30 de abr de 2013

As Noivas dos Dramas Coreanos


Aproveitando o clima romântico do mês de maio, abrimos o baú das noivas nos dramas. É engraçado pensar que, apesar de existirem tantos dramas românticos coreanos, nem tantos assim acabam com a clássica cena do casamento, ao contrário do que se poderia imaginar. Nos dramas japoneses, normalmente, se a mocinha se veste de noiva, é para valer. Já no caso dos dramas coreanos, são inúmeros os casos de personagens femininos que se vestem de noiva, mas não tem a sorte de colocar a aliança no dedo anular... Mesmo assim, é difícil não nos lembrarmos das atrizes que se vestiram de noiva, e sonharam em encontrar seus príncipes encantados. Alguns exemplos (spoilers inevitáveis) de atrizes que se vestiram de branco:


Lee Min-jeong – parece que o branco não lhe favorece mesmo...

Já virou uma espécie de maldição para atriz vestir-se de noiva na ficção... Ao menos em quatro dramas, bem que ela tentou se casar, mas algo acabou dando errado. Tomara que o mesmo não aconteça quando ela se casar de verdade (com o ator Lee Byeon-heon). Lee Min-jeong teve prejuízo no aluguel do vestido em Boys Over Flowers, Smile You, Midas, e mais recentemente em Big. Será que Sin Ha-gyoon vai levá-la finalmente ao altar, em All About My Romance?


Esperando Jang Hyeok no altar? Era bom demais para ser verdade!
Seguindo os passos da colega Lee Min-jeong, temos Nan Gyoo-ri...


... A jovem atriz já provou que fica belíssima vestida de noiva, falta apenas conseguir um noivo honesto, ou que não perca a memória e se apaixone por outra (Haeundae Lovers)... Ah, e tentar não virar fantasma no dia da boda (49 Days). Não é nada fácil ter um casamento de sucesso no mundo dos dramas.

A atriz de dramas favorita de quase todo mundo, Kim Seon-ah, já teve inúmeras oportunidades de vestir-se de noiva, com resultados menos ou mais felizes, mas ao menos ela acabou sempre com o seu príncipe, com ou sem cerimônia formal. Em Scent of a Woman ela bateu um recorde, aparecendo com três vestidos de noiva diferentes. Agora só falta encontrar o homem perfeito na vida real (porque na ficção ela já encontrou Cha Seung-won, em The City Hall).
Can´t Lose / Star´s Lover 

A rainha do melodrama Choi Ji-woo também tem experiência com a ‘moda noivas’, embora ainda não tenha tido a oportunidade de viver o papel na vida real. Ela foi uma noiva deslumbrante ao lado do meu querido Yoon Sang-hyeon, no drama Can´t Lose. Só que (ups) esqueceu-se de registrar o casamento no cartório!


Outra que já vestiu incontáveis vestidos de noiva, tanto nos dramas como em seus trabalhos de modelo, é a atriz Yoon Eun-hye. Em Lie to Me, ela vestiu-se de noiva apenas para o pôster de promoção do drama, e nos deixou até o finalzinho esperando pela cena do casório, que não veio... E na deliciosa comédia romântica My Fair Lady, ela tentou comover (jogar a isca!) o  seu amado mordomo, Yoon Sang-hyeon, vestindo-se de branco. E ele quase foi às lágrimas...Que romântico!

29 de abr de 2013

Novos Dramas Japoneses de Mistério


Com uma temporada de dramas coreanos pouco excitante (só os fãs dos dramas épicos não têm do que se queixar) vale dar uma espiada em alguns títulos japoneses, como Biblia Koshodou no Jiken Techou, ou a segunda fase do grande sucesso Galileo, com o sempre lindo Fukuyama Masaharu.

Os roteiristas japoneses sabem como ninguém criar as estórias mais bizarras, mas que resultam em dramas interessantes e ao mesmo tempo divertidos. É claro que muito desta inspiração vem diretamente dos mangás, os quadrinhos japoneses.

Para quem curte dramas policiais e de suspense, fica a dica para conferir estes novos dramas:


Biblia Koshodou no Jiken Techou
A estória se passa em uma livraria especializada em raridades, nos arredores de Kamamura, antiga capital do Japão, a Livraria Antiquário Bíblia. A proprietária da loja é Shinokawa Shioriko (Gouriki Ayame) uma jovem bonita, mas muito tímida. Por outro lado, seu conhecimento sobre livros antigos é impressionante, especialmente para alguém tão jovem como ela. Quando ela fala sobre livros, a paixão domina a timidez, e ela se torna uma criatura das mais eloquentes. Shioriko é a pessoa que guia seus clientes para desvendar os segredos e mistérios dos livros antigos, através de seu vasto conhecimento e seu poder único de observação.

Biblia Koshodou no Jiken Techou (Antiquarian Bookshop Biblia's Case Files) é uma produção da Fuji TV, com a duração de 11 episódios.

Pontos positivos para a direção de fotografia, a música de abertura (The Never Ending Story, numa versão das E-girls), e o charme do ator Akira, com seus 1,84 de altura.


Otenki Onee-san

A jovem Abe Haruko (Takei Emi) é um gênio da meteorologia. Ela realiza previsões do tempo que vão muito além das leis da física, através de um poder quase sobrenatural.

Ao conseguir uma vaga de “garota do tempo” em uma rede de TV em Tóquio, Haruko chama a atenção de muita gente, inclusive da polícia. E é junto do detetive de polícia Aoki Gota (Okura Tadayoshi) que ela irá desvendar crimes complicados ou misteriosos, sempre usando sua habilidade única de meteorologista.

Uma produção da Asahi TV, este drama tem uma das premissas mais bizarras, mas que consegue surpreender o espectador, além de ser um verdadeiro curso sobre fenômenos meteorológicos. Por isso mesmo, vai agradar muito a quem curtiu dramas como Mr. Brain, Kiina, ou Galileo, só para citar alguns exemplos. Além disso, tem o simpático (e mais nerd do que nunca) Sasaki Kuranosuke, do drama policial Hancho.


Galileo 2

Fukuyama Masaharu está de volta, como o professor universitário Yukawa Manabu, um gênio da física, que nas horas vagas trabalha como consultor para a polícia japonesa. Chamado carinhosamente de “Detetive Galileo” o charmoso, mas excêntrico Yukawa Manabu desvenda os crimes mais misteriosos e intrincados.


No lugar da policial Utsumi Kaoru agora temos a novata Kishitana Misu (Yoshitaka Yuriko) para aguentar o temperamento difícil do professor Yukawa Manabu.

Vale conferir o drama pela presença sempre charmosa de Fukuyama Masaharu, que também contribui como autor da trilha musical. Quem assistiu a primeira temporada certamente vai querer acompanhar esta continuação.
 
A detetive Utsumi Kaoru vai deixar saudades...
 
Outra boa notícia é que já está confirmado um novo filme baseado no drama (como aconteceu na primeira temporada), intitulado Manatsu no Houteishiki, e sua estreia está marcada para 29 de junho deste ano.

23 de abr de 2013

Entre Dois Amores nos Dramas Coreanos



Quando o interesse romântico secundário em um drama coreano é tão ou mais charmoso que o principal...

... O assunto é tão sério que originou a divertida expressão “second lead syndrome” (condição na qual a espectadora fica obcecada com o personagem secundário, devido ao seu charme irresistível, mesmo sabendo que sua posição não irá se alterar ao longo da trama, ou seja, ele não vai ficar com a mocinha).

É quase regra nos dramas coreanos, nos deixar – mais do que a heroína da estória – na expectativa da dúvida, ou simplesmente apaixonadas pelo personagem/ator coadjuvante. Pode ser um ex-namorado, o melhor amigo ou simplesmente o novo interesse romântico da mulher no drama... Muitas vezes este personagem gera ‘frisson’ ou até mesmo revolta entre as fãs dos dramas românticos.

Uma situação completamente compreensível, já que os atores secundários tem presença quase parelha com os principais, principalmente aqueles que conseguem capturar a atenção da audiência feminina. Tão bonitos, inteligentes, e muitas vezes muito mais simpáticos que o herói da série, os personagens secundários tem espaço garantido nos fóruns de discussão dos dramas, e no coração da mulherada.

Por sinal, existem dezenas de teses sobre os “second male leads”, desenvolvidas com paixão por blogueiras do mundo inteiro. Embora o assunto não seja original, sempre gera debate e interesse daquelas que amam os dramas coreanos.

Sendo assim, não é difícil puxar da memória alguns casos clássicos que possam servir de exemplo para argumentação. Aposto que você já pensou em muitos, não é mesmo? Quais são seus “second leads” inesquecíveis?

Eis alguns exemplos que me deixaram com o coração dividido, ou simplesmente me tiraram do sério, aponto de amaldiçoar a personagem feminina, o roteirista, deus e o mundo... (atenção para alguns spoilers!)


Vou começar pelo drama You´re Beautiful, que me vem imediatamente à lembrança devido à recente notícia de que o ator/músico Jeong Yong-hwa (CNBlue), pela terceira vez, atuará ao lado da atriz Park Sin-hye, no aguardado drama The Heirs (da roteirista de Secret Garden, Kim Eun-sook). Muita gente que assistiu na época o drama romântico/musical You´re Beautiful se apaixonou pelo par Mi-nam-Shin-woo. Sem desprezar o carisma do ator Jang Geun-seok, e de seu inesquecível personagem Hwang Tae Kyung, para muitas garotas foi impossível não se apaixonar pelo suave Yong-hwa.

Entretanto, como poucas vezes (ou nunca) visto, pudemos satisfazer nossas expectativas antes frustradas ao ver o personagem secundário voltar como principal, em outro drama e conquistar finalmente a mocinha... Foi o caso em Heartstrings (You´ve Fallen for Me, 2011), onde Yong-hwa volta mais charmoso do que nunca, como o estudante de música e roqueiro Lee Shin, para conquistar de vez o coração de Park Sin-hye.


Mas parece que os deuses do drama querem nos fazer sofrer mais uma vez ao ver Jeong Yong-hwa perder Park Sin-hye, só que desta vez para ninguém menos que Lee Min-ho (Faith).


No drama épico/escolar Sungkyunkwan Scandal, Yoo Ah-in é Moon Jae-sin, um personagem com todas as qualidades para conquistar qualquer mulher... Bonito, rebelde, heroico, cavalheiro, Jae Shin nem chega a balançar o coração de Yoon Hee (atriz Park Min-yeong), mas certamente deixou muitas garotas trêmulas de paixão. Aí está um par que poderia ter uma segunda chance, Yoo Ah-in e Park Min-yeong.
 
Embora seja fã de carteirinha de Jang Hyeok, confesso que não ficaria decepcionada se Noh Min-woo-I tivesse ao menos tascado uns beijinhos em Lee Min-jeong (All About My Romance), no drama Midas (2011). Embora não tenha sido um drama romântico, Midas trazia um ‘quadrado’ amoroso muito interessante. Jang Hyeok como o ambicioso Kim Do-hyeon, também teve a oportunidade de ir mais fundo na relação com a chefe e depois nêmese Yoo In-hye (atriz Kim Hee-ae). Mas, como regra geral nos dramas coreanos, não rola nada além de abraços fraternais com os interesses românticos secundários.
 
Mais um caso de conflito, ao menos para mim, foi assistir The Greatest Love. Embora adore Cha Seung-won (The City Hall), não pude engolir seu papel caricato em The Greatest Love. E para piorar tudo, Yoon Kye-sang forma um par indiscutivelmente mais interessante com Kong Hyo-jin. Não adianta lutar contra a natureza, muitas vezes os atores não conseguem esconder o clima de atração que surge no set de filmagem (e até fora dele). Nada a ver com a qualidade dos atores, mas uma situação destas pode acabar arruinando um drama, para boa parte dos espectadores.


Falando em Kong Hyo-jin, lembrei que o mesmo aconteceu no drama Thank You, onde ela convence muito mais como par de Sin Seong-rok, do que com Jang Hyeok, embora este nunca tenha estado tão sexy como no papel do atormentado Dr. Min Ki-seo.
 
Em Scent of a Woman (2011), é memorável a química entre o casal principal, Kim Seon-ah e Lee Dong-wook. Mas também não dá para ignorar o charme tímido e a sensibilidade de Eom Gi-joon (The Virus, Ghost), como o médico Chae Eun-seok. Ele até aprendeu a dançar tango só para ficar mais perto de Seon-ah. Um perfeito cavalheiro!


O drama Flower Boy Ramyun Shop é um dos casos mais emblemáticos de “second lead syndrome”. O clima fervia nas cenas entre Lee Ki-woo (The Virus) e Lee Chung-ah. Tanto foi assim que ele acabou levando a moça para casa, ao menos na vida real. Quer final mais feliz que este?


E pensar que houve um dia em que Jung Il-woo (Flower Boy Ramyun Shop) foi interesse secundário de Yoon Eun-hye, no drama My Fair Lady?! Ele deve estar só esperando para, num futuro próximo, poder conquistar de vez a bela Yoon Eun-hye.

21 de abr de 2013

The Devil (drama, 2007)



País de origem: Coréia do Sul
Gênero: drama, suspense
Duração: 20 episódios
Produção: KBS2 TV

Direção: Park Chan-hong

Roteiro: Kim Jee-woo

Elenco: Eom Tae-woong, Joo Jin-hoon, Sin Min-ah.

Resumo

Adolescente rebelde, de família rica, Kang Oh-su protagoniza um evento trágico ao matar acidentalmente um colega de escola. Os anos se passam, e Kang Oh-su é agora um detetive de polícia honesto e dedicado ao trabalho de perseguir os malfeitores. Até que uma série de assassinatos ligados a pessoas próximas a Oh-su revelam-se mais do que mera coincidência... Com a ajuda da jovem Seo Hae-in e de seus poderes mediúnicos, ele tentará prender o manipulador por detrás destes crimes.

Comentário

The Devil pode ser considerado um drama surpreendente, ao menos para quem conhece bem os dramas coreanos. Tanto por abordar temas místicos e sobrenaturais, como pelo ritmo lento e melancólico, The Devil tornou-se um drama ‘cult’ entre os fãs do gênero. Misturando tarologia e fé cristã, The Devil aborda a luta entre o bem e o mal, e as consequências do ódio e vingança na mente humana.

Como costuma acontecer em qualquer cultura, religiões diferentes das praticadas localmente atraem as pessoas por seu mistério e exotismo. É o caso, por exemplo, do fascínio que a religião católica parece exercer sobre os japoneses – vide a quantidade de anjos e demônios que habitam mangás, animes e dramas nipônicos. E o fato da fé cristã estar muito mais presente na cultura sul coreana talvez explique o menor interesse no tema. Especulações a parte, o fato é que The Devil tem um clima que lembra muito certos dramas japoneses do gênero. Até mesmo o ator Joo Ji-hoon, com sua figura longilínea e seu rosto delicado, parece ter saído direto de um mangá... Mas o personagem que interpreta tem um ar angelical que esconde uma alma torturada e vingativa...

Joo Jin-hoon é Oh Seung-ha, que aparenta ser um advogado de bom coração, ao procurar sempre defender os pobres e marginalizados. Mas apesar de sua imagem gentil e generosa, o jovem vive apenas com o objetivo de vingar-se do homem que destruiu sua família.


E este homem é Kang Oh-su (Eom Tae-woong). Quando jovem, Oh-su comportava-se como um delinquente na escola, um modo de chamar a atenção do pai, um político e empresário ambicioso, que não dava atenção e carinho aos filhos. O resultado trágico foi Oh-su causar a morte, mesmo que acidental, do colega Tae Hoon, ao esfaqueá-lo em uma briga.


A mãe e o irmão caçula de Tae-hoon, Tae-seung, não se conformam com o fato de Oh-su ser inocentado pela justiça, sob alegação de autodefesa. E ao morrer em um acidente de carro, pouco tempo depois, ela deixa Tae Seung sozinho no mundo.

Traumatizado com os eventos da adolescência, Oh-su evita o contato pessoal com o pai o máximo que pode, embora se dê bem com o irmão mais velho, que trabalha na administração dos negócios da família. Oh-su é um detetive de polícia que tem paixão pelo trabalho, e é respeitado pelo chefe e colegas, apesar de seu temperamento explosivo.

Ao receber uma carta de tarô misteriosamente ligada a o assassinato de um advogado de sua família, Kang Oh-su busca a ajuda de uma especialista no assunto, a jovem Seo Hae-in (Sin Min-ah).



Seo Hae-in trabalha como bibliotecária, é uma garota meiga e honesta, que mora com a mãe que é surda. Sua melhor amiga é dona de um café onde os clientes podem ter sua sorte lida nas cartas de tarô. Com seus dotes artísticos, Hae-in pinta as delicadas figuras místicas das cartas de tarô que são vendidas no local.

Quando Oh-su começa a receber as cartas de tarô, pintadas a mão pela garota, fica sabendo pelo chefe de polícia que ela possui um dom especial. Ao tocar em certos objetos, Hae-in tem visões sobre as pessoas relacionadas aos mesmos. É por isso que o detetive Oh-su resolve pedir a ajuda de Hae-in para tentar desvendar os crimes que estão atingindo as pessoas mais próximas a ele.


Ao mesmo tempo em que começa a onda de assassinatos, aparece em cena o advogado Oh Seung-ha.  O jovem advogado, assim como o detetive Oh-su, se encanta com a bela Hae-in e, embora ninguém tenha coragem de expressar seus sentimentos, um triângulo amoroso se estabelece, naturalmente.


The Devil, como já mencionei, tem um ritmo lento, que pode frustrar aqueles que esperem um drama mais ágil. Mas quem gostar de uma trama de suspense com um forte apelo poético e dramático irá satisfazer-se muito com o resultado. Em minha opinião os dois pontos fortes do drama são o elenco e os diálogos. Tanto Eom Tae-woong (Cyrano Agency, Doctor Champ, Architecture 101) como Joo Jin-hoon (Princess Hours, Antique, The Naked Kitchen, Five Fingers) se apoiam muito no charme pessoal, para compensar suas deficiências como atores, mas neste drama em especial, os dois investem muito em seus papéis, buscando sempre uma atuação discreta e ao mesmo tempo empática. E Sin Min-ah está encantadora como sempre (A Bittersweet Life, The Beast and the BeautyArang and the Magistrate). Aliás, vale conferir Sin Min-ah e Joo Jin-hoon juntos mais uma vez e ‘soltando faíscas’ no filme The Naked Kitchen.


Quanto à construção da trama e os diálogos, é agradável ver como a roteirista (do drama Revenge (2005) ao futuro Shark (2013), Kim Jee-woo vem repetindo parceria com o diretor Park em todos os seus projetos) procurou humanizar os personagens, ou seja, mostrar que a dualidade bem/mal está dentro de todos nós. E cabe a nós escolher que lado vai predominar e vencer. É a eterna luta entre o céu e o inferno, o bem e o mal, a luz e as trevas. As portas do inferno belamente criadas pelo gênio da escultura, Rodin, são um símbolo poderoso do eterno drama humano que é enfrentar as consequências de seu lado mais obscuro. Acho que a moral da estória é que nem sempre a penitência e a reparação são suficientes para pagar nossos pecados.

12 de abr de 2013

Flower Boy Next Door (drama, 2013)



Título alternativo: The Pretty Boy Next Door
País de origem: Coréia do Sul
Gênero: Comédia Romântica
Produção: tvN
Duração: 16 episódios

Direção: Jeong Jeong-hwa
Roteiro: Kim Eun-jeong, baseado no webtoon I Steal Peeks at Him Every Day, de Yoo Hyun Sook.

Elenco: Park Sin-hye, Yoon Si-yoon, Kim Ji-hoon-I, Park Soo-jin, Ko Kyeong-pyo, Mizuta Kouki, Kim Seul-gi-I, Kim Jeong-san.

Resumo

A jovem Go Dok Mi é uma criatura solitária, cujo único prazer é espiar com um par de binóculos o belo vizinho Han Tae-joon. Go Dok Mi nem percebe também ter um admirador secreto, o artista Oh Jin-rak, que se inspira nela para criar um webtoon chamado "Flower Boy Next Door”. Com a chegada de Enrique Geum, vindo da Espanha, a vida de Go Dok Mi e de seus vizinhos de condomínio vira de cabeça para baixo.

Comentário

Existem dois tipos de bons dramas... Os que merecem defesa, apesar de alguns defeitos que podem afugentar os espectadores mais desligados ou impacientes (vide Missing You, ou Nice Guy). Isso pode exigir a apresentação dos argumentos mais enfáticos e apaixonados a fim de convencer os possíveis interessados. O segundo tipo é o drama que é tão emocionante, inovador ou simplesmente divertido que a vontade é apenas afirmar, “confie em mim, assista este drama”. E é exatamente o caso de Flower Boy Next Door.

Mesmo assim, é um prazer poder enumerar os muitos motivos pelos quais vale muita a pena conferir esta pequena pérola do drama coreano, chamada Flower Boy Next Door. O canal de TV a cabo tvN continua a saga dos dramas carinhosamente rotulados de “flower boys dramas”. A tvN certamente percebeu o potencial dos dramas voltados para um público jovem (coreano, no caso) sedento de estórias mais identificadas com o seu dia-a-dia. Ao contrário dos “flower boys” da SBS e outras, claramente inspirados nos românticos mangás japoneses (Boys Over Flowers, You´re Beautiful, só para citar dois exemplos), os “flower boys” ou “pretty boys” da tvN são aqueles garotos, ou rapazes que nós, mulheres, conhecemos muito bem. Eles são nossos colegas de escola, nossos vizinhos, ou aqueles homens com os quais cruzamos todos os dias no ônibus, a caminho da escola ou do trabalho, e que nos fazem suspirar e sonhar, ou simplesmente iluminam nossas vidas com a sua presença.

E justamente Flower Boy Next Door conta uma destas estórias realmente triviais de amor à distância, mas de uma forma profundamente delicada e poética. Go Dok Mi é uma jovem de 24 anos que trabalha em casa como editora freelancer. Devido a um trauma do passado que nunca conseguiu superar, Go Dok Mi se isolou do mundo em seu pequeno apartamento. Como o velho edifício rodeado e sufocado por modernos condomínios, a tímida Go Dok Mi vive encurralada como um ratinho em sua toca, com medo de ser engolida pelo mundo que ela julga por demais cruel.


O único prazer de Go Dok Mi (Park Sin-hye) é espiar o vizinho do prédio em frente, o belo médico Han Tae-joon (Kim Jeong-san), com o qual cruzou em um belo dia de outono, mas do qual nunca ousou se aproximar. Ela parece conformada em apenas observar de longe a rotina do rapaz.


Enquanto isso, ela nem se dá conta de que muitas coisas acontecem à sua volta, e muitas pessoas a observam atentamente, especialmente seu vizinho de apartamento, Oh Jin-rak (Kim Ji-hoon-I, ator, Joseon X-files – Secret Book; Wish Upon a Star). Há três anos, quando Go Dok Mi mudou-se para aquele condomínio modesto, despertou o interesse do cartunista Oh Jin-rak. Sem coragem de declarar o seu amor, o desenhista cria um weebtoon cujo personagem principal é a sua solitária vizinha.


Mas a rotina tranquila de Go Dok Mi (e consequentemente de Oh Jin-rak) é abalada com a chegada de Enrique Geum (Yoon Si-yoon). Enrique, um coreano criado na Espanha, é um jovem gênio dos videogames, alegre, cheio de vida, o extremo oposto da nossa heroína Go Dok Mi.

Para Enrique, Go Dok Mi é como uma Rapunzel que precisa ser resgatada de sua torre, mesmo que seja contra a sua vontade. Neste sentido Oh Jin-rak e Go Dok Mi são muito parecidos, pois ambos se sentem confortáveis em viver um amor não correspondido – ele por ela, ela por Han Tae-joon – indefinidamente. Go Dok Mi até se pergunta de vez em quando, o que seria dela se um dia o jovem médico desaparecesse de sua vida. Mas são pensamentos que surgem e são afastados de sua mente, pois ela prefere continuar sonhando.


Sendo assim, não será tarefa fácil para Enrique tirar sua Rapunzel da torre, mas o jovem é mais teimoso que ela, e a resistência de Go Dok Mi pouco a pouco vai desmoronando. Pela primeira vez confrontada com uma pessoa tão espontânea e de coração aberto como Enrique, Go Dok Mi começa a enfrentar os fantasmas do passado, a começar pela ex-melhor amiga Cha Do-hwi (Park Soo-jin).


Se a estrutura dramática não chega a fugir do padrão, o texto de Flower Boy Next Door é biscoito fino. Enrique, Go Dok Mi e Oh Jin-rak são três jovens inteligentes, sensíveis e criativos, e seus pensamentos (em off) são o que há de melhor no drama. Go Dok Mi distancia-se de seus sentimentos, narrando-os como os de um personagem que ela conhece muito bem, mas que não pode revelar ao mundo. “Aquela mulher”, ela escreve, “tem medo de ser feliz, pois, como bolhas de sabão, este sentimento pode se desvanecer num instante”.


Oh Jin-rak, por outro lado tenta ver o lado poético da vida através dos desenhos, e Go Dok Mi é sua musa inspiradora. Seu único amigo e colega de trabalho é Oh Dong-hoon (Ko Kyeong-pyo), mas mesmo dele Jin-rak esconde alguns segredos de seu passado.


Já Enrique tem uma personalidade alegre, mas o fato de tentar ver sempre o lado positivo das coisas muitas vezes acabar sendo desgastante para ele. Go Dok Mi vai descobrir que Enrique não é só um rapaz imaturo e brincalhão, ele é um ser humano complexo, intenso e muito interessante.

Recordo que foi a primeira vez que li depoimentos tão sinceros e singelos de atores sobre sua experiência pessoal de trabalho em um drama. Tanto Park Sin-hye (You´re Beautiful; Cyrano Agency; Heartstrings; Heirs) como Yoon Si-yoon (Bread Love and Dreams; Me Too Flower) foram enfáticos ao ressaltar o impacto que este projeto teve em suas vidas. Para ambos, foi uma espécie de libertação pessoal interpretar personagens tão emocionalmente complexos, e ao mesmo tempo tão reais.

Além do belo trabalho da roteirista em criar estes personagens (ou recriar, baseada no webtoon), podemos estender o crédito ao jovem cineasta Jeong Jeong-hwa, que provou possuir uma sensibilidade invejável para conduzir seus atores. A forma natural e espontânea com que os personagens se movem é um dos pontos mais positivos deste drama. Yoon Si-yoon contou, em uma entrevista, como o diretor Jeong pediu que ele elaborasse o roteiro do encontro que teria com Park Sin-hye – tarefa que o ator assumiu como um verdadeiro desafio, mas que lhe deu grande prazer. Jeong Jeong-hwa dirigiu outro drama da franquia “flower boys” da tvN, o igualmente divertido Flower Boy Ramyun Shop (2011). Além disso, dirigiu e roteirizou o filme Lost and Found (2008), uma comédia romântica que recomendo com grande entusiasmo. Experiente roteirista de cinema (co-roteirista do sucesso Il Mare, 2000), este é o primeiro projeto de Kim Eun-jeong para a TV.

O restante do elenco também é encantador, com destaque para o simpático ator japonês Mizuta Kouki, como o cozinheiro Watanabe Ryu, e a comediante e cantora Kim Seul-gi-I, que rouba a cena com editora histérica de webtoons.

 

1 de abr de 2013

Nice Guy (The Innocent Man)


 
Ano: 2012
Gênero: drama, romance
Duração: 20 episódios
Produção: KBS TV

Direção: Kim Jin-won-I, Lee Na-jung
Roteiro: Lee Kyeong-hee

Elenco: Song Joong-ki, Moon Chae-won, Park Si-yeon, Kwang Soo, Lee Yo-bi, Kim Young-cheol, Lee Sang-yeob, Jin Kyeong, Woo Yong, Kim Tae-hoon.

Resumo

O jovem Kang Ma-roo não consegue perdoar a traição de sua namorada Han Jae-hee, e resolve vingar-se usando a herdeira Seo Eun-gi, que perdeu sua memória.

Comentário

Só pelo resumo da trama dá para perceber que Nice Guy carrega nas tintas melodramáticas. Lee Kyeong-hee é uma roteirista veterana, tendo escrito dramas marcantes como Sang Doo, Let's Go To School (2003), Sorry I Love You (2004) e Thank You (2007). Colocar os personagens em situações de estresse psicológico intenso – e igualmente a audiência – é a especialidade da autora.

Não posso escapar de revelar alguns pequenos ‘spoilers’ para poder comentar eventos que julgo importantes na trama, mas sem entregar o desfecho da estória, é claro.

O triângulo amoroso envolve um homem, Kang Ma-roo (Song Joong-ki) e duas mulheres, ambas belas e de personalidade marcante. Han Jae-hee (Park Si-yeon) é, para Kang Ma-roo, a lembrança de um passado doloroso de traição e abandono. E em sua sede de vingança ele irá usar a ingênua Seo Eun-gi (Moon Chae-won), mas como costuma acontecer nestes casos, o feitiço pode virar contra o feiticeiro.


É engraçado que muitos tenham criticado na época as falhas no enredo de Missing You, sendo que elas se repetem quase que igualmente em Nice Guy. Talvez o ritmo mais envolvente e o suspense tenham contado a favor do segundo, e por isso tenha gerado um interesse maior do público por Nice Guy. Ou talvez falar de paixão não seja tão simples como pareça...

Missing You e Nice Guy têm muito em comum em suas tramas... Para começar, o combustível que move os personagens, este sentimento avassalador que é a vingança. Mas em Nice Guy, embora a amnésia também seja usada como um recurso (um tanto batido) do drama, são as lembranças, boas ou más, que movem os indivíduos. Aí já está uma pista, ou quem sabe um questionamento do drama... Sem memória não há dor e sofrimento, mas também não há amor ou paixão real.

Kang Ma-roo é um rapaz pobre, mas cheio de esperanças de um futuro de felicidade, ao lado da irmãzinha Choco e da namorada de infância Han Jae-hee. Tudo parece se encaminhar bem na vida de Ma-roo. Ele é um estudante de medicina brilhante, e sua amada Jae-hee uma repórter de TV em ascensão na carreira. Até o dia em que Ma-roo assume a culpa de um crime cometido por Jae-hee. Quando Ma-roo sai da cadeia, Jae-hee não está a sua espera, mas ao invés disso casou-se com um empresário rico, poderoso e com o dobro de sua idade.

Um encontro inesperado com Han Jae-hee desperta lembranças dolorosas, reabrindo as feridas não cicatrizadas de Kang Ma-roo. A partir daí ele resolve arquitetar uma vingança contra a ex. Para poder se aproximar dela, ele seduz sua enteada, Seo Eun-gi. Eun-gi é o braço direito do pai na administração de um conglomerado empresarial. Profissionalmente, ela é muito bem sucedida (apesar das críticas do pai), mas emocionalmente, é insegura e inexperiente. Por trás de uma fachada de frieza está uma jovem carente de amor e afeto, sentimentos negados pelo pai, e perdidos com a morte da mãe. Eun-gi odeia a madrasta, por haver tomado o lugar de sua mãe e por acreditar que ela não passa de uma caça-fortunas.

A presença de Lee Sang-yeob é sempre bem vinda!

É interessante como a roteirista Lee Kyeong-hee se detém na psique dos personagens, provocando uma série de dúvidas e questionamentos sobre motivações dos mesmos. Para um psicanalista, os personagens de Nice Guy são um prato cheio. Para nós espectadores fica complicado tentar diagnosticar os personagens, com tantas neuroses acumulas sobre os mesmos ao longo do tempo. Temos o complexo de Electra de Eun-gi, e uma insegurança que não condiz com sua posição social e aparência. Aliás, algo que considerei uma falha inexplicável do roteiro foi aparecer apenas no final da trama um diálogo crucial entre Eun-gi e o pai, que esclarece muito sobre o porquê de ela ser como é.


Por outro lado, podemos acompanhar com detalhes razoáveis o desenvolvimento emocional do casal Kang Ma-roo e Jae-hee.

Kang Ma-roo, em resumo, é um bom garoto, que se desvirtuou por uma experiência trágica. Se ele será capaz de voltar a ser o jovem amoroso e cheio de ideais de outrora, é o que o drama irá revelar. Na bela abertura do drama, vemos os ponteiros de um relógio que caminham para trás... E é assim com Ma-roo, tentando recuperar algo de seu passado, mesmo intuindo que esta é uma tarefa inútil. E certamente não será uma vingança que irá fazer seu mundo voltar a ser o que foi um dia.


E Han Jae-hee é um enigma tão grande, que acho que nem ela mesma compreende bem o que quer da vida. Às vezes ela parece ser uma mulher ambiciosa e calculista... mas em seguida seus sentimentos viram um amálgama de dor, culpa, arrependimento, e saudades do amor perdido, Kang Ma-roo. Um personagem interessantíssimo, que provoca sentimentos conflituosos no espectador – raiva, desprezo, piedade e simpatia... às vezes todos juntos em uma mesma cena. Acompanhar a montanha-russa de emoções de Jae-hee é uma tarefa cansativa, tanto para os personagens que a cercam, como para nós. Park Si-yeon (Coffe House, The Scent), apesar de ter lá suas limitações como atriz, destaca-se e merece elogios por encarar um papel dos mais complexos, e que acaba ofuscando em muito os demais personagens, principalmente a rival Eun-gi (Moon Chae-won - My Fair Lady,  Arrow, the ultimate weapon). Sempre digo que uma boa estória deve ter um bom vilão, e no caso de Nice Guy, pode-se dizer que Park Si-yeon criou uma anti-heroína digna dos melhores dramas coreanos. De Miss Coréia do Sul a atriz, Park Si-yeon pode continuar a nos surpreender futuramente, desde que se dedique com seriedade à profissão.

Finalmente, eu classificaria Nice Guy como um bom drama (mas não acima da média, principalmente pelo desfecho anticlimático – veja e tire suas conclusões), divertido, com excelentes atuações, direção e produção impecáveis- gostei muito da trilha musical incidental, especialmente o tango, que imprime um clima de sensualidade e tensão às cenas, além da linda voz de Song Joong-ki, na música “Really”. Precisava ser tão perfeito, o rapaz? (suspiro) Quem é fã do ator Song Joong-ki (A Werewolf Boy, Sungkyunkwan Scandal) vai se deliciar com sua beleza pura e perfeita, e sua voz aveludada... Quem ainda não conhece o poder de sedução do rapaz, não vai resistir aos seus encantos. Ele sozinho vale cada minuto de Nice Guy. Com o perdão do trocadilho, ele não é um ‘bom cara’, mas um ‘cara incrível’!
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