30 de abr de 2015

Punch (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama político
Duração: 19 episódios
Produção: SBS

Direção: Park Myung-woo
Roteiro: Park Kyung-soo

Elenco: Kim Rae-won, Cho Jae-hyun, Kim Ah-joong, Choi Myoung-gil, Seo Ji-hye, On Joo-wan, Park Hyuk-kwon, Kim Eun-soo, Lee ki-young, Kim Ji-young, Jeong Dong-hwan, Lee Han-wi, Song Ok-suk, Lee Young-eun.

Resumo

Park Jung-hwan é o promotor que lidera a equipe de investigação contra a corrupção federal de seu país. Para chegar a este cargo importante, Park comprometeu seriamente tanto sua ética pessoal, quanto profissional. Quando descobre que tem um tumor cerebral, e que lhe resta pouco tempo de vida, ele tenta corrigir seus erros passados. Para isso, Park precisa demover do cargo seu mentor, o chefe da promotoria pública federal Lee Tae-joon, bem como a ministra Yoon Ji-sook.

Comentário

Punch foi um dos grandes dramas de 2014, uma excelente trama política, com doses equilibradas de suspense e drama pessoal. Após o sucesso com o drama The Chaser (2012), o roteirista Park Kyung-soo (Empire of Gold, The Legend) volta à SBS com mais um thriller eletrizante, desta vez envolvendo as disputas pelo poder entre o executivo e o judiciário, representados respectivamente pela ministra da justiça Yoon Ji-sook (Choi Myoung-gil), e pelo chefe da promotoria federal Lee Tae-joon (Cho Jae-hyun). No centro do fogo cruzado entre estes dois personagens para lá de ambiciosos está o promotor Park Jung-hwan (Kim Rae-won).



Park Jung-hwan desviou-se do caminho da justiça em nome do poder e da fortuna ilícita, no momento em que conheceu Lee Tae-joon, há sete anos. Esta escolha custou-lhe não apenas a honra, mas seu casamento, e o respeito de colegas e superiores. Shin Ha-Gyung (Kim Ah-joong) é uma promotora séria e incorruptível, que não se conforma em ver o ex-marido usar o poder da justiça como moeda de troca com empresários e políticos influentes. Ela só não rompeu todos os laços com Park Jung-hwan por causa da filha, a adorável Ye-rin (Kim Ji-young). Enquanto Park Jung-hwan serve incondicionalmente a Lee Tae-joon, Shin Ha-Gyung apoia a ministra Yoon Ji-sook, inimiga política declarada do chefe da promotoria.

A situação fica ainda mais tensa quando o irmão de Lee Tae-joon, o empresário Lee Tae-sub (Lee ki-young) é investigado pela morte de um ex-empregado. Apesar de ser a única testemunha do crime, Shin Ha-Gyung é falsamente acusada de assassinato, e é presa. Quando Park Jung-hwan descobre que seu chefe tramou para incriminar sua ex-mulher, sente-se profundamente traído por este. É em meio a este dilema que Park Jung-hwan descobre estar muito doente, com um tumor cerebral incurável. Sabendo que tem pouco tempo de vida, ele decide confrontar o chefe, livrar Shin Ha-Gyung da cadeia, e tentar salvar o pouco de honra que lhe resta.



A trama de Punch lembra muito o estilo dos dramas da roteirista Kim Eun-hee, como Sign, ou Ghost. Portanto, para quem gosta de dramas policiais, ou thrillers, Punch é altamente recomendável. Mas acima de uma boa estória, está um grande elenco, e a direção segura de Park Myung-woo (Fashion King, Princess Ja Myung Go).

O ator Kim Rae-won já havia perdido bastante peso para interpretar um gangster no filme Gangnam Blues (2015), e para interpretar o promotor à beira da morte em Punch, emagreceu ainda mais, o que lhe deu um aspecto assustadoramente frágil, ainda mais para um homem de porte físico saudável, com seus 1,83 m de altura. Quem viu Kim Rae-won recém-saído do exército, no drama A Thousand Day´s Promise (2011), não pode deixar de se espantar com a transformação pela qual passou ultimamente. Com este visual ultrarrealista, e uma atuação visceral, do início ao fim, Kim Rae-won construiu um personagem inesquecível... O promotor Park Jung-hwan é um homem que vai do céu ao inferno, na luta por sua redenção, e pelo perdão de sua amada família.

A trama de Punch é muito bem elaborada, e no final de cada episódio há sempre um momento de suspense, que leva a uma consequente reviravolta. A tensão é tão grande que, sinceramente, eu não conseguia assistir mais de um episódio por vez... E boa parte da culpa é a dos “vilões”, que vão crescendo em número e armando mais e mais artimanhas para destruir nosso anti-herói, Park Jung-hwan. Cho Jae-hyun (Jeong DoJeon), como o promotor chefe Lee Tae-joon traz toda a sua bagagem de ator (cinema e TV) para criar um personagem odioso, mas incrivelmente humano. A amizade entre Lee Tae-joon e Park Jung-hwan é natural e verdadeira, até o último instante, embora não possa ser superada pela ambição e pelo desejo de vingança.

Se Lee Tae-joon é o vilão que você adora odiar, a ministra da justiça Yoon Ji-sook é um personagem bem mais complexo, que a princípio nos encanta, e progressivamente vai tornando-se mais e mais assustador. Choi Myoung-gil (Marry Him If You Dare) também aproveita muito bem a oportunidade de explorar o papel da megalomaníaca Yoon Ji-sook, até as últimas consequências. E (spoiler!) o pior é que Yoon Ji-sook arrasta consigo para “o lado do mal” o jovem promotor Lee Ho-sung (On Joo-won), que é tentado pelo poder, como foi anteriormente seu colega Park Jung-hwan.



Punch é o tipo de drama que me agrada especialmente, por dar tempo o bastante para que todos os personagens, por menores que sejam, tenham seu momento de aparecer e contar sua estória. Os promotores também tem um papel de destaque na trama: o eterno vassalo de Lee Tae-joon, Jo Gang-jae (Park Hyuk-kwon, sempre brilhante, por menor que seja o seu papel), a ambiciosa Choi Yeon-jin (a bela Seo Ji-hye), e o honorável promotor sênior Jung Gook-hyun (Kim Eun-soo), todos participam ativamente dos acontecimentos e tornam a estória mais rica e cativante.

Para não dizer que tudo gira em torno da política e do poder, os momentos de carinho e afeto entre Park Jung-hwan e sua filha Ye-rin são dos mais tocantes, de levar às lágrimas mesmo... E embora não tenha restado muito tempo para romance, Kim Rae-won e Kim Ah-joong formam um par belíssimo, e seria um prazer vê-los algum dia, juntos, em um drama romântico... Fica a dica!

9 de abr de 2015

Valid Love (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Romance
Duração: 20 episódios
Produção: tvN

Direção: Han Ji-Seung
Roteiro: Kim Do-Woo

Elenco: Uhm Tae-woong, Lee Si-young, Lee Soo-hyuk, Lee Young-ran, Im Ha-ryong, Choi Yeo-jin, Park Jung-min, Seo Jung-yun, Han Eu-Ddeum

Resumo

Il-ri era apenas uma adolescente quando conheceu Hee-tae, um biólogo contratado como professor temporário na escola de meninas onde ela estudava. Ali eles se apaixonaram, mas apenas sete anos depois voltaram a se encontrar, e se casaram. O casal leva uma vida ordinária, até o dia em que Il-ri conhece o jovem carpinteiro Kim Joon, e seu amor pelo marido é posto à prova.

Comentário

A primeira coisa importante a ressaltar sobre Valid Love é que, ao contrário do que possa parecer (pela sinopse oficial), o tema central deste drama não é o adultério, mas todo o comprometimento emocional e familiar que envolve um casamento. Algum espectador desavisado pode decepcionar-se com a abordagem pouco romântica, ou sensual, sobre o triângulo amoroso de Valid Love, mas, se ele tiver um interesse verdadeiro, pode surpreender-se com a profundidade e o realismo das emoções despertadas pela estória. Valid Love, essencialmente, é um drama familiar, e um dos melhores que já assisti. A roteirista, Kim Do-Woo , é autora do inesquecível drama My Name is Kim Sam Soon (2005). Apoiado em atuações agradavelmente naturais, tanto do elenco jovem, como dos atores veteranos, e uma produção impecável – como já é de se esperar do canal de TV a cabo coreano tvN – o drama se desenrola como um episódio da vida real de uma família normal, que poderia muito bem ser a minha ou a sua. Alguém pode até argumentar que não há graça em acompanhar eventos triviais da vida de “gente como a gente”, e eu mesma tenho certa aversão a melodramas familiares, especialmente quando envolvem doenças terminais, ou tramas de vingança infindáveis. Felizmente, apesar de Valid Love desfilar uma boa dose de dramas familiares, é o modo como os mesmos são abordados que faz a diferença entre um dramalhão, e uma estória que merece ser contada e vista.

Lee Si-young é Il-ri, uma adolescente cheia de energia e com uma mente criativa, repleta de fantasias, e que é confundida por colegas e professores como uma criatura exótica, e um tanto desequilibrada. E é através do olhar perspicaz do professor de biologia Jang Hee-tae (Uhm Tae-woong), que conhecemos o valor desta jovem, altruísta, determinada, embora um tanto teimosa. E é exatamente uma visão um tanto fatalista de Il-ri, que a empurra para um destino muito aquém de seus sonhos brilhantes de infância. Il-ri é uma ótima desenhista, e poderia ter frequentado uma escola de artes, mas ao invés disso, resolve lutar para pagar os estudos da irmã caçula, trabalhando como pintora de paredes. E é enquanto pinta a fachada de um prédio, que Il-ri reencontra seu primeiro e único amor, o professor Hee-tae. Os dois reconhecem que nunca esqueceram um do outro, e acabam se casando. Apesar de Hee-tae ser o filho mais velho, o casal mora sozinho, em um apartamento no mesmo bairro dos pais dele. Mas, além de trabalhar como pintora, Il-ri vai todos os dias à casa dos sogros, ajudar a cuidar da cunhada (uma deslumbrante Choi Yeo-jin), que sofre de uma síndrome que a deixou paralisada dos pés à cabeça. Enquanto isso, Hee-tae trabalha em um instituto oceanográfico, e passa alguns dias fora de casa, em expedições de pesquisa em alto mar. Il-ri não reclama de sua rotina pesada, inclusive faz questão de cuidar da família do marido, pela qual nutre um grande carinho... Mas as pessoas parecem não se dar conta de que Il-ri é ainda muito jovem, e que nunca teve oportunidade de aproveitar a vida como teria direito, se não tivesse tantas responsabilidades sobre seus frágeis ombros.

Bem, as coisas começam a mudar quando Il-ri é contratada para pintar a oficina de um novo vizinho, um jovem carpinteiro chamado Kim Joon. O primeiro contato entre os dois não é dos mais amigáveis, já que Il-ri é alegre e tagarela, o oposto de Kim Joon, que é incrivelmente sério e taciturno. Mas aos poucos o carpinteiro vai se sentindo atraído por esta jovem de temperamento forte, mas de grande coração. E Il-ri, por sua parte, encontra em Kim Joon uma pessoa com a qual pode compartilhar suas angústias e pesares mais profundos.

No entanto, quando o clima de flerte e conhecimento mútuo está apenas começando, o marido de Il-ri descobre tudo, e sua reação é muito mais imatura e intempestiva do que se poderia esperar, para um homem de sua idade. E a possível separação de Il-ri e Hee-tae, na perspectiva das famílias de ambos, tem consequências muito maiores do que o fim do amor entre o casal. É como se costuma dizer, quando você se casa com alguém, está se casando com toda a família dele... E no amor verdadeiro as palavras ‘egoísmo’ e ‘individualismo’ devem ser banidas do seu dicionário, para o bem ou para o mal...


Uhm Tae-woong (Architecture 101, Dr Champ) e Lee Si-young (Golden Cross) já são atores veteranos, e suas interpretações são tão naturais e ao mesmo tempo tão fascinantes, que é difícil imaginar outros desempenhando tão bem seus papéis. Espero que Lee Si-young desista de vez de sua (tentativa) carreira como boxeadora e invista mais na de atriz, pois ela é simplesmente fantástica. Mas queria falar mesmo sobre Lee Soo-hyuk, que, com uma carreira de ator muito mais recente, tem tido a sorte, ou talvez melhor dizendo, a sabedoria de escolher bons projetos, especialmente na TV. Do drama White Christmas (2011) ao penúltimo trabalho de destaque, a comédia King of High School (tvN, 2014), Lee Soo-hyuk vem construindo uma imagem séria como ator, muito além da pura beleza física dos tempos de modelo profissional. Esta combinação de beleza angelical, melancolia e sensualidade faz de Lee Soo-hyuk um ator único e incrivelmente atraente. Por isso mesmo ele convence tão bem em Valid Love, com o jovem que exerce uma atração irresistível sobre os demais personagens, e ainda mais, sobre nós, espectadores...
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