim.  O que aconteceu nos bastidores deste drama resultaria num enredo muito mais emocionante do que o mix mal resolvido de drama médico com espionagem internacional. Ironicamente, o final de Doctor Stranger não foi surpreendente, ou frustrante; foi apenas um grande alívio que tenha se acabado - menos para os chineses, é claro, que terão o privilégio duvidoso de ver um filme (!) montado com sobras de rodagem, mais cenas extras, mas censurando tudo o que faça referência à Coréia do Norte. O cúmulo da ironia é que este era o projeto original oferecido pela produtora à SBS, um mero drama médico, com pitadas de romance, e que foi rejeitado veementemente pela rede de TV. Lembro-me de ter comentado antes de sua estreia, que era bom que DS não fosse mais um de muitos dramas médicos medianos que vinham passando nos últimos tempos... Antes tivesse sido assim!


Muito mais interessantes foram os dramas God´s Gift, Three Days e Gap Dong, embora a satisfação com seus finais também não tenham sido uma unanimidade entre os espectadores. Apesar de pequenos deslizes que possam ter ocorrido, eu recomendaria estes três dramas para qualquer um que goste de tramas policiais, de ação, ou dramas psicológicos. Three Days é o drama mais convencional entre os três, mas nem por isso me agradou menos. Apesar do ritmo frenético inicial ter sido desacelerado gradualmente, o envolvimento do elenco com seus personagens foi o que bastou (ao menos para mim) para que o interesse sobre a trama não esmorecesse. O ator Park Yoochun comentou em entrevista ter amado interpretar o agente Han Tae-kyung, e realmente, o personagem lhe caiu como uma luva.


Gap Dong foi um drama que me emocionou de forma muito pessoal, já que é inspirado em um de meus filmes favoritos, Memories of Murder (2003); tanto o drama como o filme são baseados em fatos reais, os assassinatos em série de Hwaseong. Em Gap Dong, o diretor Jo Soo-won volta a reunir-se com o ator Yoon Sang-hyeon, após o sucesso de I Hear Your Voice. Embora tenha patinado um pouco na reta final, Gap Dong é um drama impecável, muito acima da média. Entraremos em detalhes sobre esta produção em uma futura postagem...


O drama God´s Gift – 14 Days talvez tenha sido o mais impactante entre os três mencionados, e, por isso mesmo, o mais polêmico... E quando falo em polêmica me refiro ao tão esperado final da estória da jornalista Kim Soo-hyeon e da fantástica viagem no tempo para salvar a vida de sua filha, Saet-byeol. Em uma trama de fantasia, fica implícita a cumplicidade do público com o inesperado e o absurdo... Mas, por outro lado, o mínimo que se espera é que os personagens que acompanhamos com tanto interesse ao longo de 16 episódios se despeçam com um mínimo de dignidade. O problema não é o que aconteceu, mas a forma brusca e desnecessariamente implícita para apresentar este desfecho. Tenho duas teorias para este estranho fiasco: a primeira seria a produção ter contado com uma extensão da trama, o que não ocorreu, e por isso o final foi literalmente atropelado pelos fatos; a segunda teoria estaria relacionada com o trágico acidente ocorrido na Coréia, naquela mesma semana, envolvendo uma situação muito próxima ao destino dos personagens do drama, numa coincidência das mais infelizes. É uma destas situações desafortunadas em que a vida imita a arte, ou vive-versa. Tive a sensação de que a cena crucial que se passa no rio foi omitida propositalmente, e se foi o que aconteceu, não é algo que possa ser criticado, dadas as circunstâncias. De qualquer modo, é apenas uma ressalva, já que God´s Gift nos brindou com grandes atuações, especialmente de Lee Bo-yeong (I Hear Your Voice) e de Jo Seung-woo (Sword With No Name).


Se a SBS TV começou o ano tão bem, com dois dramas sólidos (Three Days e God´s Gift), pisou na bola logo na sequência, com Doctor Stranger, e tristemente, com You´re All Surrounded. Se Doctor Stranger era tão ruim que era divertido assistir, e fazer piadas sobre seu o enredo absurdo, You´re All Surrounded nem ao menos contou com o tempero de uma boa polêmica. Nem tão ruim que mereça ser desancado, nem tão bom que valha uma segunda chance, assim foi este soporífero drama policial. You´re All Surrounded carecia de todos os elementos típicos do gênero policial, como boas cenas de ação, e crimes complexos. Num balanço irregular entre a comédia, o melodrama e até uma pitada de romance, You´re All Surrounded ficou devendo em todos os quesitos. Sinceramente, se não fosse pela presença do ator Cha Seung-won, que amo de paixão, não perderia tempo com este drama fraquíssimo. Recomendo You´re All Surrounded apenas para fãs do gatíssimo Lee Seung-ki, que emprestou sua bela voz para a trilha musical do drama.


Quem estava no páreo com o maluco Doctor Stranger, e foi conquistando ao poucos a audiência até chegar à liderança é o drama Triangle (MBC), a melhor surpresa da temporada. Triangle é a estória de três irmãos, separados bruscamente na infância, mas reunidos pelo destino. Lee Beom-soo, Kim Jae-joong e Siwan estão tão bem em seus respectivos papéis, que é um prazer apenas vê-los em ação. Além disso, gosto muito do roteirista Choi Wan-kyu (Midas), por sua maturidade e pela e seriedade com que desenvolve suas tramas. Recomendo Triangle para quem gosta de melodramas sólidos, e pela atuação sensacional do ídolo pop, e que já pode ser considerado um grande ator, Kim Jae-joong.


Outro drama imperdível é o sageuk Joseon Gunman, com Lee Joon-ki. Na Joseon do século dezenove, Joon-ki é Park Yoon Kang, um jovem que troca a espada pelas armas de fogo, para vingar a morte do pai. Joseon Gunman e um drama muito bem ambientado, com uma estória incrivelmente divertida e envolvente, que combina ação, drama e romance, na medida exata. Lee Joon-ki e Nam Sang-mi formam (mais uma vez) um casal encantador, e tomara que tenham um final feliz, juntos, embora nunca se sabe o que pode acontecer quando se trata de um drama histórico.


E para quem está cansado de dramas de ação, restam poucas mas boas alternativas, com destaque para King of High School, e It´s Ok, That´s Love. King of High School já está em seus últimos capítulos e, portanto, pode ser recomendado, sem sombra de dúvida, como um grande drama. Divertido, romântico e enternecedor, é um daqueles dramas que aquecem a alma do espectador. Se alguém tinha alguma dúvida sobre o talento de Seo In-guk como ator, basta assistir King of High School para ver que ele definitivamente se encontrou neste papel. Na pele do adolescente Lee Min-suk, Seo In-guk é engraçado, sensível, sedutor, enfim, esbanja carisma. Parece que a energia emanada pela atriz Lee Ha-na (Alone in Love) contagiou todo o elenco, incluindo o charmoso Lee Soo-hyuk (White Christmas), que também surpreende como o melancólico chaebol Yoo Jin-woo.


Finalmente, temos It´s Ok, That´s Love, que estreou com dois episódios promissores. O elenco, a direção e a trilha sonora estão aprovados; a dúvida fica com a estória em si. Um drama que envolve, ao menos a principio, um número grande (o que é incomum) de personagens, o que pode ser interessante, ou simplesmente acabar diluindo e enfraquecendo a estória. Tudo vai depender do casal principal (Kong Hyo-jin e Jo In-seong) e do quanto seu romance irá nos impactar. O meu medo é a mão um tanto pesada da roteirista Noh Hee-kyeong (Padam, Padam), que não é muito fã de tramas convencionais... Por outro lado, pode ser bom não saber o que está por vir... Desde que não resulte em surto psicótico do espectador...

13 de jul de 2014

Drug War (filme, 2012)


País: China/Hong Kong
Gênero: Ação
Duração: 107 min.
Produção: Johnnie To, Wai Ka-fai

Direção: Johnnie To
Fotografia: Cheng Siu-keung
Roteiro: Wai Ka-fai, Yau Nai-hoi, Ryker Chan, Yu Xi

Elenco: Sun Hong-lei, Louis Koo, Huang Yi, Gao Yunxiang, Wallace Chun, Guo Tao, Cheng Taishen, Zi Yi, Li Jing, Hao Ping, Gan Tingting, Xiao Cong, Gao Xin, Lo Hoi-Pang, Eddie Cheung, Gordon Lam, Michelle Ye, Lam Suet, Berg Ng, Philip Keung, Yin Zhusheng, Wang Zixuan, Tan Kai, Li Zhenqi, Jiang Changyi, Ma Jun, Yao Gang, Ren Yan, Guo Zhigang, Zheng Wanqiu, Yi Lin.

Resumo

Timmy Choi é um traficante de Hong Kong que, após a explosão de seu laboratório de drogas, vai parar no hospital e é preso pelo esquadrão de combate ao narcotráfico. Para ter sua pena reduzida (o que significa escapar da pena de morte) ele oferece ao capitão de polícia Zhang Lei entregar os chefões do narcotráfico da região.

Comentário

Primeira co-produção da famosa produtora de Hong Kong, Milkyway, com a China, Drug War não decepciona os fãs do mestre Johnnie To (Exiled), e deve agradar aos cinéfilos que não dispensam estórias com conteúdo.

Para garantir a aprovação do governo chinês, o filme adota um tom moralista, com policiais heroicos, e bandidos cruéis e inescrupulosos até a medula. Mesmo assim, Johnnie To, macaco velho, sabe muito bem como driblar certas regras e impor sua visão irreverente do mundo da contravenção. De qualquer modo, em Hong Kong os criminosos de Johnnie To, por mais carismáticos que sejam, raramente fogem ao destino – morrer ou parar na cadeia. E por falar em bandidos charmosos, Louis Koo (Don´t Go Breaking My Heart) está simplesmente perfeito na pele do traficante Timmy Choi. Ele consegue se descolar de sua aura de estrela de cinema, com um personagem que provoca as mais diversas emoções no espectador- da simpatia a uma crescente desconfiança ao longo do filme. Com a suspeita sobre as verdadeiras intenções de Timmy Choi, as atenções se voltam para o sucesso (e a segurança) do capitão Zhang Lei e seu esquadrão em desmantelar esta grande rede de tráfico de drogas. E é aí que brilha a estrela de Sun Hong-lei (Seven Swords), como o encarnado capitão Zhang Lei, um personagem único na história do cinema policial. O capitão Zhang Lei não se contenta em comandar seus subordinados; ele se envolve de corpo e alma nas investigações. Além de trabalhar como agente infiltrado, ele tem um talento nato para a atuação, e consegue mimetizar os trejeitos e, assim, se fazer passar por vários bandidos ao longo da estória.

O que mais me agrada em Johnnie To é esta forma meio shakespeariana de conduzir suas tramas, num ritmo lento, em que a tensão vai crescendo até explodir em um último ato de carnificina incontrolável. Passam-se muitos minutos até que as primeiras balas comecem a voar - até fiquei imaginando John Woo assistindo o filme e morrendo de aflição, rará – mas o desfecho é apoteótico, no melhor estilo do cine de ação de Hong Kong.

Apesar do elenco gigantesco, com muitas figurinhas conhecidas do cinema chinês, brilham mesmo a dupla Sun Hong-lei e Louis Koo, o que só prova a importância da presença de bons atores, mesmo no cinema de entretenimento.

1 de jul de 2014

Lacuna (filme, 2012)


País: China
Gênero: comédia romântica
Duração: 94 min.
Produção: Pang Ho-cheung, Subi Liang, Liu Zhijiang

Direção: Derek Tsang, Jimmy Wan
Roteiro: Gu Yu, Zhang Youyou

Elenco: Shawn Yue, Zhang Jingchu

Resumo

Um casal de desconhecidos acorda em uma cama, sem lembrança dos acontecimentos da noite anterior. Eles tentam refazer sua louca jornada pela noite de Beijing, onde muitas surpresas os esperam...


Comentário

Lacuna é uma comédia romântica contemporânea, que conta a estória de dois estranhos que tentam descobrir como foram parar na mesma cama, após uma noite de bebedeira. Muitas vezes uma amnésia etílica pode ser uma benção, mas não no caso de Shen Wei e Tong Xin... Muito mais do que o constrangimento de passar a noite com um estranho, sem fazer a mínima ideia do que rolou, este casal tem de se preocupar com as consequências de seus atos. Enquanto Shen Wei (Shawn Yue) não lembra onde estacionou o próprio carro, Tong Xin (Zhang Jingchu) simplesmente não sabe onde foi parar uma bolsa cheia de dinheiro, que ela deveria entregar a alguém, por ordem do seu chefe.



Logo Shen Wei e Tong Xin percebem que o único modo de resolver seus problemas é unir forças para desvendar o que de fato aconteceu naquela noite. Como num quebra-cabeças eles vão juntando as peças, através de depoimentos dos amigos, mensagens nas redes sociais, e até de um boletim de ocorrência na polícia. É refazendo seus passos nesta segunda noite, que eles têm a oportunidade de se conhecer de verdade, e mal conseguem disfarçar o quão encantados ficam um com o outro.



Shawn Yue (Dragon Tiger Gate, Shamo, Rule No. 1) e Zhang Jingchu, ótimos atores, formam um casal adorável, o que contribui muito para que nos interessemos pelo destino destes personagens. E o roteiro intercala de forma inteligente o tempo presente e os flashbacks, dando à estória um ritmo ágil e divertido. Lacuna me fez lembrar bons filmes independentes americanos dos anos 90, como Go (1999).
 

 
Apesar de despretensioso, Lacuna é um filme bem acabado, com a colaboração inestimável do diretor de fotografia Charlie Lam, e do editor Wenders Li. Mas são os pequenos detalhes que, em conjunto, me fizeram apreciar muito este filme... A música, o clima outonal de Beijing, os cenários pouco óbvios da cidade (becos, ruas tranquilas, prédios em construção, uma floresta) e, especialmente, Shawn Yue e Zhang Jingchu – ela tão charmosa, ele tão meigo... É impossível esquecer a cena em que eles sobem ao palco durante um show de rock, dão um ‘mosh’ e flutuam lado a lado, carregados pelo público... Um momento mágico, que só o cinema pode nos proporcionar.
 

 

25 de jun de 2014

The King of High School Manners (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: comédia romântica, drama
Duração: 16 episódios
Produção: tvN

Direção: Yoo Ji-won
Roteiro: Jo Seong-hee, Yang Hee-seong

Elenco: Seo In-guk, Lee Ha-na, Lee Soo-hyeok, Lee Yeol-eum.

Resumo

Lee Min-Seok é um adolescente que não gosta de estudar, mas é o ídolo do time de hockey no gelo de sua escola. Sua vida despreocupada acaba quando ele precisa se fazer passar pelo irmão mais velho, como executivo de uma grande empresa.

Comentário

Com uma trama inusitada e divertida, The King of High School Manners (ou King of High School Life Conduct) deve agradar ao público acostumado com os dramas ‘estilosos’ do canal tvN. Estórias envolvendo doppelgangers (sósias) não são estranhas aos dramas coreanos (vide o recente The Bride of the Century), mas a trama de The King of High School, a primeira vista, parece absurda demais para ser remotamente convincente. Entretanto, a partir do terceiro episódio podemos vislumbrar todo o potencial da estória e de seus personagens.

Ao menos no primeiro episódio é impossível simpatizar com as personagens femininas principais, as irmãs Soo-Young e Yoo-ah. A adolescente Jeong Yoo-ah (Lee Yeol-eum) persegue Min-seok dia e noite, e não parece se incomodar com a indiferença do colega. Talvez o fato de ela não ser tão bonita, popular ou rica a faça se apoiar na fantasia de namorar a estrela do time de hockey da escola. Sua irmã e tutora, Jeong Soo-young (Lee Ha-Na, de Alone in Love), é funcionária temporária da COMFO, a empresa que contratou o irmão mais velho de Lee Min-seok como diretor do departamento de vendas. Jeong Soo-young é obcecada por organização, mas desleixada com a própria aparência. Aos vinte e sete anos, ela não parece ter experiência real no amor e, como a irmã, tem uma tendência a fantasiar com relacionamentos impossíveis. Sua declaração de amor ao diretor Yoo Jin-woo (Lee Soo-hyeok) é constrangedora, para dizer o mínimo! Felizmente, a partir do terceiro capítulo as qualidades da secretária Soo-young vão se revelando, e fica muito mais fácil simpatizar e até entender sua personalidade exótica.

Por outro lado, os personagens masculinos, Lee Min-Seok e Yoo Jin-woo, são muito mais complexos e interessantes. Seo In-Guk (Reply 1997, Master´s Sun) não é um ator tão experiente, e nota-se seu esforço e concentração para desempenhar o papel do adolescente que acorda um dia tendo de fingir ser um adulto responsável. Uma situação absurda que envolve momentos alternados de comicidade e dramaticidade, um verdadeiro desafio para qualquer ator. Aos vinte e sete anos, Seo In-guk consegue aparentar tranquilamente um adolescente de 18. E se ele ainda está se adaptando ao papel, também é possível perceber que aparece muito mais seguro ao encarnar um lado mais suave e charmoso do personagem. Já Lee Soo-hyeok (White Christmas, Deep-rooted Tree) demonstra uma maior maturidade no papel do herdeiro Yoo Jin-woo. É claro que o personagem não lhe exige tanto quanto o de Seo In-guk, mas Lee Soo-hyeok também é um ator muito carismático... A cena em que Soo-Young surpreende Yoo Jin-woo sozinho, no escuro de uma sala de cinema, é uma boa prova do talento de Lee Soo-hyeok.
 
The King of High School é muito mais interessante quando me faz lembrar o clima melancólico e poético de The Flower Boy Next Door, do que quando apela para a comédia adolescente rasa de Flower Boy Ramyun Shop, só para citar dois exemplos de sucessos do canal tvN. De qualquer modo, vale a pena dar uma chance para este novo drama, escrito a quatro mãos pelas roteiristas Jo Seong-hee (High Kick Through the Roof) e Yang Hee-seong (More Charming By the Day). A direção do novato Yoo Ji-won é segura e sem floreios. Já a fotografia é o ponto forte da produção: com seus tons lavados, quase sépia, e suas belas tomadas noturnas, a cinematografia acrescenta muito aos momentos mais agridoces e românticos do drama.

23 de jun de 2014

A Simple Life (filme, 2011)


País: China (Hong Kong)
Gênero: Drama
Duração: 118 min.

Produção: Lee Yan Lam
Direção: Ann Hui
Roteiro: Roger Lee, Susan Chan
Fotografia: Yu Lik-wai
Edição: Kwong Chi-Leung

Elenco: Andy Lau, Deanie Ip, Wang Fuli, Anthony Wong, Paul Chun, Qin Hailu.

Resumo

A senhora Ah Tao serviu a família de Roger Lee por quatro gerações. Agora é a vez de Roger retribuir a dedicação da antiga babá, no ocaso de sua vida.

Comentário

O último filme da veterana diretora Ann Hui foi muito comentado, desde sua estreia no Festival Internacional de Cinema de Veneza, em 2011, e posterior trajetória de sucesso entre plateias e festivais de cinema do mundo inteiro. Apesar do sucesso de público e crítica, o filme deve ter sido ignorado por muita gente que não aprecia dramas intimistas, o que é uma pena, já que A Simple Life está longe de ser uma película pesada ou deprimente. O produtor de cinema Roger Lee conta a estória real de sua relação com a senhora Ah Tao, que, mais do que uma empregada da família, foi uma segunda mãe para ele.

A diretora Ann Hui realiza uma obra fantástica, um retrato fiel e emocionante de uma mulher humilde, que viveu para servir aos outros, sem nunca esperar algo em troca. Deanie Ip é Ah Tao, uma mulher que serviu a família Lee durante quatro gerações. Quando os pais do produtor de cinema Roger Lee (Andy Lau) migram para os Estados Unidos, Ah Tao fica com ele em Hong Kong. Roger é um solteirão de hábitos frugais, mas mimado pela mulher que ajudou a criá-lo. Ah Tao mantém o apartamento de Roger impecável e prepara todos os seus pratos preferidos. Apesar de tanta dedicação, nas primeiras cenas do filme temos a impressão de que a relação entre Roger e Ah Tao é um tanto fria e impessoal, mesmo depois de tantos anos de convívio. Entretanto, tudo muda quando Ah Tao fica doente. No retorno de uma de suas viagens ao continente, Roger encontra Ah Tao desmaiada, após ter sofrido um derrame. Com a saúde fragilizada, Ah Tao não tem mais condições de cuidar de Roger, e ele é a única pessoa que pode ajudá-la neste momento difícil.

A Simple Life nos faz pensar sobre a importância da família na vida dos idosos. Será que estamos fazendo o bastante por nossos entes queridos? E será que estamos preparados para a velhice, um momento em que voltamos a depender de outras pessoas, tanto ou mais que na infância? São problemas com os quais não queremos nos incomodar, pois às vezes nos parecem tão distantes... Os mais velhos não deveriam ser encarados como um fardo pelos jovens, mas como aquelas pessoas que um dia apoiaram nossa existência, e que hoje dependem de nosso amor e atenção incondicionais.

A atriz Deanie Ip levou para casa meia dúzia de prêmios de melhor atriz, merecidamente. Sua interpretação é tão potente quanto delicada, por mais contraditório que possa parecer. E a relação pessoal de Deanie Ip com seu afilhado Andy Lau certamente ajudou na transposição para as telas da bonita cumplicidade entre os dois personagens. Aliás, Andy Lau nunca esteve tão maduro e sereno quanto ao interpretar o produtor Roger Lee. Os sentimentos de respeito e ternura compartilhados por Roger e Ah Tao são tão comovedores quanto enaltecedores. E é exatamente esta a maior qualidade desta estória, despertar um sentimento de fraternidade, do que de melhor pode existir no ser humano.

20 de jun de 2014

I Have To Buy New Shoes (filme, 2012)


País: Japão
Gênero: drama, romance
Duração: 115 min.

Direção e Roteiro: Kitagawa Eriko
Direção de Fotografia: Kanbe Chigi

Elenco: Nakayama Miho, Mukai Osamu, Kiritani Mirei, Ayano Gou.

Resumo

A jornalista Teshigahara Aoi (Nakayama Miho) mora em Paris, a belíssima capital da França. Yagami Sen (Mukai Osamu) é um fotógrafo que vai a Paris, acompanhado da irmã mais nova, Suzume (Kiritani Mirei). Sen e Aoi têm apenas três dias para se conhecer e quem sabe, encontrar o amor.

Comentário

I Have To Buy New Shoes é um filme simples e despretensioso, mas que surpreende pela delicadeza das imagens e profundidade das emoções. Ao contrário de muitos filmes no estilo “cartão postal” (como as descaradas propagandas turísticas pagas dos últimos filmes de Woody Allen), I Have To Buy New Shoes, é uma obra diferenciada, criação da talentosa diretora e roteirista Kitagawa Eriko. Para começar, Kitagawa inspirou-se na atriz Nakayama Miho para escrever sua estória de amor. Nakayama Miho é casada com Tsuji Jinsei (músico, escritor, diretor de cinema) com quem mora em Paris desde 2002. Tendo uma atriz japonesa que fala francês, e que conhece muito bem a “Cidade Luz”, protagonizando seu filme, logo se nota que as cenas fluíram de forma muito mais orgânica. Outra escolha acertada foi a de Mukai Osamu ( Hungry!, S - The Last Policeman) para fazer par romântico com Nakayama Miho. Com seu ar de menino, mas porte másculo, Mukai Osamu lembra um pouco um jovem Takeshi Kaneshiro. Kitagawa Eriko é uma autora consagrada, de dramas fantásticos como Sunao ni Narenakute, Hundred Million Stars From the Sky e Long Vacation). Ela já havia trabalhado com Nakayama Miho no também famoso drama Love Story (2001).

O filme não deixa de fazer (e muito bem) seu tour pelas ruas encantadoras de uma Paris primaveril; no entanto, o ponto forte é o encontro breve mas marcante de duas almas solitárias, Aoi e Sen. Teshigahara Aoi (Nakayama Miho) é uma jornalista que trabalha em periódico japonês de distribuição gratuita. Ela foi para Paris cheia de projetos de vida, apaixonou-se, e, anos depois, acabou sozinha, mas sem a coragem, ou a vontade, de voltar à terra natal. Yagami Sen (Mukai Osamu), embora mais jovem, também tinha um grande sonho de tornar-se um fotógrafo artístico, mas, para poder sobreviver, teve de optar pelo lado mais comercial da profissão. Ele é um fotógrafo de sucesso, trabalhando com editoriais de moda e propagandas, mas não se sente emocionalmente realizado com a profissão. Sen chega a Paris literalmente arrastado pela irmã caçula, Suzume (Kiritani Mirei, de Natsu no Koi wa Nijiiro ni Kagayaku). Ela esconde do irmão que sua verdadeira intenção não é a de fazer turismo, mas sim de encontrar seu namorado, Kango (Ayano Gou, de S - The Last Policeman), que mudou-se para Paris para estudar artes plásticas, e não deu mais notícias. A espevitada Suzume apronta para o irmão logo que chegam a Paris, deixando o rapaz plantado à beira do Sena, para ir procurar Kango. Sem conhecer a cidade e sem o endereço do hotel reservado pela irmã, Sen tem sorte de cruzar com uma compatriota, a repórter freelance Teshigahara Aoi. Aoi ajuda Sen a encontrar o hotel e os dois acabam descobrindo ter muito mais em comum que a mesma nacionalidade.


O período em que a estória se passa é curto (um único final de semana) e acompanhamos os passos dos personagens quase que em tempo real. Este ritmo lento, mas fluido, nos dá a oportunidade de desvendar a estória de vida deste casal, especialmente a da simpática Aoi. Teshigahara Aoi é uma mulher de aspecto jovial e delicado, que esconde uma tristeza profunda, causada por uma grande perda pessoal. Mais do que um romance arrebatador, Aoi e Sen encontram um no outro a cumplicidade e a ternura que faltavam em suas vidas solitárias. I Have To Buy New Shoes é um filme para se apaixonar por Paris, e especialmente por este casal inusitado, Aoi e Sen, e sua breve mas intensa estória de amor.

12 de jun de 2014

Cold Eyes (filme, 2013)


País: Coréia do Sul
Gênero: Policial, Suspense
Duração: 119 min.

Direção: Jo Eui-seok, Kim Byeong-seo
Roteiro: Jo Eui-seok; Yau Nai-hoi (roteiro original)

Elenco: Seol Kyeong-gu, Jeong Woo-seong, Han Hyo-joo, Jin Kyeong, Junho, Kim Byeong-ok.

Resumo

Na polícia coreana, uma unidade é especializada na vigilância de atividades ilícitas de grandes criminosos. O detetive Hwang Sang-Joon e sua equipe têm como missão desmantelar uma gangue que vêm realizando ousadas e bem sucedidas ações criminosas, lideradas por um homem de codinome James, um assassino frio e inteligente.

Comentário

O detetive Hwang Sang-joon (Seol Kyung-Gu) lidera uma equipe especializada em vigilância que faz parte do departamento de polícia de Seul. O filme começa com a policial Ha Yoon-joo (Han Hyo-Joo) sendo avaliada como candidata a uma vaga nesta equipe especial. O chefe Hwang exige que seus detetives possuam habilidades excepcionais de observação e memorização. No mesmo dia em que Yoon-joo passa no teste, ocorre um assalto a banco espetacular, em pleno centro financeiro da capital Seul.


A partir daí, acompanhamos os esforços dos policiais para capturar esta quadrilha e, especialmente, o seu líder, conhecido apenas como James (Jeong Woo-Seong). James é um verdadeiro gênio do crime, capaz de planificar assaltos milionários, sem deixar rastros. Além disso, James é um assassino implacável, que atemoriza tanto a polícia quanto seus colegas bandidos.

O título do filme, Cold Eyes, brinca com o sentido duplo que evoca, tanto do olhar humano - do vilão, James, ou dos detetives, os observadores – quanto dos equipamentos de vigilância espalhados pela grande cidade. Graças à tecnologia moderna, nos sentimos mais seguros, mas, por outro lado, muito mais vigiados. O preço da segurança é o fim da privacidade e da liberdade individual...

O bacana de Cold Eyes é como os diretores (Jo Eui-seok e Kim Byeong-seo) conseguem fazer uso da tecnologia na estória sem deixar que ela seja a protagonista. Todos os gadgets usados, tanto pelos bandidos quanto pelos policiais são meras ferramentas, que nunca irão substituir a habilidade e sensibilidade humana. Os contratantes precisam do talento de James para arquitetar os crimes, tanto quanto a polícia é dependente da experiência de veteranos como o detetive Hwang, ou da genialidade de jovens como Yoon-joo. Filmes de ação com muita correria e explosões há de sobra por aí... Já estórias que envolvam o espectador e façam-no vibrar e torcer pelos heróis são cada dia mais raros. Para mim, este é o ponto mais positivo de Cold Eyes, focar a trama nos personagens, ao invés de priorizar os efeitos especiais, ou grandes cenas de ação.


O elenco de Cold Eyes, impecável, é encabeçado pelo já veterano ator do cinema de ação, Seol Kyung-Gu (Haeundae, The Tower, Lost in Love). É quase uma redundância dizer que ele está bem no papel do detetive Hwang, mas vale ressaltar que, mesmo depois de interpretar tantos policiais em sua carreira, ele consegue criar um personagem único e incrivelmente simpático. Para mim, Seol Kyung-Gu é sinônimo de bom cinema!


Também temos a bela Han Hyo-joo, como a introspectiva e talentosa detetive Yoon-joo, um personagem tão bem construído que dá vontade de saber mais sobre seu passado. Eu voto por uma continuação de Cold Eyes, desde que conte com a presença de Han Hyo-joo, uma atriz que tem surpreendido por seu talento camaleônico (Always, Love 911).


Por fim, temos Jeong Woo-seong, em seu grande debut como vilão. Jeong Woo-seong é um ator de grande sex appeal (A Moment to Remember), mas também acostumado a papeis fortes, como no drama Padam Padam. Talvez por isso ele tenha tido uma certa facilidade em canalizar sua sensualidade em um personagem vigorosamente malvado. Apesar do medo que inspira, é impossível tirar os olhos de Jeong Woo-seong. Assista e veja se não tenho razão!

Outros coadjuvante do filme são Junho (do grupo musical 2 PM), o eterno gangster Kim Byeong-ok (Heartless City, Triangle), e Jin Kyeong (Unexpected You).

Cold Eyes foi dirigido a quatro mãos, por Jo Eui-seok (roteirista e diretor do ótimo thriller The World of Silence) e Kim Byeong-seo, renomado diretor de fotografia (The Host, Castaway on the Moon). O roteiro foi baseado no roteiro original de Yau Nai-hoi para o filme Eye in the Sky (Hong Kong, 2007), e muito bem lapidado por Jo Eui-seok. O ator chinês Simon Yam faz um rápido cameo na cena final de Cold Eyes.

Cold Eyes foi um dos dez filmes mais vistos de 2013, na Coréia do Sul, com 6 milhões de espectadores. Han Hyo-joo recebeu o prêmio de melhor atriz no Buil Film Awards, e no Blue Dragon Film Awards.

6 de jun de 2014

The Library (filme, 2013)


País: Tailândia
Gênero: Romance, Drama
Duração: 30 min.
Produção: Mono Music/SuperUber Film
Direção e Roteiro: Nattawut Poonpiriya

Elenco: Ananda Everingham, Selina Wiesmann, Niti Chaichitatorn.
 
Comentário

The Library é um filme de curta-metragem, que conta a surpreendente estória de um amor que nasce dentro de uma biblioteca.

Anne (Selina Wiesmann) é uma bibliotecária que se apaixona a primeira vista por um belo e misterioso cliente que frequenta o local. Ela espera ansiosamente a cada visita de Jim (Ananda Everingham), mas não tem coragem de abordá-lo.

The Library é uma encantadora, embora agridoce estória de amor entre duas pessoas que não tem coragem de transformar sua fantasia romântica em realidade. É quase irônico que tanto Anne quanto Jim tenham tanta intimidade com a palavra escrita, mas não consigam quebrar o silêncio e expressar verbalmente seus sentimentos.

Assista The Library sem medo, pois esta estória de amor é contada em apenas 30 minutos, mas irá permanecer por muito mais tempo em sua memória.

Onde ver: Youtube (legendas em inglês), Viki (legendas em português).

3 de jun de 2014

Princess Hours (drama, 2006)


Título Alternativo: Goong
País: Coréia do Sul
Gênero: Romance, Drama
Produção: MBC
Duração: 24 episódios

Direção: Hwang In-roi

Roteiro: In Eun-ah, baseado no manhwa de Park So-hee

Elenco: Yoon Eun-hye, Joo Ji-hoon, Kim Jeong-hoon, Song Ji-hyo

Resumo

O que acontece quando uma simples adolescente é obrigada a casar-se com um príncipe herdeiro? Chae-kyeong e Lee Shin veem seus sonhos de juventude desvanecer-se em nome da sucessão do trono e da preservação da tradição real... Haverá um final feliz, como nos contos de fadas, para o jovem casal?

Comentário (com spoilers)

Princess Hours (ou Goong – Palácio) cria um universo alternativo no qual a Coréia moderna é uma monarquia constitucional, semelhante a reinados europeus atuais. A monarquia segue em paz, mas a preocupação com a saúde frágil do rei Lee Hyeon faz com que os planos sucessórios sejam apressados. E a primeira providência é casar o príncipe Lee Shin (Joo Ji-hoon), para garantir que ele herde a coroa. Mas quem seria a melhor candidata a princesa herdeira? Ao contrário das expectativas populares, a eleita não é uma jovem de sangue azul, nem mesmo a filha de algum magnata... A escolhida é Shin Chae-kyeong (Yoon Eun-hye), estudante do ensino médio, que mora com o pai, desempregado, a mãe, corretora de seguros, e o irmão caçula.

Tudo começou há muitos anos, quando o então rei, o avô do príncipe Lee Shin, nutria uma amizade profunda por seu secretário pessoal, o avô de Chae-kyeong. Como forma de gratidão, o rei prometeu dar a mão em casamento de seu futuro neto herdeiro à neta do secretário. Assim, por causa deste antigo pacto, Chae-kyeong se transforma em uma cinderela moderna, mesmo que a contragosto. Sim, pois Chae-kyeong conhece muito bem o príncipe Shin, seu colega de escola, e, apesar de achá-lo bonito (como todas as meninas da escola) não tem ilusões românticas sobre ele. Chae-kyeong inclusive flagrou uma conversa em que o príncipe declarava seu amor e pedia em casamento a colega de aula, Min Hyo-rin (Song Ji-hyo). Hyo-rin não leva a sério a proposta de Lee Shin, e sugere que eles esperem até a conclusão dos estudos universitários para pensar em casamento.


Quando Lee Shin é informado sobre os planos da realeza de casá-lo com uma plebeia, obviamente fica contrariado, mas resolve aceitar seu destino. Chae-kyeong, por outro lado, fica chocada e revoltada com a possibilidade de um casamento arranjado, ainda mais sabendo que seu futuro noivo gosta de outra garota. Mesmo conscientes de que a filha é jovem demais para assumir um compromisso tão sério, os pais de Chae-kyeong se veem impelidos a entregar sua mão em casamento, em troca da quitação de uma dívida que pode deixá-los sem ter onde morar. É um gesto nada nobre da parte da família Shin, obrigar a filha adolescente a casar-se com um estranho, mas, por outro lado, eles a amam e pensam estar fazendo o melhor para o futuro dela. É claro que nós estamos falando de um drama romântico, e que na vida real existem muitos casos de princesas infelizes com casamentos arranjados.

Finalmente Shin Chae-kyeong e Lee Shin se casam, com pompa e circunstância, e vão viver no palácio. Chae-kyeong tem dificuldade em adaptar-se à disciplina rígida da corte, sem contar com o aborrecimento de incontáveis aulas de etiqueta e tudo que envolve a tradição milenar coreana. O temperamento alegre e extrovertido de Chae-kyeong contrasta com o de seu jovem marido, sério e às vezes melancólico. No entanto, o tempo e a convivência teriam o poder de fazer este casal jovem e bonito se apaixonar... Se não fosse pela súbita aparição de dois personagens dispostos a interferir na felicidade do casal.


Até a morte do pai, o rei Lee Soo, Lee Yool (Kim Jeong-hoon) era o príncipe herdeiro. Quando Lee Soo falece em um acidente de carro, o trono é transferido para o irmão, Lee Hyeon, e o filho deste, Lee Shin, passa a ser o primeiro na sucessão da coroa. E com isso Lee Yool e sua mãe, Hye Jung-goong (Shim Hye-jin), são obrigados a deixar o palácio e exilar-se na Inglaterra. Mas a mãe de Yool nunca se conformou com este destino, e volta à Coréia com a intenção de restaurar o título do filho de príncipe herdeiro. Só que os planos ambiciosos de Hye Jung-goong se veem ameaçados quando o filho se apaixona pela princesa Shin Chae-kyeong.

Pode-se dizer que Default Princess Hours é um melodrama disfarçado de comédia romântica adolescente. Isto porque, apesar de alguns momentos divertidos, sempre protagonizados pela ‘princesa rebelde’ Chae-kyeong, o clima melancólico e o ritmo lento dos melodramas predomina. Para evitar a decepção dos que esperam assistir uma comédia romântica bem levinha, é bom avisar: muitas lágrimas são derramadas, muitos corações são partidos e muitas traições são arquitetadas dentro do palácio.


Mas, então, vale a pena investir seu tempo nos longos 24 episódios deste drama? Sim, por vários motivos, sendo o principal, o adorável casal Yoon Eun-hye e Joo Ji-hoon. Para os fãs de Yoon Eun-hye (Lie to Me, Missing You) é impossível perder mais uma atuação fantástica da atriz, aqui em início de carreira, mas já em pleno domínio de seu personagem. Carisma, encanto e naturalidade são apenas algumas das qualidades desta bela atriz. E o que podemos dizer Joo Ji-hoon (The Devil, Medical Top Team), que com seus 1,87 m de altura, e sua beleza altiva, nasceu para ser príncipe. Joo Ji-hoon encara um papel principal, mesmo inexperiente (Goong é seu primeiro trabalho como ator profissional) com uma naturalidade impressionante. E o príncipe Shin não é um personagem tão fácil quanto parece, pois seu caráter melancólico e muitas vezes frio e ríspido poderia despertar antipatia, se interpretado pelo ator errado.

Princess Hours é uma adaptação para a TV de uma HQ digital coreana (manhwa) e talvez isto explique, embora não justifique o caráter unidimensional da maioria dos personagens. Sinceramente, tenho grandes restrições ao trabalho da roteirista deste drama. In Eun-ah não tem uma carreira das mais brilhantes, e o fato de Princess Hours ser seu maior sucesso até hoje não conta muito a seu favor. Em seu último trabalho, o drama Marry Me, Mary! (2010), a audiência despencou, e ela acabou sendo afastada, e substituída pela roteirista Go Bong Hwang.

Nas mãos de um roteirista mais hábil e experiente, personagens secundários como Hyo-rin, o primeiro amor de Lee Shin, ou o príncipe Yool poderiam ter sido melhor aproveitados, ao invés de se tornarem meros empecilhos para o amor do casal central. A bailarina Hyo-rin é consistentemente chata ao longo de todo o drama, mas o príncipe Yool, lamentavelmente, passa de adorável a intragável, para decepção de quem torceu por um final feliz para o rapaz. Antes ele tivesse encarnado um grande vilão, do que aguentar seu ar constante de vítima. O personagem do príncipe Yool deveria ser o oposto de seu primo Lee Shin... Yool deveria ser alegre, descontraído, charmoso... E ele até apresenta algum espírito a princípio, quando faz amizade com Chae-kyeong na escola. Mas, quanto se apaixona por ela, seu comportamento se torna cada vez mais imaturo e vingativo. Meus parabéns à roteirista por ter conseguido criar um caso raro de interesse romântico secundário que não desperta simpatia alguma da audiência. Coitadinho do Kim Jeong-hoon, mas sua atuação fraquinha também não ajudou em nada... Mas para ser justa com Kim Jeong-hoon, eu gostei bastante de seu papel no drama I Need Romance.

Se Princess Hours pudesse ser refeito como uma comédia romântica, centrada na encantadora Chae-kyeong e seu dilema de cinderela moderna, seria simplesmente perfeito. Mesmo assim, o drama foi um mega sucesso de audiência, e tornou-se um clássico, lembrado até hoje por quem acompanhou o romance entre o príncipe Lee Shin e a plebeia Chae-kyeong.
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