21 de jun de 2016

Goodbye Mr. Black (drama, 2016)


País: Coréia do Sul
Gênero: Melodrama
Duração: 20 episódios
Produção: MBC

Direção: Han Hee, Kim Seong Wook
Roteiro: Moon Hee-jeong, Hwang Mi-Na (webtoon)

Elenco: Lee Jin-wook, Moon Chae-won, Kim Kang-woo, Song Jae-rim, Yoo In-young.

Resumo

Cha Ji-Won nasceu em berço de ouro, mas prefere renunciar à administração dos negócios da família, para investir na carreira militar, como um bravo oficial das Forças Especiais da Marinha Coreana. No entanto, sua vida tranquila é abalada por uma grande traição, tornando-o um foragido da justiça, durante uma viagem à Tailândia.  Tempos depois, Ji-won volta a Seul, com uma nova identidade, e com planos de vingar-se daqueles que destruíram sua vida, e a de seus entes queridos.

Comentário

Goodbye Mr. Black é uma adaptação livre do webtoon de mesmo nome, de autoria de Hwang Mi-na, publicado em 1983. A inspiração para o enredo, por sua vez, vem do romance clássico O Conde de Monte Cristo, do escritor francês Alexandre Dumas. O romance original conta a estória de um jovem que é traído por seu melhor amigo, e sua noiva, acusado de um crime que não cometeu, e que reaparece com uma nova identidade para concretizar sua vingança.


Moon Hee-jeong, roteirista da velha escola do melodrama, é conhecida pelo romance clássico Stairway to Heaven (2003), e por obras mais recentes como Smile You (2009), Can You Hear My Heart (2011), e Missing You (2012). A direção ficou a cargo de Han Heui (Empress Qi) e Kim Seong Wook (The Great Wives).

A impressão que dá, às vezes, é que as grandes redes de TV (SBS, MBC, KBS) vivem numa corrida desesperada atrás de novos projetos (sejam dramas ou reality shows) para preencher suas grades de programação e, como consequência, muitas vezes perdem o controle dos mesmos. Quantos dramas partem de uma grande ideia, e acabam em fiasco... O nível da produção de Goodbye Mr. Black poderia ser comparado à de um dos maiores sucessos dos últimos tempos, o drama Descendants of the Sun. Com gravações em um cenário tropical espetacular (a Tailândia), cenas de ação cinematográficas, e um elenco bonito, Goodbye Mr. Black não chegou nem perto da fama alcançada pela concorrência. No entanto, Goodbye Mr. Black é o tipo de drama que reúne aspectos muito interessantes de serem analisados, sobre as dificuldades da construção de um melodrama de sucesso.

Goodbye Mr. Black tinha tudo para ser ao menos um bom makjang. Se Moon Hee-jeong não é uma roteirista brilhante, ao menos é experiente o bastante para criar uma estória de apelo popular. Infelizmente, o impacto da trama de vingança do Sr. Black vai se diluindo ao longo dos episódios, levando a um desfecho rocambolesco e totalmente inverossímil. Um de cada três dramas coreanos tem como tema, mesmo que secundário, algum tipo de revanche espetacular. Francamente, o público anda saturado deste tema... Mas, ironicamente, se Goodbye Mr. Black tivesse seguido a risca o texto original (de Dumas), poderia ter sido mais surpreendente. Infelizmente, a roteirista optou por desfazer-se dos aspectos mais impactantes do original.


Deixando um pouco de lado as fraquezas do roteiro, prefiro me concentrar no elenco do drama. Para começar, os atores estavam todos muito investidos em dar dimensão a seus respectivos personagens. Um bom ator é capaz de sustentar um personagem mal definido, mas há um limite para seu poder de abstração. Mesmo assim, acho que o elenco deste drama fez milagres, diante de diálogos antiquados, e uma direção frouxa.

Temos dois casais protagonistas: Cha Ji-Won e Kim Swan, Min Seon-jae e Yoon Ma-ri. O engraçado é que o envolvimento (a amizade e posterior disputa) entre Cha Ji-Won e Min Seon-jae tem um peso muito maior que o triângulo amoroso com Ma-ri, ou o novo amor de Swan.


Acho que este ‘desvio’ no foco da trama foi involuntário, já que houve um esforço, infelizmente fracassado, em destacar o personagem de Moon Chae-won (Mood of the Day, Nice Guy). Não é culpa, de forma alguma, da atriz, mas Swan é simplesmente um personagem feminino pouco interessante. Ela até tem seus bons momentos... A beleza etérea de Moon Chae-won só favorece o personagem, especialmente no início da estória, quando ela vive como a órfã Khaya, correndo pelas praias paradisíacas tailandesas. Já na Coréia, sua energia estranhamente se desvanece... O corte de cabelo muito curto e o figurino pouco feminino também não ajudam em nada...



Lee Jin-wook (The Time I Loved You, The Target), por outro lado, nunca esteve tão espetacularmente lindo, vestindo o uniforme branco de oficial da marinha. Um tanto magro, e sem músculos definidos, ele pode não convencer muito como um membro das forças especiais da marinha, mas seu sorriso brilhante compensa tudo. Entretanto, se a beleza e simpatia do ator encantam, o personagem encarnado por ele não me conquistou. Cha Ji-Won nos é apresentado como um homem que leva uma vida livre e despreocupada. Cha Jae-wan (Jeong Dong-hwan, de The Heirs), pai de Ji-won é CEO de uma grande corporação, com negócios espalhados pelo continente asiático. O Sr. Cha, que também foi militar, cede à vontade do filho de seguir a carreira na marinha, embora espere que um dia ele assuma a direção da empresa. Mas, apesar da saúde um tanto frágil do pai, Ji-won não parece muito preocupado com seu futuro de herdeiro de milhões. Quando sua vida sofre uma reviravolta, e ele volta como Mr. Black, sua única motivação é a vingança... Mas nós nunca ficamos sabendo como ele passou os últimos cinco anos desaparecido, até reaparecer como um homem frio (mas nem tanto), para reivindicar a fortuna perdida. Mr. Black não consegue ser o personagem misterioso, sedutor e merecedor de redenção que foi o Conde de Monte Cristo, o grande herói que o inspirou.



Se há um personagem que cumpre em parte este papel é Min Seon-jae. Kim Kang-woo (Marriage Blue, Ha Ha Ha, Missing Noir M), como Min Seon-jae, é mais um anti-herói do que um vilão tradicional. Seon-jae é um personagem tão complexo e intrigante, que chegou um momento em que ele pareceu ter se apossado não apenas da vida de Ji-won, mas da estória em si. Se a autora tivesse um pingo de genialidade, teria criado uma obra prima, jogando para o escanteio Mr. Black, e transformando Seon-jae em protagonista da trama. A única explicação para o destaque involuntário de Seon-jae está na atuação brilhante de Kim Kang-woo (este sim, com o corpo esculpido de um mariner!). É impossível não simpatizar, inúmeras vezes, com Seon-jae, e seu complexo de inferioridade diante de Ji-won. Seu amor obsessivo por Yoon Ma-ri (Yoo In-yeong, de Oh My Venus, Mask), a noiva de Ji-won, é lamentável. Mas é ela que decide casar-se com Seon-jae, embora tente fazer-se de vitima, quase até o final... A redenção de Seon-jae pode parecer forçada, mas é mais satisfatória que o resultado caótico do plano de vingança de Mr. Black.

Não me arrisco a indicar enfaticamente Goodbye Mr. Black, mas também não posso classificá-lo como um drama menor. O drama me deixou boas lembranças, de paisagens fantásticas, do sorriso de Lee Jin-wook, e de uma atuação magnífica de Kim Kang-woo, um ator de quem já sou fã de carteirinha.

3 de jun de 2016

The Beauty Inside (filme, 2015)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Romance, Fantasia
Duração: 127 min.

Direção: Baek Jong-yeol
Roteiro: Kim Seon-jeong, Park Jeong-ye

Elenco: Han Hyo-joo, Lee Dong-hwi, Kim Dae-myung, Lee Beom-soo, Kim Sang-ho, Ko Ah-sung, Seo Kang-joon, Kim Hee-won, Lee Dong-wook, Kim Joo-hyeok, Do Ji-han, Juri Ueno, Park Seo-joon, Yoo Yeon-seok, Lee Hyeon-woo, Park Shin-hye.

Resumo

A fantástica estória de Woo-jin, um homem que acorda a cada dia no corpo de uma pessoa diferente, e de como ele irá lutar para conquistar o amor de Yi-Soo.

Comentário

O produtor de cinema Baek Jong-yeol (Old Boy, Voice of a Murderer) encara seu primeiro desafio como diretor, com o drama romântico The Beauty Inside. O roteiro é assinado a quatro mãos por Kim Seon-jeong (Love Me Not, 200 Pounds Beauty, Take Off) e Park Jeong-ye (Mama, 2011).

The Beauty Inside bebe da fonte da literatura fantástica, evocando contos conhecidos, como A Bela e a Fera, ou O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde), e até mesmo as estórias de vampiros (nas referências à imortalidade). Woo-jin sofre de uma estranha condição, que começou a manifestar-se na adolescência, quando, ao acordar, certo dia, ele não reconhece as próprias feições no espelho. A partir daí, o evento passa a repetir-se, e ele nunca mais volta a encarnar seu corpo original. A condição bizarra faz com que o rapaz praticamente se isole do mundo. As únicas pessoas que conhecem o segredo de Woo-jin são sua mãe (atriz Moon Sook) e seu amigo Sang-baek (Lee Dong-hwi, de Answer Me 1988). Os anos se passam, e, apesar da “maldição” persistir, Woo-jin ao menos é bem sucedido profissionalmente, com seu atelier de móveis exclusivos e personalizados. Seu parceiro Sang-baek o ajuda na empresa, encarregando-se de lidar com os clientes e fornecedores. Um dos únicos prazeres de Woo-jin é ir até uma grande loja de móveis, para apreciar as obras de marcenaria à venda. Até que um dia ele conhece uma nova vendedora do lugar, a bela Hong Yi-soo (Han Hyo-joo), e se apaixona à primeira vista. Certa manhã, Woo-jin acorda com a aparência que considera a ideal para atrair a atenção de Yi-soo...



... “As pessoas dizem que a verdadeira beleza está no interior, mas a primeira impressão também é importante”. Assim, na pele de um alto e belo rapaz (Park Seo-joon, de She Was Beautiful), Woo-jin parte apressadamente ao encontro de Yi-soo. Ele a convida para jantar, e a leva até sua fábrica de móveis, sem revelar ser o dono do lugar. O problema é como encontrá-la uma segunda vez, sendo que no dia seguinte ele pode acordar como uma mulher japonesa (Juri Ueno, de Nodame Cantabile), como um senhor calvo (Kim Sang-ho, de TEN), ou, se tiver muita sorte, como Lee Dong-wook (Scent of a Woman), ou Kim Joo-hyeok (When Romance Meets Destiny).



The Beauty Inside levanta muitas questões importantes sobre os mistérios e a complexidade intrínseca das paixões humanas. Será que somos seres naturalmente egoístas e solitários, sempre em busca de um ideal de beleza inatingível? Dizem que para os homens a aparência é muito mais importante, ao menos à primeira vista... Mas nos dias de hoje, quando a juventude e aparência saudável contam mais que o espírito, homens e mulheres parecem viver eternamente frustrados. Talvez nossos complexos pessoais se vejam refletidos nesta obcessão com a busca do belo, nas pessoas e nos objetos.



The Beauty Inside me fez lembrar outro filme do mesmo gênero, Eternal Sunshine of the Spotless Mind, por sua forma original e envolvente de falar sobre o amor. O grande problema de The Beauty Inside é que o diretor perdeu-se um pouco, deslumbrado com a possibilidade de inserir um elenco tão espetacular em um único filme (se Robert Altman estivesse vivo, ficaria com inveja). O filme se beneficiaria enormemente de uma edição mais ágil e enxuta. Claro que, para quem conhece e admira o cinema coreano, é um prazer muito especial se deparar com um rosto conhecido a cada nova cena. Ninguém quer reclamar por pagar um único ingresso para ver ao mesmo tempo atores queridos como Lee Beom-soo (Last), Seo Kang-joon (Cheese in the Trap), Yoo Yeon-seok (Mood of the Day), ou Lee Jin-wook (Goodbye Mr Black). Que pesem suas fragilidades, o filme conta com atuações brilhantes, especialmente de Hong Yi-soo (Always, Love 911, Cold Eyes) a grande protagonista de The Beauty Inside, e um dos melhores motivos para conferir esta produção. The Beauty Inside nos deixa como este questionamento, talvez impossível de responder: a beleza motiva o amor, ou o amor nos impulsiona a ver um mundo mais bonito?
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