23 de out de 2014

Os Últimos (e Melhores) Dramas de 2014


Quando a temporada de dramas está fraca, nem reclamo, e aproveito para colocar os filmes em dia, além de assistir dramas antigos que perdi, e até mesmo encarar uma maratona de dramas longos (se você não viu My Daughter Seo Young, por exemplo, garanto que vale a pena encarar seus 50 episódios). Mas, felizmente, temos uma lista de ótimas estreias para comentar...



Dos dramas que acabaram recentemente, minha maior decepção foi com My Secret Hotel. Nem mesmo o elenco bonito, a trilha bacaninha e a bela fotografia conseguiram salvar este drama de seu desfecho morno e sonolento. Só o maravilhoso Jin Yi-han soube aproveitar o drama para mostrar todo o seu talento como ator (cantando, dançando, fazendo rir e chorar). Agora que me livrei de My Secret Hotel, faltam mais dois para despachar: My Lovely Girl, e Love Myself Or You. Quem resolve encarar um drama taiwanês já sabe que a chance da trama esfriar ou simplesmente sair de órbita é enorme; por isso já me conformei em suportar até o final Love Myself Or You (e seus intermináveis 22 episódios). Da volta do cantor/ator Rain, com My Lovely Girl, não há muito que falar, a não ser que é um teste para a paciência do espectador. Não tenho absolutamente nada contra o elenco, mas quando as melhores atuações vem do cantor pop L, e de um labrador (interpretação brilhante – do cão, não do dono), alguma coisa está muito errada.



Por outro lado, dois dramas que poderiam tranquilamente ter durado mais foram Plus Nine Boys, e Discovery of Romance, dois exemplos de como produzir estórias simples e sensíveis. Sou suspeita para falar, porque Discovery of Romance é o meu tipo de drama romântico, e Eric é o meu tipo de homem (e um grande ator).


Pena que o final de Plus Nine Boys foi literalmente atropelado, com apenas 14 episódios (apesar de não ter lido nada específico, imagino que um possível processo por plágio tenha a ver com a situação). Mesmo assim, Plus Nine Boys é mais uma boa produção do canal tvN, que vale a pena ser conferida.


E dos dramas que já estão na reta final, o mais destacado é The Spring Days of My Life, um melodrama romântico belíssimo, com elenco fantástico (Sooyoung, Kam Woo-seong e Lee Jun-hyuk), e uma estória comovente, sem ser excessivamente piegas.


Já para os fãs dos dramas épicos, temos The Three Musketeers (tvN, 12 episódios), que, se não tem a qualidade de um The Joseon Gunman (em termos de direção, ou atuações), é divertido o bastante, e já dá para aguardar com ansiedade sua segunda temporada. E só para lembrar,temos o gatíssimo Lee Jin-wook como o príncipe (e mosqueteiro) So Hyeon-se.


Greatest Marriage é muito ruim, e o elenco tem ao menos metade da culpa pelo fiasco que é este drama (a TV Chosun resolveu mudar o horário e veicular apenas um episódio por semana do drama, mas não sei o que isto irá resolver). Quanto a Tomorrow Cantabile (KBS, 20 episódios), só tenho uma recomendação a fazer: se você não assistiu a versão original japonesa (Nodame Cantabile), pelo amor dos deuses, não chegue perto deste remake! Não é de admirar que a audiência na Coréia esteja caindo drasticamente a cada episódio. Deixemos o humor peculiar dos mangás para os japoneses, ok?!


Entre as estreias há três dramas, muito diferentes um do outro, mas igualmente interessantes, e que merecem ter a sua atenção: Misaeng, Bad Guys e Modern Farmer. Misaeng (Incomplete Life) é o biscoito fino lançado pela tvN, em comemoração aos 8 anos deste canal de TV a cabo. Confirmando sua tradição em presentear a audiência com produções inovadoras e bem cuidadas, a tvN vem com este drama contemporâneo, que retrata a vida extraordinária de um estagiário de uma grande corporação. Existencialista, melancólico, soturno e surpreendentemente emotivo, Misaeng respira o mesmo ar dos grandes romances de Charles Dickens. Em Misaeng, nosso pequeno órfão (de pai) é Jang Geu-rae (Siwan, de Triangle), um rapaz sem estudo, cujo sonho fracassado de ser um jogador profissional de Yut Nori (jogo de tabuleiro), o levou a viver na base da cadeia produtiva, indo de um emprego temporário ao outro, sem esperança de uma vida melhor... Até o dia em que ele tem a chance única de estagiar em uma grande empresa de exportação. Com 26 anos de idade, sem formação universitária, Geu-rae é imediatamente hostilizado pelos colegas e superiores, já que, aparentemente, ele teria sido apadrinhado por um alto executivo da companhia. Com atores maravilhosos (Lee Sung-min, Kang Ha-neul, Kang So-ra, entre outros), tendo como cenário o ambiente inóspito de um prédio de escritórios, no centro empresarial de Seul, Misaeng consegue mexer com as emoções do mais empedernido dos corações. A direção impecável está a cargo do PD Kim Won-Suk (Sungkyunkwan Scandal, Monstar) e a sólida adaptação (do webtoon) é de Jung Yoon-Jung (roteirista do fantástico Arang and the Magistrate).


Seguindo com emoções fortes, temos Bad Guys, mais um thriller policial do canal OCN (TEN, Cheo Yong, Reset, Vampire Prosecutor), com direção de Kim Jung-Min, e roteiro de Han Jung-Hoon (Vampire Prosecutor 1 e 2). Bad Guys pretende contar, em 11 episódios, a estória de um policial veterano que reúne três bandidos extremamente perigosos, para ajudá-lo a capturar um assassino em série. Apesar da trama pouco realista, Bad Guys impressiona especialmente pela violência, e pelo elenco poderoso. Temos Kim Sang-joon (A New Leaf), como o policial atormentado Oh Goo-tak (apelidado pelos colegas de ‘cachorro louco’), Ma Dong-seok (Dr Champ), como o gangster Park Woong-cheol, Jo Dong-hyeok (Brain), como o assassino Jeong Tae-soo, e, finalmente, Park Hae-jin (Doctor Stranger), como o misterioso Lee Jeong-moon. Destaque para o ator Jo Dong-hyeok, com um personagem frio, e ao mesmo tempo perturbadoramente charmoso (graças às feições angulosas do ator, que emagreceu um bocado para o papel).


Para aliviar o clima, que tal uma comédia realmente hilária? Modern Farmer (SBS, 20 episódios) chegou para alegrar nossos finais de semana, com personagens malucos, mas adoráveis. O grupo de rock ExSo (Excellent Souls) era composto pelo vocalista e guitarrista Lee Min-ki (Lee Hong-ki), o tecladista Kang Hyeok (Park Min-woo), o baixista Yoo Han-chul (Lee Shi-un) e o baterista Han Ki-joon (Kwak Dong-yun). Infelizmente, o sucesso da banda foi efêmero, e cada um dos rapazes teve de buscar outras formas de sobreviver. Ainda sonhando em ser um músico famoso, mas cheio de dívidas, Lee Min-ki é surpreendido com a notícia de que sua avó recém-falecida lhe deixou como herança sua fazenda. Acontece que, embora a propriedade seja enorme, seu valor de venda é muito baixo. Sem se deixar abater, Min-ki convence os ex-colegas de banda a ir para o interior, e plantar couve, com a ilusão de que poderão ganhar muito dinheiro e voltar a gravar discos. A falta de noção destes caras é tão absurda quanto divertida, e é com incredulidade que os vemos se envolvendo em uma encrenca atrás da outra, na tentativa de se adaptar à vida no campo. Só para ter uma ideia, em apenas um dia no interior, os rapazes conseguem comprar briga com todos os vizinhos, e destruir uma festa de recepção ao governador da província. Lee Hong-ki (Bride of the Century) está deliciosamente histriônico, sem perder o charme adquirido com sua carreira paralela de astro pop. Quando os integrantes da banda fictícia ExSo se reúnem, dá para perceber o porque de não terem chegado ao sucesso... Juntos, eles são como um pequeno tornado que destrói tudo o que vê pela frente. Só o tempo dirá se eles irão aprender a construir algo em equipe, ou se o seu destino é seguir por caminhos separados.

15 de out de 2014

The Long Goodbye (drama, 2014)


País: Japão
Gênero: Policial Noir, Drama
Duração: 5 episódios
Produção: NHK

Direção: Horikirizono Kentaro
Roteiro: Watanabe Aya, baseado no romance de Raymond Chandler

Elenco: Asano Tadanobu, Ayano Go, Koyuki, Furuta Arata, Tominaga Ai, Ota Rina, Takito KenichiHoribe Keisuke, Takahashi Tsutomi, Taguchi Tomorowo, Izumisawa YuukiYoshida Kotaro, Endo Kenichi, Emoto Akira.

Resumo

Na Tóquio dos anos 50, Harada Tamotsu é suspeito de matar sua esposa, a famosa atriz Harada Shizuka, filha de um poderoso empresário das telecomunicações, e político em ascensão. Mas o detetive particular Masuzawa Banji acredita na inocência de Tamotsu, ajuda o rapaz a fugir para Taiwan, e passa a investigar o caso.

Comentário

Raymond Chandler foi um dos fundadores da literatura policia noir, que floresceu nos EUA pós-depressão. Seus romances estão repletos de personagens do submundo do crime, policiais corruptos, detetives particulares espertos (como o famoso Philip Marlowe), e gente da alta sociedade, que paga caro para manter-se acima da lei. E apesar de ser um dos maiores escritores de todos os tempos, sua obra não teve, até hoje, adaptações cinematográficas ou televisivas a sua altura. Por isso mesmo, foi com grande curiosidade e expectativa que me deparei com esta adaptação japonesa para o romance “O Longo Adeus” (1953), uma obra prima da curta carreira de escritor de Raymond Chandler. E, felizmente, o resultado foi melhor do que o esperado.

O Japão enfrentou a crise financeira e as consequências nefastas da Segunda Guerra, tanto ou mais que a América, e, sendo assim, não foi nada estranho transportar o cenário decadente dos romances de Chandler de Los Angeles para Tóquio. Nesta versão, o detetive Philip Marlowe se tranforma no não menos adorável Masuzawa Banji, interpretado pelo fantástico Asano Tadanobu.

A trama é clássica, mas não esqueça de que tudo que veio depois de Raymond Chandler e Dashiell Hammett não passa de uma imitação pálida do gênero. O detetive Masuzawa Banji (Asano Tadanobu) tem um escritório modesto, no segundo andar de um posto de gasolina, onde atende seus clientes, enquanto fuma muitos cigarros, e bebe uma deliciosa xícara de café moído na hora. A sua renda é mínima, mas ele não parece se incomodar com a vida simples que leva. Até o dia em que, obviamente, um caso complicado bate à sua porta. Banji-san acolhe por uma noite Harada Tamotsu (Ayano Go), o marido recém-abandonado de uma atriz famosa, Harada Shizuka (Ota Rina), alvo preferido dos paparazzi, por seus frequentes escândalos amorosos. O rapaz volta a procurar o detetive e os dois saem ocasionalmente para beber, e conversar sobre amenidades. Até que uma noite o rapaz aparece ensanguentado, relatando ter encontrado sua esposa morta. A partir deste momento, o detetive irá se deparar com uma face da sociedade que deveria ser a mais nobre e sofisticada, mas que na realidade está corrompida pela mais pura maldade. O mais surpreendente e excitante na obra de Raymond Chandler, em minha opinião, é a sua capacidade de expor a mais profunda decadência humana, na forma da violência e da corrupção, e ao mesmo tempo confrontar estes males sociais com personagens irremediavelmente bons, como o detetive Marlowe.

Não sei dizer se o público que não conhece a obra de Chandler irá se encantar tanto com este mini-drama, mas tenho a esperança de que ainda haja gente que se interesse por uma boa estória, e por personagens maravilhosos (mesmo que antiquados) como Masuzawa/Marlowe, em seu longo e último adeus.

14 de out de 2014

Discovery of Romance (drama, 2014)


País: Coréia do Sul
Gênero: Romance, Drama
Duração: 16 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Kim Seong-yoon
Roteiro: Jeong Hyeong-jeong

Elenco: Eric Moon, Jeong Yoo-mi, Sung Joon, Kim Seul-gi, Yoon Hyun-min, Yoon Jin-Yi, Kim Hye-ok, Ahn Seok-hwan, Seong Byeong-sook.

Resumo

Han Yeo-reum e Nam Ha-jin formam um belo casal, mas sabem muito pouco sobre o passado um do outro. Quando o ex-namorado de Yeo-reum, Kang Tae-ha, reaparece em sua vida, ela faz de tudo para esconder a verdade do noivo atual.

Comentário

Discovery of Romance (ou Discovery of Love) é, sem dúvida alguma, o roteiro mais bem acabado da carreira da escritora Jeong Hyeong-jeong, autora da trilogia de sucesso I Need Romance. Ela trocou a tvN pela KBS TV, e o diretor Jang Yeoung-woo por Kim Seong-yoon (Big, 2012), mantendo a qualidade de produção, mas aprimorando significativamente sua escrita. Do primeiro I Need Romance para este Discovery of Romance, dá para perceber como a autora aprendeu a trabalhar os diálogos de forma mais fluida, e sem desperdícios. Apesar dos personagens da autora Jeong serem sempre tagarelas, suas falas são inteligentes, espontâneas e frequentemente divertidas. Outro ponto positivo é o melhor aproveitamento dos personagens secundários, que não são apenas um gancho para ligar as cenas, mas têm suas próprias estórias, que merecem ser acompanhadas. Veja o exemplo do casal de amigos de Yeo-reum, Yoon Sol (Kim Seul-gi,de Flower Boy Next Door) e Do Joon-ho (Yoon Hyun-min, de A Witch´s Love). Eles não só participam ativamente da trama central, como têm sua própria estória, igualmente envolvente. O mesmo vale para os familiares dos personagens, representados pelas mães de Yeo-reum (a divertidíssima Kim Hye-ok) e de Ha-jin, e da órfã Na A-rim - todas têm um papel importante na vida dos mesmos. Estes podem parecer detalhes pequenos, mas que são muito importantes na construção de personagens interessantes e críveis.


Discovery of Romance é um drama que reflete sobre o amor, e de como nossas escolhas pessoais refletem nossas mais marcantes experiências de vida. A designer de móveis Han Yeo-reum (Jeong Yoo-mi, de My Dear Desperado), por exemplo, é movida por dois eventos traumáticos que mudaram sua vida, quase simultaneamente – a morte do pai, e o rompimento de um relacionamento de cinco anos, com o arquiteto Kang Tae-ha (Eric).

Seu noivo, Nam Ha-jin (Sung Joon, de Lie To Me), também tem sua cota de esqueletos no armário. Ninguém poderia imaginar que este cirurgião plástico bem sucedido teve uma infância melancólica em um orfanato, até ser adotado por uma família de posses. Mas a maior tristeza de Ha-jin é ter deixado para trás, no orfanato, uma garotinha que era como uma verdadeira irmã para ele. Nem mesmo sua noiva, Yeo-reum, sabe sobre seu passado, pois sua mãe adotiva (Seong Byeong-sook) insiste em esconder a verdade de todos. Mas quando Ha-jin reencontra sua irmã postiça, Na A-rim (Yoon Jin-Yi), fica difícil explicar para as pessoas o motivo de sua ligação afetiva com ela.


Tudo se complica quando Kang Tae-ha reaparece na vida de Han Yeo-reum. Ela e a amiga e sócia Yoon Sol lutam para manter um estúdio de design de móveis, mas suas dívidas se acumulam. Nesta hora, fica impossível recusar a oferta de Kang Tae-ha para trabalhar em um projeto em conjunto com seu escritório de arquitetura. Insegura, Yeo-reum decide não contar ao noivo sobre seu antigo relacionamento com Tae-ha. Mas Nam Ha-jin não é bobo, e logo percebe o clima estranho entre a namorada e o novo chefe. Daí em diante, o triangulo amoroso se transforma em uma verdadeira guerra de paixões mal resolvidas.

Apesar de os ataques de ciúmes chegarem ‘aos finalmentes’ em várias oportunidades (surpreendentemente, as imagens de luta corporal estampadas nos cartazes deste drama não são apenas metáforas), os personagens são, essencialmente, gente boa, e sabem fazer sua mea culpa antes que seja tarde demais. E é exatamente manipulando espertamente os sentimentos do espectador, que a roteirista consegue nos levar com o coração na mão, até o último episódio do drama. Fazia tempo que eu não me deparava com uma expectativa tão grande sobre o destino dos personagens de um drama. O final, me pareceu, foi dos mais satisfatórios, sem contradizer a trajetória natural dos personagens, e principalmente, sem ofender a inteligência do espectador. É claro que todos aqueles habituados às armadilhas dos dramas românticos coreanos podem se pegar torcendo para este ou aquele par romântico, mas, desejos pessoais à parte, é difícil alguém querer reclamar do belo e sensível desfecho de Discovery of Romance.


Você sabia que...

- Eric e Jeong Yoo-mi foram par romântico no drama Que Sera Sera (2007, MBC);

- A atriz Jeong Yoo-mi já havia trabalhado com a roteirista Jeong Hyeong-jeong, em I Need Romance 2 (na minha opinião, o mais fraco da trilogia), e o ator Sung Joon, em I Need Romance 3 (2013);

- Fazia três anos que o ator e cantor Eric não aparecia em dramas, desde o fracasso de Myung Wol the Spy;

- A Gentleman´s Dignity foi o primeiro drama da jovem atriz Yoon Jin-Yi, e a catapultou imediatamente ao estrelato.
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