29 de ago de 2012

Sign (Episódio 15)


Recap (spoilers!)

É tarde da noite, quando uma jovem estudante colegial caminha por uma rua vazia, em um bairro na periferia de Seul. Ela tem a impressão de estar sendo seguida, e fala pelo celular com a irmã, pedindo que vá ao seu encontro, pois já está perto de casa. A irmã não vai até ela, e o pior acontece... Vislumbramos apenas a sombra de um martelo golpeando a cabeça da garota.


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28 de ago de 2012

Love in Magic (filme, 2005)


 
País: Coréia do Sul
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 106 min.

Direção: Cheon Se-hwan
Roteiro: Kim Gyoo-won

Elenco: Park Jin-hee, Yeon Jeong-hoon, Jo Mi-ryeong, Ha Dong-hoon, Oh Yoon-ah, Choi Won-yeong, Kim Ji-seok-I.

Resumo

Um ex-casal de namorados tem um reencontro inesperado e revelador. A professora Hee-won (Park Jin-hee) e o ilusionista Woo Ji-hoon (Yeon Jeong-hoon) percorrem os motéis de Seul em busca do culpado por gravar e divulgar na internet antigas imagens íntimas do casal.


Comentário

Cheon Se-hwan, assistente de direção em dois grandes filmes, Taegukgi (2004) e Shiri (1999), une-se ao roteirista Kim Gyoo-won (Mr. Wacky, 2006, Runway Cop, 2012) na produção desta divertida e inteligente comédia romântica.

No cinema coreano, no gênero romance imperam os dramas sobre as comédias. Se na dramaturgia televisiva coreana a comédia romântica tem rendido boas estórias, o mesmo não acontece no cinema. Não vale mencionar as dezenas de títulos que espelham o cinema norte-americano – boas são as estórias originais, que trazem o sabor típico da cultura coreana.


Felizmente é o caso de Love in Magic, e não é de surpreender a ninguém que seu elenco, modesto na época, seja hoje ‘estelar’. Park Jin-hee e Yeon Jeong-hoon são um casal perfeito para habitar o mundo das comédias românticas. São charmosos, divertidos e dramáticos na medida certa.
 
 
Park Jin-hee é o tipo de atriz que é sempre naturalmente receptiva e calorosa na presença do seu interesse romântico em um filme. Ela consegue ser engraçada sem fazer o gênero ‘pateta’, e quando necessário muda confortavelmente para o drama, sem exagerar no tom. Em seu último trabalho, Kimchi Family, ela construiu um personagem realmente admirável, que poderia ter sido cansativo, se interpretado por outra atriz, devido à alta carga de (melo) dramaticidade da trama.
 
 
Yeon Jeong-hoon, por outro lado, é a mais perfeita encarnação de tudo que a mocinha de um romance (e o roteirista) possa imaginar. E nesse filme, há o bônus do talento cômico de Yeon Jeong-hoon.


Como o ilusionista Ji-hoon, sua presença de palco é magnética e sedutora. Fora do teatro, ele não passa de um sedutor barato... Ji-hoon argumenta cinicamente que “O amor é como mágica... você sabe que é um truque, mas acredita mesmo assim”. E é assim que Ji-hoon leva sua vida despreocupada de mágico playboy, até o dia em que descobre que uma de sua ‘insdiscrições’ foi filmada e colocada na internet. A jovem que aparece no vídeo como ele – vídeo este feito com uma câmera escondida em um motel – se chama Hee-won, uma respeitável professora de ensino médio.
 
 
Se para Ji-hoon, o vídeo não passa de um incidente trivial, para Hee-won, é uma grande tragédia pessoal. Como mulher, encarar um possível escândalo sexual, especialmente em uma sociedade conservadora e machista, é quase impossível.

Ao escolher um caminho mais crítico e realista, o filme ganha pontos, em minha opinião. Pois o que poderia ser apenas mais uma comédia romântica bobinha, se transforma em um belo romance que floresce entre duas pessoas que estão aprendendo a viver.


É irônico que Ji-hoon compare o amor pejorativamente com um truque de mágica, já que o ilusionismo será a melhor arma para que ele conquiste um grande amor.

21 de ago de 2012

Agosto, Menos Dramas e Mais Filmes


Depois de empreender uma pequena maratona para assistir ao menos o primeiro episódio das muitas estréias de dramas coreanos nos últimos dias, a conclusão a que chego é a seguinte: se os novos dramas não entusiasmam, ao menos à primeira vista, é uma ótima oportunidade para ver bons filmes que estavam aguardando na lista de espera.

Um comentário breve (e muito pessoal, se não gosta de ler a opinião alheia, abstenha-se!) sobre os dramas que assisti até agora, os que gostei e pretendo acompanhar, os que ficam pendentes, e os que vão para a guilhotina, sem dó nem piedade!


Arang and the Magistrate (Episódios 1-2)

O grande vencedor da temporada! Graças aos deuses de Hades por este drama incrível, que salvou a dramalândia da mediocridade, ao menos nesse segundo semestre. A expectativa para a estréia dos dramas Arang and… e Faith era enorme, levando a inevitáveis comparações, devido a uma suposta semelhança de temas. Realmente, os dois dramas mesclam a trama histórica (sageuk) com a fantasia, mas felizmente a similaridade para por aí.

Arang and… conta a estória de um jovem de origem nobre, Eun-oh (Lee Jun-ki) que viaja pelo país em busca da mãe desaparecida há três anos. Junto de seu fiel escudeiro, ele chega a uma pequena aldeia, onde acaba sendo nomeado magistrado local. O grande segredo de Eun-oh é a capacidade de ver e falar com espíritos, e é ao cruzar com o fantasma de uma jovem donzela, que sua vida sofre uma grande reviravolta. A missão do magistrado Eun-oh será ajudar a jovem conhecida apenas como ‘Arang’ (Sin Mi-ah) a recuperar sua memória e descobrir como ela veio a falecer.

É difícil uma trama conseguir englobar de forma tão orgância elementos diversos como mistério e terror, drama, romance e comédia. E todos estes elementos fluem tão bem dentro do drama que é impossível não se encantar com cada aspecto do mesmo.

Mais adiante quero postar um comentário mais detalhado sobre o drama, mas posso afirmar que ele me encantou à primeira vista. Um roteiro muito bem resolvido este, que coloca os dois personagens principais na mesma cena em menos de nove minutos de projeção… E por sorte, a empatia entre o casal Eun-oh e Arang (Lee Jun-ki e Sin Mi-ah) é imediata e explosiva.

O resto do elenco (especialmente os ‘guapos’ Han Jeong-soo (Chuno) e Kwon O-joong (Goumet) também é excelente, e direção, fotografia e demais detalhes técnicos são impecáveis. Parabéns à MBC TV, que dessa vez veio para arrasar com a concorrência.

Com Lee Jun-ki e Sin Mi-ah.
MBC, 20 episódios, 4as e 5as-feiras.
Gênero: Sageuk, Fantasia.


Five Fingers (episódio 1)

Melodrama da rede SBS, que parece ter esgotado toda sua munição criativa no primeiro semestre, pois chega agora em marcha lenta, embora com luxo e pompa. Junto do drama fantástico Faith, Five Fingers gerou muita expectativa e comentários, especialmente pela volta do jovem ator Joo Ji-hoon (recém saído do serviço militar, e de uma condenação anterior por uso de drogas)… Sem falar da polêmica recente envolvendo o grupo pop T-ara, do qual faz parte a cantora e atriz Ham Eun-jeong. Deixando de lado fofocas bobas de internet, o que importa é o drama em si. Assim como outra estreia da semana, o drama May Queen, a trama de Five Fingers começa mostrando a infância dos personagens principais. Yoo In-ha (Ji Chan-wook) é o filho único de um empresário de sucesso, Yoo Man-se (Jo Min-ki) dono de uma escola de música. Ele é treinado desde a mais tenra infância pela mãe, Yeong-ran (Chae Si-ra), para se tornar um grande pianista, além de herdar no futuro os negócios da família. Mas tudo muda no dia em que Yoo Man-se traz para casa outra criança, fruto de um relacionamento anterior. Logo eles descobrem que o menino, Ji-sang, tem um talento natural para a música, e passará a  ser um adversário para o irmão mais novo, tanto na música como na titularidade sobre a herança paterna.

Como só assisti o primeiro episódio, em que Joo Ji-hoon (Antique Bakery) aparece apenas de relance na primeira cena, fica em suspenso avaliar o desempenho do elenco adulto, bem como a força da trama. Este será um drama longo (30 episódios) e pelo jeito ultra melodramático. Recomendado para quem gosta muito do gênero novelão, e/ou do belo Joo Ji-hoon. Minhas saudades de Joo Ji-hoon é que me inclinam a dar mais uma espiada nesse drama, mas se for para escolher um melodrama para seguir na temporada, acho que aposto mais em May Queen.

Com Joo Ji-hoon, Ji Chan-wook, Chae Si-ra, Ham Eun-jeong.
SBS, 30 episódios, sábados e domingos.
Gênero: Drama


May Queen (Episódio 1)

Assim como Five Fingers, esse melodrama segue os passos de personagens que se conhecem na infância, até os dias atuais. No primeiro episódio, vemos como o destino é cruel com a garotinha Jeon Hae-joo (Han Ji-hye) que perde o pai, e em seguida é sequestrada e criada por uma família paupérrima.

Na cidade portuária de Ulsan, ela irá cruzar com Kang-san (Kim Jae-won), neto de um soldador, e que sonha em ser um engenheiro naval, e com Park Chan-hee (Jae Hee), cujo passado tem uma ligação íntima e dramática com o de Hae-joo.

Mais uma vez, um melodrama longo (ao menos 32 episódios), mas cuja trama parece melhor construída que a do drama musical Five Fingers. Somente assistindo mais um pouco da estória, e vendo o quão interessantes serão os personagens adultos – que viverão um triângulo amoroso – para saber se vale a pena apostar em May Queen. Vou dar mais uma chance para o ator Jae Hee, que teve azar com seu último trabalho, o fraquíssimo Color of Woman, e porque achei interessante a trama se passar em uma cidade litorânea.

Com Jae Hee, Kim Jae-won, Han Ji-hye.
MBC, 32 episódios, sábados e domingos.
Gênero: Drama.


Haeundae Lovers (Episódio 1)

Por coincidência, muitos dramas foram de muda para o litoral, talvez aproveitando o belo clima de verão. O lado bom disso? Belas paisagens, a galera bronzeada e semi-nua… O lado ruim? O sotaque pra lá de irritante de Busan. Ouvir um personagem falando o ‘dialeto’ local é engraçadinho, mas o elenco inteiro, não é tão agradável assim.

Na agitada praia de Haeundae, na cidade portuária de Busan, vive Go So-ra (Jo Yeo-jeong), filha de um mafioso aposentado. Com a ajuda dos ‘tios’ (na verdade os antigos capangas do pai) ela faz milhares de ‘bicos’, entre eles a pesca, para pagar as dívidas do pai, que sofre de demência. Seu sonho é recuperar o hotel que um dia pertenceu à família, e que foi ‘adquirido’ por um grupo mafioso rival.

Investigando os grupos criminosos da região está o promotor público Lee Tae-seong (Kim Kang-woo), que de tão obsecado com o trabalho, tem a frieza de, a caminho da lua-de-mel (!), deixar sua noiva no hospital, com uma crise de apendicite, para investigar um caso.

Haeundae Lovers tem um ritmo muito truncado em que, por exemplo, as cenas de ação tentam ser cômicas, as engraçadas são apenas bobas, e assim por diante. Sinceramente, acho o ator Kim Kang-woo um grande canastrão (embora bonito), ainda não decidi se acho Jo Yeo-jeong uma boa atriz (em I Need Romance ela era às vezes divertida e muitas outras irritante). Por que ainda dar uma chance ao drama? Porque tem Jeon Seok-won (Rooftop Prince, Doctor Champ) – pena que ele não seja o interesse romântico principal de Go So-ra – e porque é um drama curto (16 episódios) e divertido o bastante para ver sem estresse.

Com Kim Kang-woo, Jo Yeo-jeong, Jeon Seok-won, Nam Gyoo-ri.
KBS, 16 episódios, 2as. e 3as. feiras.
Gênero: Ação, Comédia, Romance.

Faith (Episódio 1)

Lee Min-ho tem uma legião de fãs enlouquecidas? Sim. Ele é alto, lindo e tem um sorriso que abala qualquer mulher que esteja respirando? Sem dúvida. Ele  é um grande ator? Há controvérsias. Antes de ver o primeiro episódio de Faith, li duas opiniões opostas sobre o drama, e logo vi que este é daquele tipo ame-o ou deixe-o, sem meio termo. Sendo assim, vou avisando com antecedência, se viu o primeiro episódio e adorou, parabéns - você certamente é uma fã de Lee Min-ho vai desfrutar de 24 horas de sua presença magnífica na telinha. Infelizmente, não foi o meu caso. Até agora não entendi como a SBS conseguiu investir tanto dinheiro - e certamente os profissionais mais qualificados - em cenários e efeitos especiais, para chegar a um resultado tão decepcionante. Tentei muito me interessar pela trama, pelos personagens, mas o tédio me venceu. A atriz Kim Hee-seon volta à TV depois de uma longa pausa (Smile Again, 2006) como dona-de-casa e, sinceramente, parece que ela perdeu o ritmo. Você até pode se apaixonar por algo à segunda vista, mas é raro, e ao menos para mim, acho que não vai ser o caso com Faith.

Com Lee Min-ho e Kim Hee-seon.
SBS, 24 episódios, 2as e 3as.
Gênero: Sageuk, Fantasia.

Outros dramas que abandonei, não por serem tão ruins, mas por não serem bons ou despertarem interesse o bastante foram I Need Romance (2) (bela embalagem mas pouco conteúdo), Can love Become Money (fazer um bom elenco atuar terrivelmente não é para qualquer um) e The Wedding Scheme (simplesmente medíocre).

14 de ago de 2012

Sign (Episódio 14)


Recap (spoilers!)

O Episódio 14 começa com os investigadores do SNF, o Dr. Yoon Ji-hoon e sua assistente, a Dra. Go Da-kyeong procurando pelo cadáver desaparecido de um homem, em uma pequena vila no interior.


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13 de ago de 2012

Architecture 101 (filme, 2012)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama, romance
Duração: 118 min.

Direção e Roteiro: Lee Yong-joo-I

Elenco: Eom Tae-woong, Ha Ga-in, Lee Je-hoon, Suzy, Jo Jeong-seok.

Resumo

O arquiteto Seung-min é surpreendido quando Seo-yeon, seu primeiro amor, reaparece em sua vida despertando lembranças agridoces do passado.

Comentário

O ator Eom Tae-woong é Seung-min, arquiteto que trabalha em uma empresa especializada em projetos comerciais. Certo dia aparece uma cliente, Seo-yeon (Ha Ga-in), querendo que ele faça o projeto de uma casa, na paradisíaca Ilha de Jeju. A princípio ele finge não reconhecê-la, mas trata-se de uma pessoa com quem ele teve uma forte ligação emocional, muito tempo atrás. Foi no primeiro ano de universidade que Seung-min e Seo-yeon se conhecem na classe de Introdução à Arquitetura. Morando no mesmo bairro, eles ficam amigos, e Seung-min se apaixona pela bela Seo-yeon. O rapaz é muito tímido e não tem coragem de declarar seus sentimentos, ainda mais ao ficar sabendo que Seo-yeon está interessada em outro colega, rico e popular entre as garotas.


Mas agora Seung-min não parece disposto a lembrar-se das experiências que viveu um dia com Seo-yeon. Contratar o arquiteto para construir sua casa é a forma que Seo-yeon encontra para tentar descobrir o que fez sua amizade romper-se bruscamente, quando então eram tão unidos.

Architecture 101 é um filme que gerou boas expectativas na época de seu lançamento, seja pela forte campanha publicitária prévia, seja pela fama do elenco principal. Aliás, apesar de Eom Tae-woong e Ha Ga-in serem muito populares, foi a versão jovem do casal, Lee Je-hoon e Suzy que acabou chamando mais a atenção, tanto do público como da crítica.


Faz sentido, afinal, é a estória de um primeiro amor. Apesar das idas e vindas entre o passado e o presente, as grandes emoções se concentram no casal quando jovem, principalmente no sofrimento de Seung-min. Lee Je-hoon compõe um personagem incrivelmente simpático. Ele esbanja talento ao interpretar com delicadeza e muita segurança o estudante de arquitetura Seung-min, um jovem humilde, tímido, mas cheio de sonhos. Quem o viu anteriormente na pele de um soldado psicótico, no filme The Front Line, sabe bem do que esse ator é capaz.

As cenas que mais me comoveram e ao mesmo tempo divertiram foram as protagonizadas por Lee Je-hoon, na companhia de Jo Jeong-seok (grande ator!), que faz o papel de Nap-tteuk-I, o melhor amigo do rapaz.


Na universidade o professor determina “Saiam pelas ruas e conheçam a cidade em que moram”. Assim, Seung-min e Seo-yeon andam juntos por Seul, descobrindo seus recantos, e ao mesmo tempo conhecendo um ao outro. É interessante perceber que o olhar de Seo-yeon está sempre voltado para o futuro. Ela sonha com a casa em que vai morar, o marido rico que vai ter... Enquanto Seung-min só pensa no presente,em  como viver com pouco dinheiro, como conquistar o coração da sua amada. No presente, a situação se inverte. Seung-min agora é um homem responsável, pragmático, que quer ter sucesso na carreira, viajar... E Seo-yeon sofreu muitas decepções na vida, e se apega mais e mais às memórias de um amor puro da adolescência.

Para mim, estas foram as grandes sacadas do filme, que no geral, peca por uma grande falta de originalidade, tanto nos diálogos, como na premissa romântica. Infelizmente, Eom Tae-woong acaba sendo o mais prejudicado como ator, já que sobra pouco espaço para seu personagem, o adulto Seung-min. Ha Ga-in (The Sun and the Moon, drama), por outro lado, teve mais oportunidade de construir seu personagem, e até que não se saiu tão mal. Entretanto, apesar de ela ser uma mulher belíssima, nesse filme ela está tão parecida com a atriz Son Ye-jin, que não pude deixar de comparar as duas, e concluir que talvez a segunda tivesse feito um trabalho melhor. E a cantora Suzy (Big, drama), estreando como atriz (com a corajem de aceitar tamanho desafio), também não decepciona no papel da jovem Seo-yeon. Ainda falta muito para ela ser chamada de atriz, mas seu carisma e intuição natural demonstram que tem um belo futuro pela frente.

O cineasta, produtor e roteirista Lee Yong-joo-I escreve  e dirige, surpreendentemente, um melodrama, após uma carreira mais ligada a filmes de terror (Living Death, 2009) e suspense. Isso explica a mão meio pesada nas cenas mais românticas, mas espero que ele siga nessa direção, pois demonstrou ter sensibilidade o bastante no gênero.

Concluindo, embora não seja uma obra excepcional ou inovadora, o filme acompanha de forma muito sensível as alegrias e tristezas do primeiro amor, e é impossível não identificar-se ao menos um pouquinho com o casal protagonista de Architecture 101.

7 de ago de 2012

Os Filmes Favoritos de Bong Joon-ho


A cada dez anos a revista Sight & Sound realiza uma pesquisa que resulta na lista dos (supostos) 50 melhores filmes de todos os tempos. Obviamente, à medida que o tempo passa, a lista sofre alterações, e embora os clássicos (como Cidadão Kane) sempre estejam presentes, a ordem muda, assim como surgem algumas novidades.

Além desse ‘listão’, a revista pede aos diretores de cinema que realizem uma lista com suas preferências pessoais, e para os cinéfilos é muito interessante descobrir o que move e influencia os seus diretores preferidos.

No meu caso, fiquei muito curiosa em ver a lista do diretor coreano Bong Joon-ho (Mother, The Host), um dos meus cineastas favoritos. Ao contrário das listas de outros diretores, a lista de Bong tem muito a ver mesmo com seu trabalho como cineasta. A influência do suspense psicológico é bem nítida em sua cinematografia. Agora, o que achei intrigante mesmo foi ele ter escolhido o filme Zodiac, exatamente entre seus dez filmes favoritos de todos os tempos. Não que Zodiac não seja um bom filme, muito pelo contrário. Acontece que, na época (2007) de seu lançamento, ao assistir no cinema esse filme do diretor David Fincher (Clube da Luta, Seven), não pude evitar pensar em suas semelhanças incríveis com Memories of Murder (2003) de Bong. Ambos os thrillers coincidem espantosamente ao contar uma estória baseada em fatos reais, a de um assassino serial que assusta a sociedade, levando um grupo de policiais a perseguir obsessivamente o criminoso, sem nunca conseguir capturá-lo. Memories of Murder até hoje é meu filme coreano favorito, e cada vez que revejo essa obra não deixo de me surpreender com sua beleza. É um sentimento de prazer indescritível desfrutar de imagens tão maravilhosas, somadas a uma música que flui com tamanha perfeição. Um sentimento que, confesso, repetiu-se poucas vezes até hoje, em filmes como Blade Runner, ou In the Mood for Love.

Quer ver a lista completa da revista Sight & Sound? Siga esse link: http://bit.ly/Mz5wld
Quer ver as listas individuais dos cineastas? Clique aqui: http://bit.ly/OwDfPm

Tanto o filme Memories of Murder (2003) de Bong Joon-ho, como Zodiac (2007), do norte-americano David Fincher estão disponíveis em DVD no Brasil. Se ainda não assistiu, corra até uma boa locadora, ou melhor ainda, compre os dois filmes.


A lista de Bong Joon-ho:

1. A City of Sadness (1989, dir. Hou Hsiao-hsien)
2. Cure (1997, dir. Kiyoshi Kurosawa)
3. The Housemaid (1960, dir. Kim Ki-young)
4. Fargo (1996, dir. the Coen Brothers)
5. Psycho (1960, dir. Alfred Hitchcock)
6. Raging Bull (1980, dir. Martin Scorsese)
7. Touch of Evil (1958, dir. Orson Welles)
8. Vengeance Is Mine (1973, dir. Shohei Imamura)
9. The Wages of Fear (1953, dir. Henri-Georges Clouzot)
10. Zodiac (2007, dir. David Fincher)

5 de ago de 2012

Christmas in August (filme, 1998)


País: Coréia do Sul
Gênero: drama, romance
Duração: 97 min.

Direção: Heo Jin-Ho
Roteiro: Oh Seung-wook, Heo Jin-Ho

Elenco: Han Suk-kyu, Shim Eun-ha, Lee Han-wi, Sin Goo.

Resumo

Jung-won (Han Suk-kyu) é dono de um pequeno estúdio fotográfico e leva uma vida rotineira e solitária. Apenas seus parentes mais próximos sabem que ele foi diagnosticado com uma doença grave e tem pouco tempo de vida. Eis que surge a jovem Da-rim (Shim Eun-ha), como um presente de Natal adiantado, e dá a Jung-won uma última chance de ser feliz.


Comentário

O tema envolvendo a “fatalidade de um amor condenado por uma doença terminal” é um dos mais repetidos (para não dizer quase esgotados) no cinema mundial - vide clássicos como Love Story, ou sucessos comerciais mais recentes como Sweet November, e Autumn in New York. Pessoalmente, prefiro fugir dessa temática piegas, mas felizmente esse não é o caso de Christmas in August. Em seu primeiro trabalho como diretor, Heo Jin-ho (April Snow) optou por um enfoque mais sensível, preocupando-se mais com as ações do que com as palavras dos personagens.

Embora Jung-won pareça conformado com seu destino, ele não consegue externar seus sentimentos diante dos amigos, e especialmente de Da-rim. Essa angústia interna que cresce em Jung-won gera um sentimento de profunda empatia no espectador. O final é como uma pílula amarga mas inevitável, como tudo nessa nossa curta passagem pela Terra.


Intrigante é o modo como o ator Han Suk-kyu constrói seu personagem. Ele retrata Jung-won como um homem quase ‘bom demais’, uma figura sempre tranquila e sorridente. Mas aos poucos percebemos que esse ar ‘juvenil’ de Jung-won é na verdade uma máscara que ele acostumou-se a usar para disfarçar diante dos outros suas angústias pessoais – a perda da mãe na infância, o amor de sua vida que casou-se com outro... Jung-won é um homem de uma dignidade comovente, que tem sempre um olhar de carinho e preocupação com o próximo. Um personagem dos mais humanos e inesquecíveis. Grande ator, como sempre, Han Suk-kyu. Recomendo assistir a outros trabalhos de Han, como Shiri (1999), Tell Me Something (1999), Eye for an Eye (2008), ou o drama Deep-rooted Tree (2011), em que interpreta magnificamente o Rei Lee Do.

Pode-se descrever Christmas in August como um romance singular, onde não se ouvem palavras de amor, nem se presenciam gestos dramáticos, mas nem por isso as emoções são menos poderosas. Han Suk-kyu e Shim Eun-ha vivem um drama romântico único e por isso mesmo, inesquecível.
Além de ter sido um grande sucesso de bilheteria em seu país, na época de seu lançamento, Christmas in August recebeu no Korean Film Awards (1998) os prêmios de melhor filme, diretor, atriz e fotografia.
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