22 de nov de 2012

Dalja’s Spring (drama, 2007)


País de origem: Coréia do Sul
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 22 episódios
Produção: KBS TV

Direção: Lee Jae-sang, Park Chan-yool
Roteiro: Kang Eun-kyeong

Elenco: Chae Rim, Lee Min-ki, Lee Hyeon-woo, Kong Hyeong-jin, Lee Hye-young, Lee Kyeong-jin, Kim Yeong-ok, Kil Yong-woo, Jang Young-nam, Kwon Ki-seon, Kim Seong-gyeom.

Resumo

Dal-ja é uma mulher solteira e bem sucedida profissionalmente. Mas ao completar 33 anos, surge o questionamento: até quando é possível esperar antes de assumir a responsabilidade de casar-se e ter filhos?

Comentário

Dalja’s Spring está na lista de meus dramas prediletos, pelo simples fato de que, à medida que o tempo passa, posso entender e simpatizar mais e mais com sua personagem principal. É isso que faz de um drama um clássico, não deixar que o tempo esmaeça sua beleza e a força de sua mensagem.

Chae Rim é Oh Dal-ja, uma gerente de um canal de TV de compras. Ela é dona de um belo apartamento, tem um carro, e uma vida dedicada exclusivamente ao trabalho. Não que ela não tenha interesse em rapazes, mas a falta de experiência faz com que suas tentativas em arrumar um namorado acabem sempre em desastre. O que sobra à jovem em experiência no trabalho, lhe falta no amor. Ingênua, se envolve com o diretor Shin Sedo (Kong Hyeong-jin), sem perceber que ele é um grande mulherengo, e fica furiosa ao perceber que ele não lhe é fiel.


Ela então decide contratar um namorado de aluguel, para se vingar e provocar ciúmes em Sedo. É assim que Dal-ja acaba conhecendo Kang Tae-bong (Lee Min-ki), um rapaz de 27 anos que faz bico como acompanhante de mulheres, e parece estar envolvido em muitas encrencas, já que vive fugindo de um bando de mafiosos. Tae-bong é pago para fingir ser o namorado de Dal-ja, mas com o tempo começa a sentir algo mais pela jovem.


A seguir, entra em cena o homem que vai balançar o coração romântico e sonhador de Dal-ja, Yeom Gi-joong (Lee Hyeon-woo). Gi-joong é um empresário bem sucedido, que dirige uma companhia de importação. Ele é um homem sofisticado, extremamente educado, mas, por outro lado, muito possessivo e uma pessoa que odeia perder. Aos olhos de Dal-ja, ele parece ser o legítimo príncipe encantado. Mas aos poucos ela irá perceber que a figura do homem perfeito pode acabar passando longe do que ela idealizara até então.

 
O roteiro consegue equilibrar muito bem a comédia, o romance e o drama, abordando sempre com realismo os problemas dos personagens. Aliás, os personagens secundários também têm espaço, e suas estórias de vida são interessantes e servem de apoio ao crescimento emocional dos personagens principais.


Entre um elenco secundário muito simpático, destaca-se o grande comediante Kong Hyeong-jin, um de meus atores favoritos, com uma carreira impressionante, tanto na TV (Chuno, 2010) como no cinema Couples ( 2011). E fazendo par romântico com Kong Hyeong-jin, a sempre elegante Lee Hye-young, como a apresentadora do canal de compras Wi Seon-joo. A diva Wi Seon-joo é um dos personagens mais surpreendentes deste drama, pois se a princípio ela parece moldada para ser a vilã da estória, acaba tornando-se aquela que influenciará a vida de nossa heroína, e de muitos outros ao seu redor.


Chae Rim e Lee Min-ki formam um par adorável, e o prazer e encanto que os dois sentem ao se conhecerem, pouco a pouco, é compartilhado por nós com igual intensidade. Chae Rim (1979) é uma ótima atriz, mas sua carreira não tem estado à altura de seu talento. Ela tem trabalhado regularmente, mas apenas em projetos televisivos, como Oh, My Lady (2010), Good Job, Good Job (2009) e Powerful Opponents (2008). Chae Rim é irmã do ator Park Yoon-jae (Faith, 2012).


Já o ator Lee Min-ki (1985), desde que iniciou sua carreira no cinema, não parou mais. Ele pode ser visto em uma dezena de bons filmes, como Chilling Romance (2011), Haeundae (2009) ou A Good Day to Have an Affair (2007). Seu mais novo filme, Interviewing Him and Her, tem estreia prevista para 2013.


Dalja´s Spring tem muito em comum com outro drama maravilhoso, The Woman Who Wants to Get Married, ao abordar com candura e naturalidade a vida da mulher moderna, e a busca incessante pela realização profissional e pessoal. Felizmente, em ambos os dramas, não se fazem concessões quanto ao desfecho da estória, optando pela realidade sobre a fantasia, mas sem perder o romantismo, é claro.



Sobre a roteirista: Kang Eun-kyeong tem escrito dramas de sucesso desde 2001, destacando-se os dramas Hotelier (2001), Hello, God (2006), Bread, Love and Dreams (2010) e Glory Jane (2011). Em 2013 estreia seu novo drama, Medical Novel, com Lee Seung-gi e Suzy.

18 de nov de 2012

Ditto (filme, 2000)


País de origem: Coréia do Sul
Gênero: Melodrama, Romance, Fantasia
Duração: 110 min.

Direção: Kim Jeong-kwon
Roteiro: Heo In-ah, Jang Jin, Kim Jeong-kwon, Soo Dah.

Elenco: Yoo Ji-tae, Kim Ha-neul, Ha Ji-won, Park Yong-woo, Lee Seung-min.

Resumo

Uma jovem universitária faz amizade com um colega através de transmissões de rádio amador. Quando resolvem se conhecer pessoalmente, surge a revelação surpreendente... Eles vivem em mundos paralelos, duas décadas separados um do outro.

Comentário

Antes de tudo, quero chamar a atenção para uma coincidência quase tão misteriosa quanto a ficção... O ano de 2000 foi prolífico em filmes com estórias muito similares, de gente se comunicando através de mundos paralelos. Um pouco depois de Ditto, estreava nos cinemas coreanos o filme Il Mare, – depois adaptado em Hollywood, com o também belo The Lake House. Acho que todos já conhecem a estória do casal que vive na mesma casa, mas em épocas diferentes. No mesmo ano, entrava em cartaz nos EUA um pequeno filme chamado Frequency, em que um homem conversava via rádio amador com seu pai, falecido havia 30 anos. Ditto foi um dos dez filmes mais vistos naquele ano, na Coréia do Sul. Só para aproveitar e fazer mais uma viagem no tempo, 2000 foi o ano do filme Joint Security Area, que teve impressionantes 2 milhões e meio de espectadores em seu país.

O filme Ditto circula por este mundo de ficção científica, de mundos paralelos, realidades alternativas, etc., mas, felizmente, deixando de lado a parte complicada da explicação teórica do fenômeno.

O filme especula, isto sim, sobre as consequências de alguém ter acesso ao seu futuro, e até que ponto sua vida pode ser alterada ao estar de posse de tais informações preciosas.

A estudante So-eun (Kim Ha-neul) é uma garota tímida, que tem uma paixão secreta por um colega de faculdade, chamado Dong-hee. Quando Dong-hee (Park Yong-woo) volta à universidade após prestar dois anos de serviço militar, percebe o interesse da colega e a convida para sair. Sem experiência nos assuntos do amor, So-eun só pode contar com os conselhos da amiga Sunmi-Hur (Lee Seung-min), que está hospitalizada, convalescendo de um acidente de bicicleta.

Meio que por acaso, So-eun leva para casa um velho rádio amador, e começa a se comunicar com um estudante da mesma universidade, chamado Ji In (Yoo Ji-tae). Os dois combinam de se encontrar em frente à torre do relógio do campus e, após um suposto desencontro, eles percebem que algo de estranho está se passando. Acontece que a jovem So-eun frequenta a escola no ano de 1979, em plena ditadura militar sul coreana, enquanto que Ji In afirma estudar no mesmo local, só que vinte anos no futuro.  

Embora, como todo o melodrama, Ditto não economize no açúcar, na música de efeito e nas lágrimas copiosas, há um poder inequívoco no filme quando os dois personagens principais, ou melhor, as vozes dos dois personagens se encontram. Os questionamentos singelos que o casal troca são os mesmos que toda a humanidade compartilha, ou seja, para onde vamos, como será nosso futuro, até que ponto nossas atitudes de vida podem mudar o destino dos que estão à nossa volta, e até mesmo do mundo como um todo.

Ditto é uma boa oportunidade para os fãs de Yoo Ji-tae, Kim Ha-neul e Ha Ji-won (quase um bebê na época) viajarem no tempo, se não nas ondas do rádio, ao menos nas imagens captadas há mais de uma década, e admirarem seus jovens rostos de então, e como eles já brilhavam espetacularmente na tela do cinema.
 
É interessante ressaltar o bom trabalho do diretor e roteirista Kim Jeong-kwon, e indicar outros filmes dele, tão sensíveis e tocantes quanto este, como Ba:Bo, Heartbreak Library, ou A Man Who Went to Mars. Sem falar no toque especial do grande escritor Jang Jin, que já cansei de elogiar por aqui, com roteiros brilhantes como os de Someone Special, ou Welcome to Dongmakgol.

Park Yong-woo, ator: My Love, Butterfly Lady (drama, 2012),The World of Silence (2006).
Ha Ji-won, atriz (1978): Sector 7 (filme, 2011), Secret Garden (drama, 2010).

14 de nov de 2012

My Country Calls (drama, 2010)


Título alternativo: Secret Agent Miss Oh; Call of the Country

País de origem: Coréia do Sul
Gênero: Comédia, Romance, Policial
Duração: 16 episódios
Produção: KBS TV

Direção: Kim Jeong-gyoo (He Who Can´t Marry, 2009; I am Sam, 2007)
Roteiro: Choi I-rang (Tamra, the Island, 2009), Lee Jin-mae (I am Sam, 2007)

Elenco: Lee Soo-kyeong, Kim Sang-kyeong, Ryoo Jin, Horan, Kang Shin-il, Yan Geum-seok, Lee Byeong-joon, Kim Hyeon-woo, Lee Ki-yeol, Park Hyo-joo, Choi Jae-hwan

Resumo

A policial Oh Ha-na no fundo é uma boa pessoa, mas dificuldades financeiras fizeram dela uma profissional de moral flexível, aceitando propinas aqui e ali, fechando os olhos para pequenos delitos. Mas ao cruzar com o agente da polícia federal Ko Jin-hyuk, ela é forçada a andar na linha... e vive um romance dos mais tumultuados!

Comentário

O ano de 2012 vai ficar na lembrança como o ano dos melodramas, e muita gente deve estar sedenta de uma boa comédia. Enquanto a nova temporada de dramas não chega, que tal voltar no tempo e curtir uma comédia romântica leve e despretensiosa chamada My Country Calls, que estreou no ano de 2010, na KBS, e que teve 16 episódios.

O drama My Country Calls lembra muito When It´s at Night (2009) ao misturar comédia, romance e uma pitada de suspense policial. Ambas séries conseguiram reunir um elenco seleto, que interage muito bem ao longo de toda a trama. A diferença fica no clima geral, que pende mais para a comédia desbragada, no caso de My Country Calls. Mas o elenco reunido não é nada desprezível, com atores tarimbados como o trio principal Lee Soo-kyeong, Kim Sang-kyeong e Ryoo Jin.


Lee Soo-kyeong é Oh Ha-na, uma policial que se aproveita dos privilégios do cargo para ‘arrecadar’ presentes dos comerciantes informais, e estorquir descaradamente agiotas e outros marginais menos perigosos. Órfã de pai, ela praticamente sustenta a mãe, que vive sendo enganada por vendedores espertos. Sendo assim, o sonho de mãe e filha de mudar-se para um apartamento parece distante.

Quando Ha-na leva o fora do noivo, e se vê sem dinheiro para pagar seus empréstimos bancários, parece que nada pior pode acontecer, mas acontece. Ao cruzar com o agente da NIA (uma agência de inteligência estatal), Ko Jin-hyeok (Kim Sang-kyeong), e arruinar por engano uma investigação em curso, Ha-na acaba sendo demitida da polícia.

Após uma série de reviravoltas um tanto absurdas, mas muito engraçadas, a policial Ha-na acaba sendo recrutada pela NIA, como agente secreta. Sua missão é trabalhar disfarçada de secretária de um empresário que administra uma fundação de arte, mas que é suspeito de envolvimento com tráfico de drogas. O tal empresário é Han Do-hoon (Ryoo Jin), um dandy que administra parte dos negócios do pai, mas que gosta mais de arte e moda, do que de trabalhar duro.


Ao conviver diariamente com Han Do-hoon, como sua secretária particular, Ha-na fica confusa, pois ele não tem o perfil clássico de um contraventor. Ele é egocêntrico e esnobe, mas não parece ser do tipo que cometeria um crime grave. No entanto, os colegas agentes da NIA asseguram a Ha-na que existe evidência clara do envolvimento de Han Do-hoon com um perigoso traficante de drogas. Portanto, vai caber a Ha-na vigiar os passos do empresário, e botá-lo de vez na cadeia.

Francamente, o que menos importa em My Country Calls é a trama policial. As trapalhadas dos agentes, os vilões mais ridículos que assustadores, além do  romance, predominam e ofuscam o pouco de seriedade que resta na série.


Lee Soo-kyeong é uma atriz que sempre se destaca em papéis cômicos (The Lawyers of the Great Republic Korea), e fica um pouco apagada em dramas muito pesados (Daemul). É uma de minhas atrizes coreanas favoritas, mas sua migração recente para a TV à cabo (Color of Woman) não tem se mostrado uma boa decisão.


O ator Ryoo Jin, mais conhecido por seus papéis de galã (Love You a Thousand Times), surpreende e rouba a cena com o hilário Han Do-hoon. Foi My Country Calls que abriu as portas para personagens mais leves na carreira do ator, como no recente drama Standby. Pena que ele tropeçou feio ao fazer o drama Babyfaced Beauty.


Quem dispensa apresentações é o grande ator Kim Sang-kyeong, que tem sua carreira mais voltada ao cinema, nos últimos anos. O ator tem trabalhado com alguns dos diretores mais importantes do cinema coreano, em filmes como The World of Silence, May 18, Ha Ha Ha, e o meu preferido de sempre Memories of Murder. Seu último trabalho televisivo foi no “drama special” White Christmas (imperdível!).

Muitas vezes, e com boa razão, os personagens secundários desviam a atenção dos principais. O veterano Kang Shin-il (Kimchi Family), respeitado ator de cinema e TV, brilha como o agente Sin Gi-joon, um chefe exigente, mas que sempre apóia os subordinados, e que tem uma afeição paterna pelo agente Ko Jin-hyeok. Ele forma um trio divertido com os atores Lee Ki-yeol (como o chefe Lee Hyeong-sik) e Lee Sang-hwi (o agente Kim Byeong-joon).


Outra atriz experiente, mas sempre jovial, a bela Yan Geum-seok (Lovers), mostra seu lado mais cômico, como a mãe desligada da policial Ha-na.


Já a cantora Horan estréia neste drama como atriz, e se lhe falta experiência no ramo, sobram beleza, naturalidade e simpatia - como a agente durona Choi Eun-seo. Parece que ela resolveu dar prioridade à carrreira musical, pois não vi outro trabalho seu na TV, a não ser em participações especiais, como ela mesma.


A dupla de agentes mais jovens da NIA, Na joon-min (o gatinho Kim Hyeon-woo), e Park Se-mi (atriz Park Hyo-joo) completa a equipe.


No lado do crime, temos Lee Byeong-joon, como o bandido histriônico Joo Soo-yeong. Lee Byeong-joon é um de meus atores veteranos favoritos, por sua voz profunda (ele também trabalha em musicais), e por sua capacidade de sempre surpreender, por menor que seja o seu papel (Secret Garden, Eye for an Eye).


6 de nov de 2012

Sign (Episódio 19)


Recap (spoilers!)



A Dra. Go Da-kyeong caminha pelos corredores vazios do SNF, quando dá de cara com o perigoso Lee Ho-jin, o suspeito “assassino do martelo”. Mas, para surpresa da médica, Lee Ho-jin não estava lá para vingar-se, e sim para agradecer a ela por ser a única pessoa que alguma vez o ouviu, e que “ela tinha razão quando disse que há muitas coisas na vida que não têm volta”.
E ele parte dizendo que seus pais estão a sua espera em casa.


Logo em seguida chega o Dr. Yoon Ji-hoon, e Da-kyeong o convida para conferir o resultado da restauração dos dados do computador do suspeito Woo Jae-won. O técnico que examinou os arquivos esclarece que existe uma cópia do roteiro do game “City Hunter”, escrito por Lee Ho-jin, mas trata-se de uma versão com um final diferente do conhecido até então. Na primeira versão do jogo, a última etapa (a missão final) tem o título “Lar Doce Lar”. No game Lee Ho-jin clama vingança contra os próprios pais, que nunca souberam lhe dar amor e atenção. Da-kyeong avisa ao Dr. Yoon que Lee Ho-jin está planejando voltar para casa.


Os médicos do SNF correm para o local, não sem antes alertar o detetive Choi sobre as prováveis intenções assassinas do suspeito.
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4 de nov de 2012

Priceless (drama, 2012)


PRICELESS, Aru Wake Nedaro, n namon!
País: Japão
Gênero: Comédia, Drama
Produção: Fuji TV
Duração: 10 episódios

Música: Sato Naoki
Música tema: Jumpin' Jack Flash (Rolling Stones)

Direção: Suzuki Masayuki, Hirano Shin
Roteiro: Furuya Kazunao

Elenco: Kimura Takuya, Karina, Kiichi Nakai, Fujiki Naohito, Fujigaya Taisuke, Renbutsu Misako, Masu Takeshi, Maeda Oshiro, Tanaka Sosei, Ogata Issey, Natsuki Mari.

Resumo

Fumio Kindaichi é um gerente de vendas, amado pelos colegas e respeitado por sua habilidade em proteger seus subordinados. Um dia, no entanto, sua vida sofre uma dramática reviravolta. Acusado de espionagem industrial, Kindaichi é demitido sumariamente de sua empresa. Mas os infortúnios continuam, e ele acaba perdendo sua casa, seu celular, e indo parar literalmente na rua, sem um centavo no bolso. A partir daí, Kindaichi é forçado a repensar seus valores pessoais e a refazer completamente sua vida.


Comentário

A presença de Kimura Takuya (Mr. Brain, Hero) em um drama é o bastante para despertar muita expectativa, especialmente entre seu séquito de fãs incondicionais. E o ator/músico volta ao drama com o tipo de personagem que mais lhe cai bem, o do homem comum, mas que descobre em si mesmo um talento e uma coragem inesperados.


Priceless é uma comédia muito divertida, que traz em seu estofo uma crítica à sociedade japonesa ultraconsumista – mas com a crise econômica espalhada pelos quatro cantos do mundo, a estória poderia ser encenada em qualquer parte, com igual efeito.

A primeira coisa que Fumio Kindaichi (Kimutaku) descobre ao perder o emprego é que a admiração que os colegas tinham por ele era muito superficial. Ao ser acusado de uma fraude que não cometeu, Kindaichi vê seus companheiros de empresa lhe virarem as costas.


Para culminar a desgraça, ele vê seu apartamento explodir, do nada, com todo seu patrimônio dentro (uma coleção de objetos históricos do baseball, na qual ele gastava todo o seu salário suado). Numa das cenas mais engraçadas do primeiro episódio, e que espelha muito bem a realidade da vida dependente dos ‘gadgets’ que levamos, vemos Kindaichi tentar ligar de um telefone público para a namorada. Ele perdeu o celular, e não consegue se lembrar do número do telefone dela, e acaba gastando o último centavo em uma ligação por engano para uma tele-entrega.

Vagando pelas ruas de Tóquio, com frio e fome, sem um yen no bolso, Kindaichi faz amizade com duas crianças que vivem aplicando pequenos golpes para sobreviver. Os pequenos órfãos, que vivem com a avó, acabam ensinando o vendedor desempregado não apenas o valor do dinheiro, mas o valor da vida em si.


O bacana é que, apesar de Kindaichi ser à primeira vista um cara fútil e desligado, no fundo ele é uma boa pessoa. Ele tem seu orgulho (não fica pedinchando aos amigos), mas não hesita em aceitar a ajuda e os conselhos sábios dos meninos e da avó deles, e de outras novas pessoas que cruzam o seu caminho.


Complementando os personagens divertidos e interessantes da trama, temos o ex-chefe Moai Kengo (Kiichi Nakai), que junto da funcionária Nikaido Aya (Karina) são os únicos a acreditar na inocência de Kindaichi, e portanto tentam investigar os verdadeiros motivos por detrás de sua demissão.


O ponto fraco do drama (por enquanto) é o personagem de Fujiki Naohito, como o herdeiro Oyashiki Toichiro, o homem responsável pela desgraça pessoal e profissional que se abate sobre nosso herói. O costumeiramente gentil Fujiki Naohito está de volta para atazanar a vida de outro membro do SMAP (da última vez foi Katori Shingo, no drama Shiawase ni Narou yo). Sinceramente prefiro mil vezes vê-lo em papéis mais suaves, como em Hotaru No Hikari , ou misteriosos, como em Control.



O primeiro episódio de Priceless é extremamente satisfatório, ágil, e com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que fica a dúvida quanto ao que poderá vir de bom a seguir. Mas permanece a curiosidade e o desejo de acompanhar mais um drama do eternamente carismático Kimura Takuya.

Lost In Love (filme, 2006)


País de origem: Coréia do Sul
Gênero: Drama, Romance
Duração: 118 min.
Produção: Cinema Service

Direção: Choo Chang-min
Roteiro: Choo Chang-min, Jeong Seon-joo, Lee Jeong-seob, Lee Ji-seon-I
Elenco: Seol Kyeong-gu, Song Yun-ah, Lee Ki-woo, Lee Hwi-hyang, Jeon Bae-soo.

Resumo

A jovem estudante de veterinária Yeon-su se apaixona por Woo-jae, membro da equipe de remo da universidade. Eles têm uma bela amizade, mas Woo-jae jamais demonstrou qualquer interesse romântico por Yeon-su. Os anos passam, e o destino providencia um reencontro entre os dois.  Finalmente Woo-jae começa a reconhecer a beleza e a bondade de Yeon-su. Será tarde demais para dar uma chance ao amor?


Comentário

Lost in Love ficou marcado, na época de seu lançamento, pelo romance fora da tela entre Seol Kyeong-gu (Haeundae), o ator mais bem pago do cinema coreano, e a atriz Song Yun-ah (On Air). Quem assistir ao filme hoje em dia pode perceber claramente o clima naturalmente romântico entre o casal. É adorável ver o ar embasbacado do bruto Seol Kyeong-gu, diante da delicada coadjuvante. Mais afeito aos papéis de homens violentos, neuróticos ou puramente malucos, por outro lado Seol sempre mostrou um ótimo timing para comédia. A primeira vez que vi o ator foi em Silmido, e até hoje me emociono cada vez que revejo o filme, especialmente pela energia impactante de seu personagem.


Já na trilogia Public Enemy, ele dá vazão ao seu lado mais cômico e debochado, como o irreverente detetive de polícia Kang Chul-jung. A dupla com o ator Jeong Jae-young, nos filmes Silmido e Public Enemy 3 (ambos do diretor Kang Woo-suk ) – no primeiro como parceiros e no segundo como inimigos, é uma das mais memoráveis do cinema coreano. Seria maravilhoso vê-los juntos novamente no cinema, quem sabe em uma bela comédia.

Mas voltando a Lost in Love, este drama romântico tem um ritmo lento, mas que nunca nos faz perder o interesse por seus personagens principais, o casal Woo-jae e Yeon-su.
 



 
O diretor acompanha com igual carinho as alegrias e desventuras que cada um vive em separado, e como estes eventos influenciam o relacionamento entre os dois ao longo do tempo. É como se existisse um fio muito longo ligando o casal, por mais distantes que eles estejam, muitas vezes, um do outro.
 
 
Como todo bom filme coreano, há um sentimento agridoce onipresente, às vezes mais amargo que doce, mas se formos parar para pensar, é algo natural na soma dos eventos pelos quais passamos ao longo de nossas vidas. Nos dramas televisivos coreanos, um tema recorrente é o do amor unilateral, da paixão não correspondida. É impossível não se compadecer e solidarizar com muitos destes personagens, pois no fundo nos identificamos mais com eles do que com aqueles que têm a sorte de desfrutar de um desfecho mais feliz. Às vezes, sofrer por amor parece uma dor vã, inútil, irremediável. Mas passar incólume por este sentimento é tão impossível quanto viver sem comer, beber, ou respirar.
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