31 de out de 2016

The Woman Who Still Wants to Marry (drama, 2010)




País: Coréia do Sul
Gênero: Romance
Duração: 16 episódios
Produção: MBC

Direção: Kim Min-sik
Roteiro: Kim In-yeong

Elenco: Park Jin-hee, Kim Beom, Eom Ji-won, Choi Cheol-ho, Wang Bit-na, Kim Yong-hee, Lee Pil-mo, Park Ji-yeong.

Resumo

Esta é a estória de três mulheres que são grandes amigas, mas que têm visões muito diferentes sobre relacionamentos amorosos e carreira profissional.

Comentário

Por incrível que pareça, são poucos os dramas coreanos que têm como tema a amizade feminina. Se os famosos “bromances” já são lugar comum na dramaturgia de TV, pode-se contar nos dedos os dramas com ponto de vista essencialmente feminista. A roteirista Kim In-yeong é uma das poucas escritoras que costuma reunir protagonistas do sexo feminino, sempre com temáticas muito atuais e instigantes. The Woman Who Still Wants to Marry é um remake do drama Marry Me (2004) da mesma autora. A princípio, era para ter sido uma continuação, mas com a impossibilidade de reunir o elenco original, optou-se por uma refilmagem repaginada do drama. Unkind Women (KBS, 2015) é outro drama de Kim In-yeong que aborda com muita inteligência e bom humor o mundo feminino, com um elenco que engloba três gerações de mulheres fortes e determinadas.

Kim Min-sik (Flower of the Queen, Gloria) dirige com firmeza o belo elenco de The Woman Who Still Wants to Marry (ou Still, Marry Me), especialmente o trio inesquecível de amigas, Park Jin-hee, Eom Ji-won e Wang Bit-na.

Park Jin-hee (Kimchi Family) é Lee Shin-young, uma repórter de TV de 36 anos. Após tantos anos dedicados à profissão, Shin-young não conseguiu atingir o sucesso almejado, e ainda corre o risco de ser demitida da rede de TV em que trabalha. Para piorar as coisas, seu longo noivado termina abruptamente, e ela não tem tempo ou disposição para envolver-se sentimentalmente com outro homem.

Eom Ji-won (Sign) é Jeong Da-jeong, 36 anos, uma mulher bonita e muito bem sucedida na profissão de tradutora e intérprete. Por outro lado, Da-jeong busca desesperadamente por seu príncipe encantado. Ela não esconde que seu objetivo principal na vida é encontrar o homem perfeito e casar-se com pompa e circunstância. Choi Cheol-ho (Queen of Housewives) é Na Ban-seok, doutor especializado em medicina chinesa, que conquista o coração da sonhadora Da-jeong.

Wang Bit-na (First Love Again) é a consultora de restaurantes Kim Boo-gi. Das três amigas, Boo-gi é a mais cínica sobre as supostas vantagens do casamento. Tanto que ela resolve descartar o noivo (e o relacionamento de 10 anos) e usar o dinheiro economizado para o casamento para fazer uma especialização em administração hoteleira na Suiça. Kim Yong-hee (My Love Eun-dong) é o homem que tem o azar de se apaixonar pela durona Boo-gi.

Kim Beom (Mrs Cop 2) é Ha Min-jae, 24 anos, estudante universitário (cursando administração de empresas) e músico talentoso. Apesar da vida confortável Min-jae gosta de cultivar a fama de “bad boy”, especialmente estre as mulheres. Quando um amigo leva um fora da repórter Shin-young, Min-jae decide provar suas técnicas infalíveis de conquista sobre ela. Só que Min-jae não contava com a dificuldade em seduzir a arisca Shin-young, e acaba apaixonando-se por ela, 12 anos mais velha que ele.

Lee Pil-mo (Pinocchio) é Yoon Sang-woo, ex-noivo de Shin-young, piloto da aviação comercial. Sang-woo é um cara romântico, que sabe como atrair o sexo oposto. Ele ainda gosta de Shin-young, mas suas tentativas de reconquistá-la são em vão, pois ela acaba de conhecer um homem bem mais novo e interessante. Frustrado, Sang-woo acaba tendo um caso com uma mulher mais velha e casada. Acontece que esta muher é a bela e madura Choi Sang-mi (Park Ji-yeong, de Jealousy Incarnate), mãe de Ha Min-jae.

Agrada-me particularmente o tratamento dado pela escritora Kim In-yeong a temas como a amizade, os desafios profissionais e o romance, na vida de mulheres adultas… Mulheres estas que se consideram maduras, mas que trazem muitos complexos e preconceitos da juventude, especialmente sobre o amor e o casamento.

As cenas mais divertidas e memoráveis certamente são as que envolvem as aventuras do trio de amigas – como no episódio da visita ao shaman, no qual elas acabam sendo impiedosamente assoitadas pelo vidente. Pena que, à medida que seus relacionamentos amorosos ganham importância, elas acabam se afastando um pouco, mas tudo faz parte do crescimento pessoal das personagens. Outro ponto importante do drama é transformar uma simples comédia romântica numa preciosa reflexão sobre os novos desafios nos relacionamentos entre mulheres e homens. Jeong Da-jeong, por ser a mais idealista, talvez seja a que mais se decepciona com a realidade não tão romântica do casamento. Kim Boo-gi é a mais resolvida em todos os âmbitos da vida, e não parece ser do tipo que se deixe dominar por uma paixão de ocasião. Eom Ji-won e Choi Cheol-ho formam um casal tão divertido quanto neurótico – o episódio da lua-de-mel frustrada é simplemente hilário!

Park Jin-hee e Kim Beom formam um casal romântico muito especial, e até hoje são meus personagens favoritos para ambos atores. O episódio em que Kim Beom pinta o cabelo para impressionar a amada é dos mais românticos já vistos em um drama. Lee Shin-young me parece ser o personagem com o qual a maioria das mulheres se identifica, pois ela deseja muito encontrar um companheiro para a vida, mas entende que sua realização profissional sempre será sua meta principal. Se o mesmo é natural para os homens, por que não seria para as mulheres, não é mesmo? Com tantos dramas constrangedoramente escapistas veiculados nos últimos meses, ver (ou rever) The Woman Who Still Wants to Marry é uma ótima reafirmação de que ainda existem estórias românticas e inteligentes a serem apreciadas por nós mulheres.

15 de out de 2016

Like for Likes (filme, 2015)




País: Coréia do Sul
Gênero: Romance
Duração: 120 min.

Direção: Park Hyeon-jin
Roteiro: Yoo Yeong-ah

Elenco: Choi Ji-woo, Kim Joo-hyeok, Kang Ha-neul, Esom, Yoo Ah-in, Lee Mi-yeon.

Resumo

Três estórias de amor e amizade, em plena era digital.

Comentário

Like for Likes (ou Please Like Me) é um drama romântico que conta a estória de casais que tentam encontrar o amor em uma época complicada para os relacionamentos humanos. Se a tecnologia nos proporciona conhecer muito mais gente, aprofundar estas relações à distância não é tarefa fácil.



Jeong Seong-chan (Kim Joo-hyeok, de Beauty Inside, When Romance Meets Destiny) é proprietário e chef de um pequeno restaurante japonês. Às vésperas de casar-se, ele aluga seu apartamento. No entanto, pouco depois ele leva um fora da noiva. A locatária, Ham Joo-ran (Choi Ji-woo, de Woman With a Suitcase, Winter Sonata), uma comissária de bordo solteira, não tem para onde ir e Seong-chan acaba propondo que os dois morem juntos. A princípio Joo-ran fica receosa em conviver com um estranho, mas aos poucos os dois se adaptam as respectivas rotinas, e tornam-se bons amigos. Seong-chan até ajuda Joo-ran a criar um belo perfil na internet, para chamar a atenção de um médico por quem ela está interessada.



O jovem Lee Soo-ho (Kang Ha-neul, de Twenty, Misaeng, Scarlet Heart: Ryeo), é amigo e cliente fiel do restaurante de Seong-chan. Compositor musical, Soo-ho sonha com uma carreira de sucesso. Certo dia, no restaurante, ele conhece uma amiga de Seong-chan, a produtora de dramas de TV, Jang Na-yeon (Esom, de White Christmas), e se apaixona a primeira vista. Tímido e inexperiente, Soo-ho encontra nas mídias sociais uma forma de dialogar com Na-yeon, até criar coragem para convidá-la a sair. Na-yeon também se encanta com o meigo Soo-ho, que, no entanto, guarda um segredo que pode levá-lo a perder seu primeiro amor.



No Jin-woo (Yoo Ah-in, de Six Flying Dragons), é um ator famoso, que acaba de ser liberado do serviço militar obrigatório. A roteirista Jo Kyeong-ah (Lee Mi-yeon, de Love Exposure), convida Jin-woo para estrelar seu novo drama. Jin-woo esnoba o convite da escritora, mas acaba voltando atrás ao ver por acaso o filho dela, e relembrar um evento íntimo do passado entre os dois.


A diretora e roteirista Park Hyeon-jin (Lovers of 6 Years) conduz com muita  leveza o elenco simpático e experiente de Like for Likes, e o roteiro de Yoo Yeong-ah (Entertainers, No-Breath, Paparoti) entrelaça as estórias de forma orgânica e espontânea. Não é que o roteiro Yoo Yeong-ah mereça um prêmio de originalidade, mas o elenco faz a diferença, e nos conquista com estórias de amor tão simples quanto reais. Obviamente cada espectador irá se identificar mais com uma das estórias, mas os três romances representam uma fase, ou uma circunstância da vida pela qual um dia iremos passar.

Se o ‘gancho’ do filme são os relacionamentos virtuais, a conclusão que fica é que o amor pode até florescer na rede, mas só tem condições de amadurecer no mundo real... E Lee Soo-ho é o personagem que representa magnificamente esta verdade...

12 de out de 2016

Train to Busan (filme, 2016)




País: Coréia do Sul
Gênero: Thriller
Duração: 118 min.

Direção: Yeon Sang-ho
Roteiro: Park Joo-seok, Yeon Sang-ho

Elenco: Gong Yoo, Jeong Yu-min, Ma Dong-seok, Kim Soo-an, Choi Woo-sik, Kim Ee-seong, Ahn So-hee, Jeong Seok-young, Ye Soo-jeong.

Resumo

Uma viagem no trem expresso para Busan transforma-se em pesadelo para os passageiros, confrontados com uma horda de zumbis famintos.

Comentário (sem spoilers)

Uma das maiores bilheterias do ano em seu país, Train to Busan chamou a atenção, igualmente, em festivais de cinema ao redor do mundo. E, obviamente, já há negociações para refilmagens em outros países. No entanto, para que mexer no que já está bom, não é mesmo? Mesmo quem não esteja familiarizado com o cinema coreano irá se divertir com este thriller claramente inspirado nos filmes ocidentais do gênero. Por outro lado, os fãs da TV e do cinema coreanos terão o privilégio extra de ver um elenco bem conhecido (embora enxuto), com destaque para os atores Gong Yoo e Ma Dong-seok.

Os filmes coreanos tem a boa fama de trazer elementos originais a gêneros clássicos do cinema ocidental, especialmente ação e suspense. Não é o caso de Train to Busan, que tem uma estória muito convencional, sem a ousadia, por exemplo, de outro filme famoso do gênero, The Host (2006) de Bong Joon-ho. A falta de originalidade da estória é compensada pela direção elegante e econômica (sem a horrorosa câmera trêmula) e, especialmente, pela edição ágil, que evita sabiamente a armadilha dos cortes exagerados. A princípio achei que os quase 120 minutos de projeção seriam um excesso para um filme de ação, mas, felizmente, o diretor Yeon Sang-ho consegue manter o ritmo do thriller até seus segundos finais. Os poucos minutos de ‘descanso’ dos personagens em fuga são o bastante para que os mesmos formem alianças emocionais que levam a uma maior chance de sobreviver ao caos.

Yeon Sang-ho é roteirista e diretor de filmes de animação, tendo participado de vários festivais internacionais de cinema, com filmes como The King of Pigs (2011), The Fake (2013) e Seoul Station (2016). Train to Busan é seu primeiro projeto “live action”.

Train to Busan foge do estilo ‘gore’ tão associado ao que já pode ser definido como um gênero no cinema, o dos zumbis. E talvez esta visão mais ‘light’ e bem humorada do tema tenha sido responsável pelo sucesso do filme. Portanto, quem (como eu) não curte terror trash, Train to Busan é uma película para assistir sem medo. É provável que o espectador, como eu, sinta mais medo e frustração com o comportamento dos passageiros ainda não infectados, do que com os irracionais mortos vivos. É na hora do aperto que descobrimos como o ser humano pode ter um comportamento vicioso.

O ator Gong Yoo tem se esforçado para fugir do estereótipo de galã de comédias românticas, investindo em papeis mais ‘soturnos’ no cinema. Para quem viu Gong Yoo (Coffe Prince, BIG) encarnando por mais de uma década o eterno playboy nos dramas coreanos é estranho não vislumbrar seu famoso sorriso brilhante, o ar despreocupado, e o corpo escultural e bronzeado. Mas Gong Yoo é um ótimo ator e merece o mesmo sucesso no cinema que já desfrutou na TV. Seu co-protagonista, Ma Dong-seok (Marriage Blues), por outro lado, é um veterano do cinema, que tem seguido o caminho inverso, conquistando aos poucos seu espaço na TV, em dramas como Bad Boys, ou o mais recente 38 Task Force. Ma Dong-seok é um norte-americano de família coreana, que começou a carreira como personal trainer de lutadores do MMA.

O destaque feminino do mini-elenco central vai para Jeong Yu-min (Discovery of Romance), como a esposa ‘super’ grávida de Ma Dong-seok. Yu-min e Dong-seok formam um casal inusitado, mas muito divertido, e por fim, totalmente convincente. Também impressiona a atuação da pequena Kim Soo-an (Sprout), como a filha de Gong Yoo.

Train to Busan não é uma obra-prima, mas talvez seja a melhor aventura que o espectador verá nesta temporada.
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